Brasilianismo

Mídia estrangeira vê ‘tempestade’ e volta do Brasil a grave crise política

Daniel Buarque

Na mídia estrangeira, 'tempestade' joga Brasil de volta a grave crise política

A revelação de que o presidente Michel Temer foi gravado por um dos donos do frigorífico JBS falando sobre a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está sendo interpretada no exterior como uma ''tempestade'', que joga o Brasil de volta a uma grave crise política, e que pode ter sérios efeitos sobre a economia.

''Brasil mergulha de volta na crise política'', diz o título de reportagem sobre o caso na agência de economia Bloomberg. Na TV do grupo, analistas avaliam que a reação inicial do mercado foi muito negativa.

''Os mercados estavam se valorizando na expectativa de reformas amplas, e isso tudo estava nas costas da habilidade política e conexões de Temer, e agora isso tudo fica em suspenso, na melhor das hipóteses'', diz analista da agência.

Segundo a Bloomberg, a crise lembra o caos que cercou o processo de impeachment de Dilma Rousseff, no ano passado.

''Se os últimos 18 meses são alguma referência, mais surpresas são esperadas. Alguns analistas dizem que a mais alta corte eleitoral, que está investigando irregularidades no financiamento da campanha presidencial de 2014, poderia anular o resultado da votação. Isso nunca aconteceu antes, mas se a corte anular a eleição de 2014, a Constituição do Brasil diz que o Congresso deve eleger um novo presidente em 30 dias'', explica a Bloomberg.

Uma ''tempestade política'' balança todo o Brasil, diz reportagem do jornal italiano ''La Repubblica''. ''Com um furo em sua edição online, o jornal ''O Globo'' revelou uma história de fundo que atinge o coração do presidente Michel Temer, e que agora corre o risco de um procedimento de impeachment'', diz.

Segundo o jornal francês ''Le Monde'', novas revelações ''respingam'' no presidente Temer, e agora seus dias no governo ''parecem contados''. O jornal relata que centenas de pessoass foram às ruas em São Paulo para pedir a saída de Temer.

O ''Monde'' destaca ainda que as revelações não afetam apenas o presidente, e diz que a denúncia também atinge o senador Aécio Neves. Além disso, explica que o caso atual não envolve o Partido dos Trabalhadores.

''O presidente Temer no coração do escândalo'', diz o jornal francês ''Le Figaro''. ''A política brasileira foi novamente abalada por um caso de corrupção'', complementa.

A revelação, diz, é um ''terremoto na política do país, onde os casos de corrupção acontecem a cada dia''.

O jornal de economia ''The Wall Street Journal'' já fala sobre a movimentação que pede o impeachment de Temer. ''Relatos de jornal levam oposição a protestar'', diz.

A rede de TV CNN falou sobre as denúncias e ressaltou que o caso de corrupção chegou aos mais altos escalões do poder do Brasil.

''A ex-presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment no ano passado depois que o Senado a considerou culpada por infringir leis orçamentárias em meio a uma investigação de corrupção – apesar de ela própria não ter sido acusada de corrupção'', explica.

O escândalo político e os casos de corrupção, diz, ''são a principal razão por que o Brasil está em sua pior recessão da história''.

''Gravações explosivas implicam o presidente Michel Temer em propinas'', diz o título da reportagem do jornal ''The Guardian'' sobre o caso. A publicação fala dos protestos pedindo a saída de Temer.

''A política deve ficar mais paralisada'', diz o ''Guardian''. ''A possibilidade de o Brasil retirar outro presidente se aproximou, apesar de a coalizão do governo ter maioria no Congresso'', complementa.

''Nenhum dos grandes partidos deve sair intocado da delação da JBS'', diz o ''Guardian''.

A cobertura internacional sobre a nova crise política no país e sua provável repercussão na economia contrasta com uma semana que havia começado a dar margem a uma interpretação mais otimista sobre o país.

O ponto mais marcante disso tinha sido uma série de reportagens do jornal de economia ''Financial Times'' sobre o que chama de ''reinvenção do Brasil'' através das reformas propostas pelo governo de Temer. Apesar da impopularidade do presidente, a imprensa internacional vinha apresentando os esforços do governo como positivos na aparente retomada da economia do país após anos de recessão.

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