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Deu na ‘Forbes’: Popularidade de Lula preocupa investidores estrangeiros
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Daniel Buarque

Deu na 'Forbes': Popularidade de Lula preocupa investidores estrangeiros

Enquanto o mercado internacional começa a apostar na recuperação rápida da economia brasileira após anos de recessão, muitos investidores do resto do mundo ainda têm uma preocupação: a alta popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma reportagem publicada no site da revista de economia ''Forbes'' diz que a chance de um retorno de Lula à Presidência nas eleições de 2018, reforçada por pesquisas de opinião recentes, gera tensão entre estes investidores.

''Uma nova Presidência de Lula seria marcada pelas lembranças de corrupção, má gestão e burocracia judicial ligadas ao governo Dilma. Uma vitória de Lula levaria a um aumento do risco Brasil. Ficaríamos definitivamente mais céticos'', diz o gestor de investimentos Mike Reynal, em entrevista à ''Forbes''.

Segundo a revista, a volta do ex-presidente seria ruim para a economia, e um dos entrevistados chega a dizer que seria um ''desastre'', que deixaria o mercado financeiro em pânico.

''Nos anos Lula, investidores assistiram a uma rápida expansão do papel do governo na economia'', diz, citando a Petrobras e escândalos de corrupção envolvendo estatais e empreiteiras.

Como contraponto, a ''Forbes'' diz que o mercado pode lidar com uma possível volta de Lula, desde que a economia volte a crescer. A revista ainda lembra da desconfiança que os mercados tinham em relação a Lula antes de ele ser eleito, o que acabou se revelando uma preocupação desnecessária.

''Na primeira vez o medo era em relação a política, o que acabou sendo um erro. Lula não se tornou um Hugo Chávez brasileiro. Mas muitos analistas no mercado agora o veem como uma versão mais raivosa de Dilma, sem dever nada aos centros industriais do Brasil, que têm cobrado sua prisão nos últimos 12 meses. Ninguém sabe exatamente se este seria o caso. Diga o que quiser sobre Lula, ele é um dos políticos mais habilidosos do Brasil'', diz.

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Lava Jato não afeta mais mercado, e Brasil crescerá, diz gestor americano
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Daniel Buarque

Lava Jato não afeta mais mercado, e Brasil crescerá, diz gestor americano

O impacto da Operação Lava Jato e dos escândalos de corrupção na economia do Brasil chegou ao fim, e o país deve começar a se recuperar rapidamente da recessão, segundo o especialista norte-americano em mercados emergentes Mark Mobius, da Franklin Templeton.

Mobius avaliou a situação do país durante palestra em São Paulo, e suas declarações foram publicadas pelo ''Wall Street Journal'' e pelo site ''Market Watch''. Segundo ele, a economia do Brasil deve crescer 0,5% neste ano, mas pode ter um crescimento de até 5% em 2018.

Mobius diz administrar investimentos no valor de US$ 1,2 bilhão no Brasil. Ele é um comentarista frequente na mídia internacional, analisa a posição do Brasil no mercado global e já declarava otimismo com a economia brasileira desde setembro do ano passado.

Em entrevista à revista de economia ''Forbes'', ele avaliou a situação do Brasil e disse acreditar que o país tenha potencial de melhorar depois da saída de Dilma e as declarações iniciais de Temer.

''Acho que é uma boa notícia que eles tenham se comprometido em manter os programas sociais. Foi uma decisão política muito astuta. Sei que Temer não é muito popular, mas se prender a esses programas, como o Bolsa Família… isso é muito bom'', disse.

Antes disso, em março, quando crescia a possibilidade de impeachment, Mobius avaliava que o mercado internacional estava excessivamente otimista com a possibilidade de Temer se tornar presidente.

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Ação interna do Exército brasileiro é mencionada em enciclopédia de guerras
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Daniel Buarque

Ações internas do Exército brasileiro são citadas em dicionário internacional de guerra

A guerra contra o tráfico de drogas e as operações de pacificação de favelas do Rio de Janeiro se consolidam como um importante capítulo da história do envolvimento do Brasil em conflitos.

Este tipo de ação interna do Exército brasileiro ganhou atenção em uma enciclopédia internacional sobre guerras publicada recentemente pela editora acadêmica Sage, especializada em trabalhos ligados a universidades.

O trabalho alega, entretanto, que ''a luta contra o crime não é uma missão das forças armadas e pode permitir o aumento do uso excessivo da força contra a população''.

A ''SAGE Encyclopedia of War: Social Science Perspective'' (Enciclopédia de Guerra Sage: Perspectiva de Ciência Social) traz um verbete sobre o envolvimento do Brasil em guerras ao longo da sua história, e culmina nas ações militares nas favelas do Rio.

