Brasilianismo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br Daniel Buarque é jornalista e escritor com mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute do King's College de Londres. Mon, 21 Aug 2017 21:13:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Para escritor, insegurança dá força a frases de estrangeiros sobre o Brasil http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/20/para-escritor-inseguranca-da-forca-a-frases-de-estrangeiros-sobre-o-brasil/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/20/para-escritor-inseguranca-da-forca-a-frases-de-estrangeiros-sobre-o-brasil/#comments Sun, 20 Aug 2017 12:22:33 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3786

Barack Obama durante discurso no Theatro Municipal, no Rio de Janeiro

É com uma pitada de insegurança e uma grande vontade de entender a si mesmos que os brasileiros costumam dar grande atenção ao que se fala sobre o Brasil no exterior. Assim, frases ditas por estrangeiros acabam se tornando conhecidas no país, ganhando fama e ajudando a criar uma forma de reflexão e autorreconhecimento.

“Parece que estamos sempre em busca de uma autoridade estrangeira para confirmar nossas próprias ideias”, comenta Paulo Gravina, em entrevista ao blog Brasilianismo, por email.

Veja lista de frases mais famosas de estrangeiros sobre o Brasil

Livro reúne frases de estrangeiros sobre o Brasil

Autor do livro “Que Brazil é esse? — O que eles disseram sobre o Brasil” (Ed. Livros Ilimitados), em que reúne mais de três dezenas dessas declarações famosas de quem olha de fora para o Brasil, Gravina se debruçou sobre o que essas declarações significam. “O livro também acaba sendo um convite aos brasileiros a mudarem a imagem que têm do país”, explica.

Conheça a confusa história por trás da frase ‘o Brasil não é um país sério’

Formado em economia e com mestrado em literatura, Gravina atua no mercado editorial, escrevendo, traduzindo e editando livros. Na entrevista abaixo ele explica o processo de seleção das frases incluídas no livro e analisa o impacto delas na imagem do Brasil dentro e fora do país.

Brasilianismo – De que forma acha que as frases selecionadas para o livro “Que Brazil é esse?” resumem a imagem internacional do Brasil construída ao longo da história?
Paulo Gravina – Pois é, não resumem. A proposta do livro é apresentar as imagens mais famosas, ou pelo menos as mais citadas, fornecendo o contexto e o percurso histórico dessas imagens.

Mas como é possível resumir, por exemplo, a imagem do país que tem um estrangeiro que imigrou para o Brasil? Ou de alguém que vem ao Brasil por um curto período e tem experiências turísticas fascinantes ou péssimas? Ou de um estudioso estrangeiro da história, da política, da literatura ou do cinema brasileiro? Ou de um estrangeiro ou uma estrangeira que está casado ou casada com uma brasileira ou um brasileiro? Ou ainda dos filhos deste casal? É um cenário imenso e complexo.

Brasilianismo – Em um dos textos do livro, você fala sobre como algumas dessas frases são reapropriadas e usadas pelos próprios brasileiros em sua interpretação crítica sobre o país (como no caso de que ‘o Brasil não é um país sério’). Por que acha que isso acontece?
Paulo Gravina – Tenho a sensação que nós brasileiros somos bastante inseguros em relação à nossa imagem no exterior. Isso está relacionado a questões históricas, mas também à influência que os estrangeiros e certas organizações externas possuem sobre o nosso país. Parece que estamos sempre em busca de uma autoridade estrangeira para confirmar nossas próprias ideias. A grande reação dos brasileiros ao episódio de ‘Os Simpsons’ que ridiculariza o país foi algo muito curioso nesse sentido, quer dizer, porque se trata de um desenho animado de comédia. Dessa forma, o livro também acaba sendo um convite aos brasileiros a mudarem a imagem que têm do país.

Paulo Gravina, autor do livro

Brasilianismo – Essas frases muitas vezes se tornam o símbolo do desconhecimento do resto do mundo sobre o Brasil. Que tipo de evolução acha que é possível perceber nas interpretações do Brasil ao longo da história?
Paulo Gravina – Muitas imagens mudaram, mas algumas simplesmente assumiram outras feições. A imagem do atraso (que está na seção sobre a declaração do português Adriano Moreira [‘Seja, porém, qual for a modalidade de povoamento –que se considere nas províncias ultramarinas portuguesas– com populações locais ou originárias de qualquer outra parcela nacional, de caráter urbano ou rural, comercial, industrial ou agrícola, profissional, administrativo ou cultural, na base da sua concepção estará sempre a realização da vocação ecumênica do povo luso, a traduzir-se na criação de comunidades plurirraciais plenamente integradas e estáveis, síntese harmônica de valores culturais de variada origem, e de cuja fecundidade na formação de novas civilizações tropicais de singular riqueza se tem apontado o Brasil como exemplo mais acabado e eloquente’], por exemplo, ainda permanece com força. Já as imagens preconceituosas e racistas (presentes nas seções sobre as declarações do argentino Diego Maradona ‘Se os negrinhos [do Brasil] acordam, estamos ferrados’] e, principalmente, do inglês Charles Darwin [‘Os brasileiros possuem somente uma pequena quantia daquelas qualidades que dão dignidade à humanidade’]) ganharam certas nuances, mas continuam mantendo a função de excluir grande parte da população do convívio social efetivo.

