Brasilianismo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br Daniel Buarque é jornalista e escritor com mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute do King's College de Londres. Wed, 15 Aug 2018 09:41:05 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Em editorial, o ‘Guardian’ critica combate a violência focado só em punição http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/15/em-editorial-o-guardian-critica-combate-a-violencia-focado-so-em-punicao/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/15/em-editorial-o-guardian-critica-combate-a-violencia-focado-so-em-punicao/#comments Wed, 15 Aug 2018 09:41:05 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4717

Em um editorial sobre a escalada da violência e o recorde de homicídios registrados no Brasil, o jornal inglês “The Guardian” diz que a abordagem do combate à criminalidade com políticas duras (com mais polícia, mais prisões e mais armas) focadas apenas na punição tem se provado um “fracasso muito caro”.

“Especialistas alegam que respostas militarizadas estão associadas com o aumento de abusos de direitos em vez da queda nos homicídios”, diz, depois de citar os dados “assustadores” sobre mortes no Brasil e os custos econômicos e sociais dos altos índices de violência.

Leia também: Recorde de homicídios consolida marca do Brasil como um país da violência

Em uma crítica às propostas de segurança do candidato a presidente Jair Bolsonaro e à política militarista do governo de Michel Temer, que podem “ameaçar a democracia”, a publicação defende que a melhor forma de lutar a violência é com o uso de inteligência policial.

O “Guardian” cita ações de segurança bem-sucedidas em cidades como Bogotá e Cali (na Colômbia), bem como uma declaração da Organização Mundial da Saúde que diz que “a violência pode ser prevenida”.

Além de criticar os problemas de segurança no Brasil e em outros países latinos, o jornal inglês também defende que o próprio Reino Unido aprenda com o debate internacional sobre violência e a abordagem dela como um problema de saúde pública.

“Qualquer solução de longo prazo precisa analisar o quadro mais amplo. A desigualdade e o desemprego entre jovens estão altamente relacionados com a violência”, diz o jornal.

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Para o ‘Financial Times’, eleição no Brasil não traz chance de mudança real http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/13/para-o-financial-times-eleicao-no-brasil-nao-traz-chance-de-mudanca-real/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/13/para-o-financial-times-eleicao-no-brasil-nao-traz-chance-de-mudanca-real/#comments Mon, 13 Aug 2018 13:11:02 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4714

Apesar da grande insatisfação popular com a situação da política brasileira, as coligações partidárias e o desenho das candidaturas à Presidência do país indicam que o eleitor ficou sem chances de mudança real no país, segundo o jornal “Financial Times”.

“Forças políticas tradicionais, como o PT, dominam a disputa. Mesmo Jair Bolsonaro, o ex-militar populista que é considerado um dos líderes nas pesquisas e que se coloca como alguém de fora da política, é um membro do Congresso desde os anos 1990”, diz

Segundo o jornal de economia, cinco candidatos têm chance de chegar ao segundo turno de uma eleição imprevisível e que gera preocupação relacionada à resistência da democracia.

Apesar da rejeição da população aos políticos, o candidato do PT (quem quer que ele seja) e Geraldo Alckmin têm grandes chances por conta da força dos partidos. Bolsonaro tem destaque nas pesquisas de intenção de voto, mas tem pouco apoio de partidos e terá pouco espaço de propaganda gratuita. Enquanto Marina Silva e Ciro Gomes aparecem com menos chances.

Apesar de não oferecer oportunidade de mudança real, diz o jornal, o Brasil também deve conseguir evitar “terremotos” políticos como registrado em outros países.

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Recorde de homicídios consolida marca do Brasil como um país da violência http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/11/recorde-de-homicidios-consolida-marca-do-brasil-como-um-pais-da-violencia/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/11/recorde-de-homicidios-consolida-marca-do-brasil-como-um-pais-da-violencia/#comments Sat, 11 Aug 2018 08:48:05 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4706

O fato de o Brasil ter registrado 63.880 homicídios em um ano seria suficientemente “macabro”, como diz o “New York Times”, para afetar negativamente a percepção internacional do país. A forma como o alto número de assassinatos ganhou atenção no resto do mundo, entretanto, destacou a ideia de que o país conseguiu piorar o que já estava ruim, batendo o próprio recorde de mortes e consolidando a marca do Brasil como um dos lugares mais violentos do mundo.

