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Tabloide inglês faz alerta após tiros de traficantes do Rio no réveillon
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Daniel Buarque

Tabloide inglês faz alerta após tiros de traficantes do Rio no réveillon

A chamada publicada pelo tabloide inglês ''The Sun'' não é nada sutil a respeito da imagem internacional de violência no Brasil: ''Perigo para britânicos viajando para o Brasil em vídeos que mostram quadrilhas atirando para o alto no ano novo do Rio''.

As notícias sobre os disparos de traficantes de favelas cariocas durante o réveillon ganharam destaque nos principais veículos a imprensa brasileira. O caso de uma jornalista baleada no pé teve atenção nacional, bem como a preocupação com aviões. Agora as imagens geram também alertas mesmo fora do Brasil.

''A guerra de quadrilhas no Brasil alcançou um novo patamar, com traficantes sendo vistos atirando armas de grosso calibre para o alto próximo ao aeroporto do Rio'', diz o ''Sun''.

O tabloide destaca as imagens que mostram traficantes atirando e reforçam a preocupação especial com aviões, que poderiam ser atingidos por esses disparos. ''A favela do Rio de onde o fuzil foi disparado fica a apenas cerca de 14 quilômetros de um aeroporto internacional'', diz.

Tabloide inglês faz alerta após tiros de traficantes do Rio no réveillon

A preocupação do tabloide pode parecer exagerada –como costuma ser a abordagem de jornais populares deste tipo–, mas a atenção internacional dada à violência no Brasil ganha um novo patamar. No final do ano passado, a agência de notícias France Presse publicou uma longa reportagem especial multimídia sobre balas perdidas no Rio.

''O objetivo era contar a história contida nas duas palavras [balas perdidas] –a tragédia de inocentes que são vítimas da violência armada mortal nas infames favelas do Rio'', dizia.

No caso do tabloide, a preocupação, segundo a reportagem, é que o Rio ''é a cidade brasileira mais visitada e é popular entre turistas britânicos''. Com alertas assim, a imagem da cidade, e de todo país, só fazem perder força.

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Foto de menino no réveillon faz Brasil debater racismo, diz jornal dos EUA
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Daniel Buarque

'Washington Post': Foto de menino no réveillon faz Brasil discutir racismo

A discussão a respeito da fotografia que mostra um menino negro, sozinho, durante a queima de fogos da virada do ano em Copacabana chegou à imprensa internacional. Segundo uma reportagem publicada pelo jornal americano ''Washington Post'', a imagem que viralizou levou o Brasil a debater seriamente questões relacionadas a racismo, classe e desigualdade.

''Para alguns, é apenas uma foto de um menino negro em transe pelos espectaculares fogos de artifício da virada de ano; para outros, é um símbolo de esperança para dias melhores depois de vários anos turbulentos de crise política e recessão econômica. Muitos pensam que a imagem é emblemática da aguda desigualdade do Brasil, uma interpretação que levou outros a reagir com perguntas sobre como as pessoas negras e mestiças são vistas e estereotipadas no Brasil, onde tradicionalmente foram marginalizadas'', diz o jornal.

A publicação americana destaca que desde a divulgação da foto, mesmo sem informações sobre o menino retratado, o Brasil foi tomado por discussões em redes sociais, reportagens na imprensa, posts em blogs e textos editoriais sobre a imagem e o que ela reflete sobre a sociedade brasileira.

É interessante perceber que, a partir do olhar estrangeiro, os debates nas redes sociais no Brasil têm levado o país a pensar mais sobre questões importantes da sua realidade, como racismo e desigualdade. Este também foi o ponto central, segundo uma reportagem do jornal britânico ''The Guardian'', sobre o clipe divulgado por Anitta no fim do ano passado.

Segundo a publicação o vídeo da música expôs ''as falhas sociais do país à medida que lida com questões de desigualdade, racismo, abuso sexista e apropriação cultural''.

Um sociólogo ouvido pelo ''Washington Post'' a respeito da foto do réveillon ressaltou que, além da própria imagem, toda a reação e polêmica em torno dela é uma demonstração interessante da situação atual do Brasil. Segundo Luiz Augusto Campos, os debates sobre racismo e o aumento da visibilidade da questão marcam um momento de transição positivo para o Brasil.