Brasilianismo – Já tratamos do fato de os brasileiros valorizarem essas frases. Também é possível perceber a força delas na forma como os estrangeiros pensam o país? Ou elas são menos conhecidas fora do que dentro do país?
Paulo Gravina – Sem dúvida elas têm força no exterior. Há duas seções do livro que tratam de diversos estudiosos estrangeiros que se dedicaram ao Brasil (nas frases do norte-americano Thomas Skidmore [‘O Brasil criou, sob uma fachada de harmonia, uma sociedade contraditória’] e do francês Auguste De Saint-Hilaire [‘Havia um país chamado Brasil; mas absolutamente não havia brasileiros’]) e é impressionante que não há uma visão alternativa às deles, seja externamente ou mesmo dentro do Brasil.

Brasilianismo – Durante a pesquisa e escolha das frases, qual delas mais o surpreendeu?
Paulo Gravina – Várias me surpreenderam em vários sentidos. Achei muito singular e original a visão do francês Albert Camus [O Brasil ‘é o país da indiferença e da exaltação’]. Já o português Eduardo Lourenço [‘No Brasil, Portugal está em todo o lado e em lado nenhum’] me surpreendeu pela profundidade. O austríaco Stefan Zweig [‘Brasil, um país do futuro’], o alemão Albert Einstein [‘A pergunta que minha mente formulou foi respondida pelo ensolarado céu do Brasil’] e o norte-americano John dos Passos [‘O principal patrimônio do Brasil são os brasileiros’] foram surpreendentes porque o Brasil parece ter-lhes causado uma forte impressão. Ao contrário, os norte-americanos Richard Nixon [‘Conforme avança o Brasil, também avançará o resto do continente latino-americano’] e Vernon Walters [‘Se perdermos o Brasil, não será outra Cuba. Será outra China’] foram uma surpresa negativa, pois só mostraram ter interesse pelo país no sentido de influenciá-lo politicamente. E o norte-americano Barack Obama [‘Minha mãe agora partiu, mas ela nunca imaginaria que a primeira viagem do seu filho para o Brasil seria como presidente dos Estados Unidos’] foi surpreendente por toda a história que envolve suas relações afetivas com o Brasil, que vêm de sua mãe.

Brasilianismo – Qual a origem do livro? Como ele surgiu?
Paulo Gravina – O livro “Que Brazil é esse?” surgiu a partir de outro livro que eu estava pensando em publicar. Há um tempo atrás eu decidi circular um texto meu de fantasia, intitulado “A fábula do príncipe Narseu”, que está agora com uma ilustradora e com um diagramador para publicação. Um editor da Versal gostou tanto do texto que resolveu fazer a proposta desse livro de frases do Brasil, já que a editora Versal não costuma publicar ficção, mas livros de história. Mas aí veio a crise e o livro acabou não saindo pela Versal. Quando acabou o período do contrato, entrei em contato com eles e avisei que iria começar a buscar outras editoras. A editora Livros Ilimitados acabou assumindo o projeto e está fazendo um excelente trabalho!

Brasilianismo – Como foi o processo de seleção de frases? Qual foi a primeira que escolheu?
Paulo Gravina – A escolha foi bem ampla. Eu já tinha uma boa noção do tema por causa da minha formação, dos anos de estudo para o concurso de admissão à carreira diplomática e por meus pais serem jornalistas. A seleção das frases teve foco principalmente nas imagens mais conhecidas do Brasil no mundo, tentando sempre contextualizar e entrando no debate se essas imagens correspondem realmente ao Brasil ou não. Muitas vezes a discussão acabou sendo: de qual Brasil exatamente se está falando, conforme já está sugerido no título do livro, “Que Brazil é esse?”.

A primeira frase [‘O Brasil não é um país sério’] não foi tanto escolha minha, mas do editor da Versal. Ele, em nossa primeira reunião, apresentou a ideia do livro, citou duas frases como exemplo (“O Brasil não é um país sério”, atribuída ao francês Charles de Gaulle, e “Brasil, um país do futuro”, do austríaco Stefan Zweig) e pediu que eu redigisse dois textos como amostra para a aprovação do projeto do livro. Eu decidi aproveitar as duas frases que ele havia citado na reunião como ponto de partida e elas acabaram sendo as duas primeiras seções do livro.

