Brasilianismo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br Daniel Buarque é jornalista e escritor com mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute do King's College de Londres. Fri, 15 Dec 2017 10:48:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 ‘The Economist’ diz que jovens podem ajudar a salvar democracia do Brasil http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/15/the-economist-diz-que-jovens-podem-ajudar-a-salvar-democracia-do-brasil/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/15/the-economist-diz-que-jovens-podem-ajudar-a-salvar-democracia-do-brasil/#comments Fri, 15 Dec 2017 10:48:53 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4089

‘Economist’ diz que jovens podem ajudar a salvar democracia do Brasil

A menos de um ano do que a revista chama de “eleição mais importante para a democracia brasileira”, a “The Economist” diz que jovens ativistas que tentam entrar na política podem ser uma esperança para o futuro do Brasil.

“Como jovens brasileiros esperam limpar a política”, diz o título de uma reportagem publicada em sua edição mais recente.

A revista deixou um pouco de lado o pessmismo de analistas que apontam para o risco do populismo de novos candidatos na política brasileira, e mostrou que há novos atores ingressando com novas propostas na disputa pelo poder.

O contexto é o mesmo que gera preocupação: Um Congresso tomado por velhos grupos que dominam a política brasileira há décadas e que não tem mais nenhuma confiança da sociedade. Mas a resposta ao problema do discrédito da velha guarda pode vir de uma nova geração, diz.

“Jovens brasileiros estão fartos. (…) Mas renovar o Congresso brasileiro não vai ser fácil. Candidatos independentes são proibidos e partidos são fechados a novatos. Em alguns estados, os assentos estão nas mãos de famílias conhecidas”, explica.

Ainda assim, diz, diferentes grupos, com diferentes ideologias, estão buscando a cura para o problema. “A renovação política pode não acontecer da noite para o dia”, diz.

A “Economist” é uma das publicações internacionais mais atentas ao que acontece no Brasil. Sua abordagem busca sempre um alinhamento do país a uma política econômica de viés liberal, segundo uma pesquisa acadêmica sobre a cobertura que a publicação faz sobre o Brasil.

A análise da “Economist” ecoa a avaliação do editor chefe da revista “Americas Quarterly”, um dos mais ativos analistas estrangeiros da situação do Brasil. Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo há quase um ano, Brian Winter se dizia preocupado com a crise política no país, alegava ver riscos de o Brasil seguir o rumo dos EUA sob Trump e apontava a falta de jovens políticos como um dos maiores problemas do país.

“Quando viajo pela América Latina, vejo políticos jovens, com 30 ou 40 anos de idade, atuando de forma intensa na política local. No brasil não há ninguém assim. No Brasil não há lideranças jovens.É difícil até achar algum político ativo abaixo dos 50 anos. O governo atual é dominado por pessoas na casa do 70 anos, e isso é incrível. A forma como as eleições acontecem no Brasil dá muito poder aos partidos, e isso impede a emergência de novos partidos e novos nomes no país. São barreiras institucionais que impedem essa mudança geracional”, dizia.

Segundo a “Economist”, talvez isso tenha começado a mudar.

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Jornais argentinos destacam Brasil como país com mais assassinatos no mundo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/13/jornais-argentinos-destacam-brasil-como-pais-com-mais-assassinatos-no-mundo/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/13/jornais-argentinos-destacam-brasil-como-pais-com-mais-assassinatos-no-mundo/#respond Wed, 13 Dec 2017 18:19:30 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4084

Reportagem do ‘Clarín’ sobre alta da violência no Brasil

Dois dos principais jornais da Argentina abriram espaço nesta semana para destacar reportagens sobre o aumento da violência no Brasil. Tanto o “Clarín” quanto o “La Nación” publicaram textos a respeito da crescente falta de segurança no país vizinho do país deles.

“Brasil, o país onde mais se mata no mundo”, diz o título da reportagem do “Clarín”, que compara o total de vítimas de violência no Brasil com a situação de países em guerra, como a Síria e o Iraque.

A comparação também aparece no texto do “La Nación”, que ressalta que o Brasil assiste a um aumento do número de assassinatos a cada ano.

O “Clarín” explica que há várias razões para esta escalada da violência no Brasil, como a impunidade e a falta de investigações.

