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Um ano após Olimpíada, mundo vê caos e violência tomarem conta do Rio
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Daniel Buarque

Um ano após Olimpíada, mundo vê caos e violência tomarem conta do Rio

''O Rio de Janeiro está complicado.''

A frase foi dita por um brasilianista, professor em Londres, durante uma conversa privada logo após a abertura do ano acadêmico do doutorado do Brazil Institute do King's College London, na sexta-feira (22).

Ela foi pronunciada no mesmo momento em que a capital fluminense registrava uma das mais graves ondas de violência, mas se referia à situação da cidade em geral, incluindo a dificuldade de realizar pesquisas acadêmicas, já que o professor acabava de voltar de uma temporada de estudos no Rio.

Apesar de genérica e simples, a definição de ''complicado'' parece resumir a forma como o resto do mundo vê o Rio de Janeiro um ano após os Jogos Olímpicos. Caos urbano, crise financeira, explosão de violência. Tudo isso enquanto a cidade que é símbolo do Brasil nos olhos dos estrangeiros deveria estar aproveitando o legado do maior evento esportivo do mundo.

Um ano após se tornar principal foco dos holofotes internacionais e de entregar um evento bem acima das expectativas estrangeiras, o Rio de Janeiro é visto como tendo sido tomado pelo caos e pela violência –em um símbolo da gravidade da crise que atinge todo o Brasil.

Bem além da atenção crítica dada ao ''legado'' dos Jogos quando se completou o primeiro ano desde seu encerramento, este olhar estrangeiro sobre a situação atual é menos temporal, mas mais chocado com o tamanho do problema, com a amplitude da violência.

A insegurança no estado do Rio já vinha recebendo mais atenção especialmente no Reino Unido depois que uma inglesa foi baleada durante viagem de turismo. ''Turistas no Brasil ocasionalmente são atacados quando, por acidente, entram em favelas, que muitas vezes são dominadas por gangues'', dizia uma das reportagens à época, já associando o Rio à violência.

O Rio, disse então o jornal francês ''Le Monde'', vive uma ''guerra não declarada'' um ano após a Olimpíada.

Na mídia internacional, os tiroteios nas favelas ao longo da última sexta ganharam atenção especial, com grande destaque dado ao uso de forças militares para tentar conter a violência.

''Depois de uma semana de intensos tiroteios entre gangues rivais e a polícia, o Exército do Brasil foi enviado para cercar a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro'', diz reportagem do jornal britânico ''The Guardian''.

''Uma cidade repleta de comércio, vielas e pequenas ruas movimentadas, a Rocinha é a maior favela do Brasil. Ela se tornou emblemática do ambicioso programa de pacificação para expulsar traficantes de drogas após uma invasão pelo Exército em 2011. Agora se tornou um outro símbolo da piora da violência da cidade apenas um anos após ela sediar a Olimpíada'', avalia o jornal.

As agências internacionais de notícias também publicaram textos sobre a situação da Rocinha, e a rede BBC publicou uma série de fotos mostrando tanques de guerra sendo usados na ação dos militares.

Os Jogos também foram lembrados pela reportagem publicada pela agência de economia Bloomberg. ''A Rocinha, que separa alguns dos bairros mais ricos do Rio, como a Barra da Tijuca, onde a maior parte dos Jogos de 2016 aconteceram, foi marcada pela violência e tiroteios por seis dias consecutivos enquanto a polícia tentava controlar a guerra entre suas quadrilhas rivais que lutam para controlar o tráfico de drogas'', explicou.

Toda avaliação da atual situação da cidade parece tomada por algum choque em relação ao contraste com o que se esperava para o Rio após os Jogos. Esperava-se um legado de bonança, e veio a crise, o aumento da violência.

Em um momento assim, talvez a análise externa mais precisa tenha sido a da jornalista e escritora Juliana Barbassa, em um artigo publicado na revista ''Americas Quarterly''. Segundo ela, o objetivo da Olimpíada não era o de melhorar a vida no Rio, mas enriquecer o bolso de poucos.

''O verdadeiro objetivo dos Jogos era desviar toneladas de dinheiro público para bolsos privados através de lucrativos contratos de construção gerados pelo evento'', disse.

