Brasilianismo

Investidores estrangeiros temem fim de reformas após eleição no Brasil
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Daniel Buarque

Os investidores estrangeiros estão nervosos com o processo eleitoral brasileiro, diz uma reportagem publicada pelo jornal de economia ''Financial Times''.

A falta de um consenso sobre a necessidade de reformas estruturais no país entre os principais candidatos a presidente é a origem da preocupação.

''Os candidatos estão envolvidos em uma batalha pelos corações e mentes dos eleitores em um país que tradicionalmente se inclinou para a esquerda, mas que hoje está rejeitando a política tradicional em meio a uma economia cambaleante e escândalos generalizados de corrupção'', diz a reportagem.

''Os investidores estão nervosos com o fato de eleitores poderem eleger um presidente que não está disposto ou não será capaz de implementar reformas econômicas necessárias, mas politicamente difíceis, especialmente uma revisão do generoso sistema de aposentadorias do país.''

Segundo o ''FT'', Ciro Gomes é o candidato que mais preocupa, enquanto a proposta de Jair Bolsonaro parece confusa, e Marina Silva provavelmente não teria força política. Geraldo Alckmin é citado como o candidato que deixaria os mercados mais tranquilos. ''Mas até agora ele não conseguiu decolar nas pesquisas.''

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Lula não é preso político, e campanha mundial faz mal ao país, diz ‘Forbes’
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Daniel Buarque

A polêmica em torno da disputa jurídica sobre a libertação ou não do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz parte de uma campanha articulada para promover internacionalmente a ideia de que Lula é um preso político, diz um artigo publicado no site da revista de economia ''Forbes''. Esta ação no resto do mundo pode fazer mal à reputação das instituições do país, complementa.

Em uma análise crítica da confusão do último domingo (8), Kenneth Rapoza, autor da cobertura política do Brasil na ''Forbes'', rejeita os argumentos usados para ''convencer o mundo de que Lula é perseguido por sua política''. Segundo ele, a estratégia teve início em 2016, e conseguiu convencer algumas pessoas de que ''os homens maus no poder não queriam que ele concorresse à Presidência novamente, com medo que ele ganhasse e ajudasse os brasileiros de baixa renda a sair de sua verdadeira servidão.''

Apesar da campanha, segundo ele, ''Lula não é um preso político''.

O texto de Rapoza na ''Forbes'' é uma das críticas mais duras ao argumento de perseguição política ao ex-presidente publicadas na imprensa internacional. Apesar de ser uma publicação ligada ao olhar (e interesses) de investidores internacionais, ele aponta o quanto empresários foram favorecidos durante o governo de Lula, e o quanto muitos executivos também estão sendo punidos pela mesma investigação de corrupção em que Lula aparece envolvido.

''Lula não é uma figura antiestablishment apanhada no turbilhão de elites raivosas e vingativas. Por mais de 13 anos, seu partido foi o establishment. Ele trabalhou com as elites do Brasil e vice-versa'', diz.

Segundo o artigo, apesar da campanha, Lula está preso por causa da corrupção na Petrobras, e o argumento de perseguição perde força ao ver que ele não é o único processado em uma investigação que envolve políticos e empresários com grande força no país.

''Grandes executivos que ajudaram o Partido dos Trabalhadores e seus aliados a atacar a Petrobras estão todos na prisão ou em prisão domiciliar, sejam eles marxistas ou capitalistas com imóveis em Miami. Subornos eram usados ​​para pagar campanhas políticas e outros favores. Era um sistema fraudulento que favorecia alguns partidos. O partido de Lula foi um deles'', diz.

Independente de ter base real, argumenta o artigo, a campanha para convencer observadores externos de que Lula é perseguido politicamente vai continuar até a eleição e vai ter um impacto negativo para a reputação das instituições brasileiras.

