Brasilianismo

Arquivo : novembro 2015

David Fleischer: Brasil de Dilma vive momento pior do que sob Collor
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Daniel Buarque

Entrevista publicada pelo 'Correio Braziliense'

Entrevista publicada pelo ‘Correio Braziliense’

O momento político do Brasil hoje é pior do que o vivido durante a crise do governo Collor. A avaliação é do pesquisador norte-americano David Fleischer, professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), que alega que a forte crise econômica forte e o recuo do PIB mostram a gravidade da situação atual.

Brasilianista radicado há décadas no país, Fleischer fez uma avaliação da conjuntura política e econômica do país em uma longa entrevista ao “Correio Braziliense”. Segundo ele, o Brasil de hoje lembra os Estados Unidos à época do escândalo de Watergate, que derrubou o então presidente Richard Nixon.

Veja abaixo alguns trechos da entrevista

E clique aqui para ler a entrevista completa no site do “Correio Braziliense”.

Esse momento é pior que o do governo Collor?
Muito pior, porque agora tem crise econômica muito forte, temos recessão de mais de 3% do recuo do PIB este ano e deve ser pelo menos 2,5% no ano que vem. A crise econômica vai aumentar no início do ano e no ano que vem, com demissões, inflação, caixa apertado. E vai começar a ter manifestação desses deserdados politicamente. Principalmente a nova classe média. 

O senhor vê paralelos dessa crise na história?
O paralelo que faço é de Richard Nixon e o Watergate, em agosto de 1974. O impeachment na época parecia evidente. O Partido Republicano chegou para ele e disse: “Pelo amor de Deus, você tem que renunciar, senão o nosso partido vai ser liquidado nas eleições de novembro”. Aí, como ele tinha um pouco mais de espírito de estadista do que a Dilma, renunciou. Mas, antes de renunciar, ele se assegurou com Gerald Ford, que assumiu a presidência, de que o novo presidente emitiria um perdão presidencial para ele.

Isso pode acontecer com Dilma?
Acho que ela não tem espírito estadista para renunciar, isso não faz parte do DNA dela, porque você sabe que ela é uma pessoa cuja personalidade não condiz com a renúncia, mas pode chegar ao mesmo caso de Nixon, em que digam: “Você tem que renunciar, senão vamos ser liquidados nas eleições municipais e, pior ainda, em 2018”. Se o PT pressionar, talvez sim. Ela tem uma saída à francesa. Ela pode alegar que deixará a Presidência por motivos de saúde.

O presidencialismo funciona no Brasil?
Sou brasileiro, voto e sinto todos os problemas que ocorrem aqui. Naturalizei-me em 1995. Temos um presidencialismo de coalizão, o presidente tem que juntar e manter pelo menos 12 ou 14 partidos para ter um quórum constitucional, pelo menos 60% para votar e uma margem de 70%, o que o Lula não tinha no Senado para manter a CPMF, que foi derrotado naquela época. Muita gente esquece que isso nasceu com o IPMF, com o Itamar, e foi mantido pelo FHC. 

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Deu no ‘LA Times’: Jean Wyllys é para-raios de ataques da direita do Brasil
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Daniel Buarque

Deu no 'LA Times": Jean Willys é o para-raios da direita brasileira

Deu no ‘LA Times”: Jean Willys é o para-raios da direita brasileira

Único congressista assumidamente homossexual e defensor de causas progressistas, Jean Wyllys se transformou em alvo de intensa hostilidade dos políticos de direita do país, chegando a ouvir ofensas homofóbicas e ameaças de morte. Segundo uma reportagem publicada no jornal americano “Los Angeles Times”, Wyllys se tornou o para-raios para os ataques da direita brasileira.

O perfil político de Wyllys no jornal americano ignora sua participação no reality show Big Brother e explica que ele foi escolhido por três vezes o congressista mais popular do país por uma enquete independente sobre políticos brasileiros. Diz ainda que ele é um alvo constante de ataques de seus opositores, que chegaram a tentar retirar o mandato dele.

Entre os focos de debate estão a questão da sexualidade e a defesa que ele faz pela descriminalização da maconha, pela legalização do aborto e pela introdução de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, além da campanha pela tolerância religiosa e pelos direitos dos transexuais.

