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Com crise política, imprensa dos EUA tem pico de cobertura sobre o Brasil
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Daniel Buarque

Com crise política, imprensa dos EUA tem pico de cobertura sobre o Brasil

A crise política no Brasil e as denúncias contra o presidente Michel Temer geraram um pico no número de reportagens sobre o Brasil na imprensa dos Estados Unidos, segundo Tom Reichert, chefe do departamento de publicidade e relações públicas da Universidade da Georgia (EUA).

Em entrevista publicada pela Folha, Reichert disse que minutos antes de Temer declarar que não renunciaria ao cargo, a notícia da crise política no Brasil já era o segundo tema mais falado na mídia dos EUA. Agregadores de publicações americanas indicavam que apenas a pressão política sobre Donald Trump era mais tratado na imprensa do país.

Leia a reportagem da Folha sobre o pico de cobertura sobre o Brasil nos EUA

“Os americanos estão acompanhando o noticiário sobre a política brasileira de perto desde o ano passado”, explicou Reichert. “Agora há um pico no número de reportagens sobre o Brasil, por conta da nova crise”, complementou

O pesquisador veio ao Brasil junto com seu colega Itai Himelboim, diretor do departamento de engajamento de redes sociais e publicidade da mesma universidade, para apresentar o mais amplo estudo sobre a percepção da imprensa americana a respeito do Brasil.

Ao longo de 2016, o levantamento coordenado por eles analisou 143.549 reportagens sobre o Brasil na mídia dos EUA.

Segundo Reichert, apesar de o atual escândalo estar chamando muita atenção, e de o foco na instabilidade política levantar discussões sobre as implicações econômicas dela, há uma sensação de que pode haver finalmente uma solução para a crise.

“Depois do atual pico no noticiário, haverá uma oportunidade para mostrar o Brasil no exterior sob um enquadramento novo. Pode haver a sensação de renovação, de dar um passo adiante no sentido da busca da estabilidade e da resolução da crise”, disse.

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Encolhimento da cobertura estrangeira não significa ausência de interesse
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Daniel Buarque

A revista “Piauí” publicou nesta semana em seu site uma interessante reportagem sobre a “debandada dos correspondentes estrangeiros do Brasil”, indicando que o país se tornou menos atraente para o resto do mundo nos últimos meses por conta da série de crises e do fim dos Jogos Olímpicos, e assim passou a ter menos jornalistas de outros países em suas cidades.

É verdade que há um aparente movimento de encolhimento do espaço destinado ao Brasil no resto do mundo, mas ainda faltam dados e estudos que comprovem a tese, e soa errado interpretar o encolhimento da cobertura como “desinteresse” internacional no país, como diz o título da reportagem: “Não interessa mais”. A interpretar pela intensa cobertura que a imprensa estrangeira faz das reformas propostas por Temer, da crise política, da possível retomada econômica, das investigações da Lava Jato e de episódios como a Operação Carne Fraca, o interesse em temas relacionados ao Brasil continua existindo, sim, e não é pouco.

O ponto central da discussão é entender que 2016 foi um ponto muito fora da curva na cobertura internacional sobre o Brasil. Com Jogos Olímpicos, epidemia de zika, microcefalia, desastre em Mariana e o impeachment de Dilma Rousseff, o país esteve nos holofotes do resto do mundo como nunca antes –daí que seja natural perceber uma redução na atenção após algum tempo.

Segundo o I See Brazil, principal estudo a contabilizar o volume e o tom da cobertura da imprensa internacional sobre o Brasil, o volume de reportagens sobre o país no resto do mundo subiu 75,68% em 2016, passando de 1.908 menções ao país em 2015 para 3.352 textos no ano passado (considerando uma amostra dos principais veículos impressos do planeta). Partir desse volume imenso de cobertura em 2016 para interpretar o interesse internacional seria, portanto, um erro.