''O Brasil não terá seu primeiro presidente prisioneiro. E, como resultado, muitos defensores intransigentes dele em todo o mundo vão declarar a eleição de outubro uma fraude. Celebridades e professores da Sorbonne vão escrever artigos apaixonados e virais dizendo que a democracia do Brasil é uma farsa… De novo. Não será por erro que eles vão pensar assim. Será o resultado do enredo inteligente e emocionalmente carregado que Lula tem promovido para todo o mundo por mais de um ano. Ele sabe que, se a opinião estrangeira se inclinar a seu favor, lançará dúvidas sobre as instituições que o prenderam. Isso pode ser bom para Lula, mas não é uma boa ideia para o Brasil.''

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Discussão sobre Lula reforça imagem de caos político às vésperas da eleição
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Daniel Buarque

A confusão jurídica em torno da decisão de soltar ou não o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi vista do exterior como um exemplo do caos político que tem tomado conta do Brasil, e que não termina. Desde o início do ano, o foco da maior parte das análises internacionais sobre o Brasil apontam a eleição como a questão mais importante, e tem sido comum a percepção de que o processo até lá está marcado por grandes incertezas.

Encerrada a participação brasileira na Copa do Mundo, a política volta a ser o centro das atenções quando se fala sobre o país no exterior. As reviravoltas nas decisões ao longo do domingo chegaram a ser comparadas a uma novela. Por mais que as principais reportagens sobre o caso até aqui tenham sido mais descritivas do que analíticas, ficaram no ar muitas dúvidas sobre todo o processo e o que isso significa para o futuro.

Ainda falando das incertezas do processo eleitoral, a cobertura da imprensa estrangeira ressalta que Lula continua aparecendo como favorito na corrida presidencial, apesar de estar preso –e a ordem para soltar Lula foi tratada como uma possibilidade para o petista ainda concorrer à Presidência, o que torna o cenário ainda mais incerto.

No Twitter, o editor-chefe da revista ''Americas Quarterly'', Brian Winter, criticou todo o processo jurídico desenvolvido ao longo do domingo, e indicou achar que ainda há chances de Lula ser candidato, reiterando o que defendeu em artigo publicado no início do ano. ''Ainda acho que há uma chance de a elite política brasileira encontrar um caminho –auxiliados por um código legal altamente complexo e pelo clamor popular– para Lula ser candidato em outubro'', disse.

Independentemente do apoio a um ou outro lado no debate sobre a liberdade ou não de Lula, o caso reforça a impressão de que o país continua mergulhado em uma grave crise política, e que isso não vai ser resolvido até as eleições –pelo contrário, a impressão é de que o caos vai dar o tom da campanha e da eleição.

O ''New York Times'', por exemplo, tratou o caso como apenas a ''reviravolta mais recente'' no tumultuado processo eleitoral brasileiro.

Mesmo sem que a imprensa estrangeira tenha analisado de forma mais detalhada a confusão, o caso ganhou repercussão desde o domingo (8). A Radio França Internacional (RFI) e o UOL fizeram apanhados de televisões, jornais e emissoras de rácdio do mundo inteiro que acompanharam os anúncios contraditórios feitos durante o dia, tentando explicar ao público estrangeiro o imbróglio político-judicial brasileiro.

“O Brasil viveu nesse domingo uma verdadeira telenovela”, segundo o France24, que se referiu ao processo como “ping-pong judiciário” entre o desembargador que assinou o alvará de soltura de Lula, o juiz Sérgio Moro e o relator da Lava Jato no TRF-4, Gebran Neto.

“Um juiz ordena a liberação enquanto outro bloqueia”, diz a RFI sobre o título a revista francesa ''Obs'', lembrando que o anúncio de Favreto “caiu como uma bomba no Brasil”. Já o diário francês Libération fala de “queda de braço jurídica” e o Le Monde evoca um “coup de Théâtre” a menos de três meses da eleição presidencial.

O jornal argentino ''Clarín'' resumiu as reviravoltas em relação à prisão do ex-presidente como ''uma guerra de Juízes''. Em sua cobertura sobre o caso, o ''Clarín'' afirmou que a sequência de medidas tomadas pelos desembargadores colocou todo o sistema jurídico brasileiro à beira do abismo.

