Brasilianismo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br Daniel Buarque é jornalista e escritor com mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute do King's College de Londres. Sat, 18 May 2019 13:04:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Brasil tem imagem externa de ter política disfuncional e ser ingovernável http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/18/brasil-tem-imagem-externa-de-ter-politica-disfuncional-e-ser-ingovernavel/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/18/brasil-tem-imagem-externa-de-ter-politica-disfuncional-e-ser-ingovernavel/#respond Sat, 18 May 2019 13:04:53 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5519

Ilustração publicada pela revista The Economist em reportagem sobre crises no Brasil

A ideia de que o Brasil é um país “ingovernável” e de que a política brasileira é “disfuncional” se consolidou como parte importante da imagem internacional do Brasil nos últimos anos. Difundida pelo presidente Jair Bolsonaro em texto distribuído em grupos de WhatsApp, esta interpretação do sistema político do país ganhou força em interpretações estrangeiras especialmente durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Segundo o texto divulgado por Bolsonaro, seu governo está sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os Poderes e o país “está disfuncional”.

A avaliação internacional de que o sistema político brasileiro não funciona corretamente é mais antiga, entretanto, e foi muito usada pela imprensa internacional para explicar a crise política no país desde o governo de Dilma, o impeachment, as dificuldades de Michel Temer em levar adiante propostas de reformas na economia, e mesmo o processo que levou à eleição de Bolsonaro. Quase sempre que analistas externos fazem uma avaliação mais detalhada da política brasileira, a ideia volta a ganhar força.

Apesar da semelhança no diagnóstico, o contexto da avaliação externa é diferente. Enquanto Bolsonaro parece procurar justificar a falta de avanços em seu governo e tenta conquistar apoio dos seus eleitores, a percepção de analistas internacionais é de que o Brasil deve buscar uma reforma política para aprimorar o sistema e superar dificuldades. O posicionamento externo não é contra a democracia, mas uma indicação da necessidade de melhorar a política do país. Em vez de aumentar o poder do presidente e centralizar a política, a percepção externa é de que o Brasil precisa aprimorar o funcionamento da sua democracia através de reformas, mas é preciso manter divisão de poderes e importantes sistemas de pesos e contrapesos.

Quando a presidente Dilma foi afastada do cargo, por exemplo, grande parte da imprensa de outros países dedicou editoriais à situação política do Brasil. Para a mídia internacional, a questão mais importante não era a disputa sobre a legalidade do impeachment ou a mudança dos governos, mas o fato de que o processo representava o fracasso do modelo político do país.

Textos de opinião de jornais como o New York Times, The Guardian, Le Monde e Financial Times apontavam a existência de graves problemas sistêmicos na política brasileira, diziam que o Brasil precisa de reformas profundas, e que a simples troca de presidente não seria solução para as crises.

“O caso de Dilma expôs algumas das fraquezas do sistema político brasileiro, no qual um presidente tem que fazer acordos com vários partidos políticos, muitos sem ideologia clara. O sistema encoraja a troca de cargos e a corrupção, dizem”, explicou uma reportagem no Washington Post.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o modelo político brasileiro fracassou e se tornou disfuncional a ponto de a corrupção ser inescapável e um bom governo é constantemente impedido.

Segundo o Financial Times, mesmo com a mudança de governo, o problema que continuava era o do “arranjo político que faz com que o Brasil seja uma das mais fragmentadas e pesadas democracias presidenciais no planeta”.

Crítica semelhante foi feita pela revista The Economist, que apontou o Brasil como o país com a política mais fragmentada do mundo, o que deixa o governo disfuncional. O sistema político do Brasil criou uma cacofonia de vozes sem ideologia e precisa ser reformado, explicava a revista em 2017.

“O sistema atual incentiva a diversidade política em detrimento da qualidade”, dizia. O sistema, continua, “incentiva a corrupção e enfraquece a ligação entre eleitores e seus representantes”.

A ideia de que o Brasil é ingovernável apareceu também em um artigo publicado na revista internacional de diplomacia Foreign Affairs, que avaliou os problemas da política brasileira e tratou das ineficiências da política nacional. Segundo a revista, o sistema político brasileiro é viciado em ‘maus governos’.

“O caos que atinge o país é produto não de conduta ilegal individual, mas de uma engenharia política falida. No coração dos problemas brasileiros com corrupção e ineficiência estão as regras que governam a relação entre os poderes Executivo e Legislativo, que encorajam exatamente o tipo de corrupção que o escândalo da Petrobras revelou.”