Em quase todos os títulos de reportagens em publicações estrangeiras se repetiu o tema de “recorde batido”, que deveria ser associado a coisas positivas, mas que reflete o quanto a violência criou no Brasil um “cenário de devastação”, como diz o jornal inglês “The Guardian”.

“São 175 mortes por dia”, ressaltou o “NY Times” em sua reportagem sobre o dado. O jornal ainda comparou a situação à dos EUA, onde o número de homicídios caiu, e a outros lugares também comumente associados à ideia de violência: “Até o México, que também está sofrendo com uma alta de taxa de assassinatos, teve menos homicídios por 100 mil habitantes no último ano”, diz.

O “Guardian” destaca que o problema é até maior do que apenas o número recorde de homicídios, destacando ainda que houve um aumento no número de estupros e o fato de que a polícia é responsável por 14 mortes por dia.

O jornal inglês ainda aponta a impunidade como uma das causas do aumento da violência. “Apenas 10% dos homicídios levam à prisão, e apenas 4% chegam a ser julgados”, diz. Ressalta ainda que o país também registra altos índices de crimes contra mulheres, e menciona a morte da advogada Tatiane Spitzner pelo marido, que teve grande repercussão internacional.

Para a maior parte das análises internacionais, no entanto, o aumento da violência está ligado a problemas sociais e políticos, mas especialmente ao crime organizado. “A taxa de homicídios do Brasil explodiu enquanto quadrilhas rivais lutam por território em um país que tem fronteira com os três maiores produtores de cocaína do mundo. (…) Ao mesmo tempo, orçamentos de segurança pública foram cortados em meio à mais profunda recessão que o país já viu”, diz o “NY Times”.

Além do impacto social e internacional, a notícia recente sobre o novo recorde de assassinatos também está sendo analisada por seu possível impacto político em um ano de eleição presidencial.

A imprensa internacional destaca o fato de que o medo da violência deve ser um forte elemento na decisão dos eleitores brasileiros, e pode ajudar candidatos de extrema-direita, como Jair Bolsonaro. Segundo a rede Al Jazeera, a popularidade de Bolsonaro tem levado outros candidatos, como Geraldo Alckmin, a endurecer o discurso de combate à violência.

O medo da violência no Brasil recebeu também atenção internacional antes da divulgação dos dados quando o “Wall Street Journal” publicou na semana passada reportagem dizendo que milhares de brasileiros ricos estão “fugindo do país”. A publicação diz que as notificações de emigração saltaram para 21.700 em 2017, três vezes mais que em 2011.

A violência associada ao recorde de homicídios tem sido um dos elementos que, desde o início das crises política e econômica, têm piorado a imagem internacional do Brasil. A reputação do país tem sofrido impacto tão grande que em 2017 o Brasil caiu em todos os índices que medem imagens internacionais de nações. Em muitos estudos globais de reputação, o Brasil chegou a sua pior marca em mais de uma década.

O estudo anual sobre número de homicídios no Brasil, e o recorde que se amplia a cada novo levantamento, dão um panorama geral para relatos que se repetem de forma quase cotidiana sobre violência no Brasil. Além de ser visto como o lugar com maior número de mortes, o Brasil também tem destaque frequente no resto do mundo em casos específicos, como a morte de crianças em favelas. Casos frequentes de violência ampliam a mancha que ela cria na imagem do país.

Mais recentemente, ganhou maior espaço também a violência por motivos políticos, especialmente com o noticiário sobre a morte da vereadora Marielle Franco.

