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Arquivo : Brian Winter

Ameaça autoritária à democracia brasileira chama atenção no resto do mundo
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Daniel Buarque

A crise política está levando a uma ascensão do populismo e a uma crescente ameaça à democracia brasileira, o que já chama atenção internacionalmente. O crescimento do apoio ao pré-candidato Jair Bolsonaro e as manifestações a favor de uma intervenção militar no país indicam que o Brasil pode estar mergulhando em uma profunda crise democrática.

Uma análise publicada no jornal francês “Le Monde” nesta quarta (6) diz que parte da população do Brasil está tão insatisfeita com a política que se sente atraída pelo autoritarismo de extrema-direita.

Segundo o jornal, a raiva do sistema político no Brasil foi alimentado por escândalos de corrupção e se transformou em ódio visceral. “Enojada por políticos tradicionais, parte do país é agora tentada pelo autoritarismo”, diz.

O assunto também foi analisado pelo professor Yascha Mounk, de Harvard, uma das principais referências no debate atual sobre a crise da democracia no mundo.

Autor do livro “The People vs Democracy”, ele tem discutido de que forma a insatisfação das pessoas com a elite política tem fortalecido líderes populistas em vários países, incluindo Donald Trump nos EUA. Em uma entrevista concedida à Folha, Mounk se mostrou familiarizado com o que acontece no Brasil atualmente e analisou a situação da política brasileira às vésperas de uma eleição presidencial crítica, em que um dos candidatos com maior intenção de voto se enquadra neste perfil.

Para Mounk, Bolsonaro representa “a natureza do populismo”.

“O tipo de político que está destruindo a democracia flerta com líderes autoritários e com momentos de autoritarismo da história. Ele está glorificando a ditadura militar do passado e dizendo que hoje em dia ele é o único que realmente representa o povo, que fala pelos brasileiros comuns. Isso é exatamente a natureza do populismo. Estamos vendo para onde isso leva na Rússia, na Turquia, na Hungria. A deslegitimação de partidos políticos abre espaço para políticos como ele. Isso é muito preocupante.”

Segundo o pesquisador, o que se vê em muitos países, incluindo no Brasil, é um crescente descontentamento com a elite política que existe. É por isso que surgem vozes que falam em intervenção militar e que apoiam candidatos populistas.

“Ainda não estamos em um ponto em que os militares estejam próximos de tomar o poder no Brasil, mas a falta de legitimidade de políticos de esquerda e de direita, e a raiva da população em relação a toda a classe política me deixam muito desconfortável. Isso é motivo para preocupação quanto ao futuro de democracias”, disse.

Segundo o professor, a atual crise do sistema leva justamente a uma situação na qual as pessoas acabam rejeitando o processo político e favorecendo o autoritarismo. Para ele, em uma situação assim, o importante é continuar defendendo as regras da política tradicionais e os direitos individuais.

Além disso, ele defende a educação em história como uma forma de lembrar que o mundo já viveu sob o pesadelo autoritário. “Atualmente ouço jovens alegando que o sistema não funciona, e que talvez seja hora de tentar algo diferente. É uma mentalidade de se perguntar ‘o que temos a perder?’. Para qualquer pessoa que viveu sob ditadura, como no caso do Brasil, ou do fascismo na Europa, ou o comunismo, é bem óbvio o que se tem a perder, e que o autoritarismo deixaria tudo muito pior. A educação histórica é uma parte importante de mudar isso.”

A avaliaçao de Mounk se alinha também a uma análise publicada recentemente na revista “Americas Quarterly”. Segundo o editor-chefe da publicação, Brian Winter, o Brasil pode acabar abraçando uma alternativa autoritária por meio do voto, sem precisar de uma intervenção violenta dos militares.

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‘The Guardian’ diz que Bolsonaro é uma perigosa versão tropical de Trump
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Daniel Buarque

A reportagem do jornal britânico “The Guardian” acompanhou uma visita recente do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro a Roraima. Em um texto que apresenta a candidatura do deputado como uma das principais para as eleições de outubro, o jornal o compara ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de quem diz ser uma perigosa versão tropical.