Brasilianismo – Como fez a pesquisa para cada uma delas?
Paulo Gravina – A pesquisa envolveu muita leitura, mas também consultas a determinadas pessoas que sabiam de determinados temas. Tive bastante ajuda na pesquisa. Mesmo a redação do livro, na qual não obtive ajuda direta, envolveu muitas citações e referências (todas creditadas) e também, depois que o livro estava pronto, revisões do texto e do conteúdo por parte da família e de amigos.

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Conheça a confusa história por trás da frase ‘o Brasil não é um país sério’ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/19/conheca-a-confusa-historia-por-tras-da-frase-o-brasil-nao-e-um-pais-serio/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/19/conheca-a-confusa-historia-por-tras-da-frase-o-brasil-nao-e-um-pais-serio/#respond Sat, 19 Aug 2017 14:33:32 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3779 O texto abaixo é o primeiro capítulo do livro “Que Brazil é esse? – O que eles disseram sobre o Brasil” (Ed. Livros Ilimitados), de Paulo Gravina, que reúne as mais famosas frases de estrangeiros sobre o país ao longo da história.

Veja lista de frases mais famosas de estrangeiros sobre o Brasil

Este trecho discorre sobre uma das declarações mais conhecidas e repetidas dentro e fora do país, e que tem uma história complicada e cheia de reviravoltas e atribuições equivocadas.

Charles de Gaulle, ex-presidente da França


‘O Brasil não é um país sério’

Atribuída a Charles de Gaulle, ex-presidente da França

Por Paulo Gravina

Entre fevereiro e março de 1963, durante um incidente diplomático envolvendo o Brasil e a França relativo à pesca de lagostas, houve um pequeno estremecimento nas relações entre os dois países e popularizou-se a versão de que Charles de Gaulle, presidente da França na época, teria dito que o Brasil não era um país sério.

A frase teve imensa repercussão e ficou famosa no Brasil inteiro, causando todo o tipo de reação, quase sempre sem levar em conta o contexto em que a frase teria sido dita. Muitos criticaram o presidente francês e alguns passaram a censurar todos os franceses, a tentar contradizê-los e a questioná-los sobre o que pensavam do Brasil. Havia, porém, um reconhecimento geral por parte da maioria da população brasileira de certos absurdos que ocorriam no país em relação ao seu ambiente político, aos casos de corrupção, aos problemas na formação educacional, ao direcionamento dos gastos públicos e à atuação nas relações exteriores, que revelavam factualmente a falta de seriedade brasileira.

Charles de Gaulle, em retrato de Donald Sheridan

Em 1979, o diplomata brasileiro Carlos Alves de Souza publicou um livro em que se assumia como autor da frase. Ele era, na época do incidente que ficou conhecido como “Guerra da Lagosta”, embaixador do Brasil na França, cargo que ocupou entre 1956 e 1964. Carlos Alves de Souza teria dito que o Brasil não era um país sério em uma conversa informal com o jornalista brasileiro Luís Edgar de Andrade, correspondente na França do Jornal do Brasil.

Conforme o embaixador brasileiro informa em seu livro “Um embaixador em tempos de crise”:
“É evidente que, sendo hóspede do General De Gaulle, homem difícil, porém muito bem educado, ele, pela sua formação e temperamento, não pronunciaria frase tão francamente inamistosa em relação ao país do Chefe da Missão que ele mandara chamar. Eu pronunciei essa frase numa conversa informal com uma pessoa das minhas relações. A história está cheia desses equívocos.”

Entretanto, mesmo com essa explicação, a frase continuou a ser repetida toda vez que era justificada por alguma situação que ocorria no Brasil. O autor e o contexto da frase deixaram de ter tanta importância e os brasileiros simplesmente passaram a usar a frase por si próprios, para se autorretratarem. Por um lado, a citação acabou reforçando o “complexo de vira-latas” que, segundo o escritor brasileiro Nelson Rodrigues, teria surgido após a derrota para o Uruguai na Copa do Mundo de Futebol de 1950.

Por outro lado, como declarou o político brasileiro Jarbas Passarinho, no artigo “A força da versão”, publicado em 2001, essa acabou se tornando “a ofensa de que nos orgulhamos”.

O ex-embaixador do Brasil na França Carlos Alves de Souza

Tal orgulho não se deve somente à ambiguidade da frase, que pode destacar tanto o descompromisso quanto a alegria do brasileiro dependendo do intérprete; o mais grave, porém, é que muitos brasileiros se orgulham da frase, julgando ter encontrado uma definição que finalmente explicou o Brasil, sendo utilizada por eles para exaltar o país do “descaramento” ou para censurar o país.

