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Politizada, Lava Jato chega perto do fim sem resultado claro, diz revista
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Daniel Buarque

Politizada, Lava Jato chega perto do fim sem um resultado claro, diz "America Quarterly"

Politizada, Lava Jato chega perto do fim sem um resultado claro, diz ''America Quarterly''

A mesma revista estrangeira que colocou o juiz Sérgio Moro em sua capa vestido de ''caça-corrupto'', em alusão ao filme ''Os Caça-Fantasmas'', agora publica uma análise crítica e aprofundada dos caminhos tomados pela Operação Lava Jato, e vê a aproximação de um fim imprevisível para ela.

Segundo a avaliação da ''Americas Quarterly'', a investigação se tornou politizada, e é impossível prever onde ela vai acabar.

Segundo Brian Winter, editor da publicação que escreveu a ampla análise, a politização da Lava Jato ocorreu mais por necessidade do que por ser parte do plano da investigação.

''Diria que a politização do caso é exatamente o que permitiu que ela progredisse até onde foi sem ser interrompida por seus inimigos. Perversamente, também é o que vai começar a levar a investigação a seu fim, provavelmente nos próximos meses'', diz.

Em sua avaliação, o processo cresceu por ter surfado na perseguição a políticos corruptos em um momento em que a população apoiava o caso e se mostrava insatisfeita com os governos. Isso permitiu a Lava Jato ter um alcance inédito e deu força e popularidade para que ela não fosse atrapalhada pelos políticos.

Os últimos encaminhamentos desse processo, entretanto, podem ter se tornado passos em falso, diz. A estratégia parece ter exagerado na politização no processo contra o ex-presidente Lula, que se desencadeou em críticas mais forte à operação, na tentativa do Congresso de mudar a lei contra caixa-dois de campanha e em novos erros no pedido de prisão de Guido Mantega.

''É difícil não ter a sensação de que a tendência da Lava Jato é perder força'', diz.

Segundo Winter, a Lava Jato poderia ter material para processar todo o sistema político, mas provavelmente vai focar apenas em que acredita serem os líderes do esquema de corrupção.

''Isso é justo? Não, não é. Mas não é uma tática política – é uma tática investigativa clássica'', diz. ''Também pode ser a estratégia para que a Lava Jato tenha chances de deixar um legado forte e intacto.''

''Mesmo se a Lava Jato não tiver um final de hollywood, a investigação mudou para sempre a cultura de impunidade no Brasil'', defende.

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‘Forbes': Corrupção e governo fazem Brasil ser menos competitivo no mundo
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Daniel Buarque

forbes compet

O Brasil é um país caro, diz uma reportagem da revista de economia ''Forbes'', e a culpa, entre outros, é da corrupção.

Problemas estruturais, burocracia, impostos e um alto nível de corrupção justificam a queda do país no índice de competitividade global, explica.

O comentário tenta avaliar o fato de o Brasil ter caído seis posições no ranking anual que mede a competitividade de 138 países. O Brasil ocupa neste ano o 81º lugar.

''Os maiores problemas que contribuem para o Brasil perder a pequena competitividade que tem são os impostos, a corrupção, o governo e as leis trabalhistas'', diz a revista.

Trata-se do pior resultado para o país desde 2007, início do levantamento. O Brasil ficou atrás de países como Ruanda (52º), Sri Lanka (71º) e Irã (76º).

Desde 2012, o Brasil perdeu 33 posições no Relatório Global de Competitividade.

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Mídia estrangeira diz que ‘Aquarius’ é sufocado pela política brasileira
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Daniel Buarque

Mídia estrangeira diz que filme "Aquarius" é sufocado por motivos políticos

Mídia estrangeira diz que filme ''Aquarius'' é sufocado por motivos políticos

A polêmica em torno do filme brasileiro ''Aquarius'', que deixou de ser indicado pelo Brasil ao Oscar depois de sua equipe de produção protestar em Cannes contra o impeachment de Dilma Rousseff, ganhou nesta semana reportagens em alguns dos principais veículos da imprensa internacional. Em tom crítico, os estrangeiros indicam que a política parece ''sufocar'' o filme, que se tornou um símbolo da luta ideológica em torno do impeachment.