Segundo a Foreign Affairs, para levar o Brasil de volta à solvência política, os brasileiros precisam enfrentar o desafio de fazer uma ampla reforma política e eleitoral para eliminar os incentivos que levam tantos políticos a infringir a lei.

Essa imagem de política que não funciona se consolidou nos últimos anos e é muito negativa para o país enquanto o Brasil tenta construir sua força internacional e seu prestígio em política externa. A ideia de que o Brasil é ingovernável acaba se associando à imagem de país pouco sério, ou a percepção de que se trata de uma nação “decorativa” no mundo, como apontam pesquisas de “nation branding”. Segundo estes estudos de imagem no exterior, o Brasil é bem avaliado em sua cultura e sociedade, mas não é bem visto por sua atuação política e econômica. Sem uma reforma que ajude a política a funcionar de fato, e que fortaleça a democracia, vai ser difícil mudar esta imagem.

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Sem avanços na economia, governo Bolsonaro é uma ‘decepção’, diz Forbes http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/17/sem-avancos-na-economia-governo-bolsonaro-e-uma-decepcao-diz-forbes/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/17/sem-avancos-na-economia-governo-bolsonaro-e-uma-decepcao-diz-forbes/#respond Fri, 17 May 2019 09:19:26 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5515

Após pouco mais de quatro meses desde a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao poder, o novo governo tem sido uma “decepção”, segundo uma reportagem publicada no site da revista de economia Forbes.

A publicação destaca a alta recente do dólar e o aumento do desemprego no país, bem como a redução na expectativa de crescimento da economia e a queda na popularidade do presidente. Segundo a Forbes, o país deixou de ser o “queridinho” entre os mercados emergentes –rótulo associado ao país após a vitória de Bolsonaro nas eleições do ano passado.

“A grande reforma da Previdência de Bolsonaro não apareceu. Os investidores pensavam que o novo governo do Brasil estaria chegando a algum lugar até agora. Mas não está”, diz, indicando que a reforma pode ser votada em setembro.

Antes mesmo da posse de Bolsonaro, em dezembro do ano passado, a Forbes publicou uma reportagem indicando que os Mercados internacionais dariam um prazo de seis meses para que o governo entregasse mudanças na economia, incluindo a reforma. Esse atraso pode ser um forte índice desse afastamento dos investidores em relação ao governo.

Segundo a reportagem, é verdade que Bolsonaro herdou uma bagunça econômica e política no Brasil, e que ainda é cedo para ter alguma definição clara sobre o novo governo. Ainda assim, “tem sido um começo difícil”.

O texto diz ainda que o governo tem lutado para formar uma frente unificada em questões-chave como a reforma da Previdência–mas diz que o avanço tem sido lento e marcado por problemas. “Qualquer um que esperasse que Bolsonaro pudesse continuar [as reformas iniciadas por Michel Temer], ficou decepcionado até agora.”

A falta de experiência do novo governo aumenta as incertezas para as empresas brasileiras, diz a publicação. Isso atrasou a aprovação da reforma da Previdência e “puxou o tapete dos investidores do Brasil”.

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Protestos contra cortes na educação no Brasil têm destaque internacional http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/15/protestos-contra-cortes-na-educacao-no-brasil-tem-destaque-internacional/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/15/protestos-contra-cortes-na-educacao-no-brasil-tem-destaque-internacional/#respond Wed, 15 May 2019 16:36:21 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5506

Antes mesmo do início dos maiores atos nacionais em defesa da educação pública, no fim do dia, os protestos registrados desde a manhã desta quarta-feira (15) no país começaram a ganhar visibilidade internacional. Ao longo da tarde e da noite, veículos da imprensa estrangeira passaram a dar ainda mais atenção às manifestações e à reação do presidente. Apesar de Jair Bolsonaro ter minimizado o impacto dos atos e criticado os manifestantes, a mídia estrangeira tratou os protestos como “imensos”.

“Dezessete estados foram afetados por uma greve desencadeada após o anúncio de uma redução de 30% nas verbas para universidades federais”, dizia uma reportagem publicada pelo jornal francês Le Monde no início da tarde (horário de Brasília).

“O recente anúncio do congelamento de 30% das verbas para universidades federais pelo novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, um tecnocrata, desencadeou uma ampla mobilização em um setor já visto como atormentado pela falta de apoio financeiro”, explicava o jornal.

