Brasilianismo

Sistema político é origem da crise vivida no Brasil, diz ‘Washington Post’

Daniel Buarque

Sistema político é origem da crise vivida no Brasil, diz 'Washington Post'

Sistema político é origem da crise vivida no Brasil, diz 'Washington Post'

As regras eleitorais e o sistema político brasileiro são em ampla medida responsáveis pela atual crise por que passa o Brasil, incluindo o processo de impeachment, o afastamento da presidente Dilma Rouseff e as denúncias contra o recém-formado governo interino de Michel Temer. A avaliação foi publicada em um artigo publicado no jornal norte-americano ''Washington Post''.

Políticos eternamente procurando financiamento, partidos sem organização e poder, grandes interesses que atravessam linhas partidárias e um sistema parlamentar que envolve a formação de uma coalizão com centenas de indivíduos de mais de uma dúzia de partidos, descreve o jornal.

''A democracia brasileira tem apenas 28 anos, ainda está amadurecendo e melhorando. Ainda assim ela se encontra em uma situação difícil. Grande parte da culpa é do sistema eleitoral e de partidos. Talvez a surpresa não seja que o Brasil chegou a este ponto, mas que demorou tanto para chegar lá''.

O artigo faz uma longa crítica ao sistema eleitoral proporcional do Brasil, no qual os partidos não definem necessariamente os candidatos que vão fazer parte do Parlamento. ''Para se elegerem, candidatos a deputados precisam de votos não para seus partidos, mas para eles mesmos. Eles precisam encontrar formas de aparecer no meio de milhares de outros candidatos em dezenas de outros partidos'', explica. ''Você pode imaginar o quanto isso é difícil'', diz.

O ''Washington Post'' também critica o sistema de financiamento de campanhas. ''As empresas não precisam selecionar partidos específicos para apoiar. Em vez disso, elas tratam as doações como investimento, fazendo como investidores inteligentes: diversificando. Em outras palavras, elas pagam para quase todos os candidatos, independentemente do partido ou se a contribuição é legal'', diz. ''Mas claro, essas empresas querem algo em retribuição: contratos dos governos'', completa.

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