Brasilianismo

Arquivo : abril 2017

Greve geral para o Brasil contra Temer e austeridade, diz mídia estrangeira
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Daniel Buarque

A greve geral contra as reformas propostas pelo governo de Michel Temer ganhou destaque nos principais veículos da imprensa internacional nesta sexta-feira. Na maior parte da mídia estrangeira, o destaque foi que o Brasil parou em um grande protesto contra as medidas de austeridade e o próprio presidente.

“Brasileiros cansados de políticos corruptos vão às ruas protestar contra medidas de austeridade”, diz o título de uma reportagem do jornal britânico “The Guardian”, destacando uma foto da ação repressiva da polícia contra manifestantes, no Rio.

“Muitos eleitores estão furiosos que os políticos estão insistindo na necessidade de cortes em benefícios e serviços públicos mesmo que haja evidência crescente de que eles se beneficiaram pessoalmente de pagamentos ilegais e contratos superfaturados”, explica o jornal, que tem uma tendência política mais alinhada à esquerda.

Também com uma tendência mais crítica ao impeachment e ao governo Temer, a rede árabe Al Jazeera indica que os protestos contra o presidente paralisaram as maiores cidades do Brasil.

A reportagem também destacou a repressão da polícia.

Apesar de ter uma tendência mais liberal em termos econômicos, a rede de economia Bloomberg publicou uma reportagem sobre os protestos contra as propostas de Temer.

“A greve geral vem em um momento delicado para o governo Temer. Seu compromisso com p controle do aumento do déficit do Brasil ganhou apoio de investidores e ajudou a dar força ao câmbio e ao mercado acionário no último ano. Mas a paciência com a austeridade está deixando ele enfraquecido enquanto há poucos sinais de crescimento e o desemprego subiu a um nível recorde de 13,7%”, diz.

Ainda assim, explica a Bloomberg, é provável que o presidente consiga manter sua base de apoio para aprovar reformas trabalhista e da previdência.

O site da rede britânica BBC usou uma foto do Rio de Janeiro vazio para indicar que a primeira greve geral em duas décadas parou ass grandes cidades do país.

“Manifestantes estão protestando contra as propostas do presidente para reformar a Previdência”, explica.

A mídia internacional costuma ser um pouco mais lenta do que a local na cobertura de grandes eventos assim, então é provável que mais reportagens sobre o tema surjam ao longo dos próximos dias –como foi possível ver em protestos anteriores, contra e a favor de Dilma Rousseff. Ainda assim, não deixa de ser perceptível o silêncio sobre a greve geral em veículos que têm defendido as reformas propostas por Temer, como as revistas “The Economist” e “Forbes”, e, de forma menos direta, o jornal “Financial Times”. É possível, até provável, que eles entrem no assunto ainda, mas ao longo da sexta eles não trataram da greve contra as reformas.

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‘The Economist’ chama Doria de ‘germinador’ e elogia sua proposta ambiental
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Daniel Buarque

‘The Economist’ chama Dória de ‘germinador’ e elogia suas propostas ambientais

Após se encontrar com o ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, o prefeito de São Paulo, João Doria, espera ficar conhecido como “o germinador”, diz uma reportagem da revista “The Economist”, fazendo trocadilho com o filme “O Exterminador do Futuro”.

Em um texto abertamente elogioso à administração municipal paulistana, a revista de economia diz que Doria está trabalhando para tornar a “selva de pedra” em um lugar mais verde.

“Com pouco dinheiro por conta da recessão no país, Doria está convocando seus colegas empresários para espalhar a vegetação”, diz a reportagem.

Além de elogiar o prefeito atual, a “Economist” critica a administração anterior, de Fernando Haddad, alegando que o ex-prefeito reduziu os gastos da cidade com projetos ambientais.

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Encolhimento da cobertura estrangeira não significa ausência de interesse
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Daniel Buarque

A revista “Piauí” publicou nesta semana em seu site uma interessante reportagem sobre a “debandada dos correspondentes estrangeiros do Brasil”, indicando que o país se tornou menos atraente para o resto do mundo nos últimos meses por conta da série de crises e do fim dos Jogos Olímpicos, e assim passou a ter menos jornalistas de outros países em suas cidades.