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Para mídia estrangeira, cancelamento de exposição reflete divisão política
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Daniel Buarque

Para mídia estrangeira, cancelamento de exposição reflete divisão política do Brasil

O polêmico cancelamento de uma exposição de arte em Porto Alegre vai além de questões culturais e pode ser entendido como um reflexo claro da polarização política vivida atualmente no Brasil, segundo as principais análises publicadas na imprensa internacional.

Segundo reportagens e textos publicados em jornais estrangeiros, a decisão do Santander de cancelar a exposição ''Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira'' ''realimenta a tempestade política que sacudiu o país no ano passado, quando a primeira mulher presidente do país sofreu impeachment'', diz o ''New York Times''.

''O cancelamento reverberou por todo o país, reforçando a grande polarização que explodiu durante o impeachment da presidente Dilma Rousseff, colocando seus apoiadores contra o homem que a substituiu, Michel Temer'', complementa o jornal.

Para o ''NYT'', o caso reforça a importância dos debates envolvendo arte e política no país. O jornal lembra do protesto da equipe do filme ''Aquarius'', que denunciou o impeachment como sendo um golpe de Estado durante o festival de Cannes.

Reportagem do 'Guardian' sobre cancelamento da exposição

O mais interessante do enfoque dado pela cobertura internacional é que não se deu tanta atenção ao tema da exposição em si, ou às acusações de promoção de pedofilia. Apesar de os principais jornais explicarem o caso, fica claro que a questão está muito mais voltada a uma disputa política e social em torno de censura e liberdade do que a uma questão da arte em si.

O colunista da rede de economia Bloomberg no Brasil, Mac Margolis, por exemplo, diz que o caso mostra o quando a disputa em torno de questões de política e identidade está aquecida no país, revelando profundas divisões.

''O aspecto mais importante desse debate cultural é o que ele diz sobre o aprofundamento da divisão entre claques políticas rivais no Brasil e sua concorrência, às vezes confusa, pelas mentes, corações e votos'', diz.

Segundo o jornal britânico ''The Guardian'', o caso gerou um debate sobre liberdade artística e censura no país, relembrando o que acontecia durante a ditadura militar.

A reportagem também destaca a influência do Movimento Brasil Livre, apontado como responsável pela crítica à exposição.

''O MBL ganhou influência desde que ajudou a tirar Dilma do poder sob acusação de infringir regras orçamentárias, e tem defendido posições cada vez mais de direita, como leis que liberam o porte de armas'', explica o jornal.

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Brasil lê e ecoa distopias como ‘A Revolução dos Bichos’, diz ‘Le Monde’
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Daniel Buarque

Brasil lê e ecoa distopias como 'A Revolução dos Bichos', de Orwell, diz 'Le Monde'

Um dos livros mais vendidos no Brasil, ''A Revolução dos Bichos'', de George Orwell, encontra ecos na situação política e social do país atualmente, segundo o jornal francês ''Le Monde''.

'''Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros', no Brasil, país onde a grande riqueza está ao lado da extrema pobreza, a frase de Napoleão, o porco tirano do livro 'A Revolução dos Bichos', de George Orwell, encontra um novo eco'', diz a reportagem, citando as altas vendas da obra (e também de ''1984'', do mesmo autor), apesar de o país ter uma cultura pouco leitora.

Segundo o texto, alguns especialistas no mercado apontam para o governo de Donald Trump nos EUA para o aumento no interesse em distopias no Brasil, mas o ''Monde'' ressalta que o próprio Brasil vive uma situação que pode atrair mais leitores a essas obras.

''Um ano após o polêmico impeachment da presidente de esquerda Dilma Rousseff, os brasileiros assistem, desapontados e envergonhados, ao espetáculo por vezes grotesco da sua classe política'', diz.

A reportagem explica que os políticos envolvidos em escândalos frequentemente se dizem ''perseguidos'' pela justiça, o que cria um argumento fantasioso que aproxima a realidade do país da obra de Orwell.