É natural que este índice indique uma volta do país a índices semelhantes aos de 2015, ou até menores, visto que antes havia ainda uma onda de interesse externo inciada em 2014, com a Copa do Mundo. O movimento de correspondentes estrangeiros e “debandada” de muitos deles é normal em um cenário assim, e é claramente perceptível no Rio de Janeiro, cidade que centralizou a atenção naquele ano, como diz a “Piauí”. Considerando que muitos desses correspondentes internacionais se conheciam e conviviam durante o tempo morando na mesma cidade, a percepção de que havia uma debandada era clara entre muitos deles, daí o relato anedotário sobre este êxodo e a redução percebida pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil.

Além disso, o êxodo retratado pela revista tem uma série de casos que talvez não possam ser entendidos como “debandada”. A reportagem começa falando do “New York Times”, que está simplesmente mudando de correspondente. Fala também do fechamento da BBC o Rio, sem indicar que a mesma BBC está com sete vagas abertas em São Paulo, além de outras quatro abertas no serviço brasileiro em Londres, em um movimento que indica a ampliação do interesse no Brasil.

Outra questão importante é tratar sobre como essa imprensa internacional cobre o Brasil. O país se tornou claramente mais visível no resto do mundo ao longo da última década, e com isso passou a atrair mais jornalistas estrangeiros. Durante este período, entretanto, muitos passaram a conhecer bem o país, a ter fontes entre políticos e no mercado, e voltaram para seus países de origem, mesmo que continuem cobrindo a situação do Brasil.

Em entrevista recente ao blog Brasilianismo, Brian Winter, editor-chefe da “Americas Quarterly” explicou que este era seu caso. Depois de morar muitos anos em São Paulo, ele voltou para os EUA, mas continua de olho no Brasil. “Ouço a CBN no metrô de Nova York”, contou. É um caso parecido com o site da revista “Forbes”, que publica reportagens regularmente sobre o Brasil sem ter um correspondente fixo no país. Aconteceu ainda com Alex Cuadros, que veio ao Brasil cobrir os bilionários do país pela Bloomberg, acabou deixando o país, mas escreve com certa regularidade sobre temas locais em vários veículos da mídia americana.

Talvez se possa questionar a qualidade dessa cobertura feita à distância (ainda que seja por profissionais extremamente competentes), mas é preciso entender que a saída de correspondentes não representa necessariamente nem mesmo o encolhimento da atenção dada ao país.

O mais importante da reportagem da “Piauí” não é o êxodo de correspondentes, mas a clara inversão da onda de euforia estrangeira sobre o Brasil. Desde 2014 que a cobertura internacional, ainda que grande, mudou de tom, e tem focado muito mais os problemas do país, em um clima evidente de depressão, comprovado por pesquisas e dados sobre a imagem do país.

A imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos, segundo o I See Brazil, levantamento realizado desde 2009 pela agência de comunicação Imagem Corporativa (IC). Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, em 2016 o Brasil apareceu com enfoque negativo em 85,5% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

Este noticiário negativo derrubou o Brasil no principal ranking internacional que mede a imagem das nações no mundo. O Brasil aparece em 23º lugar na edição mais recente, de 2016, do Anholt-GfK Nation Brands Index (NBI), a sua pior classificação na história do índice.

Aí está também o ponto central da edição atualizada e digital do livro “Brazil, um País do Presente”, publicada em 2015.

“A imagem internacional do Brasil mudou de forma surpreendentemente rápida e radical ao longo da última década. Em 2010, a palavra ‘euforia’ era a que melhor representava a forma como o mundo via o país em seu momento ‘bola da vez’. Hoje, tudo mudou, e a desconfiança tomou conta das interpretações estrangeiras sobre o país. Depois da euforia, veio a depressão”, dizia.

Além de um novo capítulo e de um posfácio sobre euforia e depressão, esta nova edição digital trazia ainda um novo prefácio, escrito pelo diretor do Brazil Institute do King’s College London, Anthony Pereira. No texto, o pesquisador argumenta que apesar da oscilação entre cobertura positiva e negativa, “o mundo está cada vez mais interessado no Brasil, e o Estado brasileiro está mais presente em assuntos internacionais do que jamais esteve antes”.