''As Forças Armadas brasileiras foram chamadas a liderar missões específicas em favelas do Rio de Janeiro. Dentro do programa de pacificação criado pelo Departamento de Segurança do Rio de Janeiro, os militares têm ajudado a polícia desde 2010. O papel do Exército tem sido de recuperar territórios que haviam sido ocupados por décadas por traficantes e milícias, como o Complexo do Alemão e a Maré'', diz.

A enciclopédia defende que a pacificação tem benefícios para os moradores dessas comunidades, mas que é uma política frágil para a integração das favelas nas grandes cidades e que não contribui para a eliminação das enormes desigualdades sociais.

O capítulo que trata do Brasil na enciclopédia aborda ''como o Brasil esteve envolvido em conflitos de intensidades variadas em sua história e foca na discussão dos episódios mais importantes, incluindo a Guerra do Paraguai, o envolvimento na Segunda Guerra Mundial, a experiência recente em operações de paz pelo mundo e operações de pacificação em favelas (bairros pobres) controladas por traficantes no Rio de Janeiro'', resume o trabalho.

O texto, em inglês, começa tratando das guerras coloniais no território brasileiro, ainda nos séculos 16 a 18, em seguida aborda a consolidação militar do país e do seu envolvimento na Guerra do Paraguai. O trecho seguinte analisa rapidamente a participação do Brasil nas duas guerras mundiais, mencionando missões preparatórias de dezenas de soldados no primeiro conflito e o envio de 22 mil homens para o confronto da Segunda Guerra Mundial.

A próxima parte já menciona a participação de militares brasileiros em ações dentro do território do país, destacando a ditadura militar como um episódio importante para a história das guerras do Brasil.

''Depois de 1960, o Brasil começou a estudar e desenvolver sua própria doutrina militar, com apoio dos EUA, adaptando o modelo norte-americano às condições da realidade brasileira. Fortemente ideologizados, os militares brasileiros assumiram a missão de combater o comunismo por meio da chamada Doutrina de Segurança Nacional, decidindo também passar de intervenções esporádicas na vida política nacional ao controle total do Estado'', diz a enciclopédia.

Depois da ditadura, o próximo ponto importante da participação brasileira em conflitos é o envolvimento em missões de paz da ONU. ''O Brasil se tornou um importante ator em várias missões de paz da ONU, como em Angola, Moçambique e no Timor-Leste, além de enviar tropas e observadores militares a vários conflitos pelo mundo'', diz o texto, que destaca o comando das forças de paz no Haiti a partir de 2004.

O projeto da editora acadêmica Sage foi publicado no início deste ano, tem mais de 2.100 páginas e reúne mais de 650 verbetes organizados de A a Z e escritos por acadêmicos de todo o mundo. O objetivo da enciclopédia é analisar conflitos sob a ótica das ciências sociais, avaliando causas, processos e efeitos de guerras.

A enciclopédia é organizada pelo sociólogo Paul Joseph, professor da universidade Tufts, nos Estados Unidos. O verbete sobre o Brasil na enciclopédia foi escrito pelo professor Marcos Alan S. V. Ferreira, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba.

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Brasil é país livre, mesmo com impeachment e turbulência, diz Freedom House
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Daniel Buarque

Relatório da Freedom House diz que o Brasil é livre, apesar do impeachment

Apesar de 2016 ter sido o turbulento ano da derrubada da presidente Dilma Rousseff por um processo de impeachment controverso, criticado como ''golpe'' por grandes grupos no país e no exterior, o Brasil é considerado um país ''livre'' pela Freedom House, organização internacional que monitora e mede a democracia e a liberdade em todo o mundo.

O país recebeu nota total 79, de um total possível de 100 pontos no ranking de liberdade divulgado neste início de ano pela instituição. O país é mencionado apenas quatro vezes no relatório anual da Freedom House, o ''Freedom in the World 2017'', que inclui esta avaliação.

Mesmo considerando o país livre, a Freedom House não ignora os impactos do impeachment e da crise política no país, critica os políticos brasileiros e diz que a resiliência das instituições democráticas do Brasil é um dos alvos de preocupação para a democracia global.

''No Brasil, a derrubada da presidente Dilma Rousseff dominou a cena política em 2016. Apesar de a história poder julgar o impeachment em si, o processo impediu o funcionamento do governo ao absorver as atenções do Executivo e do Legislativo por meses, e fez pouco para resolver uma crise de corrupção mais ampla em que virtualmente toda a classe política enfrentou acusações de propina, tráfico de influência e fraudes'', diz a Freedom House.

