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Intervenção no Rio é criticada no exterior: ‘Exército não detém violência’
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Daniel Buarque

Um artigo de um especialista em conflitos internacionais, terrorismo e criminalidade publicado na revista de relações internacionais “Charged Affairs” nesta semana aumentou o tom da crítica internacional à intervenção federal decretada pelo presidente Michel Temer no Rio de Janeiro. Segundo Michael Dworman, o Exército não vai conseguir parar a violência na cidade.

“O problema é a diferença fundamental entre missões militares e policiais. As forças militares são em grande parte treinadas para usar táticas pesadas para matar inimigos e dominar territórios. Pouco se concentra no envolvimento com a comunidade, na investigação de crimes, no fornecimento de proteção no longo prazo e no trabalho para prevenir os possíveis crimes. Em vez de diminuir a violência, os grandes confrontos entre forças militares e traficantes apenas colocam os civis em maior risco e aumentam o número de mortos”, avalia.

A crítica de Dworman se junta a outros artigos e análises publicados por influentes pesquisadores internacionais que avaliam a situação no Rio sob intervenção. O ponto central de críticas é a impossibilidade de as Forças Armadas alcançarem um objetivo de longo prazo, os riscos para a democracia, o aumento do autoritarismo e da militarização do país.

Antes dele, os pesquisadores Nicholas Barnes e Stephanie Savell, do Watson Institute for International and Public Affairs da Universidade Brown, nos EUA, criticaram o que veem como ameaça à democracia do país. Para eles, a medida do governo normaliza o autoritarismo nacionalmente.

De forma semelhante, logo após a intervenção ser anunciada, o acadêmico alemão Christoph Harig também apontou problemas na decisão do governo. Para ele, Temer passou a legitimar a militarização como solução para problemas sociais no Brasil.

A reação negativa no exterior teve início logo após o anúncio da intervenção. Antes mesmo de se debruçar com análises mais cuidadosas, a mídia estrangeira ressaltou o quanto uma intervenção federal com militares trouxe de volta lembranças da ditadura militar que governou o Brasil. Um outro ponto crítico foi o fato de muitos analistass fora do país verem na decisão do governo uma manobra para tentar dar popularidade a Temer e desviar a atenção do fracasso de passa a reforma da Previdência.

Outras críticas veem de instituições de defesa dos direitos humanos internacionalmente, como a ONG Human Rights Watch, que criticou o fato de que militares brasileiros não costumam responder por abusos em ações no país.

Enquanto isso, o instituto internacional de pesquisa sobre criminalidade e violência InSight Crime argumenta, no entanto, que somente a intervenção federal no Rio e a criação do novo Ministério da Segurança podem não ser suficientes e geram questões sobre o uso de recursos financeiros para lidar com essas questões de segurança.

“A economia brasileira tem sofrido há anos, e os cortes no orçamento atingiram os programas sociais, bem como o aparelho de segurança tanto no nível federal como no estadual. As limitações de recursos provavelmente continuarão a ser uma barreira para abordar questões fundamentais como a pobreza, o desemprego e a formação precária e a compensação da polícia civil”, diz a análise publicada em seu site.

Segundo Dworman, além dos riscos sociais e políticos para o Brasil, entretanto, um dos problemas centrais é que intervenções do tipo adotado no Rio não costumam funcionar.

“O Exército do Brasil tem uma longa história de se envolver em táticas abusivas. Utilizar os militares em uma função pouco familiar só aumenta a probabilidade de abusos dos direitos humanos serem infligidos à população. Em vez de fornecer segurança e aumentar a confiança da população na governança, esses métodos apenas levarão os marginalizados às mãos das quadrilhas que deveriam ser eliminadas. Como escrevi antes sobre esforços similares em El Salvador e em tentativas pelo México de usar o Exército para eliminar cartéis, os abusos pelos serviços de segurança só servem para perpetuar o ciclo de violência. Não há motivos para acreditar que o Brasil seja diferente.”

Para ele, o ideal seria o governo apostar em iniciativas de longo prazo para tentar resolver o problema da violência do Rio. “Idealmente, o governo se concentraria em financiar fortemente as forças policiais bem armadas, mas também treinadas para se envolver com as comunidades em que trabalham e utilizam vigorosamente a força. Em uma escala maior, o financiamento para proporcionar educação, empregos e serviços básicos para comunidades pobres ajudaria a tirar dos traficantes suas fontes de mão-de-obra e proteção. Estas são soluções de longo prazo para um problema complicado. No futuro próximo, é mais provável que a dinâmica de gangues dite a taxa de homicídios em vez de qualquer coisa que o governo possa implementar.”