As manifestações nacionais foram convocadas em defesa das universidades federais, da pesquisa científica e do investimento na educação básica. Professores, estudantes e trabalhadores da educação participam dos protestos desde as primeiras horas da manhã. Os atos aconteceram após o MEC (Ministério da Educação) anunciar um congelamento orçamentário que atinge recursos desde a educação infantil até a pós-graduação, com suspensão de bolsas de pesquisa.

Além da reportagem do Le Monde, que foi uma das primeiras a dar destaque aos protestos nesta quarta, vários correspondentes estrangeiros em atuação no Brasil acompanham as manifestações desde o início da manhã. Ao longo do dia, a cobertura internacional foi ganhando corpo.

Até mesmo veículos conservadores, como a rede americana Fox News, trataram dos protestos registrados em todo o país. “Multidões protestam contra cortes na educação do Brasil”, diz texto da agência de notícias Associated Press publicado pela Fox News.

Os protestos tiveram cobertura em veículos voltados a finanças, por exemplo. O Financial Times e o Wall Street Journal destacaram as manifestações em todo o Brasil, tratando isso como uma pressão sobre o governo.

“Estudantes e professores foram às ruas em todo o Brasil na quarta-feira para protestar contra os congelamentos, marcando as primeiras manifestações em todo o país contra o presidente Jair Bolsonaro enquanto ele luta para manter sua popularidade enquanto combate uma profunda crise fiscal”, diz o WSJ.

O jornal também destacou a resposta do presidente aos atos: “O inflamado líder de extrema-direita chamou os manifestantes de ‘idiotas úteis e imbecis'”, relata, mencionando que os protestos reuniram “dezenas de milhares em todo o país”.

O comentário do presidente se tornou o principal destaque da cobertura que o jornal britânico The Guardian fez dos atos pelo Brasil. Segundo a reportagem, os protestos desta semana foram os maiores já enfrentados pelo presidente que chegou ao poder no início deste ano, e foi mobilizado por estudantes e professores preocupados com o estado da educação no país.

“Os cortes no sistema educacional do país causaram um choque nas universidades financiadas pelo governo federal, geralmente as escolas mais prestigiosas e competitivas do país. Hospitais universitários, bolsas de pesquisa e escolas secundárias financiadas pelo governo federal também são afetadas pelos cortes, que, segundo o Ministério da Educação, faziam parte do limite de gastos imposto por Bolsonaro”, diz o Guardian.

Toda a atenção dada no resto do mundo aos protestos ocorre por conta do tamanho das manifestaões em todo o país, mas em parte também porque as discussões em torno de cortes e posicionamentos do governo de Jair Bolsonaro sobre a educação têm recebido grande atenção internacional desde o início do ano.

Uma grande movimentação de acadêmicos estrangeiros foi registrada após o anúncio da intenção de rever investimentos em cursos de humanas e cortes gerais nas universidades. Milhares de pesquisadores de algumas das mais importantes instituições e universidades do mundo assinaram petições defendendo cursos de filosofia e sociologia. As declarações de Bolsonaro foram interpretadas como parte de um movimento hostil à academia.

Segundo especialistas, é preciso pensar o gasto em educação como investimento, e cortes nos orçamentos das universidades podem afetar o desenvolvimento do país.

Antes mesmo dos anúncios de redução no orçamento da educação, a imprensa internacional já destacava outras polêmicas ligadas à educação no Brasil. Uma delas foi a proposta de alunos filmarem professores que falassem sobre política. Segundo uma reportagem da rede britânica BBC, as salas de aula do Brasil se transformaram em um palco para as “guerras culturais” no país.

(O texto do post foi atualizado às 5h de 16 de maio – horário de Brasília)

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Liberação de armas pode aumentar a violência, diz análise internacional http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/14/liberacao-de-armas-pode-aumentar-a-violencia-diz-analise-internacional/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/14/liberacao-de-armas-pode-aumentar-a-violencia-diz-analise-internacional/#respond Tue, 14 May 2019 10:20:44 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5503
O decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro para flexibilizar as regras para registro, posse, porte e comercialização de armas de fogo e munições a colecionadores, atiradores esportivos e caçadores do Brasil ameaça aumentar ainda mais o quadro já problemático de violência no Brasil. A avaliação foi publicada em um texto do instituto internacional de pesquisas sobre segurança InSight Crime.

Segundo uma análise publicada no site da instituição, o efeito pode ser o contrário do prometido pelo governo. As medidas teoricamente deveriam favorecer a defesa da população, mas “provavelmente vão levar a mais armas caindo nas mãos de organizações criminosas”, diz.

