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Em editorial, ‘Le Monde’ diz que eleição no Brasil trouxe passado de volta
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Daniel Buarque

''O Brasil acaba de eleger um presidente racista, sexista, homofóbico e defensor da tortura'', diz o começo de um editorial publicado nesta segunda-feira pelo jornal francês ''Le Monde'', sobre a escolha de Jair Bolsonaro para governar o país a partir de janeiro.

Na opinião da publicação, o resultado da eleição indica que o Brasil se juntou a uma lista de países recentemente sacudidos pelo populismo nacionalista.

''O percurso do futuro presidente não deixa nenhuma ambiguidade sobre o seu extremismo'', diz o jornal, que lista discursos radicais de Bolsonaro, como a declaração de que a ditadura deveria ter deixado uma quantidade ainda maior de mortos.

''Bolsonaro é, de longe, o mais extremista chefe de Estado de direita eleito na história recente da América Latina'', avalia.

Segundo o ''Monde'', a campanha eleitoral de 2018, em vez de revigorar a democracia brasileira, acentuou seus problemas.

''Para o Brasil, a Amazônia e o planeta, trata-se de um inquietante retorno do passado.''

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Em tempo real, mídia estrangeira narra vitória da extrema-direita no Brasil
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Daniel Buarque

Pouco mais de uma hora antes da divulgação dos primeiros dados sobre a eleição presidencial no Brasil, o site do jornal britânico ''The Guardian'' começou uma cobertura em tempo real sobre a decisão política do país.

''Bolsonaro deve ser o próximo presidente do Brasil'', publicou o jornal às 22h04, horário de Londres, logo que foram anunciados os primeiros números.

''Um populista de extrema-direita, a favor de armas e de tortura foi eleito o próximo presidente do Brasil'', relatou, descrevendo a eleição como profundamente divisiva. A escolha, disse, ''deve transformar radicalmente o futuro da quarta maior democracia do mundo''.

Leia também: Mundo acompanha eleição que pode mudar a imagem internacional do Brasil

A eleição de Bolsonaro também foi o principal destaque na capa do site do jornal francês ''Le Monde''. também com cobertura em tempo real, o periódico francês tratou o presidente eleito como extremista, e avaliou que ele se beneficiou as fragilidades da classe política brasileira.

Assim que saiu o resultado, o ''New York Times'' também publicou reportagem sobre a eleição de Bolsonaro.

''O Brasil se tornou no domingo o país mais recente a caminhar rumo à extrema-direita, elegendo um populista estridente na mudança política mais radical desde que a democracia foi restaurada mais de 30 anos atrás'', disse.

O jornal também ressaltou que Bolsonaro exaltou a ditadura militar e defendeu a tortura, ameaçando destruir, prender o banir seus oponentes.

O site do jornal espanhol ''El País'' também colocou a eleição brasileira como principal destaque na noite de domingo, e também tratou o escolhido como um ultradireitista nostálgico da ditadura militar.

O jornal italiano ''La Repubblica'' noticiou a vitória de Bolsonaro e disse que ela representa uma ''fratura histórica'' para o Brasil.

O site do jornal peruano ''El Comercio'' também acompanhou a apuração dos votos no Brasil. ''O ultradireitista Jair Bolsonaro foi eleito presidente'', diz. Segundo a publicação, o capitão reformado conseguiu capitalizar sobre a decepção e a raiva da população afetada por anos de recessão e escândalos de corrupção.

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Mundo acompanha eleição que pode mudar a imagem internacional do Brasil
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Daniel Buarque


Enquanto os brasileiros vão às urnas para escolher o próximo presidente da República, o resto do mundo acompanha de longe, mas atento, tudo o que acontece no país. A eleição deste ano é um dos eventos com maior cobertura na imprensa internacional em muito tempo, e essa análise externa do que acontece no país tem importância e pode ajudar a moldar a percepção que o resto do mundo tem sobre o Brasil a partir de janeiro.

Mesmo depois de o país estar no centro dos holofotes globais com eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, a discussão sobre o futuro da democracia brasileira é um dos temas que mais chamam a atenção nos últimos anos. Somente neste domingo, por exemplo, foram publicados centenas de reportagens e artigos explicando o dia decisivo para o país em jornais, revistas, rádios e TVs em inglês, espanhol, italiano, francês, japonês, chinês e vários outros idiomas.