Os dados sobre violência no Brasil têm sido acompanhados atentamente pela imprensa internacional nos últimos anos. Em 2016, o principal destaque do alto número de homicídios era o fato de que o país tinha uma mortalidade maior do que a da Síria, que dominava as manchetes por estar em guerra.

Desde então era bem evidente que a violência e a criminalidade estavam entre os principais estereótipos internacionais associados ao Brasil. A divulgação dos dados e a comparação com um país em guerra ajudavam a reforçar ainda mais a imagem de insegurança que o resto do mundo vê o país

Um ano depois, com a revelação de um número de homicídios ainda maior, a ideia de “recorde mundial” de mortes violentas começou a ser associada diretamente ao Brasil. “É como se o Brasil tivesse uma explosão de bomba atômica por ano”, dizia um entrevistado citado pelo jornal argentino “Clarín”.

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Bolsonaro é perigoso e seria um presidente desastroso, diz “The Economist” http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/10/bolsonaro-e-perigoso-e-seria-um-presidente-desastroso-diz-the-economist/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/10/bolsonaro-e-perigoso-e-seria-um-presidente-desastroso-diz-the-economist/#comments Fri, 10 Aug 2018 10:20:44 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4701

Em um dos posicionamentos estrangeiros mais fortes a respeito da candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, a revista “The Economist” diz que ele é um grande perigo para a democracia brasileira.

“Bolsonaro seria um presidente desastroso. Sua retórica mostra que ele não tem respeito suficiente por muitos brasileiros, incluindo gays e negros, para governar de forma justa. Há pouca evidência de que ele entende os problemas econômicos do Brasil bem o suficiente para resolvê-los. Seus ajoelhamentos à ditadura fazem dele uma ameaça à democracia em um país onde a fé nela foi abalada pela exposição da corrupção e a miséria da crise econômica”, diz a revista em um texto dedicado inteiramente ao candidato, chamado de “populista”.

Apesar de reconhecer que a rejeição a Bolsonaro é grande e que ele não tem apoio de grandes grupos políticos para impulsionar sua candidatura, a “Economist” ressalta que o mercado já flertou com sua candidatura, e alerta que outros países em crise elegeram líderes radicais antes ignorados, que isso poderia acontecer novamente. “Não há espaço para complacência”, diz.

O posicionamento da revista é importante pois ela costuma ser o principal reflexo da opinião da elite política e financeira internacional a respeito do Brasil. Por muito tempo, enquanto a economia e a política brasileira estavam em alta, a capa da revista mostrando o Cristo Redentor decolando era tratada como o símbolo da ascensão do país. Tempos depois, outras capas viraram reflexo da crise no país. De uma forma ou de outra, o posicionamento editorial mostra que o candidato não é bem aceito internacionalmente.

A análise da revista foi publicada em uma edição com grande espaço dedicado à eleição no Brasil, considerada um momento problemático para o país. Além do texto sobre Bolsonaro, um outro discute as incertezas em torno da eleição, chamada de a mais diferente que já houve. Ela comenta ainda o clima de desilusão dos brasileiros com a política.

O texto repete uma analogia bem comum quando publicações estrangeiras analisam a política brasileira, comparando a disputa eleitoral com uma novela em que é impossível adivinhar o fim.

A aposta mais certa para a política brasileira às vésperas de uma eleição conturbada é que a decisão não vai gerar as condições necessárias para a renovação política e econômica de que o Brasil precisa, diz a revista.

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Prisão não destruiu força política de Lula, segundo especialista da França http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/09/prisao-nao-destruiu-forca-politica-de-lula-segundo-especialista-da-franca/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/09/prisao-nao-destruiu-forca-politica-de-lula-segundo-especialista-da-franca/#comments Thu, 09 Aug 2018 15:19:20 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4694

O apoio de Luiz Inácio Lula da Silva à candidatura de Fernando Haddad à Presidência, caso o ex-presidente seja proibido de continuar candidato, pode ser suficiente para impulsionar o substituto ao segundo turno da eleição.