''Os eventos deste ano apenas aumentaram a frustração do público, enquanto políticos eleitos pareciam mais preocupados com seus próprios destinos do que com a grave recessão econômica e aumento do desemprego no país'', complementa o relatório.

Apesar da classificação positiva, o país aparece apenas como ''parcialmente livre'' nas avaliações que a Freedom House faz da liberdade de imprensa e da liberdade na internet.

O índice determina as liberdades políticas e civis em cada país e indica se cada um deles é livre, parcialmente livre ou não é livre.

O relatório da Freedom House avalia o estado da liberdade em 195 países e 14 territórios durante o ano de 2016. A instituição dá uma nota de 0 a 4 para cada país em 25 quesitos, podendo levar a nota do país a 100. Segundo o texto publicado, a metodologia se apoia na Declaração Universal de Direitos Humanos.

O foco central do trabalho deste ano, em relação à situação política do mundo em 2016, e a ameaça que líderes populistas e autocratas representam para a democracia global.

''Em 2016, populistas e forças políticas nacionalistas tiveram ganhos impressionantes em Estados democráticos, enquanto poderes autoritários se envolveram em atos de agressão, e atrocidades continuaram sem resposta em zonas de guerra em dois continentes'', resume o trabalho.

Do total de países avaliados, a Freedom House considera que 87 são livres, enquanto 59 são parcialmente livres e 49 não são livres. A Finlândia, a Noruega e a Suécia aparecem no topo do ranking de liberdade, enquanto a Síria, o Tibete e o Uzbequistão aparecem no fim da lista, como países menos livres.

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‘NY Times’: Em ruínas, Fordlândia é retrato de cidade em perpétuo declínio
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Daniel Buarque

'NY Times': Em ruínas, Fordlândia é retrato de cidade em perpétuo declínio

As ruínas de Fordlândia, a cidade que Henry Ford tentou construir no meio da Amazônia nos anos 1920, são um testemunho da loucura de tentar dobrar a selva à vontade do homem.

A avaliação é de uma grande reportagem publicada no ''New York Times''. O correspondente Simon Romero visitou o local, atualmente habitado por cerca de duas mil pessoas, e conta a história curiosa da terra de Ford na Selva.

O texto descreve Fordlândia quase um século após sua construção, e diz que a floresta e enchentes destruíram seu hospital e o cemitério, mas que ainda há casas construídas na época que resistem de pé apesar da decadência do local.

Ilustrada com várias fotografias da cidade, a reportagem narra o projeto de Ford para produzir borracha no território brasileiro, e cita o importante livro do historiador Greg Grandin sobre o tema.

''Ao final da Segunda Guerra Mundial estava claro que cultivar borracha em Fordlândia não seria lucrativo (…). Depois que Ford devolveu a cidade ao governo brasileiro, em 1945, Fordlândia foi transferida de uma agência pública para outra, especialmente para experimentos de agricultura tropical, sem sucesso. A cidade entrou em um estado aparentemente perpétuo de declínio'', diz o texto.

A longa reportagem do ''New York Times'' é a mais recente abordagem a respeito da cidade que volta com regularidade ao noticiário internacional. O fato de que um dos homens mais ricos do mundo no século passado decidiu criar uma vila no meio da floresta é sempre visto como muito curioso, e serve para dar noção a respeito do tamanho da Amazônia e dos desafios de empreender em meio à selva, o que ajuda estrangeiros a entenderem um pouco melhor a realidade do norte do Brasil.

Outro ponto curioso é que a reportagem destaca o importante trabalho do historiador Greg Grandin, um dos entrevistados para o livro ''Brazil, um país do presente'', e ajudou a traçar a imagem que os norte-americanos têm da Amazônia brasileira –muito importante no espectro da imagem internacional do país.

Além de uma pesquisa aprofundada a respeito da realidade brasileira e amazônia no início do século 20, Grandin costuma analisar a situação política do Brasil atual.

Ideologicamente ligado à esquerda, Grandin escreve sobre o país na revista ''The Nation''. Em artigo publicado recentemente, ele criticou duramente o impeachment de Dilma Rousseff, que disse ser possível classificar de ''golpe midiático e golpe constitucional. Pelo menos em parte, é também um golpe escravagista'', disse.

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Crise pode ter efeitos devastadores para segurança do Brasil, diz Stratfor
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Daniel Buarque

Crise pode ter efeitos devastadores sobre segurança do Brasil, diz think tank

A greve de policiais no espírito Santo é um reflexo da crise econômica que atinge o Brasil há mais de dois anos e pode ser um exemplo de como a recessão pode ter efeitos devastadores sobre a segurança do país. A análise é de um estudo da agência norte-americana de inteligência e geopolítica Stratfor.

