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Condenado, criador de Inhotim é chamado de ‘Willy Wonka’ por jornal inglês
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Daniel Buarque

Condenado, criador de Inhotim é chamado de 'Willy Wonka' por jornal inglês

A condenação do empresário Bernardo de Mello Paz, idealizador do museu Inhotim, teve grande destaque na mídia internacional. Segundo uma reportagem recente no jornal britânico ''The Times'', Paz é o ''Willy Wonka das artes'', uma referência ao excêntrico personagem do filme ''A Fantástica Fábrica de Chocolate''.

''Um bilionário brasileiro conhecido como o Willy Wonka da arte contemporânea, graças a sua criação da maior exposição ao ar livre do mundo, foi condenado a 9 anos de prisão por lavagem de dinheiro'', diz o ''Times''.

Inhotim também é uma figura frequente em reportagens internacionais, descrita com frequência como um bom destino para quem gosta de arte.

Uma reportagem de 2013 no jornal de economia ''Financial Times'' dizia que o museu era ''a mais impressionante e inesperada exibição de arte contemporânea que você vai ver''.

O ''Times'' britânico ressalta ainda que Paz fez sua fortuna por meio de empresas da família, e que usou dinheiro próprio para construir o museu.

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Brasileiros deveriam ter orgulho de combate à corrupção, diz think tank
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Daniel Buarque

Brasileiros deveriam ter orgulho de combate à corrupção, diz think tank dos EUA

Por mais que a situação atual do Brasil, com crises na política e na economia, deem poucos motivos para alegria, ''os brasileiros deveriam ter orgulho da forma como o seu sistema legal está lutando contra a corrupção''.

A análise foi publicada pelo instituto Cato, um think tank americano especializado em questões políticas internacionais.

Segundo o artigo publicado no site do grupo, as reformas constitucionais e de política implementadas nas últimas duas décadas no sistema Judiciário ''são um exemplo para outros países'', diz. A referência é à autonomia da Polícia Federal e de procuradores, além da autorização para delação premiada.

''Se você falar sobre corrupção e abuso de poder com pessoas de quase todos os países latino-americanos, é muito provável que eles expressem admiração –e um alto grau de inveja– sobre a imagem de políticos poderosos e empresários sendo levados à Justiça no Brasil'', diz.

O Cato admite que a classe política está lutando para evitar ser julgada pela corrupção, mas diz que ''as instituições mudaram'' no país.

''Os brasileiros demonstram ter menos tolerância em relação à corrupção e o abuso de poder'', diz.

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Entre ‘transitória’ e ‘vergonhosa’, crise afeta imagem externa do Brasil
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Daniel Buarque

A logomarca usada pelo Brasil para promover o país no exterior

Em conversas com estrangeiros que observam o noticiário sobre o Brasil no exterior, a pesquisadora Fabiana Mariutti tem ouvido relatos variados sobre a repercussão das crises no país.

''A imagem do Brasil está sendo afetada pela instabilidade política e econômica e pelas crises no país, para melhor ou para pior, depende do ponto de vista do público internacional'', diz, em entrevista ao blog Brasilianismo.

Segundo ela, alguns veem a situação ''como transitória, com mudanças políticas e sociais em busca da evolução econômica e financeira de um país emergente no panorama global; para outros, refere-se a um momento 'vergonhoso' de um país 'tão rico' estar em um estado tão 'pobre socialmente e tão doente politicamente''', explica.

Mariutti conhece bem este tipo de observação externa do país. Ela realiza pesquisas acadêmicas sobre a ''marca'' do Brasil no exterior desde 2010, publicou vários artigos científicos sobre o assunto e já faz pesquisa de pós-doutorado na USP sobre a imagem internacional do Brasil.

Na entrevista abaixo, ela fala da imagem do Brasil durante a crise, mas aborda também a evolução das pesquisas sobre imagem do país (e de nações de forma geral), e trata dos caminhos para entender a reputação de uma nação no resto do mundo.

Brasilianismo – Você concluiu seu doutorado, em que trata da imagem do Brasil, em fevereiro de 2017. O que descobriu em sua pesquisa?
Fabiana Mariutti – Minha pesquisa retratou a evolução da literatura sobre estudos em imagem de país, desde a teoria de país de origem, incidindo teoricamente em nation branding e em country branding até country reputation. Esta abordagem contribuiu nesta área de conhecimento, pois havia uma lacuna na literatura. Portanto, a investigação se fez sob a ótica da imagem projetada pela mídia (jornais britânicos) sobre o Brasil e pelos esforços de relações com a mídia do próprio governo brasileiro, alinhada à reputação do país percebida pelos residentes do Reino Unido. Também ampliei a percepção dos brasileiros sobre o próprio país. Certamente, são amostras de vastas populações que para uma única pesquisadora, fica humanamente impossível obter números elevados de participantes.

A pesquisadora Fabiana Mariutti, na formatura do doutorado na Universidade de Leeds

Após os dados empíricos analisados, foi concluído que a reputação do Brasil no Reino Unido está em nível médio (neutro), sendo que a mídia analisada se apresenta mais negativa quanto às notícias diárias sobre o Brasil, e a percepção dos residentes da amostra é favoravelmente mais positiva em relação à reputação do Brasil. Em relação à amostra de brasileiros, apesar de gostarem, relativamente, de viver no Brasil, não estão muito satisfeitos com o país. No entanto, as questões relacionadas com a urbanização, a diversidade, a natureza e a recreação são consideradas fatores predominantes na satisfação com o país pelos brasileiros.