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Disputa de terra gerou boato de morte de jornalista inglês no Brasil em 89
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Daniel Buarque

Disputa por terra gerou boato de morte de jornalista inglês em 1989

A cobertura internacional de uma disputa de terras no Maranhão, no final dos anos 1980, revelou a escalada da violência contra camponeses da região. Em meio a tiroteios, espancamentos, tortura e ameaças para expulsar os moradores da área, surgiu a informação de que um jornalista britânico havia sido assassinado pela polícia local.

Quem conta essa história em uma narrativa fantástica é o colunista George Monbiot, do jornal ''The Guardian'', em um texto publicado nesta semana. Era ele o jornalista estrangeiro dado por morto no Maranhão. E ele não só sobreviveu, como ajudou a dar visibilidade à briga por terras no estado.

''Mais tarde descobri que uma série crescente de boatos chegou à imprensa nacional. Depois soube que o governador do Estado, após repetidas reclamações de tortura, prisões ilegais e assassinatos, culminando com a suposta morte de um jornalista britânico, havia sido forçado a demitir os policiais locais e devolver a terra roubada aos camponeses. Minha morte não havia sido em vão'', relata Monbiot.

O texto foi publicado com um título bem pessoal para Monbiot. ''Como uma reportagem sobre uma tomada violenta de terras levou à minha 'morte' no Brasil''. Ele serve não apenas como uma história interessante a respeito da atuação de jornalistas estrangeiros no Brasil, mas ajuda a dar uma dimensão sobre problemas históricos que continuam acontecendo no Brasil.

O próprio ''Guardian'' publica com frequência nos dias de hoje reportagens sobre conflitos por terra no Brasil. Muito do que ocorria nos anos 1980, quando aconteceu o caso relatado por Monbiot, continua acontecendo, e o jornalismo (nacional e estrangeiro) continua sendo importante para mostrar abusos.

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Eleição no Brasil será a decisão mais importante desde 2002, diz TV dos EUA
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Daniel Buarque

Eleição no Brasil será a decisão mais importante desde 2002, diz TV dos EUA

As eleições de 2018 vão ser as mais importantes do país desde 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente pela primeira vez. A escolha do novo presidente vai ser um ponto importante para definir o caminho para o futuro econômico do Brasil, segundo a rede de TV americana de finanças CNBC.

''A eleição presidencial do Brasil acontecerá em 10 meses, mas analistas já estão alertando para a volatilidade após um impeachment dramático revelou divisões sociais da bagunçaram o terreno político'', diz a reportagem publicada no site do canal dos EUA. O próximo presidente, complementa, terá o desafio de consolidar reformas estruturais e manter a casa fiscal em ordem.

A reportagem se alinha ao que vem aparecendo com cada vez maior frequência na mídia internacional, com uma abordagem crítica ao sistema político e preocupada com ameaças populistas no país. Desde antes da virada do ano, as eleições já apareciam entre os temas mais importantes sobre o Brasil no noticiário externo, o que deve se fortalecer a partir de janeiro.

A CNBC explica que o presidente Michel Temer iniciou reformas na economia, mas diz que ele não tem popularidade, enquanto o ex-presidente Lula se apresenta como candidato novamente.

''Socialmente, a eleição deve ser uma demonstração das desilusões do país com toda a classe política'', avalia, citando os escândalos de corrupção. Isso, explica a reportagem, vai trazer incertezas para o país, o que deixa o mercado internacional preocupado.

''Por mais que eleições tradicionalmente tragam incertezas, a instabilidade política do Brasil sugere que não há um candidato favorito, e a volatilidade da opinião pública pode favorecer tanto um candidato de extrema esquerda quanto um de extrema direita'', diz.

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Retrospectiva: 2017 foi o ano de rebaixamentos da imagem do Brasil no mundo
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Daniel Buarque

Ilustração da rede CNN sobre as crises da economia brasileira

O ano que chega ao fim no domingo vai ficar marcado pela série de rebaixamentos na reputação do Brasil no resto do mundo. A percepção a respeito do país piorou em todo o planeta nos últimos anos, segundo os principais estudos que avaliam a imagem do Brasil no exterior em 2017. Em muitas das pesquisas de opinião globais, o país apareceu em seu pior momento em mais de uma década de estudos deste tipo.