Reportagem do ‘La Nación’ sobre violência no Brasil

As reportagens ajudam a reforçar ainda mais um dos mais fortes estereótipos da imagem do Brasil no resto do mundo, o da alta violência e insegurança em suas grandes cidades.

Dois pontos interessantes sobre a cobertura que os jornais argentinos fazem a respeito do Brasil podem ser ligados diretamente a análise acadêmicas sobre a imagem internacional do país. Por um lado, há uma reprodução internacional do que a imprensa brasileira aborda. Por outro, há o fato de que o estereótipo da falta de segurança se construiu com base em fatos reais e da insegurança que realmente afera o Brasil.

As reportagens dos dois jornais usam material de agências de notícias e se baseiam em uma análise do jornal brasileiro “O Globo”, que informa que de 2001 a 2015 foram registrados mais de 786 mil assassinatos no Brasil.

Isso reitera o que diz o trabalho de Antonio Brasil, professor do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo um artigo escrito por ele sobre o trabalho de correspondentes estrangeiros no Brasil, o uso de clichês é parte de um processo no qual a imprensa internacional reflete a forma como os próprios brasileiros pensam sobre o país –é o que acontece com a violência, por exemplo.

A avaliação faz parte do artigo ”A construção da imagem do Brasil no exterior: um estudo sobre as rotinas profissionais dos correspondentes internacionais”, publicado em 2012, na revista Famecos.

É um ponto similar ao do livro ”A Imagem do Brasil no Turismo: Construção, Desafios e Vantagem Competitiva”, de Rosana Bignami. Segundo ela, o Brasil não pode achar ruim que sua imagem seja relacionada à realidade vivida no país. Enquanto o Brasil vive uma situação de violência real, não adianta reclamar que o alto número de homicídios do país se torne destaque internacional e se associe à imagem do Brasil.

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A imagem de exótico do Brasil no exterior é projetada pelo próprio Brasil http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/12/a-imagem-de-exotico-do-brasil-no-exterior-e-projetada-pelo-proprio-brasil/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/12/a-imagem-de-exotico-do-brasil-no-exterior-e-projetada-pelo-proprio-brasil/#respond Tue, 12 Dec 2017 21:31:14 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4079

Estampa do uniforme dos atletas brasileiros nas cerimônias dos Jogos Olímpicos de 2016

Algumas das principais pesquisas acadêmicas a respeito da percepção internacional do Brasil indica que o país tem imagem de exótico, de diferente, “esquisito, excêntrico, extravagante”, como define o dicionário Houaiss.

Por mais que isso possa ser uma imagem que incomoda a muitos brasileiros, uma das principais linhas de estudo do tema indicam que essa representação é alimentada pelos próprios brasileiros.

Esta avaliação é um dos temas centrais do livro “A Imagem do Brasil no Turismo: Construção, Desafios e Vantagem Competitiva”, de Rosana Bignami.

Publicada em 2002, a obra é um excelente tratado sobre a forma como se construiu no resto do mundo a percepção a respeito do Brasil. O livro continua muito atual no debate sobre reputação no país no exterior e traz esta interessante análise sobre a responsabilidade dos próprios brasileiros na formação dessa imagem de exotismo.

Isso em parte porque a formação da identidade nacional está intimamente ligada à projeção da imagem do Brasil no exterior e à aceitação do elemento exótico como parte da própria auto-imagem, diz Bignami.

Segundo ela, “o olhar exótico é, antes de mais nada, aceito como representação nacional. (…) O exótico não é para o brasileiro um elemento externo. O exótico participa da identidade nacional como elemento de composição e exportação, incorporado aos discursos da própria nação que também se promove por intermédio dessas imagens”, diz.

E continua: “A imagem nacional não é resultante unicamente da visão do estrangeiro a respeito do país, embora exista uma tendência de se analisar a situação somente sob esse aspecto. (…) O Brasil e o brasileiro parecem se interessar muito mais pelo que se diz no exterior do que pela própria formação interna do país, responsabilizando o estrangeiro pelo que o país é. (…) Nossa imagem é também, em parte, uma projeção da nossa identidade e, estrategicamente organizada ou não, ela acabou privilegiando e ressaltando alguns aspectos da nação.”

