Brasilianismo

Importância da democracia é defendida pelo diretor do Brazil Institute

Daniel Buarque

A palestra inaugural da Faculdade de Ciência Social e Política Pública do King’s College London, na noite de terça-feira (6), em Londres, marcou a importância da defesa da democracia no Brasil.

Apresentada pelo diretor do Brazil Institute da universidade britânica, Anthony Pereira, a “lecture” se debruçou sobre questões relacionadas à violência e segurança no Brasil, mas não deixou de tratar também das preocupações políticas geradas pela eleição presidencial no país.

“Há muitos motivos para se preocupar com o Brasil. Há uma preocupação compreensível sobre o estado da democracia brasileira. Somos um instituto multidisciplinar e discordamos em muitas questões, mas todos concordamos sobre a importância da democracia”, disse Pereira na abertura da palestra.

Intitulada “Os limites da coerção: construção do Estado, policiamento e federalismo no Brasil”, a apresentação analisou a combinação peculiar de características do Estado brasileiro e a persistência de níveis altos de violência no país, apesar da crescente capacidade do Estado nas esferas do desenvolvimento, constitucional e social.

O diretor do Instituto Brasil traçou a história da formação do Estado brasileiro desde o fim do século XIX, defendeu os avanços da democracia nas últimas décadas, mas analisou a forma como a democracia não gerou uma melhora na segurança da população. “O Estado brasileiro é impressionante em muitos sentidos, mas é frágil no controle da violência”, disse.

Segundo Pereira, o Estado brasileiro em certos sentidos pode ser visto como um “leviatã tropical”, o mais poderoso da América Latina, com capacidade impressionante e instituições sofisticadas em muitas áreas, mas ao mesmo tempo não estabelece sua ordem nem oferece segurança em todo o território e coexiste com atores armados não estatais em favelas urbanas, áreas rurais remotas e prisões. “No Brasil, a democracia não melhorou a segurança”, disse.

Ainda assim, Pereira defendeu que o país vem avançando na organização de estruturas que buscam melhorar a segurança de forma democrática, e apontou para a questão da institucionalização do combate à corrupção como central nesse processo. “A Operação Lava Jato é controversa em muitos sentidos, mas é um avanço para o país”, disse.

Sem oferecer uma resposta definitiva, Pereira argumentou que é preciso analisar as formas como o Brasil estruturou o Estado historicamente, e entender como ele se diferencia de outros países em níveis de desenvolvimento parecido, mas que conseguem controlar a violência.

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