Houve, no entanto, algumas tentativas de responder à citação, como a do político brasileiro Rafael de Almeida Magalhães que declarou, em 1964, quando era vice-governador do antigo Estado da Guanabara (Rio de Janeiro), que o governo do presidente brasileiro Castello Branco (1964- 1967) seria o “da transformação do Brasil em País sério”.

Também vale destacar a resposta do professor e ex-deputado brasileiro Solón Borges dos Reis, que, em um artigo de 1983, afirmava: “No fundo, porém, o Brasil é um país tão sério quanto todos os demais. Embora nem sempre nos devotemos a ele com a responsabilidade que merece e de que tanto precisa.”

A principal resposta, no entanto, veio de outro presidente francês, Jacques Chirac, que, em 1997, durante uma conferência de imprensa em São Paulo, foi perguntado por uma jornalista brasileira se considerava o Brasil um país sério. Chirac declarou:
“(…) eu faço questão de asseverar que o general de Gaulle jamais disse isso e eu vo-lo digo oficialmente. Foi uma declaração que veio da Embaixada do Brasil em Paris. O general de Gaulle jamais disse isso por bons motivos. Primeiro porque o general de Gaulle tinha grande amor pela América Latina. Foi aqui recebido triunfalmente e era, além disso, um homem extremamente educado e cortês. É impensável que ele tenha dito uma coisa como essa. É uma invenção pura e simplesmente, cuja origem nós pudemos perfeitamente determinar, foi uma besteira.

Para mim, eu creio que o Brasil é um país extraordinariamente sério. Mas o sério pode ser entediante. O Brasil possui essa particularidade. É um país sério, que gere seus assuntos com seriedade, mas, para tanto, ele não perde nem seu entusiasmo, nem o seu charme e essa é provavelmente uma de suas grandes forças.”

No final das contas, a citação acaba representando muito mais uma autocrítica brasileira do que uma visão dos estrangeiros sobre o país. A rigor, a frase não está de acordo com a ideia original deste livro, já que se trata de uma reflexão originalmente brasileira atribuída a uma figura estrangeira dotada de autoridade e de discernimento. Todo o crédito da afirmativa vem justamente do fato de que se imagina que ela foi dita por uma figura estrangeira.

Em geral, os estrangeiros, sobretudo as figuras de relevância política, reconhecem a seriedade do Brasil em diversos aspectos; no entanto, a difusão da frase comprova que existe uma crença por parte de nós, brasileiros, de que a nossa própria seriedade e identidade dependem da frase de um forasteiro.

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Livro reúne frases mais famosas de estrangeiros sobre o Brasil; veja lista http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/19/livro-reune-frases-mais-famosas-de-estrangeiros-sobre-o-brasil-veja-lista/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/19/livro-reune-frases-mais-famosas-de-estrangeiros-sobre-o-brasil-veja-lista/#respond Sat, 19 Aug 2017 14:07:43 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3775

Livro reúne frases de estrangeiros sobre o Brasil

O Brasil é o país do futuro, não é um país sério, é o país da indiferença e da exaltação, e não é uma terra, é uma civilização.

Algumas das interpretações mais conhecidas e repetidas em todo o mundo para resumir o que é o Brasil foram ditas por –ou atribuídas a– estrangeiros ao longo da história.

Este olhar exterior que algumas vezes resume tão bem o país e outras vezes incorpora tão perfeitamente os preconceitos e estereótipos de quem olha de fora para o país é o tema do livro recém-lançado “Que Brazil é Esse? – O que eles disseram sobre o Brasil” (Ed. Livros Ilimitados), de Paulo Gravina.

Paulo Gravina, autor do livro

Formado em economia e com mestrado em literatura, Gravina foi atrás da origem de mais de três dezenas dessas citações de pessoas de fora a respeito do Brasil, e discorre de forma aprofundada sobre cada uma delas, ajudando a criar um retrato sobre a imagem do Brasil no exterior. Uma imagem variada e de contornos incertos, mas que muitas vezes ajuda os próprios brasileiros a pensarem sobre si mesmos.

“Em certos casos, a visão atribuída ao estrangeiro é apenas uma maneira de os próprios brasileiros se esconderem detrás de uma frase mal entendida ou fora de contexto. Em outros casos, trata-se de uma opinião profunda advinda de um observador em local privilegiado, seja porque estudou a fundo o país, seja porque teve a chance de contemplar o Brasil de um lugar onde ninguém mais estava vendo. De uma forma ou de outra, não vá o leitor pensar que o nosso país se esgota nestas frases e nestas imagens, mesmo se colocadas em processo dialético, porque, afinal de contas, o Brasil é tudo isso… e muito mais”, diz Gravina na introdução do livro.