Segundo o “Guardian”, por muito tempo o discurso “incendiário” de Bolsonaro em defesa da ditadura era ignorado e chamado de irreverente e irrelevante. “Agora, entretanto, as ideias de Bolsonaro assumiram o centro do debate, com ele (…) liderando a disputa para ser o próximo presidente do Brasil após a prisão do seu adversário e principal rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, diz o jornal.

Um símbolo disso, argumenta o texto, foi um encontro recente do pré-candidato com o embaixador britânico no Brasil.

O “Guardian” cita o editor-chefe da revista “Americas Quarterly”, Brian Winter, que tem acompanhado a candidatura do “Trump brasileiro” e a compara com a do original.

“Donald Trump se elegeu dizendo que a criminalidade nas cidades dos EUA estava fora do controle, que a economia estava um desastre e que toda a classe política era corrupta… Todas essas três coisas são inquestionavelmente verdadeiras no Brasil. Então, se Trump conseguiu se eleger, imagine o que é possível em um país como o Brasil agora”, disse Winter.

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Para editor de revista americana, Lula será candidato à Presidência em 2018
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Daniel Buarque

Para editor de revista americana, Lula será candidato à Presidência

Se o Brasil mantiver sua tradição política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguirá ser candidato na eleição presidencial de outubro de 2018. A avaliação é de Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly” e atento analista da política brasileira.

Em um texto publicado no site da revista nesta semana, Winter explica “Por que eu acredito que Lula vai ser um candidato em outubro”.

Winter traça a história de como ele se mudou para o Brasil e começou a estudar a política do país, em 2004. Ele narra suas entrevistas com Fernando Henrique Cardoso (a quem ajudou a escrever uma biografia em inglês), e a descoberta de que a política do país é avessa a grandes confrontos.

“O Brasil havia passado de uma monarquia para uma república, para uma democracia, para uma ditadura e de volta a um governo civil. Mas durante todo o processo nunca houve uma ruptura real. Revoluções foram frequentes, mas normalmente sem derramamento de sangue e com poucas consequências duradouras. O mesmo grupo de pessoas, de maneira geral, continuou controlando o país, muitas vezes passando dinheiro e influência de uma geração para a outra”, diz Winter.

O editor diz que o lema político do Brasil é aceitar concessões por medo de grandes confrontos. “Esta tradição ajudou a nação a evitar episódios traumáticos que dividiram os países vizinhos”, diz.

Esta propensão a evitar confrontos é o que ele acha que vai evitar a condenação imediata de Lula e a proibição da sua candidatura à Presidência. “Brasília continua sendo um lugar em que juízes regularmente socializam com senadores e às vezes com o presidente, e muitas pessoas poderosas falam de forma privada em estabilidade e reconciliação.”

Segundo Winter, é possível que a questão não seja resolvida em definitivo na próxima semana, e que a disputa legal continue até a eleição, permitindo a candidatura.

“Para mim, tudo indica que Lula de alguma forma vai poder concorrer em outubro”, diz.

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‘The Economist’ diz que jovens podem ajudar a salvar democracia do Brasil
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Daniel Buarque

‘Economist’ diz que jovens podem ajudar a salvar democracia do Brasil

A menos de um ano do que a revista chama de “eleição mais importante para a democracia brasileira”, a “The Economist” diz que jovens ativistas que tentam entrar na política podem ser uma esperança para o futuro do Brasil.

“Como jovens brasileiros esperam limpar a política”, diz o título de uma reportagem publicada em sua edição mais recente.

A revista deixou um pouco de lado o pessmismo de analistas que apontam para o risco do populismo de novos candidatos na política brasileira, e mostrou que há novos atores ingressando com novas propostas na disputa pelo poder.

O contexto é o mesmo que gera preocupação: Um Congresso tomado por velhos grupos que dominam a política brasileira há décadas e que não tem mais nenhuma confiança da sociedade. Mas a resposta ao problema do discrédito da velha guarda pode vir de uma nova geração, diz.

“Jovens brasileiros estão fartos. (…) Mas renovar o Congresso brasileiro não vai ser fácil. Candidatos independentes são proibidos e partidos são fechados a novatos. Em alguns estados, os assentos estão nas mãos de famílias conhecidas”, explica.

Ainda assim, diz, diferentes grupos, com diferentes ideologias, estão buscando a cura para o problema. “A renovação política pode não acontecer da noite para o dia”, diz.