É verdade que há um aparente movimento de encolhimento do espaço destinado ao Brasil no resto do mundo, mas ainda faltam dados e estudos que comprovem a tese, e soa errado interpretar o encolhimento da cobertura como “desinteresse” internacional no país, como diz o título da reportagem: “Não interessa mais”. A interpretar pela intensa cobertura que a imprensa estrangeira faz das reformas propostas por Temer, da crise política, da possível retomada econômica, das investigações da Lava Jato e de episódios como a Operação Carne Fraca, o interesse em temas relacionados ao Brasil continua existindo, sim, e não é pouco.

O ponto central da discussão é entender que 2016 foi um ponto muito fora da curva na cobertura internacional sobre o Brasil. Com Jogos Olímpicos, epidemia de zika, microcefalia, desastre em Mariana e o impeachment de Dilma Rousseff, o país esteve nos holofotes do resto do mundo como nunca antes –daí que seja natural perceber uma redução na atenção após algum tempo.

Segundo o I See Brazil, principal estudo a contabilizar o volume e o tom da cobertura da imprensa internacional sobre o Brasil, o volume de reportagens sobre o país no resto do mundo subiu 75,68% em 2016, passando de 1.908 menções ao país em 2015 para 3.352 textos no ano passado (considerando uma amostra dos principais veículos impressos do planeta). Partir desse volume imenso de cobertura em 2016 para interpretar o interesse internacional seria, portanto, um erro.

É natural que este índice indique uma volta do país a índices semelhantes aos de 2015, ou até menores, visto que antes havia ainda uma onda de interesse externo inciada em 2014, com a Copa do Mundo. O movimento de correspondentes estrangeiros e “debandada” de muitos deles é normal em um cenário assim, e é claramente perceptível no Rio de Janeiro, cidade que centralizou a atenção naquele ano, como diz a “Piauí”. Considerando que muitos desses correspondentes internacionais se conheciam e conviviam durante o tempo morando na mesma cidade, a percepção de que havia uma debandada era clara entre muitos deles, daí o relato anedotário sobre este êxodo e a redução percebida pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil.

Além disso, o êxodo retratado pela revista tem uma série de casos que talvez não possam ser entendidos como “debandada”. A reportagem começa falando do “New York Times”, que está simplesmente mudando de correspondente. Fala também do fechamento da BBC o Rio, sem indicar que a mesma BBC está com sete vagas abertas em São Paulo, além de outras quatro abertas no serviço brasileiro em Londres, em um movimento que indica a ampliação do interesse no Brasil.

Outra questão importante é tratar sobre como essa imprensa internacional cobre o Brasil. O país se tornou claramente mais visível no resto do mundo ao longo da última década, e com isso passou a atrair mais jornalistas estrangeiros. Durante este período, entretanto, muitos passaram a conhecer bem o país, a ter fontes entre políticos e no mercado, e voltaram para seus países de origem, mesmo que continuem cobrindo a situação do Brasil.

Em entrevista recente ao blog Brasilianismo, Brian Winter, editor-chefe da “Americas Quarterly” explicou que este era seu caso. Depois de morar muitos anos em São Paulo, ele voltou para os EUA, mas continua de olho no Brasil. “Ouço a CBN no metrô de Nova York”, contou. É um caso parecido com o site da revista “Forbes”, que publica reportagens regularmente sobre o Brasil sem ter um correspondente fixo no país. Aconteceu ainda com Alex Cuadros, que veio ao Brasil cobrir os bilionários do país pela Bloomberg, acabou deixando o país, mas escreve com certa regularidade sobre temas locais em vários veículos da mídia americana.

Talvez se possa questionar a qualidade dessa cobertura feita à distância (ainda que seja por profissionais extremamente competentes), mas é preciso entender que a saída de correspondentes não representa necessariamente nem mesmo o encolhimento da atenção dada ao país.