Para este blog Brasilianismo, que acompanha regularmente há mais de dois anos toda a cobertura da imprensa estrangeira sobre o país, a questão mais relevante é entender que existe esta oscilação da imagem, mas que a ascensão da imagem do Brasil no resto do mundo na década passada consolidou-o como um “país presente”.

No pósfacio, a edição atualizada do livro argumentava:

“Dizem que escritores costumam ter depressão pós-parto, e ficam se lamentando não poder fazer mudanças no texto de sua obra já publicada. Assim que este “Brazil, um País do Presente” foi lançado, em 2013, pensei que talvez fizesse mais sentido tê-lo dado o título de ‘Brazil, um País Presente’. Além do jogo de palavras com o ‘país do futuro’ vaticinado por Stefan Zweig, umas das ideias centrais que defendia era de que o Brasil e sua imagem haviam se tornado figuras presentes definitivamente no cenário internacional. No século XXI, o país passava a ser mais reconhecido como relevante, e não era mais ignorado pelo resto do mundo – fale bem ou mal, mas o mundo todo fala mais sobre o Brasil.

Esta questão da presença do Brasil vai além das ideias de euforia e depressão relacionadas à sua imagem. De fato, desde o começo do século XXI mais pessoas sabem mais sobre o Brasil no resto do mundo, e a incorporação do país ao imaginário global parece ser permanente. A imagem do Brasil é a de um país presente, mesmo que a impressão causada seja mais positiva em alguns momentos e mais negativa em outros.”

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‘Time’ relembra capa sobre Brasil em 1967, quando o país parecia ‘decolar’
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Daniel Buarque

A revista “Time” tem feito um amplo trabalho de memória ao longo do ano, recuperando a cada semana a edição da revista que foi publicada 5 décadas antes e esmiuçando o mundo descrito naquela época. E uma das edições de abril de 1967 trazia uma discussão sobre o lugar do Brasil no mundo na capa, e um tom que em muitos momentos soa bem atual.

A revista enfocava a conferência de líderes das Américas realizada em Punta del Este e dizia que caberia ao Brasil do “presidente” Costa e Silva, “líder de uma nação que forma metade da área, da riqueza e da população da América do Sul”, levar adiante as decisões do encontro.

Uma imagem de Costa e Silva, por sinal, estampava a capa da publicação, que se referia a ele como “líder” e “presidente”, mas não como ditador, segundo a memória publicada agora no site da publicação.

Após ser um dos homens poderosos envolvidos no golpe de 1964, dizia, “Costa e Silva prometeu humanizar a revolução lançada pelo seu antecessor austero e sem humor –mas também deixou claro que pretendia levar adiante muitas das reformas básicas iniciadas por Castello”, dizia a revista, sem questionar o fato de o Brasil ser uma ditadura na época.

O mais interessante de perceber na publicação de parte do texto histórico é ver a linguagem usada pela “Time” em 1967. Alguns dos termos usados na época ficaram marcados como alguns dos mais comuns durante o recente período de ascensão econômica do país, na década passada. “Otimismo do tipo que no passado cegou o Brasil precisa aguardar que, tendo chegado ao ponto de decolar, o gigante do Sul vá finalmente decolar”, dizia.

A expressão “take off” usada duas vezes na mesma frase faz a famosa capa da “The Economist” de 2009, com o Cristo Redentor como se fosse um foguete soar como um eco distante. E o tipo de avaliação reforça a ideia já percebida por analistas de que a imagem do Brasil no resto do mundo alterna esses momentos de euforia e depressão, com impressão de que o “gigante” vai decolar sempre que vive um bom momento.

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Imagem do Brasil no mundo passou de 81% positiva a 85% negativa em 7 anos
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Daniel Buarque

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

A imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos, segundo um levantamento realizado desde 2009 pela agência de comunicação Imagem Corporativa (IC).

Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, neste ano o Brasil aparece com enfoque negativo em 85,5% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

O dado faz parte de um livreto da IC, divulgado neste mês, que faz um balanço sobre as oscilações do país e da sua imagem ao longo da última década. O trabalho é um resumo do que a agência costuma produzir na pesquisa ”I See Brazil”, que busca medir as percepções externas em torno do país a partir do que se lê na mídia estrangeira e do que falam especialistas no assunto.

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

“Um levantamento da Imagem Corporativa que acompanha a imagem do Brasil no exterior desde 2009 mostrou que, naquele ano, 80% das reportagens publicadas sobre o país nos principais veículos da imprensa estrangeira eram positivas. Esse percentual passou para 81% no ano seguinte – ponto alto da exposição favorável da mídia estrangeira ao Brasil. A queda começaria em 2013, quando o percentual caiu para 65%. No ano seguinte houve a reversão: 56% das reportagens publicadas sobre o país eram negativas. Tal percentual cresceria para 72% em 2015 – invertendo completamente o quadro observado poucos anos atrás”, diz o trabalho. O levantamento mais recente, do primeiro semestre deste ano, mostra que 85,5% das reportagens sobre o Brasil eram negativas.

A oscilação da reputação internacional do país já havia sido abordado pela edição mais recente do livro “Brazil, um País do Presente – A Imagem Internacional do ‘País do Futuro’”, escrito pelo autor deste blog Brasilianismo, lançada no ano passado.

A partir de trabalho de reportagem e de estudos de nation branding, competitive identity e diplomacia pública, o livro mostra que a imagem do Brasil mudou de forma surpreendentemente rápida e radical ao longo da última década. Ali vê-se que em 2010, a palavra “euforia” era a que melhor representava a forma como o mundo via o país em seu momento “bola da vez”. Hoje, tudo mudou, e a desconfiança tomou conta das interpretações estrangeiras sobre o país. Depois da euforia, veio a depressão.

Uma década de altos e baixos

O livreto sobre a oscilação brasileira ao longo da década aponta como a economia e a política evoluíram e depois perderam o rumo. Fala sobre como o Brasil impulsionou sua imagem como parte dos ascendentes BRICs e depois dos “cinco vulneráveis”. Trata ainda do quanto o governo Lula aproveitou a instabilidade na região para promover a imagem do país.

Mostra que, como seria natural, a imagem do país reflete o que acontece de fato dentro dele. E, se o Brasil passou por uma oscilação política econômica tão grande, isso acaba sendo sentido por sua reputação internacional.

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

“Em tão pouco tempo, o país iniciou uma trajetória ascendente, na qual assistiu à melhoria de seus indicadores econômicos e sociais, aumentou seu grau de protagonismo na arena mundial e sediou dois eventos esportivos internacionais. E também testemunhou a deterioração desses mesmos indicadores econômicos e sociais, ingressou em uma crise política sem precedentes nas últimas décadas e presenciou pela terceira vez em menos de 30 anos a posse de um vice-presidente no lugar do titular escolhido pelo voto.”

Após um panorama da história recente do país, o trabalho do IC apresenta sua pesquisa mais interessante e original – a respeito do protagonismo internacional do país.

“Assim como na economia e na política, a percepção externa em torno do Brasil também teve seus movimentos mais expressivos – positiva e negativamente – ao longo desses dez anos”, diz,

“Um importante ponto desse período foi o fato de o governo brasileiro ser visto no exterior – especialmente pelos EUA tanto de George W. Bush quanto de Barack Obama – como um contraponto ao bolivarianismo”, diz.

Mais uma vez, avaliação semelhante pode ser lida no livro “Brazil, um país do presente”, em que mostro como a imagem do Brasil conseguia melhorar a partir da comparação com outros países. Isso valia também em relação aos BRIC, já que, mesmo crescendo menos do que os outros, o Brasil era visto como menos corrupto e mais democrático do que a Rússia e a China, e menos pobre do que a Índia.

