Brasilianismo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br Daniel Buarque é jornalista e escritor com mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute do King's College de Londres. Tue, 15 Jan 2019 17:28:32 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Preço e ilegalidade desafiam decreto sobre armas, diz mídia estrangeira http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/15/preco-e-ilegalidade-desafiam-decreto-sobre-armas-diz-midia-estrangeira/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/15/preco-e-ilegalidade-desafiam-decreto-sobre-armas-diz-midia-estrangeira/#respond Tue, 15 Jan 2019 17:28:32 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5114 A assinatura de um decreto que flexibiliza a posse de armas no país, uma das promessas de campanha de Jair Bolsonaro, vai diminuir os obstáculos para quem quiser comprar armas no país. A medida ganhou destaque quase imediato na imprensa internacional, com reportagens que ressaltam que o Brasil “se tornou o país com mais assassinatos do mundo”, como diz o texto do “Wall Street Journal” sobre o tema.

Apesar da decisão do governo, a medida terá efeito limitado por conta da alta circulação de armas ilegais e do alto preço de armas novas no país, destacou uma reportagem da agência de economia Bloomberg.

“Por si só, é improvável que o decreto de Bolsonaro ajude muitos brasileiros a comprar armas, não apenas devido a outras regras rigorosas que permanecerão em vigor, mas também devido ao alto custo. A fabricante brasileira Forjas Taurus SA domina o mercado local e, sem maior concorrência, alguns especialistas dizem que as armas de fogo legais continuarão a ser proibitivamente caras para a maioria”, diz a reportagem.

Além disso, ressalta a agência, a posse de armas já era legal em alguns casos no país, e quase 95% das armas apreendidas pela polícia não têm registro, pois circulam ilegalmente.

“Embora seja legal possuir uma arma no Brasil, os obstáculos burocráticos limitam seu registro e a maioria das armas é obtida ilegalmente. Em 2018, 48.330 licenças para armas e munições foram emitidas e 210.097 foram renovadas, de acordo com dados da Polícia Federal. Por outro lado, 94,9% das 119.484 armas de fogo apreendidas pelas autoridades em 2017 não foram registradas”, diz.

O jornal britânico “The Independent” também ressaltou o alto número de homicídios registrados no Brasil, e disse que a medida do governo faz parte do plano de Bolsonaro, que durante a campanha criou imagem de candidato com postura dura contra o crime. Ainda assim, o jornal destaca que pesquisas indicam que apenas 41% dos brasileiros apoiam a liberalização das armas.

A flexibilização da posse de armas no país foi uma das principais promessas de campanha de Bolsonaro. Ela não tem relação com o porte de armas, que é o direito de o indivíduo andar armado pelas ruas. A posse, por sua vez, é a autorização para manter uma arma em casa ou no trabalho, desde que o proprietário seja o responsável legal pelo local.

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Otimismo do mercado alavanca notícias positivas sobre o Brasil de Bolsonaro http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/14/otimismo-do-mercado-alavanca-noticias-positivas-sobre-o-brasil-de-bolsonaro/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/14/otimismo-do-mercado-alavanca-noticias-positivas-sobre-o-brasil-de-bolsonaro/#respond Mon, 14 Jan 2019 18:57:12 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5111

Enquanto a imprensa estrangeira mais tradicional mantém uma posição muito crítica em relação às primeiras semanas do governo de Jair Bolsonaro –com preocupação e alertas em relação à democracia, a direitos de minorias, proteção ambiental e sobre mudanças na política externa do país–, o otimismo do mercado com possíveis reformas na economia brasileira alavanca notícias mais positivas sobre o país no resto do mundo –mesmo que também incluam menções aos problemas do novo governo.

“O Brasil tem o melhor mercado de ações do mundo agora”, dizia o título de uma reportagem publicada na revista Forbes na semana passada. “Enquanto os tanques do Exército não entram em cena, como os opositores [de Bolsonaro] acreditavam até apenas quatro meses atrás, o Brasil está se encaminhando para ter o mercado com melhor resultado do primeiro trimestre, se não de toda a primeira metade de 2019”, diz o texto.

“Com a saída de Temer e a aprovação inicial de Bolsonaro em 60%, o humor geral no Brasil não é exatamente de euforia, mas mais bem descrito como um misto de alívio e de esperar para ver”, complementa.

“Investidores têm grande esperança no Brasil”, diz o título de um texto publicado no site de economia Money Week.

Segundo a publicação, a proposta de liberalização da economia do novo governo é o que anima o mercado internacional. Ainda assim, a publicação alerta que há muitos desafios para a economia brasileira.

Com um tom um pouco mais sóbrio, o Financial Times alega que o modelo tradicional aplicado na economia brasileira, com grande presença do Estado, está sob ataque no país, o que empolga os investidores e impulsiona a Bolsa.