Bignami explica que a imagem estereotipada do Brasil tem aceitação no próprio território nacional e é assumida como elemento verdadeiro da cultura brasileira e dessa forma é difundida. “O elemento exótico encontra-se inserido nos discursos dos próprios brasileiros e até mesmo nas instâncias decisórias da política.”

“O estrangeiro vê o Brasil como o próprio brasileiro se vê e se promove. Não cabe ao estrangeiro mudar essa imagem. As mudanças, se desejadas, devem partir da nação e não podem representar somente uma campanha publicitária restrita a alguns filmes, anúncios em algumas revistas e espetáculos de samba no exterior”, explica no livro.

Parte do trabalho de Bignami tenta desfazer a ideia de que os problemas relacionados à imagem do Brasil existem por “perseguição” da imprensa internacional.

“Certamente a imprensa cria uma imagem, mas não se pode afirmar que a instituição imprensa internacional orquestra contra o país Brasil”, diz.

Segundo ela, embora a imprensa seja considerada impessoal, ela é produto de variados discursos subjetivos. “O discurso da imprensa é parcial, enquanto representa o dizer de indivíduos ou grupos, situados num determinado contexto histórico-social”, explica.

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Brasil cai 37 posições e é 80º em ranking de países que fazem bem ao mundo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/11/brasil-cai-37-posicoes-e-e-80o-em-ranking-de-paises-que-fazem-bem-ao-mundo/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/11/brasil-cai-37-posicoes-e-e-80o-em-ranking-de-paises-que-fazem-bem-ao-mundo/#comments Mon, 11 Dec 2017 10:18:38 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4074

Ilustração do Good Country Index defende que países precisam pensar em todo o planeta

O Brasil é um país que contribui cada vez menos para a qualidade de vida no planeta. Segundo o Good Country Index, um estudo internacional criado para calcular as contribuições de cada país para a qualidade de vida em todo o mundo, o Brasil é apenas o 80º lugar, de 163 países avaliados.

Se já não fosse um resultado ruim o suficiente, a avaliação se revela ainda pior em perspectiva histórica, pois o país desabou 37 posições no ranking divulgado nesta segunda-feira (11) em relação ao mesmo índice calculado no ano passado.

A primeira edição do “Índice do Bom País”, em 2015, colocava o Brasil como o 49º país que mais contribuía para o mundo. Um ano depois, o Brasil subiu para a 43ª colocação –e voltou a cair à 47ª no começo de 2017, em uma revisão dos dados (mas o índice oficial de 2016 indicava a 43ª posição).

Após esta oscilação de algumas posições, agora o país desabou de forma inimaginável, caindo ao 80º lugar.

O Good Country Index foi criado pelo consultor britânico Simon Anholt, o mesmo que foi responsável pela criação do termo nation branding, usado para avaliar a reputação internacional de países como se fossem marcas, e do ranking de imagens Nation Brands Index.

Após anos de estudos sobre reputação e imagem internacional dos países, Anholt se juntou com outros pesquisadores acadêmicos, como Robert Govers, para medir não apenas a imagem, mas o quanto cada país de fato é “bom” para todo o mundo.

Segundo o site oficial do índice, a ideia de “bom” é uma forma de medir o quanto cada país contribui para o bem comum. “Neste contexto, ‘bom’ é o oposto de ‘egoísta’, não o oposto de ‘mau'”, diz.

O argumento tenta combater a ideia de que há um julgamento moral por trás do ranking, e indica que ele é apenas uma medida da contribuição de cada nação para o mundo.

O Good Country avalia a contribuição de cada nação para além das suas fronteiras, buscando descobrir o país que mais contribui para o bem da humanidade a partir de informações de 35 bancos de dados da ONU. O cálculo leva em consideração ainda o tamanho da economia de cada país, para poder relativizar o resultado.

O Good Country Index tenta combater a mentalidade de países que se comportam como ilhas isoladas do resto do planeta

“Os maiores desafios que a humanidade enfrenta hoje são globais e sem fronteiras: aquecimento global, crises econômicas, terrorismo, tráfico de drogas, escravidão, pandemias, pobreza, desigualdade, crescimento populacional, escassez de água e alimentos, energia, perda de espécies, direitos humanos, migração… A lista continua. Todos esses problemas ultrapassam fronteiras nacionais, então a única forma de serem enfrentados é por esforços internacionais. O problema é que a maioria dos países continua se comportando como se fossem ilhas, focando o desenvolvimento de soluções domésticas para problemas domésticos. Nunca vamos chegar a lugar nenhum a não ser que comecemos a mudar este hábito”, diz o texto oficial que explica a criação do GCI.