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Imprensa estrangeira cita sombra da ditadura e manobra de Temer no Rio
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Daniel Buarque

Reportagem do ‘Guardian’ sobre a intervenção no Rio

A cobertura da imprensa estrangeira a respeito da decisão do presidente Michel Temer de decretar intervenção na Segurança Pública do Rio de Janeiro evoca sombras do regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. A ditadura foi citada em praticamente todas as primeiras reportagens que trataram do tema na mídia internacional.

A reação inicial a respeito do decreto de Temer em outros países é mais relatorial, com poucas análises e pouco aprofundamento sobre o que isso representa para o país e para a democracia. O jornal britânico “The Guardian” cita insatisfação nas favelas e possíveis benefícios políticos para Temer, enquanto a agências de notícias falam sobre a pressão dos mercados pela aprovação de reformas no Brasil, o que deve ser deixado de lado temporariamente. Além disso, lembranças das sombras da ditadura ganharam destaque em quase todos os veículos.

“O Brasil voltou a ser uma democracia em 1985, depois de 21 anos de ditadura militar, e a intervenção continua sendo um tema sensível no país”, explica uma reportagem da agência de economia Bloomberg.

O “Guardian” ressalta que esta é a primeira vez que uma intervenção assim acontece desde 1988, quando uma nova Constituição deu fim à ditadura.

“Intervenção militar é um assunto pesado para muitos brasileiros, apesar de muitos na extrema direita cada vez mais apoiarem a volta de um governo militar”, diz o jornal inglês.

A agência Associated Press também lembrou o regime militar. “A decisão é significativa em termos simbólicos e práticos, para a maior nação da América Latina, onde muitos ainda lembram da brutal ditadura militar que governou entre 1964 e 1985”, diz a reportagem.

Além da ditadura, outro ponto frequente é a ideia de que Temer pode estar usando a medida para ganhar força politicamente.

“Muitos viram a decisão como uma forma de desviar a atenção dos problemas políticos” do governo, dia a AP.

“Há benefícios políticos para o presidente Temer, que apostou o sucesso do seu governo em medidas de austeridade para controlar o déficit brasileiro”, diz o “Guardian”.

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Tabloide inglês faz alerta após tiros de traficantes do Rio no réveillon
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Daniel Buarque

Tabloide inglês faz alerta após tiros de traficantes do Rio no réveillon

A chamada publicada pelo tabloide inglês “The Sun” não é nada sutil a respeito da imagem internacional de violência no Brasil: “Perigo para britânicos viajando para o Brasil em vídeos que mostram quadrilhas atirando para o alto no ano novo do Rio”.

As notícias sobre os disparos de traficantes de favelas cariocas durante o réveillon ganharam destaque nos principais veículos a imprensa brasileira. O caso de uma jornalista baleada no pé teve atenção nacional, bem como a preocupação com aviões. Agora as imagens geram também alertas mesmo fora do Brasil.

“A guerra de quadrilhas no Brasil alcançou um novo patamar, com traficantes sendo vistos atirando armas de grosso calibre para o alto próximo ao aeroporto do Rio”, diz o “Sun”.

O tabloide destaca as imagens que mostram traficantes atirando e reforçam a preocupação especial com aviões, que poderiam ser atingidos por esses disparos. “A favela do Rio de onde o fuzil foi disparado fica a apenas cerca de 14 quilômetros de um aeroporto internacional”, diz.

Tabloide inglês faz alerta após tiros de traficantes do Rio no réveillon

A preocupação do tabloide pode parecer exagerada –como costuma ser a abordagem de jornais populares deste tipo–, mas a atenção internacional dada à violência no Brasil ganha um novo patamar. No final do ano passado, a agência de notícias France Presse publicou uma longa reportagem especial multimídia sobre balas perdidas no Rio.

“O objetivo era contar a história contida nas duas palavras [balas perdidas] –a tragédia de inocentes que são vítimas da violência armada mortal nas infames favelas do Rio”, dizia.

No caso do tabloide, a preocupação, segundo a reportagem, é que o Rio “é a cidade brasileira mais visitada e é popular entre turistas britânicos”. Com alertas assim, a imagem da cidade, e de todo país, só fazem perder força.

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Foto de menino no réveillon faz Brasil debater racismo, diz jornal dos EUA
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Daniel Buarque

‘Washington Post’: Foto de menino no réveillon faz Brasil discutir racismo

A discussão a respeito da fotografia que mostra um menino negro, sozinho, durante a queima de fogos da virada do ano em Copacabana chegou à imprensa internacional. Segundo uma reportagem publicada pelo jornal americano “Washington Post”, a imagem que viralizou levou o Brasil a debater seriamente questões relacionadas a racismo, classe e desigualdade.