“Debates recentes no Congresso viram um nível crescente de confrontos, muitas vezes com argumentos baixos, insultos e gritos”, diz o jornal.

Analistas ouvidos pelo “LA Times” mostram opiniões divergentes. Há quem veja em Wyllys um herói, e há quem o chame de autoritário.

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No fundo do poço, Brasil vira um bom investimento internacional, diz CNBC
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Daniel Buarque

No fundo do poço, Brasil é um bom investimento, diz CNBC

No fundo do poço, Brasil é um bom investimento, diz CNBC

Analistas de finanças do mundo estão cada vez mais convencidos de que a economia brasileira chegou ao fundo do poço. No meio desta interpretação negativa, há um lado bom para o país. Para o mercado global, o auge crise brasileira indica que a perspectiva é de recuperação da economia do país.

“O Brasil, que antes era o destaque dos mercados emergentes, passou por um ano turbulento e teve sua nota de crédito rebaixada, mas isso está a caminho de mudar”, diz uma análise publicada na rede norte-americana de economia CNBC.

“Acho que a maré finalmente mudou para ações brasileiras”, disse ao canal um analista de mercados internacionais.

A avaliação parte de um estudo de padrões de mercado que indicam que há perspectiva de se ver a valorização de empresas no mercado do país, ajudando a economia a se recuperar.

A CNBC não é a primeira rede de economia a recomendar investimentos estrangeiros no Brasil em meio à atual crise. Em outubro, o “Wall Street Journal” já fazia uma análise parecida, indicando que o fundo do poço havia chegado e era hora de investir no país.

Com a desvalorização do real, os preços das ações no mercado brasileiro se tornam mais atraentes, ele explicava. Mesmo com toda a instabilidade política e os problemas econômicos gerados por ela, a perspectiva a partir de agora pode se tornar mais positiva.

Momentos de crise sempre podem ser vistos como oportunidades interessantes para investidores interessados em correr riscos em nome de bons retornos. As revistas “Investment Week” e o portal “Think Advisor” davam boas indicações sobre investimentos no Brasil ainda em setembro, já tratando a situação como “fundo do poço”.

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Mundo vê prisões da Lava Jato como ‘bomba nuclear’ que faz tremer o país
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Daniel Buarque

Prisões da Lava Jato são 'bomba nuclear' e fazem tremer o país, diz mídia internacional

Prisões da Lava Jato são ‘bomba nuclear’ e fazem tremer o país, diz mídia internacional

As recentes prisões do senador Delcídio do Amaral e do banqueiro André Esteves foram sentidas como uma “bomba nuclear” na política brasileira, segundo uma reportagem da agência Reuters publicada pelo site de economia “Business Insider”. O escândalo faz tremer o mundo político brasileiro, segundo o jornal francês “Le Monde”.

Prisões da Lava Jato são 'bomba nuclear' e fazem tremer o país, diz mídia internacional

Prisões da Lava Jato são ‘bomba nuclear’ e fazem tremer o país, diz mídia internacional

As primeiras reportagens na imprensa estrangeira sobre o avanço da Operação Lava Jato pareciam dar um destaque maior à prisão do banqueiro de que à do senador e líder do governo. Os principais sites de finanças do mundo foram rápidos em analisar o impacto da prisão da “estrela” da economia brasileira, como Esteves era conhecido.

Só agora, com um pouco mais de tempo para interpretar os fatos, o impacto político das prisões começa a ser estudado pela mídia internacional. Isso é normal. A imprensa estrangeira tradicionalmente reage de forma mais lenta na cobertura de notícias do Brasil, então as reportagens mais aprofundadas começaram surgir agora.

Segundo a Reuters, as prisões vão aprofundar a crise política no país e complicar o trabalho do governo de Dilma Rousseff no Congresso.

O Monde destacou logo no início do texto a fala do ex-presidente Lula, que chamou as declarações do senador preso uma “idiotice”. “Descrito como PT, mas não muito, o senador Amaral é acusado de atrapalhar a Justiça”, diz.

