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Impeachment de Dilma arranha imagem do Brasil, diz cientista política
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Daniel Buarque

Impeachment de Dilma pode arranhar imagem do Brasil, diz cientista política

Impeachment de Dilma pode arranhar imagem do Brasil, diz cientista política

O processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, vai encolher a presença do Brasil no mundo, segundo a professora titular de ciência política da Universidade de São Paulo Maria Hermínia Tavares de Almeida.

A avaliação foi feita em entrevista ao jornal “Valor Econômico''. Para a professora, mesmo que o processo tenha seguido os procedimentos constitucionais, há dúvidas sobre sua legitimidade e o impeachment arranhou a imagem externa do país.

Segundo ela, “lá fora ninguém entende o que são pedaladas e poucos acreditam que são um bom motivo para impeachment''.

Maria Hermínia Tavares de Almeida: Certa feita, aí pela década dos 1970, perguntaram ao primeiro-ministro chinês Chu En-Lai quais teriam sido as consequências da Revolução Francesa de 1789, ao que ele teria respondido que era ainda muito cedo para dizer. Não tenho a menor ideia de qual será o julgamento da história. Pessoalmente, acredito que não se tratou de um golpe, mas que, mesmo assim, foi um evento traumático; talvez evitável, se o governo Dilma tivesse mostrado mais disposição para conversar e negociar e se o candidato do PSDB, derrotado em 2014, não tivesse apostado na possibilidade de afastar a presidente, no dia seguinte das eleições presidenciais. O impeachment, mesmo seguindo os procedimentos constitucionais, arranhou a imagem externa do país. Lá fora ninguém entende o que são pedaladas e poucos acreditam que são um bom motivo para impeachment. Todos sabem que a presidente caiu porque perdeu sua base de apoio parlamentar e, em consequência, a capacidade de governar. E isso gera dúvidas com relação à legitimidade de seu afastamento, mesmo seguindo os procedimentos estabelecidos pela Constituição. Falo aqui de setores moderados do establishment e da imprensa internacionais. Ficamos menores diante do mundo.''

É difícil medir este impacto do impeachment na imagem internacional do Brasil, e mais difícil ainda saber se há de fato este “arranhão'' na imagem. Em alguns momentos, ao contrário da avaliação da cientista política, pode-se ter a impressão de que a crise política e o impeachment aumentaram a presença do Brasil na imprensa internacional, ampliando a imagem do país (mesmo que uma imagem negativa) em vez de encolher esta presença.

Mesmo assim, uma avaliação da cobertura do processo na imprensa internacional leva à conclusão de que realmente tem sido comum a crítica generalizada ao sistema político brasileiro, o que pode reforçar uma imagem ruim.

Por outro lado, a imagem do Brasil no exterior nunca foi a de um país rico, ou de um exemplo de seriedade política – portanto as crises não chegam a surpreender observadores externos ou a alterar a imagem que se tem do país.

Pelo contrário, o impeachment se aproxima do seu fim bem perto da Olimpíada, evento que colocou o Brasil nos holofotes do mundo e que serviu para reforçar estereótipos do país e mostrar seu lado mais decorativo. Depois dos Jogos e do impeachment, o Brasil sai mais uma vez como um país com avaliação negativa de aspectos de política e economia, mas cada vez mais positivas em aspectos de cultura e sociedade.

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Após pedir renúncia de Dilma, ‘Le Monde’ chama impeachment de farsa
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Daniel Buarque

Após pedir renúncia de Dilma, 'Le Monde' chama impeachment de farsa política

Após pedir renúncia de Dilma, 'Le Monde' chama impeachment de farsa política

Se o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa, uma tragicomédia política, diz um editorial do jornal francês “Le Monde''. As verdadeiras vítimas do processo, segundo o jornal, não é Dilma, mas os próprios brasileiros.

“Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira'', defende o “Monde''

O jornal critica o processo, mas admite que o impeachment está previsto pela Constituição brasileira e tem roupagem de legitimidade. “De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas.''

O 'Monde' destaca ainda a ironia de que a presidente afastada tenha perdido força política em meio a manifestações contra a corrupção no país, mas que ela não é acusada por envolvimento nesses esquemas.

O editorial consolida uma mudança de posição do “Monde'' em relação à política brasileira, que diminuiu o tom de críticas à presidente afastada e passou a ser mais forte contra o processo político em curso no país.

Em um texto de opinião publicado em março, o jornal criticava a defesa do governo e defendia a renúncia da presidente. Segundo o texto da época, o governo deveria escolher melhor os termos usados para se defender em meio à crise política do país, sem falar em “golpe'' para tentar desqualificar o posicionamento da oposição.