A “Economist” é uma das publicações internacionais mais atentas ao que acontece no Brasil. Sua abordagem busca sempre um alinhamento do país a uma política econômica de viés liberal, segundo uma pesquisa acadêmica sobre a cobertura que a publicação faz sobre o Brasil.

A análise da “Economist” ecoa a avaliação do editor chefe da revista “Americas Quarterly”, um dos mais ativos analistas estrangeiros da situação do Brasil. Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo há quase um ano, Brian Winter se dizia preocupado com a crise política no país, alegava ver riscos de o Brasil seguir o rumo dos EUA sob Trump e apontava a falta de jovens políticos como um dos maiores problemas do país.

“Quando viajo pela América Latina, vejo políticos jovens, com 30 ou 40 anos de idade, atuando de forma intensa na política local. No brasil não há ninguém assim. No Brasil não há lideranças jovens.É difícil até achar algum político ativo abaixo dos 50 anos. O governo atual é dominado por pessoas na casa do 70 anos, e isso é incrível. A forma como as eleições acontecem no Brasil dá muito poder aos partidos, e isso impede a emergência de novos partidos e novos nomes no país. São barreiras institucionais que impedem essa mudança geracional”, dizia.

Segundo a “Economist”, talvez isso tenha começado a mudar.

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Analistas veem Brasil e América Latina sob crescente ameaça populista
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Daniel Buarque

Analistas veem Brasil e América Latina sob crescentes ameaças populistas

A situação política da América Latina deveria fazer o mundo ficar alarmado, diz um artigo publicado pela revista de política internacional “Foreign Policy”. Às vésperas de um ano de grandes decisões políticas na região, é cada vez maior a chance de um retorno de políticas populistas aos países do continente.

“Existe um risco real de guinadas populistas radicais à direita e à esquerda que podem mudar radicalmente as políticas de segurança, comércio, economia e a relação da América Latina com o resto do mundo”, diz a análise escrita por Robert Muggah, do Instituto Igarapé, e Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly”.

Winter vem falando do risco populista em relação ao Brasil há mais de um ano, quando deu entrevista ao blog Brasilianismo alegando que o país tem os mesmo fatores que levaram Trump à Presidência dos EUA.

O caso brasileiro, naturalmente, é um dos focos do artigo na “Foreign Policy”.

“Uma maioria dos cidadãos brasileiros quer uma mudança na política tradicional, e desconfiam das instituições políticas existentes”, diz. “O terreno está fértil para populistas e reacionários de esquerda e de direita.”

O nome citado pelos analistas estrangeiros como maior risco populista no Brasil, entretanto, é de direita. “O aumento da criminalidade e da corrupção no Brasil alimentaram a popularidade do candidato presidencial Jair Bolsonaro”, diz.

“A grande questão para a América Latina em 2018 é saber se os eleitores vão ter uma visão mais construtiva de longo prazo, ou se vão abraçar a raiva populista e o orgulho nacionalista que parece estar varrendo parte de todo o mundo.”

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Cansados da violência, brasileiros põem segurança como prioridade para 2018
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Daniel Buarque

Cansados da violência, brasileiros põem segurança como prioridade para 2018

“A violência no Brasil está fora de controle”, e “os brasileiros parecem tolerar cada vez menos o que está acontecendo”, diz Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly” em um artigo publicado nesta semana.

Em um cenário assim, ele avalia, questões de segurança vão ter tanta importância quanto a economia nas eleições de 2018, e podem definir o próximo presidente do país.

Este cenário, explica o artigo, ajuda a explicar a ascensão de Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto. Por mais que as políticas defendidas pelo deputado sejam criticadas por especialistas, ele é o “único candidato falando abertamente sobre violência”, diz.

“Parece óbvio: Alguém mais no campo dos candidatos a presidente precisa oferecer uma alternativa sã, democrática e com credibilidade –uma estratégia de segurança que respeite os direitos humanos, mas que seja também ambiciosa e ampla o suficiente para reduzir dramaticamente a violência nacionalmente”, defende.

Apesar de parecer evidente, Winter diz que os políticos tradicionais fogem deste debate. Por negação, convenção política e elitismo, os candidatos a presidente preferem evitar tratar da questão da violência como fundamental, o que gera ainda mais frustração entre os eleitores.