“O Brasil é conhecido por ter se tornado mais socialmente liberal nas últimas décadas, uma tendência que Bolsonaro, conhecido por comentários homofóbicos e ocasionalmente racistas e misóginos, disse que quer reverter. Mas, na economia, o Brasil tradicionalmente se inclinou para políticas de grande força do Estado, especialmente nos últimos 14 anos de governo do Partido dos Trabalhadores (PT)”, explica.

A rede de economia CNBC também relata a empolgação internacional com a economia brasileira, mas indica que o novo governo terá um tempo limitado para entregar as reformas que o mercado espera.

A “janela” para levar adiante reformas como a da Previdência vai durar seis meses, diz a publicação.

Uma outra reportagem, da agência Bloomberg, também destaca a atenção em relação a reformas defendidas pelo mercado. Segundo a publicação, investidores estão atentos ao encaminhamento de promessas de maior abertura ao mercado: Reformas, privatizações, taxas de juros, o contexto global, preços de commodities e outras questões, diz, estão ajudando a percepção positiva da economia brasileira.

Apesar de todo o otimismo, entretanto, a agência Reuters diz que muitos no mercado internacional ainda assistem de fora ao início do novo governo, sem tanta confiança.

“Muitos investidores estrangeiros continuam relutantes em aumentar sua exposição à maior economia da América Latina depois de terem sido queimados pela volatilidade no passado, como ocorreu com um longo colapso do mercado a partir de 2011, após uma bolha movida a commodities. Eles estão procurando mais do que a retórica positiva do recém-eleito presidente Bolsonaro”, diz.

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Para críticos estrangeiros, Bolsonaro faz o Brasil dar as costas ao mundo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/11/para-criticos-estrangeiros-bolsonaro-faz-o-brasil-dar-as-costas-ao-mundo/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/11/para-criticos-estrangeiros-bolsonaro-faz-o-brasil-dar-as-costas-ao-mundo/#respond Fri, 11 Jan 2019 13:38:08 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5105

Uma série de artigos de opinião, editoriais e reportagens com tom crítico às primeiras medidas de política externa do governo de Jair Bolsonaro ganhou destaque na mídia estrangeira nos últimos dias. Textos em alguns dos veículos de imprensa mais respeitados do mundo questionam o encaminhamento de mudanças na diplomacia do Brasil, e chegam a indicar que o país está dando as costas para o resto do mundo e ameaçando o soft power construído nas últimas décadas.

“O caso de amor do Brasil com a diplomacia morreu”, diz o título de uma análise publicada pela respeitada revista Foreign Policy nesta semana.

Segundo o texto, assinado pelo professor de estudos políticos do Bard College Omar G. Encarnación, o país era uma liderança no internacionalismo liberal, mas vai agora dar as costas ao mundo.

“Entre as potências emergentes do mundo, o Brasil tem sido um inigualável defensor do que definiu o liberalismo internacional nos anos do pós-guerra, especialmente um compromisso com o multilateralismo, mercados abertos e a defesa de valores liberais, como democracia, diversidade e direitos humanos. A recém-inaugurada administração do presidente Jair Bolsonaro agora promete mudar tudo isso. Embora ganhasse ampla notoriedade por seus comentários racistas, misóginos e homofóbicos, seu legado duradouro pode acabar sendo sua política externa. O resto do mundo não deve subestimar a escala do afastamento do Brasil em relação à ordem liberal internacional”, diz o texto.

O artigo lista os avanços alcançados pelo Brasil em política externa nas últimas décadas, alegando que o país havia se tornado uma liderança em questões importantes e progressistas como a defesa da democracia, a luta contra a Aids, o combate à desigualdade e à pobreza, a defesa dos direitos de minorias e mesmo em questões ambientais.

Encarnación argumenta, entretanto, que mesmo com poucos dias de governo o retrocesso trazido por Bolsonaro já está acontecendo.

“O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, um cético sobre mudanças climáticas (ele se referiu ao aquecimento global como uma trama marxista), anunciou que o Brasil sairá do acordo de mudança climática de Paris, algo inconcebível há apenas alguns meses. O Brasil também retirou sua candidatura para sediar a conferência de mudanças climáticas da ONU em 2019. Tudo isso está de acordo com as visões anti-globalistas de Bolsonaro e a postura anti-ambientalista”, explica.

“Lamentavelmente, a proteção que muitos esperam reduzir a agenda interna de Bolsonaro fará pouco para reduzir sua capacidade de transformar a política externa brasileira.”

Com tom igualmente pessimista, a revista The Economist também enfocou as mudanças da diplomacia brasileira sob Bolsonaro em sua edição mais recente. Segundo a publicação, as contradições trazidas à política externa do país e o posicionamento do novo chanceler colocam em risco o soft power to Brasil.

A revista revisita a história da diplomacia brasileira e o legado construído pelo Barão de Rio Branco e alega que a indicação de Araújo muda a tradição e choca a elite intelectual voltada à diplomacia.