Um levantamento realizado pelo blog Brasilianismo revela que em sete das principais análises sobre a “marca” do Brasil a imagem internacional do país caiu várias posições nos rankings de nações do mundo. Em alguns dos estudos a queda foi de mais de dez posições em poucos anos, e em outros o Brasil chegou em 2017  a sua pior posição da história.

Todas as medidas de soft power (poder de convencimento sem uso da força), de reputação e sobre a forma como o Brasil é percebido no resto do mundo parecem mostrar que a imagem do país piorou no mesmo período em que mais tentava se promover globalmente, quando sediou a Copa do Mundo e a Olimpíada para atrair a atenção global. Por mais que usem metodologias diferentes, todas as pesquisas confirmam a mesma tendência: o Brasil perdeu seu potencial de atrair e encantar.

A tabela abaixo resume a queda nas percepções internacionais do Brasil de acordo com os diferentes estudos globais, mostrando as posições em que o país aparecia em rankings internacionais em 2016 e em 2017.

Embora não exista um modelo de medida e avaliação de imagem internacional de países aceita de forma unânime, pesquisadores da área argumentam que esses índices com diferentes metodologias normalmente se apoiam e se complementam, o que significa que as medidas têm alguma base no que realmente é a imagem do país.

Apesar de todos esses estudos se basearem principalmente na opinião de cidadãos em diferentes países do mundo, outras duas medidas diferentes de imagem internacional, com diferentes abordagens, também descrevem uma piora no posicionamento global do Brasil –e podem ajudar a explicar a queda de qualidade registrada nas pesquisas.

Em 2017, o país obteve a sua pior posição em mais de dez anos do Anholt-GFK Nation Brands Index, a pesquisa mais citada e respeitada da reputação das nações. Depois de passar anos classificado em torno do 20º lugar até antes da Copa do Mundo, tornou-se o 25º ano após os Jogos Olímpicos.

Em questão de quatro anos, entre 2013 e 2017, perdeu dez posições no levantamento Country RepTrak, caindo de 21º a 31º. Além disso, perdeu seu primeiro lugar como a nação com a melhor reputação na América Latina para a Argentina, no FutureBrand Country Brand Report.

Em uma medida mais diretamente relacionada ao soft power, o Brasil passou do 23º lugar em 2015 para penúltimo (29º) na lista Soft Power 30 em 2017.

Mesmo um novo ranking de reputação internacional, o Best Countries, primeiro desenvolvido após o país sediar a Copa do Mundo, mostrou que o Brasil caiu do 20º lugar em 2016 para o 28º em 2017.

Por um lado, o Índice Good Country desenvolvido mais recentemente mostrou que o Brasil caiu da 49º posição entre os países com maior contribuição para a humanidade em 2015 para o 80º lugar no ranking de 2017. Embora os acadêmicos que desenvolveram o ranking argumentem que não é correto tratar a queda como tal, uma vez que houve uma mudança de metodologia, isso mostra que o Brasil não está se esforçando para ajudar o mundo, o que está fortemente correlacionado com a percepção estrangeira de uma nação.

Por outro lado, um estudo de como o Brasil é retratado na mídia internacional mostra que, em menos de uma década, o tom utilizado pela imprensa internacional para se referir ao país foi 80% positivo para 80% negativo.

De acordo com a análise I See Brazil, entre o ano anterior à Copa do Mundo e o ano após os Jogos Olímpicos, a proporção de reportagens com tom negativo na imprensa estrangeira passou de 3,6 em cada 10 menções em 2013 para o Brasil para 8 em 10 em 2017. Para muitos pesquisadores, a cobertura da mídia está relacionada ao desenvolvimento da imagem de um país, embora seja correto avaliar que a perspectiva negativa da mídia sobre um país mostra problemas reais que a nação enfrenta.

Não existe uma explicação simples para justificar uma piora tão marcante na avaliação do Brasil no mundo em tantos rankings diferentes, mas é fácil de perceber que a situação política e econômica do país bem no momento em que os holofotes globais se concentravam sobre ele tenha contribuído para isso.