''Poucos filmes tocaram um nervo do Brasil em anos recentes como 'Aquarius''', diz o ''New York Times'', narrando as disputas relacionadas ao filme no país.

Depois dos protestos contra o impeachment e a não indicação ao Oscar, que foi criticado como ''perseguição política'' ao Brasil, diz, ''de repende 'Aquarius' se tornou um catalisador para expressar irritação em um país que sofre com uma recessão e enfrenta escândalos de corrupção'', explica.

Tom semelhante foi usado pelo francês ''Le Monde'', que publicou uma longa entrevista com o diretor do filme, Kleber Mendonça Filho e criticou o ''retrocesso'' com o qual o filme foi tratado no Brasil.

Na entrevista, Mendonça filho diz que a situação política do Brasil é tão crítica que poderia inspirar um filme de terror.

O francês ''Le Point'' também trata da polêmica em torno de ''Aquarius'', e diz que o filme reflete a realidade política conturbada do Brasil de hoje.

A revista de cultura francesa ''Les Inrockuptibles'' diz que o filme se tornou um ''símbolo da resistência ao 'golpe de Estado' contra Dilma Rousseff''.

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Imagem do Brasil no mundo passou de 81% positiva a 85% negativa em 7 anos
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Daniel Buarque

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

A imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos, segundo um levantamento realizado desde 2009 pela agência de comunicação Imagem Corporativa (IC).

Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, neste ano o Brasil aparece com enfoque negativo em 85,5% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

O dado faz parte de um livreto da IC, divulgado neste mês, que faz um balanço sobre as oscilações do país e da sua imagem ao longo da última década. O trabalho é um resumo do que a agência costuma produzir na pesquisa ''I See Brazil'', que busca medir as percepções externas em torno do país a partir do que se lê na mídia estrangeira e do que falam especialistas no assunto.

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

''Um levantamento da Imagem Corporativa que acompanha a imagem do Brasil no exterior desde 2009 mostrou que, naquele ano, 80% das reportagens publicadas sobre o país nos principais veículos da imprensa estrangeira eram positivas. Esse percentual passou para 81% no ano seguinte – ponto alto da exposição favorável da mídia estrangeira ao Brasil. A queda começaria em 2013, quando o percentual caiu para 65%. No ano seguinte houve a reversão: 56% das reportagens publicadas sobre o país eram negativas. Tal percentual cresceria para 72% em 2015 – invertendo completamente o quadro observado poucos anos atrás”, diz o trabalho. O levantamento mais recente, do primeiro semestre deste ano, mostra que 85,5% das reportagens sobre o Brasil eram negativas.

A oscilação da reputação internacional do país já havia sido abordado pela edição mais recente do livro “Brazil, um País do Presente – A Imagem Internacional do ‘País do Futuro’”, escrito pelo autor deste blog Brasilianismo, lançada no ano passado.

A partir de trabalho de reportagem e de estudos de nation branding, competitive identity e diplomacia pública, o livro mostra que a imagem do Brasil mudou de forma surpreendentemente rápida e radical ao longo da última década. Ali vê-se que em 2010, a palavra “euforia” era a que melhor representava a forma como o mundo via o país em seu momento “bola da vez”. Hoje, tudo mudou, e a desconfiança tomou conta das interpretações estrangeiras sobre o país. Depois da euforia, veio a depressão.

Uma década de altos e baixos

O livreto sobre a oscilação brasileira ao longo da década aponta como a economia e a política evoluíram e depois perderam o rumo. Fala sobre como o Brasil impulsionou sua imagem como parte dos ascendentes BRICs e depois dos ''cinco vulneráveis''. Trata ainda do quanto o governo Lula aproveitou a instabilidade na região para promover a imagem do país.

Mostra que, como seria natural, a imagem do país reflete o que acontece de fato dentro dele. E, se o Brasil passou por uma oscilação política econômica tão grande, isso acaba sendo sentido por sua reputação internacional.

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

''Em tão pouco tempo, o país iniciou uma trajetória ascendente, na qual assistiu à melhoria de seus indicadores econômicos e sociais, aumentou seu grau de protagonismo na arena mundial e sediou dois eventos esportivos internacionais. E também testemunhou a deterioração desses mesmos indicadores econômicos e sociais, ingressou em uma crise política sem precedentes nas últimas décadas e presenciou pela terceira vez em menos de 30 anos a posse de um vice-presidente no lugar do titular escolhido pelo voto.''

