Brasilianismo

Para colunista, legislação fracassou no controle de arma ilegal e violência

Daniel Buarque

Apesar de ter uma legislação extremamente séria e burocrática para controlar a venda de armas em todo o país, o Brasil é um dos lugares com mais armas nas mãos de criminosos, e com o maior número de homicídios do mundo. A aparente contradição foi o tema de um artigo do colunista da agência de economia Bloomberg sobre o país, Mac Margolis.

Para ele, apesar de a restrição da posse de armas ser fundamental para a segurança de um país, e de o Brasil precisar se desarmar, a relação entre a venda de armas de forma legal e a criminalidade é mais complicada do que pode parecer.

''Sim, a maioria das armas apreendidas em crimes no Brasil foram vendidas legalmente e acabaram nas mãos de foras da lei. Ainda assim, sufocar a venda de armas não consegue impedir o vazamento para o submundo do crime, e parece uma forma errada de lidar com problemas maiores, como o tráfico de armas, as quadrilhas que cruzam fronteiras e especialmente policiais corruptos que alimentam o mercado negro'', diz.

Além disso, ele avalia que o debate sobre armas e violência precisa levar em consideração a saúde fiscal e a continuidade administrativa no Estados do país. Essas duas questões, segundo ele, criam disparidades como a situação atual do Rio, com aumento da violência, e de São Paulo, onde a taxa de homicídios caiu.

''A violência armada pode muito bem ser uma epidemia nacional, mas como a renda e a educação, a medida é muito desigual em um país fraturado por classe, raça, idade e gênero. No Brasil, como na maioria dos países, homicídios são um mal de homens jovens, um no qual a maioria das vítimas e dos autores são desproporcionalmente negros e pobres –um problema que uma lei genérica não consegue resolver'', diz.

Com o aumento da violência, a desconfiança no governo, segundo Margolis, é o que gera uma opinião pública crítica a leis para controlar a venda de armas no país e que leva ao aumento na venda de armas. Para ele, o desafio de longo prazo não pode ser revolvido só com a burocracia.

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