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Arquivo : ‘Americas Quarterly’

Cansados da violência, brasileiros põem segurança como prioridade para 2018
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Daniel Buarque

Cansados da violência, brasileiros põem segurança como prioridade para 2018

“A violência no Brasil está fora de controle”, e “os brasileiros parecem tolerar cada vez menos o que está acontecendo”, diz Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly” em um artigo publicado nesta semana.

Em um cenário assim, ele avalia, questões de segurança vão ter tanta importância quanto a economia nas eleições de 2018, e podem definir o próximo presidente do país.

Este cenário, explica o artigo, ajuda a explicar a ascensão de Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto. Por mais que as políticas defendidas pelo deputado sejam criticadas por especialistas, ele é o “único candidato falando abertamente sobre violência”, diz.

“Parece óbvio: Alguém mais no campo dos candidatos a presidente precisa oferecer uma alternativa sã, democrática e com credibilidade –uma estratégia de segurança que respeite os direitos humanos, mas que seja também ambiciosa e ampla o suficiente para reduzir dramaticamente a violência nacionalmente”, defende.

Apesar de parecer evidente, Winter diz que os políticos tradicionais fogem deste debate. Por negação, convenção política e elitismo, os candidatos a presidente preferem evitar tratar da questão da violência como fundamental, o que gera ainda mais frustração entre os eleitores.

“É imoral e em último caso suicida para a classe política continuar a tratar a violência como um problema de outros grupos, ou um tipo de tabu. A crise é severa demais e todas as soluções têm que ser avaliadas, desde que sejam democráticas e respeitem a vida humana”, complementa.

Winter vem se mostrando preocupado com a escalada autoritária do Brasil há bastante tempo. Em uma entrevista ao blog Brasilianismo, ele disse que o país já tem todos os mesmos fatores que levaram à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Além disso, ele também vem avaliando questões ligadas a violência no país. “O Brasil é um país muito violento, e tem coisas que parecem normais aqui que não são normais, como carros blindados, muros de 3 metros de altura com cerca eletrificada, a facilidade com que as pessoas são mortas e a falta de julgamento. Sucessivos governos desde o fim da ditadura fracassaram na tentativa em nível federal de controlar a violência. Isso acaba tendo reflexos políticos, pois a insatisfação das pessoas é com a situação de insegurança generalizada em que elas vivem. Não é uma questão fácil de lidar, mas é parte da identidade do que significa ser brasileiro e do que se pensa sobre o país no mundo”, disse então.

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Mercados já veem confronto entre Lula e Bolsonaro como cenário de pesadelo
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Daniel Buarque

Artigo de Bret Rosen na “Americas Quarterly” diz que mercados já veem confronto entre Lula e Bolsonaro como o cenário de pesadelo para 2018

Uma possível disputa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Jair Bolsonaro pela Presidência do Brasil em 2018 seria o cenário de pesadelo para os mercados financeiros.

A avaliação é do analista financeiro Bret Rosen. Segundo ele, apesar de estarem em lados opostos da política, os candidatos da esquerda e da direita são vistos como um risco parecido, pois ambos reduziriam as chances de reformas estruturais que economistas defendem para o Brasil, o que seria ruim para o mercado.

Em um artigo publicado na revista “Americas Quarterly”, Rosen avaliou as mais recentes pesquisas de intenção de voto realizadas no país, e fez uma análise dos quadros mais prováveis e do que seria mais interessante para os mercados financeiros internacionais.

Segundo ele, o cenário atual cria três possibilidades mais fortes para a eleição, com possível vitória da esquerda (com Lula), da direita populista (com Bolsonaro) e uma via de centristas moderados (com um nome ainda não definido, mas se aproximando do governador e do prefeito de São Paulo –Geraldo Alckmin e João Doria). Esta opção centrista, diz, seria a preferida de investidores.

Tanto Lula quanto Bolsonaro, avalia, gerariam “reações semelhantes do mercado”, apesar de Bolsonaro ainda não ter apresentado uma plataforma econômica.

Lula, segundo ele, reduziria a perspectiva de reformas estruturais no país, indicando uma tendência de queda da Bolsa, desvalorização cambial e impacto sobre o crédito.

Bolsonaro, por outro lado, traria grande incerteza. “O Brasil nunca foi governado por um líder com esta plataforma populista de direita, e é provável que a chance de aprovação de reformas seja baixa”, diz.

A preferência dos mercados, portanto, ficaria com um nome de centro, como Alckmin ou Doria. Este nome “teria apoio das elites financeiras e da mídia”, diz. Segundo Rosen, entretanto, é preciso saber se algum desses nomes será capaz de unir os partidos de centro, o que é um risco no caso de rompimento entre Alckmin e Doria.