''É sem dúvida, e sobretudo, a profunda decepção de parte do país após a esperança gerada pela eleição de Lula, em 2003, que explica a (re)leitura de 'A Revolução dos Bichos'. Depois de ter colocado no poder o 'pai dos pobres' e de ter conhecido uma redução espetacular da miséria, o país revive seus demônios –a crise econômica, a extrema violência e a arrogância dos bem-nascidos'', diz.

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Olimpíada do Rio foi sucesso em seu objetivo: desviar dinheiro, diz revista
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Daniel Buarque

Olimpíada do Rio foi um sucesso em seu objetivo: desviar verbas, diz revista americana

Enquanto a maioria das análises internacionais sobre o legado deixado pelos Jogos Olímpicos de 2016 aponta para a grave crise política e econômica do Rio de Janeiro e o abandono das estruturas construídas na cidade, uma avaliação mais crítica indica que a Olimpíada do Brasil na verdade foi um grande sucesso no seu verdadeiro objetivo: desviar verbas.

Os problemas gerados pelos jogos, segundo a jornalista e escritora Juliana Barbassa, só são problemas ''se você acredita que o bem estar da população do Rio, dos atletas que participaram ou mesmo dos turistas que visitaram eram o foco principal do evento. Neste caso, você é bobo'', ironiza, em artigo publicado pela revista ''Americas Quarterly''.

''Se, em vez disso, reconhecermos que o verdadeiro objetivo dos Jogos era desviar toneladas de dinheiro público para bolsos privados através de lucrativos contratos de construção gerados pelo evento, então os Jogos Olímpicos de 2016 excederam todas as expectativas. Neste sentido, conquistar o direito de sediar a Olimpíada foi um toque de mestre, o toque final de um esquema de corrupção extenso e antigo que extorquiu os brasileiros por muitos anos'', explica.

O texto avalia a situação dos escândalos de corrupção no Brasil, associando as denúncias à realização dos Jogos do Rio.

Barbassa é editora da ''Americas Quarterly''. Apesar de ter nascido no Brasil, ela pode ser descrita como ''meio gringa'', pois passou mais de 30 anos fora do país, trabalhou como correspondente internacional no Rio e é autora do livro “Dancing with the Devil in the City of God” (que poderia ser interpretado como algo na linha de “brincando com o perigo na cidade de Deus”). Lançada em 2015, a obra retrata de um Brasil complicado, cheio de problemas, com uma complexidade que vai além dos clichês mais populares no resto do mundo.

Em entrevista ao blog Brasilianismo, em 2015, Barbassa contou que recebeu mensagens críticas de brasileiros em relação a seu livro. ''Não li e não quero ler'', ''se não gosta do Brasil, pode ir embora'', diziam. “Há um esforço para mostrarapenas nosso melhor perfil no exterior, até o ponto em que alguns brasileiros chegam a negar os problemas que temos quando estão diante de uma platéia internacional”, explicou.

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Acusar PT de ser organização criminosa pode gerar abusos, diz InSight Crime
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Daniel Buarque

Acusação de organização criminosa contra PT pode levar a abusos, diz Insight Crime

A denúncia do procurador-geral da República sobre a formação de uma organização criminosa pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, pode gerar um precedente preocupante, com abertura de margem para abusos. A avaliação é do instituto internacional de pesquisa InSight Crime.

Segundo um texto em que a organização analisa a denúncia, um problema sério é saber onde os procuradores vão determinar o limite para usar a acusação de conspiração no caso do PT e de outros partidos.

''A corrupção está infiltrada e, na verdade, redes de corrupção existem desde a época da ditadura militar que governou o país entre os anos 1960 e 1980. Se os procuradores forem bem-sucedidos em provar a acusação, autoridades podem ser capazes de envolver muitos outros na mesma rede de conspiração. Por mais que isso seja justificado em muitos casos em que líderes se protegeram e conseguiram esconder seus benefícios, esta poderosa ferramenta jurídica também pode facilmente ser abusada'', diz o texto.

A avaliação não minimiza os possíveis crimes em que os ex-presidentes podem ter se envolvido, mas avalia que a forma como eles vão ser levados à Justiça tem que ser equilibrada.