O mais importante da reportagem da “Piauí” não é o êxodo de correspondentes, mas a clara inversão da onda de euforia estrangeira sobre o Brasil. Desde 2014 que a cobertura internacional, ainda que grande, mudou de tom, e tem focado muito mais os problemas do país, em um clima evidente de depressão, comprovado por pesquisas e dados sobre a imagem do país.

A imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos, segundo o I See Brazil, levantamento realizado desde 2009 pela agência de comunicação Imagem Corporativa (IC). Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, em 2016 o Brasil apareceu com enfoque negativo em 85,5% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

Este noticiário negativo derrubou o Brasil no principal ranking internacional que mede a imagem das nações no mundo. O Brasil aparece em 23º lugar na edição mais recente, de 2016, do Anholt-GfK Nation Brands Index (NBI), a sua pior classificação na história do índice.

Aí está também o ponto central da edição atualizada e digital do livro “Brazil, um País do Presente”, publicada em 2015.

“A imagem internacional do Brasil mudou de forma surpreendentemente rápida e radical ao longo da última década. Em 2010, a palavra ‘euforia’ era a que melhor representava a forma como o mundo via o país em seu momento ‘bola da vez’. Hoje, tudo mudou, e a desconfiança tomou conta das interpretações estrangeiras sobre o país. Depois da euforia, veio a depressão”, dizia.

Além de um novo capítulo e de um posfácio sobre euforia e depressão, esta nova edição digital trazia ainda um novo prefácio, escrito pelo diretor do Brazil Institute do King’s College London, Anthony Pereira. No texto, o pesquisador argumenta que apesar da oscilação entre cobertura positiva e negativa, “o mundo está cada vez mais interessado no Brasil, e o Estado brasileiro está mais presente em assuntos internacionais do que jamais esteve antes”.

Para este blog Brasilianismo, que acompanha regularmente há mais de dois anos toda a cobertura da imprensa estrangeira sobre o país, a questão mais relevante é entender que existe esta oscilação da imagem, mas que a ascensão da imagem do Brasil no resto do mundo na década passada consolidou-o como um “país presente”.

No pósfacio, a edição atualizada do livro argumentava:

“Dizem que escritores costumam ter depressão pós-parto, e ficam se lamentando não poder fazer mudanças no texto de sua obra já publicada. Assim que este “Brazil, um País do Presente” foi lançado, em 2013, pensei que talvez fizesse mais sentido tê-lo dado o título de ‘Brazil, um País Presente’. Além do jogo de palavras com o ‘país do futuro’ vaticinado por Stefan Zweig, umas das ideias centrais que defendia era de que o Brasil e sua imagem haviam se tornado figuras presentes definitivamente no cenário internacional. No século XXI, o país passava a ser mais reconhecido como relevante, e não era mais ignorado pelo resto do mundo – fale bem ou mal, mas o mundo todo fala mais sobre o Brasil.

Esta questão da presença do Brasil vai além das ideias de euforia e depressão relacionadas à sua imagem. De fato, desde o começo do século XXI mais pessoas sabem mais sobre o Brasil no resto do mundo, e a incorporação do país ao imaginário global parece ser permanente. A imagem do Brasil é a de um país presente, mesmo que a impressão causada seja mais positiva em alguns momentos e mais negativa em outros.”

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‘Time’ relembra capa sobre Brasil em 1967, quando o país parecia ‘decolar’
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Daniel Buarque

A revista “Time” tem feito um amplo trabalho de memória ao longo do ano, recuperando a cada semana a edição da revista que foi publicada 5 décadas antes e esmiuçando o mundo descrito naquela época. E uma das edições de abril de 1967 trazia uma discussão sobre o lugar do Brasil no mundo na capa, e um tom que em muitos momentos soa bem atual.

A revista enfocava a conferência de líderes das Américas realizada em Punta del Este e dizia que caberia ao Brasil do “presidente” Costa e Silva, “líder de uma nação que forma metade da área, da riqueza e da população da América do Sul”, levar adiante as decisões do encontro.