“Para alguns, é apenas uma foto de um menino negro em transe pelos espectaculares fogos de artifício da virada de ano; para outros, é um símbolo de esperança para dias melhores depois de vários anos turbulentos de crise política e recessão econômica. Muitos pensam que a imagem é emblemática da aguda desigualdade do Brasil, uma interpretação que levou outros a reagir com perguntas sobre como as pessoas negras e mestiças são vistas e estereotipadas no Brasil, onde tradicionalmente foram marginalizadas”, diz o jornal.

A publicação americana destaca que desde a divulgação da foto, mesmo sem informações sobre o menino retratado, o Brasil foi tomado por discussões em redes sociais, reportagens na imprensa, posts em blogs e textos editoriais sobre a imagem e o que ela reflete sobre a sociedade brasileira.

É interessante perceber que, a partir do olhar estrangeiro, os debates nas redes sociais no Brasil têm levado o país a pensar mais sobre questões importantes da sua realidade, como racismo e desigualdade. Este também foi o ponto central, segundo uma reportagem do jornal britânico “The Guardian”, sobre o clipe divulgado por Anitta no fim do ano passado.

Segundo a publicação o vídeo da música expôs “as falhas sociais do país à medida que lida com questões de desigualdade, racismo, abuso sexista e apropriação cultural”.

Um sociólogo ouvido pelo “Washington Post” a respeito da foto do réveillon ressaltou que, além da própria imagem, toda a reação e polêmica em torno dela é uma demonstração interessante da situação atual do Brasil. Segundo Luiz Augusto Campos, os debates sobre racismo e o aumento da visibilidade da questão marcam um momento de transição positivo para o Brasil.

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Site elege São Paulo a 9ª cidade mais feia do mundo; Rio é a 5ª mais bela
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Daniel Buarque

Site elege São Paulo a 9ª cidade mais feia do mundo, e Rio a 5ª mais bela

O Brasil tem uma das cidades mais feias do mundo, mas também tem uma das cidades mais belas do planeta. A avaliação é do site de turismo UCityGuides, que citou São Paulo e Rio de Janeiro em seus rankings de feiura e de beleza internacionais, respectivamente.

O site de turismo UCityGuides é voltado para viajantes que buscam informações para conhecer áreas urbanas do mundo. Apesar de não ser exatamente uma referência conhecida em informações sobre turismo, o site se especializa em listas que criam polêmicas na internet, como a que inclui as cidades brasileiras. Assim ela consegue ter mais visibilidade em todo o mundo. A lista que inclui São Paulo entre as cidades mais feias, por exemplo, vem sendo compartilhada e discutida amplamente em redes sociais brasileiras.

A capital paulista aparece em 9º lugar entre as cidades mais feias.

“A natureza parece ter concentrado todos os seus esforços no Rio e esquecido completamente da outra grande metrópole brasileira. São Paulo pode ser uma das cidades mais empolgantes quando se trata de comida e compras, mas não há dúvidas de que é uma grande selva de pedras feia”, diz.

A lista é liderada pela Cidade da Guatemala, pela Cidade do México e por Amã, na Jordânia.

Site elege São Paulo a 9ª cidade mais feia do mundo, e Rio a 5ª mais bela

Entre as cidades mais bonitas, o Rio de Janeiro aparece em 5º lugar.

“Há quem diga que Deus criou o mundo em seis dias e dedicou o sétimo ao Rio. A cidade é realmente abençoada com uma das localizações mais impressionantes do mundo, fazendo dela a cidade mais naturalmente bonita do mundo”, diz.

No ranking de cidades belas, o Rio fica atrás de Veneza, Paris, Praga e Lisboa.

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Guerra de gangues e cofres vazios geram violência no Rio, diz ‘Economist’
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Daniel Buarque

Guerra de gangues e cofres vazios geram violência no Rio, diz ‘Economist’

O Rio de Janeiro enfrenta um momento sombrio na sua vida pós-Olimpíada, diz uma reportagem publicada pela revista “The Economist” em sua edição mais recente.

“Tiroteios nas favelas mataram dezenas de pessoas. Um terço dos adultos entre 18 e 24 anos estão sem emprego. Muitas estruturas da Olimpíada estão abandonadas”, diz. O Rio está “no buraco”, diz um entrevistado da publicação.

Apesar de reconhecer que a Olimpíada foi bem-sucedida e ocorreu sob esquema de segurança, a reportagem aponta os problemas que ocorreram em seguida: “O governo do estado registrou 2.976 homicídios na primeira metade de 2017, um aumento de 14% em relação ao ano anterior”, diz.