Após um panorama da história recente do país, o trabalho do IC apresenta sua pesquisa mais interessante e original – a respeito do protagonismo internacional do país.

''Assim como na economia e na política, a percepção externa em torno do Brasil também teve seus movimentos mais expressivos – positiva e negativamente – ao longo desses dez anos'', diz,

''Um importante ponto desse período foi o fato de o governo brasileiro ser visto no exterior – especialmente pelos EUA tanto de George W. Bush quanto de Barack Obama – como um contraponto ao bolivarianismo'', diz.

Mais uma vez, avaliação semelhante pode ser lida no livro ''Brazil, um país do presente'', em que mostro como a imagem do Brasil conseguia melhorar a partir da comparação com outros países. Isso valia também em relação aos BRIC, já que, mesmo crescendo menos do que os outros, o Brasil era visto como menos corrupto e mais democrático do que a Rússia e a China, e menos pobre do que a Índia.

Segundo o livreto da IC, 2007 é o ano emblemático da alta da imagem do país: Ali, o país ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo e encontrou reservas de petróleo do pré-sal, abrindo caminho para, nos anos seguintes, se tornar ''investment grade'' e ser escolhido para sediar os Jogos Olímpicos. A crise financeira global, em 2008, impulsionaria ainda mais a imagem do Brasil, que sobreviveu sem grandes abalos enquanto as maiores economias do mundo tremiam. O Brasil ''seria visto como um exemplo de resiliência em um momento desafiador'', diz.

A euforia internacional, que cresceu tão rapidamente, também não duraria muito tempo, entretanto. ''Assim como se tornou consensual em pouco tempo, essa imagem positiva do Brasil foi rapidamente desconstruída'', diz.

Isso começou em 2013, segundo a IC, com os primeiros indicadores negativos da economia e o início dos protestos contra a política brasileira (incluindo governos locais e o federal).

''É irônico notar que, no momento em que o Brasil exibia um dos pontos altos conquistados na década passada – a realização da Copa do Mundo de Futebol, em junho de 2014 – o país já começava a ser visto com desconfiança lá fora'', diz.

Com as crises do ano seguinte, chegou o ponto a virada da imagem internacional do Brasil, que passou a ser majoritariamente negativa.

Apesar do mau momento atual e das crises, no país e em sua imagem internacional, o trabalho da IC alega que não há motivo para desespero. ''O Brasil enfrentou crises muito mais severas em sua história recente, e certamente superará as dificuldades atuais – com o benefício das lições aprendidas nesses últimos dez anos''.

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‘Bloomberg View': Colapso do lulismo deixa cratera na política brasileira
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Daniel Buarque

'Bloomberg View': Colapso do lulismo deixa cratera na política brasileira

'Bloomberg View': Colapso do lulismo deixa cratera na política brasileira

A denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve levar ao enfraquecimento do maior ícone da política brasileira recente, o que pode causar problemas para o sistema político brasileiro, segundo um artigo publicado na ''Bloomberg View'', site de opinião da rede internacional de notícias de economia.

''Por maior que seja a limpeza da investigação de corrupção, o colapso do lulismo também deixa uma cratera no sistema político brasileiro'', diz o correspondente no país Mac Margolis, que assina o texto.

A preocupação, segundo o artigo, é que o sistema partidário pode ficar mais fragmentado e menos funcional.

''Apesar de seus problemas, o Partido dos Trabalhadores – uma união de sindicatos, católicos liberais e intelectuais marxistas – foi a primeira organização política moderna independente a surgir no Brasil na segunda metade do século 20″, explica.

Margolis explica que Lula é um ícone nacional, e que a denúncia contra ele representa uma virada na política brasileira.

''Desde Getúlio Vargas, nenhum político dominou a vida pública do Brasil como Lula o fez'', diz.