“Os valores defendidos por Rio Branco –paz, moderação, confiança no direito internacional, não-intervenção e o que agora seria chamado de busca pelo soft power– tornaram-se parte integrante da ideia do Brasil sobre si mesmo”, explica a revista. “A política externa de Araújo enfrentará o que ele denuncia como ‘globalismo’, um termo sarcástico em referência à abertura ao mundo”, complementa.

Apesar de apontar problemas na política externa do PT, a Economist diz que o encaminhamento do novo governo parece cometer erros. Ao sinalizar uma guinada à extrema-direita, o país se distancia da tradição histórida do país e compromete seu poder global.

“Seu ataque ao ‘globalismo’ também expõe uma contradição no coração do projeto de Bolsonaro. O poderoso ministro da economia do novo presidente, Paulo Guedes, promete reformas liberais, incluindo a privatização e a abertura do Brasil ao comércio e à competição. A melhor maneira de fazer isso não é se aliar servilmente ao protecionista-chefe na Casa Branca. A posição de Bolsonaro em relação às mudanças climáticas já abalou as chances de a União Europeia concluir um acordo comercial há muito adiado com o Mercosul (ao qual o Brasil pertence)”, explica.

A avaliação é semelhante à publicada pelo pesquisador americano Harold Trinkunas em um artigo publicado no site do think tank Brookings logo após a vitória de Bolsonaro. Segundo ele, o novo governo vai destruir o soft power do Brasil.

“Nas últimas décadas, o Brasil procurou influenciar a ordem internacional confiando fortemente no ‘soft power’ –a capacidade de persuadir outros a se alinharem com suas propostas diplomáticas devido ao apelo do modelo doméstico do Brasil e sua abordagem pacífica para resolver disputas internacionais”, explica Trinkunas. Foi através do ‘soft power’ que o Brasil se tornou mais importante internacionalmente durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas desde que Dilma Rousseff chegou ao poder o país vinha perdendo parte deste “poder brando”. “No entanto, a eleição de Jair Bolsonaro provavelmente destruirá o que resta do soft power do Brasil no exterior”, avaliou então.

Em uma outra crítica internacional à nova política externa do Brasil, a revista digital Slate ironizou o alinhamento imediato do país às políticas de Donald Trump.

Segundo a publicação, um artigo publicado por Araújo nesta semana indica uma contradição entre o que o chanceler diz que o Brasil pretende fazer e os posicionamentos não apenas do próprio Bolsonaro, mas também de Trump –especialmente em relação à democracia.

“Falar de liberdade e democracia sempre pareceu estranho aos funcionários do governo Trump, dada a predileção do presidente por governantes autoritários. Pode ser ainda mais estranho de um funcionário do governo de Bolsonaro, não apenas por causa dos ataques do novo presidente à mídia e grupos minoritários, mas também por causa de seu elogio pelo passado autoritário do seu próprio país”, crítica a Slate.

Poucos dias após a posse de Bolsonaro, o jornal americano The Washington Post avaliou que o novo governo iria incluir o Brasil no “eixo de direita de Trump”, o que é marcante especialmente na nova diplomacia do país.

“Tudo isso marca uma mudança significativa da política externa anterior do país”, diz, citando reportagens do próprio jornal que indicam as transformações da diplomacia brasileira. “É claro que, nos próximos meses, as complexidades da governança podem ultrapassar os imperativos da campanha. Por um lado, os especialistas alertam que Bolsonaro não pode seguir Trump em uma guerra comercial com a China. ‘Se a China decidir retaliar e torná-lo um exemplo, os custos de Bolsonaro serão gigantescos’, disse ao Post Matias Spektor, que dirige o Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, uma universidade em São Paulo. ‘É uma diplomacia de alto risco – uma aposta cega’.”

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Brasil impulsiona retorno do populismo na América Latina, segundo estudo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/10/brasil-impulsiona-retorno-do-populismo-na-america-latina-segundo-estudo/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/10/brasil-impulsiona-retorno-do-populismo-na-america-latina-segundo-estudo/#respond Thu, 10 Jan 2019 10:10:16 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5101

A eleição de Jair Bolsonaro demonstrou que o Brasil ainda tem grande capacidade de participação popular em processos democráticos, mas fez com que o país tenha passado a impulsionar uma onda de retorno do populismo na América Latina, segundo a avaliação do mais recente Democracy Index, estudo da Economist Intelligence Unit, consultoria ligada à revista “The Economist”.

O nível de democracia no Brasil aumentou em 2018, segundo o estudo, mas o país continua classificado como uma “democracia falha” e perdeu uma posição no ranking produzido desde 2006.

O Brasil caiu da 49ª para a 50ª posição, mas a nota do país subiu para 6,97, sobre 6,86 na avaliação de 0 a 10 do Index do ano anterior –a perda de uma posição no ranking se deve mais à movimentação de outros países, que podem ter apresentado melhora maior em suas notas.

O país registrou melhora em sua avaliação após três anos de queda em sua nota. Um ano atrás ele havia perdido 0,04 ponto desde a avaliação do ano anterior. Ainda assim, ele se mantém agora abaixo da nota 7, o que faz desde 2015. Em 2014 o Brasil recebeu nota 7,38, melhor avaliação em mais de uma década.

