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Arquivo : Brian Winter

Para editor americano, Bolsonaro é herdeiro de tradição autoritária no país
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Daniel Buarque

A ascensão de Jair Bolsonaro e sua liderança nas pesquisas de intenção de voto para presidente não deveriam ser uma surpresa, segundo o editor da revista “Americas Quarterly”, Brian Winter. “Isso já aconteceu muitas vezes antes”, explica, citando o histórico de governos autoritários no país.

Em um artigo publicado no site da revista, Winter explica que o candidato do PSL é herdeiro de uma longa tradição de “soldados no poder” no Brasil, e que a chegada dele à presidência “seria um governo militar em muitos sentidos”.

O texto avalia a história do país e diz que até 1985 os militares detinham ou dividiam o poder no país. “A maioria de nós achou que esses dias haviam terminado com o fim da Guerra Fria”, continua, mas a crise e o medo de um governo de esquerda “levaram muitos no país a gritar por ordem mais uma vez”.

Apesar de muitos criticarem Bolsonaro como uma ameaça de volta ao autoritarismo, a avaliação de Winter indica que o candidato é um sintoma mais amplo dessa forma como o Brasil lida com política, registrando pouco apego à democracia. “Se ele vencer, há sinais de que o que virá será um regime vingativo e cruel”, diz. Mas, “mesmo que Bolsonaro perca, este lado do Brasil que acordou parece ter vindo para ficar”, avalia.

O contexto político e histórico do Brasil e sua tendência pouco democrática têm sido analisados por Winter há vários meses. Em entrevista ao blog Brasilianismo no fim de 2016, ele disse que “os mesmos fatores que criaram o fenômeno Donald Trump estão presentes no Brasil. Exceto que, no Brasil, as coisas estão bem piores”.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, Winter foi correspondente internacional no Brasil, no México e na Argentina por dez anos e escreveu livros como “Why Soccer Matters” (Por que o futebol importa), “The Accidental President of Brazil” (O presidente acidental do Brasil), escrito com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “No Lost Causes” (Sem causas perdidas), com o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e “Long After Midnight” (Muito depois da meia noite).

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Entre ‘Exterminador’ e ‘Feitiço do Tempo’, Lula decidirá 8ª eleição no país
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Daniel Buarque

Dois filmes hollywoodianos servem como referência para entender a força política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vai ter papel decisivo nas eleições presidenciais do Brasil pela oitava vez consecutiva. Segundo Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly”, o lulismo pode ser explicado com ajuda de “O Exterminador do Futuro” e de “Feitiço do Tempo”.

“Como Arnold Schwarzenegger nos filmes do exterminador, Lula continua emergindo intacto dos escombros em chamas –ao menos politicamente”, diz em seu artigo mais recente. E como em “Feitiço do Tempo”, a mesma história parece se repetir a cada ano eleitoral no país, explica.

Winter faz um relato histórico de como Lula teve papel decisivo na escolha presidencial brasileira em todas as eleições desde 1989. Segundo ele, por mais que Lula esteja preso e provavelmente não consiga ser candidato no pleito deste ano, ele ainda vai ter papel decisivo, com força de influenciar muitos eleitores e definir um dos candidatos no segundo turno.

O artigo explica que um dos motivos para isso é que o governo Lula foi um dos melhores períodos para a classe trabalhadora, e que por mais que os brasileiros estejam frustrados com a corrupção, a população não tem muitas esperanças de eleger um líder completamente honesto.

Winter vem escrevendo sobre a crise política e o cenário eleitoral há bastante tempo. Até recentemente, ele indicava que ainda achava possível que as elites brasileiras chegassem a um acordo para permitir até que Lula ainda seja candidato a presidente.

Além de Lula, o editor explica que o sentimento contra a política é a outra força que vai disputar e eleição no país.Segundo ele, o cenário é preocupante, e o Brasil tem fatores muito semelhantes aos que levaram Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.

Segundo Winter, apesar de já estar influenciando a oitava eleição no país, “o lulismo pode estar apenas começando”. A explicação para isso está também na comparação da força do ex-presidente com o filme “Feitiço do Tempo”.

“É um dos padrões mais típicos e duradouros da América Latina. Um líder que representa as massas e se aproveita de bons tempos na economia –seja por ações suas ou não– pode dominar a cena política por décadas”, explica, comparando o caso do Brasil com o da Argentina sob o peronismo.