O problema, segundo a “Economist”, é que há um “fracasso” na segurança de locais como a Rocinha, por conta de “má administração financeira e azar econômico”.

“Todos no Rio torcem por uma recuperação dos preços do petróleo, o que geraria mais dinheiro para serviços públicos. Mas preços de petróleo são incertos. A paz em bairros como a Rocinha não deveria ser.”

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Militares não estão interessados em intervenção, diz pesquisador alemão
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Daniel Buarque

Forças Armadas não estão interessadas em intervenção ou em governar o país, diz pesquisador alemão

A incursão do Exército contra a escalada da violência na Rocinha, no Rio de Janeiro, os debates sobre o risco de uma intervenção militar na política brasileira e, mais cedo, o encerramento da ação de paz no Haiti (Minustah) colocaram as Forças Armadas em grande evidência no Brasil nas últimas semanas.

Por mais que sejam três questões muito diferentes, elas têm relação umas com as outras e com a situação do Brasil sob grave crise política e econômica e com o aumento da violência em todo o país. Para o pesquisador alemão Christoph Harig, a atenção dada a questões envolvendo militares no Brasil está em parte relacionada à crescente dependência que governo federal desenvolveu em relação às Forças Armadas para a segurança pública, e cria uma situação difícil para a política nacional.

Ainda assim, ele disse não acreditar em grande possibilidade de uma intervenção militar no Brasil. “As pessoas que têm poder de decisão dentro das Forças Armadas não estão interessadas em uma intervenção, e ainda menos em governar o país”, disse, em entrevista ao blog Brasilianismo. Ainda assim, explicou, a forma como as autoridades militares e governamentais estão tratando o tema colocou em evidência alguns problemas nas relações civis-militares do Brasil.

Um dos problemas, diz, é uma visão “paternalista” dessas Forças Armadas, que têm uma autopercepção de se verem como “salvação do país” e garantidoras da pátria. “De acordo com este ponto de vista, tudo o que os militares fizeram foi em benefício do país, e os casos de tortura e abuso eram apenas um mal necessário. Esta perspectiva continua a ser perigosa, pois implica que as Forças Armadas estão acima da lei”, disse.

Harig defendeu recentemente sua tese de doutorado sobre estes temas no King’s College de Londres. Sua pesquisa foi um estudo sociológico sobre a percepção das tropas de Garantia da Lei e da Ordem (GLO, como no caso da Rocinha) e da Minustah.

Segundo ele, a ação no Haiti foi bem sucedida militarmente, mas foi responsável pela morte de civis como “efeito colateral”, o que deveria ser pensado de forma crítica em relação à importação deste tipo de incursão quando se trata de ações de GLO no Brasil, como ocorreu recentemente na Rocinha.

Leia abaixo a entrevista completa concedida pelo pesquisador.

Brasilianismo – Os militares estão envolvidos em algumas das notícias mais importantes no Brasil nas últimas semanas. Vimos o fim da Minustah, a ação para conter a violência na Rocinha e o renovado debate sobre a intervenção militar em Brasília. Quall você acha que é o papel dos militares na política brasileira hoje em dia? Mudou em comparação com o que havia 5 anos atrás?
Christoph Harig – Desde 2010, os governos federais aumentaram continuamente sua dependência dos militares em relação à segurança pública, o que, sem dúvida, aumentou a visibilidade das forças armadas no país.

A Minustah desempenha um certo papel neste processo, pois os políticos parecem ter percebido a utilidade de usar os militares em ambientes urbanos –ou pelo menos a possibilidade de usá-lo para fins de marketing político.

Ao retratar operações no Rio e em outros lugares como uma espécie de “manutenção da paz em casa”, as autoridades estão tentando justificar as operações militares. Ao mesmo tempo, não há sucesso substancial na melhoria do trabalho policial comum.

Tudo isso acontece no contexto da crise econômica brasileira. Embora os militares tenham que lidar com cortes significativos no orçamento e dificilmente conseguem manter suas operações na fronteira, as chamadas para operações de segurança pública estão cada vez mais barulhentas.

Os militares estavam e continuam insatisfeitos com o crescimento das operações de Garantia de Lei e Ordem, mas conseguiram usar seu papel interno como meio conquistar de poder de barganha: quando o governo queria cortar pensões militares, o comandante do Exército usou as ações quase constantes no Rio, os custos adicionais para as Forças Armadas, bem como a carga de trabalho das tropas como motivo para se opor aos cortes.