O ranking mais recente atribui a melhora brasileira em parte ao crescimento da participação política da população durante o processo eleitoral.

Ainda assim, o Brasil teve grande destaque em um capítulo do relatório que fala sobre “O retorno do populismo na América Latina”: “Eleições no México e no Brasil em 2018 mostraram que, na América Latina, rumores de morte do populismo foram muito exagerados. Nos dois países, os eleitores –repugnados pela corrupção, violência e altos níveis da pobreza e da desigualdade– viraram-se para populistas para ‘deter a podridão’”, diz o trabalho.

Segundo o Democracy Index, embora tenham ideologias diferentes, Bolsonaro e o novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, compartilham semelhanças em sua ascensão ao poder e na ameaça que representam para a democracia de seus países. A consultoria, entretanto, diz que Obrador pode ter impacto maior sobre a democracia do que Bolsonaro, “para o bem e para o mal”, já que ele tem apoio parlamentar em seu país.

O Democracy Index é um panorama do estado da democracia em todo o mundo, avaliando a situação em 165 estados independentes e dois territórios. Ele leva em consideração cinco categorias: Processo Eleitoral e Pluralismo, Liberdades Civis, Funcionamento do Governo, Participação Política e Cultura Política. Cada país recebe uma nota por item, para em seguida ser categorizado como “Democracia Completa”, “Democracia com Falhas”, “Regime Híbrido” ou “Regime Autoritário”.

O relatório de 2018 tem o título “Eu Também?: Participação política, protesto e democracia”, em referência ao movimento #MeToo, contra assédio e agressão sexual. “A desilusão com os partidos políticos tradicionais e sua capacidade de abordar claramente seus pontos fracos na prática da democracia tem alimentado de forma mais ampla o apoio aos valores democráticos, à crença de que os sistemas democráticos garantem maior prosperidade econômica e segurança”, diz o relatório.

Reportagem da Folha destaca que o Índice da Democracia também aponta que, pela primeira vez em anos, houve aumento da participação das mulheres na política, com leis discriminatórias e “obstáculos socioeconômicos” sendo derrubados em vários lugares. Entre os principais avanços nesse quesito, destaca o estudo, está o número recorde de mulheres eleitas para o Congresso dos EUA em 2018.

A Noruega continua em 1º lugar no ranking, sendo considerada uma “democracia completa”, seguida por Islândia (2º), Suécia (3º), Nova Zelândia (4º), Dinamarca (5º), Canadá (6º), Irlanda (7º), Finlândia (8º), Austrália (9º) e Suíça (10º).

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Em editorial, New York Times critica início do governo de Jair Bolsonaro http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/10/em-editorial-new-york-times-critica-inicio-do-governo-de-jair-bolsonaro/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/10/em-editorial-new-york-times-critica-inicio-do-governo-de-jair-bolsonaro/#respond Thu, 10 Jan 2019 08:49:04 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5097

“Um ano fatídico começou para o Brasil”, diz um editorial publicado pelo jornal americano The New York Times nesta semana, em crítica ao início do governo de Jair Bolsonaro.

“Assim que Jair Bolsonaro foi empossado como presidente do Brasil, ele soltou uma série de decretos de extrema-direita, minando as proteções para o meio ambiente, os direitos das terras indígenas e da comunidade LGBT, colocando as organizações não-governamentais sob monitoramento do governo e purgando os contratados do governo que não compartilham sua ideologia”, descreve o jornal

Segundo a publicação, “suas ações foram uma performance triste, mas não inesperada”, já que estão alinhadas ao estilo e promessas de Bolsonaro –eleito por conta do colapso econômico, do aumento da violência e dos escândalos de corrupção no país, segundo a análise.

“Mas atacar as minorias e fazer promessas grandiosas não vai longe para compensar a falta de competência governamental ou um programa coerente. Na primeira semana da presidência de Bolsonaro, os mesmos investidores e oficiais militares que celebravam um presidente reacionário também viram motivos para preocupação”, diz. “Bolsonaro está apenas começando. Enquanto ele ganha força, com a memória da ditadura militar ainda forte, muito dependerá da capacidade das instituições brasileiras de resistir ao seu ataque autocrático. Muito também dependerá da capacidade de Bolsonaro de realizar reformas econômicas extremamente necessárias”, diz.

O editorial reflete a opinião do conselho editorial do jornal americano, que é considerado um dos mais importantes do mundo. O tom crítico se alinha ao ponto de vista já estabelecido pela publicação, que sempre adotou uma postura muito crítica em relação a Bolsonaro, desde antes da eleição.