Segundo o livreto da IC, 2007 é o ano emblemático da alta da imagem do país: Ali, o país ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo e encontrou reservas de petróleo do pré-sal, abrindo caminho para, nos anos seguintes, se tornar “investment grade” e ser escolhido para sediar os Jogos Olímpicos. A crise financeira global, em 2008, impulsionaria ainda mais a imagem do Brasil, que sobreviveu sem grandes abalos enquanto as maiores economias do mundo tremiam. O Brasil “seria visto como um exemplo de resiliência em um momento desafiador”, diz.

A euforia internacional, que cresceu tão rapidamente, também não duraria muito tempo, entretanto. “Assim como se tornou consensual em pouco tempo, essa imagem positiva do Brasil foi rapidamente desconstruída”, diz.

Isso começou em 2013, segundo a IC, com os primeiros indicadores negativos da economia e o início dos protestos contra a política brasileira (incluindo governos locais e o federal).

“É irônico notar que, no momento em que o Brasil exibia um dos pontos altos conquistados na década passada – a realização da Copa do Mundo de Futebol, em junho de 2014 – o país já começava a ser visto com desconfiança lá fora”, diz.

Com as crises do ano seguinte, chegou o ponto a virada da imagem internacional do Brasil, que passou a ser majoritariamente negativa.

Apesar do mau momento atual e das crises, no país e em sua imagem internacional, o trabalho da IC alega que não há motivo para desespero. “O Brasil enfrentou crises muito mais severas em sua história recente, e certamente superará as dificuldades atuais – com o benefício das lições aprendidas nesses últimos dez anos”.

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‘Não chamaria Dilma de corrupta’, diz Temer ao ‘Washington Post’
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Daniel Buarque

'Não chamaria Dilma de corrupta', diz Temer em entrevista ao 'Washington Post'

‘Não chamaria Dilma de corrupta’, diz Temer em entrevista ao ‘Washington Post’

A disputa política em torno da imagem internacional do país em meio ao processo de impeachment continua ganhando espaço na imprensa estrangeira. O jornal norte-americano “The Washington Post” publicou a primeira entrevista do presidente interino, Michel Temer à imprensa internacional.

Na entrevista, Temer alegou ser incapaz de dizer se a presidente afastada, Dilma Rousseff, se envolveu em esquemas de corrupção.

“Ela pode ter cometido erros administrativos, mas não a chamaria de corrupta”, disse.

A entrevista envolveu vários assuntos relacionados às crises no país e à Olimpíada. Temer deu respostas curtas e pouco elaboradas, e defendeu a legalidade do governo interino.

“Fui eleito vice-presidente. Aqui no Brasil, o presidente e o vice são eleitos juntos. Mesmo assim, partidos da oposição estão alegando que houve um golpe e que deveria haver eleições presidenciais. Só existe golpe quando se viola a Constituição, e este não é o caso”, disse.

Tanto o governo interino quanto o afastado têm dado bastante atenção à narrativa internacional acerca do impeachment. Desde a abertura do processo, Dilma, Temer e até o ex-presidente Lula têm dado constantes entrevistas à imprensa internacional. Além disso, Temer instruiu diplomatas brasileiros a combaterem internacionalmente o discurso sobre a ideia de “golpe” no Brasil, o que tem rendido posicionamento frequente de embaixadores na mídia estrangeira.

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EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira
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Daniel Buarque

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest

Estados Unidos, Argentina e Chile estão entre os primeiros governos internacionais a se pronunciar, desde a quarta-feira (11) sobre o a votação do impeachment de Dilma Rousseff. Os três falam na importância das instituições brasileiras em meio ao processo.

Reportagem publicada pela “Folha de S.Paulo” relata que o governo norte-americano se posicionou a respeito da votação do Senado. Segundo o jornal, o governo americano reagiu com cautela ao afastamento iminente da presidente .

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que os EUA confiam nas instituições brasileiras.

“O Brasil tem um sistema de leis, tem uma democracia madura e estabelece um sistema para resolver esses conflitos políticos dentro do país”, disse Earnest ao ser questionado sobre a votação no Senado durante a entrevista diária na Casa Branca.