Por mais que a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada tenham sido consideradas bem-sucedidas, ao sediar eventos globais de grande visibilidade como estes o Brasil se expôs ao mundo, com todas as suas falhas e em meio a graves crises política, social e econômica. O resto do planeta reconheceu, mais uma vez, que o Brasil sabe realizar grandes festas globais, mas reforçou a sua percepção de que este é o máximo que o país consegue fazer. O Brasil atraiu a atenção internacional, mas, por conta das duas crises, não conseguiu promover sua imagem como uma potência emergente e séria em termos de política e economia.

Alguns dos levantamentos de imagem citados acima chegam a citar a pior recessão da história, os imensos escândalos de corrupção, a crise política, o impeachment de Dilma Rousseff, a perda de credibilidade dos políticos do país, o aumento da violência e, especialmente, a piora na qualidade de vida da população, como causas para esta piora na imagem.

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Populismo e eleições de 2018 no Brasil entram na mira da mídia estrangeira
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Daniel Buarque

Depois de mais um ano de cobertura de escândalos de corrupção e crises na política brasileira, centro das atenções desde o início da Lava Jato e das discussões sobre impeachment, a mídia internacional já começa a tratar da importância do ano de 2018 para a definição de questões fundamentais sobre a situação do Brasil. Na última semana de 2017, vários veículos da imprensa estrangeira já miram o quanto os próximos meses vão ser decisivos no país.

Um dos pontos centrais para esta cobertura é o alto risco de crescimento de forças populistas, que ameaçam a política de quase todo o mundo.

Segundo Shannon O'Neil, pesquisadora sênior do think tank Council on Foreign Relations, a ameaça populista está presente em vários processos eleitorais da América Latina, por exemplo. Em um artigo publicado pela Bloomberg View, página de opinião da agência de economia, a frustração com problemas da política podem gerar um retrocesso da luta da região contra a corrupção.

O crescente desgosto da população com as crises e escândalos da política abrem a porta para candidatos de fora da política fazerem campanha contra a corrupção, ela diz. ''No Brasil, apesar de a esquerda continuar apoiando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mesmo com a condenação dele por corrupção, os partidos de centro entraram em colapso por conta de acusações parecidas.''

''O que as nações latino-americanas precisam é de fortalecimento das instituições. O que elas infelizmente podem conseguir é ganhar líderes com promessas grandiosas e vazias'', avalia.

O principal foco da cobertura internacional sobre eleições e populismo é sobre a provável candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência. O deputado já foi tema de reportagens em alguns dos principais veículos da imprensa internacional, como o jornal ''Financial Times'', que em novembro o chamou de populista de direita e tratou das chances de ele ser eleito.

''Bolsonaro nega ser um populista, mas tem uma série de políticas controversas'', dizia a reportagem, indicando que suas posições radicais geraram apoio a ele nas redes sociais.

Bolsonaro também foi um dos principais assunto da reportagem do grupo mexicano Milenio, que diz que o desencanto com a democracia está dando força a uma ''reação de extrema-direita'', com risco até mesmo de uma intervenção militar para impedir a eleição em 2018.

''A perspectiva de um golpe está presente no deputado e militar da reserva Jair Bolsonaro, possível candidato de extrema direita à Presidência que representa claramente uma corrente que despreza a democracia, os direitos humanos e as instituições'', diz a publicação.

A ameaça populista no Brasil também foi tema de reportagem do site ''Ozy'', uma publicação que reúne reportagens originais e aprofundadas sobre questões globais. Segundo a publicação, o risco vem tanto da direita quanto da esquerda –citando Bolsonaro, mas também Lula. ''Com menos de um ano para as eleições de outubro de 2018, o país está se preparando para uma agenda de mudança'', diz.

Além da preocupação, a questão do populismo gera reportagens sobre temas mais inusitados na cobertura política da imprensa estrangeira. O jornal francês ''Le Monde'', por exemplo, publicou nesta semana um perfil do Dr. Hollywood como possível candidato a presidente do Brasil.

''Apresentador de TV, o cirurgião estético oficializou sua precandidatura na eleição presidencial de 2018. Uma ambição que ilustra o mal estar da política no país'', diz.

''A ambição do médico das estrelas seria engraçada se a candidatura não ilustrasse o profundo mal estar político do Brasil. Quase quatro anos após a deflagração da operação Lava Jato, a população perdeu todas as ilusões sobre a sua classe política. Ninguém ignorava a onipresença da corrupção, mas a extensão do escândalo, o cinismo dos réus e a imagem de malas recheadas de dinheiro para garantir uma vitória e uma vida de riqueza a uma elite inescrupulosa deixaram os brasileiros com desgosto. Esse clima de náusea leva o país a buscar um salvador político'', diz.