Meses antes de o país ir às urnas, em abril do ano passado, o NYT publicou um editorial alegando que o tumulto político no país e a prisão do ex-presidente Lula deixavam a democracia brasileira em perigo. Mais tarde, em agosto, com a ascensão da candidatura de Bolsonaro, o jornal publicou um artigo de opinião em que dizia que o país parecia “flertar com o passado” com a liderança do capitão reformado nas pesquisas de intenção de voto. E, dias antes da eleição, um novo editorial já lidava com a ideia de que Bolsonaro venceria o pleito, e chamava a decisão de uma “triste escolha do Brasil”, que criava riscos para a democracia.

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Wall Street Journal diz que Bolsonaro foi o maior vencedor do mundo em 2018 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/08/wall-street-journal-diz-que-bolsonaro-foi-o-maior-vencedor-do-mundo-em-2018/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/08/wall-street-journal-diz-que-bolsonaro-foi-o-maior-vencedor-do-mundo-em-2018/#respond Tue, 08 Jan 2019 11:50:15 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5093

O presidente Jair Bolsonaro foi o maior vencedor de 2018 em todo o mundo, segundo um artigo de opinião publicado pelo jornal de economia The Wall Street Journal nesta semana.

O novo governante do Brasil foi indicado como o primeiro lugar de uma lista que também inclui outros políticos controversos como o ministro do Interior da Itália Matteo Salvini, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed e o ditador sírio Bashar al-Assad.

Segundo a publicação, “2018 foi um ano inquietante” em todo o mundo, e um movimento contrário ao mercado ganhou força em muitos países. Mesmo num ambiente complicado, os cinco nomes listados foram os que conseguiram alcançar importantes conquistas políticas.

“O maior vencedor de 2018 é o presidente mais improvável de um grande país nos tempos modernos”, diz a publicação a respeito de Bolsonaro.

Apesar de vê-lo como vitorioso, o artigo descreve o novo presidente do Brasil como “uma figura ainda mais polêmica do que Donald Trump”, capaz de elogiar torturadores e de insultar grosseiramente mulheres, minorias sexuais e negros. Ainda assim, explica, ele ganhou a eleição levado por “um colapso econômico, uma onda de criminalidade nacional e o pior escândalo de corrupção na história do Brasil”.

“Bolsonaro retirou a candidatura de seu antecessor para sediar a próxima rodada de negociações climáticas globais, retirou as referências a questões LGBT do ministério de direitos humanos do país, rebaixou as reivindicações das populações indígenas, enviou soldados para áreas de alta criminalidade e anunciou planos para se mudar a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, deixando claro que ele pretende governar como ele fez campanha”, diz o artigo.

O texto é assinado pelo colunista do jornal e professor de Relações Internacionais no Bard College Walter Russell Mead. Segundo ele, investidores estrangeiros esperam que Bolsonaro torne a economia brasileira mais aberta e reforme o sistema previdenciário, mas será difícil lidar com interesses especiais entrincheirados no país.

O Wall Street Journal já havia sido uma das poucas publicações internacionais relevantes e de grande porte a adotar um tom menos crítico à campanha de Bolsonaro antes das eleições presidenciais do ano passado. Enquanto a ampla maioria dos veículos da imprensa estrangeira trataram a vitória de Bolsonaro como uma ameaça para a democracia do Brasil, o WSJ publicou um editorial que poderia ser interpretado como positivo, alegando que a candidatura dele trata de “drenar o pântano”, expressão usada por Trump em 2016 como crítica ao sistema político.

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Novo governo gera preocupação externa com risco de ‘catástrofe ambiental’ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/06/novo-governo-gera-preocupacao-externa-com-risco-de-catastrofe-ambiental/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/06/novo-governo-gera-preocupacao-externa-com-risco-de-catastrofe-ambiental/#respond Sun, 06 Jan 2019 15:03:13 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5086

A primeira semana de Jair Bolsonaro na Presidência foi marcada por um aumento nas discussões no exterior sobre os riscos do novo governo do Brasil para a Amazônia e para as populações indígenas que vivem nas florestas do país.

Foco de preocupação de analistas e da imprensa internacional desde antes da eleição, o possível impacto do presidente sobre a questão ambiental no Brasil e no resto do mundo foi tema de atenção de alguns dos principais veículos da mídia estrangeira durante a semana da sua posse. O destaque é para medidas que podem afetar o clima do mundo, no que chegou a ser chamado de ameaça de “catástrofe ambiental”.

“Horas depois de tomar posse, o novo presidente do Brasil lançou um ataque às proteções ambientais e da Amazônia com uma medida transferindo a regulamentação e a criação de novas reservas indígenas para o Ministério da Agricultura –que é controlado pelo poderoso lobby do agronegócio”, diz uma reportagem publicada no jornal britânico The Guardian.

A publicação vinha sendo uma das mais atentas à questão ambiental e antes da eleição chegou a dizer que a eleição de Bolsonaro representaria uma ameaça para todo o planeta. “Durante a campanha eleitoral do ano passado, Bolsonaro prometeu acabar com a demarcação de novas terras indígenas, reduzir o poder dos órgãos ambientais e liberar a mineração e a agricultura comercial nas reservas indígenas”, diz.