“O Brasil está sob certo escrutínio e sob certa pressão, e os EUA estarão à disposição para apoiar nosso amigo e parceiro, enquanto ele lida com os desafios significativos que está encarando neste momento”, afirmou.

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

Earnest disse que não iria julgar alegações específicas de um ou outro político brasileiro, mas indicou que os EUA consideram que o processo no Congresso segue as normas.

“Nós obviamente acreditamos que essas instituições democráticas foram estabelecidas por um motivo, e as regras que guiam a democracia devem ser seguidas”, disse. “Nós continuamos confiantes que com essas instituições democráticas o Brasil pode atravessar a confusão que vive hoje”.

Chile e Argentina

Segundo relatos do portal “Opera Mundi“, um a presidente chilena Michelle Bachelet e a ministra de Relações Exteriores da Argentina trataram do afastamento de Dilma.

“O Chile tem seguido com atenção os recentes sucedidos políticos no Brasil, país de histórica relevância econômica, diplomática e cultural para o Chile, incluindo durante o período da administração da amiga presidenta Dilma Rousseff, com a qual temos mantido excelentes relações”, afirma o comunicado de Bachelet.

“A democracia brasileira é sólida e os próprios brasileiros saberão resolver seus desafios internos. Nesse meio tempo, o Chile reafirma seu decidido respaldo ao Estado de Direito, aos processos constitucionais e às instituições democráticas no Brasil e em cada um dos países da América do Sul, elementos indispensáveis para resguardar nossas democracias, fortalecer nossa integração regional e nossa inserção global”, conclui a nota.

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

A ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, publicou no Twitter na manhã desta quinta-feira (12/05) que o governo de Mauricio Macri “respeita o processo institucional” que se desenvolve no Brasil. A mensagem veio depois da decisão do Senado de admitir o processo de impeachment e afastar a presidente Dilma Rousseff do cargo.

“Tendo em conta os acontecimentos registrados no Brasil, o governo argentino manifesta que respeita o processo institucional que se está desenvolvendo. A Argentina continuará dialogando com as autoridades constituídas para seguir avançando com o processo de integração bilateral e regional. Confiamos que o desenlace da situação consolide a solidez da democracia do Brasil”, afirmam as mensagens.

Imprensa

A “Folha” também reúne os primeiros relatos do afastamento da presidente na imprensa internacional.

Minutos após o Senado Federal ter aprovado o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, os principais veículos da imprensa internacional já davam destaque à decisão.

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

“Brasil: Dilma Rousseff afastada do poder”, escreveu o francês “Le Monde”.

“Fim do jogo para Dilma Rousseff. Uma maioria de 55 senadores votou, na quinta (12), pela suspensão do mandato da presidente e, assim, de seu afastamento do poder por até 180 dias. Ela é acusada pelos senadores de ter maquiado contas públicas. A senhora Rousseff será substituída, durante o dia, por seu vice-presidente, Michel Temer, a quem ela acusa de golpe de Estado institucional”, explica o “Le Monde”, um dos primeiros jornais internacionais a tratar do tema nesta quinta-feira (12).

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‘Confusão’ é o tema da cobertura internacional da anulação do impeachment
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Daniel Buarque

'Confusão' é o tema da cobertura internacional da anulação do impeachment

‘Confusão’ é o tema da cobertura internacional da anulação do impeachment

Se, para quem é brasileiro, é difícil entender o que está acontecendo, para quem tenta traduzir a realidade brasileira para o resto do mundo, a confusão é ainda maior.

As notícias sobre a anulação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, e a decisão do presidente do Senado de manter o encaminhamento do processo foram replicadas rapidamente no exterior, mas o tom geral ainda é de que a situação é caótica demais para tomar qualquer coisa como definitiva.

Por mais que os veículos de comunicação brasileiros tenham sido rápidos em publicar listas de repercussão internacional do noticiário desta tarde, a impressão é de que ninguém – nem no Brasil, nem fora – sabe exatamente o que se passa na política brasileira.