Uma imagem de Costa e Silva, por sinal, estampava a capa da publicação, que se referia a ele como “líder” e “presidente”, mas não como ditador, segundo a memória publicada agora no site da publicação.

Após ser um dos homens poderosos envolvidos no golpe de 1964, dizia, “Costa e Silva prometeu humanizar a revolução lançada pelo seu antecessor austero e sem humor –mas também deixou claro que pretendia levar adiante muitas das reformas básicas iniciadas por Castello”, dizia a revista, sem questionar o fato de o Brasil ser uma ditadura na época.

O mais interessante de perceber na publicação de parte do texto histórico é ver a linguagem usada pela “Time” em 1967. Alguns dos termos usados na época ficaram marcados como alguns dos mais comuns durante o recente período de ascensão econômica do país, na década passada. “Otimismo do tipo que no passado cegou o Brasil precisa aguardar que, tendo chegado ao ponto de decolar, o gigante do Sul vá finalmente decolar”, dizia.

A expressão “take off” usada duas vezes na mesma frase faz a famosa capa da “The Economist” de 2009, com o Cristo Redentor como se fosse um foguete soar como um eco distante. E o tipo de avaliação reforça a ideia já percebida por analistas de que a imagem do Brasil no resto do mundo alterna esses momentos de euforia e depressão, com impressão de que o “gigante” vai decolar sempre que vive um bom momento.

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Matthew Taylor: Falência da política dá força a ideia de nova Constituição
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Daniel Buarque

Matthew Taylor: Falência da política dá força a ideia de nova Constituição

Os analistas estrangeiros parecem ter desistido do sistema político brasileiro.

O tom geral das principais avaliações publicadas fora do país nas últimas semanas falam em falência da política tradicional do país, mergulhada em uma crise que parece interminável e golpeada por sucessivas revelações sobre corrupção.

Nesse contexto, o pesquisador americano Matthew M. Taylor, professor da American University, em Washington, DC., começa a perceber o crescimento da discussão em torno de uma nova Assembleia Constituinte, para “resetar” a política nacional.

“No meio da polarização e da incerteza, nomes importantes em todo o espectro político levantaram uma nova e ousada ideia: uma Assembleia Constituinte para quebrar o atual nó político”, diz Taylor, em texto publicado no blog do think tank americano Council on Foreign Relations.

Taylor admite que a ideia parece um tanto exagerada e improvável, mas diz que tem ouvido pessoas importantes de Brasília falar do assunto com cada vez mais frequência, e que acredita que uma nova Constituição resolveria problemas atuais do Brasil, como a questão fiscal, a fragmentação política e as investigações de corrupção.

Segundo ele, o debate atual dá voz ao que deve se tornar um dos principais temas de debate político nas eleições de 2018: um debate sobre o que deu errado no sistema político do país.

“Isso pode proporcionar um refúgio bem-vindo da polarização acrimoniosa de soma zero entre os principais partidos políticos, bem como uma oportunidade para um movimento reformista emergir dos destroços do sistema político de três décadas”, avalia.

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Mídia estrangeira vê Brasil de 2018 dividido entre Trump e ‘poderoso’ Lula
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Daniel Buarque

Mídia estrangeira vê Brasil de 2018 dividido entre Trump e ‘poderoso’ Lula

Duas reportagens publicadas na mídia estrangeira na última semana simbolizam uma tendência cada vez mais comum nas análises internacionais sobre o cenário político do Brasil nas eleições de 2018. Segundo publicações como o “Washington Post” e o “Financial Times”, o país chegará à próxima decisão política dividido entre uma versão local de Donald Trump e a volta do ‘poderoso’ Lula.

A ideia de ascensão de um nome externo à política tradicional no Brasil como opção à fragmentação do establishment de Brasília tem sido comentada no exterior há algum tempo. Isso seria o resultado da destruição do sistema político tradicional no país, como explicou uma análise recente da agência de geopolítica americana Stratfor.

Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo no fim do ano passado, Brian Winter, diretor da “Americas Quarterly” avaliava que o país tinha todos os ingredientes que levaram Trump à Presidência dos EUA. A agência de economia Bloomberg também publicou recentemente uma reportagem sobre o risco de o deputado Jair Bolsonaro se tornar este “Trump brasileiro”.