“É imoral e em último caso suicida para a classe política continuar a tratar a violência como um problema de outros grupos, ou um tipo de tabu. A crise é severa demais e todas as soluções têm que ser avaliadas, desde que sejam democráticas e respeitem a vida humana”, complementa.

Winter vem se mostrando preocupado com a escalada autoritária do Brasil há bastante tempo. Em uma entrevista ao blog Brasilianismo, ele disse que o país já tem todos os mesmos fatores que levaram à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Além disso, ele também vem avaliando questões ligadas a violência no país. “O Brasil é um país muito violento, e tem coisas que parecem normais aqui que não são normais, como carros blindados, muros de 3 metros de altura com cerca eletrificada, a facilidade com que as pessoas são mortas e a falta de julgamento. Sucessivos governos desde o fim da ditadura fracassaram na tentativa em nível federal de controlar a violência. Isso acaba tendo reflexos políticos, pois a insatisfação das pessoas é com a situação de insegurança generalizada em que elas vivem. Não é uma questão fácil de lidar, mas é parte da identidade do que significa ser brasileiro e do que se pensa sobre o país no mundo”, disse então.

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Desânimo político no Brasil favorece Bolsonaro, diz analista americano
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Daniel Buarque

Fatiga com escândalos políticos beneficia Bolsonaro, diz analista americano

A apatia da população brasileira, mergulhada em um aparente ciclo interminável de escândalos políticos, tem chamado muito a atenção de observadores estrangeiros.

A mídia internacional tem tratado com surpresa da falta de protestos contra o governo de Michel Temer. E analistas já responsabilizaram a perplexidade e o desgosto dos brasileiros em relação à classe política, bem como a exaustão do povo que vê uma longa sequência de problemas no país.

“A raiva se foi. Agora, os brasileiros estão apenas cansados. Da recessão que não acaba, dos escândalos de corrupção que também não, dos políticos que não oferecem uma visão ou esperança de qualquer coisa diferente”, avalia Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly”, que publicou seu texto sobre o desânimo nacional.

Ex-correspondente no país, vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas e autor de quatro livros sobre a América do Sul, Winter compara o clima de protestos em escândalos anteriores com o que se vê atualmente no Brasil, e indica o crescimento da apatia da população.

O problema disso, avalia, é que quem está conseguindo se fortalecer em um cenário de descrédito dos políticos é o deputado Jair Bolsonaro, mesmo que “muitos insistam que sua visão é extrema demais para o país”.

Segundo ele, o país pode enfrentar um cenário parecido com o dos EUA com a vitória de Donald Trump.

“Neste inverno brasileiro de descontentes, há um único político que é aplaudido em aeroportos, cujos apoiadores falam com convicção e fervor quase religiosos”, diz, sobre Bolsonaro.

Em uma entrevista ao blog Brasilianismo, no ano passado, Winter já falava desse contexto favorável à ascensão de líderes populistas no país, e questionava a ausência de novos nomes na política brasileira. segundo ele, era crescente o risco de o Brasil ceder ao autoritarismo.

“Os mesmos fatores que criaram o fenômeno Donald Trump estão presentes no Brasil. Exceto que, no Brasil, as coisas estão bem piores. É fácil ver este processo que vemos agora, de guerra de poderes, levar ao aparecimento de um líder autoritário em 2018”, disse.

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Mesmo condenado, Lula não está acabado, diz analista político americano
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Daniel Buarque

A decisão de não pedir a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após sua condenação por corrupção é um dos pontos mais importantes do processo contra o líder petista. Segundo o analista político americano Brian Winter, isso indica que nem tudo está perdido para Lula, e ele ainda tem chances de se tornar presidente do país.

A condenação veio com uma ponta de esperança para os que defendem Lula, diz Winter em um texto publicado na revista “Americas Quarterly”.

“O aspecto mais marcante da decisão contra Lula foi a admissão do juiz de que ele tem direito a tratamento especial. Isso, mais do que qualquer outro detalhe, sugere que o homem que dominou a política brasileira nos últimos 30 anos ainda pode escapar da cadeira –e talvez até retornar como presidente em 2018”, avalia Winter, que é ex-correspondente no país, vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas e autor de quatro livros sobre a América do Sul.