A avaliação é do especialista Gaspard Estrada, diretor executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe da universidade francesa Sciences-Po. Em entrevista ao jornal francês “Le Figaro”, Estrada alegou que o ex-presidente Lula ainda tem muita força.

“Não se deve esquecer que, apesar de sua prisão, Lula mantém considerável capital político. Ele está muito à frente de todos nas pesquisas, em torno de 30%. Achavam que a prisão iria destruí-lo, não foi o que aconteceu”, disse.

Segundo Estrada, apesar de Haddad ainda não ter muita força política, o apoio de Lula pode levar sua votação a algo em torno de 20% dos votos, o que pode ser o suficiente para ir ao segundo turno.

O especialista disse ser pouco provável que Lula possa ser candidato, mas diz que ainda não há uma definição sobre como a Justiça vai se posicionar a este respeito. Segundo ele, entretanto, é possível considerar que a alta velocidade em que a acusação contra Lula foi julgada indica interesses políticos em sua condenação.

“Tudo aconteceu como se quisessem condená-lo o mais rápido possível para que a lei funcione. Parece que existe neste caso uma vontade política dos juízes para atuar no processo eleitoral e impedir que Lula seja candidato”.

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Para analista, Trump deve monitorar risco do Brasil para a economia global http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/08/para-analista-trump-deve-monitorar-risco-do-brasil-para-a-economia-global/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/08/para-analista-trump-deve-monitorar-risco-do-brasil-para-a-economia-global/#comments Wed, 08 Aug 2018 10:17:32 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4690

A situação política e econômica do Brasil precisa ser acompanhada detalhadamente pelo governo de Donald Trump e pelo Banco Central norte-americano na hora de formular as políticas monetárias e de comércio exterior dos EUA, defendeu o analista de economia global Desmond Lachman.

Especialista em macroeconomia global, Lachman atuou como vice-diretor no departamento de políticas de desenvolvimento do FMI, e avalia que a incerteza política às vésperas da eleição no Brasil gera preocupações por conta da dívida pública do país.

“Os políticos dos EUA de forma geral e especificamente o Federal Reserve devem prestar muita atenção ao alerta do FMI sobre a situação lamentável das finanças públicas brasileiras”, diz Lachman, em um artigo publicado no site “The Hill“, portal de notícias de política de Washington, DC. “Uma crise da dívida brasileira tem o potencial de causar ondas reais no sistema financeiro global”, complementa.

Depois que o FMI alertou para a necessidade de reformas para organizar as finanças brasileiras, os candidatos à Presidência precisam se posicionar de forma responsável em relação aos gastos públicos, diz. Segundo ele, entretanto, isso é pouco provável, dada a ascensão do populismo no país após a série de escândalos de corrupção nos últimos anos.

O risco gerado pela economia brasileira, segundo ele, é ainda maior por conta de outras crises que afetam a estabilidade financeira internacional, especialmente na Argentina e na Turquia.

Esta é a segunda vez em menos de um mês que Lachman publica artigos analisando de forma crítica a situação do Brasil. Em julho, ele já havia feito um alerta de que o Brasil precisava urgentemente de reformas, e que ignorar o alerta do FMI afetaria a economia global.

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Brasilianismo estreia comentário semanal ‘A Cara do Brasil’ na rádio CBN http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/06/brasilianismo-estreia-comentario-semanal-a-cara-do-brasil-na-radio-cbn/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/06/brasilianismo-estreia-comentario-semanal-a-cara-do-brasil-na-radio-cbn/#respond Mon, 06 Aug 2018 08:08:04 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4682

O blog Brasilianismo estreou no domingo (5) como um quadro semanal sobre a imagem internacional do país na rádio CBN. A partir de agora, o quadro “A Cara do Brasil” vai ao ar todos os domingos no programa Revista CBN, apresentado por Petria Chaves.

No comentário de estreia, o tema central foi a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chamou muita atenção no resto do mundo, ofuscou os outros candidatos e ampliou a percepção que se tem sobre o caos na política brasileira.