O texto foi publicado com o título em francês “Ceci n’est pas un coup d’Etat” (Isso não é um golpe de Estado). Ele questionava a posição do governo e defendia que “a destituição de um chefe de Estado é prevista e regulamentada pela Constituição brasileira”.

O editorial de março foi criticado internamente no jornal, e o “Monde'' passou a ser mais cuidadoso com a cobertura da política brasileira desde então.

Dois meses depois, em maio, o jornal dizia que Dilma foi retirada do poder de forma brutal após manobras que não honram o conjunto da classe política brasileira, já bastante desacreditada.

“Na verdade, o triste caso e a última manifestação de um enorme mal-estar provocado por um mundo político amplamente corrompido, tanto à direita quanto à esquerda'', dizia o jornal. “Sem dúvida seria melhor ter novas eleições'', completou.

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Brian Winter: Ouro do futebol pode marcar fim da crise política do Brasil
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Daniel Buarque

Brian Winter: Ouro do futebol pode marcar fim da crise política do Brasil

Brian Winter: Ouro do futebol pode marcar fim da crise política do Brasil

A conquista da medalha de ouro inédita do futebol brasileiro na Olimpíada do Rio, na semana passada, e o sucesso da realização do evento, serão lembrados como o começo do fim da longa crise que atingiu o Brasil, segundo a avaliação do editor-chefe da revista “Americas Quarterly'', Brian Winter.

Em um artigo publicado nesta semana, Winter admite que essa interpretação pode ser uma busca pessoal pela construção de uma narrativa grandiosa sobre o destino da nação, mas apela à história para mostrar como futebol e política muitas vezes parecem convergir no país, e como isso pode ajudar o atual governo interino de Michel Temer a se consolidar e se fortalecer.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, e autor de quatro livros sobre a América do Sul, Winter compara a atual situação do país ao que aconteceu em 1994. “Um Brasil deprimido precisava desesperadamente de um impulso'', diz. Corrupção, crise política após impeachment e hiperinflação se juntavam a um jejum de mais de 20 anos em títulos da seleção de futebol e criavam “um sentimento geral de que o país não conseguia fazer nada certo''.

E mesmo assim, naquele ano, a sorte virou enquanto futebol e política convergiam. O Brasil se tornou tetracampeão de futebol na Copa dos Estados Unidos, implementou o plano real, e deu início a um dos períodos de maior estabilidade da história recente do país.

“Não consegui parar de pensar nisso na tarde de sábado, enquanto o futebol brasileiro e a política mais uma vez convergiam de forma impressionante'', diz.

“Ao vencer a Alemanha em mais uma disputa de penaltis dramática, o Brasil conquistou o ouro olímpico do futebol pela primeira vez, oferecendo a uma nação deprimida o maior momento de alegria coletiva em anos. Ao fazer isso, o time exorcizou alguns dos demônios da derrota por 7 a 1 na Copa – que por coincidência ou não marcou o início da descida do país a dois anos de humilhações, escândalos e recessão'', explica.

Winter diz que é fácil pensar que “pão e circo'' podem ser usados para distrair as massas e aumentar a confiança brasileira em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Ele alega, entretanto, acreditar que o Brasil amadureceu e que as lições da crise não vão ser esquecidas facilmente.

“Confiança e sentimento são críticos para políticas e para economias, e o otimismo muitas vezes se torna autorrealizável'', diz.

A convergência entre política e futebol no Brasil é um tema frequente nas análises de estrangeiros sobre o país.

Enquanto analistas internacionais costumam ver os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva como um período único de estabilidade do país, é comum ler comentários de pesquisadores que associam as vitórias da seleção nas copas de 1994 e 2002 com a situação política do país no momento da eleição dos dois.

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Cobertura pré-olímpica do Rio na imprensa internacional foi irracional
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Daniel Buarque

Artigo do 'New York Times' fala em possível 'catástrofe' no Rio

Artigo do 'New York Times' fala em possível 'catástrofe' no Rio

 

Por João Roberto Martins Filho

Como se viu, a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos 2016 confirmou a impressão que se insinuou após a surpreendente abertura e se consolidou gradualmente nas duas semanas de competição: o propalado desastre internacional, causado pela Zika e pela poluição na Baía da Guanabara, pela precariedade das construções e pela incapacidade de organização dos brasileiros, não se consumaria.

Pouco a pouco, a cobertura da mídia internacional virou de pessimista para otimista. Mais exatamente, de catastrófica para moderadamente elogiosa. O Rio de Janeiro, passou-se a dizer, conseguiu superar o obstáculo.

Nenhuma matéria das agências internacionais e dos principais órgãos americanos, europeus e de outros países do Grupo dos Oito fez uma autocrítica que minimamente buscasse explicar as razões de tamanha discrepância entre previsões e realidade.