Na reportagem mais recente, o jornal diz que a decisão do presidente provocou reação de líderes indígenas, que disseram que a medida ameaça suas reservas, “que representam cerca de 13% do território brasileiro, e marcaram uma concessão simbólica aos interesses agrícolas em um momento em que o desmatamento está crescendo novamente”.

O jornal americano The New York Times partiu exatamente da questão indígena ao tratar dos problemas do novo governo para a Amazônia e para o ambiente.

“O presidente Jair Bolsonaro, do Brasil, que comparou comunidades indígenas que vivem em áreas protegidas a animais em zoológicos, deu um grande passo para minar os direitos dos povos indígenas poucas horas depois de tomar posse. Em uma das muitas medidas que podem prejudicar comunidades historicamente marginalizadas, o novo governo transferiu a responsabilidade de certificar territórios indígenas como terras protegidas para o Ministério da Agricultura. O ministério tem tradicionalmente defendido os interesses das indústrias que querem maior acesso a terras protegidas”, explica o jornal.

Segundo o jornal francês Le Monde, as primeiras medidas de Bolsonaro com relação à floresta e ao ambiente levam à preocupação com uma possível “catástrofe ambiental” gerada pelo aumento do desmatamento.

“Jair Bolsonaro não é um cético sobre a questão climática. ‘Eu acredito em ciência, ponto final’, disse ele no início de dezembro. Mas ele critica aqueles que ele chama de ‘xiitas do meio ambiente’, os fundamentalistas que ele vê na maioria das organizações não-governamentais dedicadas a preservar o planeta. O presidente também mantém um discurso semicolonialista em relação às populações indígenas, consideradas como os melhores protetores da natureza, a quem pretende converter à modernidade do mundo ocidental”, diz o Monde.

A preocupação com os possíveis impactos das decisões do novo governo sobre o ambiente também foram foco de reportagem da TV americana CNN.

“A floresta amazônica é uma maravilha ecológica. Seus rios e copa criam um ecossistema rico para um décimo de todas as espécies do mundo e ajudam a regular a temperatura de todo o planeta. Mas a eleição do político de extrema-direita Jair Bolsonaro como novo presidente do Brasil deixou muitos preocupado com o futuro da floresta”, explica.

“A saúde da Amazônia tem um efeito direto no aquecimento global”, complementa.

Apesar do clima de preocupação no exterior, alguns analistas apontam que o novo governo pode não ter muita liberdade para criar problemas maiores para a Amazônia e o ambiente global.

“A posse do novo presidente do Brasil desencadeou temores de que as taxas de desmatamento na Amazônia aumentem. Há de fato boas razões para preocupação com a administração de Bolsonaro. Mas vários fatores, tanto domésticos quanto transnacionais, podem restringir sua capacidade de causar danos ambientais”, diz o diretor do Brazil Institute do King’s College London, Anthony Pereira, em artigo publicado no site The Conversation.

Apesar de afirmar que Bolsonaro é um presidente que vê preocupações ambientais como um obstáculo para o desenvolvimento, Pereira diz que o governo não terá facilidades para liberar o desmatamento e a ocupação da floresta.

“O novo presidente fala como se o agronegócio e a proteção do meio ambiente fossem incompatíveis –e parece querer sacrificar o ambiente pela agricultura, mineração e extração de madeira. Mas outras vozes terão espaço, e pelo menos alguma atenção será dada à visão de que a agricultura sustentável que preserva a biodiversidade é melhor tanto para as perspectivas de desenvolvimento do Brasil quanto para o clima mundial”, diz.

Segundo o cientista político americano, pressões internas e de outros países podem levar o governo a precisar ceder em seus interesses, e em aceitar a preservação como sendo interesse do país.

“Preservar a floresta amazônica é de fundamental importância para o planeta, e há muitas pessoas no Brasil que querem fazer isso. Elas rejeitam a noção de que o desenvolvimento e a proteção ambiental são mutuamente exclusivos, e apoiam a reorientação da economia amazônica para meios de subsistência sustentáveis. Resta saber se a visão deles prevalecerá nos próximos anos”, avalia.

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Posse marca guinada do Brasil à extrema-direita, diz imprensa internacional http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/02/posse-marca-guinada-do-brasil-a-extrema-direita-diz-imprensa-internacional/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/02/posse-marca-guinada-do-brasil-a-extrema-direita-diz-imprensa-internacional/#respond Wed, 02 Jan 2019 09:18:45 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5083

A posse de Jair Bolsonaro como novo presidente do Brasil foi interpretada fora do país como a inauguração da guinada brasileira à política de extrema-direita. Em dezenas de reportagens publicadas na mídia estrangeira, a mudança de tom da política nacional demarcada pela chegada ao poder do novo governante recebeu grande atenção.

“Bolsonaro, um ex-capitão do Exército que prometeu medidas radicais para reduzir o crime e a corrupção generalizada, foi empossado como presidente do Brasil na terça-feira, marcando a mudança mais acentuada da nação à direita desde o seu retorno à democracia há três décadas”, diz a reportagem publicada pelo jornal americano The Washington Post.