Adicionalmente, a maioria dos brasileiros acredita que o Brasil não reflete uma imagem positiva nem tem uma boa reputação no exterior, mas concordam com a possibilidade de melhorar a reputação do país internacionalmente. Penso que estes resultados podem gerar frameworks para futuras pesquisas em prol do avanço científico no Brasil. Meu livro foi publicado em agosto de 2017, a partir de um breve resumo da tese de doutorado: “Country Reputation: The Case of Brazil in the United Kingdom – Four Stakeholders' Perspectives on Brazil's Brand Image” retrata tal pesquisa.

Brasilianismo – Após o doutorado, de que forma pretende continuar estudando o tema?
Fabiana Mariutti – Estou dando continuidade ao estudo do tema através de um pós-doutorado na FEA-RP, na USP. Desde junho de 2017, trabalho com um projeto de pesquisa de método misto e acabo de realizar a fase qualitativa na Europa, desenvolvida de junho a outubro de 2017. Foram realizadas dezessete entrevistas em três países: Inglaterra, Portugal e Suíça com especialistas de dez nacionalidades: alemã, canadense, chinesa, chilena, espanhola, grega, inglesa, portuguesa, suíça e uruguaia. Esta fase inicial, de caráter exploratória e indutiva agregará para o desenvolvimento da fase quantitativa sobre a mensuração de “country brand equity”, ou seja, o valor de uma marca-país.

Brasilianismo – Comparando com o nível desse tipo de pesquisa em outro país, quanto o Brasil está avançando para entender sua reputação internacional?
Fabiana Mariutti – Acredito muito que o Brasil está avançando para entender sua reputação internacional, porém precisamos dar continuidade aos investimentos em pesquisas, como em qualquer área. Tomando minha experiência como exemplo, um investimento de um PhD nesta área de estudo (ou qualquer uma) em um país com a Inglaterra possibilita uma enorme ganho em termos de internacionalização para o Brasil. O conhecimento vai além de um título de doutora. Participar dos mais importantes congressos internacionais na área foram de grande valia, assim como conversar pessoalmente com os pesquisadores renomados de diferentes origens que se estabelecem em universidades inglesas. Adicionalmente, todos os estudos destas teorias que relatei anteriormente acrescentam cientificamente neste entendimento da reputação internacional do Brasil.

Atualmente, a intensa competição entre países em busca do progresso da economia global, da prosperidade nacional e do desenvolvimento de negócios internacionais exige-se que cada país invista, estrategicamente, na investigação da sua imagem de país através de estudos em variados ângulos teóricos e metodológicos; para então, aproximar-se da estimativa de avaliação do seu valor enquanto país, com o intuito de não apenas atrair investidores, turistas, talentos humanos, estudantes, cientistas, entre outros, para o Brasil, mas para fomentar melhorias a partir dos aspectos negativos da imagem do Brasil, as quais são reais.

Brasilianismo – Você publicou um artigo em que fez uma análise dos principais índices usados para medir a ''marca'' dos países. De que forma acha que esses índices realmente refletem a imagem internacional das nações, como a do Brasil, por exemplo?
Fabiana Mariutti – Acredito que depende do propósito e das possíveis implicações de cada índice; depende da necessidade epistemológica e metodológica do pesquisador; depende da acuidade dimensional do perfil do investidor, etc. Atualmente, vários índices tentam resgatar a mensuração de uma marca ou de uma imagem de um país, com variados propósitos, metodologias e implicações. Sabe-se que estes índices não são precisos, mas podem orientar estudos a partir de lacunas na literatura e também políticas públicas a partir dos dados coletados. Descobriu-se também que os índices são complementares, apesar de utilizarem diferentes dimensões; e podem, ainda, serem explorados em conjunto para direcionamentos sobre a realidade de país.

O artigo tentou analisar a imagem do Brasil a partir da comparação entre seis índices, que após uma análise crítica de place branding, apenas os quatro mais similares foram examinados criados por Simon Anholt, Mark Fetscherin, Charles Fombrun e por Simon Anholt e Robert Govers. Por exemplo, no caso do Brasil, seu posicionamento se mostrou relativamente bem colocado, respectivamente, nestes índices:
The Anholt-Gfk Roper Nation Brands Index: 20º lugar entre 50 países em 2010;
Country Brand Strenght: 28º lugar entre 31 países em 2011;
Country RepTrack: 21º lugar entre 55 países em 2014;
The Good Country Index: 49º lugar entre 125 países em 2014.