O índice avalia 163 nações em Ciência e Tecnologia, Cultura, Paz e Segurança, Ordem Global, Ambiente, Prosperidade e Igualdade, Saúde e Bem Estar do Planeta. A ideia não é entender o quanto o país é bom para seus próprios cidadãos, mas o quanto eles são bons para o mundo todo.

A queda de 37 posições no ranking geral reflete a piora na avaliação em cada um dos quesitos avaliados pelo estudo.

O Brasil caiu de 98º para 109º em contribuições para Ciência e Tecnologia. Despencou de 63º para 119º em contribuições para a Cultura –isso por conta especialmente de uma redução em contribuições com a Unesco. O Brasil caiu de 37º para 61º em contribuições para a Paz Internacional e Segurança. Caiu de 42º para 50º em contribuições para a Ordem Global. Caiu de 33º para 53º em contribuições para o Ambiente e o Clima. Deixou a 158ª posição e está em 162º lugar (penúltimo) em contribuições para a Porsperidade e a Igualdade. E caiu de 32º para 40º em contribuições para a Saúde e o Bem Estar do planeta.

A avaliação negativa do Brasil consolida a decadência do país em uma perspectiva global e ressalta uma crítica internacional feita pelo criador do ranking. Segundo Anholt, o GCI indica que o Brasil tem uma imagem internacional melhor do que merece.

Mesmo que o país tenha perdido posições nos índices que medem sua reputação internacional e soft power, e que tenha deixado de aparecer entre os 20 países mais admirados do mundo, o Brasil ainda é o 25º país com melhor imagem, segundo o Nation Brands Index –ranking de reputações criado pelo próprio Anholt anos antes do GCI.

O dado indica que a reputação do Brasil nunca foi tão ruim, mas ainda contrasta muito com a 80ª colocação do Good Country Index.

“O Brasil poderia contribuir muito mais para o mundo, ser mais aberto e ter maior colaboração internacional”, disse Anholt, em entrevista ao autor do blog Brasilianismo, no ano passado.

A avaliação reforça ainda outra tese de Anholt, a de que o Brasil é apenas um país decorativo internacionalmente, com boa imagem e atratividade de turismo e festas, mas sem relevância real para a política e economia globais.

O Brasil faz menos pelo bem do planeta do que seus companheiros de BRICS. A Índia é o 67 país do ranking, a China é o 76º e a Rússia é o país mais bem classificado do grupo, em 53º (A África do Sul assumiu o 47º lugar que antes era do Brasil. Enquanto estava entre os 50 mais bem colocados do ranking, nas edições anteriores, o Brasil era o melhor dos países do grupo.

Ao colocar o Brasil na 80ª colocação, a pesquisa indica que o país contribui menos para o mundo do que nações como Egito (73º), México (74º), Uganda (77º), Guatemala (66º) e Quênia (63º). Ainda assim, o Brasil ainda está à frente da Argentina (82º), da Colômbia (87º) e da Bolívia (99º).

Enquanto o Brasil despenca, o GCI indica que os países que mais contribuem para o mundo, segundo o Good Country, são a Holanda, a Suíça, a Dinamarca, a Finlândia e a Alemanha.

No fim da lista, como nações que menos contribuem para o planeta, estão o Afeganistão, a Líbia, o Iraque, o Iêmen e o Chade –do pior para o menos pior.

 

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Pesquisa indica que o Brasil é um dos países ‘mais ignorantes’ do mundo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/06/pesquisa-indica-que-o-brasil-e-um-dos-paises-mais-ignorantes-do-mundo/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/06/pesquisa-indica-que-o-brasil-e-um-dos-paises-mais-ignorantes-do-mundo/#comments Wed, 06 Dec 2017 09:40:47 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4071

Pesquisa indica que o Brasil é um dos países ‘mais ignorantes’ do mundo

Enquanto a crise faz o Brasil cair posições em todos os rankings que avaliam a qualidade da sua imagem e reputação internacionais, o país conseguiu melhorar sua classificação em um índice bem negativo, o de países “mais ignorantes” do mundo. Em apenas um ano, o Brasil subiu da sexta para a segunda colocação no ranking nada positivo.