“Se os moderados de centro se consolidarem em torno de um nome, com uma grande coalizão de partidos por trás, vai crescer o otimismo de que o Brasil pode andar para a frente com um presidente que defende mais reformas estruturais para criar as condições para um retorno moderado crescimento econômico nos próximos quatro anos”, diz.

O governador de São Paulo já foi indicado como favorito dos mercados em uma análise de perspectivas para 2018 publicada pela revista de economia “Forbes”. A publicação minimizou o risco de Lula, por lembrar do seu trabalho no governo, mas indicou que Alckmin (chamado de “Al Gore da política brasileira”) seria o favorito dos investidores.

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Desânimo político no Brasil favorece Bolsonaro, diz analista americano
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Daniel Buarque

Fatiga com escândalos políticos beneficia Bolsonaro, diz analista americano

A apatia da população brasileira, mergulhada em um aparente ciclo interminável de escândalos políticos, tem chamado muito a atenção de observadores estrangeiros.

A mídia internacional tem tratado com surpresa da falta de protestos contra o governo de Michel Temer. E analistas já responsabilizaram a perplexidade e o desgosto dos brasileiros em relação à classe política, bem como a exaustão do povo que vê uma longa sequência de problemas no país.

“A raiva se foi. Agora, os brasileiros estão apenas cansados. Da recessão que não acaba, dos escândalos de corrupção que também não, dos políticos que não oferecem uma visão ou esperança de qualquer coisa diferente”, avalia Brian Winter, editor da revista “Americas Quarterly”, que publicou seu texto sobre o desânimo nacional.

Ex-correspondente no país, vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas e autor de quatro livros sobre a América do Sul, Winter compara o clima de protestos em escândalos anteriores com o que se vê atualmente no Brasil, e indica o crescimento da apatia da população.

O problema disso, avalia, é que quem está conseguindo se fortalecer em um cenário de descrédito dos políticos é o deputado Jair Bolsonaro, mesmo que “muitos insistam que sua visão é extrema demais para o país”.

Segundo ele, o país pode enfrentar um cenário parecido com o dos EUA com a vitória de Donald Trump.

“Neste inverno brasileiro de descontentes, há um único político que é aplaudido em aeroportos, cujos apoiadores falam com convicção e fervor quase religiosos”, diz, sobre Bolsonaro.

Em uma entrevista ao blog Brasilianismo, no ano passado, Winter já falava desse contexto favorável à ascensão de líderes populistas no país, e questionava a ausência de novos nomes na política brasileira. segundo ele, era crescente o risco de o Brasil ceder ao autoritarismo.

“Os mesmos fatores que criaram o fenômeno Donald Trump estão presentes no Brasil. Exceto que, no Brasil, as coisas estão bem piores. É fácil ver este processo que vemos agora, de guerra de poderes, levar ao aparecimento de um líder autoritário em 2018”, disse.

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Mesmo condenado, Lula não está acabado, diz analista político americano
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Daniel Buarque

A decisão de não pedir a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após sua condenação por corrupção é um dos pontos mais importantes do processo contra o líder petista. Segundo o analista político americano Brian Winter, isso indica que nem tudo está perdido para Lula, e ele ainda tem chances de se tornar presidente do país.

A condenação veio com uma ponta de esperança para os que defendem Lula, diz Winter em um texto publicado na revista “Americas Quarterly”.

“O aspecto mais marcante da decisão contra Lula foi a admissão do juiz de que ele tem direito a tratamento especial. Isso, mais do que qualquer outro detalhe, sugere que o homem que dominou a política brasileira nos últimos 30 anos ainda pode escapar da cadeira –e talvez até retornar como presidente em 2018”, avalia Winter, que é ex-correspondente no país, vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas e autor de quatro livros sobre a América do Sul.

Segundo Winter, ao não pedir a prisão de Lula, “Moro piscou”, diz, indicando que a Justiça vê o ex-presidente como um caso especial a ser avaliado, que pode ser interpretado como um reconhecimento do poder que Lula ainda tem.

“Se houve uma era em que Lula podia ser retratado como um vilão sem ambiquidade em uma batalha do bem contra o mal, ela acabou em meados de 2016, quando a maior parte dos poderosos brasileiros apoiaram Michel Temer”, diz.

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Carne Fraca expôs ao mundo a corrupção sistêmica do país, dizem analistas
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Daniel Buarque

O escândalo revelado pela operação Carne Fraca, envolvendo frigoríficos brasileiros, se consolida como uma exposição internacional de o quanto a corrupção se tornou sistêmica, generalizada em todos os setores do país, que perdeu ainda mais credibilidade. A avaliação é defendida em artigos publicados por analistas estrangeiros na mídia internacional, e indica que isso afeta a reputação do Brasil no mundo e pode dificultar a recuperação econômica do país.