Brasilianismo – O balanço de pesquisas de percepção de imagem mostra que o Brasil costuma ser bem avaliado enquanto destino turístico e admirado por sua cultura, mas que não tem reputação tão boa do ponto de vista de assuntos mais ''sérios'' como política e economia. Considerando sua pesquisa, esta imagem também existe entre ''stakeholders'' britânicos? A imagem que se tem do Brasil é a mesma encontrada nessas ''surveys''?
Fabiana Mariutti – Na minha pesquisa referente à parte quantitativa para investigação da percepção dos britânicos em relação à reputação do Brasil, foi relativamente inversa a esta premissa perante as quatro dimensões dos resultados. Importante ressaltar, esta pesquisa foi aplicada de outubro de 2015 a março de 2016. A amostra investigada foi composta de respondentes entre 16 e 29 anos (55%), seguida dos grupos entre 40-49 anos (20%), 30-39 anos (11%), 60-69 anos (7%) e 50-59 anos. (7%). Metade dos respondentes nunca esteve no Brasil, contudo um pouco mais da metade gostaria de visitar ou visitar novamente o Brasil. Fazendo um gancho com sua pergunta, o turismo prevalece aqui também. Referente às quatro dimensões confirmadas são as seguintes, na ordem da rotação de fatores da análise fatorial exploratória:
– Econômica e Política, com 37,89% da variância total, indica que o Brasil é um país democrático, tem boas relações internacionais, apóia boas causas, é responsável em relação ao meio ambiente, bem gerenciado e com economia estável.
– Exportações e Negócios, com 13,20% da variância total, indica um país atraente para fazer negócios e com setor industrial bem desenvolvido.
– Cultural e Geográfica, com 7,05% da variância total, indica a cultura única e encantadora do Brasil e sua rica história.
– Emocional, com 6.10% da variância total indica que a mostra de britânicos gostam e respeitam o país, mas não acreditam no Brasil.

Compreende-se que esta amostra jovem de britânicos reconhece o Brasil nestes fatores e recomendam-se futuras pesquisas ao expandir as particularidades destas dimensões. No entanto, duas questões são desconhecidas pela amostra: o Brasil não ter líderes carismáticos e não atuar como um membro ativo da comunidade global.

Estas considerações quando ponderadas, do ponto de vista político e econômico, serve de mais um alerta para o governo, pois a realidade de um país faz parte da sua reputação de marca, diferente da imagem que pode ser temporária, estereotipada ou gerenciada (relacionada ou não com a realidade do país). Uma reputação de país consistente preserva-se com as principais impressões de um país –representadas por crenças, opiniões, experiências, sentimentos, relacionamentos e pensamentos sobre as imagens de um país– e percebidas por diversificados públicos envolvidos.

Brasilianismo – De que forma acha que a imagem do Brasil está sendo afetada pela instabilidade política econômica e as crises no país?
Fabiana Mariutti – Sim, a imagem do Brasil está sendo afetada pela instabilidade política e econômica e pelas crises no país, para melhor ou para pior, depende do ponto de vista do público internacional. Pessoalmente, ao conversar com estrangeiros, há críticas positivas e negativas sobre a situação do Brasil. Geralmente, a informação chega pelas mídias, seguida das conversas com amigos brasileiros. Para alguns, é uma fase transitória com mudanças políticas e sociais em busca da evolução econômica e financeira de um país emergente no panorama global; para outros, refere-se a um momento “vergonhoso” de um país “tão rico” estar em um estado tão “pobre socialmente e tão doente politicamente”.

Tive relatos positivos sobre a repercussão dos acontecimentos, alguns exemplos são de estrangeiros de países desenvolvidos (Canadá e Reino Unido) e de países em desenvolvimento (Uruguai e Grécia). Para eles, o Brasil chama a atenção do mundo, como um grande atrativo pela sua natureza diversificada, pela sua imensidão de recursos naturais, pelos produtos exportados, pela cultura exótica, pelas pessoas alegres e comunicativas, visto como um país acolhedor e vibrante, e tantos outros quesitos únicos. Simon Anholt resumiu bem nosso país em 2015 ao dizer que o Brasil tem uma imagem forte e distinta, associada com a alegria, mas a natureza da reputação do país é muito “light”.

Relatos negativos são lembrados, com certeza, e devem ser ponderados na literatura como prioridade em pesquisas, em políticas públicas e em debates governamentais. Imagens negativas repetitivas são abordadas: a criminalidade, a falta de segurança pública, a infraestrutura precária de transporte e urbana, a desigualdade social, a corrupção, etc.

Infelizmente, ouvi de um entrevistado que o Brasil é um país esquizofrênico, referindo-se a um país de contrastes, cheio de paradoxos e muitas desigualdades. Diante destes comentários e dos resultados destas pesquisas e de muitas outras, penso como todos eles sobre o Brasil ser um país cheio de paradoxos, dicotômico, com altos e baixos.

Brasilianismo – Você é uma das pesquisadoras com mais publicações acadêmicas sobre a ''marca'' do Brasil no mundo. Como começou a se envolver com o tema?
Fabiana Mariutti – Tenho pesquisado a gestão da marca Brasil desde 2010. Me envolvi com o tema ao ver uma oportunidade de pesquisa no curso de mestrado no site da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo, em 2009. Após aprovada, realizei meu primeiro estudo de 2010 a 2012, sob a orientação da professora Janaina de Moura Engracia Giraldi.

No entanto, me considero também uma ‘curiosa’ sobre imagem de países há muito tempo –por dois motivos. Primeiramente, como muitos brasileiros, sou bisneta de imigrantes europeus (italianos e portugueses), com apenas uma bisavó brasileira da região da Amazônia que casou com um navegador holandês, também imigrante na região nordeste do Brasil. Em família, sempre se falava sobre diferentes nacionalidades, costumes e curiosidades de vários países. Outro motivador, sem sombra de dúvida, foi minha experiência como estudante de ensino médio nos Estados Unidos em 1990, em que por um ano frequentei a high school com alguns estrangeiros. Ambas as razões pessoais me direcionaram para pesquisar esta fascinante linha de pesquisa.