''As greves das polícias no Espírito Santo e no Rio de Janeiro podem ser o começo de uma tendência perigosa no Brasil'', diz a análise do think tank.

O texto se debruça sobre os efeitos da crise econômica sobre as finanças dos estados brasileiros, que beiram a calamidade, e cujos cortes de gastos têm efeito sobre a população.

''A expectativa é que o Brasil saia da recessão neste ano. Mas analistas de mercado antecipam que a economia do país vai crescer lentamente, se crescer, dependendo de como a investigação do escândalo da Petrobras e da Odebrecht se desenrolam'', avalia.

''Mesmo se a economia voltar a crescer ao nível projetado de 0,5% a 1%, nao vai ser o suficiente para aliviar os problemas financeiros que afligem o país.''

A Stratfor vem acompanhando as crises política e econômica no país nos últimos anos. Em um texto publicado em julho, o think tank dizia que o sistema político fragmentado em dezenas de partidos e a necessidade de formação de coalizões para governar o país são as raízes dos problemas e instabilidades vividos pelo Brasil.

''O problema com um sistema que incorpora tantos partidos políticos é que ele enfraquece o Executivo, caso ele seja incapaz de unir uma coalizão'', dizia.

Um mês antes, a mesma agência de inteligência avaliava o processo de impeachment e indicava que os graves entraves políticos enfrentados pelo país representam uma ruptura com um traço nacional que fazia mal ao país. O Brasil perdeu a paciência e deixou de ser tolerante com a corrupção, explicava.

''Nos últimos dois anos, a tolerância dos cidadãos brasileiros e do sistema judiciário com a corrupção diminuiu drasticamente.''

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Brasil tem imagem de exótico e sensual desde o século 16, diz pesquisadora
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Daniel Buarque

A professora Vivien Kogut Lessa de Sá, da Universidade de Cambridge

Ao assistir a um documentário recente sobre o Rio de Janeiro na TV britânica, a professora Vivien Kogut Lessa de Sá, do departamento de estudos de português e espanhol da Universidade de Cambridge, lembrou imediatamente da carta de Pero Vaz de Caminha, de 1500, e de outros relatos de viajantes europeus ao Brasil do século 16.

Para ela, muito do que há de imagem do Brasil hoje, especialmente quando se trata de estereótipos como exotismo e sensualidade, vem sendo construído e realimentado desde aquela época.

“Minha impressão é que ainda prevalece o exotismo quando se retrata o Brasil na Europa. Ainda se ressalta a 'proverbial beleza das mulheres brasileiras', a afabilidade e espontaneidade do povo, um ar singularmente relaxado e as onipresentes belezas naturais. E ao lado disso há um subtexto de bestialidade, de primitivismo, que inspira encantamento e repulsa ao mesmo tempo”, disse Lessa de Sá, em entrevista ao blog Brasilianismo.

Leia também: Imagem internacional do Brasil começou a se formar na chegada dos europeus

A professora estuda há mais de uma década esses relatos sobre o Brasil dos primeiros séculos após a chegada dos portugueses. Ela traduziu e editou com a pesquisadora Sheila Hue o livro ''As Incríveis Aventuras e Estranhos Infortúnios de Anthony Knivet'' (Zahar), escrito por um desses viajantes que viveu dez anos no Brasil. As duas agora reuniram mais 12 relatos do Brasil sob o olhar inglês nos séculos 16 e 17, que deve ser publicado como um novo livro.

Esta é a segunda e última parte da entrevista de Lessa de Sá ao blog Brasilianismo, em que ela aborda o surgimento dos estereótipos estrangeiros a respeito do Brasil e a forma como parte dessas imagens continuam ligadas ao país na mente europeia até os dias de hoje.

Clique aqui para ler também a primeira parte da entrevista, em que ela trata da importância dos relatos de viajantes ingleses para conhecer melhor o Brasil das primeiras décadas após a chegada dos portugueses.

Brasilianismo – Descrições de viajantes no século 16 ajudaram a formar uma primeira imagem internacional do Brasil. De que forma os relatos de viajantes ingleses se diferenciam dos outros relatos (especialmente o de portugueses, como Pero Vaz de Caminha)? Há algo de específico na forma como só ingleses retratavam o Brasil nesta época?

Vivien Kogut Lessa de Sá – Analisando os relatos foi possível identificar três fases distintas dos interesses ingleses no Brasil no primeiro século da colônia: uma primeira fase de exploração, uma segunda de comércio, e uma última, após o rompimento entre a Espanha e a Inglaterra, e a anexação de Portugal à coroa Espanhola em 1581, de pirataria.