“Remover a exigência de registrar individualmente cada arma de fogo torna provável que as quadrilhas simplesmente comprem armas no Brasil em vez de importá-las do exterior”, explica.

O InSight Crime relata o aumento da procura por licenças para posse de armas no Brasil, mas diz que as novas regras também podem exacerbar o problema de grupos criminosos obterem armas de forma ilegal da própria polícia.

“A conexão problemática entre policiais e criminosos só se torna mais preocupante quando se discute a ascensão das milícias do Rio de Janeiro”, diz o texto.

A organização InSight Crime é uma fundação de investigação e análise sobre crime organizado nas Américas. “Buscamos aprofundar e informar o debate sobre crime organizado na região oferecendo ao público reportagens, análises e investigações sobre o assunto e o estado dos esforços para combatê-lo”, diz a apresentação do site do grupo. Criada em 2010, em Medellin, na Colômbia, a Insight Crime tem apoio do centro de estudos latino-americanos da American University, em Washington, DC.

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Rádio de Nova York relata aumento no número de brasileiros que pedem asilo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/13/radio-de-nova-york-relata-aumento-no-numero-de-brasileiros-que-pedem-asilo/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/13/radio-de-nova-york-relata-aumento-no-numero-de-brasileiros-que-pedem-asilo/#respond Mon, 13 May 2019 14:14:58 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5500

A longa crise econômica no país e problemas ligados à violência contra minorias estão criando um aumento no número de brasileiros que pedem asilo nos Estados Unidos, segundo uma reportagem veiculada pela WNYC, rádio pública de jornalismo independente de Nova York.

“Cada vez mais brasileiros estão fugindo de dificuldades econômicas –incluindo desemprego, inflação e pobreza– e chegando a Newark [em Nova Jersey], onde são recebidos por uma comunidade estabelecida de língua portuguesa e têm acesso a empregos e outros recursos”, diz a reportagem.

Segundo a WNYC, a região de Nova York tem uma das maiores populações de imigrantes brasileiros nos EUA –cerca de 48 mil pessoas, segundo o censo (número que deve ser muito maior, já que milhares de brasileiros vivem ilegalmente no país e não participam do censo).

Apesar de questões financeiras serem o principal motivo que levam à imigração brasileira aos EUA, a reportagem diz que “nem todos os imigrantes do Brasil estão fugindo das dificuldades econômicas. Os assassinatos pela polícia estão aumentando, especialmente no estado do Rio de Janeiro. Violência baseada em gênero e orientação sexual também é alta. No ano passado, Marielle Franco, vereadora da cidade do Rio e ativista de direitos humanos, foi assassinada. Em janeiro, um congressista abertamente gay do mesmo partido que Franco disse que fugiu do Brasil depois de receber uma série de ameaças de morte”, diz.

A rádio de Nova York diz que a tendência recente de alta na chegada de brasileiros é perceptível. Segundo uma advogada especializada em imigração citada pela rádio americana, em média 50 brasileiros por dia buscam informações sobre asilo na região de Newark. Uma voluntária que trabalha com imigrantes brasileiros diz que em média oito famílias brasileiras chegam por semana na região.

A reportagem explica ainda que muitos estão cruzando a fronteira dos EUA com o México de forma ilegal, acreditando que a Justiça dos EUA vai aceitar os pedidos de asilo. A rádio ressalta entretanto que este processo é longo e complicado, e que é preciso provar que as pessoas que pedem asilo sofriam alguma forma de perseguição no Brasil.

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Bolsonaro põe em risco credibilidade dos militares no Brasil, diz colunista http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/12/bolsonaro-poe-em-risco-credibilidade-dos-militares-no-brasil-diz-colunista/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/12/bolsonaro-poe-em-risco-credibilidade-dos-militares-no-brasil-diz-colunista/#respond Sun, 12 May 2019 16:06:14 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5497

As expectativas exageradas e a falta de resultados dos primeiros meses de governo de Jair Bolsonaro derrubaram sua popularidade no país e ameaçam arrastar para baixo também a credibilidade dos militares brasileiros, segundo a avaliação de Mac Margolis, colunista da agência de notícias de economia Bloomberg. Segundo Margolis, Bolsonaro se tornou uma aposta perigosa para as Forças Armadas do Brasil.

O colunista explica que as pesquisas nacionais indicam que as Forças Armadas são a instituição em que os brasileiros mais confiam, e “Bolsonaro usou o prestígio dos militares nas eleições e depois recrutou seus membros para seu governo”. Isso, ele explica, em princípio gerou preocupações sobre a estabilidade da democracia brasileira.