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Deu no ‘Guardian’: Desastre ‘apocalíptico’ de MG poderia ter sido evitado
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Daniel Buarque

Deu no 'Guardian': Desastre de MG e imagens 'apocalípticas' poderiam ter sido evitados

Deu no ‘Guardian’: Desastre de MG e imagens ‘apocalípticas’ poderiam ter sido evitados

Faz três semanas que o mundo todo acompanha diariamente as notícias sobre o que tem sido chamado regularmente de “maior desastre ambiental da história do Brasil”. Milhares de textos sobre a catástrofe em Mariana têm sido publicados na mídia estrangeira, buscando entender o impacto da tragédia.

“Imagens apocalípticas de comunidades engolidas pela lama e um rio inundado por rejeitos de mineração chocaram a população que foi afetada pela tragédia”, diz o jornal britânico “The Guardian” em uma reportagem publicada nesta semana.

Esta é uma de milhares de reportagens publicadas na mídia internacional sobre o recente colapso de uma barragem de mineração da Samarco no estado de Minas Gerais.

Os textos têm abordado especialmente o impacto ambiental do desastre, bem como causado indignação internacional. Além disso, são comuns notícias sobre como isso afeta a economia e as duas grandes empresas responsáveis, a BHP e a Vale.

Muitos jornais chegaram a noticiar que a ONU criticou o Brasil pela forma como o país está lidando com o problema.

O diferencial do “Guardian” em sua reportagem recente é a busca por explicações detalhadas para o que aconteceu.

“O que causou o rompimento da barragem ainda é desconhecido, mas há indícios de que a catástrofe poderia ter sido evitada, e que resultou de regulamentações de segurança insuficientes na indústria de mineração brasileira. Promotores já alegaram negligência”, diz o jornal inglês.

O “Guardian” também critica a resposta brasileira à catástrofe, e diz que a reação do governo foi “caótica”.

O posicionamento do jornal ecoa muito do que se tem dito na mídia estrangeira. Além do imenso impacto humano e ambiental, o desastre ocorrido no início do mês em Mariana trouxe à tona os problemas políticos do país. Depois do rompimento das barragens, da morte de pelo menos 12 pessoas, da poluição do Rio Doce, a falta de ação do governo mostrou que o Brasil não tem líder, segundo um artigo publicado pela agência de notícias de economia “Bloomberg”.

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Prisão de banqueiro ofusca a de senador em primeiras análises no mundo
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Daniel Buarque

Reportagem do 'Financial Times' sobre prisão do banqueiro

Reportagem do ‘Financial Times’ sobre prisão do banqueiro

As primeiras reportagens na imprensa internacional sobre o avanço da Operação Lava Jato parecem dar um destaque maior à prisão do banqueiro André Esteves de que à do senador e líder do governo, Delcídio Amaral.

Reportagem sobre prisões na 'Bloomberg'

Reportagem sobre prisões na ‘Bloomberg’

Ainda são relativamente poucas as notícias mais aprofundadas no resto do mundo a respeito das prisões. Os primeiros relatos nos principais jornais do mundo foram escritos por agências de notícias, como Reuters e Associated Press, e estão mais presos ao fato em si do que em análises sobre o que as prisões representam ou quais serão suas consequências. Isso é normal. A imprensa internacional tradicionalmente reage de forma mais lenta na cobertura de notícias do Brasil, então as reportagens mais aprofundadas devem surgir nos próximos dias.

Quem reagiu rapidamente foram os veículos internacionais de economia, onde a prisão do banqueiro e seus efeitos nas finanças recebem grande destaque.

Para o jornal de economia “Financial Times”, a prisão mais relevante na Lava Jato foi a de Esteves, que é chamado de “estrela” pela publicação.

“O banqueiro bilionário foi uma estrela do ‘boom’ brasileiro na primeira década do século, transformando o seu Grupo BTG Pactul no maior banco de investimentos independente do Brasil e construindo uma fortuna estimada pela ‘Forbes’ em US$ 2,5 bilhões”, diz o jornal.

O “FT” cita a prisão do senador e ressalta que não há detalhes sobre as acusações contra Esteves, mas que ele fazia negócios com a Petrobras, que é foco das investigações.