A confusão é ainda maior pela velocidade com que as notícias estão se sucedendo. Historicamente, a mídia internacional costuma ser mais lenta e mais analítica ao tratar dos fatos do Brasil na imprensa do resto do mundo. É um tempo que normalmente os correspondentes levam para conseguir apurar, processar os fatos e traduzir os acontecimentos para quem não conhece tão bem a realidade brasileira. Quando o ritmo do noticiário fica acelerado assim, tudo fica mais complicado.

“A política da confusão no Brasil”, diz o título mais recente da revista “The Atlantic”. “Caos no Brasil pela ‘anulação’ do impeachment de Dilma Rousseff”, publicou o jornal britânico “Telegraph”. “Votação do impeachment de Dilma é anulado, e oa legislagura do Brasil é jogada no caos”, diz o “Guardian”, em algumas das primeiras reações no resto do mundo.

A semana começou com os principais jornais internacionais noticiando a votação do impeachment no Senado, marcada para começar na quarta-feira, mas no meio da tarde tudo mudou. Aos poucos, as agências de notícias foram traduzindo as primeiras notícias, e os correspondentes começaram a tentar explicar o que acontece.

Com o tempo, com certeza vão surgir textos e análises mais aprofundados com o olhar estrangeiro. Por enquanto, o domínio é do tom de estranhamento e confusão. O mesmo estranhamentos e a mesma confusão que também toma a maioria dos brasileiras, diga-se.

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‘Piauí’: Governo acompanha cobertura da crise em 91 veículos internacionais
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Daniel Buarque

Deu na 'Piauí': Governo acompanha repercussão da crise em 91 publicações internacionais

Deu na ‘Piauí’: Governo acompanha repercussão da crise em 91 publicações internacionais

Uma reportagem publicada no site da revista “Piauí” diz que o governo brasileiro está atento à intensa cobertura que a imprensa internacional vem fazendo da crise no país. Segundo a revista, “o governo está acompanhando a repercussão dos acontecimentos em mais de 91 publicações internacionais”.

A informação comprova a permanente obsessão dos brasileiros com a imagem internacional do país, e atesta ainda a importância dada pelos políticos envolvidos na atual disputa pelo poder à narrativa que o mundo vai desenvolver sobre o que acontece no Brasil.

A “Piauí” fala em um aumento do interesse da imprensa internacional pelo Brasil (apesar de não apresentar dados que comprovem isso) e traça um pequeno histórico do aumento do número de correspondentes internacionais no país.

“A despeito da atual ebulição do noticiário, não é de hoje que o interesse da imprensa estrangeira pelo Brasil vem aumentando, como atesta o crescimento do número de correspondentes internacionais lotados no país. Até 2007, havia dois clubes de imprensa estrangeira: um no Rio, outro em São Paulo. Agora Brasília já tem o seu. Várias agências de notícias também aportaram, sendo que a Bloomberg lançou até mesmo um serviço em português”, diz.

Segundo a “Piauí”, mesmos as publicações estrangeiras que estavam instaladas no país antes de 2007 reforçaram seus quadros e passaram a contratar profissionais brasileiros para melhor explicar o país a seus leitores.

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TV Brasil debate a imagem do Brasil no exterior e critica mídia nacional
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Daniel Buarque

tvbrasil

TV Brasil debate a imagem internacional do Brasil

O programa “Ver TV”, da TV Brasil, discutiu nesta semana a repercussão internacional sobre crise brasileira.

O debate avaliou a cobertura da imprensa estrangeira e as dificuldades em entender e, ainda maior, em explicar o que acontece para os estrangeiros.

“Nunca vi outro país valorizando tanto o que diz a imprensa estrangeira”, comentou o correspondente do jornal Los Angeles Times, Vincent Bevins. Segundo ele, o Brasil é o único país em que o que se escreve para estrangeiros repercute localmente.