Em texto de opinião publicado na revista “Americas Quarterly”, Brian Winter, editor-chefe da publicação e autor de quatro livros sobre a América do Sul, indica que a Carne Fraca é mais um indício da falta de credibilidade do governo de Michel Temer e, por consequência, do país.

“Pouca gente confia, e menos ainda gosta, deste governo”, diz. Segundo ele, essa falta de confiança é alimentada pelo discurso do presidente, que diz não buscar popularidade. Isso gera dificuldade em aprovar uma série de reformas que podem até ser importantes para o país, mas que podem ser impedidas pelo clima de desconfiança generalizada.

Segundo ele, o governo Temer assumiu em circunstâncias problemáticas e está cercado de escândalos de corrupção desde então, o que torna difícil acreditar na aprovação da “reforma econômica mais ambiciosa dos últimos 20 anos”.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, Winter foi correspondente internacional no Brasil e desponta atualmente como uma das principais vozes nos Estados Unidos a analisar e comentar o que acontece no Brasil e na América Latina. Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo em dezembro, ele disse estar preocupado com a crise política no Brasil, pois vê na atual crise um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Trump nos EUA.

Na ocasião, ele também falou ainda sobre corrupção no país:”Não acho que os brasileiros sejam naturalmente mais corruptos do que alemães ou americanos, mas que as instituições que lidam com isso ainda não foram totalmente estabelecidas aqui, como foram em outros países. Espero que isso seja que esteja acontecendo agora”, disse.

No artigo mais recente, Winter cita a visita de um enviado da União Europeia para avaliar os frigoríficos brasileiros após a Carne Fraca. Em entrevista, ele alegou que o problema encontrado ali não era exceção, e aparece também em outros setores.

“O escândalo da carne é um exemplo perfeito do que pode dar errado quando as pessoas não confiam no governo”, explica.

Carne Fraca expôs ao mundo a corrupção sistêmica do país, dizem analistas

Uma tese semelhante é defendida pelo pesquisador James M. Roberts em um artigo publicado no site americano Daily Signal. Segundo ele, os escândalos da Lava Jato e da Carne Fraca mostram que a corrupção permeia todo o Brasil.

“A notícia triste para os brasileiros é que esses escândalos de corrupção poderiam ter sido antecipados, e talvez até evitados”, diz.

Roberts é ligado à Heritage Foundation, think tank conservador americano que é apontado como um dos centros formadores de políticas defendidas pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump. O site Daily Signal também é ligado ao instituto, e tem ganhado maior força na mídia do país desde a posse de Trump.

Segundo o artigo, a avaliação do Brasil no Índice de Liberdade Econômica, produzidor pela Heritage, tem se deteriorado nas últimas décadas, em parte por causa da atuação dos governos de Lula e Dilma nesta área.

“Enquanto o Brasil tenta sair do pântano da corrupção, vamos torcer para que uma nova geração de lideranças políticas possa surgir com determinação para melhorar o cumprimento das leis e colocar o Brasil de volta no caminho da liberdade econômica”, diz.

O argumento usado nessas análises generaliza problemas do país e indica que casos de corrupção e de instabilidade não são isolados, mas estão relacionados a uma questão nacional mais ampla. É uma observação semelhante à que observadores externos faziam durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, quando indicavam que, mais do que uma falha na democracia, a derrubada do governo era um símbolo da disfuncionalidade da política nacional.

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Brasil tem os mesmos fatores que criaram fenômeno Trump, diz Brian Winter
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Daniel Buarque

Revista americana publica especial de 50 páginas sobre como consertar o Brasil

Revista americana publica especial de 50 páginas sobre como consertar o Brasil

Brian Winter está preocupado com a crise política no Brasil. Editor-chefe da revista “Americas Quarterly” e autor de quatro livros sobre a América do Sul, ele diz que vê na atual crise um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Donald Trump nos Estados Unidos, país onde nasceu e mora atualmente.

Em entrevista concedida ao longo de mais de uma hora em um café no bairro dos Jardins, em São Paulo, durante uma visita ao Brasil em dezembro para lançar a edição especial da revista sobre o país, Winter disse ao Blog Brasilianismo que ainda tem esperança de que a crise seja resultado de um amadurecimento do país, mas que é preciso cuidado com este risco do autoritarismo.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, Winter foi correspondente internacional no Brasil, no México e na Argentina por dez anos e escreveu livros como “Why Soccer Matters” (Por que o futebol importa), escrito com Pelé, “The Accidental President of Brazil” (O presidente acidental do Brasil), escrito com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “No Lost Causes” (Sem causas perdidas), com o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e “Long After Midnight” (Muito depois da meia noite). Ele desponta atualmente como uma das principais vozes nos Estados Unidos a analisar e comentar o que acontece no Brasil e na América Latina.

brian_winterNa longa conversa, ele falou sobre política no Brasil, mas foi além da análise sobre a atual crise e o risco de autoritarismo, tratando de corrupção, violência e da consolidação das instituições nacionais. Um dos maiores problemas da política brasileira é que as instituições estão dominadas por uma geração que deveria ter deixado o poder, e não há jovens lideranças na política do país. Questionado sobre sua aposta para a eleição de 2018, disse que vê grandes chances de Ciro Gomes crescer politicamente.