A rede de finanças “Bloomberg” deu destaque à queda das ações do BTG na Bolsa, além dos avanços da Lava jato.

Reportagem da 'Forbes' sobre prisão de banqueiro

Reportagem da ‘Forbes’ sobre prisão de banqueiro

“A prisão de Esteves, a figura de maior destaque em finanças do Brasil, leva a investigação na Petrobras a um novo nível e mostra a profundidade e o fôlego de um escândalo que está englobando o establishment político e corporativo do Brasil”, diz um analista entrevistado pela reportagem.

A prisão de Esteves ganhou destaque também na revista “Forbes”, que comparou o caso com escândalos com bancos nos Estados Unidos.

“Esteves, que tem patrimônio estimado em US$ 1,5 bilhão, dirige o BTG Pactual. Ironicamente, o BTG era descrito em forma de brincadeira como ‘Better Than Goldman’ [melhor do que Goldman], em referência ao Goldman Sachs. Mas agora o banco vai ser conhecido pelo escândalo e por corrupção no Brasil, que agora vai fazer do banco um saco de pancadas para os que fazem oposição ao capitalismo, assim como o Goldman Sachs foi para os manifestantes do Occupy Wall Street”, diz a reportagem.

As principais publicações do mundo, como o “New York Times“, publicaram os primeiros relatos com informações de agências de notícias.

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Brasil enfraquecido abre espaço para liderança regional da ‘nova Argentina’
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Daniel Buarque

Reportagem publicada pelo jornal "El Observador", de Montevidéu, Macri está agora em posição de liderar o Mercosul.

Reportagem publicada pelo jornal “El Observador”, de Montevidéu, Macri está agora em posição de liderar o Mercosul.

Cercado por crises econômicas e políticas em seus vizinhos, o Uruguai vê na vitória de Mauricio Macri para se tornar o novo presidente da Argentina e na instabilidade do Brasil um movimento de mudança na liderança da região. Segundo uma reportagem publicada pelo jornal “El Observador”, de Montevidéu, Macri está agora em posição de liderar o Mercosul.

A publicação explica que a mudança de governo da Argentina representa um rompimento com o domínio da ideologia de esquerda que domina no bloco econômico (por conta do próprio Uruguai, do Brasil e da Venezuela), e que agora Paraguai e Argentina podem ditar o novo rumo da economia regional.

Macri, diz, “chegou ao poder legitimado pelas urnas em um momento em que o Brasil – o líder natural- está debilitado; a presidente Dilma Rousseff está paralisada por casos de corrupção, e seu respaldo popular caiu a 9%, o que a deixa sem força para se colocar à frente do bloco”.

Sem falar em assumir liderança regional, o jornal argentino “Clarín” também tratou da mudança de perfil das relações do país com o Brasil a partir da eleição. Segundo a publicação, a vitória de Macri vai representar o rompimento das relações com a Venezuela e uma maior proximidade em relação a Brasil e Chile.

Tanto que Macri já acertou que o Brasil será seu primeiro destino internacional, buscando aprofundar a parceria entre os dois países.

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Vida sem água pode ser o ‘novo normal’ de SP, diz mídia internacional
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Daniel Buarque

Seca faz vida sem água ser o 'novo normal' de São Paulo, diz rádio americana NPR

Seca faz vida sem água ser o ‘novo normal’ de São Paulo, diz rádio americana NPR

A vida sem água se transformou na “nova normalidade” de São Paulo e tem levado muitas pessoas a deixarem a maior cidade do Brasil em busca de uma vida sem racionamento. Uma longa reportagem da rádio pública dos Estados Unidos, NPR, tratou dos problemas da seca nos principais centros urbanos do país.

“A seca tem forçado um duro racionamento para muitos que vivem aqui. Nove milhões de pessoas dependem do reservatório da Cantareira para seu uso de água cotidiano”, explica.

Reportagem do 'Christian Science Monitor' sobre a falta de água no país

Reportagem do ‘Christian Science Monitor’ sobre a falta de água no país

Com uma abordagem parecida, a revista “Christian Science Monitor” publicou uma reportagem que pergunta: “O Brasil está quase sem água doce?”, e detalha as dificuldades encontradas por um país que tem uma imagem internacional muito ligada à abundância de rios e água fresca.