“Felizmente, os medos se mostraram exagerados”, complementa. “Paradoxalmente, o Exército tem sido uma influência para a estabilidade no governo, contrabalançando os ideólogos de Bolsonaro e descartando aventuras armadas”, diz.

Isso, entretanto, é o que ameaça a credibilidade dos militares, segundo ele.

“Quando Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro, 62% dos brasileiros entrevistados defendiam a ideia de um governo formado por militares de carreira. (…) No mês passado, no entanto, esse entusiasmo público caiu para 49%”, diz.

Segundo ele, a queda reflete a perda de 16% na aprovação geral do governo, o que é causado pela falta de avanços especialmente na economia.

“Apesar de falar de reformas fundamentais e de um renascimento do livre mercado, o maior motor econômico da América Latina ainda está sem força, com 13,5 milhões de pessoas desempregadas e a indústria paralisada”, diz.

Para Margolis, depois dos primeiros meses do governo Bolsonaro, a preocupação com a democracia diminuiu, mas a ligação entre os militares e o governo pode ter seu preço para a popularidade das Forças Armadas. “Por ora, a democracia constitucional provavelmente emergirá sem marcas. Os homens e mulheres brasileiros em verde-oliva talvez não tenham tanta sorte.”

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Cortar educação é política míope e afeta desenvolvimento, diz especialista http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/08/cortar-educacao-e-politica-miope-e-afeta-desenvolvimento-diz-especialista/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/08/cortar-educacao-e-politica-miope-e-afeta-desenvolvimento-diz-especialista/#respond Wed, 08 May 2019 07:00:57 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5490

A decisão do governo de Jair Bolsonaro de cortar gastos da educação superior do Brasil é uma política “míope”, que não pensa no longo prazo e que pode afetar o desenvolvimento do Brasil, segundo o pesquisador americano Walter W. McMahon.

Professor de economia da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, McMahon é especialista na relação entre investimentos nacionais em educação e resultados no desenvolvimento econômico dos países. Ele é autor de livros como “Higher Learning, Greater Good: The Private and Social Benefits of Higher Education” (Ensino Superior, Bem Maior: Os Benefícios Privados e Sociais do Ensino Superior). Segundo ele, é difícil entender justificativas para cortes em educação, e o dinheiro gasto neste tipo de política deveria ser pensado como um investimento no futuro.

Leia também: Pesquisadores estrangeiros se voltam contra cortes de Bolsonaro na educação

Em entrevista ao blog Brasilianismo, o pesquisador avaliou que o Brasil já ultrapassou os estágios iniciais de desenvolvimento que requerem investimento apenas na educação básica, e é preciso pensar na formação superior e de doutores. Para ele, o país deveria se espelhar em países como a Coreia do Sul, que alcançaram altos índices de desenvolvimento e alta renda per capita a partir do investimento em educação.

McMahon também criticou o que vê como um erro comum de desvalorização de ciências humanas –como a proposta do governo Bolsonaro de cortar gastos em cursos de sociologia e filosofia. Ele defendeu que investimentos em áreas de humanas também geram benefícios econômicos para o país no longo prazo.

Leia abaixo a entrevista completa.

Brasilianismo – O senhor acha que pode haver algum efeito positivo na economia de verba da educação superior?
Walter W. McMahon – Não. Acho que isso pode ter um efeito muito negativo para o desenvolvimento econômico do Brasil. O Brasil depende muito da formação educacional da sua força de trabalho, da formação de doutores que criam novas ideias e novas tecnologias e adaptam elas. Realizar cortes nisso me parece uma política míope do ponto de vista do desenvolvimento econômico do Brasil.

Brasilianismo – O governo fala em focar os gastos na educação básica. Acha que isso faz sentido? É preciso escolher entre um e outro?
Walter W. McMahon – Sim, isso poderia fazer sentido, caso não houvesse uma educação secundária universal. Antes de um país alcançar a universalidade da educação secundária, é preciso focar nisso em vez de pensar em aumentar investimentos na educação superior. A educação básica universal deve realmente ser alcançada primeiro. Isso é fundamental para ter uma distribuição de renda mais igualitária com o tempo, para que todos possam participar da força de trabalho do país. Sim, faz sentido priorizar isso em estados iniciais de desenvolvimento. Mas o Brasil atualmente com certeza já está bem além dos estados mais básicos de desenvolvimento econômico. O país precisa expandir a sua formação superior de dois anos e de quatro anos.

