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Imagem do Brasil não tem como sair bem de ‘pesadelo’ de voto contra Temer
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Daniel Buarque

Imagem do Brasil não tem como sair bem de ‘pesadelo’ de voto contra Temer

“Pesadelo” é o termo usado pelo jornal britânico “The Guardian” para descrever a situação política do Brasil nesta semana, quando o país pode “remover o segundo presidente do poder em um ano”, diz.

O cenário desolador se vê não pelo risco de saída de Michel Temer da Presidência, mas pela ausência de um cenário bom para o país a partir da votação da denúncia contra ele.

Se Temer sair vitorioso, a imagem de impunidade para a corrupção no Brasil sairá reforçada. “E a persistente nuvem de corrupção que persiste sobre os líderes políticos do Brasil se prolongará”, avalia a publicação de Londres.

Se, ao contrário, o presidente for afastado, a imagem de instabilidade política do Brasil se consolidará nos olhos do resto do mundo.

“O tumulto político se tornou o novo normal no Brasil”, diz uma análise publicada no site “Open Democracy”. “Os brasileiros estão ficando acostumados a ver seus presidentes envolvidos em problemas legais”, complementa.

Como esperança de mínimo resultado menos catastrófico para a imagem do Brasil, há também duas opções.

Existe a possibilidade de o mercado internacional reagir positivamente à manutenção de Temer no governo (e a maior probabilidade de aprovação de mais reformas, como a da Previdência), mesmo que isso signifique ignorar escândalos de corrupção.

Por outro lado, mais positivo no longo prazo, analistas do resto do mundo têm elogiado a luta do Brasil contra a corrupção, e pode haver uma reação mais positiva para o país aos olhos dos estrangeiros, mesmo que isso signifique um novo mergulho na incerteza política.

Ter chegado a esta situação já tem um grave impacto sobre a forma como o Brasil é visto no resto do mundo. O país, e sua reputação internacional, não têm como sair ganhando.

Nem mesmo a reação popular, que demonstraria a mobilização dos cidadãos contra a corrupção e o caos político, é esperada por observadores externos.

“Há pouco apetite para uma nova rodada de protestos nas ruas como os que ajudaram a tirar Dilma Rousseff do poder”, diz o “Guardian”.

O cenário imediato é de perda certa, sem perspectiva de recuperação no curto prazo.

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Artigo de think tank americano diz que Brasil vive Estado de exceção
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Daniel Buarque

Artigo de think tank americano diz que Brasil vive estado de exceção

O impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão ao poder de Michel Temer como presidente do Brasil criaram uma situação análoga a um “Estado de exceção” semelhante ao que governou o Brasil a partir de 1964, segundo um artigo publicado pelo site do think tank americano Council on Hemispheric Affairs (Coha).

“O Brasil tem uma longa história de rupturas democráticas e crises econômicas, mas desde que a presidente democraticamente eleita Dilma Rousseff foi ilegalmente deposta em 31 de agosto de 2016, o país tem assistido a uma maior deterioração do estado de direito e da legitimidade democrática em todos os ramos do governo”, defende o texto, em inglês, assinado pelas pesquisadoras Aline Piva e Liliana Muscarella.

O artigo assume que o impeachment foi um “golpe” e diz que ele foi parte de uma manobra coordenada pela mídia e pelas elites com ajuda do Judiciário para tirar o Partido dos Trabalhadores do poder.

Desde a saída de Dilma, argumenta, o governo tem se mantido no poder de forma tênue com ajuda de uma “constante deterioração das instituições brasileiras, criando um estado de coisas com pouca semelhança com a democracia”, diz, indicando que isso gera uma ação violenta contra as vozes da oposição.

“Esta dinâmica pode ser classificada como um ‘estado de exceção’ não convencional –um com muitas semelhanças com a ditadura militar iniciada em 1964.”

Com sede em Washington, DC., o Coha foi fundado em 1975 e faz um contraponto mais à esquerda dos think tanks americanos mais populares, como o Instituto Brookings e o Council on Foreign Relations –apesar de esta postura política não ser declarada ou oficial pelo instituto, que diz defender apenas a democracia e condenar regimes autoritários.

Desde o início do processo de impeachment contra Dilma, a maioria dos textos publicados pelo think tank tinham um tom crítico à saída dela do poder. A análise do Coha indicava riscos de tensão e democracia, mas um artigo publicado ali dizia que a instabilidade do país ia além do impeachment.