 

Programa de TV dos EUa chama Olimpíada de catástrofe

Programa de TV dos EUA chama Olimpíada de catástrofe

E não foi a primeira vez que esse processo ocorreu. Quando a África do Sul realizou a Copa do Mundo em 2010 e quando o mesmo evento ocorreu no Brasil em 2014 a curva da cobertura foi a mesma. Por que será que isso se repete?

Aqui do Sul global, podemos dizer que nos três momentos de ousadia de dois países fora do mundo “civilizado”, a reação pré-jogos da imprensa internacional foi irracional.

Jornalistas de vários países sofreram um efeito manada que chegou ao extremo na cobertura da Rio 2016: raríssimos repórteres ousaram dizer que havia um exagero no pessimismo ou se arriscaram a dar um mínimo crédito à cidade-sede.

'Washington Post' dizia que Rio não estava pronto para os Jogos

'Washington Post' dizia que Rio não estava pronto para os Jogos

Que eu saiba, nenhuma matéria procurou checar se era verdade que o mês de agosto era passível de sofrer uma epidemia de Zika, se nada havia sido feito para evitar um desastre na Lagoa Rodrigo de Freitas ou na Baía da Guanabara, se o cronograma das obras e o planejamento da logística e da segurança tinham indícios de eficiência, se dezesseis estações de metrô e duas linhas de BRT constituíam um avanço numa cidade carente como o Rio de Janeiro, ou se a reforma de áreas centrais antes abandonadas seria bem vista pela população mais carente da cidade.

Ao contrário, como nos episódios de massa em que todos chutam um homem caído, os mais respeitáveis órgãos de comunicação do mundo embarcaram na onda e aderiram ao linchamento da ex-capital brasileira, cujos problemas sociais, de criminalidade e de mobilidade urbana ninguém pode negar. Mas o exagero foi tão patente que a revolta e sensação de injustiça chegou às torcidas, expressando-se em vaias a atletas específicos, escolhidos como bodes expiatórios.

Ao final, ficou a forte impressão de que o clã dos países adiantados tem extrema relutância em aceitar que grandes eventos possam ocorrer em países fora de seu clube seleto e que qualidades atribuídas geneticamente ao Primeiro Mundo possam existir em países que ainda não chegaram lá.

CNN questiona se Jogos seriam catastróficos

CNN questiona se Jogos seriam catastróficos

Nas duas semanas em que o Rio foi o polo de atração global, no resto do mundo continuaram a ocorrer as barbaridades habituais, incluindo atentados, nova revolta urbana nos EUA contra o racismo policial e o assassinato de um clérigo muçulmano em Nova York.

Enquanto isso, presenciamos estupefatos o triste episódio do nadador campeão que quis aproveitar a onda e jogar mais uma pedra certeira na cabeça da Geni, com os resultados que todos conhecemos. Nesse caso choveram pedidos oficiais e oficiosos de desculpas. Mas ainda estamos esperando algo semelhante dos monopólios de mídia internacional.

João Roberto Martins Filho é sociólogo, cientista político e professor titular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Especializado em política brasileira, ele realizou pesquisas em Londres e na Holanda, e orientou estudo sobre a cobertura do Brasil na imprensa internacional.


Mídia americana volta a questionar versão brasileira de caso de nadadores
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Daniel Buarque

Mídia americana volta a questionar versão brasileira de caso de nadadores

Mídia americana volta a questionar versão brasileira de caso de nadadores

Dias após o encerramento da Olimpíada do Rio de Janeiro, a imprensa norte-americana voltou a tratar da principal polêmica registrada durante o evento: o caso do suposto assalto/mentira a nadadores dos Estados Unidos, incluindo o medalhista Ryan Lochte.

Mesmo depois de a polícia do Rio dar o caso por encerrado e indicar que os nadadores mentiram fizeram uma falsa denúncia de crime depois de quebrarem o banheiro de um posto de gasolina, e depois de o próprio Lochte admitir que “exagerou'' ao relatar o assalto, veículos da mídia do país dizem que nem tudo está esclarecido.

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Uma reportagem veiculada pela rede de TV CBS nesta quarta-feira (24) diz que ainda há dúvidas sobre a versão do caso contada pela polícia.

“Uma nova investigação do incidente, bem como novos relatos dos nadadores que foram detidos pelas autoridades brasileiras e supostamente forçadas a pagar uma 'multa' para deixar o país, corroboraram algumas das afirmações 'exageradas' de Lochte'', diz a reportagem.