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Alex Cuadros: Novas eleições dariam mais legitimidade à política pós-Dilma
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Daniel Buarque

Alex Cuadros: Novas eleições dariam mais legitimidade à política pós-Dilma

Alex Cuadros: Novas eleições dariam mais legitimidade à política pós-Dilma

Apesar do impeachment de Dilma Rousseff, a disputa política está longe de ser resolvida no Brasil, que continua em crise. A avaliação foi feita pelo jornalista e escritor americano Alex Cuadros, em artigo publicado no ''Financial Times''.

Segundo ele, o país vê crescerem as divisões políticas e a descrença na democracia, e está distante de resolver suas falhas estruturais. Nem mesmo novas eleições alcançariam isso, ele explica, mas ao menos daria mais legitimidade ao pós-Dilma.

''Michel Temer, o presidente do Brasil, pode ter esperança de reunir o país, mas muitos na esquerda o chamam de 'golpista''', diz. ''Muitos dos que apoiaram o impeachment de Dilma apontam dados que dizem que 60% dos brasileiros a queriam fora do governo. Uma proporção semelhante também quer que Temer saia, entretanto'', explica.

Ex-correspondente da rede de economia ''Bloomberg'' no Brasil e autor do livro “Brazillionaires'', sobre os megarricos do país, Cuadros comenta dados recentes que indicam que apenas 32% dos brasileiros acreditam que a democracia é a melhor forma de governo. ''Isso é preocupante, mas compreensível, dada a disputa amarga pelo poder que paralisou Brasília desde a reeleição de Dilma Rousseff em 2014″, explica.

A insatisfação com o novo governo poderia levar a novas eleições, ele diz, mas isso talvez também não resolva os problemas do país. ''Claro que novas eleições não são suficientes para consertar as falhas estruturais no sistema político brasileiro'', diz.

A vantagem desta opção, segundo ele, é que daria mais legitimidade a um governo pós-Dilma.

''A alternativa mais provável é o aumento da separação entre a população e o processo político. Isso vai tornar mais fácil para a classe política brasileira pensar em si mesma, como há tempos já faz, em detrimento dos cidadãos comuns'', diz.

Cuadros tem sido um crítico do sistema político brasileiro na imprensa internacional. Em um artigo publicado imediatamente após o impeachment de Dilma Rousseff na revista ''The New Yorker'', Cuadros avaliou que o impeachment serviu como um voto de censura, referência ao mecanismo usado no parlamentarismo para afastar um primeiro-ministro sem apoio político.

Sem defender o impeachment, ele também não abraça a tese de golpe de Estado, e diz que as coisas não são simples em preto e branco. ''Em português, a palavra 'golpe' se referre a 'golpe de Estado' – mas também pode significar 'trapaça''', dizia.

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Imprensa estrangeira lembra intervencionismo de Mantega ao noticiar prisão
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Daniel Buarque

Imprensa internacional lembra intervencionismo de Mantega ao noticiar sua prisão

Imprensa internacional lembra intervencionismo de Mantega ao noticiar sua prisão

A prisão, ainda que breve, do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega levou a imprensa internacional a noticiar o desenrolar da Operação Lava Jato e destacar o papel do ex-ministro na grande oscilação da economia nacional ao longo da última década.

O nome de Mantega ficou fortemente associado no resto do mundo à crise econômica que afeta o Brasil nos últimos anos. Apesar de ele ter estado presente na ''ascensão e queda da maior economia do continente entre 2006 e 2014″, como destacou o ''Financial Times'', seu trabalho acabou sendo mais lembrado pela crise, segundo a imprensa internacional.

''Até 2011, a economia brasileira foi abastecida pelo boom de commodities baseado em exportações para a China, bem como o aumento do crédito para consumidores e empresas. Mas a partir de 2012, o país entrou em recessão por causa do que os críticos de Mantega acreditam que tenham sido as políticas intervencionistas dele e de Dilma'', diz o jornal de economia.

A crítica internacional a Mantega e à política intervencionista do governo foi tão forte, que se tornou referência para o início da crise no país.

Em meados de 2014, seu nome substituiu a imagem de estabilidade da economia brasileira no resto do mundo, que antes era associada especialmente ao trabalho do atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central nos anos de crescimento da economia brasileira.