Sem fins lucrativos, o centro de pesquisas se propõe a promover interesses comuns do hemisfério e aumentar a visibilidade de assuntos regionais, além de aumentar a importância das relações inter-americanas e incentivar o desenvolvimento de uma relação construtiva entre os EUA e o resto do continente.

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Sob Trump, EUA parecem uma ‘república de bananas’, como o Brasil, diz CNBC
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Daniel Buarque

CNBC diz que EUA parecem república de bananas como o Brasil

A crise política nos Estados Unidos e os pedidos de impeachment do presidente Donald Trump levaram a rede CNBC a comparar o país ao Brasil. Segundo um artigo publicado nesta semana, a instabilidade faz os EUA se aproximarem de uma “república de bananas” bem diferente do que o país costumava ser, e bem parecida com o Brasil.

“Parabéns, EUA. Vocês finalmente, depois de tantos anos, se transformaram no Brasil”, diz.

Apesar de o foco da reportagem ser a crise americana, a avaliação que o artigo escrito por Kevin Williamson mostra bem a interpretação que se faz no exterior a respeito da contínua instabilidade brasileira.

“Ninguém fora da América Latina se preocupa muito com a possibilidade de o presidente do Brasil, Michel Temer, sofrer impeachment, embora sua situação no momento tenha mais do que alguns paralelos com a do presidente americano”, diz a CNBC.

“A presidente brasileira antes dele, Dilma Rousseff, também sofreu impeachment. Esse tipo de coisa acontece em países como o Brasil, que vivem períodos curtos de estabilidade e prosperidade e, de repente, enfrentam crises sem um motivo óbvio.”

Segundo a CNBC, rede de TV voltada a notícias de economia, os EUA até recentemente não eram tão instáveis assim. “Os Estados Unidos não eram este tipo de país”, diz, criticando a atual instabilidade.

“Os fatos em Washington têm uma sensação distintamente tropical, e não é o aquecimento global. Os republicanos que se uniram a Trump agora estão aprendendo que é muito difícil guiar o navio do Estado com um dedo médio. As instituições americanas são muito robustas, e este momento de república de bananas provavelmente pode ser superado, desde que não seja muito mais longo”, diz.

A CNBC critica a situação da democracia americana, e finaliza defendendo que as urnas sejam o caminho para a estabilidade política. “Haverá uma outra eleição em 2020, quando o eleitorado americano pode fazer seu julgamento em Trump.”

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Em editorial, ‘The Guardian’ defende que eleitores decidam futuro do Brasil
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Daniel Buarque

Em editorial, ‘The Guardian’ defende que eleitores decidam futuro do Brasil

A grave crise brasileira é resultado da ação dos políticos do país, e agora eles devem deixar que os eleitores tenham voz para decidir uma saída para a situação atual. A avaliação é defendida pelo jornal britânico “The Guardian” em editorial publicado nesta semana.

O texto se debruça sobre as mais recentes revelações contra o governo de Michel Temer, e suas declarações se negando a renunciar à Presidência. Segundo o jornal, a longa crise faz com que todo o sistema política brasileiro esteja mergulhado em uma situação caótica.

“A política brasileira está amplamente desacreditada. As revelações que surgiram desde que Dilma Rousseff foi retirada do governo no ano passado destacaram a hipocrisia daqueles que a derrubaram”, diz, citando especialmente as acusações contra Eduardo Cunha e Temer como símbolos dessa hipocrisia.

Apesar da crítica à postura dos políticos, o jornal ressalta que a atual investigação, e as denúncias contra o governo Temer, mostra que a Lava Jato não é parcial politicamente, como dizem seus críticos.

“O problema é o escândalo, não a investigação, e o Brasil vai piorar ainda mais se ela for suspensa”, diz o “Guardian”, criticando ainda a ideia de que um possível sucessor de Temer pode ser escolhido de forma indireta.

“Um público já desencantado pode cair na apatia ou se voltar a uma figura autoritária de extrema-direita que se diga contra a política, como Jair Bolsonaro. Políticos do Brasil jogaram o país nesta confusão: eles devem deixar os 143 milhões de eleitores terem voz em como sair dela”, finaliza.

O “Guardian” é um jornal tradicionalmente mais alinhado à esquerda no Reino Unido, mas é reconhecido como um dos veículos mais sérios do jornalismo internacional. Ele foi o primeiro grande veículo internacional a se posicionar institucionalmente em editorial depois da aprovação do impeachment de Dilma.