O governo de Bolsonaro “direciona a maior nação da América Latina extremamente para a direita, em uma mudança política que ficou evidente mesmo durante a sua posse”, destacou o New York Times.

“Bolsonaro, um populista estridente, subiu ao poder ao se aproveitar da raiva contra o Partido dos Trabalhadores e se apresentar como seu oposto”, diz o jornal.

O francês Le Monde comentou o discurso de posse do novo presidente, que prometeu liberar o Brasil do socialismo.

O tom da cobertura francesa foi semelhante ao adotado pelo jornal britânico The Guardian. “A vitória de Bolsonaro da eleição marca uma virada dramática do Brasil para a direita, depois de o país ter sido governado entre 1964 e 1985 por uma ditadura militar pela qual o novo presidente expressou apoio”, diz.

A rede canadense CBC publicou uma reportagem da agência Associated Press que descreve Bolsonaro como um “populista de extrema-direita”.

A ideia de que o Brasil se encaminhava a um governo de extrema-direita com o novo presidente já era evidente no olhar estrangeiro desde a vitória de Bolsonaro na eleição. O tom da cobertura internacional da eleição já usava com frequência essa descrição, chamando o então presidente eleito de populista e comparando-o a Donald Trump e Rodrigo Duterte, das Filipinas.

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Para a mídia estrangeira, Bolsonaro mudou o Brasil antes mesmo da sua posse http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/01/para-a-midia-estrangeira-bolsonaro-mudou-o-brasil-antes-mesmo-da-sua-posse/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/01/01/para-a-midia-estrangeira-bolsonaro-mudou-o-brasil-antes-mesmo-da-sua-posse/#respond Tue, 01 Jan 2019 12:26:09 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5077 Jair Bolsonaro toma posse nesta terça-feira (1º) como presidente do Brasil, mas a sua campanha e vitória nas eleições já começaram a criar mudanças no Brasil antes mesmo de ele assumir o poder, segundo avaliações publicadas na imprensa internacional.

“Não existem dúvidas de que transformações profundas estão acontecendo”, diz uma reportagem publicada pelo jornal americano The New York Times neste 1º de janeiro.

A publicação cita o anúncio de que o novo presidente deve aumentar a facilidade para a compra de armas, a maior aproximação diplomática do país com os Estados Unidos, o aumento do desmatamento na Amazônia, a formação de um governo com nomes de fora da política tradicional e as disputas sobre discussões de gênero em escolas como algumas das mudanças que se consolidaram ainda em 2018 no Brasil.

Para o Times, apesar de haver muita controvérsia em torno das mudanças trazidas pelo novo presidente, Bolsonaro reflete em parte o desejo da população por uma guinada radical na situação do país que se afundou em uma grave crise política e econômica nos últimos anos.

O jornal britânico The Guardian também fala em mudanças no país e destaca que a posse do novo presidente brasileiro atraiu especialmente os líderes populistas e de direita de outros países, indicando o alinhamento ideológico que o Brasil deve seguir a partir de agora.

“Bolsonaro fez campanha com um manifesto nacionalista e contra a corrupção, prometendo drenar o pântano político de Brasília, desenvolver reservas protegidas na Amazônia, resgatar a economia moribunda, proteger valores das famílias e tornar seu país grande. Propostas de punho de ferro para lidar com as altas taxas de crimes violentos, como liberar o porte de armas, foram centrais em sua campanha; no sábado ele tuitou sobre planos para garantir que cidadãos sem histórico de crimes tenham direito de comprar armas”, diz.

Além das mudanças, o New York Times ressalta que Bolsonaro espelha o estilo do presidente americano Donald Trump na forma de lidar com a imprensa, que é tratada de forma hostil pelo novo governante brasileiro.

A comparação de Bolsonaro com Trump, frequente desde a campanha presidencial, também voltou a ter destaque internacional na cobertura da posse. Uma reportagem publicada pelo Washington Post destaca o quanto o novo presidente brasileiro tenta se aproximar do americano.

O jornal usa até mesmo o slogan de Trump no título sobre o brasileiro: “Tornando o Brasil grande novamente: Como Jair Bolsonado espelha e corteja Trump”.

A referência é central também no site Politico, que destaca que o “Trump da América do Sul” toma posse no Brasil.

A eleição de Bolsonaro foi tratada de forma crítica pela maioria dos veículos de imprensa internacional ao longo de toda a campanha de 2018 –assim como o próprio Trump é tratado de forma crítica nos EUA e na Europa. O novo presidente brasileiro foi tratado como um populista de extrema-direita que ameaça a democracia do país. É de se esperar que o tom crítico se mantenha neste início de governo enquanto o mundo observa as primeiras medidas de Bolsonaro no poder.

Reportagem do jornal de economia “Financial Times” sobre a posse foca nas divisões políticas e ideológicas geradas pelo novo presidente, falando sobre medo e esperança no país.