“Acredite se quiser, pela oitava vez consecutiva, parece que a eleição presidencial do Brasil vai acontecer em torno de um homem: Lula”, diz.

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Ameaça autoritária à democracia brasileira chama atenção no resto do mundo
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Daniel Buarque

A crise política está levando a uma ascensão do populismo e a uma crescente ameaça à democracia brasileira, o que já chama atenção internacionalmente. O crescimento do apoio ao pré-candidato Jair Bolsonaro e as manifestações a favor de uma intervenção militar no país indicam que o Brasil pode estar mergulhando em uma profunda crise democrática.

Uma análise publicada no jornal francês “Le Monde” nesta quarta (6) diz que parte da população do Brasil está tão insatisfeita com a política que se sente atraída pelo autoritarismo de extrema-direita.

Segundo o jornal, a raiva do sistema político no Brasil foi alimentado por escândalos de corrupção e se transformou em ódio visceral. “Enojada por políticos tradicionais, parte do país é agora tentada pelo autoritarismo”, diz.

O assunto também foi analisado pelo professor Yascha Mounk, de Harvard, uma das principais referências no debate atual sobre a crise da democracia no mundo.

Autor do livro “The People vs Democracy”, ele tem discutido de que forma a insatisfação das pessoas com a elite política tem fortalecido líderes populistas em vários países, incluindo Donald Trump nos EUA. Em uma entrevista concedida à Folha, Mounk se mostrou familiarizado com o que acontece no Brasil atualmente e analisou a situação da política brasileira às vésperas de uma eleição presidencial crítica, em que um dos candidatos com maior intenção de voto se enquadra neste perfil.

Para Mounk, Bolsonaro representa “a natureza do populismo”.

“O tipo de político que está destruindo a democracia flerta com líderes autoritários e com momentos de autoritarismo da história. Ele está glorificando a ditadura militar do passado e dizendo que hoje em dia ele é o único que realmente representa o povo, que fala pelos brasileiros comuns. Isso é exatamente a natureza do populismo. Estamos vendo para onde isso leva na Rússia, na Turquia, na Hungria. A deslegitimação de partidos políticos abre espaço para políticos como ele. Isso é muito preocupante.”

Segundo o pesquisador, o que se vê em muitos países, incluindo no Brasil, é um crescente descontentamento com a elite política que existe. É por isso que surgem vozes que falam em intervenção militar e que apoiam candidatos populistas.

“Ainda não estamos em um ponto em que os militares estejam próximos de tomar o poder no Brasil, mas a falta de legitimidade de políticos de esquerda e de direita, e a raiva da população em relação a toda a classe política me deixam muito desconfortável. Isso é motivo para preocupação quanto ao futuro de democracias”, disse.

Segundo o professor, a atual crise do sistema leva justamente a uma situação na qual as pessoas acabam rejeitando o processo político e favorecendo o autoritarismo. Para ele, em uma situação assim, o importante é continuar defendendo as regras da política tradicionais e os direitos individuais.

Além disso, ele defende a educação em história como uma forma de lembrar que o mundo já viveu sob o pesadelo autoritário. “Atualmente ouço jovens alegando que o sistema não funciona, e que talvez seja hora de tentar algo diferente. É uma mentalidade de se perguntar ‘o que temos a perder?’. Para qualquer pessoa que viveu sob ditadura, como no caso do Brasil, ou do fascismo na Europa, ou o comunismo, é bem óbvio o que se tem a perder, e que o autoritarismo deixaria tudo muito pior. A educação histórica é uma parte importante de mudar isso.”

A avaliaçao de Mounk se alinha também a uma análise publicada recentemente na revista “Americas Quarterly”. Segundo o editor-chefe da publicação, Brian Winter, o Brasil pode acabar abraçando uma alternativa autoritária por meio do voto, sem precisar de uma intervenção violenta dos militares.

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‘The Guardian’ diz que Bolsonaro é uma perigosa versão tropical de Trump
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Daniel Buarque

A reportagem do jornal britânico “The Guardian” acompanhou uma visita recente do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro a Roraima. Em um texto que apresenta a candidatura do deputado como uma das principais para as eleições de outubro, o jornal o compara ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de quem diz ser uma perigosa versão tropical.