A obra tem frases de políticos importantes da história, como Shimon Peres, Richard Nixon e Barack Obama, analisa citações de pesquisadores e filósofos como Charles Darwin e Albert Camus, aborda declarações de jogadores de futebol como Maradona e Obdulio Varela, cita ainda celebridades como Arnold Shwarzenegger (antes de virar político) e Justin Bieber, e traz até mesmo comentários de personagens da ficção, como Homer Simpson.

Veja abaixo 10 das principais frases reunidas por Gravina no livro.

“O Brasil não é um país sério”
Frase atribuída ao ex-presidente francês Charles de Gaulle, mas com uma história bem mais incerta

“Brasil, um país do futuro”
Título do livro de Stefan Zweig sobre o país

“Se Deus é brasileiro, o papa é carioca”
Papa João Paulo II

“Conforme avança o Brasil, também avançará o resto do continente latino-americano”
Frase do ex-presidente dos EUA Richard Nixon

“O Brasil não é uma terra. É uma civilização”
Declaração do ex-presidente de Israel Shimon Peres

“A pergunta que minha mente formulou foi respondida pelo ensolarado céu do Brasil”
Albert Einstein

“O Brasil criou, sob uma fachada de harmonia, uma sociedade contraditória”
Frase do brasilianista Thomas Skidmore

O Brasil “é o país da indiferença e da exaltação”
Declaração do escritor francês Albert Camus

“Os brasileiros possuem somente uma pequena quantia daquelas qualidades que dão dignidade à humanidade”
Charles Darwin

“Se perdermos o Brasil, não será outra Cuba. Será outra China”
Do general americano Vernon Walters

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Investidores estrangeiros estão otimistas sobre o Brasil, diz ‘Economist’ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/18/investidores-estrangeiros-estao-otimistas-sobre-o-brasil-diz-economist/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/18/investidores-estrangeiros-estao-otimistas-sobre-o-brasil-diz-economist/#comments Fri, 18 Aug 2017 19:39:11 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3772

Após anos de crise, recessão e pessimismo, a revista “The Economist” diz que agora os investidores estrangeiros estão confiantes de que o Brasil está começando a se recuperar.

Os números da perspectiva nem são tão bons assim ainda, diz reportagem publicada na edição desta semana, e muita coisa ainda pode dar errado para o país, “mas o mercados parecem não se preocupar”, avalia.

“Parte do otimismo se baseia na convicção de que depois de uma crise tão longa, a retomada não pode estar muito longe”, diz, ecoando um discurso já recorrente na mídia de economia do resto do mundo, de que o país teria chegado ao fundo do poço e deve começar a sair dessa situação logo.

A recuperação ainda não e garantida, explica, e depende de controle de gastos por parte do governo e das reformas que ele pretende passar nos próximos meses.

Além disso, há a questão das eleições do próximo ano. A campanha “ainda está no começo, mas normalmente se sabe mais a esta altura sobre quem vai concorrer à Presidência”, diz.

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‘Financial Times’: Mercado quer manutenção de reformas após eleição de 2018 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/16/financial-times-mercado-quer-manutencao-de-reformas-apos-eleicao-de-2018/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/16/financial-times-mercado-quer-manutencao-de-reformas-apos-eleicao-de-2018/#comments Wed, 16 Aug 2017 20:00:27 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3769

Mercado prefere que reformas continuem após eleição de 2018, diz ‘FT’

O cenário nebuloso da política brasileira gera incertezas para analistas que tentam fazer previsões sobre a economia brasileira, diz um texto publicado pelo suplemento de investimentos do jornal “Financial Times”.

Segundo Nandini Ramakrishnan, estrategista de mercados do JP Morgan, é possível que a economia brasileira cresça 2% no próximo ano, mas “o panorama para 2018 é muito difícil de prever porque o Brasil vai ter eleições presidenciais, e a continuação da incerteza política por continuar restringindo o crescimento”, diz.

A avaliação foi publicada no suplemento de investimentos “Financial Adviser”, e indica que os mercados continuam defendendo reformas econômicas no país. “Reformas são cruciais para o equilíbrio fiscal do Brasil, e as eleições podem ser uma distração ou mesmo atrasar a agenda de reformas”.

Assim como a revista “Forbes” indicou nesta semana, “FT” indica que o mercado prefere que um candidato mais próximo dos seus ideais vença a eleição do próximo ano.

“O resultado mais interessante para o mercado seria a eleição de um governo que possa demonstrar a vontade e a habilidade de continuar com as reformas”, diz.

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Reputação do Brasil piora em ranking, e país é ultrapassado pela Argentina http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/15/reputacao-do-brasil-piora-em-ranking-e-pais-e-ultrapassado-pela-argentina/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/15/reputacao-do-brasil-piora-em-ranking-e-pais-e-ultrapassado-pela-argentina/#comments Tue, 15 Aug 2017 23:40:24 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3762

Reputação do Brasil piora em ranking e país é ultrapassado pela Argentina

O Brasil despencou sete posições no ranking de países com a melhor reputação global, segundo o índice Country RepTrak deste ano, segundo o Reputation Institute.