A reportagem mais recente sobre este tema no “Washington Post” foi publicada com uma foto do presidente dos EUA sobreposta à bandeira brasileira. O texto parte de uma entrevista pela ex-presidente Dilma Rousseff ao jornal, durante uma passagem pelos EUA.

“Com a aproximação de eleições presidenciais, um número de candidatos pouco ortodoxos emergiu e ameaça desfazer ainda mais o legado de Dilma e do seu antecessor, o líder carismático Luiz Inácio Lula da Silva”, diz o jornal.

O mesmo “Washington Post”, curiosamente, publicou uma análise em novembro do ano passado fazendo a comparação de forma invertida. Segundo ele, as proposta de Trump antes de assumir a presidência dos EUA é que se aproximavam do “populismo” do governo Dilma.

O “Financial Times” também tratou, em reportagem publicada recentemente, da emergência de nomes de fora da política brasileira. Segundo o jornal de economia, entretanto, mais do que Bolsonaro, quem mais tem chance de crescer é o prefeito de São Paulo, João Dória.

Para o “FT”, entretanto, o caminho não está tão aberto assim, visto que o país pode assistir à volta do “poderoso” Lula, como chama o ex-presidente.

Apesar das denúncias de corrupção e da responsabilidade de Lula pelos erros de Dilma na presidência, diz, pesquisas indicam que Lula venceria uma eleição presidencial no país hoje.

“Ele terminou seu mandato em 2010 com 83% de aprovação após uma longa expansão da economia em que a classe média do Brasil cresceu e chegou a formar metade da população”, diz o “FT”.

Segundo o jornal de economia, Lula pode se beneficiar politicamente das fragilidades do governo de Michel Temer, que está tentando aprovar medidas pouco populares, e que está sob pressão por conta das investigações da Lava Jato.

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Lava Jato pode destruir sistema político do Brasil, diz estudo americano
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Daniel Buarque

Lava Jato pode destruir sistema político do Brasil, diz agência de geopolítica dos EUA

Após anos de revelações e escândalos de corrupção a Operação Lava Jato pode “destruir o sistema político brasileiro”, segundo uma análise publicada pela agência norte-americana de inteligência e geopolítica Stratfor.

De acordo com esta análise internacional, quanto mais os políticos convencionais do país aparecem ligados a esquemas de corrupção “maiores as chances de um nome de fora da política chegar ao poder nas próximas eleições, em 2018”, diz, em tom preocupado com a falência do sistema atual, ainda que ele tenha problemas.

O trabalho divulgado pela Stratfor indica que políticos e partidos tradicionais do Brasil estão trabalhando para criar pactos que possam salvá-los deste fim, ou ao menos diminuir os impactos das revelações da investigação. Uma das tentativas, explica, é tentar argumentar que fazer caixa 2 não seria uma forma de corrupção.

“Independentemente de os políticos serem considerados culpados, a investigação fez estragos em suas reputações com o público e diminuiu suas chances na eleição de 2018. Para agentes externos da política, a perda dos partidos tradicionais é uma conquista”, avalia.

“É claro que os políticos tradicionais do Brasil ainda têm mais de um ano para se preparar para as próximas eleições, mas considerando o progresso da Operação Lava Jato, e o sucesso limitado das tentativas de barrar a investigação, talvez já seja tarde demais para a classe política do país”, diz.

A Stratfor tem publicado de forma regular análises e estudos sobre a crise política no Brasil. Em um relatório recente, a agência dizia que a fragmentação política do país em dezenas de partidos era uma das raízes das instabilidades vividas pelo país.

Antes disso, em junho do ano passado, um estudo indicava algo semelhante ao mais recente a respeito dos impactos das investigações, apontando para o fim da tolerância dos brasileiros com a corrupção, o que seria sentido nas urnas.