Segundo o “Guardian”, por muito tempo o discurso “incendiário” de Bolsonaro em defesa da ditadura era ignorado e chamado de irreverente e irrelevante. “Agora, entretanto, as ideias de Bolsonaro assumiram o centro do debate, com ele (…) liderando a disputa para ser o próximo presidente do Brasil após a prisão do seu adversário e principal rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, diz o jornal.

Um símbolo disso, argumenta o texto, foi um encontro recente do pré-candidato com o embaixador britânico no Brasil.

O “Guardian” cita o editor-chefe da revista “Americas Quarterly”, Brian Winter, que tem acompanhado a candidatura do “Trump brasileiro” e a compara com a do original.

“Donald Trump se elegeu dizendo que a criminalidade nas cidades dos EUA estava fora do controle, que a economia estava um desastre e que toda a classe política era corrupta… Todas essas três coisas são inquestionavelmente verdadeiras no Brasil. Então, se Trump conseguiu se eleger, imagine o que é possível em um país como o Brasil agora”, disse Winter.

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Para editor de revista americana, Lula será candidato à Presidência em 2018
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Daniel Buarque

Para editor de revista americana, Lula será candidato à Presidência

Se o Brasil mantiver sua tradição política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguirá ser candidato na eleição presidencial de outubro de 2018. A avaliação é de Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly” e atento analista da política brasileira.

Em um texto publicado no site da revista nesta semana, Winter explica “Por que eu acredito que Lula vai ser um candidato em outubro”.

Winter traça a história de como ele se mudou para o Brasil e começou a estudar a política do país, em 2004. Ele narra suas entrevistas com Fernando Henrique Cardoso (a quem ajudou a escrever uma biografia em inglês), e a descoberta de que a política do país é avessa a grandes confrontos.

“O Brasil havia passado de uma monarquia para uma república, para uma democracia, para uma ditadura e de volta a um governo civil. Mas durante todo o processo nunca houve uma ruptura real. Revoluções foram frequentes, mas normalmente sem derramamento de sangue e com poucas consequências duradouras. O mesmo grupo de pessoas, de maneira geral, continuou controlando o país, muitas vezes passando dinheiro e influência de uma geração para a outra”, diz Winter.

O editor diz que o lema político do Brasil é aceitar concessões por medo de grandes confrontos. “Esta tradição ajudou a nação a evitar episódios traumáticos que dividiram os países vizinhos”, diz.

Esta propensão a evitar confrontos é o que ele acha que vai evitar a condenação imediata de Lula e a proibição da sua candidatura à Presidência. “Brasília continua sendo um lugar em que juízes regularmente socializam com senadores e às vezes com o presidente, e muitas pessoas poderosas falam de forma privada em estabilidade e reconciliação.”

Segundo Winter, é possível que a questão não seja resolvida em definitivo na próxima semana, e que a disputa legal continue até a eleição, permitindo a candidatura.

“Para mim, tudo indica que Lula de alguma forma vai poder concorrer em outubro”, diz.

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‘The Economist’ diz que jovens podem ajudar a salvar democracia do Brasil
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Daniel Buarque

‘Economist’ diz que jovens podem ajudar a salvar democracia do Brasil

A menos de um ano do que a revista chama de “eleição mais importante para a democracia brasileira”, a “The Economist” diz que jovens ativistas que tentam entrar na política podem ser uma esperança para o futuro do Brasil.

“Como jovens brasileiros esperam limpar a política”, diz o título de uma reportagem publicada em sua edição mais recente.

A revista deixou um pouco de lado o pessmismo de analistas que apontam para o risco do populismo de novos candidatos na política brasileira, e mostrou que há novos atores ingressando com novas propostas na disputa pelo poder.

O contexto é o mesmo que gera preocupação: Um Congresso tomado por velhos grupos que dominam a política brasileira há décadas e que não tem mais nenhuma confiança da sociedade. Mas a resposta ao problema do discrédito da velha guarda pode vir de uma nova geração, diz.

“Jovens brasileiros estão fartos. (…) Mas renovar o Congresso brasileiro não vai ser fácil. Candidatos independentes são proibidos e partidos são fechados a novatos. Em alguns estados, os assentos estão nas mãos de famílias conhecidas”, explica.

Ainda assim, diz, diferentes grupos, com diferentes ideologias, estão buscando a cura para o problema. “A renovação política pode não acontecer da noite para o dia”, diz.

A “Economist” é uma das publicações internacionais mais atentas ao que acontece no Brasil. Sua abordagem busca sempre um alinhamento do país a uma política econômica de viés liberal, segundo uma pesquisa acadêmica sobre a cobertura que a publicação faz sobre o Brasil.