“Era importante para o Brasil repudiar as alegações, já que muitos questionavam a capacidade do país de manter os atletas em segurança durante a Olimpíada'', explica a reportagem publicada no site do grupo.

A reportagem da CBS ecoa a cobertura do jornal “USA Today'', que foi crítico à forma como o Brasil tratou do caso desde o princípio. A colunista Nancy Armour publicou duras críticas à polícia brasileira e à organização dos Jogos Olímpicos e disse que o caso é um problema de relações públicas, e que o Brasil não tolera o fato de que o caso envolvendo o medalhista Ryan Lochte tenha envergonhado o país.

Agora em reportagens mais bem apuradas, os dois veículos reconstruíram nessa semana uma linha do tempo do que se sabe sobre o ocorrido a partir de documentos da polícia e relatos de testemunhas. Segundo o jornal e a rede de TV, a versão contada pelos nadadores pode não ser totalmente falsa, visto que havia uma pessoa armada exigindo dinheiro deles.

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Segundo um juiz brasileiro ouvido pelo jornal americano, a ação do segurança do posto de combustível poderia ter sido interpretada como um assalto – o que também reduziria a força da acusação de falsa denúncia de crime.''Está claro em todos os relatos que a barreira de idioma português-inglês teve um papel importante no incidente, e que uma testemunha bilíngue que se apresentou na cena foi importante para evitar que a situação tensa ficasse ainda pior'', diz o “USA Today''.

O jornal ainda critica que a polícia do Rio de ter aceitado como natural a ação do segurança, que teria mostrado uma arma para exigir pagamento pelos danos ao banheiro do posto.

Além das reportagens em que veículos importantes da imprensa dos EUA continuam a questionar a ação da polícia brasileira, um dos nadadores brevemente detidos no Brasil deu novas declarações ao voltar aos Estados Unidos. O nadador Jimmy Feigen criticou a forma como uma multa foi cobrada para que ele recebesse de volta seu passaporte para voltar aos EUA. Ele negou que o grupo tivesse destruído o banheiro do posto, e disse que eles apenas urinaram na grama por trás do lugar.

Em uma reportagem sobre essas declarações, o site de notícias de celebridades “TMZ'' acusa o Brasil de extorsão contra Feigen.

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‘Forbes': Fim da Olimpíada encerra megaeventos e vira adeus à era do PT
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Daniel Buarque

'Forbes': Brasil dá adeus a Olimpíada e já prepara despedida de Dilma

'Forbes': Brasil dá adeus a Olimpíada e já prepara despedida de Dilma

Com os fogos de artifício que encerraram os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no domingo, o Brasil se despede de duas eras de uma só vez. O país deixa para trás a era dos megaeventos esportivos e também a era do Partido dos Trabalhadores, segundo uma reportagem publicada no site da revista americana de economia “Forbes''.

“Esta semana marca o ato final da presidente Dilma Rousseff, a primeira mulher a presidir o país e a segunda chefe do Executivo a sofrer impeachment desde o fim da ditadura militar em 1985″, diz a publicação.

Segundo a reportagem, Dilma tem apenas 10% de conseguir uma mudanças surpreendente para se manter no poder, mas a probabilidade de isso acontecer é muito baixa.

“A saída de Dilma marca o fim de 14 anos de governo do Partido dos Trabalhadores, um partido de esquerda que muitos acreditam que ela ajudou destruir ao levá-lo ainda mais para a esquerda'', diz.

A revista explica que todo o processo de impeachment gera muita polarização no Brasil, e diz que desde o ano passado começaram os planos da oposição para tirá-la do poder.

“Vamos aceitar, todo impeachment é um julgamento político. O Senado é o juiz e o júri'', diz. “Em outras palavras, Dilma não tem chances.''

Então, complementa, a semana começa com o país dizendo adeus à Olimpíada e se preparando para se despedir também da presidente.

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Jornalistas estrangeiros reclamam de problemas de organização na Olimpíada
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Daniel Buarque

Jornalistas estrangeiros reclamam de problemas de organização na Olimpíada

Jornalistas estrangeiros reclamam de problemas de organização na Olimpíada

A cobertura da Olimpíada na imprensa internacional alternou as fortes críticas antes do evento com elogios pela bela festa ao fim dos Jogos – O Rio superou as expectativas, segundo o relato final.

Internamente, entretanto, muitos estrangeiros que trabalharam na cobertura jornalística olímpica no Rio se mostraram insatisfeitos com a organização e a estrutura montada para eles.

O UOL fez uma enquete com dez desses estrangeiros de diferentes países: Japão, China, Coreia do Sul, Holanda, Inglaterra, França, Itália, Senegal, Austrália e Estados Unidos. Em comum, quase todos criticaram a estrutura de trabalho, especialmente o transporte, e a organização do evento – e acharam o povo a melhor coisa da cidade.