Em um artigo publicado em setembro do ano passado, o jornal dizia que o impeachment de Dilma havia sido marcado por um processo injusto. A publicação defendia que jogar sobre a presidente cassada toda a responsabilidade pelos problemas do Brasil e achar que a saída dela resolve esses problemas era uma interpretação simplista e dissimulada.

Antes disso, em maio, quando Dilma foi afastada da Presidência, o “Guardian” já argumentava que o afastamento dela abriria espaço para o crescimento de políticos da extrema-direita. Com a queda de Dilma, “uma coalizão de ultraconservadores, incluindo evangélicos e defensores de torturadores militares, veem sua chance”, dizia.

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Brasil é país livre, mesmo com impeachment e turbulência, diz Freedom House
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Daniel Buarque

Relatório da Freedom House diz que o Brasil é livre, apesar do impeachment

Apesar de 2016 ter sido o turbulento ano da derrubada da presidente Dilma Rousseff por um processo de impeachment controverso, criticado como “golpe” por grandes grupos no país e no exterior, o Brasil é considerado um país “livre” pela Freedom House, organização internacional que monitora e mede a democracia e a liberdade em todo o mundo.

O país recebeu nota total 79, de um total possível de 100 pontos no ranking de liberdade divulgado neste início de ano pela instituição. O país é mencionado apenas quatro vezes no relatório anual da Freedom House, o “Freedom in the World 2017”, que inclui esta avaliação.

Mesmo considerando o país livre, a Freedom House não ignora os impactos do impeachment e da crise política no país, critica os políticos brasileiros e diz que a resiliência das instituições democráticas do Brasil é um dos alvos de preocupação para a democracia global.

“No Brasil, a derrubada da presidente Dilma Rousseff dominou a cena política em 2016. Apesar de a história poder julgar o impeachment em si, o processo impediu o funcionamento do governo ao absorver as atenções do Executivo e do Legislativo por meses, e fez pouco para resolver uma crise de corrupção mais ampla em que virtualmente toda a classe política enfrentou acusações de propina, tráfico de influência e fraudes”, diz a Freedom House.

“Os eventos deste ano apenas aumentaram a frustração do público, enquanto políticos eleitos pareciam mais preocupados com seus próprios destinos do que com a grave recessão econômica e aumento do desemprego no país”, complementa o relatório.

Apesar da classificação positiva, o país aparece apenas como “parcialmente livre” nas avaliações que a Freedom House faz da liberdade de imprensa e da liberdade na internet.

O índice determina as liberdades políticas e civis em cada país e indica se cada um deles é livre, parcialmente livre ou não é livre.

O relatório da Freedom House avalia o estado da liberdade em 195 países e 14 territórios durante o ano de 2016. A instituição dá uma nota de 0 a 4 para cada país em 25 quesitos, podendo levar a nota do país a 100. Segundo o texto publicado, a metodologia se apoia na Declaração Universal de Direitos Humanos.

O foco central do trabalho deste ano, em relação à situação política do mundo em 2016, e a ameaça que líderes populistas e autocratas representam para a democracia global.

“Em 2016, populistas e forças políticas nacionalistas tiveram ganhos impressionantes em Estados democráticos, enquanto poderes autoritários se envolveram em atos de agressão, e atrocidades continuaram sem resposta em zonas de guerra em dois continentes”, resume o trabalho.

Do total de países avaliados, a Freedom House considera que 87 são livres, enquanto 59 são parcialmente livres e 49 não são livres. A Finlândia, a Noruega e a Suécia aparecem no topo do ranking de liberdade, enquanto a Síria, o Tibete e o Uzbequistão aparecem no fim da lista, como países menos livres.

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‘Forbes’ e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma
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Daniel Buarque

'Forbes' e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma

‘Forbes’ e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma

A comparação pode parecer pouco provável para os dois países, mas artigos publicados nesta semana em duas importantes publicações de notícias econômicas –a agência Bloomberg e a revista “Forbes“– dizem que há semelhanças entre as politicas implementadas pelo novo presidente dos EUA, Donald Trump, e a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Comparado a um “caudilho” latino-americano, diz Mac Margolis, colunista da Bloomberg no Brasil, o governo Trump tem algumas semelhanças com o da presidente brasileira deposta pelo impeachment no ano passado.