Uma reportagem publicada na Folha nesta quarta apresenta os resultados da pesquisa “Os Perigos da Percepção”, realizada pelo instituto Ipsos Mori. O estudo apresentou aos entrevistados de 38 países perguntas sobre a sua realidade e em seguida comparou a percepção das pessoas com dados oficiais.

O Brasil só se saiu melhor do que a África do Sul em termos de conhecimento sobre sua própria realidade.

O Ipsos até tentou diminuir o impacto da avaliação, e mudou o nome do ranking que resulta da pesquisa, que no ano passado era chamado de “Índice de Ignorância”, para “Índice de Percepção Errônea”. É verdade que as perguntas apresentadas foram diferentes das do ano passado, mas o cálculo é o mesmo, uma média entre a diferença entre as respostas fornecidas pelos entrevistados e os dados. E os brasileiros estão entre os que têm noção mais equivocada da realidade.

O Brasil é o país em que a população tem a percepção mais errada a respeito da gravidez de adolescentes. Enquanto os entrevistados em média acham que 48% das meninas entre 15 e 19 anos dão à luz, o dado real é de 6,7%.

O país ficou em terceiro lugar na lista daqueles em que a maior parte da população tem percepção equivocada sobre violência. No total, 76% dos entrevistados acham que a taxa de homicídios no Brasil é mais alta do que a registrada no ano 2000, quando o dado oficial indica estabilidade. Só 12% dos brasileiros entrevistados acertaram a resposta.

De forma surpreendente, mais brasileiros do que americanos têm impressão de aumento do terrorismo em seus países. Questionados sobre uma comparação entre o número de vítimas de atentados no período de 15 anos depois do atentado terrorista de 11 de Setembro (2002-2016), 38% dos brasileiros acham que o número aumentou (contra 37% dos americanos.

Brasileiros também têm uma percepção errada sobre imigração e violência. Para os entrevistados, 18% dos presos no Brasil nasceram em outro país, quando o dado real é de apenas 0,4%.

A percepção equivocada sobre questões de saúde também apareceu na pesquisa. Para os brasileiros, 47% das pessoas entre 20 e 79 anos têm diabetes –o dado real é de 10%.

Outro tópico abordado pela pesquisa foi o uso de tecnologias. Brasileiros acham que 85% das pessoas do país têm smartphones, quando a realidade é que apenas 38% delas têm esses aparelhos. De forma parecida, entrevistados acham que 83% dos brasileiros têm uma conta no Facebook, quando o dado oficial é de apenas 47%.

Por outro lado, o Brasil é um dos países em que menos se acredita que vacinas causem autismo. Apenas 10% dos entrevistados disseram concordar com essa relação. Por outro lado, 54% discordam dessa relação.

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Imagem do turismo no Brasil contrapõe boa natureza e má infraestrutura http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/04/imagem-do-turismo-no-brasil-contrapoe-boa-natureza-e-ma-infraestrutura/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/12/04/imagem-do-turismo-no-brasil-contrapoe-boa-natureza-e-ma-infraestrutura/#comments Mon, 04 Dec 2017 15:58:45 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4067

O presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, durante palestra em Londres

Uma bela praia, clima agradável e um povo amigável e hospitaleiro atraem as atenções do mercado internacional de turismo ao Brasil, enquanto uma infraestrutura problemática e a falta de segurança atrapalham a reputação do país entre viajantes estrangeiros.

Este estereótipo do Brasil a partir dos olhos do turismo foi o resultado de uma pesquisa realizada pelo Escritório Brasileiro de Turismo, que coletou dados em 20 países do mundo. No total, foram ouvidas 1.640 empresas e agentes de turismo no resto do mundo, especialmente na América do Norte e na Europa, a respeito do que eles pensam sobre o Brasil. A Embratur então analisou estes dados para poder definir melhor como promover o turismo no Brasil, resultando na pesquisa “Imagem do Brasil – Percepção do Brasil no mercado internacional como destino turístico”.

O presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, esteve em Londres recentemente para discutir questões relacionadas a esta imagem do turismo brasileiro no resto do mundo e apresentar os dados de pesquisas e levantamentos como este durante uma palestra no King’s College London. Segundo ele, o Brasil ainda não é uma potência internacional do turismo, mas tem potencial de se transformar em uma.

Na palestra, ele comparou a situação do turismo atualmente com a do agronegócio duas décadas atrás. “Há 15 anos, o Brasil não era uma potência global no agronegócio, e se tornou uma rapidamente. Então o turismo também pode mudar assim”, disse. Para Lummertz, o Brasil precisa transformar o turismo em uma prioridade, o que ainda não é.

Segundo a pesquisa, a palavra mais usada pelos entrevistados estrangeiros para definir o Brasil foi “Diversidade”, e a maioria das definições do país entre estrangeiros foram positivas –por mais que sempre ligados a aspectos de festas e de natureza. Outras palavras muito usadas foram “Exótico”, “Divertido”, “Praia”, “Festa”, “Alegre”, “Natureza” e “Carnaval”.

Os aspectos naturais foram os mais bem avaliados pelos operadores de turismo estrangeiros. Quase todos os entrevistados (97%) concordaram parcial ou totalmente com a frase: “A natureza e a vida selvagem do Brasil impressionam”. Proporção semelhante concorda que “as praias brasileiras são belas”, e concorda que “os brasileiros são amigáveis e hospitaleiros”, enquanto 98% disseram achar que o clima no Brasil é bom.

As coisas ficam menos boas para a imagem do turismo no país quando se deixa de lado a questão natural. Quando se pergunta a operadores estrangeiros sobre questões culturais, por exemplo, cai muito a proporção dos que concordam totalmente com frases sobre a qualidade da cultura brasileira.

Só 42% concordam totalmente que o país tem bons museus e centros culturais (outros 42% concordam parcialmente), e 62% acham que as festas populares e tradicionais são atrativas e conhecidas (30% concordam parcialmente).

A questão da segurança também mostra que o Brasil não é muito bem visto no resto do mundo (embora também não tenha uma reputação tão negativa quanto se poderia esperar). Questionados se acham o Brasil um destino seguro, 45% dos entrevistados discordaram total ou parcialmente. Ainda assim, 16% concordam totalmente e 39% concordam parcialmente que o país é seguro.

A pior avaliação que se faz sobre o turismo no país diz respeito a infraestrutura. Perguntados se o transporte público do país tem qualidade, 53% dos agentes estrangeiros discordaram total ou parcialmente. Além disso, 36% discordaram que é fácil se deslocar internamente.

A pesquisa perguntou ainda aos entrevistados sobre o impacto da Copa do Mundo e da Olimpíada sobre a imagem do país. Para 72%, a reputação do país melhorou após os eventos esportivos globais. Apenas 12% discordaram totalmente da ideia de que os eventos melhoraram a imagem do país.

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Bolsonaro aposta em controvérsia, não em conteúdo, diz professor dos EUA http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/30/bolsonaro-aposta-em-controversia-nao-em-conteudo-diz-professor-dos-eua/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/30/bolsonaro-aposta-em-controversia-nao-em-conteudo-diz-professor-dos-eua/#comments Thu, 30 Nov 2017 16:13:40 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4063

Bolsonaro aposta em controvérsia, não em conteúdo, diz professor de universidade americana

A crise de legitimidade da política brasileira está abrindo espaço para Jair Bolsonaro, um político que aposta mais na controvérsia do que em conteúdo, segundo o professor Mark S. Langevin.

“Bolsonaro sempre foi um oportunista, um penetra na política à espera de uma porta aberta. Hoje os principais líderes políticos e partidos, incluindo ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma, além do governo corrupto de Temer, escancararam esta porta”, avaliou.

Diretor da Iniciativa Brasil, na George Washington University, nos EUA, Langevin publicou sua opinião em um texto no blog da London School of Economics criticando a candidatura de Bolsonaro à Presidência do Brasil e atacando a carreira “populista” do deputado.

O artigo é uma avaliação do histórico de Bolsonaro, e foi publicado um mês após os dois se envolverem em uma polêmica troca de acusações.