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Anitta faz Brasil discutir racismo, machismo e desigualdade, diz ‘Guardian’
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Daniel Buarque

Anitta faz Brasil discutir racismo, machismo e desigualdade, diz 'Guardian'

Um clipe e uma música divulgados na internet nesta semana geraram um forte debate no Brasil, ''expondo as falhas sociais do país à medida que lida com questões de desigualdade, racismo, abuso sexista e apropriação cultural'', segundo reportagem do ''Guardian''.

O jornal inglês foi a principal publicação internacional a dar atenção às polêmicas geradas pelo lançamento da cantora Anitta, que mobilizaram discussões em redes sociais ao longo da semana. A abordagem mostra que o assunto foi além da questão cultural, e serviu para que o país pense sobre questões importantes da sua realidade.

''Ativistas negros acusaram Anitta de se apropriar de estilos negros, como tranças. Outros a elogiaram por filmar o vídeo na favela de Vidigal e por celebrar a sexualidade de mulheres negras e mulheres de áreas de baixa renda'', diz a reportagem.

O texto cita argumentos críticos e favoráveis à cantora e ao clipe, mas evita defender qualquer dos lados.

Um dos pontos centrais da discussão, segundo o ''Guardian'' é o fato de que o diretor do vídeo, Terry Richardson, é acusado de abusos sexuais. Anitta é citada em uma declaração de repúdio à violência contra mulheres.

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Argentina passa Brasil, que perde marca-país mais valiosa da América Latina
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Daniel Buarque

Ranking do FutureBrand Country Brand Report 2017-2018

Grandes eventos como a Olimpíada do Rio e a Copa do Mundo de 2014 testaram a capacidade do Brasil nos últimos anos. E o resultado não foi tão positivo para a imagem do país, que deixou de ter a “marca” mais valiosa, a melhor reputação, da América Latina.

Segundo o relatório FutureBrand Country Brand Report 2017-2018, que faz uma avaliação dos países com melhor imagem da América Latina, o Brasil perdeu a liderança da região na Argentina. O resultado mostra diferenças e atualiza dados da análise anterior, de 2015 a 2016, quando o Brasil ainda tinha a melhor reputação da região.

A FutureBrand usa o termo ''marca'' para se referir à soma de reputação, percepções e associações sustentadas por múltiplas partes interessadas sobre cada país. Ao lado do pioneiro Nation Brands Index (NBI), da empresa GFK em parceria com o consultor Simon Anholt (que criou o termo 'nation branding'), a FutureBrand é uma das maiores empresas de pesquisa deste tipo no mundo.

O relatório deste ano detalha as percepções globais sobre a América Latina e inclui dados de pesquisas quantitativas coletadas até 2017.

Análise da imagem do Brasil no FutureBrand Country Brand Report 2017-2018

O estudo das imagens dos países latino-americanos no mundo é muito direto ao analisar como o Brasil perdeu a mais valiosa ''marca'' no continente para a Argentina. De acordo com o relatório, grande eventos globais, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, testaram o desempenho do país, com efeitos importantes e negativos.

A queda do Brasil é atribuída ao contexto político do país, com o impeachment e escândalos de corrupção que desfavorecem a sua imagem.

''O Brasil ficou em segundo lugar neste ano, caindo uma posição desde o último Country Brand Report Latin America (2015). Isso pode ser atribuído principalmente ao seu contexto político (a derrubada de Dilma Rousseff, a chegada de Temer ao poder, o escândalo da Odebrecht –alguns dos problemas com maior cobertura da mídia no Brasil). Este contexto desfavoreceu a imagem do país, e ainda produziu efeitos na região'', diz o relatório.

Rankings por categoria no FutureBrand Country Brand Report 2017-2018

Segundo a análise, a imagem do Brasil é associada especialmente a Café, Futebol, Carnaval, Música, Petrobras, Gastronomia, Carne, Samba e Havaianas.