A imagem transmitida do Brasil, portanto, vai depender do momento: Nas primeiras viagens sobressai a riqueza natural da terra, o exotismo dos indígenas; nas viagens comerciais há ênfase nas promessas de riqueza no comércio do açúcar, por exemplo, e notícias vagas sobre possibilidades de ouro; finalmente, na última fase, há uma atitude predatória, frequentemente acompanhada de um verdadeiro ódio aos portugueses, vistos como indignos de serem ‘donos da terra’. O relato de James Lancaster, que atacou e sitiou o Recife em 1595, é um ótimo exemplo.

Uma coisa interessante é ver como os relatos ingleses, ao contrário de outros relatos europeus dessa época muito mais conhecidos entre nós, não envolvem uma leitura religiosa daquilo que é testemunhado (como fazem Hans Staden, Jean de Léry ou André Thevet, ou mesmo dos missionários jesuítas) ou uma intenção colonizadora (como alguns relatos portugueses, principalmente Gabriel Soares de Sousa).

Caminha nos deixou um relato em muitos aspectos anódino, diferente de grande parte dos relatos de viagem ao Brasil, sobretudo de portugueses. Parece prevalecer uma atmosfera de mútuo receio, mas que rendunda em um contato benigno, sem conflitos aparentes. Isto destoa das descrições que serão feitas do índios mais tarde por portugueses, sobretudo por colonos. A relação com os povos indígenas será pautada por violência e opressão, como se sabe. Os ingleses buscaram explorar isto ao máximo, sempre aludindo à crueldade dos povos ibéricos com os povos nativos da América, até para justificar a sua inadequação como colonizadores e a sustentar a sua desumanidade.

Brasilianismo – Quem eram os visitantes ingleses no século 16, e por que vinham ao Brasil?

Vivien Kogut Lessa de Sá – Eram de origens e tipos os mais variados: havia navegadores, comerciantes, marinheiros, médicos de bordo, soldados. A maioria via a viagem ao Brasil como uma promessa de enriquecimento –fosse por comércio com os colonos e os índios, fosse pela perspectiva de polpudos butins.

Brasilianismo – Quanto dos relatos do século 16 continua atual na forma como o Brasil é interpretado no exterior?

Vivien Kogut Lessa de Sá – Esta é uma pergunta interessante. Minha impressão é que ainda prevalece o exotismo quando se retrata o Brasil na Europa. Ainda se ressalta a “proverbial beleza das mulheres brasileiras”, a afabilidade e espontaneidade do povo, um ar singularmente relaxado e as onipresentes belezas naturais. E ao lado disso há um subtexto de bestialidade, de primitivismo, que inspira encantamento e repulsa ao mesmo tempo.

Outro dia assisti a um documentário inglês sobre o Rio (Rio 40 Degrees) que contém tudo isso, embora não se possa dizer que, estritamente, não represente muito do Rio. Mas há uma ênfase enorme nestes estereótipos –a hiper sensualidade e sexualidade, a falta de vergonha, a extroversão alegre, um certo descontrole. Me lembrou demais a carta do Caminha– all over again. E acho que nós brasileiros também fazemos esta leitura de nós mesmos e lançamos mão dela quando nos convém e, às vezes, sem nem percebermos.

Brasilianismo – Na entrevista ao History Hub, você fala também dos efeitos dos primeiros relatos na formação da imagem do Brasil, e menciona a descrição dos índios como exagerada, inclusive na questão da sensualidade. A sensualidade continua sendo um forte estereótipo do Brasil no exterior. Pode-se traçar a formação de algum estereótipo do Brasil a um ponto tão antigo assim?

Vivien Kogut Lessa de Sá – Acredito que sim. Acho que ficou um estereótipo que se retro-alimenta.

Se você lê esses primeiros relatos (Caminha, Vespucci), há uma ênfase enorme na sensualidade –inocente para Caminha, e pervertida para Vespucci. Mas isto é o resultado óbvio do maior choque produzido no encontro entre os europeus e os habitantes da América tropical: a nudez do indígena.

Para os europeus, o vestuário não servia somente para “cobrir as vergonhas”, era o maior indicador de identidade: a roupa designava gênero, classe, profissão, nacionalidade, status social, idade, etc. Para os europeus, uma sociedade despida significava uma sociedade em que estavam ausentes os principais elementos ordenadores: hierarquia, riqueza, controle.

É sintomático que esta seja a primeira impressão dos índios que se acha em quase todos os relatos, desde Colombo: as primeiras palavras sobre os indígenas serão sempre “andam nus”, seguidas da cor da pele. Fica aí impressa, até hoje, a imagem de que uma das maiores características da América tropical é precisamente o seu despudor.