''A denúncia fortemente sugere que os ex-líderes Lula e Dilma sabiam que a corrupção acontecia durante seus governos. E eles podem ter tido um papel-chave em facilitar a continuação do que foi descrito como 'corrupção sistêmica''', diz o InSight Crime.

Para o InSight Crime, entretanto, a acusação de formação de organização criminosa indica que os procuradores querem processar muitos outros membros do PT e de outros partidos políticos.

''A mudança faz parte de uma série de acusações pouco firmes que já passaram pelo sistema judiciário'', diz. ''A corrupção que afeta os sistemas político e econômico do Brasil é tão profundamente enraizada e descentralizada que é pouco provável que alguns indivíduos realmente tenham gerenciado as atividades reveladas pela investigação'', complementa.

A organização InSight Crime é uma fundação de investigação e análise sobre crime organizado no continente americano. ''Buscamos aprofundar e informar o debate sobre crime organizado na região oferecendo ao público reportagens, análises e investigações sobre o assunto e o estado dos esforços para combatê-lo'', diz a apresentação do site do grupo.

Criada em 2010, em Medellin, na Colômbia, a Insight Crime tem apoio do centro de estudos latino-americanos da American University, em Washington.

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‘Primeira vez’ de Dilma em denúncia de corrupção é destaque internacional
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Daniel Buarque

'Primeira vez' de Dilma em denúncia de corrupção é destaque na mídia estrangeira

Os títulos de reportagens da imprensa internacional sobre a recente denúncia de corrupção contra Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff falam dos dois ex-presidentes. Mas é a respeito da última governante que as análises estrangeiras estão dando mais atenção.

''Dilma Rousseff, a ex-presidente do Brasil, foi denunciada pela primeira vez por envolvimento em um grande esquema de corrupção que já envolve seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e mergulhou o país no caos'', diz a reportagem do jornal britânico ''The Times''.

''O caso é o primeiro em que Dilma, que sofreu impeachment no ano passado por violar regras orçamentárias, é acusada de fazer parte de esquemas de corrupção que marcaram todos os grandes partidos políticos do Brasil'', diz a reportagem do 'New York Times''.

''Estas foram as primeiras denúncias apresentadas contra Dilma'', destaca a reportagem da agência de notícias Reuters, publicada em veículos como o jornal canadense ''Globe and Mail''

''Escândalo da Lava Jato envolve Dilma pela primeira vez'', diz, logo no título, o site Euronews.

''Foram as primeiras denúncias formais contra Dilma, que sofreu impeachment em 2016'', diz a rede Al Jazeera, tradicionalmente mais alinhada editorialmente com a esquerda.

Este enfoque é importante para a mídia internacional, pois desde a época da discussão a respeito do processo de impeachment era muito comum os veículos estrangeiros ressaltarem o fato de que Dilma não estava envolvida em escândalos de corrupção, e ainda assim estava sendo retirada do poder.

''A denúncia contra Dilma, que se descrevia como uma política limpa que estava sendo derrubada por políticos corruptos, é um desenvolvimento marcante em uma série de revelações que se desenrolaram de uma investigação de rotina sobre lavagem de dinheiro em um posto de gasolina em Brasília'', diz o ''New York Times''.

Ouvido pelo jornal, o brasilianista Matthew M. Taylor chamou o envolvimento da ex-presidente de ''muito significativo''. ''Dilma vinha defendendo que ela era pessoalmente honesta'', disse.

Apesar do foco em Dilma, o caso de Lula também recebeu atenção no resto do mundo.

''A notícia é particularmente ruim para a batalha travada por Lula para ganhar a Presidência novamente'', diz a rede árabe. ''Lula, que ainda é o político mais popular do Brasil, apelou de uma condenação que o proibiria de se candidatar a presidente em 2018.''

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Corrupção no Brasil tem reviravoltas como uma novela, diz ‘Miami Herald’
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Daniel Buarque

Corrupção no Brasil tem reviravoltas como uma novela, diz 'Miami Herald'

Faz três anos que os brasileiros acompanham de perto as manchetes sobre investigações de corrupção no país, diz uma longa reportagem do jornal americano ''Miami Herald''. Segundo a publicação, o caso é tão enrolado que lembra uma telenovela, e tem até mais drama do que a ficção na TV.