Em comum em todos eles há uma tentativa de entender o que levou o país à polarização, e uma avaliação sobre o futuro da democracia brasileira após as urnas.

No título e no texto de uma reportagem publicada pelo jornal norte-americano “The New York Times”, por exemplo, a eleição é descrita como uma das mais importantes da história do país, podendo marcar a ruptura nos rumos do país desde a redemocratização. Ao longo dos últimos meses, foram muito frequentes as descrições internacionais que apontavam a eleição deste ano como a mais importante da história recente do Brasil.

A cobertura internacional sobre as eleições tem chamado a atenção não apenas pelo grande volume de reportagens e artigos publicados analisando a situação do país, mas também pelo tom quase unânime de crítica ao candidato Jair Bolsonaro.

Desde antes do primeiro turno, a mídia internacional tem se debruçado sobre o passado do capitão reformado, sobre suas propostas políticas e especialmente sobre suas declarações marcadas por autoritarismo. À exceção de publicações menos influentes, como o “Washington Examiner” e “Washington Times”, e de um texto ambíguo do “Wall Street Journal”, praticamente toda a mídia estrangeira se colocou abertamente contra Bolsonaro em reportagens, editoriais e artigos de opinião. Para este olhar externo, Bolsonaro não apenas ameaça a democracia brasileira como pode ser um presidente desastroso.

Eleitores do capitão reformado reagiram a essas reportagens críticas alegando que a imprensa internacional não tem relevância no Brasil. É muito importante pensar, entretanto, que a imprensa do resto do mundo forma parte da base do que as pessoas nos outros países leem e sabem sobre o Brasil.

Políticos, empresários, diplomatas, e até mesmo turistas podem ter sua percepção do país influenciada por esta cobertura. Se a imprensa internacional como um todo assume um tom crítico falando em risco para a democracia brasileira, é muito provável que as pessoas do resto do mundo passem a ter essa imagem negativa do Brasil.

A imagem de um presidente costuma ser muito vinculada à percepção internacional do país dele. Isso foi evidente, no caso do Brasil, durante o auge da popularidade de Lula, que teve destaque em grandes encontros internacionais, e que chegou a ser chamado de “o cara”, o “político mais popular do mundo”, pelo então presidente dos EUA, Barack Obama. Os EUA hoje perdem prestígio por causa de Trump, assim como têm imagem negativa as Filipinas por causa de Rodrigo Duterte, a Turquia por conta de Recep Erdogan e a Venezuela de Nicolas Maduro. Os três primeiros são os três líderes internacionais mais frequentemente associados a Bolsonaro na imprensa estrangeira, e há analistas que o comparam até mesmo a Chávez e Maduro, por mais que ele critique tanto a Venezuela.

Foi algo parecido com isso o que aconteceu nos Estados Unidos nos últimos anos. Com o governo de Donald Trump, o prestígio internacional dos EUA se reduziu de forma drástica, independentemente de a economia do país continuar crescendo. O presidente dos EUA chegou a ser motivo de risos durante um discurso na ONU há poucas semanas. A diferença é que os EUA ainda são a maior potência internacional, então seus interesses diplomáticos podem se basear em seu poder militar e econômico, sem depender tanto do “soft power”.

No caso do Brasil, as coisas são diferentes. O país não é uma potência militar e econômica, e muito do que o país alcança internacionalmente depende do prestígio do país, da imagem que o resto do mundo tem dele. Então a cobertura que a mídia internacional faz sobre o Brasil pode ter, sim, impactos práticos sobre o posicionamento do país no mundo –e é importante saber o que se pensa sobre o Brasil internacionalmente.

É verdade que os interesses comerciais e políticos das grandes potências e dos principais parceiros comerciais do país provavelmente devem se colocar acima da percepção crítica que se pode ter a um eventual governo de Bolsonaro, e não deve haver ruptura imediata. Mas, se o Brasil continuar querendo ter um papel de destaque em política internacional, vai precisar demonstrar para o mundo que é um país democrático, em que minorias e direitos humanos são respeitados, e onde a Constituição é seguida, e que não caminha para ter um governo autoritário.