Leia abaixo a entrevista completa

Brasilianismo – Em uma reportagem da “Americas Quarterly” de agosto de 2015 você falava sobre a consolidação da seriedade e estabilidade da política brasileira ao longo de duas décadas, e do risco que a crise política representava. Hoje, depois do agravemento dessa crise, do impeachment e de um início turbulento do governo Temer, como vê essa questão da estabilidade?
Brian Winter – Estou mais preocupado agora do que estava um ano atrás. Ainda acho que é inteiramente possível que tudo isso seja parte de um processo positivo. Podemos estar vendo as dores de um avanço qualitativo na aplicação das leis, o que toda democracia precisa enfrentar. Vejo figuras do Judiciário, como o próprio Sergio Moro, e muitos outros com quem tenho tido contato. Há pessoas extraordinárias.

O desenvolvimento e progresso não acontecem de forma natural. As pessoas têm que fazer isso acontecer. Me preocupo que a destruição dessa atual guerra de poderes seja tão severa que o país fique muito vulnerável quando chegar a eleição de 2018.

O problema maior é ilustrado pelo que acontece nos EUA. Os mesmos fatores que criaram o fenômeno Donald Trump estão presentes no Brasil. Exceto que, no Brasil, as coisas estão bem piores. É fácil ver este processo que vemos agora, de guerra de poderes, levar ao aparecimento de um líder autoritário em 2018.

Brasilianismo – Uma edição especial da revista sobre o país diz que “o destino do Brasil vai depender inteiramente das decisões que estão sendo tomadas agora”. O que acha das decisões que estão sendo tomadas agora?
Winter – É difícil ver decisões corretas sendo tomadas fora do Judiciário atualmente. Há pessoas que apostaram muito dinheiro em Temer e que agora estão perdendo dinheiro. A crença de que só tirar Dilma do poder consertaria tudo de forma mágica se provou errada. Havia uma crença grande de que após o impeachment as coisas voltariam a ser como eram até 2002, e que os 14 anos de PT seriam esquecidos. Ainda acho que há chance de Temer ir bem, mas essa possibilidade está diminuindo.

Brasilianismo – Como colocar isso no contexto da decisão do STF sobre Renan Calheiros, em dezembro, que foi criticada e apontada como “prova do golpe”, do “acordão” com Supremo e tudo, e que fez com que lados opostos se juntassem em crítica ao STF. O que acha disso?
Winter – Esse é o cenário mais negativo que podemos pensar. Eu hesito em dizer isso, mas, se estivéssemos em um período anterior a 1989, os generais não já teriam tomado o poder? Eu sou totalmente a favor da democracia e não acho que eles deveriam fazer isso, mas é importante perceber que este nível de desordem institucional existiu no passado, mas que agora a intervenção militar não é uma opção. Isso que deixa no ar a pergunta ‘quem vai dar um passo à frente para corrigir esta situação?’. Meu medo é que a tentação seja de eleger alguém com instintos autoritários para assumir esta função que no passado teria sido assumida pelos militares.

Brasilianismo – A edição especial da revista fala sobre possíveis nomes para o Brasil em 2018. Bolsonaro provavelmente seria o exemplo do que você acabou de citar. Há quem fale que Moro pode se destacar dessa forma também. O que acha?
Winter – Moro não vai ser candidato. Acredito na possibilidade de outros nomes do Judiciário se destacando dessa forma, e ouvi muita gente falando em Carmem Lucia.

É difícil comentar esse tipo de coisa no Brasil por causa do que está acontecendo nos EUA. Também entramos nessa fase em que as pessoas valorizam a democracia menos do que o faziam antes, pois acreditam que o país está em crise e por isso medidas e líderes autoritários são os caminhos contra a crise. O risco de que esta mesma tendência de autoritarismo chegue ao brasil é muito elevado.

Brasilianismo – Já que você falou de Trump, como acha que a relação entre Brasil e EUA pode mudar em seu governo?
Winter – Não acho que Donald Trump deu mais do que 60 segundos da sua atenção à América do Sul. É difícil saber como a relação vai mudar na prática, mas se Trump começar uma guerra comercial com a China, o que eu duvido que aconteça, isso vai ter consequências para o Brasil. O efeito de trump no Brasil pode ser de aumentar a integração da América Latina em comércio e em diplomacia.