''A Operação Lava Jato tem mais reviravoltas do que uma novela brasileira e chegou perigosamente perto do presidente em exercício, Michel Temer'', diz a reportagem.

A comparação não é exatamente inédita. Quase sempre que alguma notícia sobre o Brasil parece complexa e cheia de reviravoltas e drama, veículos da imprensa internacional comparam os casos a telenovelas, que são muito associadas ao Brasil e ao restante da América Latina.

''Até agora a investigação da Lava Jato teve drama suficiente para rivalizar com qualquer novela brasileira. Entre os destaques: gravações secretas, compra de silêncio, malas de dinheiro com localizadores e tiroteios que fizeram malas com dinheiro supostamente usado para suborno voando sobre uma praça do Rio'', relata o jornal.

A publicação conta a história da Lava Jato, e ressalta que a investigação já chegou a 12 outros países.

''Mais de cem políticos foram processados até agora, mas apenas alguns estão cumprindo pena. A maior presa até agora é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva'', complementa.

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No ‘Guardian’, políticos e intelectuais britânicos pedem eleição no Brasil
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Daniel Buarque

No 'Guardian', políticos e intelectuais britânicos pedem eleição no Brasil

Um ano depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, uma carta redigida por políticos, acadêmicos e intelectuais britânicos, e publicada pelo jornal ''The Guardian'', defende que os cidadãos brasileiros merecem novas eleições ''agora''.

Desde a saída de Dilma, diz a carta, ''o governo ilegítimo liderado por Michel Temer mostrou suas verdadeiras cores com duras políticas de austeridade''.

A carta é assinada pelo historiador Richard Gott, pelo produtor musical Brian Eno, por parlamentares como o trabalhista Chris Williamson, pela jornalista Sue Branford e por vários outros nomes importantes do país.

''Apesar de não ter mandato, o governo reverteu programas sociais que tiraram 40 milhões de de pessoas da pobreza. Suas políticas mergulharam a economia em uma crise mais profunda, deterioraram serviços públicos, como a saúde, e prejudicaram o padrão de vida de milhões de pobres e trabalhadores'', diz a carta.

A seção de cartas do ''Guardian'' se tornou um importante ponto de discussão de políticos e acadêmicos britânicos a respeito da situação política do Brasil.

Cartas de políticos e intelectuais criticaram o processo de impeachment em abril e maio de 2016, chamando a decisão de ''golpismo'' e de ''insulto à democracia''.

Em resposta, o embaixador brasileiro em Londres publicou um texto no mesmo espaço. Ele defendia que o impeachment seguiu o o processo legal e dizia que a democracia estava ''viva e bem'' no Brasil.

Em janeiro deste ano, o tema deixou de ser o impeachment, e um grupo de 20 políticos e acadêmicos britânicos declarou solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atacando o que chamou de ''perseguição'' e ''julgamento midiático''.

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Crise faz 80% de menções ao Brasil na mídia estrangeira terem teor negativo
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Daniel Buarque

Crise política piora avaliação do Brasil na mídia estrangeira

''O primeiro trimestre de 2017 foi o momento em que a imprensa internacional percebeu de forma mais clara que o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto, não traria a estabilidade política ao Brasil.''

A avaliação é parte do estudo I See Brazil sobre como o país apareceu na mídia estrangeira no primeiro semestre deste ano.

Realizado pela agência Imagem Corporativa, o levantamento avalia regularmente a imagem do país a partir de pesquisas e da abordagem da imprensa internacional a respeito da reputação do Brasil.

Apesar de o relatório anterior, referente ao último trimestre de 2016, ter indicado uma leve melhora no tom usado pelo resto do mundo para se referir ao Brasil, o levantamento referente ao primeiro semestre de 2017 mostra que a imagem do Brasil ainda vai mal. Segundo o estudo, essa continuação da crise política é um dos principais motivos que têm gerado observações negativas a respeito do país.

''A forte rejeição popular às políticas do presidente Michel Temer e o envolvimento de diversos integrantes do governo em atividades ilícitas derrubaram a imagem do país no exterior com relação a temas políticos'', diz.