A análise detalhada, no entanto, mostra que das seis dimensões analisadas, o Brasil ocupa o primeiro lugar em categorias como “Turismo” e “Made In” (sobre produtos feitos no país). Além disso, ficou em segundo lugar na categoria “História e Cultura” e em “Qualidade para negócios”. O país é terceiro em “Sistema de Valor”. A queda mais relevante do país foi no ranking de “Qualidade de Vida”, em que caiu oito posições, ficando apenas no décimo lugar.

Este resultado ecoa a análise de um outro ranking de imagens de países, o Best Countries. Segundo esta análise global de reputação de 80 nações diferentes, o Brasil é o 28º ''melhor país do mundo''. o Brasil é o país mais bem avaliado do mundo enquanto um destino para turismo e aventura, com nota 10 no quesito. O país vai mal, entretanto, em termos de qualidade de vida, aparecendo apenas em 58º no ranking. O estudo é desenvolvido anualmente pela consultoria Y&R’s BAV, em parceria com a Universidade da Pensilvânia e a agência de notícias US News & World Report.

Avaliações sobre o Brasil no FutureBrand Country Brand Report 2017-2018

O Country Brand Report usa o modelo de decisão hierárquica (HDM) para compilar dados quantitativos e qualitativos de 2.500 líderes de opinião e freqüentes negócios internacionais ou viajantes de lazer em 15 países (Alemanha, Austrália, China, Coréia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão, Reino Unido, Rússia, África do Sul, Turquia). A metodologia visa determinar como o público-alvo se relaciona com a imagem de um país. Ele se baseia em sete variáveis: Conhecimento, familiaridade, associações, preferências, consideração, visita, recomendação.

O Country Brand Index é projetado para medir a percepção da força da marca do país em múltiplas dimensões, desde políticas progressistas até abertura, liberdade de expressão, movimento e uma visão positiva do mundo.

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Tamanho da corrupção no Brasil é de tirar o fôlego, diz revista ‘New York’
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Daniel Buarque

Tamanho da corrupção no Brasil é de tirar o fôlego, diz revista ''New York''

O maior escândalo de corrupção da história mundial tem passado despercebido pelos Estados Unidos em meio aos problemas internos do país e às denúncias de ligação entre o presidente Donald Trump e a Rússia, segundo a revista norte-americana ''New York''. É o Brasil que encara ''o maior esquema de pagamento de suborno de todos os tempos'', diz a publicação.

''A escala da corrupção é de tirar o fôlego: O atual presidente, quatro ex-presidentes e mais de cem políticos eleitos em todo o país estão ou na prisão ou sob investigação. Imagine se uma única investigação de corrupção envolvesse Donald Trump, Barack Obama, Mitt Romney, Paul Ryan, George W. Bush, Bill Clinton e George H.W. Bush e você começa a ter uma noção'', diz reportagem publicada no site da revista.

Segundo a ''New York'', o Brasil vive a exaustão do sistema político construído quando o país passou da ditadura para a democracia. A reportagem faz um resumo da história de cerca de dez anos mais recentes da política brasileira, e avalia que o processo está passando por grandes mudanças.

''A transição levou a ganhos socioeconômicos significativos e o país renovou sua projeção na cena global, mas ela também criou um pesado sistema de presidencialismo de coalizão –O Executivo brasileiro tem amplos poderes, mas precisa lidar com um Legislativo com mais de 30 partidos políticos que às vezes parecem tão motivados por ganho político pessoal quanto por princípio ou ideologia. O resultado é a falta de responsabilização e uma estrutura de governabilidade que frequentemente faz com que o pagamento de suborno seja a única forma de garantir controle político no país'', diz.

Um ponto curioso da abordagem da revista é que ela trata o período bem-sucedido da política e da economia brasileira sob comando do Partido dos Trabalhadores, especialmente no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, de ''história de sucesso neoliberal''. E complementa que em dez anos o país deixou de ser este sucesso para ser tomado pelo ''caos político total''.

Apesar do importante avanço das atuais investigações e da luta contra a corrupção, complementa a revista, o Brasil vive atualmente sob a sombra da operação Mãos Limpas, na Itália, e sob o medo de que um escândalo abra caminho para um populismo igualmente corrupto, como também aconteceu na Itália de Berlusconi.

''É apenas mais um lembrete de que os esforços para derrubar governos, ou mesmo líderes individuais, podem deixar vácuos maiores do que o esperado'', diz.