Brasilianismo: A ascensão de Trump pode ser um incentivo ao autoritarismo no Brasil?
Winter – Vemos na história da América Latina que as tendências globais tendem a se refletir na região, então é possível pensar que sim. Mas acredito que a democracia brasileira evoluiu de uma forma que faz com que o país não precise mais de exemplos a seguir, não precise mais aprender com os EUA o que fazer. O Brasil e a América Latina têm seu próprio centro de gravidade, ao contrário do que acontecia 25 anos atrás. Claro que há uma crise agora, mas o processo doloroso e construtivo de implementação de leis e de combate à corrupção pode ser a opção à decadência institucional e guerra de poderes que daria ascensão a um movimento autoritário.

Brasilianismo – O processo de impeachment popularizou a ideia de que “as instituições estão funcionando”, mas a crise entre poderes abriu questionamentos a isso. Matthew Taylor disse que as instituições funcionam, mas que as pessoas dentro dessas instituições estão usando as regras de forma errada. O que acha?
Winter – Quando viajo pela América Latina, vejo políticos jovens, com 30 ou 40 anos de idade, atuando de forma intensa na política local. No brasil não há ninguém assim. No Brasil não há lideranças jovens. É difícil até achar algum político ativo abaixo dos 50 anos. O governo atual é dominado por pessoas na casa do 70 anos, e isso é incrível. A forma como as eleições acontecem no Brasil dá muito poder aos partidos, e isso impede a emergência de novos partidos e novos nomes no país. São barreiras institucionais que impedem essa mudança geracional. Eu trabalhei com FHC e tenho uma relação pessoal com ele, mas o fato de o nome dele ter sido citado como uma possibilidade para uma eleição indireta é prova de total falta de imaginação e sinal do quanto o país precisa de uma mudança geracional. Ele tem 85 anos! Não existe outra solução? O fato de ele ter sido mencionado não faz sentido.

O Brasil tem instituições dominadas por uma geração que deveria ter saído de cena. O país precisa de uma mudança geracional na política. A ausência de uma nova geração na política é a grande diferença do Brasil em relação ao resto do continente. As instituições até funcionam, mas as pessoas que atuam nelas são as mesmas desde as Diretas Já. Desde antes mesmo que as instituições existissem ou funcionassem propriamente.

Brasilianismo – Entre março e abril do ano passado você deu entrevistas falando da crescente possibilidade de impeachment de Dilma Rousseff. Agora, acha que Temer termina seu mandato?
Winter – Acho que Temer vai sobreviver. Ele ainda tem muito apoio dos partidos políticos em Brasília. Estive lá e fiquei surpreso com o clima de resignação. As pessoas não estão mais mobilizadas. Não sinto o mesmo nível de rejeição e raiva que esperava. Faz sentido. As pessoas estão cansadas. A crise está entrando em seu terceiro ano. Isso aconteceu também na crise argentina. Em 2003, as pessoas odiavam Eduardo Duhalde, mas os cidadãos estavam sem energia depois de tantos protestos e mudanças no governo.

Se Temer for diretamente implicado na Lava Jato, tudo pode mudar, mas, por enquanto, acho que ele sobrevive.

Brasilianismo – E quem acha que pode substituir ele após 2018?
Winter – Se tivesse que apostar, diria que Ciro Gomes. Ele tem um pé no perfil anti-establishment, mas, na verdade é alguém que está presente na política há muito tempo. Além disso seu discurso é bem posicionado para se aproveitar da raiva da população se o país não melhorar até a eleição.

Outra opção é aparecer alguém que não está no radar até agora.

Brasilianismo – Na cobertura que a revista faz do país, qual a maior dificuldade de traduzir o Brasil para leitores no resto do mundo?
Winter – É muito difícil traduzir o país. O Brasil é um país desorientador, mas apesar de ser difícil de explicar, tem características que os americanos conseguem reconhecer, como o tamanho do território, o perfil autocentrado. Há interesse no Brasil. Vemos isso com a revista e com o site. Houve um aumento do interesse no ano passado por causa do impeachment, mas há o reconhecimento geral de que as coisas foram muito bem por um período, e estão indo muito mal agora. As pessoas estão de olho.

Brasilianismo – Como lida com a ideia de que brasileiros estão lendo e fazendo cobranças a respeito do que você escreve em inglês?
Winter – Esta semana, uma das pessoas que trabalha com redes sociais na revista me disse que nunca tinha visto ninguém ser acusado de ser tantas coisas diferentes ao mesmo tempo. Eles me chamam anti-pt, anti-tucano, de esquerda, de direita, autoritário, liberal. Espero que seja um sinal de que estou mantendo os olhos abertos e estou respeitando o país. Vivi muitos anos aqui e mantive relacionamento com as pessoas, e trabalho muito duro para acompanhar o que acontece aqui. Mesmo morando em Nova York eu ouço CBN no metrô. Eu tento ser fiel ao que acredito e tento não se partidário. Não sou a favor de nenhum partido. Acredito na democracia, na economia inclusiva, nos direitos iguais para todas as pessoas (o que me faz achar Bolsonaro detestável). Acho que o PT fez coisas boas e sei que o PSDB fez coisas ruins. às vezes eu erro, mas tento fazer o melhor possível.