Crise política piora avaliação do Brasil na mídia estrangeira

No primeiro semestre de 2017, 80,5% da cobertura da imprensa internacional teve tom negativo em relação ao país. O estudo avaliou 1.170 reportagens sobre o país publicadas em 13 jornais internacionais.

O relatório faz a ressalva de que o pior momento da imagem do país ainda foi o primeiro semestre de 2016, quando 84% das reportagens tinham tom negativo, mas lembra que a segunda metade do ano passado já havia visto o encolhimento da cobertura negativa para 75,85%.

Além de contabilizar o percentual de cobertura positiva e negativa sobre o país na mídia estrangeira, o estudo também pondera as avaliações da imprensa e de especialistas internacionais sobre o Brasil, gerando uma nota para a imagem do país, chamada de I See Brazil Index.

''No primeiro semestre, o indicador atingiu 1,858 ponto –-resultado pouco superior ao observado entre janeiro e junho de 2016, quanto se atingiu 1,297 ponto, mas inferior ao verificado no segundo semestre do ano passado (2,448 pontos)'', diz o relatório.

Segundo o I See Brazil, a redução da nota entre o segundo semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017 reflete a reversão que ocorreu na percepção externa nesses últimos doze meses.

''Após a realização dos Jogos Olímpícos do Rio de Janeiro, em julho do ano passado, parecia que a percepção internacional do Brasil iria aos poucos se recuperar do turbilhão político e econômico que fazia parte do dia a dia do país desde o início de 2015. O otimismo cauteloso de empresários e investidores parecia indicar que 2017 seria um ano melhor. No entanto, o que se percebe no primeiro semestre deste ano é que esse otimismo parece ter sido um pouco precipitado'', diz.

Segundo o relatório, a percepção negativa se aprofundou à medida que as investigações da Operação Lava-Jato prosseguiram, demonstrando a complexidade das operações de corrupção envolvendo grandes empresas e representantes da classe política brasileira.

O I See Brazil é produzido com a finalidade de mostrar como está a imagem do Brasil em outros países, reunindo e analisando referências à política, à economia e aos assuntos socioambientais e diferentes aspectos ligados a esses três pilares.

O estudo avalia o que sai sobre o Brasil em 13 publicações internacionais: o italiano ''Corriere Della Sera'', a revista alemã ''Der Spiegel'', o indiano ''Economic Times of India'', o jornal espanhol ''El País'', o jornal de economia ''Financial Times'', o argentino ''La Nación'', o francês ''Le Monde'', o chinês ''South China Morning Post'', a revista britânica ''The Economist'', o japonês ''Japan Times'', os americanos ''The New York Times'' e ''The Wall Street Journal'' e o canadense ''The Toronto Star''.

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Imprensa estrangeira critica abertura de reserva da Amazônia à mineração
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Daniel Buarque

Imprensa estrangeira critica abertura de reserva da Amazônia à mineração

A decisão do presidente Michel Temer de extinguir uma área de reserva na Amazônia para ampliar a mineração foi fortemente criticada pela imprensa internacional.

O jornal britânico ''The Guardian'' chamou a decisão de ''maior ataque'' à Amazônia em 50 anos, ecoando críticos ouvidos pela publicação no país.

Segundo especialistas, diz o jornal, a decisão vai ''causar estragos à floresta e a comunidades indígenas para defender interesses de um pequeno grupo de empresas poderosas que estão mantendo Temer no poder''.

Para a ONG WWF, ''além da exploração demográfica, desmatamento, perda de biodiversidade e recursos hídricos, isso pode levar à intensificação de conflitos por terra e ameaças a povos indígenas''.

A rede árabe Al Jazeera, tradicionalmente crítica ao governo Temer, disse que o Brasil está tentando estimular a atividade econômica com a decisão, o que está sendo alvo de protestos.

A reportagem ouve especialistas que se dizem preocupados com a decisão e ressaltam que ''a Amazônia é crucial para o clima global''.

O ''National Post'', do Canadá, chamou a decisão de tentar sair da recessão pela abertura à mineração de ''catástrofe''.

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