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'New York Times' debate possibilidade de que Olimpíada no Rio seja adiada

Daniel Buarque

16/05/2016 16h10

'New York Times' debate possibilidade de que Olimpíada no Rio seja adiada

'New York Times' debate possibilidade de que Olimpíada no Rio seja adiada

A instabilidade vivida no país por conta das crises política e econômica, bem como a epidemia de zika e problemas com a organização do evento levaram o jornal norte-americano "The New York Times" a debater a possibilidade de que a Olimpíada do Rio ser adiada. A publicação convidou três articulistas para falar sobre o tema e avaliar a possibilidade de os Jogos ocorrerem daqui a três meses, ou mais adiante, quando a situação do país for mais estável.

O pesquisador do departamento de geografia da Universidade de Zurique Christopher Gaffney defendeu que adiar a Olimpíada é o caminho mais seguro. O foco da sua análise é a epidemia de zika, que pode se tornar um problema global por conta do evento no Rio.

"Permitir que minhares de pessoas viagem ao Brasil e depois voltem a seus países seria irresponsável", diz.

Em oposição a este argumento, o professor de ciência política da Universidade de Oregon Jules Boykoff, autor de um livro sobre a história política das Olimpíadas, escreveu em defesa da manutenção dos jogos na data marcada.

Sob o ponto de vista político, ele alega que é importante que os Jogos aconteçam mesmo em meio a uma situação problemática, e que ofereçam espaço e visibilidade para protestos contra eles.

"Adiar ou cancelar a Olimpíada do Rio seria negar o presente involuntário: Uma demonstração pública de alto nível do direito ao dissenso político."

Um terceiro texto, da planejadora urbana Theresa Williamson, argumenta que a realização ou não da Olimpíada nas datas previstas é menos importante de que entender o que há por trás do evento. Segundo ela, permitir que o Rio seja sede da Olimpíada foi um erro.

"O Rio vai sediar uma Olimpíada sem problemas fazendo o que faz de melhor: escondendo os problemas e mostrando sua face artificial", diz.

"Moradores de favelas vão ser bloqueados, escolas vão ser fechadas, manifestantes vão ser mantidos à distância para que o tráfego possa fluir e os espectadores possam ter sua experiência sem preocupações", explica.

As críticas aos jogos e a possibilidade de mudança nos planos do evento não são novidade na mídia internacional.

Em fevereiro, um artigo publicado na revista "Forbes" já falava em possíveis mudanças nos Jogos por conta dos problemas do país. Com a crise no Brasil agravada pelo surto de vírus zika, "está começando a parecer que chegou a hora de cancelar os jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro", dizia. "A razão é simples: mulheres jovens não podem viajar com segurança para o país", completava o texto, publicado na seção de finanças nos esportes.

Em entrevista ao site brasileiro da rede britânica BBC, em março, o consultor britânico Simon Anholt disse que a Olimpíada do Rio é uma ameaça maior à reputação do Brasil no exterior do que as crises política e econômica pelas quais o país está passando. O problema, segundo ele, é que grandes eventos internacionais, como a Copa e a Olimpíada, fazem o mundo ver uma abudância de notícias sobre a realidade do país sede, o que pode frustrar as expectativas dos estrangeiros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Daniel Buarque vive em Londres, onde faz doutorado em relações internacionais pelo King's College London (em parceria com a USP). Jornalista e escritor, fez mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute da mesma universidade inglesa. É autor do livro “Brazil, um país do presente - A imagem internacional do ‘país do futuro’” (Alameda Editorial) e do livreto “Brazil Now” da consultoria internacional Hall and Partners, além de outros quatro livros. Escreve regularmente para o UOL e para a Folha de S.Paulo, e trabalhou repórter do G1, do "Valor Econômico" e da própria Folha, além de ter sido editor-executivo do portal Terra e chefe de reportagem da rádio CBN em São Paulo.

Sobre o Blog

O Brasil é citado mais de 200 vezes por dia na mídia internacional. Essas reportagens e análises estrangeiras ajudam a formar o pensamento do resto do mundo a respeito do país, que tem se tornado mais conhecido e se consolidado como um ator global importante. Este blog busca compreender a imagem internacional do Brasil e a importância da reputação global do país a partir o monitoramento de tudo o que se fala sobre ele no resto do mundo, seja na mídia, na academia ou mesmo e conversas na rua. Notícias, comentários, análises, entrevistas e reportagens sobre o Brasil visto de fora.