Brasilianismo – Outro ponto que você tocava era a descrição que se fazia dos índios nesses primeiros relatos. Qual a relevância da descrição desta época no tratamento recebido pelos indígenas ao longo de séculos?

Vivien Kogut Lessa de Sá – No relato do Knivet, por exemplo, é sintomático que ele só se refira aos índios como “canibais” ou “selvagens”, mesmo quando parece não levar em conta a conotação destes termos.

Ele naturaliza no seu discurso a visão do indígena como comedor de homens e indivíduo incivilizado, embora o próprio Knivet tivesse andado nu entre os índios, e o único exemplo de amizade que narra é entre ele e um índio.

O encontro com o habitante nativo da América foi um dos eventos mais desestabilizadores do período dos descobrimentos e acho que, de certa forma, tem consequências até hoje.

O encontro continua vivo e trágico, basta ler nos jornais notícias de choques em lugares remotos do Brasil entre índios e madeireiros, latifundiários, borracheiros e grileiros. Em primeiro lugar as notícias só aparecem perifericamente no jornal, embora normalmente tragam atrocidades e violações. Mas mais importante é o tipo de comentário que atraem dos leitores: um tratamento do índio que em nada se diferencia de coisas que já se via no século 16. A única diferença é que hoje o índio está à beira da extinção.

Ouça entrevista de Lessa de Sá ao History Hub (em inglês)

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Professora de Cambridge estuda relatos ingleses no Brasil dos secs. 16 e 17
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Daniel Buarque

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Poucos anos depois do registro do mais conhecido relato sobre o Brasil na época em que os portugueses chegaram ao território americano pela primeira vez, pelas mãos de Pero Vaz de Caminha, em 1500, a então colônia portuguesa também foi visitada por viajantes ingleses. Estas viagens resultaram em narrativas com um olhar diferente daquele do colonizador português, que permitem uma interpretação menos conhecida sobre o Brasil de 500 anos atrás.

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A professora Vivien Kogut Lessa de Sá, de Cambridge, em entrevista ao TV Escola

Cartas, diários e outros de depoimentos desses ingleses que foram ao Brasil nos séculos 16 e 17 são foco do trabalho da pesquisadora Vivien Kogut Lessa de Sá, do departamento de estudos de português e espanhol da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. São documentos que ficaram desconhecidos do público brasileiro, e que ajudaram a formar na Europa uma primeira imagem internacional do que viria a ser o Brasil.

Leia também: Imagem internacional do Brasil começou a se formar na chegada dos europeus

Lessa de Sá traduziu e editou com a pesquisadora Sheila Hue o livro “As Incríveis Aventuras e Estranhos Infortúnios de Anthony Knivet'' (Zahar), escrito por um desses viajantes que viveu uma década no Brasil desta época. As duas agora reuniram mais 12 relatos do Brasil sob o olhar inglês nos séculos 16 e 17, que deve ser publicado como um novo livro.

Segundo a pesquisadora de Cambridge, são relatos que descrevem a terra recém encontrada por europeus e que deixam entrever mais do próprio autor do que da realidade que ele busca relatar. “Nesses casos o relato, enquanto busca narrar eventos e descrever características da nova terra, acaba por traduzir ansiedades, desejos e fantasias do próprio narrador, que acabam determinando o teor e forma de suas observações”, disse, em entrevista ao blog Brasilianismo, por email.

c1115Esta é a primeira parte da entrevista de Lessa de Sá ao blog Brasilianismo, em que ela trata da importância dos relatos de viajantes ingleses para conhecer melhor o Brasil das primeiras décadas após a chegada dos portugueses –a segunda parte da entrevista será publicada ao longo da semana.

Brasilianismo – Você está desenvolvendo um novo livro, com a pesquisadora Sheila Hue, sobre visitantes ingleses ao Brasil no século 16. O que pode me dizer sobre ele? O que descobriram de interessante?

Vivien Kogut Lessa de Sá – Este foi um projeto idealizado pela Sheila Hue há alguns anos, depois que trabalhamos juntas numa edição brasileira do relato do inglês Anthony Knivet, que saiu publicada em 2007 pela Zahar Editores. Trata-se de uma coleção de 12 relatos de viajantes ingleses que estiveram no Brasil entre o século 16 e o início do século 17. O título é “Viajantes Ingleses no Brasil: 1526-1608” e por ora estamos à procura de uma editor, já que não foi possível manter o projeto com a editora de origem.

A maioria destes relatos –alguns na forma de cartas, outros de diários, outros de depoimentos– permanence desconhecida do público brasileiro, ou porque nunca foi traduzida ou porque permaneceu oculta em meio a compêndios de viagem publicados na Inglaterra no século 17 e considerados (erradamente) de pouco interesse para assuntos brasileiros.