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Favorito, Brasil é o finalista que menos faz cera, diz site de estatísticas
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Daniel Buarque

Por mais que as imagens de Neymar rolando no chão pedindo falta tenham se tornado as mais discutidas em todo o mundo durante esta Copa da Rússia, o Brasil é o time que menos faz cera e atrasa o jogo entre os oito finalistas que continuam na disputa.

A informação foi publicada pelo site de jornalismo baseado em estatísticas FiveThirtyEight, um dos mais respeitados do mundo, que calculou o tempo que cada time atrasou o recomeço do jogo durante a Copa.

O levantamento analisou o tempo médio que jogadores levaram para cobrar lateral, tiro de meta, escanteio, falta e para fazer substituições. No total, foram analisados 4.529 dados da Copa para concluir que os times que estão vencendo demoram em média 34% mais tempo para realizar estas atividades do que os times que estão perdendo o jogo. Quando isolado o período final do jogo (últimos 30 minutos), a diferença aumenta para 43%.

Em vez de fazer cera, o Brasil levou em média 2 segundos a menos para executar cada uma das cinco ações enquanto estava à frente do placar. Os times que mais fizeram cera na fase de grupos foram o Peru (6,1 segundos a mais), a Sérvia (5,7 segundos a mais) e a Suécia (5,7 segundos a mais). A Bélgica, que enfrenta o Brasil nesta sexta-feira, demorou 0,1 segundo a mais do que a média de tempo de todas as equipes.

''Curiosamente, apesar de toda a atenção negativa que Neymar e o Brasil tiveram por desperdiçar tempo caindo, a equipe foi uma das três de nossa amostra que completou as cinco ações rotineiras mais rapidamente do que o ritmo médio enquanto estavam à frente no placar'', diz o site.

''Entre as oito equipes que ainda lutam para levar para casa o troféu da Copa do Mundo, a França e a Suécia foram as mais eficazes em gastar o tempo –levando uma média de quase 6 segundos a mais por atividade do que a média de todas as equipes em todos os cenários. Estes dois arrastaram os pés de formas diferentes: a Suécia demorou a fazer as substituições e bater escanteios, enquanto a França mostrou-se particularmente lenta nas cobranças de falta e lateral'', diz o FiveThirtyEight.

O site de estatísticas tem acompanhado vários detalhes da Copa do Mundo. Antes do início da competição, ele indicava que o Brasil era a equipe mais forte na disputa. Às vésperas da disputa das quartas de final, o FiveThirtyEight continua indicando o Brasil como o favorito ao título.

''Em uma Copa do mundo cheia de decepções, uma coisa se mantém consistente: O Brasil é o melhor time de futebol do mundo. A Seleção chegou ao torneio jogando como o melhor time do mundo. Após quatro partidas na Rússia, eles jogaram como o melhor time da competição –tanto na forma como atacam quanto na forma como defendem. Enquanto outros favoritos caíram, o Brasil continua entregando, e há motivo para acreditar que o time ainda não atingiu seu potencial máximo'', diz.

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Condenação de Eike espelha ascensão e queda do Brasil aos olhos do mundo
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Daniel Buarque

A condenação do empresário Eike Batista a 30 anos de prisão ganhou destaque internacional e está sendo interpretada no resto do mundo como um símbolo da ascensão e queda do próprio Brasil no cenário global na última década.

Em uma reportagem sobre a decisão da Justiça a respeito de Eike, o ''New York Times'' diz que sua ''ascensão meteórica e queda dramática espelham o ciclo de expansão e crise que sacudiu o Brasil''.

Eike foi condenado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro em ação penal derivada da Operação Eficiência, uma das fases da Lava Jato no Rio de Janeiro. Para a mídia internacional, o caso deles é o de um dos nomes mais conhecidos entre os implicados nos escândalos de corrupção no país.

O ''NYT'' menciona que até mesmo a decisão da Justiça menciona a visibilidade de Eike em sua sentença, alegando que o fato de ele ser conhecido no exterior faz com que seus crimes tenham potencial de contaminar o ambiente e a reputação dos negócios no Brasil.