Brasilianismo – Você veio ao Brasil em 2010, quando o interesse no Brasil estava em alta. Agora o país está em crise. Mudou algo no interesse internacional sobre o país?
Winter – Mudou, mas o mais importante é o que aconteceu antes disso. Em 2004, eu morava na Argentina. Recebi uma ligação de uma editora de Nova York perguntando se eu já tinha ouvido falar de Fernando Henrique Cardoso. Eles queriam um jornalista para ajudar ele a escrever um livro para o público internacional, e perguntaram se eu tinha interesse. Eu disse que sim, mas que não falava português, não conhecia bem o Brasil e nunca tinha escrito um livro. Lembrei a ele que eu morava na Argentina, e ele respondeu: “Brasil e Argentina não são basicamente a mesma coisa?”.

Este tipo de conversa não aconteceria em 2016. Nos últimos 12 anos, houve um aumento da visibilidade do Brasil e da conexão do país com os EUA. Agora é facil achar alguém nos eua que fale português e conhece minimamente o Brasil para escrever um livro assim. Isso mudou. O reconhecimento da importância do Brasil se acelerou na virada da década, e vai continuar presente, com mais pessoas familiarizadas com o Brasil.

Brasilianismo – O consultor britânico Simon Anholt dizia que a crise não mudaria a imagem do Brasil em outros países, pois o resto do mundo já via o país como sendo um país pobre. Mesmo assim o Brasil teve sua maior queda no NBI deste ano. Como acha que a crise está afetando a imagem internacional do brasil?
Winter – Agosto de 2016, de forma geral, foi ruim para a imagem do Brasil, por conta do impeachment e da Olimpíada. Acho que a Olimpíada foi boa para o país, mas as complicações que tiveram destaque na mídia podem ser ruins para a imagem. O momento atual é difícil, mas não vai durar para sempre. Se o país conseguir se recuperar nos próximos anos, sua posição em rankings assim vai melhorar. É coisa passageira.

Brasilianismo – Você escreveu sobre sua relação com o risco de violência no Brasil. Quanto a violência está conectada à imagem do Brasil nos Estados Unidos?
Winter – Muito. O Brasil é um paí muito violento, e tem coisas que parecem normais aqui que não são normais, como carros blindados, muros de 3 metros de altura com cerca eletrificada, a facilidade com que as pessoas são mortas e a falta de julgamento. Sucessivos governos desde o fim da ditadura fracassaram na tentativa em nível federal de controlar a violência. Isso acaba tendo reflexos políticos, pois a insatisfação das pessoas é com a situação de insegurança generalizada em que elas vivem. Não é uma questão fácil de lidar, mas é parte da identidade do que significa ser brasileiro e do que se pensa sobre o país no mundo.

O diretor de uma empresa de tecnologia que atua no mundo todo esteve no Brasil e visitou a Rocinha. Perguntado sobre o que achou, ele se disse surpreso com o fato de a Rocinha não ser tão pobre em um contexto global. Segundo ele, o que é sufocante é o risco de violência que se sente só de visitar o lugar. Esta é a verdadeira fonte de miséria das pessoas que vivem ali.

Brasilianismo – As pessoas têm falado sobre a corrupção no cotidiano dos brasileiros. Acha que isso é algo em que o país se diferencia do resto do mundo?
Winter – Acho que a corrupção é o estado normal dos homens, e que é preciso construir instituições e leis para retirar a corrupção da sociedade. Não acho que os brasileiros sejam naturalmente mais corruptos do que alemães ou americanos, mas que as instituições que lidam com isso ainda não foram totalmente estabelecidas aqui, como foram em outros países. Espero que isso seja que esteja acontecendo agora.

É importante perceber que há menos corrupção cotidiana no Brasil do que em outros países da América Latina. Você não vê o hábito de dar a policiais na rua 5 pesos para comprar um refrigerante como há no México, por exemplo. O que há é um sistema de corrupção que define a interação entre o setor privado e o setor público, que se tornou incompatível com a melhora das instituições jurídicas independentes. E agora chegamos ao momento de crise. A esperança é que este sistema seja reconstruído, criando uma nova forma de interação entre os setores público e privado.