Brasilianismo – A ideia de uma intervenção militar na democracia tem sido um assunto controverso desde que as pessoas começaram a pedir o impeachment de Dilma Rousseff. Começou com o que era chamado de delírio de algumas pessoas, mas chegamos a um estágio em que as pessoas dentro do Exército falam abertamente sobre isso. Qual você acha que é o risco real de intervenção militar na política hoje? Você acha que os militares têm algum interesse em se envolver na política? Você acha que eles têm a estrutura e a organização para poder governar?
Christoph Harig – Apesar da justificada indignação pelo discurso do general Mourão, ainda considero improvável uma intervenção militar. Eu argumentaria que as pessoas que têm poder de decisão dentro das Forças Armadas não estão interessadas em uma intervenção, e ainda menos em governar o país. No entanto, a forma como as autoridades militares e governamentais trataram o discurso colocou em evidência alguns problemas nas relações civis-militares do Brasil.

Mourão e seus “colegas no alto comando do Exército”, a quem ele se referiu em seu discurso, passaram seus anos formativos de suas carreiras durante o regime militar. Alguns deles (bem como partes consideráveis ​​da sociedade) ainda parecem aderir à interpretação do golpe de 1964 como suposta salvação do Brasil do comunismo. Essa autopercepção problemática dos militares como garantidor da pátria é anterior ao regime de 1964-1985 e pode ser encontrada ao longo da história do Exército. De acordo com este ponto de vista, tudo o que os militares fizeram foi em benefício do país, e os casos de tortura e abuso eram apenas um mal necessário.

Esta perspectiva continua a ser perigosa, pois implica que as Forças Armadas estão acima da lei. Mesmo o comandante do Exército, Villas Boas –um defensor da tradição legalista no Exército que regularmente insiste que os militares não estão interessados ​​em derrubar o governo– recentemente afirmou que os militares teriam o mandato de intervir em um caso de “caos” generalizado. Esta é uma afirmação altamente discutível, que mais uma vez sublinha a falta de aceitação de princípios democráticos.

Nesta visão paternalista, o Brasil parece ser uma democracia pela graça dos militares –que se consideram em posição de escolher se querem ou não manter este arranjo político, caso as coisas não estejam bem. Continua notável que, mais de 30 anos após o fim do último regime militar, o país ainda não tenha conseguido estabelecer uma visão mais apropriada sobre a democracia dentro das forças armadas.

O governo de Michel Temer e, em particular, o ministro da Defesa Raul Jungmann, reagiram timidamente ao discurso de Mourão, o que é uma prova a mais da sua fraqueza.

Se os relatos da imprensa forem verdadeiros, Jungmann queria que Mourão fosse forçado a se aposentar (sua aposentadoria está programada para o próximo ano, de qualquer maneira). Isso, pelo menos, mostraria que tais ameaças golpistas pouco veladas não podem ficar impunes. No entanto, o comandante do Exército, Villas Boas, não quis dar esse passo, argumentou que isso reforçaria o status de Mourão como herói dentro dos militares e entre os civis que apoiam uma intervenção. E reconhecidamente, Villas Boas tem um ponto: Mourão foi removido como chefe do Comando da Área do Sul depois de criticar abertamente o governo Dilma em 2015. E, de fato, manifestantes de extrema-direita desfilaram um boneco inflável de Mourão durante os protestos e alguns até o propuseram como presidente. Forçá-lo a se aposentar certamente contribuiria mais para essa idolatria.

Além disso, o presidente Temer se colocou em uma posição na qual ele dificilmente pode contribuir com a solução. Ocupado com a garantia de sua sobrevivência política em meio a acusações de corrupção, o presidente está disposto a evitar novas tensões com os militares. Temer claramente foi um dos alvos do ataque de Mourão contra “elementos corruptos” na política. Imagine se ele agora condenasse publicamente o general por seu discurso: muitas pessoas o acusariam de vingança pessoal contra alguém que acusou justamente a corrupção generalizada. Os ultraconservadores, como o candidato presidencial Bolsonaro, fariam uso disso facilmente no ataque contra os políticos tradicionais.

Em última análise, é ruim para a democracia que tais considerações prevalecessem sobre os princípios normativos da supremacia civil. A democracia pode prevalecer, mas o episódio prejudicou a autoridade civil sobre os militares. Não punir Mourão constitui um precedente perigoso. Se os generais do serviço ativo podem ameaçar publicamente com a intervenção como “Espada de Dâmocles”, o que mais os oficiais precisam fazer para serem punidos?

Brasilianismo – Com o aumento da violência no Rio, a cidade está assistindo aos últimos momentos do programa de pacificação? É possível saber o que deu errado? Com o envio de militares para conter a violência na Rocinha, você acha que eles têm um papel a desempenhar nesta situação de violência urbana?
Christoph Harig – Eu diria que o programa de pacificação está praticamente morto. A polícia militar do Rio produziu recentemente um relatório no qual eles admitem o fracasso do programa e, basicamente, recomendaram desligar muitas unidades da UPP. Parece que o governo do Rio está menos inclinado a aceitar publicamente isso.