No momento, me considero uma pesquisadora em gestão de marketing-de-lugar, gestão da marca-de-lugar e reputação de lugar (place marketing, place branding e place reputation), as quais abrangem a identidade e imagem da marca do lugar com foco na reputação do lugar (cidade, região ou país) –reputação baseada na realidade do lugar, que envolve públicos internos e externos, que preza pelo progresso do lugar, refere-se ao conjunto de imagens sólidas de uma cidade, uma região ou um país em um contexto altamente intangível, racionalmente atribuído a partir de experiências e não apenas de referências pictóricas, pois, a reputação de um lugar é um fenômeno estabelecido, constantemente, ao longo prazo.

Brasilianismo- De que forma acha que a pesquisa sobre a imagem de nações está evoluindo?
Fabiana Mariutti – Sim, o tema –na área de marketing internacional e negócios internacionais– está evoluindo nacionalmente e internacionalmente, apesar de ser considerado polêmico por alguns pesquisadores, profissionais e leigos. Isto ocorre por causa de algumas circunstâncias: pela falta de conhecimento tanto teórico e prático desta linha de pesquisa em si e pelas estratégias e práticas superficiais de gestão de uma marca-de-lugar.

Primeiramente, de acordo com place branding (gestão de marca-de-lugar), um país, uma região ou uma cidade já se reconhece como marca por seu próprio nome, pela sua presença geopolítica representada pelo espaço geográfico no mapa-múndi. O Brasil já se estabelece como marca (não oficial) desde que era reconhecido (internacionalmente) como Terra Brasilis ou Terra de Santa Cruz nos primórdios de sua descoberta.

No caso da marca Brasil, sua marca no sentido de símbolo, foi oficialmente lançada em 2005, pelo Ministério do Turismo – Governo Federal. Sendo que o conceito da marca foi definido pela Embratur com intuito de promover o Brasil para o aumento do turismo internacional, que sabemos que corresponde a um dos mais baixos do mundo. Através de um concurso, portfólios foram criados a partir da referência iconográfica de uma ilustração do arquiteto brasileiro Burle Marx (1938); em que foram selecionados cinco finalistas para escolha definitiva para imediata promoção da marca Brasil no exterior.

Teoricamente, contextualizada na área de branding, a marca refere-se ao símbolo multicolorido com o nome da marca Brasil como posicionamento textual, serve de ícone visual para representação do país. Aqui está a ‘confusão’ que gera certa polêmica, o logo faz parte de um ramo de country branding, ou seja, da gestão da marca-país, o qual envolve estratégias de comunicação de marca para criar associações nas mentes do público-alvo, que no caso de um país, são infinitas diante de variados fatores e dimensões multifacetadas que um país possui –como: a dimensão social, cultural, política, tecnológica, histórica, entre outras– devem ser consideradas ao estudar a marca de país, seja por meio da identidade ou da imagem do país. Somado a cada dimensão, aparecem os variados stakeholders (públicos envolvidos) referentes a mercados específicos.

Minha pesquisa explica detalhadamente o histórico da marca Brasil e também as críticas positivas e negativas em relação à gestão da marca. O avanço desta pesquisa foi a transposição da teoria de marca de David Aaker (1991) para uma marca de país; ao utilizar uma amostra do setor do turismo, os destinos brasileiros foram analisados a partir de agências e operadores de turismo dos EUA. Publicamos um livro em outubro de 2013: “Country Brand Identity: Communication of the Brazil Brand in the United States of America.”

No Brasil, há pesquisadores como Janaina Giraldi, Dirceu Tornavoi e Edson Crescitelli, os quais publicaram debates sobre marca de países desde meados da década de 2000. Desde então, Giraldi pesquisa a imagem do Brasil sob a perspectiva da teoria de país-de-origem e vem intensamente expandindo seus estudos em alinhamentos teóricos e metodológicos em variados mercados brasileiros. Daniela Khauaja é uma referência nacional em Marca Brasil e Mariana Sutter se estabelece como pesquisadora internacional de imagem de país com foco em estratégia. Muitos trabalhos relacionados com o tema são também publicados, especificamente, na área de turismo por cientistas brasileiros. Mesmo assim, há um potencial imenso de arcabouços teóricos voltados para pesquisas sobre a imagem do Brasil no exterior.

Brasilianismo – Qual o estado da pesquisa sobre a imagem do Brasil na academia atualmente?
Fabiana Mariutti – Como mencionado anteriormente, o tema se faz grandioso sob várias perspectivas científicas, em que o estado da arte da literatura nacional reflete pesquisas robustas sobre o Brasil –pode-se dizer que alcançou um excelente nível em pouco tempo.

Importante ressaltar que há outras teorias que escoltam a representatividade da imagem de um país enquanto linha de pesquisa científica, como a nation marketing que não se expandiu cientificamente; o nation branding voltado ao soft power com apoio de princípios da diplomacia pública e relações internacionais; o place making, que foca no desenvolvimento do lugar e engajamento dos públicos envolvidos do lugar; e recentemente o place reputation, que preza pela reputação da cidade, região ou do próprio país (country reputation). As primeiras pesquisas sobre imagem de países com variadas posições teóricas e metodológicas tiveram seu início após o ano 2000, por exemplo: Espanha, Polônia, Tailândia, Islândia, Nova Zelândia, México, Inglaterra, Irlanda, China, Estados Unidos e Chile.

