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Le Monde descreve genocídio nas favelas do Rio e responsabiliza governador

Daniel Buarque

04/06/2019 07h29

O Rio de Janeiro vive neste ano o pior momento da violência policial em sua história recente, diz uma reportagem publicada pelo jornal francês Le Monde, que fala em "genocídio" nas favelas do Estado.

Segundo a publicação, a origem do aumento dessa violência está na atuação do governador Wilson Witzel, que assumiu o poder no início do ano e "encoraja abertamente os policiais a atirar na cabeça dos traficantes", diz a reportagem.

"O discurso da campanha se tornou uma realidade. Desde janeiro, os moradores "caem" na favela de Manguinhos, mesmo quando não há operações policiais em andamento", diz o Monde, citando relatos de testemunhas sobre atividade de atiradores de elite em torres nas favelas.

"O termo 'genocídio' é usado no Rio porque os assassinatos da polícia afetam, em sua grande maioria, a mesma categoria da população: homens jovens, negros e habitantes das favelas", diz o jornal.

O aumento da violência já foi denunciado à ONU, relata o jornal, como uma violação de direitos humanos. Mesmo assim, continua a reportagem, o governador argumenta que a queda no número de homicídios e de roubos servem para justificar sua política.

OUTRO LADO

Em nota enviada ao UOL, o governo do Estado do Rio de Janeiro rejeitou o título deste post e negou que o Monde tenha descrito um "genocídio" no Rio de Janeiro –por mais que o trecho da reportagem que descreve o que é chamado de "genocídio" seja texto do próprio jornal, e não uma declaração entre aspas no texto original em francês.

Leia abaixo a íntegra da nota do governo do Rio:

1) Ao contrário do que afirma o título da matéria veiculada nesta terça-feira (04/06) no UOL, o texto publicado no jornal Le Monde não "descreve genocídio nas favelas do Rio e responsabiliza o governador ". Segue o trecho da matéria que usa a palavra genocídio, já que o texto do Le Monde não foi reproduzido pelo Uol:

"'Tanto para dizer que sempre podemos encontrar uma justificativa para um tiro pela polícia e assim continuar o que poderia ser descrito como genocídio', considera o Partido Comunista Federal Comunista do Rio, Jandira Feghali. O termo 'genocídio' é usado no Rio porque os assassinatos da polícia afetam, em sua grande maioria, a mesma categoria da população: homens jovens, negros e habitantes das favelas."

2) Não há, de forma alguma, nenhum tipo de "genocídio" na atual política de segurança no Estado do Rio de Janeiro. Essa afirmação é absurda, leviana, irresponsável e equivocada.
As premissas da política de segurança do governo do estado vão muito além do confronto e são: a independência das polícias Civil e Militar, o investimento em inteligência e equipamentos, a ampliação das investigações da lavagem de dinheiro, a agilidade na resposta penal e a eficiência do sistema penitenciário.

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Sobre o Autor

Daniel Buarque vive em Londres, onde faz doutorado em relações internacionais pelo King's College London (em parceria com a USP). Jornalista e escritor, fez mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute da mesma universidade inglesa. É autor do livro “Brazil, um país do presente - A imagem internacional do ‘país do futuro’” (Alameda Editorial) e do livreto “Brazil Now” da consultoria internacional Hall and Partners, além de outros quatro livros. Escreve regularmente para o UOL e para a Folha de S.Paulo, e trabalhou repórter do G1, do "Valor Econômico" e da própria Folha, além de ter sido editor-executivo do portal Terra e chefe de reportagem da rádio CBN em São Paulo.

Sobre o Blog

O Brasil é citado mais de 200 vezes por dia na mídia internacional. Essas reportagens e análises estrangeiras ajudam a formar o pensamento do resto do mundo a respeito do país, que tem se tornado mais conhecido e se consolidado como um ator global importante. Este blog busca compreender a imagem internacional do Brasil e a importância da reputação global do país a partir o monitoramento de tudo o que se fala sobre ele no resto do mundo, seja na mídia, na academia ou mesmo e conversas na rua. Notícias, comentários, análises, entrevistas e reportagens sobre o Brasil visto de fora.