A associação entre a trajetória de Eike e a do Brasil aparece também nas páginas do jornal francês ''Le Monde''.

''Transformado em símbolo da grandeza e da decadência do Rio, Eike foi por muito tempo o modelo de sucesso no Brasil'', diz.

A importância de Eike para a imagem internacional do Brasil em seu momento de ascensão global, na virada da primeira para a segunda década deste século, foi marcante. Por muitos anos, ele foi apresentado na mídia internacional como um ícone do país que se desenvolvia e chamava a atenção global.

Em um capítulo sobre os símbolos do Brasil no resto do mundo, o meu livro ''Brazil, um País do Presente – A Imagem Internacional do 'País do Futuro''' a associação é descrita em detalhes. Em 2010, auge da euforia de investidores estrangeiros com o potencial do Brasil, Eike era o principal ícone das possibilidades de retornos financeiros oferecidos pelo Brasil. Ele aparecia com frequência na TV e nos jornais, e era citado como possível futuro homem mais rico do mundo.

Menos de uma década mais tarde, o Brasil afundou em uma grave crise, e o símbolo da economia que crescia agora foi condenado por corrupção, o que evidencia o quanto as duas trajetórias se espalham.

Apesar da associação estrangeira entre a decadência de Eike e as crises no Brasil, é importante não julgar o país com base apenas no que acontece com o empresário, segundo o jornalista americano Alex Cuadros, autor do livro “Brazillionaires”, que trata dos megarricos do Brasil. ''Não julgaria o futuro do Brasil com base no fracasso do Eike'', disse Cuadros em entrevista ao blog Brasilianismo.

''A queda do Eike me parece mais definitiva do que a do Brasil. O Brasil é maior do que ele. Eike tinha muitos fatores dele. Ele não era só um espelho do Brasil. Era um personagem típico dos empresários dos EUA, grandes vendedores de sonhos. A bolha dele se parece com várias bolhas ao longo da história do capitalismo americano, como a de 2000 e a de 2008'', disse.

Outro ponto importante na avaliação internacional sobre a condenação de Eike e sua relação com a imagem do país é a narrativa que o Brasil vem construindo no resto do mundo em relação ao combate à corrupção. A sentenção para o homem que já foi o mais rico do país, de empresários importantes e de políticos que até alguns anos antes tinham muito poder criam no mundo a imagem de que o país está tentando consertar seu sistema político e econômico. mesmo com toda a crise dos últimos anos, ainda há no exterior quem veja como promissor o encaminhamento de processos contra corrupção no Brasil.

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‘NYT’: Dilma pode entrar em controverso grupo de ex-presidentes no Senado
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Daniel Buarque

A candidatura da ex-presidente Dilma Rousseff ao Senado pelo estado de Minas Gerais foi tema de uma reportagem publicada pelo jornal americano ''The New York Times''. Segundo o texto, uma possível vitória de Dilma a colocaria no controverso grupo de ex-presidentes da região que voltaram à política como senadores, como o colombiano Álvaro Uribe e a argentina Cristina Fernández Kirchner.

Segundo o ''NYT'', Dilma deve ser o nome mais importante do PT a disputar eleições em outubro.

''Dilma disse que acredita que sua imagem entre eleitores melhorou em meio à onda de escândalos envolvendo muitos dos parlamentares que lideraram o processo para tirá-la do poder, o que ela considera um golpe'', diz o jornal.

Além disso, continua o jornal, uma eleição de Dilma faria dela a segunda pessoa a sofrer impeachment e voltar à política pelo Senado no Brasil –uma referência ao ex-presidente Fernando Collor de Mello.

O ''NYT'' também destaca o fato de que Dilma deve concorrer pela vaga no Senado com Aécio Neves, que disputou com ela a Presidência em 2014.

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Estudo revela como a Copa e a Olimpíada no Brasil pioraram a imagem do país
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Daniel Buarque

Todos os holofotes do mundo estavam apontados para o Brasil, a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 foram consideradas sucessos e grandes festas, mas o momento interno do país não poderia ser pior.