“Entre apoiadores, a expectativa é alta de que o congressista de direita, eleito por uma onda de desgosto popular em relação ao governo anterior de esquerda, vai limpar o país da corrupção, da crescente criminalidade e vai impulsionar a economia que começa a sair da pior recessão da sua história”, diz. “Outros temem seu autoritarismo latente”, complementa.

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Brasil é o 5º colocado em novo ranking de países ‘mais ignorantes’ do mundo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/12/21/brasil-e-o-5o-colocado-em-novo-ranking-de-paises-mais-ignorantes-do-mundo/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/12/21/brasil-e-o-5o-colocado-em-novo-ranking-de-paises-mais-ignorantes-do-mundo/#respond Fri, 21 Dec 2018 13:38:43 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5070 O Brasil ficou em quinto lugar na nova edição do ranking que mede o quanto os países têm noção equivocada sobre a própria realidade.

Chamada “Os Perigos da Percepção”, a pesquisa anual é realizada pelo instituto Ipsos. O estudo foi realizado em 37 países e se baseia em entrevistas com pessoas em cada um deles sobre o que elas acham sobre a realidade que vivem. A pesquisa então compara esta percepção com os dados oficiais. Quanto maior a diferença entre percepção e realidade, maior a “ignorância” da população –e por isso o ranking geral foi chamado originalmente de “índice de ignorância”.

A cada edição, o foco das perguntas é diferente –portanto os rankings anuais não podem ser comparados uns aos outros ou serem vistos como evolução–, mas o Brasil esteve entre os líderes de percepção equivocada em todos os anos em que a pesquisa foi realizada. Em 2017, o país aparecia como o segundo país com menos noção sobre a própria realidade, atrás apenas da África do Sul. Um ano antes, ficou em sexto lugar.

Na edição deste ano, o foco das perguntas tratou sobre temas relacionados à formação da população, imigração, segurança, criminalidade, comportamento sexual, violência sexual, saúde, economia, ambiente e outros temas.

Em 2018, o Brasil ficou atrás de Tailândia, México, Turquia e Malásia. Os lugares em que a população tem uma maior noção sobre a realidade em que vivem são Hong Kong, Nova Zelândia, Suécia, Hungria e Reino Unido.

Essa falta de noção dos brasileiros sobre a própria realidade pode afetar até mesmo o funcionamento da democracia, segundo o ex-diretor de pesquisas do Ipsos, Bobby Duffy, autor do livro “The Perils of Perception: Why we’re wrong about nearly everything” (Os perigos da percepção: Por que estamos errados sobre praticamente tudo).

Em entrevista ao blog Brasilianismo, em setembro, Duffy indicou que candidatos extremistas tendem a se beneficiar da falta de noção da realidade.

Ele também explicou que o problema não é exatamente “ignorância”, como dizia a pesquisa originalmente, mas o fato de que as pessoas acreditam ativamente em coisas factualmente erradas, têm uma percepção equivocada da realidade (chamada “misperception” em inglês).

Segundo o livro, é possível ver uma correlação entre o nível de certeza que a pessoa tem sobre sua avaliação e o de percepção equivocada da realidade. Quanto mais certa a pessoa acha que está sobre um determinado tema, mais alta a chance de ela estar errada.

“A questão não é falta de conhecimento, mas que elas acham que estão certas, mesmo que não estejam. São duas coisas diferentes. Percepções erradas são mais difíceis de lidar do que ignorância. Quando as pessoas não têm conhecimento sobre algo, elas podem ser ensinadas. É mais difícil convencer pessoas que acham que sabem algo que na verdade está errado. Mudar a percepção das pessoas é mais difícil”, explicou.

Imigração

Alguns dos dados da pesquisa deste ano foram publicados em reportagem de Flávia Mantovani na Folha nesta sexta (21).

O jornal mostra que os brasileiros acreditam que o país tem muito mais imigrantes do que realmente tem, e que é o quarto país com a percepção mais equivocada em relação à porcentagem de imigrantes, atrás apenas de Colômbia, África do Sul e Peru. A resposta média dos entrevistados é que 30% da população é formada por imigrantes, quando o índice verdadeiro é de aproximadamente 0,4%.

Os brasileiros também acham que o país tem muito mais muçulmanos do que tem na realidade. O palpite médio foi de 16 a cada 100 pessoas, quando o dado oficial é de menos de 1%.

Ouvida pelo jornal, a pesquisadora Elissa Fortunato, vice-presidente de uma ONG que acolhe imigrantes em São Paulo, disse que o aumento dos fluxos migratórios recentemente no Brasil, principalmente de haitianos, sírios e venezuelanos, pode ter contribuído para a percepção superestimada.

“As pessoas passam a acreditar que aquilo é um problema muito maior do que é. Se as fronteiras onde chegam venezuelanos estivessem mais preparadas para recebê-los, por exemplo, o impacto sobre os serviços públicos seria menor e a percepção das pessoas poderia mudar.”

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