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Bolsonaro é perigoso e seria um presidente desastroso, diz "The Economist"

Daniel Buarque

10/08/2018 07h20

Em um dos posicionamentos estrangeiros mais fortes a respeito da candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, a revista "The Economist" diz que ele é um grande perigo para a democracia brasileira.

"Bolsonaro seria um presidente desastroso. Sua retórica mostra que ele não tem respeito suficiente por muitos brasileiros, incluindo gays e negros, para governar de forma justa. Há pouca evidência de que ele entende os problemas econômicos do Brasil bem o suficiente para resolvê-los. Seus ajoelhamentos à ditadura fazem dele uma ameaça à democracia em um país onde a fé nela foi abalada pela exposição da corrupção e a miséria da crise econômica", diz a revista em um texto dedicado inteiramente ao candidato, chamado de "populista".

Apesar de reconhecer que a rejeição a Bolsonaro é grande e que ele não tem apoio de grandes grupos políticos para impulsionar sua candidatura, a "Economist" ressalta que o mercado já flertou com sua candidatura, e alerta que outros países em crise elegeram líderes radicais antes ignorados, que isso poderia acontecer novamente. "Não há espaço para complacência", diz.

O posicionamento da revista é importante pois ela costuma ser o principal reflexo da opinião da elite política e financeira internacional a respeito do Brasil. Por muito tempo, enquanto a economia e a política brasileira estavam em alta, a capa da revista mostrando o Cristo Redentor decolando era tratada como o símbolo da ascensão do país. Tempos depois, outras capas viraram reflexo da crise no país. De uma forma ou de outra, o posicionamento editorial mostra que o candidato não é bem aceito internacionalmente.

A análise da revista foi publicada em uma edição com grande espaço dedicado à eleição no Brasil, considerada um momento problemático para o país. Além do texto sobre Bolsonaro, um outro discute as incertezas em torno da eleição, chamada de a mais diferente que já houve. Ela comenta ainda o clima de desilusão dos brasileiros com a política.

O texto repete uma analogia bem comum quando publicações estrangeiras analisam a política brasileira, comparando a disputa eleitoral com uma novela em que é impossível adivinhar o fim.

A aposta mais certa para a política brasileira às vésperas de uma eleição conturbada é que a decisão não vai gerar as condições necessárias para a renovação política e econômica de que o Brasil precisa, diz a revista.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Daniel Buarque vive em Londres, onde faz doutorado em relações internacionais pelo King's College London (em parceria com a USP). Jornalista e escritor, fez mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute da mesma universidade inglesa. É autor do livro “Brazil, um país do presente - A imagem internacional do ‘país do futuro’” (Alameda Editorial) e do livreto “Brazil Now” da consultoria internacional Hall and Partners, além de outros quatro livros. Escreve regularmente para o UOL e para a Folha de S.Paulo, e trabalhou repórter do G1, do "Valor Econômico" e da própria Folha, além de ter sido editor-executivo do portal Terra e chefe de reportagem da rádio CBN em São Paulo.

Sobre o Blog

O Brasil é citado mais de 200 vezes por dia na mídia internacional. Essas reportagens e análises estrangeiras ajudam a formar o pensamento do resto do mundo a respeito do país, que tem se tornado mais conhecido e se consolidado como um ator global importante. Este blog busca compreender a imagem internacional do Brasil e a importância da reputação global do país a partir o monitoramento de tudo o que se fala sobre ele no resto do mundo, seja na mídia, na academia ou mesmo e conversas na rua. Notícias, comentários, análises, entrevistas e reportagens sobre o Brasil visto de fora.