O país aparece em 31º lugar na lista que inclui 55 nações de várias partes do mundo. E agora aparece atrás de países que não costumavam ter uma imagem internacional melhor do que ele, como Argentina (30º) e Chile (29º).

O Brasil acumulou 59,6 pontos no índice, o que indica uma posição de raputação “fraca” (60 pontos é o mínimo para que a imagem seja classificada como “moderada”).

Apesar da grande queda do país no ranking, e da “grave crise institucional” percebida pelo estudo, o Reputation explica que a imagem do Brasil no exterior não sofreu queda, e se manteve estável. O problema é que a maioria dos outros países tiveram melhora em sua avaliação no período, o que deixou o Brasil para trás.

A queda na reputação externa do Brasil aconteceu há mais tempo. Um gráfico divulgado no estudo mostra como o país foi de uma avaliação externa de 67,2 pontos em 2013 para 49,4 em 2015. A atual é de 47,6.

Reputação do Brasil piora em ranking e país é ultrapassado pela Argentina

Enquanto o Brasil apresentou uma queda no ranking, o país que teve a maior queda em sua reputação internacional, na verdade, foram os Estados Unidos. Segundo o estudo, isso aconteceu especialmente por conta da eleição de Donald Trump.

A eleição do presidente dos EUA também teve efeito sobre o México, mas de forma positiva. o México ganhou simpatia por conta dos ataques de Trump, e melhorou sua reputação.

Além de medir a reputação internacional dos países, o Reputation também avalia a autoimagem dos lugares avaliados. O Brasil é o segundo país que tem a pior autoimagem entre os analisados pelo ranking –à frente apenas da África do Sul.

Entretanto, o Brasil é o país que registra a maior diferença entre a reputação externa (melhor) e a interna (pior). São 12 pontos de diferença.

Esta autocrítica já estava presente no levantamento do ano anterior, que mostrava que enquanto o país tinha 57,8 pontos na avaliação externa, tinha apenas 47,5 na autoavaliação.

Fundado em 1997, o instituto criou o RepTrak para analisar dados sobre 7 dimensões de reputação dos países. O estudo avalia 55 nações diferentes, ouve grupos de interesse e empresas. A cada ano, são realizadas mais de 6 mil pesquisas para gerar os dados analisados.

O modelo de estudo calcula a reputação emocional, medida pela percepção gerada pelo país, e a reputação racional, com base em dados sobre eficiência governamental, avanço econômico e ambiente do país.

O Canadá é o país com a melhor reputação do mundo no ranking deste ano, com um total de 82,8 pontos no índice. Em seguida, aparecem Suíça (também com 82,8 pontos), Suécia (82,5), Austrália (81,6) e Nova Zelândia (81,1).

No outro lado da tabela, o Itaque tem a pior reputação do mundo (28,3 pontos), seguido pelo Irã (32,8) e pelo Paquistão (37,3).

A queda do Brasil no ranking reflete o que outros estudos semelhantes sobre imagem e reputação internacional.

O noticiário sobre as crises política e econômica e os problemas registrados durante a Olimpíada no país derrubaram o Brasil no principal ranking internacional que mede a imagem das nações no mundo. O Brasil aparece em 23º lugar na edição mais recente, de 2016, do Anholt-GfK Nation Brands Index (NBI), a sua pior classificação na história do índice.

A crise política e a recessão também fizeram o Brasil cair quatro posições no ranking Good Country Index— o índice do bom país. Depois de estrear na 49ª posição em 2015 e subir para o 43º lugar no ano passado, o Brasil voltou a cair e agora está em 47º no índice que avalia a contribuição de cada país para o planeta.

Por conta da situação tão crítica, o Brasil desabou no ranking internacional que mede o soft power, o ”poder brando”, ”poder suave” ou ”poder de convencimento”, de acordo com o recém-divulgado relatório anual sobre o tema divulgado pela consultoria britânica Portland.

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‘Forbes’ avalia cenário para 2018 e diz que Alckmin é o favorito do mercado http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/15/forbes-avalia-cenario-para-2018-e-diz-que-alckmin-e-o-favorito-do-mercado/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/15/forbes-avalia-cenario-para-2018-e-diz-que-alckmin-e-o-favorito-do-mercado/#respond Tue, 15 Aug 2017 19:43:32 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3758

Lula, Marina, Bolsonaro, Joaquim Barbosa e Alckmin. Esses são os cinco principais nomes na disputa pela Presidência do Brasil nas eleições do próximo ano, segundo uma lista divulgada pela revista “Forbes”, que analisa o cenário político do país pouco mais de um ano antes da decisão das urnas.