Brasilianismo – Os brasileiros têm naturalmente muito interesse pelo que se pensa sobre o país no exterior. Para além dessa curiosidade da população, qual você acha que é a importância real de o Brasil entender o que pensa sobre ele no resto do mundo?
Fabiana Mariutti – Há uma grande diferença entre o que ‘se pensa’ sobre o Brasil e sobre pesquisas acadêmicas sobre a imagem de um país como o Brasil, celeiro do mundo com potencial enorme de crescimento econômico e expansão internacional em várias dimensões. Seja qual for a colocação, a importância real de entender o que se pensa sobre o Brasil no resto no mundo se faz necessária para seu próprio desenvolvimento nacional.

Acredito que as descobertas científicas sobre a imagem do Brasil oriundas de pesquisas sobre a carne bovina, sobre a indústria de sapatos, sobre a moda brasileira, sobre os destinos turísticos brasileiros e sobre a mídia internacional, por exemplo, oferecem oportunidade de proveitosos debates para seus respectivos mercados. O caminho está sendo trilhado, pesquisa e mercado precisam se aproximar em prol de uma reputação consistente do país.

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‘Moro foi condenado a me condenar’, diz Lula em entrevista ao ‘Monde’
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Daniel Buarque

'Moro foi condenado a me condenar', diz Lula ao 'Monde'

O jornal francês ''Le Monde'' publicou uma longa entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua condenação, a situação política do Brasil e a possibilidade de disputar a eleição presidencial de 2018.

Para o ex-presidente, o juiz Sérgio Moro, responsável por sua condenação, é ''refém da mídia''. Ele foi ''condenado a me condenar'', disse Lula.

''Os procuradores, tomados pela megalomania, garantem que o PT queria o poder para roubar. A Polícia Federal mente, o procurador mente, e o juiz Moro transforma essas mentiras em processos judiciais. Faz três anos que a polícia investiga. E até agora não há nenhuma prova da minha culpa'', avaliou o ex-presidente.

Lula admitiu ter cometido erros, mas defendeu seu governo. ''Ninguém tem 80% de aprovação por seus erros'', disse.

A ex-presidente Dilma Rousseff também cometeu erros, segundo ele. ''Dilma disse que não faria reformas. Depois ela fez reformas que afetaram os trabalhadores e os deixou com sentimento de terem sido traídos'', disse. Segundo ele, entretanto, o impeachment foi um ''golpe de Estado''.

Reiterando que vai ser candidato e que está pronto para assumir o poder, Lula chamou a preocupação dos mercados em relação a sua tentativa de voltar ao governo de ''ridículas e hipócritas''.

''Os mercados não têm medo de Lula porque eles já viveram no país governado por Lula e aquele foi um dos melhores momentos para a economia'', disse.

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Levantamento indica que imagem internacional do Brasil nunca foi tão ruim
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Daniel Buarque

Por mais que a diplomacia brasileira tente negar, a imagem do Brasil no resto do mundo vem sofrendo um forte impacto das crises política e econômica, das notícias sobre corrupção, bem como do aumento da pobreza e da violência nos últimos anos. Pelo que se vê nos rankings internacionais que medem a percepção global sobre o país, a imagem do Brasil nunca foi tão ruim.

Isso aparece claramente no Anholt-GfK Nation Brands Index (NBI), mais famoso e aclamado método de analisar a reputação de nações, que acaba de ser divulgado. O Brasil voltou a cair duas posições nele, e agora é apenas o 25º país mais admirado do planeta –sua pior classificação na história da avaliação.

O resultado do índice para o ano de 2017 foi anunciado nesta quinta (16). A lista confirma a tendência de piora da reputação do Brasil, que já havia ficado evidente em 2016, quando o país já estava em sua pior posição até então.

O NBI avalia a imagem dos países em seis quesitos, com rankings específicos. Segundo a pesquisa deste ano, o Brasil é o 29º lugar em ''Exportações'', o 33º em ''Governo'', o 10º colocado em ''Cultura'', o 23º em ''Povo'', o 19º em ''Turismo'' e o 33º em ''Imigração/Investimento''.

Posições do Brasil no NBI ao longo dos anos até 2016

Apesar de ter caído 2 posições no ranking geral, o país não perdeu pontos na avaliação de nenhum dos quesitos, e perdeu duas posições no índice por ter sido ultrapassado por países que melhoraram suas notas gerais.

O NBI avalia a imagem de 50 países, incluindo o Brasil, no resto do mundo. Historicamente, ser o 25º é ruim pois o país foi listado na primeira edição do ranking, em 2008, em 13º lugar entre as nações mais admiradas do mundo, mas desde 2009 costumava aparecer como o país emergente mais bem classificado, sempre em torno do 20º lugar — Em 2011 subiu para 16º, mas logo depois caiu de volta para a 20ª colocação. Em 2016 o Brasil era o 23º, pior classificação até então.

O ranking é calculado a partir de entrevistas e painéis realizados em várias partes do planeta.

A deterioração da imagem do Brasil tem sido confirmada também em outros índices internacionais, como o ranking Best Countries, em cujo ranking mais recente o país caiu 8 posições. O Brasil agora é apenas o 28º ''melhor país do mundo'', segundo este estudo.

Crise afeta imagem internacional do Brasil

Ainda segundo o Best Countries, o Brasil é um ótimo lugar para diversão e aventura, mas não exatamente um bom lugar para viver ou fazer negócios.

A avaliação positiva do Brasil em ''Cultura'' e ''Turismo'' ajuda a reforçar a imagem internacional de país decorativo do Brasil. Segundo esta interpretação, o país vai bem em itens mais leves da sua reputação, ligados a diversão, e é mal avaliado em questões sérias como política e economia. Isso reforça a imagem internacional do Brasil como um país de festa, mas não sendo como um bom lugar para fazer negócios.