Por mais que possa soar corporativista, se a intenção dos Jogos era fazer com que a imprensa mostrasse uma boa imagem do Rio, seria de bom tom pensar no trabalho dos jornalistas que fariam isso. Não precisava mimar essas pessoas, mas facilitar a vida dos jornalistas estrangeiros podia deixá-los com humor um pouco melhor, e acabar tendo efeito indireto, se refletindo no tom das reportagens sobre a cidade.

Veja abaixo alguns destaques dos depoimentos.

“Rio perdeu a oportunidade de usar a marca dos Jogos e mostrar a cidade melhor do que ela é'' – Duncan Mackay, Inside The Games, Inglaterra.

“Eu acho que os Jogos Olímpicos são muito grandes para o Rio. (…) Eu acho que Rio é ótimo para se passar as férias, mas não para os Jogos.'' – Hendrik Stouwdam, NRC Handelsblad, Holanda

“Não estou satisfeito. Como os ônibus não são pontuais, a gente tem que esperar uma hora às vezes, é diferente de outros Jogos como em Pequim, por exemplo. Acho que se melhorassem isso seria melhor. Eu tenho que acordar muito, muito cedo para não perder as competições porque os ônibus não são pontuais.'' – Gong Bing, Xinhua, China

“Há tantos problemas pequenos acontecendo todo dia e coisas que podem ser evitadas se tudo tivesse sido feito antes e tivesse tido mais tempo para testar as coisas. Os serviços para as pessoas, as funções das pessoas, como operar o transporte, a segurança.'' – Wakako Yuki, Yomiro Shimbun, Japão.

Leia todos os depoimentos na reportagem do UOL

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Olimpíada reforça estereótipos e consolida imagem do Brasil como decorativo
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Daniel Buarque

Olimpiada reforçou estereótipos sobre o Brasil

Olimpiada reforçou estereótipos sobre o Brasil

Este texto é a versão expandida de análise publicada na “Folha de S. Paulo”

Foi uma grande festa. E um alívio ainda maior que a Olimpíada passou sem grandes sobressaltos.

A exemplo do que aconteceu durante a Copa do Mundo de 2014, o clima de pessimismo que se viu na imprensa internacional antes do início do evento global foi substituído por uma surpresa positiva. Com as expectativas tão em baixa, o Rio conseguiu manter tudo dentro do controle, e foi feliz ao evitar problemas e fazer seu evento. No fim, (quase) tudo deu certo. O Brasil superou as expectativas e não só passou pelo evento sem ter sua imagem manchada, como mostrou que sabe festejar como nenhum outro país.

O evento foi um sucesso, é verdade, mas essa avaliação pode esconder seu verdadeiro efeito sobre a reputação internacional do Brasil.

Apesar de ter acertado na organização e de ter saído da Olimpíada recebendo elogios por todo o mundo, o Brasil falhou na sua tentativa de usar grandes eventos internacionais para transformar sua “marca'' global. Em vez de melhorar sua reputação, os jogos serviram para reforçar estereótipos e consolidar a imagem do Brasil como um país decorativo.

Quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa e a Olimpíada, na época em que tudo ia bem na economia e que o país vendia no exterior a imagem de uma potência ascendente, a ideia era de que poderíamos mostrar ao mundo que nossa nação é mais do que praia, carnaval e futebol —tanto que o ex-presidente Lula comemorou a conquista alegando que o Brasil viraria um país de “primeira classe''.

Passados os dois eventos, escapamos do vexame, mas reforçamos os clichês já conhecidos do Brasil no mundo: Somos um país de festa.

Parte da imprensa internacional encerrava a cobertura apontando o que vem para o país a partir de agora: a comemoração seria trocada pela “dura realidade'' de impeachment e recessão.

Ao fim dos jogos, milhares de turistas saíram satisfeitos e empolgados até mesmo com a ideia de voltar ao Brasil. O país reforçou a sua marca de um bom lugar para conhecer e se divertir. Todo o noticiário sobre problemas do país, entretanto, reforçaram a imagem de que pode não valer muito a pena ir além do lazer. O país vale só por suas festas.

Entre estudiosos de “nation branding'', área de pesquisa que avalia a reputação internacional de países, a ideia de nação decorativa indica que o lugar costuma ser bem avaliado nos aspectos leves da sua personalidade, mas escorrega nas características mais “sérias''.

Pesquisas de opinião sobre a reputação de países costumam indicar que o Brasil é visto como um lugar de povo amigável, cultura forte, com ambiente para turismo e diversão. Por outro lado, não aparece bem em avaliações sobre seriedade política ou eficiência econômica.