Este foi o foco de uma importante análise publicada pela agência de notícias Reuters durante a semana. Segundo o correspondente internacional Dom Phillips, o próximo governo do Brasil pode transformar a forma como o país é visto no resto do mundo, e pode trazer fortes reações às medidas do país que possam afetar o resto do mundo –especialmente quando consideradas questões ambientais, em que a posição do Brasil é fundamental.

O Brasil já tem uma imagem internacional que costuma ser chamada de “decorativa”. O país é bem avaliado enquanto destino para turismo e aventura, e é quase sempre associado a festas e carnaval. Por outro lado, é associado a violência, caos, criminalidade e a um sistema político disfuncional. É a imagem geralmente associada à ideia de que o país não é sério.

Nas últimas décadas, especialmente durante os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, houve um esforço do país para se promover internacionalmente como uma nação que é séria, sim, e que tem um papel fundamental para o planeta. Isso tentou ser construído na base da previsibilidade do país, no respeito às regras, na continuidade da ordem constitucional.

Um rompimento com pilares deste tipo, uma quebra da ordem constitucional e um possível enfraquecimento da democracia tendem a afastar o país ainda mais de qualquer ideia de seriedade em política internacional.

É contra isso que a imprensa internacional tem alertado no caso de uma possível eleição de Bolsonaro. Para muitos analistas estrangeiros, o candidato e suas declarações –como a de que vai banir ou prender opositores– representam um risco à democracia, à estabilidade e às instituições brasileiras. Se este de fato for o rumo seguido, o prestígio do Brasil no resto do mundo tende a se reduzir, fazendo o país perder relevância no cenário internacional.

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Às vésperas da eleição, opinião internacional se consolida contra Bolsonaro
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Daniel Buarque

A liderança de Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência do Brasil criou um forte movimento crítico na imprensa internacional –e também de acadêmicos, brasilianistas, intelectuais, políticos e artistas. Enquanto as sondagens apontam que os brasileiros tendem a eleger o candidato do PSL, e o mercado financeiro global indica gostar da decisãoa opinião no resto do mundo parece considerar problemática esta escolha.

Desde antes mesmo do primeiro turno, têm sido muito frequentes as análises e comentários que rejeitam com diferentes ênfases e níveis de preocupação o posicionamento político dele, e que apontam para problemas em sua carreira, suas propostas e para o futuro do país sob um eventual governo do candidato –com raríssimas exceções.

Há tempos a mídia estrangeira acompanha atenta e com olhar analítico a política brasileira. O governo de Dilma Rousseff foi foco de grandes debates, os protestos de junho de 2013 se tornaram temas de pesquisas acadêmicas internacionais e o impeachment mobilizou opiniões contrárias e a favor da saída da presidente, bem como gerou debate sobre o uso do termo “golpe”, sem nunca haver um consenso.

Na situação da eleição presidencial, parece não haver divergência, e o posicionamento crítico ao candidato que lidera as pesquisas é quase unânime. Em quase todas as mais relevantes publicações do mundo, como o “New York Times”, o “Guardian”, a “Economist”, o “Monde”, o “El País”, o posicionamento é contra Bolsonaro –em todos os veículos internacionais monitorados por este blog Brasilianismo, praticamente apenas o “Wall Street Journal” publicou texto minimizando os riscos da eleição de Bolsonaro, e a revista conservadora “Washington Examiner” disse que ele era opção menos ruim do que seu opositor.

Mesmo sem defender Fernando Haddad ou o PT (que também são alvo de críticas na cobertura internacional) o ponto principal de quase tudo o que se lê no exterior é que Bolsonaro é uma aposta equivocada do país, uma escolha triste, como argumentou um editorial do “New York Times”.

Com a proximidade das eleições, parte do debate se dá em torno da melhor forma de entender e descrever o fenômeno liderado pelo candidato do PSL, e alguns especialistas avaliam possíveis impactos da vitória de Bolsonaro para a relação do país com o mundo e a forma como o país é visto no exterior. De forma geral, a opinião encontrada na mídia internacional se consolidou contra a possível eleição dele.