Além do Brasil, quem também piorou sua reputação no mundo, segundo o NBI deste ano, foram os Estados Unidos, que tiveram a maior queda. Os EUA perderam a liderança do ranking e agora aparecem apenas como o 6º país mais admirado do mundo.

A piora na imagem se dá por conta do ''efeito Trump'', segundo avaliação do consultor Simon Anholt, criador do índice, divulgada junto com os dados deste ano.

Com a queda dos EUA, o ranking agora é liderado pela Alemanha, seguida pela França e pelo Reino Unido.

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Representações culturais de domésticas no Brasil são analisadas em Oxford
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Daniel Buarque

Cena do filme ''Que Horas Ela Volta?''

A ideia de que as empregadas domésticas que moram nas casas em que trabalham são consideradas ''quase parte da família'' mascara a exploração emocional e profissional dessas trabalhadoras. O fenômeno tem sido explorado por produções culturais, especialmente no cinema, e é o tema de uma pesquisa na universidade de Oxford.

Rachel Randall é professora de português e estudos latino americanos da Lady Margaret Hall, faculdade que faz parte de Oxford. Sua pesquisa atual se debruça sobre a forma como empregadas domésticas são retratadas na produção cultural do país.

Em entrevista ao blog Brasilianismo, Randall explicou sua pesquisa, falou sobre as mudanças nas leis trabalhistas no Brasil e sobre o legado da escravidão, que ainda marca muito o trabalho doméstico no país.

Brasilianismo – O foco da sua pesquisa é a representação de trabalhadores domésticos no Brasil. O que você descobriu até agora, e como você está conduzindo seu estudo?
Rachel Randall –
O meu projeto examina a representação de trabalhadores domésticos, em particular empregadas domésticas e babás, na produção cultural pós-ditadura brasileira e chilena, com foco particular em cinema, cultura digital, e literatura depoimentos. Estou interessada na forma como os laços emocionais entre os trabalhadores domésticos e as famílias que os empregam podem complicar e reforçar as fronteiras de classe e de raça estabelecidas nos dois países.

A pesquisadora Rachel Randall, de Oxford

As empregadas que moram no lugar de trabalho, por exemplo, são muitas vezes consideradas como ''quase uma parte da família'', mas estou interessada no fato de que várias produções culturais recentes aludem ao modo como esta narrativa mascara a exploração emocional e profissional desses trabalhadores. Na verdade, acho que o cinema, e particularmente o documentário, é um meio privilegiado para explorar e evocar esses tipos de laços complexos, emocionais e interpessoais – como, por exemplo, o documentário “Doméstica”, de Gabriel Mascaro. Também estou interessada no fato de que a melhora das proteções para os trabalhadores domésticos, introduzidas em ambos os países ao mesmo tempo (em 2012 e 2014), coincidiram com um boom de produções culturais que retratam trabalhadores domésticos. Acho que as mudanças na legislação trabalhista para domésticas, nas circunstâncias econômicas e nas normas socioculturais levaram as pessoas, tanto no Brasil como no Chile, a refletir sobre a ética de empregar um trabalhador doméstico, particularmente alguém que vive permanentemente em sua casa.

Brasilianismo – Tem havido um forte debate sobre esse assunto desde há alguns anos devido a mudanças nas leis trabalhistas e por causa de filmes como “Que Horas Ela Volta?”. Por outro lado, com a crise atual no país e as políticas de austeridade implementadas pelo governo, o Brasil parece estar dando um passo atrás em direitos sociais. O que você acha sobre o estado desse debate no Brasil?
Rachel Randall –
As alterações feitas no direito trabalhista no Brasil recentemente através da reforma do CLT são muito preocupantes, inclusive o fato de que agora é permitido que as mulheres grávidas trabalhem em condições insalubres, por exemplo. Eu não sou especialista em direito trabalhista e não tenho certeza exatamente como as reformas recentes irão afetar as proteções trazidas especificamente para trabalhadores domésticos sob a administração de Dilma Rousseff, quando receberam os mesmos direitos que outros trabalhadores.
Infelizmente, também parece que a crise econômica no Brasil está afetando o número de pessoas que realizam esse tipo de trabalho, que havia diminuído, mas recentemente começou a subir de novo

Brasilianismo – No site da universidade, você fala sobre o legado da escravidão na situação dos trabalhadores domésticos no Brasil. Quanto você acha que esse legado ainda molda a sociedade brasileira hoje?
Rachel Randall –
É claro que o legado da escravidão dá forma às relações atuais entre empregadores e empregados domésticos, a maioria dos quais são afrodescendentes. Eu acho que a ocupação é muitas vezes percebida como trabalho feminino de classe baixa por causa do fato de que muitas mulheres negras assumiram posições de serviço pago após o fim do trabalho escravo no Brasil. É por isso que os analistas políticos e os diretores de cinema (entre outros) continuam fazendo referência a “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, no momento: eles veem que as conotações do trabalho emocional e corpóreo que se atrelaram aos corpos dos escravos (e em particular a mulheres afro-brasileiras durante a escravidão) ainda moldam as atitudes em relação aos trabalhadores domésticos, em particular empregadas domésticas e babás, no Brasil hoje.

