Brasilianismo

Brasil tem imagem internacional melhor do que merece, diz Simon Anholt

Daniel Buarque

Brasil tem imagem internacional melhor de que merece, diz Simon Anholt

Brasil tem imagem internacional melhor de que merece, diz Simon Anholt

O Brasil é o 20º país mais admirado do mundo, mas esta reputação talvez seja melhor do que o país merece de fato. Quando a contribuição real do país para o planeta é medida, o país cai dezenas de posições, e fica apenas em 49º lugar em um novo ranking de países desenvolvido pelo consultor britânico Simon Anholt.

Pesquisas sobre a percepção internacinal do Brasil indicam que o país ficam sempre em torno da 20ª posição entre as nações com melhor reputação. Foi assim com o Nation Brands Index (NBI, desenvolvido pelo próprio Anholt), com o Country Brand Report (da agência FutureBrand) e com o recente ranking Best Countries, divulgado pela consultoria internacional WPP.

Brasil tem imagem internacional melhor de que merece, diz Simon Anholt

Brasil tem imagem internacional melhor de que merece, diz Simon Anholt

Estas avaliações apontam que a ''marca'' do país costuma ser bem vista em termos da sua natureza e da sua atratividade para o turismo, por mais que tenha uma imagem ruim em termos de política e economia.

Tudo isso pode ser um favorecimento exagerado do país, segundo Anholt, que tem deixado de avaliar apenas a imagem das nações em uma competição global e passado a estudar a ideia de cooperação internacional e a contribuição de cada uma dessas nações para o planeta.

Maior referência internacional em estudos sobre reputação internacional de países, ele é um dos responsáveis por retratar o Brasil como 20º lugar do NBI e por revelar a ideia de que o país tem reputação de ser ''decorativo, mas não útil''. Sua nova abordagem de estudos internacionais, entretanto, avalia o quanto os países realmente fazem pelo resto do mundo, e o quanto eles são ''bons''.

Anholt desenvolveu um índice para medir o quanto cada país do mundo é ''bom''. O Good Country Index (índice bom país) avalia a contribuição de cada nação para além das suas fronteiras. O índice avalia 125 nações em ciência e tecnologia, cultura, paz e segurança, ordem mundial, ambiente, prosperidade e igualdade, saúde e o bem estar do planeta. A ideia não é entender o quanto o país é bom para seus próprios cidadãos, mas o quanto eles são bons para o mundo todo.

Anholt admite que há uma correlação entre o quanto um país é ''bom'' e o quanto ele é admirado no resto do mundo. ''Há cerca de 70% de correlação entre estudos de imagem e estudos sobre o quão 'bom' um país é, o que sugere que a imagem internacional de países está relacionada com a forma como eles afetam o mundo'', disse.

Uma das maiores exceções a esta correlação é justamente o Brasil. Apesar de ter a 20ª melhor reputação, o Brasil é o 49º no ranking do ''bom país''. ''O Brasil aparenta ter uma reputação melhor de que merece'', disse.

''O Brasil poderia contribuir muito mais para o mundo, ser mais aberto e ter maior colaboração internacional'', disse Anholt, em entrevista ao autor do blog Brasilianismo, publicada pela ''Folha de S.Paulo''.

O GCI coloca a Irlanda em primeiro lugar, como país ''mais bom'' do mundo (Anholt rejeita o uso to termo em inglês ''better'', que seria equivalente a ''melhor'').

A avaliação considera que o Brasil faz grandes contribuições para a questão ambiental, área em que o país é o 5º mais bem classificado, mas em todos os outros quesitos o país vai muito mal.

O Brasil é apenas o 37º em contribuições à ordem mundial, o 49º em contribuições para a cultura, o 52º em contribuições para a saúbe e bem estar internacionais. Aparece ainda em 75º no ranking de contribuições para a ciência e tecnologia globais, 83º em contribuições para a paz e a segurança globais e, por fim, o 123º, antepenultimo da lista, em contribuições para a prosperidade e igualdade.

Segundo Anholt, a questão não tem nada a ver com dinheiro, e o Quênia, que é muito mais pobre que o Brasil, está bem à frente no ranking do 'bom país''.

Na entrevista, Anholt contou que, enquanto oferecia conselhos sobre como os países poderiam melhorar a forma como eram vistos, percebeu que as reputações tinham muito a ver com a realidade interna e identidades nacionais. Concluiu então que o caminho para ser bem visto era apenas ''ser bom'', agir de forma correta e responsável com o planeta.

''A reputação internacional de um país não pode ser construída artificialmente, apenas conquistada. Ao analisar dez anos de dados sobre marcas de países, descobri que a principal razão pela qual uma pessoa admira um país mais de que o outro não é a crença em seu sucesso, poder, beleza ou riqueza, mas a percepção de que ele contribui para o mundo.''

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