Segundo o jornal ''Financial Times'', Bolsonaro representa uma “bola de demolição” na política brasileira (o mesmo jornal já o chamou de ''granada humana''), visto como ameaça por opositores. Segundo a publicação, o apoio ao candidato do PSL pode ser entendido como uma reação à crise econômica e ao aumento da violência no país.

A agência de notícias Associated Press, por outro lado, publicou uma análise discutindo os termos usados para descrever Bolsonaro, avaliando se ele poderia ser chamado de ''fascista'', ''populista'' ou ''extrema direita''.

''Enquanto as eleições de domingo se aproximam, o deputado de sete mandatos é o foco de um debate feroz no Brasil e além sobre como descrever um candidato cuja mistura eclética de políticas e linguagem grosseira emociona os partidários e aterroriza os detratores. A ascensão de Bolsonaro se assemelha à de outros políticos em todo o mundo que costumam empregar retórica semelhante, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, e vários líderes em toda a Europa'', diz.

Segundo uma análise publicada na agência Reuters, Bolsonaro pode ser uma tragédia para o Brasil — termo parecido com o ''desastroso'' usado pela revista ''The Economist'' semanas antes do primeiro turno da eleição.

''Em vez de tornar o Brasil grande de novo, Bolsonaro pode acabar governando um país que se tornará uma tragédia autoritária e ambiental que não respeita os direitos humanos.''

O artigo é uma das mais fortes críticas internacionais recentes ao candidato:''Os brasileiros gostam dos planos radicais de Bolsonaro para lidar com a escalada da criminalidade e da violência, que incluem o afrouxamento do controle de armas, a impunidade policial para atirar em criminosos e castração química de estupradores. Eles admiram o discurso anti-corrupção de um dos poucos políticos no Brasil que não foi contaminado por escândalos. Mas enquanto suas promessas de fazer o Brasil uma grande nação ganham apoio, poucos consideraram como o seu provável mandato pode derrubar a visão do mundo sobre o Brasil.''

Um dos argumentos centrais do texto assinado pelo correspondente Dom Phillips, é que há uma falta de conexão entre o que os eleitores de Bolsonaro esperam dele e o que ele de fato pretende fazer no governo.

''Os defensores acreditam que Bolsonaro entregará o tão aguardado 'país do futuro'. Em vez disso, como ele mesmo disse, ele quer levá-lo de volta ao passado'', diz.

Um dos pontos centrais em que isso acontece, segundo Phillips, é na questão ambiental. O artigo argumenta que Bolsonaro pretende reduzir as áreas de proteção na Amazônia, e diz que isso pode ter impactos na forma como o Brasil é visto no mundo, e como o mundo lida com o país.

''Certamente haverá uma reação internacional quando seus aliados do agronegócio começarem a derrubar a Amazônia. Os consumidores podem parar de comprar carne bovina brasileira –uma das principais exportações do país. Estrelas pop preocupados com a possibilidade de alienar fãs internacionais podem recusar oportunidades lucrativas de se apresentar para brasileiros ricos'', diz.

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Imprensa internacional associa discurso de Bolsonaro a risco de ditadura
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Daniel Buarque

As declarações do candidato a presidente Jair Bolsonaro sobre possível perseguição a opositores foram interpretadas no exterior como um eco da ditadura militar e um risco à democracia brasileira. A candidatura de Bolsonaro já tem sido criticada pela mídia internacional por conta do tom autoritário percebido em suas falas, e a atenção cresceu na semana antes da eleição decisiva para o país.

O jornal britânico ''The Guardian'' deu atenção ao tema antes mesmo das declarações mais recentes do candidato à Presidência. Na segunda-feira, publicou uma reportagem sobre o sentimento de alarme para os sobreviventes da ditadura por conta da ascensão de Bolsonaro.

''Faltando apenas dias para o segundo turno decisivo do que muitos chamam de a eleição presidencial mais importante da história do Brasil, as emoções estão elevadas entre os que sofreram durante o período autoritário, quando centenas foram mortos ou desapareceram sob um regime dedicado a varrer o que era visto como ameaça comunista'', diz a publicação, citando os discursos de Bolsonaro como ecos desse período.