Brasilianismo – Em 2010 falava-se que o Brasil se tornava um exemplo global de luta contra a pobreza e a desigualdade. isso se perdeu com a crise. Acha que o Brasil ainda é exemplo positivo de algo para o resto do mundo?
Winter – Sim, é um exemplo de tolerância. Em um contexto global, a sociedade brasileira é muito tolerante. O país recebeu muitos migrantes de forma aberta, com poucos incidentes problemáticos. Quando se vê a pluralidade da sociedade e a forma como pessoas de todas as minorias são aceitas e toleradas, percebe-se que o Brasil dá uma lição nesse sentido, apesar de haver incidentes barulhentos, e crimes de ódio contra gays. A sociedade como um todo tem uma capacidade surpreendente de assimilar. Eu senti isso quando vivi aqui. Me senti mais bem-vindo aqui do que em qualquer outro país.

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Corrupção da Odebrecht é desastre para reputação do Brasil, diz pesquisador
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Daniel Buarque

Corrupção da Odebrecht é um desastre para a reputação do Brasil, diz pesquisador

Corrupção da Odebrecht é um desastre para a reputação do Brasil, diz pesquisador

Após a revelação de que a empreiteira brasileira Odebrecht supostamente pagou propina em mais de uma dezena de países pelo mundo, o Brasil se viu no centro de um escândalo regional de corrupção, que afeta a reputação e as relações exteriores do país, mas que pode se revelar uma oportunidade para a construção de um futuro menos sujo politicamente. Este é o ponto central de um artigo do cientista político Oliver Stuenkel, publicado no site da revista americana “Americas Quarterly”.

Professor de Relações Internacionais da FGV e membro não residente do Instituto Global de Política Pública (GPPi), em Berlim, Stuenkel avalia que as revelações de corrupção sistêmica da empresa brasileira são um desastre para a diplomacia brasileira.

“A internacionalização do capitalismo brasileiro –isto é, a estratégia do governo para aumentar a influência do Brasil por meio do apoio a atividades de suas grandes empresas no exterior– foi um dos pilares da política externa regional a partir de meados dos anos 2000. Esta política permitiu que o Brasil não apenas alcançasse visibilidade sem precedentes e acesso de Buenos Aires à Cidade do Panamá, mas também a estabelecesse uma poderosa narrativa sobre seu impacto benigno, estabilizador e modernizador no exterior. Mas mesmo no atual estágio das investigações, ficou claro que, através das suas empresas, o Brasil também promoveu a má governança e a corrupção em uma região onde o respeito às leis está longe de consolidado. O caso é um golpe para a reputação regional do Brasil e sua ambição de liderança, já afetadas por suas crises política e econômica”, diz o artigo.

Se o país quiser se recuperar na arena internacional, diz Stuenkel, precisa aproveitar a oportunidade para reforçar as investigações da Lava Jato e cooperar contra o crime organizado e a corrupção na América Latina.

O cientista político sugere três pontos-chave para isso: Transformar a luta contra a corrupção em peça central da política externa; incentivo à criação de uma rede regional de escoals de direito para treinar investigadores, legisladores, jornalistas e ativistas; e tornar a agenda contra a corrupção o tema central de encontros de entiddes como o Mercosul.

Autor dos livros “The BRICS and the Future of Global Order” (Os BRICS e o futuro da ordem global) e “The Post-Western World” (O mundo pós-ocidental), Stuenkel escreve com frequência sobre temas ligados à diplomacia brasileira em revistas internacionais e em seu site Post-Western World.

Em um artigo recente ele listou os 10 principais desafios da diplomacia brasileira neste momento de crise, em que evitar o declínio do país se tornou prioridade. Segundo ele, a Lava Jato alterou a forma como a política e os negócios funcionam no Brasil, “possivelmente mudando para sempre a tolerância com a corrupção”. Apesar de ser algo importante, isso “paralisou temporariamente alguns atores-chave, que precisam aprender como se envolver de forma apropriada, com consequências de curto prazo negativas”, avalia.

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Eleição revela guinada conservadora no Brasil e ecoa ditadura, diz revista
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Daniel Buarque

Eleição confirma guinada conservadora no Brasil e ecoa ditadura, diz revista

Eleição confirma guinada conservadora no Brasil e ecoa ditadura, diz revista

As eleições municipais confirmaram a volta de uma guinada conservadora e em defesa do autoritarismo no Brasil, avalia um artigo do editor chefe da revista “Americas Quarterly”, Brian Winter.

Por mais que o fortalecimento conservador seja uma conclusão comum nas análises internacionais do cenário político nacional hoje, a publicação alerta que o movimento pode ter ecos de um passado problemático do país.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, e autor de quatro livros sobre a América do Sul, Winter ex[plica que o caso brasileiro repete o que acontece em todo o mundo, e compara com a possível eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

“Mas a experiência do Brasil é algo diferente porque contém ecos de um passado não muito distante – o período entre 1964 e 1985, quando o maior país da América Latina foi governado por uma ditadura militar. Nostalgia por aquele período, ou pelo menos de algumas de suas táticas e visão de mundo, está em seu ponto mais alto em muitos anos”, diz.