Na realidade, no entanto, o programa só existe em seu nome. Princípios ambiciosos de “policiamento comunitário” foram jogados fora: pintar um caveirão branco e escrever UPP sobre ele não altera o fato de que você está usando um caveirão.

Acho que já se sabe que o programa sempre sofreu com uma falta de investimento em seus componentes sociais, que tem não tiveram volume depois de resultados inicialmente promissores, e esse abuso por oficiais da UPP (como o caso do desaparecimento de Amarildo de Souza na Rocinha) prejudicou a confiança.

O atual desdobramento militar não alterará esta situação sombria. As atuais operações conjuntas de inteligência entre Forças Armadas e policiais parecem sofrer de uma falta de comunicação entre as forças. O Ministério da Defesa e os militares parecem descontentes com a falta de apoio político das autoridades do Rio, o que complicou as relações e, sem dúvida, levou as Forças Armadas a ameaçarem suspender o apoio às autoridades do Rio.

As Forças Armadas também estão conscientes de que suas ocupações anteriores em favelas não levaram a uma melhoria da situação de segurança, já que a provisão subsequente de serviços essenciais através do programa de pacificação nunca ocorreu. Enquanto os governos federal e do Rio alegaram que um aumento no Bolsa Família, bem como alguns programas sociais, acompanhariam as operações militares e policiais conjuntas no Rio, há motivos para duvidar de que isso se materialize.

Brasilianismo – O fim da Minustah foi tratado como uma operação bem sucedida do Exército brasileiro. Você concorda com essa avaliação? Há algo a aprender com essa experiência que pode ser trazida para dentro do país agora que há uma onda de violência no Rio?
Christoph Harig – A maioria dos analistas sugere que as contribuições do Brasil para operações militares em Porto Príncipe foram decisivas para acabar com o domínio de gangues. Em uma missão repleta de mau comportamento por tropas (por exemplo, a epidemia de cólera causada por um contingente nepalês ou as acusações generalizadas de abuso sexual), poucas acusações contra o contingente brasileiro tornaram-se públicas. Do ponto de vista militar, isso pode ser claramente considerado um sucesso.

No entanto, é preciso ter em mente que o sucesso no combate a gangues também resultou na morte de pessoas inocentes –o chamado “dano colateral”. Numa perspectiva estritamente militar, isso dificilmente é evitável, pois sabe-se que o uso da força pode levar à perda de vidas inocentes. Embora o uso apropriado da força por capacetes azuis ainda seja um tema debatido, mandatos recentes sugerem que a manutenção da paz da ONU depende cada vez mais de operações militares robustas para proteger os civis. Recentemente, argumentamos que o Brasil realmente foi um ator central neste desenvolvimento. O exemplo do general Santos Cruz, comandante da força na Minustah durante o período mais crítico da missão, mostra como a implementação de mandatos robustos na Minustah levou a elogios da ONU. Santos Cruz liderou o componente militar da Missão da ONU na República Democrática do Congo, onde supervisionou a “Brigada de Intervenção” –a primeira unidade de “manutenção da paz” da ONU que buscava ativamente combater grupos armados.

Como secretário nacional de segurança pública do Brasil, Santos Cruz é agora responsável pela implementação do plano nacional de segurança pública. Como parte desta estratégia, o Rio atualmente serve como campo de testes para ações conjuntas de militares e policiais. É discutível se a estratégia de eliminação de gangues foi apropriada na manutenção da paz da ONU. No entanto, mesmo que não compartilhe suas preocupações com a imparcialidade da manutenção da paz, há limites para a possível extensão da reimportação de estratégias robustas para a segurança pública.

As conclusões da minha pesquisa de doutorado sugerem que as tropas com experiência no Haiti e as operações de GLO se tornaram cada vez mais frustradas com as regras de engajamento comparativamente restritas durante as operações no Rio. Um dos principais aprendizados da Minustah para muitos soldados e oficiais foi que as gangues podem ser expulsas de uma área quando os militares podem usar a força. Isso, por sua vez, aumentou as expectativas de que eles deveriam ter permissão para fazer o mesmo ao serem implantados no Rio.