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Candidatura de Lula ganha destaque internacional e ofusca concorrentes http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/05/candidatura-de-lula-ganha-destaque-internacional-e-ofusca-concorrentes/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/05/candidatura-de-lula-ganha-destaque-internacional-e-ofusca-concorrentes/#comments Sun, 05 Aug 2018 11:26:08 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4678

O noticiário internacional a respeito do fim de semana de anúncios de candidaturas à Presidência do Brasil se resumiu a praticamente um único nome, e um lugar: Luiz Inácio Lula da Silva, direto da prisão.

A oficialização da candidatura do ex-presidente pelo PT se tornou o principal tema relacionado ao Brasil na imprensa estrangeira neste fim de semana. Dezenas de veículos da mídia de outros países noticiaram o anúncio oficial do partido, sempre destacando que o agora candidato está preso desde abril –tanto que sua ausência no evento de lançamento da campanha ficou sempre evidente nas imagens publicadas.

“Ex-presidente do Brasil nomeado candidato apesar da condenação à prisão”, diz o título publicado pela rede britânica BBC. “Partido dos Trabalhadores do Brasil nomeia o encarcerado Lula como candidato a presidente”, ecoa o jornal “The Guardian”. “Partido brasileiro nomeia líder preso como candidato a presidente”, diz o título publicado pelo site da rede americana Fox News, com texto da agência de notícias “Associated Press”. “Ainda na prisão, Lula é designado candidato à Presidência”, diz o francês “Le Monde”.

Independentemente da possibilidade ou não de Lula ser elegível à Presidência, sua candidatura conseguiu um feito logo no anúncio oficial. Ela ofuscou os concorrentes e as outras convenções partidárias no Brasil, transformando a oficialização de outros candidatos em notas menores na imprensa estrangeira.

As poucas reportagens com focos em outros candidatos na mídia internacional focam o fato de Jair Bolsonaro ainda não ter definido seu vice (que deve ficar com “membro da família real ou general”, segundo a Bloomberg), e a entrada de Henrique Meirelles, “candidato dos mercados”, na corrida presidencial.

Enquanto isso, as candidaturas de Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) viraram apenas curtos relatos dentro das reportagens sobre Lula. “Pelo menos oito partidos realizaram convenções no sábado, quase todos confirmando candidatos presidenciais esperados ou apoiando candidatos de partidos aliados”, resume uma reportagem da agência Reuters, publicada pelo “New York Times”.

Em toda a cobertura sobre o ex-presidente, preso e agora candidato, a imprensa internacional destacou dois pontos importantes: a popularidade ainda em alta de Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto, e o fato de que Lula provavelmente não poderá levar adiante sua candidatura.

Segundo o “Le Monde”, a candidatura de Lula mostra que mesmo que ele esteja preso por corrupção, “seu carisma e sua influência política continuam intactas”.

Ainda assim, indica que ele dificilmente poderá ser realmente candidato. “Mesmo que o partido negue preparar um plano B, ninguém ignora que a candidatura de Lula será realmente invalidada pela Justiça Eleitoral”, diz.

Mesmo com todo o destaque para a candidatura de lula, uma reportagem da Reuters indica que o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, será o candidato do PT no caso de a candidatura de Lula ser barrada pela Justiça.

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Em texto crítico, ‘Forbes’ cita rejeição e chama Lula de político acabado http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/03/em-texto-critico-forbes-cita-rejeicao-e-chama-lula-de-politico-acabado/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/03/em-texto-critico-forbes-cita-rejeicao-e-chama-lula-de-politico-acabado/#comments Fri, 03 Aug 2018 09:42:13 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4672

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é mais o mesmo Lula do passado, diz um artigo bastante crítico publicado no site da revista de economia “Forbes”. Aclamado no passado como um dos políticos mais populares do mundo, Lula está “acabado como político”, diz.