Brasilianismo – Seu estudo também considera o caso do Chile. É possível comparar a situação dos trabalhadores domésticos no Brasil com qualquer outro país? Quão diferente você acha que é o caso do Brasil nesse assunto?
Rachel Randall –
Os trabalhadores domésticos enfrentam desafios comuns, mesmo quando trabalham em diferentes países, como a insegurança no trabalho e a exploração emocional e profissional. De fato, o trabalho doméstico é um fenômeno transnacional na medida em que muitos trabalhadores migram para países mais ricos para realizar esse tipo de trabalho e ganhar mais dinheiro do que no seu país de origem. Isso não quer dizer que não existam especificidades importantes em cada contexto nacional.

O Brasil e o Chile servem a uma comparação produtiva; nenhum dos dois havia introduzido proteções particularmente fortes para os trabalhadores domésticos até recentemente, quando fizeram isso em torno da mesma época e em resposta à Convenção da OIT sobre os trabalhadores domésticos (2011). Parece haver também uma evolução nas atitudes culturais em relação ao trabalho doméstico que ocorreu em ambos os países quase ao mesmo tempo e que tem sido expressa em filmes de ambos os países que têm tido muito sucesso, tanto em nível nacional como internacional.

O Brasil e o Chile também são semelhantes no sentido de que são sociedades altamente desiguais (uma situação exacerbada por longos períodos de ditadura militar), o que cria demanda e oferta de trabalho doméstico (embora este seja também o caso em outros países latino-americanos).

O trabalho doméstico em ambos os países também é extremamente ''racializado'', com muitos trabalhadores no Chile que migraram do Peru e da Bolívia (entre outros países), enquanto no Brasil essa migração tende a ser interna com trabalhadores provenientes de áreas mais pobres (muitas vezes o Nordeste) para trabalhar em centros urbanos no sul. Isso funciona como uma semelhança e uma diferença entre os países, o que eu pensei que poderia ser frutífero para explorar.

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Judith Butler: Protestos contra palestra foram ‘movidos pela ignorância’
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Daniel Buarque

Judith Butler: Protestos contra palestra foram 'movidos pela ignorância' (Bruno Santos/Folhapress)

Alvo de uma série de protestos durante sua passagem pelo Brasil, a filósofa norte-americana Judith Butler disse que os manifestantes que a atacaram no país foram movidos pela ignorância. Em uma entrevista ao site ''Inside Higher Ed'', Butler comentou a controvérsia da sua visita ao Brasil, e disse que as pessoas que se mobilizaram contra ela não conhecem e não entendem seu trabalho.

Segundo Butler, apesar de a conferência de que ela participou ter tido discussões de alto nível, do lado de fora o clima foi perturbador.

''É motivo de preocupação ver tantas pessoas movidas pela ignorância, opondo-se a uma teoria que de modo algum se assemelha à caricatura que fazem dela e queimando de efígies, lembrando a horrenda tradição de queimar dissidentes como 'bruxas''', disse.

Para ela, os manifestantes querem defender um Brasil ''como um lugar onde as pessoas LGBTQ não são bem-vindas, onde a família permanece heterossexual (então sem casamento gay), onde o aborto é ilegal e a liberdade reprodutiva não existe. Eles querem que meninos sejam meninos e meninas sejam meninas e que não haja complexidade em questões como estas. O esforço é antifeminista, antitrans, homofóbico e nacionalista. Desta forma, eles se assemelham às formas de neofascismo que vemos emergir em diferentes partes do mundo. '', disse.

Butler explicou que antes mesmo da sua viagem ao Brasil uma petição já pedia o cancelamento da sua palestra, assumindo que falaria sobre questões de gênero, ''já que a suposição era de que sou a criadora da 'ideologia do gênero''', disse.

''Essa ideologia, que é chamada de 'diabólica' por esses oponentes, é considerada uma ameaça para a família. Não parece haver nenhuma evidência de que aqueles que se mobilizaram nessa ocasião tenham qualquer familiaridade com o meu texto ''Gender Trouble'', publicado em 1989. Mas eles dizem que ele promove a ideia de que qualquer pessoa pode escolher o gênero que quiser, que não há leis naturais ou diferenças naturais e que tanto a base bíblica como científica para estabelecer as diferenças entre os sexos seria, ou já, é destruída pela teoria atribuída a mim'', disse. ''É claro que, estudos de gênero e teoria de gênero revelam-se, na realidade, um campo muito mais complexo e não conheço ninguém dentro desse campo que detém o tipo de posição que me foi atribuída''

''O objetivo da teoria era oferecer mais linguagem e reconhecimento àqueles que se descobriram ostracizados porque não confirmaram as idéias restritivas do que significa ser homem ou mulher. Mas essa teoria nunca negou a existência de restrições e, como eu desenvolvi nos últimos anos, procurei mostrar como serviu ao propósito moral de criar uma vida mais viável para todas as pessoas que abrangem o espectro de gênero ''.

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Seleção brasileira virou máquina de fazer dinheiro, diz tabloide inglês
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Daniel Buarque

Seleção brasileira virou 'máquina de fazer dinheiro', diz tabloide inglês

A viagem da seleção de Brasileira de futebol a Londres, onde joga um amistoso contra a Inglaterra, colocou os holofotes da imprensa britânica sobre o time do Brasil. Em uma série de reportagens mais opinativas e analíticas, os jornais ingleses avaliam o time, o técnico, o futebol e dizem até que a seleção se tornou um equivalente aos Globetrotters, time de basquete do Harlem que faz apresentações com acrobacias espetaculares pelo mundo.