Ao escrever uma atualização sobre a imagem do Brasil em meio à crise, para a segunda edição do livro ''Brazil, um País do Presente'', o nome do ex-ministro foi abordado ao tratar da ''depressão'' que substituiu a euforia dos estrangeiros com o país. O trecho diz:

''Um último ponto que precisa ser destacado em relação à mudança na imagem da economia brasileira é a enorme mudança nos símbolos da economia brasileira: a derrocada de Eike Batista e a rejeição a Guido Mantega. No livro publicado no início de 2013, há um longo trecho em que Eike e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles são apresentados como os “faces do sucesso econômico” do Brasil. O primeiro representava o mercado agitado e promissor e o segundo simbolizava a estabilidade. Em um curto espaço de tempo, tudo mudou nessa área. Por um lado, uma crise nas empresas de Eike Batista fizeram com que ele perdesse toda a fortuna que fazia dele um dos homens mais ricos do mundo, se tornando um símbolo de fracasso no mercado, o que afetou indiretamente a imagem do Brasil. Por outro lado, Meirelles deixou o BC e o rosto da política econômica brasileira no mundo se tornou o Ministro da Fazenda Guido Mantega, que passou a simbolizar a mediocridade do crescimento econômico do país e até mesmo risco à estabilidade. A rejeição a Mantega é tão grande que a revista “Economist” chegou a pedir sua demissão.''

Interessante notar que o trecho trata ainda de outro nome presente no noticiário recente, o de Eike Batista, responsável pela delação que levou Mantega a ser detido.

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Lula vira réu em julgamento politicamente carregado, diz mídia estrangeira
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Daniel Buarque

Lula vira réu em julgamento políticamente carregado, diz mídia estrangeira

Lula vira réu em julgamento politicamente carregado, diz mídia estrangeira

A decisão da Justiça de aceitar a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornou uma das principais notícias sobre o Brasil no resto do mundo nesta semana. Com grande destaque nos principais veículos da imprensa estrangeira, a notícia foi analisada como sendo ''o julgamento mais politicamente carregado da história moderna do Brasil'', como descreveu o jornal britânico ''The Guardian''.

''A decisão de levar o julgamento adiante vem em meio a um período de intenso tumulto político e econômico, que foi exacerbado pelas investigações da Lava Jato e por uma conspiração para dar fim a 13 anos de governo do PT'', explica o jornal. Segundo a reportagem, ''o palco está montado''.

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O ''Guardian'' avalia ainda que o governo Temer também está implicado em escândalos de corrupção e tem enfrentado uma série de protestos. ''O julgamento de Lula pode aumentar a temperatura ainda mais'', diz.

O ''Financial Times'' noticiou o fato de Lula ter se tornado réu e destacou que ele continua sendo bem avaliado por muitos brasileiros, mesmo com todas as acusações.

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''Apesar das acusações contra o carismático ex-metalúrgico e sindicalista, uma pesquisa do Datafolha mostrou, em julho, que ele ainda seria o candidato mais popular nas próximas eleições presidenciais, em 2018″

A revista de economia ''Forbes'' ressaltou que a notícia sobre o julgamento de Lula seria inimaginável dez anos atrás. ''Mas este é o Brasil de 2016″, diz.

Segundo a publicação, apesar de Lula exagerar ao se dizer a alma mais honesta do Brasil, ele ''pode ter razão ao dizer que o processo judicial é politicamente motivado. ''Hoje em dia no Brasil há pouco que não seja politicamente motivado'', diz.

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A motivação política tem destaque também em reportagem do francês ''Le Figaro''. ''Vários observadores denunciaram a falta de fundamentos para as acusações contra Lula e a natureza política do processo'', diz.

O ''New York Times'' diz que a decisão de tornar Lula réu ocorreu ''em meio a um debate nacional sobre a possibilidade de os promotores estarem exagerando em seus esforços para envolvê-lo'' nos escândalos de corrupção.

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Na ONU, Temer tenta legitimar governo brasileiro, visto como ‘disfuncional’
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Daniel Buarque

Na ONU, Temer tenta legitimar no mundo a política disfuncional do Brasil

Na ONU, Temer tenta legitimar no mundo a política disfuncional do Brasil

A legitimidade do governo brasileiro no resto do mundo tem sido um ponto importante da política nacional neste ano turbulento. O processo teve um ponto importante no discurso do presidente Michel Temer a abertura da Assembleia da ONU, em Nova York, quando ele defendeu que o impeachment seguiu a Constituição.