A preocupação ganhou ainda mais atenção no resto do mundo depois do discurso de Bolsonaro, em que ele afirmou que fará uma ''faxina'' e que os ''marginais vermelhos'' serão ''banidos'' do país, em referência aos seus adversários.

''O favorito da extrema direita para se tornar o próximo presidente do Brasil prometeu levar adiante uma purga histórica dos seus adversários políticos em um discurso ameaçador que empolgou seus seguidores e deixou os oponentes de esquerda preocupados e irritados'', diz o mesmo ''Guardian'' em uma nova reportagem sobre o tema.

O site da rede Al Jazeera também tratou das ameaças de Bolsonaro em uma reportagem. Segundo a publicação, Bolsonaro chama opositores de criminosos e promete uma ''limpeza'' do país.

''O Brasil foi governado por uma ditadura militar brutal e repressora entre 1964 e 1985 durante a qual centenas de opositores políticos foram assassinados e milhares foram torturados'', ressalta.

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Em editorial, ‘New York Times’ chama Bolsonaro de escolha triste do Brasil
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Daniel Buarque

O jornal norte-americano ''The New York Times'' publicou no domingo um artigo editorial alegando que o candidato à Presidência Jair Bolsonaro tem ''opiniões repulsivas''. Em um texto com título ''a triste escolha do Brasil'', a publicação critica a campanha que aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto e compara o brasileiro ao presidente dos EUA.

''A escolha será feita por brasileiros. Mas é um dia triste para a democracia quando a desordem e o desapontamento levam eleitores a se distraírem e a abrirem as portas para populistas ofensivos, autoritários e violentos'', diz a publicação.

Segundo o ''NYT'', os brasileiros estão desesperados por mudança, e acreditaram na campanha de um ''obscuro deputado de carreira como a promessa de um nome de fora da política''.

''Ele é o mais recente de uma longa lista de populistas que surfam numa onda de insatisfação, frustração e desespero com governos em cada um dos países.''

Segundo o ''NYT'', a eleição de Bolsonaro representa uma ameaça para o ambiente e para a Amazônia. ''Bolsonaro tem prometido desfazer muitas das proteções para as florestas tropicais e abrir mais terras para o poderoso agronegócio brasileiro'', diz.

O artigo do ''NYT'' é a mais recente crítica internacional à campanha de Bolsonaro. As principais publicações da imprensa internacional têm publicado vários textos contrários à eleição dele e avaliando a possibilidade da sua chegada ao governo como uma ameaça à democracia do país. Segundo a revista ''The Economist'', por exemplo, Bolsonaro seria um presidente desastroso.

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Palestra em Londres já discute como será o governo de Bolsonaro
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Daniel Buarque

Para um grupo de acadêmicos estrangeiros e do Brasil reunidos em Londres para avaliar o cenário político brasileiro a menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a disputa já parece decidida a favor de Jair Bolsonaro.

Durante um debate sobre as eleições realizado pelo Brazil Institute do King's College London na noite de quarta, o tom da discussão se deu mais em torno do comportamento do eleitorado brasileiro e da perspectiva para o novo governo a partir do próximo ano. A possibilidade de uma virada nas pesquisas de intenção de voto a favor de Fernando Haddad sequer foi cogitada.

“Bolsonaro deve vencer por conta da insatisfação dos brasileiros com a ordem política estabelecida desde 1988”, disse Matias Spektor, professor da FGV. A diferença mostrada pelas pesquisas de intenção de voto indica que ele tem uma “liderança inalcançável”, disse o professor Timothy Power, de Oxford.

Um dos pontos centrais do debate foi a participação do pesquisador brasileiro Spektor, que apresentou uma tese semelhante à discutida em sua coluna desta quinta-feira na Folha. Para ele, os modelos de países em situação parecida com a do Brasil sob Bolsonaro são as Filipinas de Rodrigo Duterte, a Turquia de Recep Erdogan, e os EUA de Donald Trump.

“O cenário de Bolsonaro seguir o modelo Trump é o melhor para o Brasil”, disse, analisando que assim pode haver um governo populista, mas sem destruição total da democracia, enquanto os outros modelos representariam um aumento maior do autoritarismo.