As crises da política e da economia acabaram atuando como manchas na imagem mostrada ao mundo no momento crucial criado durante dois dos maiores eventos globais para expor o país ao resto do planeta. Em vez de impulsionar uma imagem positiva do Brasil, a Copa e a Olimpíada acabaram fazendo o país perder força em todos os índices que medem a sua reputação global.

Em um artigo publicado neste mês na revista acadêmica “Trama Interdisciplinar”, o autor deste blog Brasilianismo analisou a série histórica de sete dos principais estudos internacionais a respeito da reputação global de nações. O resultado revela que o Brasil viveu um bom momento de projeção da sua imagem no início da década, mas que a Copa e a Olimpíada, que deveriam servir justamente para melhorar ainda mais esta percepção externa, acabaram sendo um ponto de virada para pior. Como diz o título do artigo, “The Tainted Spotlight”, havia manchas no holofote internacional.

Em uma retrospectiva de 2017, este blog Brasilianismo já havia revelado o quanto o Brasil havia sido rebaixado em índices internacionais que medem imagem desta forma. Este novo estudo, entretanto, analisou a posição histórica do Brasil em rankings internacionais de imagem como o Anholt-GFK Nation Brands Index, o Country RepTrak (do Reputation Institute), o FutureBrand Country Brand Report, o Soft Power 30, o Best Countries e o Good Country Index, além da pesquisa sobre cobertura da mídia internacional I See Brazil. Em todos eles, é evidente o quanto a reputação Brasil perdeu força e caiu posições na lista de nações após a Copa e a Olimpíada.

A ideia de que os eventos globais haviam sido bem-sucedidos aos olhos do mundo já havia sido comentada antes, e a avaliação era de que a realização de grandes festas globais havia reforçado o estereótipo de Brasil como um país decorativo. O que o estudo mostra é que, mesmo com o sucesso das festas, a imagem do país acabou perdendo força com a exposição dos seus problemas.

O artigo explica como, ao conquistar um aumento do seu reconhecimento, da sua visibilidade internacional e a melhora da sua reputação política e econômica em termos globais, o Brasil adquiriu o direito de sediar dois dos maiores eventos globais na agenda internacional, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Isso fazia parte de uma estratégia de diplomacia pública de longo prazo para atrair os holofotes globais, a fim de chamar a atenção do mundo e exibir um país moderno em desenvolvimento e aumentar o soft power do Brasil.

Este processo também fazia parte de uma ambição histórica do país para se tornar uma grande potência do mundo através do desenvolvimento de seu soft power. Pesquisas internacionais mostram que o país sempre buscou reconhecimento externo, e os eventos seriam um ótimo momento para impulsionar este objetivo internacional. Este é o foco do trabalho dos pesquisadores David Mares e Harold Trinkunas, que deram entrevista sobre isso a este blog Brasilianismo.

No entanto, uma série de crises e problemas internos tomaram conta do país no período em que o Brasil ia se expor ao mundo, gerando instabilidade interna e uma projeção ruim do país. Notícias negativas acabaram ofuscando a organização bem-sucedida dos eventos e, em vez de melhorar a reputação do Brasil, a imagem internacional do país só piorou.

Como revelou o pesquisador chileno Cesar Jímenez-Martinez em uma entrevista a este blog Brasilianismo, os protestos nacionais iniciados em 2013 acabaram se consolidando como um ponto de virada na imagem internacional do Brasil. Ali, o mundo começou a perceber que a narrativa de emergência global do país talvez tivesse exagerado, e as coisas não iam tão bem como se esperava.

A avaliação fica evidente nos dados de pesquisas como a I See Brazil, que faz uma compilação do que se fala sobre o país na mídia internacional. Em pouco tempo, o tom de cobertura mudou de positivo para negativo. Com a exibição ainda mais intensa dessa imagem por conta da Copa e da Olimpíada, o resultado se converteu em uma reputação mais negativa do país.