Isso não chega a ser um problema. Poucos países conseguem aliar lazer e eficiência, e o exemplo de nação decorativa é a Itália, que vai muito bem mesmo assim.

E o Brasil pode aproveitar para capitalizar este perfil. Segundo uma pesquisa do Ministério do Turismo, nove entre dez estrangeiros que visitaram o país pela primeira vez nos Jogos têm intenção de voltar.

BALANÇO

Ainda não há um levantamento de dados abrangente sobre a cobertura internacional da Olimpíada, mas é provável que se repita o perfil do que ocorreu na Copa de 2014, quando 80% das reportagens que citavam o Brasil recorriam a clichês para descrever o país.

O estereótipo do Brasil como um país de festas foi um dos mais repetidos na cobertura da Copa – assim como foram martelados os gastos exagerados do país para organizar o evento e as tensões sociais enfrentadas nacionalmente.

A diferença entre Copa e Olimpáida deve ficar no espectro político. Em 2014, mais de 30% das reportagens que citavam o Brasil na imprensa internacional mencionavam a tensão social e política no país, dando destaque aos protestos contra o governo.

Na cobertura da Olimpíada, foram muitas as menções à crise política e à recessão econômica, mas a ausência de protestos e confrontos nas ruas dava a impressão de menor tensão social – o que aparecia com maior frequência eram as explicações sobre o impeachment e a recessão.

A impressão gerada deixada pela olimpíada no resto do mundo e positiva, mas o balanço de reportagens ainda pode pesar para o lado mais negativo. Foi assim na Copa, que teve um roteiro de cobertura parecido com o dos Jogos Olímpicos.

Os principais relatos no resto do mundo desde o encerramento dos jogos repetiam o que havia acontecido na Copa. Depois de passar semanas esmiuçando os problemas e contrastes do Brasil e de prever tudo o que podia dar errado, a opinião estrangeira ficou surpreendida com o evento.

Mesmo durante a Olimpíada parecia ainda haver um certo mau humor, e interesse em mostrar com destaque exagerado o que estava indo fora do roteiro. Tanto que o ex-correspondente do “New York Times” no Brasil Roger Cohen escreveu uma coluna pedindo que os estrangeiros tivessem um pouco mais de boa vontade com o país. “Estou cansado, muito cansado, de ler reportagens negativas sobre a Olimpíada brasileira'', escreveu.

Em 2014, 47% das reportagens internacionais que mencionavam o Brasil tinham uma descrição negativa do país, e apenas 20% eram positivas.

Isso aconteceu especialmente por conta do perfil da cobertura de grandes eventos na imprensa. É normal ter uma maior quantidade de reportagens sobre o evento antes do início da competição, que é justamente quando o foco costuma ser nos problemas e no que pode dar errado.

Depois do fim da festa, por mais positiva que seja a cobertura e as descrições sobre o país, o volume de matérias é menor, o que faz com que fique registrado um histórico com mais críticas do que aplausos.

UFANISTAS E DESIGUAIS

Além dos clichês básicos, o patriotismo e a desigualdade se juntaram em um destaque da imagem brasileira.

Durante a Olimpíada, não faltaram análises estrangeiras indicando o orgulho dos brasileiros ao sediar os Jogos, torcer pelos seus atletas, bem como o alívio nacional de ela passar sem problemas.

O nacionalismo foi especialmente destacado no caso do falso assalto ao nadador americano Ryan Lochte.

Depois de aparecer como provável mancha na imagem dos Jogos, o caso Lochte mostrou ao mundo que o Brasil se importa com o que os visitantes falam sobre o país, leva a sério casos de violência e que não é uma “terra sem lei'' onde os gringos podem fazer o que quiserem sem se responsabilizar. Ao mostrar a violência que acontecia fora da área olímpica do Rio, a cobertura feita por veículos sérios revelou a desigualdade com a qual a criminalidade é tratada no país.

Ficou a imagem de que os convidados recebem tratamento especial, mas devem se comportar durante a festa.

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Reação a caso Lochte reflete obsessão do Brasil por sua imagem no mundo
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Daniel Buarque

Reação brasileira a caso Lochte revela obsessão pela imagem internacional do país

Reação brasileira a caso Lochte revela obsessão pela imagem internacional do país

A forte reação do Brasil e dos brasileiros ao caso do nadador americano Ryan Lochte, que mentiu ao alegar ter sofrido um assalto no Rio durante a Olimpíada, é um reflexo da obsessão nacional pela reputação internacional do país e da baixa autoestima nacional ao ver notícias negativas sobre o país no resto do mundo.