Convidado por Langevin a participar de uma sessão de perguntas e respostas na universidade americana, Bolsonaro cancelou a participação no evento, chamando-o de “arapuca”. Segundo o professor da universidade americana, o cancelamento mostrou que Bolsonaro não está pronto para o debate.

“Bolsonaro é um ex-militar que se transformou em deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro. Ele se provou controverso e polarizador tanto em sua carreira militar quanto em seus sete mandatos consecutivos na Câmara. Após passar muito tempo nas margens do poder institucional, Bolsonaro agora está tentando entrar na grande política com um populismo divisivo, barulhento e em busca de um bode expiatório”, diz no artigo.

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Niall Ferguson: Crise econômica do Brasil está acabando, mas não a política http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/28/niall-ferguson-crise-economica-do-brasil-esta-acabando-mas-nao-a-politica/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/28/niall-ferguson-crise-economica-do-brasil-esta-acabando-mas-nao-a-politica/#comments Tue, 28 Nov 2017 10:14:18 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4059

Niall Ferguson: Crise econômica do Brasil está acabando, mas não a política

Em entrevista à Folha, o historiador escocês Niall Ferguson, falou sobre a situação atual do Brasil. Segundo ele, o país enfrenta dois efeitos de fenômenos globais. Por um lado, uma maior transparência política expôs a corrupção. Por outro, a desaceleração global afetou a economia.

Autor de “Civilização”, ele é professor na Universidade de Stanford e mantém uma consultoria geopolítica, a Greenmantle. Na entrevista, diz que o país já está vivendo a recuperação da economia, mas que a crise política deve continuar por mais tempo.

Em sua avaliação, o Brasil deve esperar em 2018 “uma repetição do que aconteceu nos EUA em 2016, quando a mídia social teve papel decisivo na eleição de Donald Trump”.

Leia abaixo os trechos da entrevista em que ele fala sobre o Brasil.

“Acredito que a crise da classe política do Brasil é característica do nosso tempo, que não é, de modo nenhum, limitada à América Latina. Uma consequência da maior transparência trazida pela internet foi expor corrupção no hemisfério Norte assim como no Sul e estimular a frustração popular com os establishments políticos. Estamos vendo um fenômeno global, e o Brasil é um entre muitos países onde isso está ocorrendo.

“Em segundo lugar, as dificuldades econômicas do Brasil provêm muito claramente daquela grande queda nos mercados de commodities, que aconteceu na segunda fase da crise financeira e parou com a festa econômica que estava acontecendo neste país. Acredito que isso [queda do preço das commodities] em grande parte passou, e estamos vendo fluxos tremendos de dinheiro para a América Latina no espaço do último ano. Portanto, minha sensação é que a crise econômica está chegando ao fim, mas a crise política, não.”

“Nas eleições do ano que vem, os brasileiros vão encarar algumas grandes escolhas, e você já citou o fato de que há um candidato populista da direita radical. O que nós todos devemos esperar, e eu penso que isso se aplica também à eleição mexicana [em julho de 2018], é uma repetição do que aconteceu nos EUA no ano passado —quando a mídia social teve um papel decisivo na eleição de Donald Trump. Devemos esperar que Facebook e outras plataformas de mídia social tenham um papel muito maior do que antes. E o candidato que compreender melhor como usar essas plataformas terá uma chance muito forte de vencer.”

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Com cracolândia e ocupações, ‘Guardian’ abre semana de especiais sobre SP http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/27/com-cracolandia-e-ocupacoes-guardian-abre-semana-de-especiais-sobre-sp/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/27/com-cracolandia-e-ocupacoes-guardian-abre-semana-de-especiais-sobre-sp/#respond Mon, 27 Nov 2017 15:04:22 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4056

Com cracolândia e ocupações ilegais, ‘Guardian’ abre semana de especiais sobre SP

Com reportagens sobre a cracolândia e sobre ocupações, o jornal britânico “The Guardian” iniciou nesta segunda (27) uma semana de cobertura especial sobre a realidade de São Paulo.