“Está surpreendentemente perto. Em cinco meses o Brasil vai estar entrando em modo de campanha. Um novo presidente vai ser eleito em outubro de 2018. Nenhum dos principais candidatos nas pesquisas é favorito na disputa. Mas em janeiro de 2019 um novo presidente vai liderar o país que completamente implodiu dos seus bons tempos nos anos 2000”, diz a reportagem publicada no site da revista.

À frente nas pesquisas de opinião, como o Datafolha, Lula é o primeiro nome da lista da “Forbes”. Segundo a revista, “alguns investidores em Nova York se lembram dos ‘bons tempos’ sob Lula e aceitam sem problemas a volta dele ao poder”.

Marina Silva é a segunda da lista, mas “não é vista como uma alternativa favorável aos mercados”.

Em seguida vem o deputado Jair Bolsonaro, que se beneficia dos escândalos de corrupção no país, mas ainda tem alta rejeição e não tem uma postura muito clara em relação à economia, segundo a “Forbes”.

O ex-presidente do STF joaquim Barbosa vem em seguida, mas é mais uma escolha da mídia brasileira do que um candidato de verdade, diz.

Por último na lista aparece Geraldo Alckmin, chamado de “Al Gore da política brasileira”, responsável pela maior economia do país há mais de quatro anos, e o favorito do mercado, na avaliação da “Forbes”, que o classifica como candidato de centro-esquerda.

“Suas políticas estariam alinhadas com o padrão de políticas sociais e econômicas de sociais-democratas de centro-esquerda”, diz.

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Para think tank dos EUA, sobrevivência de Temer depende de alívio econômico http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/14/para-think-tank-dos-eua-sobrevivencia-de-temer-depende-de-alivio-economico/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/14/para-think-tank-dos-eua-sobrevivencia-de-temer-depende-de-alivio-economico/#comments Mon, 14 Aug 2017 23:45:47 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3754

Apesar de o presidente Michel Temer ter mostrado ainda ter força política ao evitar investigações contra ele sobre corrupção, o governante está enfraquecido, segundo uma análise publicada pelo think tank norte-americano Council on Hemispheric Affairs.

Segundo um artigo assinado pela pesquisadora Madeline Asta, se Temer tentar aprovar reformas que retirem acesso da população a serviços como educação e saúde, a reação pública pode ameaçar sua legitimidade e a sensação de recuperação econômica promovida pelo seu governo.

“Enquanto Temer enfrenta acusações de corrupção, ele só consegue manter seu poder político pela promessa de alívio econômico. Apesar de o Congresso recentemente ter votado para proteger Temer das investigações de corrupção, se suas políticas mostrarem sinais de enfraquecimento, seus aliados congressistas vão provavelmente abandoná-lo quando novas acusações aparecerem”, diz o texto.

“Para realmente melhorar a atual estrutura social, política e econômica, o Brasil precisa de uma reforma tributária progressista e do fim da corrupção; além disso, qualquer reforma também precisa ser acompanhada de medidas efetivas de controle de gastos públicos e não pode ser obscurecida por manobras políticas”, defende.

O tom crítico ao governo Temer é natural para o Coha, que recentemente publicou um artigo alegando que o impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão ao poder de Temer criaram uma situação análoga a um “Estado de exceção” semelhante ao que governou o Brasil a partir de 1964.

Desde o início do processo de impeachment, a maioria dos textos publicados pelo think tank com sede em Washington DC. e fundado em 1975, tinham um tom crítico à saída dela do poder.

Apesar de a postura política de esquerda não ser declarada ou oficial pelo instituto, que diz defender apenas a democracia e condenar regimes autoritários, o Coha na prática faz um contraponto aos think tanks americanos mais populares, como o Instituto Brookings e o Council on Foreign Relation.

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Pesquisador americano critica condenação de Lula e chama provas de frágeis http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/11/pesquisador-americano-critica-condenacao-de-lula-e-chama-provas-de-frageis/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/11/pesquisador-americano-critica-condenacao-de-lula-e-chama-provas-de-frageis/#comments Fri, 11 Aug 2017 14:29:30 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3751

Pesquisador americano critica condenação de Lula e chama provas de frágeis

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado por corrupção com base em provas inconsistentes, frágeis, segundo o codiretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política, em Washington (EUA), Mark Weisbrot.

Em um artigo publicado na revista americana “The Nation”, Weisbrot criticou a condenação de Lula e o que ele vê como perseguição política a políticos de esquerda.

“Lula e seu Partido dos Trabalhadores são uma afronta à elite tradicional do país –que por sua vez está mergulhada na corrupção– então eles querem destruí-lo usando o meio que for necessário”, avalia Weisbrot, que é também presidente da Just Foreign Policy, organização norte-americana especializada em política externa.