As reportagens falam sobre as adaptações que famílias têm que fazer para ter acesso a água, como economizar e revezar entre o uso pessoal e para limpeza da casa. “Para muitos moradores de São Paulo, esta é a nova normalidade”, explica a rádio.

Além de São Paulo, diz a NPR, o Rio também está enfrentando problemas com a falta de água. “Tem sido um enorme choque para os brasileiros, que estão acostumados a ver seu país ser chamado de a ‘Arábia Saudita da água’ – historicamente, o país tem tanta água quanto o país do Oriente Médio tem petróleo”, explica.

A imprensa internacional tem acompanhado problemas da crise hídrica de São Paulo há meses. O governo do estado foi apontado como um dos responsáveis pela crise hídrica, e foi acusado de “sonambulismo” pela incapacidade na reação ao problema.

Segundo o jornal inglês “The Guardian”, o problema ambiental relacionado à falta de água é mais grave de que os problemas políticos e econômicos por que passa o país. A maior ameaça ao Brasil hoje, diz o jornal, é “a megasseca que pode durar décadas e que pode destruir a economia brasileira”.

“Como é possível que o Brasil passe por uma seca, se o gigante sul-americano é uma das principais fontes de água doce do mundo?”, pergunta uma reportagem da AFP publicada com destaque no canal TV5, em francês. “País da água por excelência, o Brasil tem sede”, diz a publicação, que avalia a situação crítica do sudeste do país.

Apesar de o Brasil estar sofrendo com problemas climáticos, ressalta a reportagem da NPR, o problema atual é causado por outros problemas, como o mau planejamento.

“Pode ser preciso mais de que uma boa estação chuvosa para evitar que São Paulo seque”, diz.

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Aperto do Brasil está longe do que houve na Espanha, diz analista político
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Daniel Buarque

"A construção de uma presidente", livro de Luis Tejero sobre a eleição de Dilma

“A construção de uma presidente”, livro de Luis Tejero sobre a eleição de Dilma

Quando ouve os brasileiros falando de forma dramática sobre a crise econômica no país, o correspondente e analista político espanhol Luis Tejero sente que as pessoas precisam pensar na situação do Brasil em uma perspectiva mais ampla. “O aperto econômico não é igual ao da Espanha”, disse, em entrevista ao blog Brasilianismo.

Tejero cita que seu país chegou a ter mais de 25% de desemprego, com 50% de desocupação entre os jovens. “O Brasil não está nem perto disso. Aqui ainda há mais oportunidades”, explica.

Ex-correspondente do jornal espanhol “El Mundo” no Brasil, Tejero vive no Rio de Janeiro, é diretor da Mosaiq, uma agência de comunicação e consultoria política, e escreveu o livro “La Construcción de una Presidenta: Cómo Lula convirtió a Dilma en la primera jefa de Estado de Brasil” (A construção de uma presidente: Como Lula transformou Dilma na primeira mulher chefe de estado do Brasil), sobre a primeira eleição de Dilma Rousseff.

Em meio à atual crise política no país, Tejero diz que é difícil entender a “bagunça que está acontecendo no Brasil”, e mais difícil ainda explicar isso aos espanhóis.

“A política brasileira é quase impossível de entender para o espanhol. Até pouco tempo atrás, a Espanha tinha apenas dois partidos de relevância nacional, agora são quatro, então é mais simples de que a realidade brasileira com quase 40 partidos. Fica difícil entender quem é direita e esquerda, entender os posicionamentos políticos. Há partidos que apoiam o governo, mas ao mesmo tempo apoiam o impeachment. Isso é dificil para um espanhol entender.”

Leia abaixo a entrevista completa.

Brasilianismo – Seu livro se chama “A Construção de uma Presidenta”. Considerando o momento atual, estamos vivendo a ‘desconstrução’ da presidente?

