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Impeachment de Dilma é 'jeitinho' para burlar Constituição, diz 'Economist'

Daniel Buarque

26/05/2016 16h48

Impeachment de Dilma é 'jeitinho' para burlar Constituição, diz

Impeachment de Dilma é 'jeitinho' para burlar Constituição, diz "Economist"

No contexto da atual crise política e do afastamento da presidente Dilma Rousseff, a revista "The Economist" publicou em sua edição mais recente uma reportagem sobre a cultura brasileira, explicando a seus leitores aspectos bem característicos do país, como o "jeitinho brasileiro". Segundo a publicação, enquanto os que apoiam Dilma acusam a existência de um golpe de Estado, é este traço nacional que pode ajudar a explicar o processo de impeachment.

"O impeachment de Dilma Rousseff, uma presidente impopular que não foi acusada pessoalmente de um crime sério, é um jeitinho em torno da Constituição", diz a revista.

A "Economist" tem acompanhado de perto o noticiário político do Brasil e sempre foi muito crítica ao governo de Dilma. A revista rejeita a tese de que o impeachment equivale a um golpe de Estado e, em editorial, chegou a defender a renúncia da presidente. Ainda assim, a publicação critica o sistema político do país.

Este blog Brasilianismo já tratou das abordagens da "Economist" em relação ao Brasil em outras ocasiões. A publicação é uma das mais influentes do mundo, e costuma servir de referência para discussões a respeito da economia internacional, mas a cobertura dela respeito do Brasil tem a tendência histórica de alternar momentos de expectativa com críticas sempre que o modelo da política econômica do governo se aproxima ou se afasta dos ideais "pró-mercado", segundo a pesquisa de doutorado da socióloga Camila Maria Risso Sales.

"Jeitinho, que tem conotação de engenhosidade e também de ilegalidade, é uma marca da identidade nacional", diz, listando uma série de "gambiarras" sociais usadas pelos brasileiros para burlar regras.

Segundo a "Economist" esse traço cultural pode ser explicado por questões ligadas à colonização brasileira, à religiosidade, à mistura de culturas e até mesmo à desigualdade social.

A revista diz, entretanto, que apesar de ser parte forte da personalidade brasileira, avanços recentes no controle das leis no Brasil podem estar diminuindo o espaço para o "jeitinho".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Daniel Buarque vive em Londres, onde faz doutorado em relações internacionais pelo King's College London (em parceria com a USP). Jornalista e escritor, fez mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute da mesma universidade inglesa. É autor do livro “Brazil, um país do presente - A imagem internacional do ‘país do futuro’” (Alameda Editorial) e do livreto “Brazil Now” da consultoria internacional Hall and Partners, além de outros quatro livros. Escreve regularmente para o UOL e para a Folha de S.Paulo, e trabalhou repórter do G1, do "Valor Econômico" e da própria Folha, além de ter sido editor-executivo do portal Terra e chefe de reportagem da rádio CBN em São Paulo.

Sobre o Blog

O Brasil é citado mais de 200 vezes por dia na mídia internacional. Essas reportagens e análises estrangeiras ajudam a formar o pensamento do resto do mundo a respeito do país, que tem se tornado mais conhecido e se consolidado como um ator global importante. Este blog busca compreender a imagem internacional do Brasil e a importância da reputação global do país a partir o monitoramento de tudo o que se fala sobre ele no resto do mundo, seja na mídia, na academia ou mesmo e conversas na rua. Notícias, comentários, análises, entrevistas e reportagens sobre o Brasil visto de fora.