Segundo Winter, ao não pedir a prisão de Lula, “Moro piscou”, diz, indicando que a Justiça vê o ex-presidente como um caso especial a ser avaliado, que pode ser interpretado como um reconhecimento do poder que Lula ainda tem.

“Se houve uma era em que Lula podia ser retratado como um vilão sem ambiquidade em uma batalha do bem contra o mal, ela acabou em meados de 2016, quando a maior parte dos poderosos brasileiros apoiaram Michel Temer”, diz.

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Para analistas estrangeiros, Brasil se tornou o país da corrupção sem fim
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Daniel Buarque

Para analistas estrangeiros, Brasil se tornou o país da corrupção sem fim

As mais recentes revelações sobre a corrupção na Odebrecht e a lista de Fachin geraram no resto do mundo a impressão de que o Brasil se consolidou de vez como o país da corrupção sem fim. O caráter interminável dos escândalos que se sucedem na política brasileira foi destacado por vários analistas nas avaliações publicadas na mídia do resto do mundo nos últimos dias.

A expressão “interminável” apareceu no título de um artigo do pesquisador Brian Winter na prestigiosa revista de diplomacia “Foreign Affairs”, por exemplo. Segundo Winter, o país está mergulhado em um “mar de lama” de forma rotineira desde os anos 1950, quando Vargas se suicidou.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, e editor-chefe da revista “Americas Quarterly”, Winter foi correspondente internacional no Brasil, no México e na Argentina por dez anos e escreveu vários livros sobre a região. Ao avaliar a questão da corrupção do Brasil, ele cita problemas registrados nos anos 1960, escândalos durante o governo militar, as revelações que derrubaram Collor nos anos 1990 e vários outros casos até a queda de Dilma Rousseff, no ano passado, e as denúncias mais recentes na Lava Jato.

“Com a irritação pública em alta e a economia ainda estagnada, a democracia brasileira está em seu ponto mais vulnerável desde a volta dos governos civis três décadas atrás, e corre o risco de cair em uma disfunção de longo prazo ou no ‘autoritarismo suave’ que atualmente varre o mundo”, diz Winter.

Esta preocupação estava presente em avaliação da política brasileira no fim do ano passado. Em entrevista a este blog Brasilianismo, Winter disse que a atual crise criava um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Donald Trump nos EUA.

Apesar de a corrupção ser um problema global, e de ele não acreditar que seja um problema maior no Brasil, Winter explica que o país é recordista em fracassos de governos por conta de escândalos de corrupção. Ainda assim, “nas últimas décadas, a corrupção sistêmica do Brasil se tornou mais insustentável”, diz.

A única forma de conter a crise e reverter esta situação, segundo ele, é a transparência total do setor público. “Apenas se renunciarem a seus privilégios especiais e se comprometerem com uma reforma real, os políticos brasileiros serão capazes de reconquistar a confiança da população”, diz.

A interpretação dá continuidade à leitura sobre o caráter “disfuncional” da política brasileira, na avaliação de estrangeiros. Esta incapacidade de funcionar se tornou um dos símbolos do país para analistas do resto do mundo desde o processo de impeachment de Dilma, indicando que o problema não está necessariamente ligado a um partido ou político, mas a todo o sistema que rege o país.

Apesar de Winter fazer a análise internacional mais completa sobre este cenário atual da política brasileira, ele não é o único ao ver o escândalo como parte de uma tendência sem fim de corrupção. A expressão “interminável”, usada para se referir à corrupção brasileira deu título também a uma reportagem do jornal de economia “The Wall Street Journal”.

Um vídeo publicado pela página hispânica da rede alemão Deutsche Welle tem um tom parecido e compara o país a “um pântano de corrupção”.

Pablo Kummetz, economista da DW, diz que “o sistema político brasileiro está corrompido até a medula”. Segundo ele, o lado positivo é que o atual escândalo poe dar fim à conivência entre as empreiteiras e o Estado.

Para a rede canadense CBC, apesar de não ser uma novidade tão grande em meio às dezenas de denúncias recentes, o escândalo da última semana pode ser interpretado como uma ameaça à estabilidade política do país. “O presente e a esperança futura da política brasileira foram manchados”, diz.