Brasilianismo – O senhor estuda muito a conexão entre educação e desenvolvimento econômico. Considerando a situação atual do Brasil, que tenta sair de uma longa crise econômica, de que forma acha que a educação poderia ajudar o Brasil a recuperar sua economia?
Walter W. McMahon – Bem, aqui estamos falando do lado da oferta, da capacidade da economia de crescer, expandir e se desenvolver no longo prazo –e não de políticas de estabilização. Dito isso, muito além dos ganhos diretos, que naturalmente se relacionam com a força de trabalho e sua produtividade, há ganhos substanciais trazido pela educação. O efeito é percebido no sentido de uma melhor saúde para a população, o que leva à redução de gastos com saúde pública; há retorno na forma de uma longevidade da população, na forma de melhor saúde infantil. Sem contar os benefícios sociais substanciais. A educação ajuda com as contribuições para o funcionamento das instituições democráticas, para uma maior estabilidade política, a uma redução de taxas de criminalidade, e até mesmo um aumento na coleta de impostos, já que as pessoas com mais educação passam a ganhar mais. Isso também gera economia no sistema da justiça criminal, já que a criminalidade diminui. Há ainda uma imensa contribuição que vem com o aumento de doutorados, que criam novas ideias e formas de adaptar ideias e aplicá-las à realidade. É daí que vem muito do desenvolvimento. E quanto um Estado corta o apoio público a este tipo de formação, os benefícios sociais acabam se perdendo.

Brasilianismo – Seria um erro pensar a educação apenas como um gasto público?
Walter W. McMahon – É preciso ser enfático ao dizer que educação é investimento. É investimento nas habilidades de capital humano de todas as pessoas que se formam, e que passam a usar essas habilidades por até 45 anos na força de trabalho do país. É um investimento de muito longo prazo, mas que tem retornos muito positivos neste longo prazo. No curto prazo o retorno pode ser menor, mas no longo prazo esse investimento tem retornos imensos no desenvolvimento de famílias por gerações e no desenvolvimento do próprio país.

Brasilianismo – O senhor vê alguma razão que possa justificar cortes nos gastos públicos da educação superior?
Walter W. McMahon – Não conheço detalhes da situação atual do Brasil, mas basicamente não. Gasto na educação é um investimento no futuro da nação. Olhe para a Índia, por exemplo, onde Nehru acreditava fortemente na democracia –e a Índia é a democracia mais populosa do mundo– mas ele pensava na educação como uma forma de assistência social para as famílias, como gasto, e não como investimento. Então a Índia não investiu em educação básica, e então por muitos anos o desenvolvimento econômico da Índia foi retardado por isso. O mesmo aconteceu no Paquistão, que não investiu na educação e continua sem se desenvolver. Mas aí podemos olhar para a Coreia do Sul. Eles, sim, investiram em educação. Assim como Taiwan, assim como Singapura, Hong Kong. E em cada um desses países a renda per capita é tão alta quanto a dos Estados Unidos. São países que têm taxas de crescimento muito bem sucedidas e que têm maior igualdade. Esses países primeiro investiram em educação básica e depois em educação superior e isso espalhou os ganhos por toda a população. Então além de ter crescimento econômicos esses países também combateram a desigualdade. Este é o modelo que o Brasil deveria seguir. A desigualdade é muito alta no Brasil, e a melhor forma de reduzir isso é investir em educação básica e em educação superior.

Brasilianismo – O governo brasileiro também tem falado sobre possíveis cortes em gastos com cursos de humanas –especialmente sociologia e filosofia–, que não são vistos como úteis para a sociedade. O que o senhor acha disso?
Walter W. McMahon – Isso é mais um erro. Não é um erro incomum, e vê-se mesmo aqui nos EUA. Mas há benefícios sociais imensos de áreas que não são as ciências físicas, ou de saúde. As ciências sociais são importantes, e ajudam no direito –basta pensar no direito constitucional, por exemplo. Há ainda as contribuições das ciências políticas. Em países que enfrentam instabilidades políticas, onde as instituições democráticas não são muito eficientes, não há desenvolvimento. Basta olhar para muitos países da África, onde não há estabilidade política e onde a pobreza e espalha. Isso não é positivo para um país. É evidente que há contribuições substanciais do que se pode chamar de crescimento de fato da produtividade total. Em outras palavras, a criação de novas ideias e de novas tecnologias e instituições, que são fundamentais para a estabilidade política. Estas áreas de pesquisa têm uma grande contribuição para o desenvolvimento econômico de um país. Não é só engenharia e programas de MBA que contribuem. As ciências sociais e humanas também. Estudar língua e história é muito positivo e oferecem flexibilidade de áreas de trabalho para as pessoas que se formam nessas disciplinas.