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Noam Chomsky: PT não conseguiu manter as mãos longe da caixa registradora
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Daniel Buarque

Noam Chomsky: PT não conseguiu manter as mãos longe da corrupção

Ícone do pensamento de esquerda em todo o mundo, o linguista americano Noam Chomsky atacou a corrupção do PT em sua análise mais recente sobre a situação política da América Latina.

Em entrevista ao site “Democracy Now“, que também tem um viés de esquerda e que costuma dar espaço a Chomsky, ele criticou o fato de governos de esquerda terem fracassado na tentativa de usar a oportunidade disponível para criar economias sustentáveis e viáveis, e tratou especificamente da corrupção no PT.

“É doloroso ver o Partido dos Trabalhadores no Brasil, que levou adiante medidas importantes, simplesmente não ter conseguido manter as mãos fora da caixa registradora. Eles se juntaram à elite extremamente corrupta, que está roubando o tempo todo, e tomou parte na corrupção, além de ter perdido a credibilidade”, disse Chomsky.

Segundo ele, nem tudo está perdido, entretanto, e a esquerda pode se reconstruir no Brasil, desde que tenha uma proposta econômica honesta e programas decentes “sem roubar o público enquanto isso”, disse.

Concedida no início do mês, a entrevista de Chomsky ganha ainda mais relevância em meio aos escândalos atuais, como a lista de Fachin. Ela se destacou ainda depois de ter sido mencionada pelo jornalista Clóvis Rossi em sua coluna na Folha.

“Os governos de esquerda que se disseminaram pela América Latina, Brasil inclusive, fracassaram. No caso do Brasil (e também da Venezuela), o fracasso não é apenas das políticas adotadas mas também do ponto de vista ético. Não, não é a análise de algum direitista empedernido mas de ninguém menos que o maior ícone do marxismo, talvez o último marxista relevante ainda existente no planeta, depois que o colapso da União Soviética sepultou todos os demais sob os escombros do Muro de Berlim. Chama-se Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político, que completará 90 anos em 2018”, diz Rossi, que um dia depois se retratou por ter chamado Chomsky de marxista, ainda que ele seja de fato um ícone de esquerda.

Esta não é a primeira vez que Chomsky critica a corrupção no PT, entretanto, e isso não significa uma mudança na sua leitura da realidade brasileira. Em entrevista ao mesmo “Democracy Now”, em maio do ano passado, o linguista criticou o envolvimento do PT em escândalos de corrupção, mas ressaltou que o partido havia vencido as eleições presidenciais e que foi afastado do governo por uma elite que o detesta.

“Dilma talvez seja a única política no poder que não roubou para se enriquecer e está sendo retirada do poder por uma gangue de ladrões que o fez”, disse então.

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Para analistas estrangeiros, Brasil se tornou o país da corrupção sem fim
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Daniel Buarque

Para analistas estrangeiros, Brasil se tornou o país da corrupção sem fim

As mais recentes revelações sobre a corrupção na Odebrecht e a lista de Fachin geraram no resto do mundo a impressão de que o Brasil se consolidou de vez como o país da corrupção sem fim. O caráter interminável dos escândalos que se sucedem na política brasileira foi destacado por vários analistas nas avaliações publicadas na mídia do resto do mundo nos últimos dias.

A expressão “interminável” apareceu no título de um artigo do pesquisador Brian Winter na prestigiosa revista de diplomacia “Foreign Affairs”, por exemplo. Segundo Winter, o país está mergulhado em um “mar de lama” de forma rotineira desde os anos 1950, quando Vargas se suicidou.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, e editor-chefe da revista “Americas Quarterly”, Winter foi correspondente internacional no Brasil, no México e na Argentina por dez anos e escreveu vários livros sobre a região. Ao avaliar a questão da corrupção do Brasil, ele cita problemas registrados nos anos 1960, escândalos durante o governo militar, as revelações que derrubaram Collor nos anos 1990 e vários outros casos até a queda de Dilma Rousseff, no ano passado, e as denúncias mais recentes na Lava Jato.