Já a rede árabe Al Jazeera, em seu site em inglês, destacou as possíveis ramificações regionais do escândalo, indicando que a Lava Jato está criando preocupação em toda a América Latina. “A investigação chacoalhou o establishment político da região”, diz.

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Carne Fraca expôs ao mundo a corrupção sistêmica do país, dizem analistas
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Daniel Buarque

O escândalo revelado pela operação Carne Fraca, envolvendo frigoríficos brasileiros, se consolida como uma exposição internacional de o quanto a corrupção se tornou sistêmica, generalizada em todos os setores do país, que perdeu ainda mais credibilidade. A avaliação é defendida em artigos publicados por analistas estrangeiros na mídia internacional, e indica que isso afeta a reputação do Brasil no mundo e pode dificultar a recuperação econômica do país.

Em texto de opinião publicado na revista “Americas Quarterly”, Brian Winter, editor-chefe da publicação e autor de quatro livros sobre a América do Sul, indica que a Carne Fraca é mais um indício da falta de credibilidade do governo de Michel Temer e, por consequência, do país.

“Pouca gente confia, e menos ainda gosta, deste governo”, diz. Segundo ele, essa falta de confiança é alimentada pelo discurso do presidente, que diz não buscar popularidade. Isso gera dificuldade em aprovar uma série de reformas que podem até ser importantes para o país, mas que podem ser impedidas pelo clima de desconfiança generalizada.

Segundo ele, o governo Temer assumiu em circunstâncias problemáticas e está cercado de escândalos de corrupção desde então, o que torna difícil acreditar na aprovação da “reforma econômica mais ambiciosa dos últimos 20 anos”.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, Winter foi correspondente internacional no Brasil e desponta atualmente como uma das principais vozes nos Estados Unidos a analisar e comentar o que acontece no Brasil e na América Latina. Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo em dezembro, ele disse estar preocupado com a crise política no Brasil, pois vê na atual crise um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Trump nos EUA.

Na ocasião, ele também falou ainda sobre corrupção no país:”Não acho que os brasileiros sejam naturalmente mais corruptos do que alemães ou americanos, mas que as instituições que lidam com isso ainda não foram totalmente estabelecidas aqui, como foram em outros países. Espero que isso seja que esteja acontecendo agora”, disse.

No artigo mais recente, Winter cita a visita de um enviado da União Europeia para avaliar os frigoríficos brasileiros após a Carne Fraca. Em entrevista, ele alegou que o problema encontrado ali não era exceção, e aparece também em outros setores.

“O escândalo da carne é um exemplo perfeito do que pode dar errado quando as pessoas não confiam no governo”, explica.

Carne Fraca expôs ao mundo a corrupção sistêmica do país, dizem analistas

Uma tese semelhante é defendida pelo pesquisador James M. Roberts em um artigo publicado no site americano Daily Signal. Segundo ele, os escândalos da Lava Jato e da Carne Fraca mostram que a corrupção permeia todo o Brasil.

“A notícia triste para os brasileiros é que esses escândalos de corrupção poderiam ter sido antecipados, e talvez até evitados”, diz.

Roberts é ligado à Heritage Foundation, think tank conservador americano que é apontado como um dos centros formadores de políticas defendidas pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump. O site Daily Signal também é ligado ao instituto, e tem ganhado maior força na mídia do país desde a posse de Trump.

Segundo o artigo, a avaliação do Brasil no Índice de Liberdade Econômica, produzidor pela Heritage, tem se deteriorado nas últimas décadas, em parte por causa da atuação dos governos de Lula e Dilma nesta área.

“Enquanto o Brasil tenta sair do pântano da corrupção, vamos torcer para que uma nova geração de lideranças políticas possa surgir com determinação para melhorar o cumprimento das leis e colocar o Brasil de volta no caminho da liberdade econômica”, diz.

O argumento usado nessas análises generaliza problemas do país e indica que casos de corrupção e de instabilidade não são isolados, mas estão relacionados a uma questão nacional mais ampla. É uma observação semelhante à que observadores externos faziam durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, quando indicavam que, mais do que uma falha na democracia, a derrubada do governo era um símbolo da disfuncionalidade da política nacional.

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