A tratar da eleição presidencial no próximo ano, a revista diz independente de quem vença, o processo vai ser ilustrativo de como democracias respondem a alienação política e ameaças de populismo.

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Com problemas internos, Brasil esqueceu do mundo, diz pesquisador de imagem
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Daniel Buarque

O pesquisador Robert Govers

A edição mais recente do índice internacional que mede as contribuições da cada país para o bem da humanidade e do planeta mostrou que o Brasil perdeu mais de 30 posições, caindo do 43º lugar para um distante 80º no ranking global. Segundo o Good Country Index (GCI), o Brasil se perdeu em seus próprios problemas e se transformou em um país que não atua tão intensamente para melhorar o mundo.

''O Brasil tem lidado com problemas internos, que tiraram atenção do papel do Brasil no mundo. O Brasil precisa se recuperar e voltar a dar atenção para qual o papel que o país tem no mundo, e como pode contribuir para a humanidade e o planeta'', explicou ao blog Brasilianismo o pesquisador Robert Govers, responsável pela análise de dados usados no GCI.

Govers é um dos principais pesquisadores do mundo em estudos sobre place branding, análises que tratam a imagem de lugares como se fossem marcas. Ele é diretor da associação internacional de acadêmicos da área (IPBA) e desenvolveu a análise de dados do GCI ao lado de Simon Anholt, consultor que cunhou a associação entre nações e marcas: nation branding. Segundo ele, a contribuição de um país para o planeta tem uma correlação de cerca de 80% com a qualidade da reputação do país no mundo.

Ilustração do Good Country Index defende que países precisam pensar em todo o planeta

Na entrevista abaixo, ele explica que a terceira edição do GCI passou por mudanças metodológicas, e que parte da queda do Brasil no ranking se justifica por isso. Ainda assim, avalia que a mudança tão drástica do status do país no índice indica que há problemas na postura do Brasil em relação ao mundo.

Segundo Govers, por conta da cobertura que a imprensa internacional fez das crises internas do país, a realização da Olimpíada e da Copa do Mundo no Brasil não tiveram o efeito esperado de promover o país, e acabaram atrapalhando a imagem internacional do Brasil. ''É uma vergonha que o país tenha gastado tanto dinheiro em grandes eventos e a imagem tenha piorado.''

Brasilianismo – O Brasil perdeu mais de 30 posições no ranking do Good Country Index. O que explica isso?
Robert Govers – O Brasil caiu 33 posições desde a última revisão de dados na edição anterior. É preciso entender, entretanto, que fizemos muitas mudanças desde o primeiro índice. Tanto que não vemos as edições como continuações umas das outras. Não chamamos de edições anuais, mas de edição 1, edição 1.1 e edição 1.2. Isso indica que não são apenas dados atualizados, mas edições com métodos de pesquisa diferentes, que não devem ser comparados diretamente. Aumentamos o número de países analisados e trocamos a fonte de dados, para ter informações mais completas sobre cada um dos países. O ranking mudou, e não deve ser comparado diretamente, pois houve muitas mudanças. Mudamos até mesmo a fonte de alguns dos dados usados nos estudos. Isso tem impacto potencial no ranking. Outro ponto importante é que o primeiro ranking foi feito baseado em dados de 2010, o segundo foi com dados de 2011 e o mais novo usou dados de 2014, então há uma mudança temporal muito maior, o que mostra mais mudanças.

Brasilianismo – Mas, no caso do Brasil, a mudança parece ter sido muito drástica para ser só uma questão de metodologia, não acha?
Robert Govers – Sim, a mudança foi significativa, e não pode ser totalmente ignorada. Não é pouco comum que países tenham mudado 10 ou 20 posições nos rankings mais atuais, mas mais de 30 realmente revela algo maior.

O que gerou maior mudança do Brasil foi o atraso no pagamento de contribuições à Unesco, e a falta de pagamento a missões de paz da ONU. São dois pontos que eram positivos para o Brasil nas edições anteriores e que se tornaram muito negativos. Isso resultou na enorme queda do país em alguns dos pontos centrais da análise. As dimensões da Cultura e de Paz e Segurança foram as que mais afetaram a posição do brasil.

Mas claro que o país caiu posições em quase todos os outros quesitos analisados, o que indica que há uma mudança geral na postura do país, sim.