A análise da “Economist” ecoa a avaliação do editor chefe da revista “Americas Quarterly”, um dos mais ativos analistas estrangeiros da situação do Brasil. Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo há quase um ano, Brian Winter se dizia preocupado com a crise política no país, alegava ver riscos de o Brasil seguir o rumo dos EUA sob Trump e apontava a falta de jovens políticos como um dos maiores problemas do país.

“Quando viajo pela América Latina, vejo políticos jovens, com 30 ou 40 anos de idade, atuando de forma intensa na política local. No brasil não há ninguém assim. No Brasil não há lideranças jovens.É difícil até achar algum político ativo abaixo dos 50 anos. O governo atual é dominado por pessoas na casa do 70 anos, e isso é incrível. A forma como as eleições acontecem no Brasil dá muito poder aos partidos, e isso impede a emergência de novos partidos e novos nomes no país. São barreiras institucionais que impedem essa mudança geracional”, dizia.

Segundo a “Economist”, talvez isso tenha começado a mudar.

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Analistas veem Brasil e América Latina sob crescente ameaça populista
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Daniel Buarque

Analistas veem Brasil e América Latina sob crescentes ameaças populistas

A situação política da América Latina deveria fazer o mundo ficar alarmado, diz um artigo publicado pela revista de política internacional “Foreign Policy”. Às vésperas de um ano de grandes decisões políticas na região, é cada vez maior a chance de um retorno de políticas populistas aos países do continente.

“Existe um risco real de guinadas populistas radicais à direita e à esquerda que podem mudar radicalmente as políticas de segurança, comércio, economia e a relação da América Latina com o resto do mundo”, diz a análise escrita por Robert Muggah, do Instituto Igarapé, e Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly”.

Winter vem falando do risco populista em relação ao Brasil há mais de um ano, quando deu entrevista ao blog Brasilianismo alegando que o país tem os mesmo fatores que levaram Trump à Presidência dos EUA.

O caso brasileiro, naturalmente, é um dos focos do artigo na “Foreign Policy”.

“Uma maioria dos cidadãos brasileiros quer uma mudança na política tradicional, e desconfiam das instituições políticas existentes”, diz. “O terreno está fértil para populistas e reacionários de esquerda e de direita.”

O nome citado pelos analistas estrangeiros como maior risco populista no Brasil, entretanto, é de direita. “O aumento da criminalidade e da corrupção no Brasil alimentaram a popularidade do candidato presidencial Jair Bolsonaro”, diz.

“A grande questão para a América Latina em 2018 é saber se os eleitores vão ter uma visão mais construtiva de longo prazo, ou se vão abraçar a raiva populista e o orgulho nacionalista que parece estar varrendo parte de todo o mundo.”

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Cansados da violência, brasileiros põem segurança como prioridade para 2018
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Daniel Buarque

Cansados da violência, brasileiros põem segurança como prioridade para 2018

“A violência no Brasil está fora de controle”, e “os brasileiros parecem tolerar cada vez menos o que está acontecendo”, diz Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly” em um artigo publicado nesta semana.

Em um cenário assim, ele avalia, questões de segurança vão ter tanta importância quanto a economia nas eleições de 2018, e podem definir o próximo presidente do país.

Este cenário, explica o artigo, ajuda a explicar a ascensão de Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto. Por mais que as políticas defendidas pelo deputado sejam criticadas por especialistas, ele é o “único candidato falando abertamente sobre violência”, diz.

“Parece óbvio: Alguém mais no campo dos candidatos a presidente precisa oferecer uma alternativa sã, democrática e com credibilidade –uma estratégia de segurança que respeite os direitos humanos, mas que seja também ambiciosa e ampla o suficiente para reduzir dramaticamente a violência nacionalmente”, defende.

Apesar de parecer evidente, Winter diz que os políticos tradicionais fogem deste debate. Por negação, convenção política e elitismo, os candidatos a presidente preferem evitar tratar da questão da violência como fundamental, o que gera ainda mais frustração entre os eleitores.

“É imoral e em último caso suicida para a classe política continuar a tratar a violência como um problema de outros grupos, ou um tipo de tabu. A crise é severa demais e todas as soluções têm que ser avaliadas, desde que sejam democráticas e respeitem a vida humana”, complementa.