“Enquanto a cidade irmã menor e mais brilhante do Rio de Janeiro faz o que pode para ganhar os holofotes, é São Paulo que silenciosamente se torna a primeira verdadeira megacidade da América do Sul –o motor do Brasil, lar de criatividade incrível, comércio em alta e também de alguns problemas sociais únicos e impressionantes”, diz o jornal, explicando a série que vai publicar sobre a cidade.

O principal ponto do primeiro dia de cobertura é a reportagem em tempo real sobre ocupações urbanas, publicada desde o início da manhã.

“Esses atos de resistência têm muitas formas: trabalhadores que passam a morar em torres de escritórios vazias para ficar perto dos seus trabalhos; moradores de rua morando em barracas em locais públicos, e ativistas de direito à moradia reivindicando território sem uso e convidando estrelas do rock e políticos para discursar para milhares de seguidores”, explica o texto de abertura.

Na primeira reportagem maior da série, o jornal britânico foi à cracolândia para apresentar o local, que é “diferente de quase tudo o que há em qualquer cidade do mundo –centenas e às vezes milhares de viciados, reunidos abertamente no centro da cidade”.

Segundo o texto, é surpreendente que os usuários de crack tomam a rua enquanto trabalhadores engravatados passam pela região a caminho do trabalho.

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Para João Ubaldo Ribeiro, imagem do Brasil era de exótico e desconhecido http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/26/para-joao-ubaldo-ribeiro-imagem-do-brasil-era-de-exotico-e-desconhecido/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/11/26/para-joao-ubaldo-ribeiro-imagem-do-brasil-era-de-exotico-e-desconhecido/#respond Sun, 26 Nov 2017 09:35:20 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4040

Para João Ubaldo Ribeiro, brasileiros se preocupavam demais com sua imagem

O escritor, jornalista e cronista João Ubaldo Ribeiro achava que os brasileiros se preocupavam demais, e falavam em demasia, sobre a imagem do Brasil no exterior. Tanto que em abril de 1995 publicou em uma coluna no jornal “O Globo” um texto sobre o que chamava de “insegurança” dos seus compatriotas. No fundo, ele explicava, o país era um desconhecido e o brasileiro era visto como exótico.

“Os brasileiros, colonizados, complexados e inseguros, se preocupam muito com a nossa imagem no exterior”, dizia.

O escritor se baseava em sua experiência viajando pelo mundo e morando em outros países para avaliar o que se pensava sobre o Brasil no resto do mundo. Segundo ele, não existe propriamente uma imagem do Brasil no exterior.

“De modo geral, ninguém pensa no Brasil ou se preocupa com o Brasil ou mesmo sabe alguma coisa sobre o Brasil”, escreveu.

Para João Ubaldo. um americano médio não saberia o que falar sobre o país, caso fosse abordado na rua e questionado sobre isso.

“Um americano comum teria dificuldade em dizer mais do que quatro ou cinco palavras. Coffee, carnival, Pelay, South America, Buenos aires, se tanto. Os mais velhos, Carmem Miranda, the Brazilian bombshell.”

Segundo o escritor, a noção mais universal que se mantinha nos anos 1990 sobre o Brasil é que era imensamente atrasado.

Índios, Amazônia e mulheres fáceis também fazia parte do imaginário internacional sobre o país, segundo ele.

Na imagem vista pelos estrangeiros, dizia, “todas as mulheres brasileiras, de qualquer status, condição econômica ou cultural, mostram e dão imediatamente, basta pedir –ou exigir, como já aconteceu com algumas amigas minhas. Está no sangue: pediu, ela dá, não se espera outra coisa de uma brasileira.”

O resumo, continuava João Ubaldo, é que o brasileiro era visto como exótico.

“Somos exóticos, enfim. Mas somos exóticos porque queremos, pois, na verdade, exóticos são eles.”

Um ponto curioso é que o texto foi escrito às vésperas de uma viagem oficial do então presidente do país, Fernando Henrique Cardoso, aos Estados Unidos. Para o escritor, isso era motivo de alívio, pois ele seria um representante melhor do que o seu adversário nas eleições, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Praticamente todos nós, embora hipocritamente o possamos negar– ficamos aliviadíssimos por se tratar de dr. Fernando Henrique, que vai gastar seu inglês e tem pinta de príncipe, e não de Lula, que nem doutor é e ia ser péssimo para a imagem do Brasil no exterior”, dizia.

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