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Financial Times: Filhos de Bolsonaro criam dinastia na política brasileira http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/07/financial-times-filhos-de-bolsonaro-criam-dinastia-na-politica-brasileira/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/07/financial-times-filhos-de-bolsonaro-criam-dinastia-na-politica-brasileira/#respond Tue, 07 May 2019 18:23:29 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5487
Os filhos do presidente Jair Bolsonaro estão se destacando como uma força poderosa que está reformulando a política brasileira, segundo uma reportagem publicada pelo jornal de economia Financial Times.

Se acordo com a publicação, este crescimento da força da família do presidente gera preocupação a respeito da “influência política indevida e está consolidando uma nova dinastia política em um continente com uma longa e contenciosa história de política familiar”, diz.

“Um é conhecido como o ‘pit bull’. Outro está envolvido em um escândalo de corrupção. O terceiro é um entusiasta de armas de direita que busca difundir um movimento populista em todo o Brasil e na América Latina”, descreve o FT.

O jornal compara os filhos de Bolsonaro à influência da família de Donald Trump na política dos Estados Unidos, mas diz que o caso brasileiro é mais exagerado e tem maior potencial de criar problemas.

“Muitos acreditam que os Bolsonaros consolidaram sua posição na lista de dinastias políticas da América Latina, que inclui os Kirchners de esquerda na Argentina e os Fujimoris de direita no Peru”, explica o jornal.

“Dado que os filhos não podem ser demitidos, os analistas preveem que sua influência continuará a crescer até a intervenção de outra facção dentro do governo, como os militares”, complementa.

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Pesquisadores estrangeiros se voltam contra cortes de Bolsonaro na educação http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/06/pesquisadores-estrangeiros-se-voltam-contra-cortes-de-bolsonaro-na-educacao/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/06/pesquisadores-estrangeiros-se-voltam-contra-cortes-de-bolsonaro-na-educacao/#respond Mon, 06 May 2019 17:32:00 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5481

Acadêmicos de mais de 800 universidades em todo o mundo assinaram uma carta aberta escrita em Harvard contra o plano do governo de Jair Bolsonaro de cortar investimentos em cursos de filosofia e sociologia no Brasil –mais de 11,5 mil assinaturas haviam sido coletadas no mundo todo até a tarde desta segunda-feira (6).

Na França, um grupo de professores universitários publicou um artigo no jornal Le Monde criticando as propostas de cortes de gastos na educação no país.

Antes disso um editorial do jornal britânico The Guardian atacou duramente os cortes.

Enquanto a revista de educação Inside Higher Ed faz um resumo do movimento global de crítica ao governo e diz que o Brasil vive um momento de hostilidade contra a academia.

Pesquisadores e acadêmicos de todo o mundo estão se posicionando contra as medidas do governo brasileiro na área da educação, vendo como motivos de alerta tanto a proposta de cortar gastos em ciências humanas quanto os cortes em orçamentos das universidades públicas.

“Especialistas veem os cortes nos orçamentos federais das universidades e a ameaças de cortes em programas específicos como motivados ideologicamente”, diz o texto da revista Inside Higher Ed.

Segundo a publicação, acadêmicos de todo o mundo levam a sério a ameaça do governo. “Milhares de acadêmicos internacionais assinaram cartas abertas. Uma dessas cartas descreve o ataque à filosofia e sociologia como ‘um ataque ao próprio tecido de uma sociedade democrática’. Outra carta diz que ‘a intenção de Bolsonaro de cortar fundos de programas de sociologia é uma afronta à disciplina, à academia e, mais amplamente, a a busca humana do conhecimento. Essa proposta é mal concebida e viola princípios de liberdade acadêmica que devem ser parte integrante de sistemas de ensino superior no Brasil, nos Estados Unidos e em todo o mundo’.”

Segundo os acadêmicos franceses, em texto publicado no Monde, “as ciências sociais e humanas não são um luxo”.

Um dos autores da carta de Harvard contra as medidas do governo, o doutorando Derick S. Baum chamou as propostas de Bolsonaro de “ataque à democracia brasileira”.

Segundo a professora Jocelyn Viterna, que assinou a carta, há grande preocupação com a situação da educação no Brasil.