Alinhado à esquerda, Weisbrot é um dos principais críticos no exterior do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff – que disse considerar um golpe de Estado. Segundo ele, o processo contra Lula se baseia em depoimentos sem provas, o que não deveria ser suficiente para condená-lo.

O pesquisador ainda critica o trabalho do juiz Sergio Moro, que “foi pego várias vezes com seus dedos na balança da Justiça no caso de Lula”, diz.

“Quando a elite ostensivamente corrupta do Brasil realizou um golpe para se livrar da presidente eleita, Dilma Rousseff, no ano passado, causou grande impacto na democracia do país”, defende.

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Ação de Temer contra Janot reforça comparação entre Brasil e Venezuela http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/08/acao-de-temer-contra-janot-reforca-comparacao-entre-brasil-e-venezuela/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/08/08/acao-de-temer-contra-janot-reforca-comparacao-entre-brasil-e-venezuela/#comments Tue, 08 Aug 2017 23:39:09 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=3745

Ação de Temer contra Janot reforça comparação entre Brasil e Venezuela

Dois dias depois de o governo brasileiro condenar a destituição da procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, e classificar a medida como “arbitrária e ilegal”, o presidente Michel Temer pediu nesta terça-feira (8) a suspeição –e impedimento– do procurador-geral brasileiro, Rodrigo Janot.

Ainda que com pesos diferentes, e com mais instâncias e instituições mais independentes no caso brasileiro, a medida pode reforçar a comparação que alguns analistas estrangeiros fazem entre os dois países em crise, pesando de forma negativa na imagem do Brasil, que pode ser percebido como menos democrático.

A tese de que os dois países, embora em realidades diferentes, vivem situações que podem ser comparáveis, foi defendida recentemente pela professora de política e relações internacionais da Universidade de Aberdeen, na Escócia, Andrea Oelsner.

Para ela, 30 anos depois do fim das várias ditaduras da América do Sul, a região ainda está lutando para consolidar suas instituições democráticas.

“O Brasil e a Venezuela estão lidando com as consequências da corrupção política maciça e, com isso, as promessas não entregues pela democracia. Ambos sofrem não apenas de funcionários corruptos individuais, nem mesmo de governoscorruptos, mas corrupção estrutural permeando seus sistemas políticos de cima para baixo”, disse a pesquisadora em artigo publicado no site “The Conversation”.

A comparação entre os dois países não é exatamente nova, mas antes costumava ser feita para favorecer a imagem do Brasil, afastando-o da realidade caótica da Venezuela.

Isso ficou evidente em julho, quando o “New York Times” e o “Guardian” trocaram de correspondentes no país, e os jornalistas que saíram do Brasil se despediram com relatos sobre sua experiência no país. Nos dois casos, a Venezuela foi citada como uma referência para que se pensasse os problemas brasileiros como menos graves.

Simon Romero, que era correspondente do “New York Times” no Brasil desde 2011 e deixou o país na semana passada, morou em Caracas antes de se mudar para o Rio de Janeiro. Enquanto o Brasil se afundava em crise e via crescer uma forte polarização política, ele olhava para o que vivenciou na Venezuela, e acabava achando que as coisas não iam tão mal no Brasil.

Relato bem parecido é o de Jonathan Watts, ex-correspondente do jornal britânico “The Guardian” no Brasil, que também deixou o país neste mês. Em seu texto de despedida da América Latina após cinco anos atuando no Brasil, contou que foi apontado pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, que o chamou de “gringo”.

Apesar das comparações, e da possível aproximação a partir do pedido de Temer contra Janot, os dois países ainda estão claramente em situações diferentes.

Desde a instalação da controversa Assembleia Constituinte da Venezuela, cresceram as críticas à falta de democracia no país, e a destituição da procuradora só aumentou estas vozes contrárias.

O próprio Janot falou sobre o assunto em entrevista à “Folha”, alegando que “isso não é uma democracia.”

“Lastimável que no século 21 um país trate o Ministério Público dessa maneira. (…) É inconcebível que um órgão de controle sofra esse tipo de retaliação em um país que se diz democrático”, disse.

A discussão sobre democracia no Brasil e na Venezuela ganhou espaço de forma irônica no site da rede venezuelana (chavista) Telesur, que acusou Temer de aderir ao lema “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

“Presidente não eleito do Brasil diz que a Venezuela não é uma ‘democracia'”, diz o título da reportagem.

“Quando você pensa que um presidente imposto pelo Senado e com a popularidade no fundo do poço não tem o conceito de práticas democráticas, o presidente do Brasil declara que a Venezuela vai ser recebida de volta ao Mercosul quando voltar à ‘democracia'”, diz o texto. Em seguida, a Telesur reforça que o governo da Venezuela realiza frequentemente eleições democráticas, enquanto o próprio Temer não foi eleito para a Presidência.

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