Winter vem se mostrando preocupado com a escalada autoritária do Brasil há bastante tempo. Em uma entrevista ao blog Brasilianismo, ele disse que o país já tem todos os mesmos fatores que levaram à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Além disso, ele também vem avaliando questões ligadas a violência no país. “O Brasil é um país muito violento, e tem coisas que parecem normais aqui que não são normais, como carros blindados, muros de 3 metros de altura com cerca eletrificada, a facilidade com que as pessoas são mortas e a falta de julgamento. Sucessivos governos desde o fim da ditadura fracassaram na tentativa em nível federal de controlar a violência. Isso acaba tendo reflexos políticos, pois a insatisfação das pessoas é com a situação de insegurança generalizada em que elas vivem. Não é uma questão fácil de lidar, mas é parte da identidade do que significa ser brasileiro e do que se pensa sobre o país no mundo”, disse então.

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Desânimo político no Brasil favorece Bolsonaro, diz analista americano
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Daniel Buarque

Fatiga com escândalos políticos beneficia Bolsonaro, diz analista americano

A apatia da população brasileira, mergulhada em um aparente ciclo interminável de escândalos políticos, tem chamado muito a atenção de observadores estrangeiros.

A mídia internacional tem tratado com surpresa da falta de protestos contra o governo de Michel Temer. E analistas já responsabilizaram a perplexidade e o desgosto dos brasileiros em relação à classe política, bem como a exaustão do povo que vê uma longa sequência de problemas no país.

“A raiva se foi. Agora, os brasileiros estão apenas cansados. Da recessão que não acaba, dos escândalos de corrupção que também não, dos políticos que não oferecem uma visão ou esperança de qualquer coisa diferente”, avalia Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly”, que publicou seu texto sobre o desânimo nacional.

Ex-correspondente no país, vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas e autor de quatro livros sobre a América do Sul, Winter compara o clima de protestos em escândalos anteriores com o que se vê atualmente no Brasil, e indica o crescimento da apatia da população.

O problema disso, avalia, é que quem está conseguindo se fortalecer em um cenário de descrédito dos políticos é o deputado Jair Bolsonaro, mesmo que “muitos insistam que sua visão é extrema demais para o país”.

Segundo ele, o país pode enfrentar um cenário parecido com o dos EUA com a vitória de Donald Trump.

“Neste inverno brasileiro de descontentes, há um único político que é aplaudido em aeroportos, cujos apoiadores falam com convicção e fervor quase religiosos”, diz, sobre Bolsonaro.

Em uma entrevista ao blog Brasilianismo, no ano passado, Winter já falava desse contexto favorável à ascensão de líderes populistas no país, e questionava a ausência de novos nomes na política brasileira. segundo ele, era crescente o risco de o Brasil ceder ao autoritarismo.

“Os mesmos fatores que criaram o fenômeno Donald Trump estão presentes no Brasil. Exceto que, no Brasil, as coisas estão bem piores. É fácil ver este processo que vemos agora, de guerra de poderes, levar ao aparecimento de um líder autoritário em 2018”, disse.

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Mesmo condenado, Lula não está acabado, diz analista político americano
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Daniel Buarque

A decisão de não pedir a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após sua condenação por corrupção é um dos pontos mais importantes do processo contra o líder petista. Segundo o analista político americano Brian Winter, isso indica que nem tudo está perdido para Lula, e ele ainda tem chances de se tornar presidente do país.

A condenação veio com uma ponta de esperança para os que defendem Lula, diz Winter em um texto publicado na revista “Americas Quarterly”.

“O aspecto mais marcante da decisão contra Lula foi a admissão do juiz de que ele tem direito a tratamento especial. Isso, mais do que qualquer outro detalhe, sugere que o homem que dominou a política brasileira nos últimos 30 anos ainda pode escapar da cadeira –e talvez até retornar como presidente em 2018”, avalia Winter, que é ex-correspondente no país, vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas e autor de quatro livros sobre a América do Sul.

Segundo Winter, ao não pedir a prisão de Lula, “Moro piscou”, diz, indicando que a Justiça vê o ex-presidente como um caso especial a ser avaliado, que pode ser interpretado como um reconhecimento do poder que Lula ainda tem.

“Se houve uma era em que Lula podia ser retratado como um vilão sem ambiquidade em uma batalha do bem contra o mal, ela acabou em meados de 2016, quando a maior parte dos poderosos brasileiros apoiaram Michel Temer”, diz.

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