Luis Tejero – O livro foi meu trabalho de mestrado, e minha tese é que a primeira eleição de Dilma, em 2010, foi realmente a terceira vitoria de Lula. Foi ele que ganhou, e não ela. Já em 2014, foi ela que ganhou a eleição.

Agora acho que estamos realmente assistindo a um momento difícil. Não sei se podemos falar em desconstrução, pois em alguns momentos parece que estamos vendo a verdadeira Dilma. Ela é guerreira, fala de forma sincera e usa palavras duras. Talvez este seja um caminho para sair da crise, ela tendo uma posição mais forte e mais independente dos aliados. Ela continua sendo presidente, e ainda tem força e pode aproveitar seus três anos que restam do mandato. Mas ela está enfraquecida pela baixa popularidade.

Brasilianismo – Qual você acha que pode ser a saída para as crises do Brasil?

Luis Tejero – Politicamente, só tem uma solução, mas que parece impossível. Seria preciso um grande acordo entre os principais partidos políticos pela estabilidade. Mas, com esta baixa popularidade de Dilma, fica complicado achar que outros partidos vão apoiar o governo. Apoiar Dilma agora é se associar à baixa popularidade dela.

Estamos no momento em que o país está quase parado, bloqueado politicamente. Pelo menos até as eleições municipais, em outubro, o Brasil vai ficar nessa situação de incertezas.

Brasilianismo – As pessoas na Espanha conseguem entender a gravidade da crise no Brasil?

Luis Tejero – Os jornais espanhois têm pouco interesse pelo que acontece na América Latina. Os jornais espanhóis são obcecados pelo que acontece no Oriente Médio, que realmente é uma região importante. Mas a Espanha tem uma relação forte com a América Latina, e 500 anos de relações com a região, então os jornais espanhóis deveriam se preocupar mais com o que acontece com a America Latina.

Infelizmente jornais e TVs da Espanha falam pouco sobre o Brasil, e assim fica complicado explicar o que está acontecendo no país. Somos poucos correspondentes espanhóis no Brasil. O “El Pais” agora tem um escritório em São Paulo, que faz um trabalho mais intenso de acompanhar o dia-a-dia da política brasileira, mas os outros jornais falam pouco sobre o Brasil.

Além disso, a política brasileira é quase impossível de entender para o espanhol. Até pouco tempo atrás, a Espanha tinha apenas dois partidos de relevância nacional, agora são quatro, então é mais simples de que a realidade brasileira com quase 40 partidos. Fica difícil entender quem é direita e esquerda, entender os posicionamentos políticos. Há partidos que apoiam o governo, mas ao mesmo tempo apoiam o impeachment. Isso é dificil para um espanhol entender.

Brasilianismo – Outros assuntos, além de política, têm interesse da mídia espanhola?

Luis Tejero – Sim, outros temas acabam tendo mais espaço na mídia, com a imagem de Brasil como país do futebol, do samba e do carnaval. Isso recebe mais atenção. Tem uma notícia que todo ano sai em todos os jornais espanhóis, é o Miss BumBum, que tem muitas fotos, vídeos e geram muita audiência. Assim como o carnaval. Isso nunca falta, mas explicações mais profundas sobre política e economia saem mais raramente.

Brasilianismo – Há algum assunto que fique entre a cobertura séria sobre política e economia e a cobertura dos estereótipos?

Luis Tejero – Há uma cobertura relativamente grande sobre favelas. Quando cheguei no Rio pela primeira vez, em 2010, fiquei surpreso com o contraste entre o asfalto e as favelas. Moro em Botafogo e da minha janela vejo o Cristo e vejo a favela Santa Marta ao lado de prédios de luxo. É um contraste grande e isso gera atenção. As notícias sobre pacificação das favelas, invasão com tanques, isso foi muito noticiado, com muitas imagens marcantes, gerando bastante interesse.

Brasilianismo – Por que você decidiu vir ao Brasil?

