Brasilianismo

Fragmentação política vai atrapalhar governo de quem for eleito em 2018

Daniel Buarque

Fragmentação política vai atrapalhar presidente eleito em 2018, diz agência

A disputa pela Presidência do Brasil ainda nem começou oficialmente, mas, segundo um estudo da agência norte-americana de inteligência e geopolítica Stratfor, o sistema político vai dificultar o trabalho de quem quer que seja eleito em outubro.

''Fragmentação –em vez de polarização– vai ser a palavra mais importante no dia da eleição'', diz um artigo publicado pela agência, que trata da situação política do Brasil e da Colômbia.

O excesso de candidatos e de propostas tem grandes chances de levar à eleição de um candidato de fora do sistema político, diz, e ao mesmo tempo vai criar um contexto divisivo, em que vai ser difícil formar coalizões para governar o país.

''A falta de apoio no Congresso não é uma questão simples na América Latina'', diz. ''Algumas das mais marcantes divisões políticas estão no Brasil, onde regras eleitorais flexíveis permitiram a proliferação de pequenos partidos políticos'', explica.

''As consequências do fracasso em garantir apoio no Congresso são claras para quem quiser ver. A presidente brasileira Dilma Rousseff foi retirada do poder como resultado de uma votação de impeachment, enquanto seu sucessor, Michel Temer, evitou ter o mesmo destino.''

Com o processo jurídico contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ''deputado populista de direita'' Jair Bolsonaro e a ''candidata ambiental'' Marina Silva aparecem com chances de disputar o segundo turno, avalia. O problema, segundo a Stratfor, é que nenhum dos dois tem força no Congresso, o que tornaria difícil a formação de uma coalizão para governar.

O Brasil vai enfrentar uma ''eleição aberta com muitos candidatos com chances de chegar ao poder'', diz a análise. Enquanto é difícil indicar quem vai ser eleito, o vencedor vai sofrer para montar uma coalizão capaz de apoiar seu governo.

Esta não é a primeira crítica da Stratfor à dificuldade de se formar um governo no Brasil. Em uma análise publicada em agosto de 2016, após o impeachment de Dilma, dizia que o sistema político fragmentado em dezenas de partidos e a necessidade de formação de coalizões para governar o país são as raízes dos problemas e instabilidades vividos pelo Brasil.

''O problema com um sistema que incorpora tantos partidos políticos é que ele enfraquece o Executivo, caso ele seja incapaz de unir uma coalizão''.

A crítica aparece também na análise de outras publicações. Segundo a revista ''The Economist'', a crise política no Brasil pode em parte ser explicada pela cacofonia de vozes sem ideologia que formam o sistema brasileiro. ''O sistema atual incentiva a diversidade política em detrimento da qualidade'', dizia, em março do ano passado.

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