Um dos pontos centrais da análise, entretanto, foi a crítica à imprensa nacional, apontada como conservadora e pouco crítica ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Segundo o integrante do diretório da Telesur Beto Almeida, isso acontece em parte porque a cobertura feita por estrangeiros acaba sendo mais objetiva de que a feita por jornais brasileiros.

“É muito mais real, verdadeira e próxima, a explicação objetiva, a cobertura que a mídia estrangeira tem feito sobre o Brasil do que a mídia brasileira tem feito do próprio país”, disse.

Bevins discordou, e elogiou a qualidade do jornalismo feito no Brasil, por mais que veja um conservadorismo no posicionamento da mídia brasileira.

Para o debate, o apresentador Lalo Leal recebeu o editor-executivo da BBC Brasil em São Paulo, Caio Quero, o integrante do diretório da Telesur Beto Almeida, e o correspondente do jornal Los Angeles Times, Vincent Bevins.

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‘Carta Capital’: Imagem do Brasil na mídia estrangeira, uma velha obsessão
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Daniel Buarque

'Carta Capital': Imagem do Brasil na mídia estrangeira, uma velha obsessão

‘Carta Capital’: Imagem do Brasil na mídia estrangeira, uma velha obsessão

A revista “Carta Capital” publicou em seu site uma longa reportagem sobre a obsessão brasileira pela imagem internacional do país. Em meio a um forte debate sobre a narrativa que vai se desenvolver a respeito do processo de impeachment de Dilma Rousseff, é um tema que tem ganho muito espaço na mídia nacional, e que ganha muita repercussão nas redes sociais.

“Preocupar-se com a imagem do Brasil construída no exterior é uma velha obsessão do brasileiro, da qual a celeuma em torno da profusão de reportagens e editoriais estrangeiros sobre o processo de impeachment de Dilma Rousseff é só mais um capítulo.

Uma breve busca pelo termo “repercute na mídia internacional” no Google mostra a dimensão do interesse. Só na última semana, havia cerca de 23 mil menções em jornais e sites brasileiros sobre o que se diz sobre o Brasil lá fora.

Em meio à polarização, reportagens e artigos de opinião publicados em veículos como The New York Times, The Guardian, El País e Le Monde sobre a crise política atual são utilizados como forma de chancelar as próprias opiniões.

A relevância da estratégia fica clara ao se observar a política. Desde o agravamento da crise, Dilma passou a oferecer com mais frequência sua versão da história à imprensa estrangeira, por meio de entrevistas para os correspondentes internacionais. Como resposta, o vice-presidente Michel Temer deixou as sombras para também conversar com veículos estrangeiros e negar as acusações de conspiração.”

Leia também: A importância da imagem do Brasil que repercute na imprensa internacional

O autor deste blog Brasilianismo foi um dos ouvidos pela reportagem da revista, que falou ainda com Ciro Dias Reis, presidente da agência Imagem Corporativa, que desde 2009 produz um boletim trimestral sobre as impressões colhidas na mídia estrangeira sobre o que se passa em terras tupiniquins.

“É claro que a imprensa internacional tem que ser um pouco mais didática e objetiva”, avalia Dias. “É natural que a abordagem seja menos focada em detalhes e mais na essência do que está acontecendo”, afirma Reis. Para ele, há um “bom grau de realismo” na narrativa descrita por veículos estrangeiros sobre a crise.

Outra entrevistada foi a Doutoranda em Jornalismo na Universidade de Austin, no Texas, Rachel Mourão, que destacou a diferença de cobertura realizada por correspondentes e repórteres trabalhando para veículos nacionais, e Silvio Waisbord, editor-chefe do The Journal of Communication, que disse que a cobertura estrangeira tem sido regular e, de certa forma, imparcial.

Para o diretor da Faculdade de Comunicação da UnB, Fernando Oliveira Paulino, a cobertura do impeachment em veículos estrangeiros pode ser caracterizada, por um lado, pela tentativa permanente de compreender o que está acontecendo no País, “o que não é uma tarefa fácil”.

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