Embora não haja consenso sobre a definição de “imagem da nação” e sobre uma metodologia para medir seu caráter multidimensional, o artigo analisa índices diferentes que se propõem a fazer isso, através de pesquisas, entrevistas e análises de dados públicos. De acordo com esses diferentes estudos, a percepção global do Brasil mudou para pior nos quatro anos entre 2013, antes da Copa do Mundo, e 2017, após os Jogos Olímpicos.

Isso significa que o resultado não seguiu o plano esperado pelo país, e a estratégia de usar a visibilidade para desenvolver ainda mais o soft power do Brasil aparenta ter repetido um padrão na história do país, onde as instabilidades políticas e econômicas assumem o controle de tempos em tempos, afetando sua ambição internacional.

O artigo foi publicado em uma edição especial bilíngue da revista “Trama” sobre a presença do Brasil no cenário internacional.

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Revista acadêmica analisa a presença do Brasil no cenário internacional
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Daniel Buarque

A edição mais recente da revista acadêmica ''Trama Interdisciplinar'', publicada neste mês, reúne uma série de artigos analisando a presença do Brasil no cenário internacional. A publicação especial bilíngue traz textos sobre a imagem do Brasil no exterior.

A coleção de artigos busca demonstrar a cooperação entre pesquisadores do Reino Unido e do Brasil que trabalham na área da pesquisa interdisciplinar sobre a imagem do Brasil, sob as perspectivas da história do cinema, relações internacionais, design, estudos culturais, nation branding, história da ciência e jornalismo.

No texto que apresenta a revista, a editora acadêmica Jane de Almeida avalia a situação atual do soft power brasileiro, discutida nos artigos da publicação.

''Apesar da reconhecida riqueza cultural brasileira, nosso país não figura bem nos rankings mundiais do relatório Soft Power e perdeu cinco posições nos últimos três anos: da 23ª para a 29ª, de 2015 a 2017. Em termos de soft power, esses resultados são desastrosos, inclusive porque o Brasil promoveu, a custos exorbitantes, eventos mundiais como a Copa de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016, que deveriam ter alavancado, ou como poderia ser dito em inglês, 'leveraged', nosso capital cultural e nosso poder de relações internacionais. Esse desastre é, em grande parte, proveniente da situação política brasileira, mas as implicações do soft power como poder público serviram de inspiração para a chamada de publicação desta edição da revista 'Trama'.''

Publicada como Dossiê Soft Power, a revista foi editada em parceria com a professora de Estudos Brasileiros na Universidade de Leeds, no Reino Unido, Stephanie Dennison, que esteve no Brasil em 2017 como professora visitante do Programa de Pós-Graduação da Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Dennison é apresentada na edição como uma das mais ativas brasilianistas em atuação no Reino Unido e uma das mais importantes pesquisadoras acerca das temáticas culturais relacionadas ao Brasil no exterior. Segundo ela, a ideia de editar o dossiê surgiu após o workshop “Identidade brasileira sob um olhar estrangeiro”, realizado em São Paulo durante sua visita.

Na ocasião, a professora concedeu uma entrevista à Folha tratando da imagem do Brasil. Segundo ela, ''a situação da inserção da cultura do Brasil no mundo não mudou, mesmo que a imagem do país tenha perdido força por conta da crise. O país continua fortemente associado a futebol e praias, de forma reducionista, mas positiva. A imagem da cultura parece sobreviver além das crises do Brasil, até porque é algo que não está associado ao governo e à política, como costuma acontecer no caso da China e da Rússia. Isso é muito importante para o Brasil, pois é algo positivo para a imagem do país.''

Ao apresentar a edição da ''Trama'', a professora diz que para ela, como brasilianista, o Brasil nunca esteve fora dos holofotes, embora seja perceptível que o país tenha ganhado mais atenção internacional recentemente, especialmente por causa da Copa da da Olimpíada realizadas no país.

''Certamente não é coincidência que um bom número de artigos do presente volume reflita sobre duas questões: o sucesso ou não da recente incursão do Brasil em sediar megaeventos, e, em particular, os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, e as questões relacionadas ao lugar do Brasil nos rankings de soft power'', diz.