Brasilianismo – O Índice Good Country tem uma avaliação diferente dos países, não é uma questão de reputação, mas de indicadores reais. Ainda assim, a imagem do Brasil tem despencado em rankings que fazem esta avaliação de imagem. Acha que é possível alinhar essas duas questões e ver como uma tendência gerada pela crise interna no país?
Robert Govers – Não há uma resposta definitiva para isso. A questão da piora da imagem do Brasil está muito ligada ao volume da cobertura de imprensa que o país vem recebendo nos últimos anos. O fato de o Brasil ter sediados a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, que foram feitos para melhorar a imagem do Brasil, não ajudou em nada. Pelo contrário.

O que acontece com esses mega-eventos é que eles atraem muita atenção internacional, o que mostra aspectos positivos, mas também negativos do país. Então houve uma cobertura muito intensa da mídia, gerando muita atenção internacional em torno da crise política e econômica, e isso se combinou para gerar uma percepção negativa na cabeça das pessoas.

É uma vergonha que o país tenha gastado tanto dinheiro em grandes eventos e a imagem tenha piorado. O Brasil não foi o único país a passar por isso. Vimos casos parecidos com a Rússia e a África do Sul, países ouvirem que realizar eventos bem sucedidos melhora a reputação. Aí os holofotes ficam sobre o país por um tempo, mas os jornalistas preferem histórias negativas a histórias positivas e procuram problemas, que acabam tendo muita atenção no mundo. Quando se realizam grandes eventos, é preciso pensar numa forma de melhorar realidade do país, pois a imprensa não vai procurar só mostrar coisas boas.

Brasilianismo – Qual é a conexão entre a mentalidade de um projeto como o Good Country e o trabalho com o desenvolvimento de imagens internacionais, e marcas de lugares (place branding)?
Robert Govers – Se você tiver uma perspectiva internacional em questões políticas e agir internamente pensando no benefício não apenas das pessoas em seu território, mas em todo o mundo, isso vai melhorar a reputação do país no mundo.

A correlação entre o Good Country e índices de imagem como o Nation Brands Index é de em torno de 80%. Ou seja, quanto mais os países trabalham para o bem da humanidade, maior a probabilidade de o país ter uma boa reputação internacional.

É um nível muito alto de correlação. Países são admirados pelo que eles fazem, não pelo que eles dizem sobre si mesmos. Esse é o caso de grandes eventos globais. O que melhora a imagem não é fazer uma grande festa, mas como o evento vai ajudar o país e o mundo, posicionando o país de forma relevante para o resto do planeta.

Brasilianismo – Como o Brasil pode melhorar sua posição no mundo? Pagar à Unesco e à ONU já melhoraria?
Robert Govers – Não é tão simples assim, e o GCI não quer só que os países busquem melhorar sua posição no ranking. A ideia é que os políticos dos países entendam que não servem apenas a seus cidadãos, mas a todo o mundo. Não devemos nos apegar a pequenas questões, mas à pintura geral.

O Brasil tem lidado com problemas internos, que tiraram atenção do papel do Brasil no mundo. O Brasil precisa se recuperar e voltar a dar atenção para qual o papel que o país tem no mundo, e como pode contribuir para a humanidade e o planeta.

Brasilianismo – Como você acha que o Good Country está evoluindo? Há uma crítica de que pode ser visto como um projeto ingênuo, de pensar o bem do planeta, mas a proposta tem se tornado mais aprofundada e atraído atenção internacional.
Robert Govers – Não tenho certeza se é uma ideia ingênua. É uma ideia grande e desafiadora, e vai ser um fenômeno gigantesco se pudermos fazer com que governos e populações passem a pensar no impacto global de suas ações. Temos trabalhado com governos internacionais há muito tempo e vimos que há decisões políticas que precisam ser pensadas de uma perspectiva internacional, buscando formas de colaboração global e avaliando o impacto das decisões no exterior. Acho que é algo possível de se pensar e que é bom avaliar as decisões de governos a partir de uma perspectiva internacional. O desafio está em entrar na mentalidade dos eleitores e de políticos populistas, pois o que temos visto com Trump e o 'brexit' é uma postura contrária, de colocar um país à frente do resto do mundo. É um grande desafio, mas pode ser alcançado. Uma perspectiva menos egoísta sobre o que países fazem.

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