Desde o início do debate sobre impeachment, antes da votação contra Dilma Rousseff na Câmara de deputados, do seu afastamento e de Temer assumir a Presidência, grupos opostos têm disputado a imagem da política brasileira no mundo.

Dilma e o ex-presidente Lula deram uma série de entrevistas à imprensa internacional, denunciando o impeachment como um golpe de Estado. Enquanto isso, o grupo que liderou o movimento para tirar o PT do poder mandou emissário aos EUA para defender o impeachment e criou uma política de defesa do processo de impeachment na diplomacia brasileira.

O discurso de Temer na ONU buscou consolidar a imagem de um novo governo brasileiro.

Destacado no Brasil, o discurso foi amplamente ignorado no resto do mundo. O ''New York Times'' publicou uma reportagem sobre a busca da legitimidade, mas a maior parte da mídia estrangeira registrou a fala de Temer apenas em notas de agências de notícias.

Segundo Guilherme Casarões, professor da FGV, ''Aa dedicar a parte final do discurso a uma longa menção à Constituição e à força das instituições políticas, Temer quis neutralizar a 'narrativa do golpe'. Não é a primeira vez que a ONU é palco da política doméstica: Dilma valeu-se de expediente idêntico, com sinais trocados, em seu discurso de 2015. Se, à época, a pauta era a denúncia do impeachment, hoje Temer trata de justificar o processo aos interlocutores globais''. A avaliação foi feita em artigo publicado no ''Estado de S. Paulo''.

''O fechamento do discurso de Temer mostra a necessidade de reforçar sua legitimidade internacional e que os temas de política externa, embora importantes, seguirão sem grandes novidades na nova administração'', explicou.

O questionamento da legitimidade do governo Temer ficou evidente no começo do seu discurso, quando algumas delegações latino-americanas se retiraram da sala após o presidente ser chamado a discursar. Equador, Costa Rica, Bolívia, Venezuela, Cuba e Nicarágua saíram da Assembleia em protesto.

Ainda assim, é importante notar que a presença de Temer como presidente em importantes eventos globais, como a Assembleia da ONU e, antes, o fórum das maiores economias do mundo, no encontro do G-20, ajuda a consolidar nos resto do mundo sua imagem como o presidente brasileiro, e não mais apenas um interino. Mesmo com protestos e questionamentos, e mesmo que ele ainda seja criticado, Temer está trabalhando para fortalecer esta imagem internacional.

É difícil saber até que ponto a estratégia está funcionando, entretanto. A maior parte da grande imprensa internacional questionou o processo de impeachment, mas não aceitou a tese de que a derrubada do governo Dilma foi um golpe. A imagem mais forte que ficou na mídia estrangeira foi a de um país com política disfuncional, o que continua perceptível.

Na reportagem sobre a busca de Temer por legitimidade, o ''New York Times'' lembrou que o presidente foi citado em escândalos de corrupção, e registrou a notícia de que deputados tentaram aprovar, de forma obscura, uma anistia para políticos envolvidos em denúncias de caixa-dois – indicações de que a política brasileira não passou a ser vista como mais séria após o impeachment.

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Aos 94, Bibi Ferreira se apresenta nos EUA e ganha elogios do ‘NY Times’
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Daniel Buarque

Aos 94 anos, Bibi Ferreira se apresenta nos EUA  e ganha elogios do 'NY Times'

Aos 94 anos, Bibi Ferreira se apresenta nos EUA e ganha elogios do 'NY Times'

Aos 94 anos, a atriz e cantora Bibi Ferreira se apresenta nos Estados Unidos e se tornou o tema de um perfil publicado no jornal americano ''The New York Times'', que homenageia sua carreira.

''No palco, Ferreira é um camaleão, conhecida por suas representações aprofundadas, com várias camadas psicológicas, e pela grandeza do seu canto, sem mencionar sua energia'', diz o texto.

De volta a Nova York, onde se apresentou pela primeira vez aos 90 anos, ela vai subir aos palcos com o espetáculo ''4xBibi'', que comemora seus 75 anos de carreira.

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