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Força de Lula faz gestor dos EUA trocar otimismo por preocupação com Brasil
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Daniel Buarque

O gestor americano de investimentos Mark Mobius

A força política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo após a sua prisão, fez com que um dos maiores otimistas estrangeiros em relação à economia brasileira passasse a se dizer preocupado com o país. Segundo Mark Mobius, a popularidade de Lula pode desacelerar o processo de reformas estruturais que ajudaria a impulsionar a economia do Brasil.

''Minha visão atual sobre o Brasil pode ser melhor descrita como 'preocupada' que o movimento pela reforma total do governo possa desacelerar como resultado da contínua popularidade de Lula e seus apoiadores'', disse Mobius à agência de economia Bloomberg. ''Isso poderia resultar em um afrouxamento do movimento de reforma ou até mesmo no seu fim''.

Gestor de investimentos, especialista norte-americano em mercados emergentes, Mobius se consolidou ao longo do ano passado como uma das vozes mais otimistas em relação à economia brasileira. Em uma entrevista à agência de notícias Reuters, em junho de 2017, ele chegou a defender que, mesmo com toda a crise política, o país ainda era um bom lugar para investir, com potencial de crescer 50% em três ou quatro anos.

Mobius atuou até o começo do ano na Franklin Templeton, e agora trabalha na firma que leva seu nome: Mobius Capital Partners. A empolgação do passado, segundo ele, era fruto dos sinais dados pela Operação Lava Jato e pelo combate à corrupção, que abriram espaço para forças reformistas na política brasileira.

Agora, com a falta de força de candidatos como Geraldo Alckmin, que para o mercado representa esse movimento de reformas econômicas, Mobius deixou de lado a confiança. ''Isso é um problema real, e aumenta o risco político'', disse à Bloomberg.

Segundo a reportagem da agência de economia, a preocuapção quanto à desaceleração das reformas por conta da eleição presidencial está se espalhando pelo mercado internacional. A força da esquerda liderada por Lula poderia levar um candidato ao segundo turno, diz, citando a agência de risco Eurasia.

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Bolsonaro é granada humana contra política do Brasil, diz ‘Financial Times’
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Daniel Buarque

O sentimento de ''raiva'' em relação à classe política do país resume o humor da população brasileira às vésperas de uma eleição decisiva, diz um artigo de opinião publicado pelo jornal de economia ''Financial Times''. O clima de insatisfação generalizada pode fortalecer um movimento antidemocrático e levar o Brasil a reviver o que parece um ''destino trágico'', avalia.

Segundo o ''FT'', o Brasil tem uma tradição de ressurgimento desse tipo de movimento, o que pode indicar um risco maior à democracia brasileira hoje.

''O mau humor não é novidade em um país que a cada 30 ou 40 anos rasga as regras de repente e recria seu Estado e instituições, geralmente através de golpes militares. Desde que o Brasil se tornou uma república em 1889 por meio de um golpe, o país teve pelo menos três ditaduras militares e civis'', resume o jornal.

O ''FT relembra que a última vez em que isso aconteceu foi em 1964, quando os militares tomaram o poder por duas décadas, e indica que esse movimento hoje pode impulsionar a candidatura de Jair Bolsonaro, que é descrito como ''um deputado famoso por declarações consideradas ofensivas a mulheres, negros e gays, e cujo gesto favorito é uma pistola com os dedos''.

Para o jornal, um dos motivos de muitos brasileiros apoiarem o candidato da extrema-direita é para ''jogar uma bomba no que veem como uma classe política inepta e corrupta''.

''Para um eleitorado raivoso, o inflamável Bolsonaro pode ser o candidato perfeito –uma granada humana sem o pino, pronta para ser jogada contra o moribundo sistema político do Brasil.''

O artigo admite que analistas têm minimizado o risco de uma intervenção militar, ou mesmo de uma vitória de Bolsonaro, e que muitos ainda esperam que algum candidato de centro (e cita Geraldo Alckmin) tenha chances de crescer, mas faz uma ressalva baseada na situação da democracia no mundo. ''Quem viveu o 'brexit' e a eleição de Donald Trump sabe o quanto analistas conseguem se equivocar'', diz.

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