No início da operação atual de GLO no Rio, o ministro da Defesa, Jungmann, parecia ter uma abordagem potencialmente mais contundente em mente, pois lembrou a sociedade de debater se estariam dispostos a pagar o preço pelo sucesso militar. Isso implicava que as ações militares “efetivas” contra as gangues provavelmente resultariam em mortes de civis –particularmente considerando que a maior parte das operações ocorria em bairros densamente povoados. Em essência, isso significaria que a vida da população em partes pobres da cidade seria considerada menos valiosa do que em bairros ricos: dificilmente poderia pensar em qualquer situação em que alguém pudesse sugerir que algumas vidas de residentes da Barra da Tijuca ser consideradas o preço que vale a pena pagar pela solução do problema do crime. Por enquanto, parece que as autoridades estão recusando essa abordagem.

Embora a situação de segurança no Rio seja inaceitável, é preciso ter em mente os limites de qualquer abordagem robusta contra gangues. Mesmo os defensores de ataques decisivos devem considerar que os incentivos econômicos para as gangues são diferentes dos encontrados em Porto Príncipe. As gangues do Rio não são motivadas politicamente, mas encontram-se em uma guerra civil sobre o controle do mercado de drogas.

Como a experiência de outros países, como o México, mostrou, a lógica da guerra contra as drogas –prender ou matar traficantes de drogas e desarmar gangues– não levou a resultados sustentáveis. Novos líderes e gangues emergem enquanto a proibição de drogas promete lucros lucrativos em um mercado ilícito. Uma consequência não intencional das autoridades que visam um grupo criminoso seria que eles acabaram apoiando facções rivais. No caso muito improvável de que um grupo fosse desmantelado, as facções restantes lutariam por preencher o vácuo deixado para trás –gerando assim mais miséria para a população nessas áreas. E no caso ainda mais improvável de que as autoridades conseguissem expulsar gangues do Rio, atores externos como o PCC provavelmente assumiriam o lucrativo negócio de drogas.

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Um ano após Olimpíada, mundo vê caos e violência tomarem conta do Rio
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Daniel Buarque

Um ano após Olimpíada, mundo vê caos e violência tomarem conta do Rio

“O Rio de Janeiro está complicado.”

A frase foi dita por um brasilianista, professor em Londres, durante uma conversa privada logo após a abertura do ano acadêmico do doutorado do Brazil Institute do King’s College London, na sexta-feira (22).

Ela foi pronunciada no mesmo momento em que a capital fluminense registrava uma das mais graves ondas de violência, mas se referia à situação da cidade em geral, incluindo a dificuldade de realizar pesquisas acadêmicas, já que o professor acabava de voltar de uma temporada de estudos no Rio.

Apesar de genérica e simples, a definição de “complicado” parece resumir a forma como o resto do mundo vê o Rio de Janeiro um ano após os Jogos Olímpicos. Caos urbano, crise financeira, explosão de violência. Tudo isso enquanto a cidade que é símbolo do Brasil nos olhos dos estrangeiros deveria estar aproveitando o legado do maior evento esportivo do mundo.

Um ano após se tornar principal foco dos holofotes internacionais e de entregar um evento bem acima das expectativas estrangeiras, o Rio de Janeiro é visto como tendo sido tomado pelo caos e pela violência –em um símbolo da gravidade da crise que atinge todo o Brasil.

Bem além da atenção crítica dada ao “legado” dos Jogos quando se completou o primeiro ano desde seu encerramento, este olhar estrangeiro sobre a situação atual é menos temporal, mas mais chocado com o tamanho do problema, com a amplitude da violência.

A insegurança no estado do Rio já vinha recebendo mais atenção especialmente no Reino Unido depois que uma inglesa foi baleada durante viagem de turismo. ”Turistas no Brasil ocasionalmente são atacados quando, por acidente, entram em favelas, que muitas vezes são dominadas por gangues”, dizia uma das reportagens à época, já associando o Rio à violência.

O Rio, disse então o jornal francês ”Le Monde”, vive uma ”guerra não declarada” um ano após a Olimpíada.

Na mídia internacional, os tiroteios nas favelas ao longo da última sexta ganharam atenção especial, com grande destaque dado ao uso de forças militares para tentar conter a violência.

“Depois de uma semana de intensos tiroteios entre gangues rivais e a polícia, o Exército do Brasil foi enviado para cercar a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro”, diz reportagem do jornal britânico “The Guardian”.

“Uma cidade repleta de comércio, vielas e pequenas ruas movimentadas, a Rocinha é a maior favela do Brasil. Ela se tornou emblemática do ambicioso programa de pacificação para expulsar traficantes de drogas após uma invasão pelo Exército em 2011. Agora se tornou um outro símbolo da piora da violência da cidade apenas um anos após ela sediar a Olimpíada”, avalia o jornal.

As agências internacionais de notícias também publicaram textos sobre a situação da Rocinha, e a rede BBC publicou uma série de fotos mostrando tanques de guerra sendo usados na ação dos militares.