“Com a irritação pública em alta e a economia ainda estagnada, a democracia brasileira está em seu ponto mais vulnerável desde a volta dos governos civis três décadas atrás, e corre o risco de cair em uma disfunção de longo prazo ou no ‘autoritarismo suave’ que atualmente varre o mundo”, diz Winter.

Esta preocupação estava presente em avaliação da política brasileira no fim do ano passado. Em entrevista a este blog Brasilianismo, Winter disse que a atual crise criava um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Donald Trump nos EUA.

Apesar de a corrupção ser um problema global, e de ele não acreditar que seja um problema maior no Brasil, Winter explica que o país é recordista em fracassos de governos por conta de escândalos de corrupção. Ainda assim, “nas últimas décadas, a corrupção sistêmica do Brasil se tornou mais insustentável”, diz.

A única forma de conter a crise e reverter esta situação, segundo ele, é a transparência total do setor público. “Apenas se renunciarem a seus privilégios especiais e se comprometerem com uma reforma real, os políticos brasileiros serão capazes de reconquistar a confiança da população”, diz.

A interpretação dá continuidade à leitura sobre o caráter “disfuncional” da política brasileira, na avaliação de estrangeiros. Esta incapacidade de funcionar se tornou um dos símbolos do país para analistas do resto do mundo desde o processo de impeachment de Dilma, indicando que o problema não está necessariamente ligado a um partido ou político, mas a todo o sistema que rege o país.

Apesar de Winter fazer a análise internacional mais completa sobre este cenário atual da política brasileira, ele não é o único ao ver o escândalo como parte de uma tendência sem fim de corrupção. A expressão “interminável”, usada para se referir à corrupção brasileira deu título também a uma reportagem do jornal de economia “The Wall Street Journal”.

Um vídeo publicado pela página hispânica da rede alemão Deutsche Welle tem um tom parecido e compara o país a “um pântano de corrupção”.

Pablo Kummetz, economista da DW, diz que “o sistema político brasileiro está corrompido até a medula”. Segundo ele, o lado positivo é que o atual escândalo poe dar fim à conivência entre as empreiteiras e o Estado.

Para a rede canadense CBC, apesar de não ser uma novidade tão grande em meio às dezenas de denúncias recentes, o escândalo da última semana pode ser interpretado como uma ameaça à estabilidade política do país. “O presente e a esperança futura da política brasileira foram manchados”, diz.

Já a rede árabe Al Jazeera, em seu site em inglês, destacou as possíveis ramificações regionais do escândalo, indicando que a Lava Jato está criando preocupação em toda a América Latina. “A investigação chacoalhou o establishment político da região”, diz.

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Brasil vive ‘confortável contradição racial’, diz antropóloga dos EUA
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Daniel Buarque

Brasil vive ‘confortável contradição racial’, diz livro de antropóloga dos EUA

Apesar de o país ter orgulho de sua história de miscigenação racial e da ausência de conflitos raciais declarados, o Brasil mantêm uma sociedade em que estão presentes cotidianamente as ideias de superioridade dos brancos e inferioridade dos negros. Esta tese é apresentada pela antropóloga Jennifer Roth-Gordon, da Universidade do Arizona, nos EUA, em um livro recém-lançado.

Em “Race and the Brazilian Body: Blackness, Whiteness and Everyday Language in Rio de Janeiro” (Raça e o Corpo Brasileiro: Negritude e Branquitude na Linguagem Cotidiana no Rio de Janeiro), Roth-Gordon alega que o país vive uma “confortável contradição racial” no contraste entre a teoria e a prática do racismo no país que por muito tempo se propôs como uma democracia racial.

“Existe uma profunda desigualdade racial no Brasil, e mesmo assim as pessoas acham que não são racistas”, explicou a pesquisadora, em texto publicado no site da universidade do Arizona.

Segundo a reportagem, a antropóloga esteve no Brasil pouco antes dos Jogos Olímpicos e viveu de perto o preconceito ao ver seus dois filhos, que são negros, serem tratados como inferiores nas ruas do Rio.

O livro se baseia em pesquisa de campo e entrevista com brasileiros para tentar revelar como o racismo existe no país, ainda que pareça estar escondido.

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