Brasilianismo – No que os relatos se diferenciam, ou o quanto avançam, em relação ao relato já conhecido de Knivet?

Vivien Kogut Lessa de Sá – Como mencionei, os relatos pertencem a gêneros diversos e foram preparados com intenções também diversas. O relato de Knivet foi preparado provavelmente com vistas a algum ganho financeiro, era uma época em que estes relatos valiam dinheiro, quando não poderiam redundar em favores. Knivet tinha retornado depois de 9 anos fora, seu pai morrera e ele não tinha lugar imediato naquele mundo.

Mas na nossa coletânea há, por exemplo, cartas trocadas entre comerciantes ingleses em Londres e um agente inglês que foi para o Brasil para ‘fazer sua fortuna’, casou-se com uma rica herdeira e pretendia iniciar uma rota comercial entre Santos e Londres. Na verdade, durante um período que vai já desde a década de 1530 a 1580, as empresas marítimas inglesas para o Brasil eram majoritariamente ligadas a comércio.

Alguns desses relatos deixam entrever mais do próprio autor do que da realidade que ele busca relatar –como é o caso por exemplo, do navegador Richard Hawkins, que era um observador refinado, ou de Thomas Griggs, que foi tesoureiro numa viagem para lá de desastrada, em 1580. Nesses casos o relato, enquanto busca narrar eventos e descrever características da nova terra, acaba por traduzir ansiedades, desejos e fantasias do próprio narrador, que acabam determinando o teor e forma de suas observações.

Brasilianismo – Você está estudando um manuscrito roubado do Brasil sobre o qual vem pesquisando há anos, a ''Doutrina Cristaa na Linguoa Brasilica''. Como está esta pesquisa?

Vivien Kogut Lessa de Sá – Este manuscrito tem uma história fascinante, típica das incríveis trocas culturais que marcaram o século 16. Ele foi roubado por um poeta elizabetano que integrava a mesma expedição corsária em que viajou Anthony Knivet. Quando os ingleses atacaram Santos em 1592, se instalaram no Colégio dos Jesuítas e passaram dois meses saqueando a cidade. Enquantos os outros membros da expedição vasculhavam as celas do colégio em busca de riquezas minerais, o nosso poeta foi até a biblioteca e, como ele mesmo depois escreveu, roubou de lá alguns volumes.

Foi um dos poucos sobreviventes a retornar da aventura e, no fim da vida, doou o manuscrito para uma biblioteca inglesa. A ironia é que foi este roubo que acabou garantindo a preservação do manuscrito. Trata-se de um catecismo bilíngue, em português e Tupi, produzido pelos companheiros de Anchieta no projeto de conversão dos índios das capitanias do sul. A edição seria importantíssima para que o público brasileiro tivesse acesso a este importante documento, mas ainda estou em busca de apoio para disponibilizá-la.

Brasilianismo – Qual a relevância deste manuscrito?

Vivien Kogut Lessa de Sá – O manuscrito é provavelmente o mais antigo do seu tipo de que temos notícia. O trabalho missionário de Anchieta se baseou em grande parte em seu uso da “língua geral”, uma língua franca Tupi, que ele aprendeu e ensinou e cuja gramática pioneira ele preparou para ajudar os missionários na conversão. Portanto o manuscrito nos permite verificar o trabalho de Anchieta e também os percalços conceituais que os jesuítas devem ter enfrentado na hora de transpor os ensinamentos católicos para o universo linguístico dos povos Tupi-Guarani. Acho que o manuscrito é de interesse histórico, etnográfico e linguístico, mas também põe em relevo a história não contada do tráfico atlântico de livros e manuscritos roubados.

Ouça entrevista de Lessa de Sá ao History Hub (em inglês)

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Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval
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Daniel Buarque

Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval

Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval

Normalmente conhecido no resto do mundo como um ''bacanal do politicamente incorreto'', o carnaval brasileiro está sofrendo efeitos da polarização no país. A festa se tornou alvo de pressão política por todos os lados, segundo reportagens publicadas na imprensa internacional.

Textos publicados no jornal ''The Washington Post'' e na revista ''The Economist'', por exemplo, indicam que há um movimento da esquerda cobrando a exclusão de marchinhas politicamente incorretas de blocos do Rio de Janeiro e campanhas conservadoras de grupos religiosos cobrando menos exposição das mulheres e mais referências a religião.

''A transgressão sempre foi parte do objetivo [do carnaval], mas neste ano o bacanal do politicamente incorreto está provocando uma reação'', diz a ''Economist'', que foca especialmente nas críticas ao conteúdo racista e homofóbico em marchinhas.