O motivo para isso está na grande rejeição que o nome do ex-presidente está registrando nas pesquisas de intenção de voto. Por mais que ele ainda apareça como líder nas sondagens, muito mais gente diz que não votaria nele.

“Só a graça de Deus pode levar ele a concorrer novamente ao governo. E se isso acontecer, sua taxa de reprovação é a mais alta que já houve, atualmente em 60%”, explica. “Em 2011, um ano após dois mandatos bem-sucedidos como presidente, ele tinha uma aprovação de 87%. Hoje, mais da metade do Brasil está contra ele”, complementa.

O artigo admite que ainda há um movimento em defesa do ex-presidente, mas ironiza o fato de que até o momento não surgiram informações para confirmar a ideia de que Lula é perseguido politicamente.

“Para líderes sindicais, o movimento dos sem terra, intelectuais de esquerda e artistas envelhecidos revivendo as Diretas Já, Lula é um preso político. O Partido dos Trabalhadores que ele criou está fazendo o possível para convencer todo mundo que ele é um”, diz.

Esse movimento, segundo o texto, é complementado por editoriais e artigos de opinião internacionais que tratam Lula como perseguido, e que tentam tratar o processo eleitoral sem ele como ilegítimo. De fato, no mês passado um grupo de acadêmicos e políticos britânicos divulgou uma carta aberta defendendo Lula, e políticos americanos também já fizeram o mesmo.

Segundo a “Forbes”, entretanto, este movimento não tem força o suficiente para mudar a situação política do país e do ex-presidente.

“Lula não é mais tão atraente quanto já foi. Apesar de estar há meses preso, os brasileiros não redescobriram de repente seu amor por ele”, diz o artigo de Kenneth Rapoza, que cobre Brasil e mercados emergentes para a revista.

Ele ainda comenta o fato de os apoiadores de Lula chamarem de elitistas os que criticam o ex-presidente, mas diz que o Brasil não tem 60% de pessoas na elite. “A percepção de injustiça contra Lula é menor do que o PT diz. Mas qualquer pessoa na esquerda que desafie a narrativa de que Lula é um preso político é criticado duramente e colocado no ostracismo.”

O artigo indica ainda que além de Lula, quase todos os outros candidatos também têm rejeição alta.

“Atualmente, brasileiros odeiam todos os políticos.”

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Para ‘Economist’, distorções da economia brasileira ajudam bancos a lucrar http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/02/para-economist-distorcoes-da-economia-brasileira-ajudam-bancos-a-lucrar/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/08/02/para-economist-distorcoes-da-economia-brasileira-ajudam-bancos-a-lucrar/#respond Thu, 02 Aug 2018 18:37:54 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4669

Uma das principais publicações voltadas para o mercado financeiro em todo o mundo criticou em sua edição mais recente a forma como os bancos funcionam no Brasil. Qualquer seja a situação da economia brasileira, diz a revista The Economist”, os bancos conseguem lucrar.

Mesmo durante a pior recessão da história do país, explica a revista, Itaú e Bradesco tiveram lucro acima de 15%, bem acima da lucratividade de um dígito registrada por bancos europeus, diz.

“A resiliência dos bancos brasileiros revela muito sobre a forma como a economia funciona”, diz. Segundo a “Economist”, o mercado financeiro é marcado por distorções que levam a esta situação.

Apesar do tom crítico, que pode soar estranho vindo de uma publicação que defende o mercado, a revista avalia que essas distorções já foram percebidas, e começam a ser corrigidas, ainda que lentamente.

“Forças do mercado e ações do governo estão fazendo com que a competição entre bancos cresça”, diz, apontando a entrada de novas opções, muitas delas ligadas a tecnologia, para a população.

Para fazer com que o crescimento da economia retorne, entretanto, vai ser preciso fazer mais, defende. “Se o próximo presidente levar a sério a ideia de manter as finanças públicas do país sob controle, e as taxas de juros de longo prazo caírem, o investimento e o crescimento enfim vão retornar”, diz.

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