Segundo ele, essa onda pode se tornar um risco aos direitos humanos e à liberdade de imprensa, além de mudar a a forma como a política brasileira se organizará nos próximos anos.

A avaliação de Winter é de que parte desse movimento vem da insatisfação nacional com a situação econômica do país, além da indignação pelo escândalos de corrupção. Isso cria, ele diz, um movimento perigoso de rejeição à política tradicional.

Winter e a “AQ” têm feito uma cobertura muito frequente da situação do Brasil, com uma abordagem crítica e bem aprofundada de questões políticas e econômicas. Em outubro, a revista publicou uma edição especial de 50 páginas dedicadas a avaliar a situação atual do Brasil e apresentar propostas para ”consertar” o país.

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Gray Newman: Dilma não é a única culpada pela crise econômica no Brasil
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Daniel Buarque

Gray Newman: Dilma não é a única culpada pela crise econômica no Brasil

Gray Newman: Dilma não é a única culpada pela crise econômica no Brasil

A ex-presidente Dilma Rousseff não é a única culpada pela crise econômica que se consolida como pior recessão da história do país, segundo o economista Gray Newman.

Em um artigo publicado na edição especial da revista americana “Americas Quarterly” sobre o Brasil, Newman diz que a ex-presidente até pode ter ajudado nos problemas econômicos, mas que achar que só ela é responsável pode atrapalhar na recuperação do país (o texto foi publicado também em português).

“A crise permanece sendo um dos capítulos mais mal compreendidos na história econômica recente do Brasil. E a incapacidade de entender o que realmente aconteceu, e por que, representa um risco significativo para as perspectivas de recuperação do país”, diz.

Newman foi economista-chefe para a América Latina no banco Morgan Stanley e é professor da Universidade Columbia, nos EUA.

Para ele, o diagnóstico mais comum no país, de achar que a política econômica de Dilma causou os problemas do Brasil, é simplista e tem erros.

“Acredito que a política industrial de Dilma, e sua má gestão das contas fiscais, não foram as causas da situação desastrosa atual do Brasil. As políticas de Dilma, na verdade, foram respostas falidas a desafios muito mais graves enfrentados pelo país —que começaram se formar muitos anos antes da posse de Rousseff”, explica.

Newman defende, por outro lado, que o país tem problemas estruturais, que já marcavam a economia do país mesmo nos períodos de crescimento e euforia.

“O maior obstáculo para o crescimento do Brasil tem muitas faces, mas pode ser resumido em uma única palavra: produtividade. (…) Eu tendo a ver isso como um desafio de três pontas, envolvendo o capital humano, o capital físico e o ambiente regulatório.”

Para ele, até que o Brasil trabalhe para melhorar a produtividade, o país pode ficar preso a repetitivos ciclos de altos e baixos, mesmo que troque de presidente e de política econômica.

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Revista americana faz edição de 50 páginas sobre como consertar o Brasil
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Daniel Buarque

Revista americana publica especial de 50 páginas sobre como consertar o Brasil

Revista americana publica especial de 50 páginas sobre como consertar o Brasil

A revista americana “Americas Quarterly” publicou uma edição especial de 50 páginas dedicadas a avaliar a situação atual do Brasil e apresentar propostas para “consertar” o país.

Em meio à maior crise econômica do país em décadas, o editor-chefe da revista, Brian Winter, diz que era preciso questionar a ideia de que, no longo prazo, o país tem a capacidade de se recuperar e sair da recessão mais forte do que entrou.

“O destino do Brasil vai depender inteiramente das decisões que estão sendo tomadas agora, nos próximos meses e anos. Com o pior da recessão e do turbilhão político aparentemente encerrados, este é o momento de políticos brasileiros – assim como seus empresários, sociedade civil e outros cidadãos – se levantar e criar o país em que eles querem viver. O progresso não é impossível, mas também não é inevitável”, diz a apresentação.

A “AQ” tem feito uma cobertura muito frequente da situação do Brasil, com uma abordagem crítica e bem aprofundada de questões políticas e econômicas. Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, e autor de quatro livros sobre a América do Sul, Winter coordena a edição especial sobre o país.

A edição traz textos sobre economia e crise, um perfil de dez possíveis candidatos à Presidência do Brasil na eleição de 2018, uma entrevista com Marina Silva, uma reportagem sobre a agricultura brasileira e outra sobre a situação das favelas do Rio de Janeiro, mais um sobre política externa entre outros textos.

A maior parte dos textos já está disponível na internet, outros vão ser publicados assim nos próximos dias.

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