O problema, segundo Spektor, é que o Brasil ainda tem muitos desafios econômicos pela frente, o que diferencia o país da situação dos EUA. “O mais provável é que Bolsonaro invente um estilo próprio de governar, e é preciso estar atento à manutenção do estado de direito”, disse.

“Bolsonaro vai vencer argumentando que vai mudar tudo na política, mas não diz como vai fazer isso num sistema que tronq necessário formas uma coalizão para governar. A forma como ele vai lidar com o Congresso e com interesses corporativos vai indicar o futuro da democracia no Brasil”, disse.

Em sua avaliação, entretanto, se Bolsonaro decidir seguir um rumo de autoritarismo, as instituições brasileiras não são fortes o suficiente para impedir isso.

Segundo Timothy Power, da universidade de Oxford, é possível prever que o governo de Bolsonaro comece parecendo com o que foi feito por Fernando Collor em 1990. “No início ele pode se cercar de tecnocratas e temtar governar de forma diferente, mas acho que quando começar a enfrentar dificuldades políticas, vai voltar a se aliar aos mesmos nomes de sempre, o centrão, sem trazer muito de novo”, avaliou.

O novo Congresso, avaliou Power, mantém o perfil de fragmentação que dificulta a formação de uma coalizão para governar.

O professor de Oxford analisou pesquisas que indicam que o maior apoio recebido por Bolsonaro foi de pessoas mais ricas e especialmente as mais escolarizadas. “Bolsonaro gosta de dizer que ad universidades são fábricas de esquerdopatas, mas ele está se dando muito bem com os ex-alunos delas.”

A pesquisadora Fiona Macauley, de Bradford, também participou do evento, e destacou o quanto o Congresso brasileiro vai ter o aumento de dois contingentes que se tornarão mais fortes na política brasileira. A bancada da bala, formada por policiais e militares, cresceu, assim como a presença de mulheres entre os congressistas — que ela chamou de “efeito Marielle”.

Para ela, essa foi uma campanha marcada pela mobilização em torno do pânico sobre questões de gênero e sobre o desgosto moral. “As pessoas votam com base em emoções, e o nojo moral é uma emoção forte.''

Em uma discussão sobre a história recente do país e as perspectivas de futuro, os pesquisadores indicaram que, mesmo derrotado, o PT tem mais chances de se recuperar do que o PSDB. “Teria sido muito melhor para o PT ter perdido as eleições em 2014. Este seria o ano deles, mas a estratégia deu errado'', disse Power.

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Tags : Eleições


Para historiador americano, Bolsonaro não acredita na democracia no Brasil
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Daniel Buarque

Em um artigo publicado na revista ''Dissent'', o historiador americano Bryan McCan, ex-presidente da Brazilian Studies Association (Brasa), diz que Jair Bolsonaro é um risco para a democracia brasileira, e que ameaça todos os ganhos conquistados pelo país desde o fim da ditadura.

''É difícil superestimar a importância desta eleição. Um candidato acredita na democracia, o outro, não: Bolsonaro deixou claro por suas palavras e ações que favorece ação militar e policial sem entraves da lei. Ele não acredita que minorias, como grupos indígenas ou quilombolas, mereçam ter seus direitos protegidos'', diz o artigo.

McCann já havia se posicionado fortemente contra Bolsonaro antes do primeiro turno, em entrevista ao autor deste blog Brasilianismo publicada pela Folha. A duas semanas do segundo turno, ele volta a reforçar o quanto vê a democracia brasileira em risco.

Segundo McCann, Bolsonaro está liderando a corrida eleitoral carregado pelo voto dos eleitores das bancadas da bala, da bíblia e do boi — que ele chama de ''coalizão contra a democracia''. O grupo, diz, ''tem preferência por um policiamento duro com o crime, por políticas sociais conservadoras e por tratamento preferencial para ao agronegócio'', explica.

''Os eleitores da bala são os mais assustadores. Depois do triunfo de Bolsonaro no primeiro turno, seus apoiadores foram às ruas para atacar seus oponentes'', diz McCann, se referindo à recente onda de violência política no país. ''Não há dúvida de que são os apoiadores de Bolsonaro que estão cometendo a maioria dos ataques violentos'', avalia.