Segundo o jornalista e escritor americano Alex Cuadros, ex-correspondente da Bloomberg no Brasil e autor do livro “Brazillionaires'', sobre os megarricos do país,  a peculiaridade cultural do país, que se preocupa com a reputação que tem no mundo desenvolvido, é uma justificativa para a dimensão que o caso tomou.

“A intensidade das reações – tanto as oficiais quanto as extraoficiais – também apontam para uma peculiaridade cultural maior. Há tempos é comum que os brasileiros fiquem obsessivos sobre o que o mundo desenvolvido pensa deles. Mesmo quando a Olimpíada não está acontecendo, a mídia local constantemente publica reportagens sobre o que veículos americanos e europeus estão dizendo sobre o Brasil. Lochte sem querer tocou o terceiro trilho da identidade nacional'', avalia Cuadros, em artigo publicado na revista americana “The New Yorker''. Quando deu entrevista sobre seu livro, Cuadros já comentou que percebia essa obsessão enquanto vivia e trabalhava no país.

A existência deste blog Brasilianismo, dedicado a tentar entender essa reputação do Brasil no exterior, e a publicação deste post são provas vivas dessa tese de Cuadros. A obsessão brasileira pela imagem internacional do Brasil é um tema corrente neste blog Brasilianismo, que já publicou textos explicando a importância dessa reputação global. Além de entender o que se pensa sobre o país, um dos objetivos do blog é entender por que os brasileiros se interessam tanto pelo que se fala sobre o país no exterior.

Leia também: A importância da imagem do Brasil que repercute na imprensa internacional

A reputação internacional tem influência sobre a posição diplomática e econômica de um país no mundo, e é relevante para todas as nações. Cuidar da forma como o país é visto é algo natural, mas no Brasil aparece de forma mais exagerada e há mais tempo.

A preocupação nacional com a forma como o país é visto é histórica. Desde o século 19, quando o país se tornou independente e quando virou República, estava claro o objetivo nacional de promover no mundo uma imagem de nação grande e moderna. Mais recentemente, ela fica evidente nas reações em redes sociais todas as vezes em que o Brasil é criticado no resto do mundo.

Cuadros explica que a obsessão com a imagem do país estava presente na própria candidatura do Rio a sediar a Olimpíada, e lembra que o ex-presidente Lula queria que o Brasil mostrasse ao mundo que era um país de “primeira classe''. “Assim como têm orgulho do samba, do carnaval e do futebol, brasileiros esperavam mostrar ao mundo que seu país é mais do que isso'', diz.

Seu artigo destaca a importância do “complexo de vira-latas'' no país, e diz que o Brasil tem um tipo de “excepcionalismo invertido'', marcado por baixa autoestima na qual os brasileiros são os primeiros a indicar os problemas nacionais.

“Mesmo com todos os seus recursos naturais e seu tamanho continental, o Brasil sempre parece ficar aquém do seu potencial, nunca conseguindo encontrar seu lugar no clube das nações desenvolvidas'', diz.

Nesse contexto, enquanto a Olimpíada aumenta a visibilidade internacional do país e propaga notícias negativas sobre ele no resto do mundo, “o caso Lochte se encaixou perfeitamente'', diz.

De fato, a notícia sobre o assalto aos nadadores, divulgada com destaque internacional no início da semana, ajudou a divulgar uma imagem de um país incapaz de proteger mesmo os atletas no evento global. A violência brasileira foi estampada nos principais jornais do mundo, “manchando a imagem do país''.

Em compensação, a revelação de que os americanos mentiram aparenta ter ganho um destaque igual ou maior em todo o mundo. A própria revista “The New Yorker'' publicou até mesmo uma correção de uma charge divulgada durante a semana. No desenho atualizado, o policial comenta que os nadadores estão do lado errado do vidro, dando a entender que os suspeitos são eles mesmos.

Charge da revista 'The New Yorker' foi corrigida após a revelação de que os nadadores mentiram

Charge da revista 'The New Yorker' foi corrigida após a revelação de que os nadadores mentiram

Isso ajuda a mostrar que “em países sérios, você não pode mentir para polícia e escapar com isso'', como argumentou o especialista em América Latina do centro de pesquisas Council of the Americas, em Washington, Brian Winter em entrevista à BBC Brasil.

Por outro lado, ainda há analistas internacionais que acham que o Brasil exagerou na sua reação ao caso, como a colunista Nancy Armour, do jornal americano “USA Today''. Depois de publicar um texto inicial em que dizia que a veracidade da história de Lochte era “irrelevante'', ela continuou criticando a polícia do Rio mesmo depois de os nadadores admitirem que mentiram e pedirem desculpas.