''Você já viu as imagens do carnaval brasileiro. Um mar de pessoas nas ruas, mulheres cobertas em óleo dançando samba à velocidade da luz e grupos de trompetes, trombones e tambores tocando músicas. Mas neste ano a tradição anual de indulgência lasciva está mostrando sinais de mudança'', diz o ''Washington Post''.

O jornal trata do confronto entre a ''cada vez mais poderosa igreja evangélica'' e movimentos progressistas. ''Os dois estão pressionando o carnaval para adaptá-lo a suas prioridades opostas'', diz.

Segundo a publicação americana, uma das principais referências da disputa política em torno do carnaval é o fato de que a dançarina globeleza apareceu vestida na vinheta da TV Globo, rompendo com a tradição do canal.

Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval

Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval

O carnaval é um dos mais fortes clichês da imagem internacional do Brasil, e é natural que qualquer debate em torno de um símbolo tão forte do país acabe tendo destaque no resto do mundo.

É interessante perceber que a discussão sobre política em torno do carnaval ganha espaço depois de dois anos em que a festa tradicional foi ofuscada pela crise no Brasil. Tanto em 2015 quanto em 2016, um dos principais focos da mídia estrangeira ao tratar do carnaval era apontar que a folia seria encolhida por conta dos problemas econômicos do país, ou de que o Brasil iria dançar ''à beira do abismo'', como disse a ''Economist'' no ano passado ou até que a festa seria cancelada, como relatou o ''Financial Times''.

Neste ano os primeiros relatos da imprensa de economia mostravam o contrário, que o país começa a se recuperar e que o carnaval deve ajudar as finanças nacionais. Uma vez que a festa deixa de ser ofuscada pela crise, é curioso que a imprensa de outros países busquem outros temas para tratar, encontrando a disputa política, também muito associada ao atual momento polarizado do país. É interessante ainda que, por meio do carnaval e de imagens tão cheias de estereótipos seja possível apresentar a muitos leitores do resto do mundo um traço importante da atual realidade política do país.

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‘Forbes’ e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma
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Daniel Buarque

'Forbes' e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma

'Forbes' e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma

A comparação pode parecer pouco provável para os dois países, mas artigos publicados nesta semana em duas importantes publicações de notícias econômicas –a agência Bloomberg e a revista ''Forbes''– dizem que há semelhanças entre as politicas implementadas pelo novo presidente dos EUA, Donald Trump, e a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Comparado a um ''caudilho'' latino-americano, diz Mac Margolis, colunista da Bloomberg no Brasil, o governo Trump tem algumas semelhanças com o da presidente brasileira deposta pelo impeachment no ano passado.

''Considere os traços compartilhados, as preferências e peculiaridades políticas, que agitaram o Brasil e poderiam anunciar problemas para qualquer democracia dividida. Questionamento dos mercados? Confere. Obstinação? Sim, senhor. Desprezo pela política convencional? Confere novamente. Um apetite por fatos alternativos e imunidade à realidade fiscal? Confere duplamente. Tomados em conjunto, esses traços oferecem uma receita para um desastre'', diz o texto.

O argumento dele é que os Estados Unidos e suas instituições, bem como o próprio Trump, podem aprender com os erros e o populismo de Dilma para evitar que o país siga o caminho do Brasil rumo à atual crise econômica.

'Forbes' e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma

'Forbes' e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma

Para a ''Forbes'' a semelhança está não exatamente nas políticas implementadas, mas na situação polícia do governo.

''O presidente Donald Trump está se parecendo cada vez mais com a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff'', diz Kenneth Rapoza, responsável pela cobertura de mercados emergentes na ''Forbes''.

''Por mais que, de longe, Trump pareça muito diferente de Dilma, há um ponto que é assustadoramente parecido: Dilma tinha muito pouco apoio no Congresso, mesmo entre seus aliados. O mesmo acontece com Trump'', diz a revista, indicando oposição a seu governo dentro do Partido Republicano.

''Como Dilma, Trump é um ator externo em seu próprio partido'', complementa.

Rapoza menciona a análise de Margolis, explicando que claro que os dois políticos têm grandes diferenças entre si, mas que as semelhanças também existem.

A análise da ''Forbes'' abre ainda a possibilidade de um outro caminho parecido entre Trump e Dilma – o impeachment. Desde antes mesmo da posse do presidente americano, grupos de oposição fazem movimentos para criticar o conflito de interesses entre suas empresas e o governo para pedir que ele seja retirado do poder.

''Para os democratas de esquerda, [a comparação de Trump com a brasileira] é algo maravilhoso, já que Dilma sofreu impeachment (…). Imagine o quanto eles ficariam felizes se o presidente dos EUA tivesse o mesmo destino.''

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