Os Jogos também foram lembrados pela reportagem publicada pela agência de economia Bloomberg. “A Rocinha, que separa alguns dos bairros mais ricos do Rio, como a Barra da Tijuca, onde a maior parte dos Jogos de 2016 aconteceram, foi marcada pela violência e tiroteios por seis dias consecutivos enquanto a polícia tentava controlar a guerra entre suas quadrilhas rivais que lutam para controlar o tráfico de drogas”, explicou.

Toda avaliação da atual situação da cidade parece tomada por algum choque em relação ao contraste com o que se esperava para o Rio após os Jogos. Esperava-se um legado de bonança, e veio a crise, o aumento da violência.

Em um momento assim, talvez a análise externa mais precisa tenha sido a da jornalista e escritora Juliana Barbassa, em um artigo publicado na revista “Americas Quarterly”. Segundo ela, o objetivo da Olimpíada não era o de melhorar a vida no Rio, mas enriquecer o bolso de poucos.

“O verdadeiro objetivo dos Jogos era desviar toneladas de dinheiro público para bolsos privados através de lucrativos contratos de construção gerados pelo evento”, disse.

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‘Caminho errado’ no Rio deixa turista ferida e imagem do Brasil manchada
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Daniel Buarque

‘Caminho errado’ deixa turista ferida e imagem do Brasil manchada

“Turistas no Brasil ocasionalmente são atacados quando, por acidente, entram em favelas, que muitas vezes são dominadas por gangues”.

A descrição do risco imposto a quem visita o Brasil é parte de uma reportagem da agências de notícias Associated Press, publicada por jornais britânicos como “The Guardian” e “The Independent”, sobre a família de ingleses que foi atacada em Angra dos Reis.

Uma turista do país foi ferida a bala no abdome no incidente, e a imagem do Brasil fica manchada em dezenas de notícias sobre o caso na imprensa estrangeira.

“Mãe britânica leva tiro na frente da sua família durante férias no Brasil quando acidentalmente entrou em uma favela violenta após uma confusão com o idioma”, diz o longo título, um tanto sensacionalista, do tabloide “Daily Mail” sobre o caso.

Outro tabloide, o “Sun” publicou várias fotos do carro em que a família estava, com marcas de tiros.

“O Ministério de Relações Exteriores alerta os turistas de que todas as favelas são ‘áreas perigosas’ devido ao ‘nível de violência nelas'”, diz a publicação.

O ataque contra turistas é um caso que aumenta a repercussão no resto do mundo e reforça imagem internacional de violência no Rio.

As principais publicações internacionais já vinham publicando reportagens sobre o aumento da criminalidade no Rio de janeiro, e agora aproximam a notícia do leitor estrangeiro.

O Rio, diz o jornal francês “Le Monde”, vive uma “guerra não declarada” um ano após a Olimpíada.

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‘Economist’: Olimpíada não vai interromper décadas de declínio do Rio
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Daniel Buarque

'Economist': Olimpíada não vai interromper décadas de declínio do Rio

‘Economist’: Olimpíada não vai interromper décadas de declínio do Rio

A Cidade Maravilhosa é um ótimo cenário, mas não chega a ser uma “grande cidade”, segundo uma reportagem publicada na revista “The Economist”.

Às vésperas do início da Olimpíada, a publicação trata do constante declínio econômico e social do Rio de Janeiro desde os anos 1960 e diz que mesmo que dê tudo certo nos Jogos, a cidade não vai conseguir mudar seu rumo.

“A realização bem-sucedida dos Jogos pode melhorar o ânimo do Rio. Mas não vão ser suficientes para transformar a economia da cidade. O cenário espetacular faz as pessoas quererem visitar, mas vai ser preciso mais do que a luta contra o crime, melhor administração fiscal e serviços públicos melhores para fazer as pessoas quererem ficar. Até que as lideranças ofereçam isso, o Rio não vai ser uma grande cidade, mas apenas um ótimo cenário para uma”, resume a revista.

A longa reportagem aponta os anos 1960, e a construção de Brasília, como a origem de muitos dos problemas econômicos do Rio.

“A perda do status de capital foi um golpe do qual foi difícil se recuperar”, diz.

Desde então, indica uma gráfico usado pela publicação, a economia entrou em declínio e vários outros problemas, como a violência urbana, se intensificaram.

“Além do bacanal anual do carnaval, o Rio não achou uma vocação para substituir a burocracia e os mercados”, diz.

Segundo a revista, havia esperança de que a Olimpíada – junto à exploração do pré-sal – pudesse ser um catalisador de melhoras nos serviços públicos e na economia, mas as coisas não caminharam como esperado.

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