Segundo o tabloide ''Daily Mail'', que faz a comparação com o time de basquete, o time brasileiro se transformou numa ''máquina de dinheiro''.

''Suas partidas podem até ser um pouco mais competitivas do que as do mais famoso time de basquete do Harlem, mas o Brasil também está se tornando um Globetrotter'', diz o texto, que avalia cinco anos de viagens da seleção brasileira pelo mundo.

''A máquina de dinheito que é a seleção do Brasil jogou 33 amistosos no período. Um impressionante número de 24 foram realizados fora do seu país.''

Um dos motivos para o número tão alto foi a preparação para a Copa de 2014, diz o tabloide. Mas o principal motivo, explica, é a bilheteria.

O jornal diz que cada jogo do Brasil envolve valores altos, mas que a seleção também ''garante entretenimento'' para milhares de torcedores pelo mundo.

Além do tabloide, o escrutínio sobre a seleção brasileira na mídia inglesa também aparece em jornais mais sérios.

O ''Guardian'' fala sobre o quanto o time ainda depende de Neymar, e diz que a ''petulância'' do jogador pode atrapalhar os planos do Brasil na busca pelo título da próxima Copa.

''A ousadia de Neymar é parte do seu apelo e, em muitos aspectos, sustenta seus truques e movimentos corporais e tudo de resto. Mas o jogador mais caro do mundo mostrou sinais de que corre o risco de cruzar a fronteira da petulância'', diz.

Ainda de forma crítica, outro jornal, o ''Telegraph'' fala sobre o futebol brasileiro. A análise publicada vai além do campo e diz que o ''Brasil pode produzir os melhores jogadores, mas também tem os cartolas mais venais e corruptos''.

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ONG internacional critica proposta para mudar regras de aborto no Brasil
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Daniel Buarque

Cartaz com mensagem favorável ao aborto durante manifestação (Guillermo Giansanti/UOL)

Um artigo publicado no site da organização internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch criticou a aprovação de uma PEC (Proposta de emenda à Constituição) que endurece as regras de aborto até em casos legais, como o de estupro.

Segundo a HRW, a decisão é equivalente a ''virar as costas para mulheres e meninas''.

''Centenas de mulheres morreram no Brasil por causa de abortos inseguros em anos recentes. Mesmo assim, na noite de quarta, 18 membros de um comitê da Câmara de Deputados –todos homens– votaram a favor de uma perigosa emenda constitucional que, se implementada, pode aumentar ainda mais esses números'', diz.

O texto ressalta que a HRW publicou um relatório recente sobre mulheres que engravidam sem querer, e que correm riscos.

''O Congresso brasileiro deveria proteger a saúde e direitos das mulheres e rejeitar esta proposta desumana'', diz.

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Otimista com eleição no Brasil, mercado aposta em candidato que não existe
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Daniel Buarque

Para mídia de economia, recuperação depende de candidato que não existe

''Onde está o Macron Brasileiro?'', pergunta Martin Wolf, colunista do jornal de economia ''Financial Times'', em sua coluna mais recente, em referência ao presidente centrista da França, eleito em maio.

''Pergunte à elite financeira de São Paulo quem vai ganhar as próximas eleições para presidente, e eles dizem que será alguém voltado a reformas fiscais e privatização. O único problema? Este candidato ainda precisa aparecer'', diz uma reportagem da agência de finanças Bloomberg.

A pouco menos de um ano da escolha do próximo presidente, a falta de um candidato que represente uma proposta política em linha com os interesses do mercado preocupa os analistas de economia estrangeiros.

Segundo Wolf, as crises econômica, política e moral no país podem ser interpretadas como uma grande oportunidade para desenhar o futuro, mas problemas políticos precisam de soluções políticas.

''Quanto a isso, os augúrios para a eleição presidencial de 2018 não são positivos. Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por corrupção, lidera as pesquisas, mas pode ser impedido de se candidatar. O segundo colocado nas pesquisas é Jair Bolsonaro, um direitista perto do qual Donald Trump serviria como exemplo de moderação e autocontrole. Nenhum deles seria capaz de promover as reformas de que o Brasil precisa agora, por motivos diferentes. Lula está desacreditado; e Bolsonaro é um populista autoritário. Existem candidatos melhores. Mas o apoio a eles ainda é modesto'', diz.

Segundo a Bloomberg, a confiança do mercado em ter um nome a seu favor no governo a partir de 2019 ainda é alta, mas a ausência de um nome claro para isso é motivo de preocupação.

''Se eles estiverem errados, o mercado de ações do Brasil pode entrar em convulsão'', diz. ''O otimismo deles pode se provar uma previsão ou inocência, mas uma coisa é certa: 2018 vai se um ponto de inflexão na democracia de três décadas no Brasil'', complementa.

O risco, segundo o diretor da agência de avaliação de risco Eurasia, citado pela Bloomberg, é exagerar no otimismo. Segundo ele, o risco de uma vitória do populismo na eleição do próximo ano no país é real.

''O que o Brasil precisa agora, dizem os banqueiros, é de um candidato que perceba o quanto a recuperação é frágil e que a atravesse levando adiante reformas iniciadas pelo atual presidente'', diz a Bloomberg.

''O Brasil precisa de um renascimento político e econômico. A crise o torna necessário. Caso não aconteça, o futuro parece triste'', finaliza Wolf, no ''FT''.

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