Luis Tejero – Em 2010, o jornal “El Mundo” decidiu mandar correspondentes para o México, para a Argentina e para o Brasil. Isso foi logo que o Rio foi escolhido para sediar a Olimpíada, o país estava na moda, chamando mais atenção. Demorei 5 segundos para responder que queria ir para o Rio, e fui escolhido para isso. Nunca tinha tido muito interesse pelo que acontecia no Brasil. Eu acompanhava política americana, havia feito cobertura da eleição de Obama, e olhava mais para os EUA. Quando cheguei aqui, entretanto, me apaixonei. É um país enorme, com tanta coisa para conhecer, que não dá para ficar entediado em um lugar tão interessante. Isso vale para a política, para a economia, sem falar de praias, cidades coloniais, cidades modernas.
O povo aqui é muito gentil e amável, e recebe os estrangeiros de braços abertos.

Brasilianismo – O que o surpreendeu quando veio morar no Brasil?

Luis Tejero – Até hoje, depois de morar no Brasil e de viajar todos os anos para o país desde 2010, me chama muito a atenção o quanto o Brasil é parecido com os Estados Unidos. Muita gente pensa nos EUA como primeiro mundo, mais avançado de que o Brasil, mas acho que são dois países bastante parecidos. Nem sempre é por coisas boas. A violência, por exemplo, é algo que aproxima os dois países.

Brasilianismo – Você fala sobre o Brasil estar ‘na moda’. Isso é algo que se desenvolveu muito entre 2008 e 2010, mas agora o Brasil está em crise. A crise ameaça o status do Brasil como país que tem mais atenção internacional?

Luis Tejero – A “Economist” já diz que o México está tomando o lugar do Brasil como país da moda, mas não dá para negar que o Brasil é o grande país da América Latina, um gigante. Não vai ser fácil, e sabemos que a crise vai continuar no próximo ano, mas isso vai passar.

Quando as pessoas aqui falam em crise, eu entendo, mas é preciso colocar isso em perspectiva. A Espanha, por exemplo, chegou a ter mais de 25% de desemprego, com 50% de desemprego entre os jovens. O Brasil não está nem perto disso. Aqui ainda há mais oportunidades, e o aperto econômico não é igual ao da Espanha.

Pode não ser rápido, mas o Brasil é grande e vai sair da crise, talvez até melhor de que entrou. A crise pode ter um efeito positivo ao mostrar independência das instituições e indicar que os eleitores estão mais preocupados com a corrupção, deixando o país menos tolerante. Os partidos vão ter que se renovar, como aconteceu na Espanha, para convencer os eleitores de que não vão continuar roubando e vão defender uma ficha limpa.

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Economia do Brasil está morrendo por causa do PT, diz ‘Forbes’
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Daniel Buarque

"Economia do Brasil está sendo morta por causa do PT", diz 'Forbes'

“Economia do Brasil está sendo morta por causa do PT”, diz ‘Forbes’

A revista de economia “Forbes” publicou no fim de semana uma de suas mais fortes críticas ao governo brasileiro pela atual crise econômica no país. De forma enfática, uma reportagem lista os culpados pelos problemas do país e resume: “A economia do Brasil está sendo morta por causa do PT, as duas letras da sigla do Partido dos Trabalhadores”, diz.

A revista usa a expressão “getting killed” em referência à economia do país, que poderia ainda ser traduzida por “sendo assassinada”. E usa “because”, que dá a entender que o PT é a justificativa para esta morte.

“Para alguns, esta é a mulher por trás do fiasco brasileiro: a presidente Dilma Rousseff”, diz. “Ou talvez tenha sido seu ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega”, continua. “Ou Joaquim Levy, o novo ministro da Fazenda”. “Adicione a petrobras na mistura”, segue, citando a operação Lava Jato e as suspeitas de corrupção na Câmara e no Senado.

Segundo a “Forbes”, o Brasil tem gerado apenas notícias negativas e a presidente precisa fazer a economia voltar a crescer, se quiser salvar sua vida política e a do seu partido.

A “Forbes” tem acompanhado regularmente a evolução das notícias sobre a economia e a política no Brasil. Em uma reportagem de setembro, a revista indicava que os problemas políticos geravam más notícias econômias, e dizia que os políticos “cavam a sepultura” do país.

Apesar das críticas ao governo do PT, a revista de economia já se posicionou formalmente contra as propostas de impeachment da presidente Dilma, e disse ser uma “péssima ideia”.

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