Brasilianismo

Escândalos fazem Brasil perder 3 posições em ranking global de corrupção

Daniel Buarque

Escândalos fazem Brasil perder 3 posições em ranking global de corrupção

Escândalos fazem Brasil perder 3 posições em ranking global de corrupção

O ano de 2016 foi bom para a luta contra a corrupção no Brasil e no restante da América Latina, segundo o relatório anual da ONG Transparência Internacional sobre percepções de corrupção no mundo. ''Os ricos e poderosos foram colocados cada vez mais sob os holofotes'', diz o texto divulgado nesta quarta (25), elogiando os avanços da investigação sobre corrupção na Petrobras.

Apesar da aparente melhora sob os olhos internacionais, a percepção dos brasileiros sobre a corrupção no país se manteve estável em 2016 em comparação com o ano anterior. Ainda assim, o país caiu três posições no ranking global da Transparência, ficando no 79º lugar entre as 176 nações avaliadas (um aumento de participantes em relação a edições anteriores).

Segundo reportagem publicada pela BBC Brasil, a ONG diz que esquemas de corrupção contribuíram pra aumentar as desigualdades no Brasil. A organização destaca que a corrupção ocorre em vários níveis governamentais, causando impactos desastrosos para o desenvolvimento do país.

''O esquema da Petrobras reproduz um padrão que é sistêmico na relação entre setor privado e poder público no Brasil. Através do suborno, são criados ambientes de negócios que privilegiam certos grupos e não são favoráveis ao interesse público e da economia em geral. Isso gera grandes distorções e desigualdades'', afirma Bruno Brandão, representante da organização para o Brasil, à BBC.

Em seu relatório, a Transparência aponta que os escândalos de corrupção da Petrobras e da Odebrecht elevaram a percepção sobre a corrupção no Brasil. Entre 2015 e 2016, o Brasil melhorou ligeiramente sua pontuação sobre percepção de corrupção, mas ainda se manteve em nível classificado como ''fracassado'' no combate à corrupção, diz reportagem da ''Folha de S.Paulo''.

Segundo o relatório, entretanto, é preciso considerar que nem sempre é ruim ter manchetes sobre corrupção em um determinado país, pois escândalos dão visibilidade e podem ajudar a combates a corrupção.

A avaliação se alinha ao que declarou o editor americano Brian Winter em entrevista ao blog Brasilianismo. ''Podemos estar vendo as dores de um avanço qualitativo na aplicação das leis, o que toda democracia precisa enfrentar'', disse.

Apesar da posição ruim do Brasil no ranking, analistas internacionais, como Winter, indicam que o país não está entre os piores em termos de corrupção.

''Não acho que os brasileiros sejam naturalmente mais corruptos do que alemães ou americanos, mas que as instituições que lidam com isso ainda não foram totalmente estabelecidas aqui, como foram em outros países. Espero que isso seja que esteja acontecendo agora'', disse.

Outro ponto interessante das duas análises é que o relatório da ONG internacional diz que ''Nenhum país chega perto de uma avaliação perfeita no Índice de Percepção de Corrupção''.

Segundo Winter, há menos corrupção cotidiana no Brasil do que em outros países da América Latina. ''Você não vê o hábito de dar a policiais na rua 5 pesos para comprar um refrigerante como há no México, por exemplo. O que há é um sistema de corrupção que define a interação entre o setor privado e o setor público, que se tornou incompatível com a melhora das instituições jurídicas independentes. E agora chegamos ao momento de crise. A esperança é que este sistema seja reconstruído, criando uma nova forma de interação entre os setores público e privado.''

A situação do país no ranking deste ano, mesmo com a perda de posições, pode ser considerada um avanço em relação ao Índice de 2015, quando o Brasil foi retratado em todo o mundo como ''perdedor'', país com ''maior queda'', ''maior preocupação''. Por conta do escândalo da Petrobras, da recessão e da crise política, o Brasil foi o país que mais perdeu posições no ranking internacional daquele ano sobre o assunto.

O Brasil caiu sete posições no índice em relação ao ano anterior, e ocupava o 76° lugar entre 168 países analisados pela organização não governamental sediada em Berlim e especializada no combate à corrupção internacional.

O destaque dado ao caso do Brasil reforça uma imagem negativa que vem se construindo no resto do mundo nos últimos anos. Apesar de a corrupção ser um problema constante na realidade brasileira, esta questão não costuma estar intimamente associada à reputação global do país, já que trata-se de um tema frequente em todo o mundo.

Mesmo que muitos brasileiros tenham esta sensação, analistas internacionais não pensam o Brasil como um dos lugares mais corruptos do mundo. Este cenário pode mudar, entretanto, e o fato de o mundo dar atenção especial à ''queda'' do Brasil no ranking sem dúvida pode tornar a associação entre Brasil e corrupção mais forte.

A Transparência Internacional vem acompanhando as investigações sobre corrupção no Brasil e premiou a Lava Jato em dezembro com o Prêmio Anti-Corrupção de 2016.

Na semana passada, a organização publicou um comunicado defendendo que o Brasil continue com a investigação da Lava Jato e indique um novo ministro do STF comprometido com ela após a morte de Teori Zavascki em um acidente aéreo. A organização também pede que as circunstâncias do acidente sejam investigadas.

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