“Sempre que um partido político tenta limitar a criação e o desenvolvimento e conhecimento, particularmente o conhecimento sobre poder, desigualdade e sociedade, isso é motivo de preocupação”, disse.

O movimento vem crescendo desde os anúncios do governo, e cada vez mais vozes em universidades e centros de pesquisas de todo o mundo têm se colocado contra as propostas de cortes no país. É verdade que essas instituições sempre pareceram ter uma postura mais crítica ao presidente brasileiro, muito mal avaliado desde a eleição. Ainda assim, o posicionamento maciço de intelectuais de todo o mundo pode ter um forte impacto negativo na imagem do governo brasileiro, criando reações contrárias ao país, e até mesmo a projetos de integração internacional do país com o resto do mundo.

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Estilo de Bolsonaro gera frustração e ameaça governabilidade, diz analista http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/06/estilo-de-bolsonaro-gera-frustracao-e-ameaca-governabilidade-diz-analista/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/05/06/estilo-de-bolsonaro-gera-frustracao-e-ameaca-governabilidade-diz-analista/#respond Mon, 06 May 2019 09:51:14 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=5477 Para pesquisador do American Enterprise Institute, comportamento do presidente brasileiro atrapalha o encaminhamento de reformas importantes para o país. A crítica vem de um think tank conservador alinhado ideologicamente a muitos dos interesses de Bolsonaro (especialmente na economia), e indica que estilo combativo do presidente pode por em risco a “oportunidade monumental” da sua eleição.  

“Frustração” é uma palavra que define os primeiros meses de governo de Jair Bolsonaro no Brasil, segundo a avaliação de um pesquisador do think tank American Enterprise Institute –um centro de estudos conservador de Washington, DC, que se alinha a muitos dos interesses de Donald Trump e do próprio Bolsonaro.

Segundo Ryan Berg, que assina o artigo publicado na revista The American Interest, o estilo “impulsivo e combativo” que levou à vitória de Bolsonaro nas eleições “agora ameaça sua capacidade de governar”. Em vez de trabalhar para acalmar as tensões legislativas, Bolsonaro tem jogado querosene no fogo e aumentado problemas desnecessários, avalia.

“É difícil exagerar o quão inadequado é o temperamento de Bolsonaro para reunir apoio às reformas dolorosas e de longo prazo que o Brasil exige para acelerar sua economia esclerosada”, diz.

Segundo Berg, a eleição de Bolsonaro representou uma “oportunidade monumental” para o Brasil, com potencial de reduzir o legado de corrupção e melhorar a administração do país. Mas o início do governo não conseguiu avançar muito, e “Bolsonaro ainda tem que tranquilizar os eleitores de que ele pode deixar de lado seu pugilismo e obsessões ideológicas por tempo suficiente para resolver os problemas muito sérios do Brasil”, diz.

Berg explica que muitas das dificuldades enfrentadas pelo novo governo se dá por uma postura saudável de evitar os conchavos e trocas de favores políticos que marcaram a política brasileira, mas indica que é um erro o presidente esperar que todo o país se ajuste a seu estilo

“Em vez de identificar uma maneira nova e produtiva de governar para todos os brasileiros, Bolsonaro está ocupado aplacando sua base e insultando seus críticos esquerdistas. Em vez de se preparar para vitórias, ele continua se voltando contra os moinhos de vento.”

O pesquisador diz que é natural que as mudanças prometidas por Bolsonaro acarretem alguma turbulência. “No entanto, sua compulsão em demonizar os oponentes –seja como comunistas ou como cativos da ideologia de gênero e do chamado ‘marxismo cultural’– complica sua capacidade de explicar questões complexas de uma forma que possa reunir apoio para reformas críticas”, diz.

“Embora seja muito cedo para declarar o mandato de Bolsonaro mortalmente ferido, as apostas não poderiam ser mais altas e sua presidência está em um momento crítico.”

A avaliação crítica de Berg é relevante no contexto em que o governo Bolsonaro tenta aprovar reformas internas enquanto busca vender no resto do mundo uma imagem de país atraente para mercados internacionais. O foco no estilo mostra que mesmo quem concorda com os objetivos do governo questiona a forma como o presidente está levando adiante suas propostas.

Além disso, o think tank que produziu a crítica e a revista que publicou o artigo são alinhadas ideologicamente com a visão conservadora que o presidente brasileiro tem da economia e de política externa. Tanto que a mesma revista publicou um artigo recente defendendo o realinhamento da diplomacia do Brasil com a dos EUA.

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