''O Brasil lutou por uma geração para conter a violência policial, proteger os direitos das minorias e eliminar o trabalho escravo do setor agrícola. Este progresso está interrompido e retrocessos são desmoralizantes. Mas em todas as esferas houve avanços desde o fim da ditadura, em 1985. Uma Presidência de Bolsonaro colocaria todos esses ganhos – e a própria democracia – em risco.''

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Insegurança pode levar militares de volta ao poder no Brasil, diz Bloomberg
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Daniel Buarque

Uma reportagem publicada no site da agência de economia Bloomberg analisa como os militares estão prestes a voltar ao poder no Brasil três décadas após o fim da ditadura. Se Jair Bolsonaro for eleito presidente, diz, seu governo pode ter até cinco generais, o maior papel das forças de segurança no governo em décadas.

''Apenas 30 anos após o fim de uma ditadura militar, as forças de segurança do Brasil estão de volta. Mesmo que Bolsonaro perca a eleição, agora existe um significativo bloco de lei e ordem no Congresso eleito por uma população com medo da alta criminalidade'', diz.

A insegurança no país que registrou mais de 60 mil homicídios por ano é a principal causa do apoio dos brasileiros ao retorno dos militares à política, segundo a reportagem.

Apesar do apoio popular dado a muitos desses militares que chegam à política, a Bloomberg ressalta que o movimento político no país se dá alinhado a um crescimento da extrema direita.

''Bolsonaro colocou em dúvida o futuro da democracia. Ele ficou famoso –e infame– por conta de comentários depreciativos contra mulheres, gays, indígenas e afrodescendentes. Ele disse que o maior problema com a ditadura foi que ela não matou gente o suficiente, e que se recusaria a aceitar o resultado das eleições se ele perdesse.''

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Imprensa estrangeira destaca aumento da violência política no Brasil
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Daniel Buarque

A imagem de violência é uma das mais fortes associações que se percebe na imprensa internacional ao tratar do Brasil nos últimos anos. Mais recentemente, têm sido comuns as análises que tratam sobre o crescimento da violência política, que teve destaque especialmente na cobertura da morte da vereadora Marielle Franco, nos tiros disparados contra uma caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no atentado a faca contra Jair Bolsonaro. Na semana após o primeiro turno de eleições ''marcadas pela raiva'', o mundo vê o ódio político florescer no Brasil.

''Tensão diante das eleições brasileiras foram ligadas a uma série de ataques violentos, incluindo um caso que está sendo tratado como um assassinato político'', diz uma reportagem da rede britânica BBC.

''A frustração dos eleitores com o aumento da violência e da corrupção no país – bem como a explosão de notícias falsas inflamatórias – criou uma atmosfera tóxica que englobou a eleição deste ano'', avalia o jornal inglês ''The Guardian''.

Os relatos sobre violência política se tornaram tão frequentes na mídia estrangeira que uma busca na internet por notícias a respeito da violência no Brasil tem mais retornos sobre a eleição do que sobre o recorde de homicídios no país –este que é uma das imagens mais fortes e mais negativas sobre o Brasil no exterior.

A agência Associated Press registrou que os casos de violência relacionados à eleição levaram os candidatos a pedirem calma a seus eleitores –ainda que a BBC tenha destacado que Bolsonaro tratou os casos como ''isolados''.

As reportagens na imprensa internacional relatam dezenas de casos de violência política registrados no país nas últimas semanas.

A ONG Human Rights Watch também registrou o aumento de casos violentos no país por conta da eleição. Em um texto que trata de relatos pessoais de agressão por política ouvidos de amigos, a diretora da divisão brasileira da HRW defendeu que os candidatos, Maria Laura Canineu, argumenta que os candidatos precisam ser enfáticos contra a violência.

''Eleições são um exercício de democracia, momentos especiais em que cidadãos refletem sobre o estado do país e escolhem pacificamente o futuro que querem. Mas a campanha deste ano foi manchada por ameaças e violência'', diz.

Entre os casos de agressões registrados pela imprensa internacional estão situações de ataques a jornalistas brasileiros. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, 137 repórteres foram ameaçados ou atacados enquanto cobriam as eleições.

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