Segundo ela, mesmo que Lochte seja culpado por mentir, a polícia brasileira errou a dose ao tratar a falsa denúncia de crime como um “crime capital''. “Se ao menos a polícia se preocupasse tanto com o mal realizado contra seus cidadãos todos os dias'', disse, citando dados da violência da cidade.

De forma semelhante, mas mais bem articulada e embasada, o colunista da BBC Brasil Tim Vickery defendeu que a criminalidade real do Rio não deve ser escondida.

“É por esse motivo que uma cobertura exagerada sobre esse assunto é preferível a uma que procure minimizar os perigos. As maiores vítimas da violência são os próprios cariocas. E os ricos têm mais possibilidade de se proteger, nos seus condomínios fechados e espaços privados. Quem sofre mais são as pessoais normais'', diz.

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‘USA Today': Constrangimento fez Brasil exagerar em caso de nadadores
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Daniel Buarque

'Para colunista do 'USA Today', constrangimento fez Brasil exagerar em caso de nadadores americanos

'Para colunista do 'USA Today', constrangimento fez Brasil exagerar em caso de nadadores americanos

A colunista Nancy Armour, do jornal americano “USA Today'', publicou uma dura crítica à polícia brasileira e à organização dos Jogos Olímpicos em meio à polêmica envolvendo o suposto assalto a nadadores dos EUA durante a Olimpíada do Rio.

Depois que a Polícia Federal impediu o embarque de Gunnar Bentz e Jack Conger para investigação sobre a denúncia de que teriam sido assaltados, Armour disse que o caso é um problema de relações públicas, e que o Brasil não tolera o fato de que o caso envolvendo o medalhista Ryan Lochte tenha envergonhado o país.

Armour citou outros casos de violência e de problemas registrados no Rio desde o início dos Jogos, e insinuou que a polícia e a organização do evento mentem para fingir que não há nada de errado. “As autoridades do Rio já mostraram que os fatos são sobrevalorizados e muito abertos a interpretação'', ironizou.

Segundo Armour, há um exagero na reação da polícia e da Justiça brasileiras. O medalhista olímpico e seus colegas “estão sendo tratados como se tivessem subido no Cristo Redentor e mostrado o dedo médio para todo o Brasil'', disse.

“Está claro que algo aconteceu na manhã de domingo, e ninguém ficaria surpreso se acabasse sendo algo constrangedor ou que possa gerar problemas para os nadadores com o comitê olímpico dos EUA e seus patrocinadores. Mas o grande crime de Lochte parece ter sido de relações públicas – ele mencionou que os assaltantes eram homens fingindo ser da polícia, incluindo o fato de um deles ter mostrado um distintivo'', explicou.

Segundo ela, é “irrelevante'' saber se o caso de Lochte é verdade, e a polícia deveria ter problemas maiores com que se preocupar. “Mas a história de Lochte gerou constrangimento, e isso não vai ser tolerado.''

“Elevar [o caso] ao nível de um crime capital parece apropriado no Brasil. É o equivalente a uma amputação por um corte com papel. Mentir para a polícia é ruim. Mentiras da polícia são uma diferença de opinião'', criticou.

Para ela, os Estados Unidos devem se preocupar em tirar do Brasil os americanos que tiveram os passaportes retidos. “Pois, se eles fizeram uma comunicação falsa de crime, no Brasil isso aparentemente é muito pior do que atirar em um ônibus cheio de pessoas''.

Em reportagem sobre o caso, o “New York Times'' diz que o episódio criou um teste para a relação colaborativa entre polícias do Brasil e dos EUA.

“Nos meses antes da Olimpíada, os países trabalharam de forma próxima para tentar melhorar a capacidade do Brasil de evitar um ataque terrotrista. Mas na noite de quarta-feira, oficiais americanos pareciam no escuro sobre a detenção de Conger e Bentz'', diz.

Segundo o jornal, a notícia do assalto aos nadadores realmente foi recebida com grande constrangimento pelo país, mas as dúvidas sobre o testemunho dos americanos “transformou constrangimento em raiva'', explica.

“Apesar de haver um histórico assim [de envolvimento de policiais em assaltos no Rio], muitos brasileiros assumiram postura defensiva em relação a críticas à cidade'', diz.

O caso dos nadadores continua sob investigação. A história está mal explicada e pode envolver de fato o crime de denúncia falsa. O fato de ser uma questão de alta visibilidade internacional requer um cuidado especial do Brasil. Se a colunista do “USA Today'' estiver certa, entretanto, e parte da motivação da polícia e da Justiça existir por conta do constrangimento gerado pelos nadadores, a ação contra os americanos pode de fato ser exagerada acabar gerando um efeito contrário ao desejado, criando um constrangimento ainda maior para o país.

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