“Considere os traços compartilhados, as preferências e peculiaridades políticas, que agitaram o Brasil e poderiam anunciar problemas para qualquer democracia dividida. Questionamento dos mercados? Confere. Obstinação? Sim, senhor. Desprezo pela política convencional? Confere novamente. Um apetite por fatos alternativos e imunidade à realidade fiscal? Confere duplamente. Tomados em conjunto, esses traços oferecem uma receita para um desastre”, diz o texto.

O argumento dele é que os Estados Unidos e suas instituições, bem como o próprio Trump, podem aprender com os erros e o populismo de Dilma para evitar que o país siga o caminho do Brasil rumo à atual crise econômica.

'Forbes' e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma

‘Forbes’ e Bloomberg apontam semelhanças entre governos de Trump e de Dilma

Para a “Forbes” a semelhança está não exatamente nas políticas implementadas, mas na situação polícia do governo.

“O presidente Donald Trump está se parecendo cada vez mais com a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff”, diz Kenneth Rapoza, responsável pela cobertura de mercados emergentes na “Forbes”.

“Por mais que, de longe, Trump pareça muito diferente de Dilma, há um ponto que é assustadoramente parecido: Dilma tinha muito pouco apoio no Congresso, mesmo entre seus aliados. O mesmo acontece com Trump”, diz a revista, indicando oposição a seu governo dentro do Partido Republicano.

“Como Dilma, Trump é um ator externo em seu próprio partido”, complementa.

Rapoza menciona a análise de Margolis, explicando que claro que os dois políticos têm grandes diferenças entre si, mas que as semelhanças também existem.

A análise da “Forbes” abre ainda a possibilidade de um outro caminho parecido entre Trump e Dilma – o impeachment. Desde antes mesmo da posse do presidente americano, grupos de oposição fazem movimentos para criticar o conflito de interesses entre suas empresas e o governo para pedir que ele seja retirado do poder.

“Para os democratas de esquerda, [a comparação de Trump com a brasileira] é algo maravilhoso, já que Dilma sofreu impeachment (…). Imagine o quanto eles ficariam felizes se o presidente dos EUA tivesse o mesmo destino.”

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Esquerda deve aceitar derrota política no impeachment, diz Sean Burges
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Daniel Buarque

Esquerda do Brasil deve aceitar derrota na luta política, diz Sean Burges

Esquerda do Brasil deve aceitar derrota na luta política, diz Sean Burges

O pesquisador australiano Sean Burges, vice-diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da universidade Australian National, acha “fantasiosa” a ideia de que houve influência internacional no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

“O impeachment foi moralmente errado, mas legalmente correto. Trata-se sempre um processo político. A esquerda perdeu a batalha política, e precisa aceitar isso”, disse, em entrevista ao blog Brasilianismo.

Burges é pesquisador sênior do Council on Hemispheric Affairs, think tank tradicionalmente voltado a defender temas da esquerda política no hemisfério. Ainda assim, segundo ele, a ideia de que a CIA planejou um golpe no Brasil não faz sentido.

Em livro, pesquisador descreve 'jeito brasileiro' de fazer diplomacia

Em livro, pesquisador descreve ‘jeito brasileiro’ de fazer diplomacia

O pesquisador acaba de lançar o livro “Brazil in the World: The International Relations of a South American Giant” (“Brasil no Mundo: As Relações Internacionais de um Gigante Sul-Americano), editado em inglês pela Manchester University Press, em que aborda o “jeito brasileiro” de fazer diplomacia.

Esta é a segunda parte da entrevista do Blog Brasilianismo com Burges, em que ele fala sobre o impeachment de Dilma e o que mudou (ou não mudou) na diplomacia brasileira após a troca de governo. Clique aqui para ler a primeira parte da entrevista, em que ele trata sas relações entre o Brasil e os EUA após o impeachment de Dilma e a eleição de Donald Trump

Brasilianismo – Mais cedo nesta entrevista, você mencionou que os EUA se interessam pelo petróleo da Venezuela. Há setores da esquerda brasileira que acusam os EUA de terem influenciado no impeachment de Dilma a fim de ter acesso ao petróleo do pré-sal. Independentemente desta acusação, o fato de o Brasil ter reservas de petróleo no pré-sal é algo que pode atrair a atenção de Trump para o Brasil?

Sean Burges – A ideia de influência internacional no impeachment é uma fantasia. O Brasil tem um sistema legal em funcionamento. O impeachment foi moralmente errado, mas legalmente correto. Trata-se sempre um processo político. A esquerda perdeu a batalha política, e precisa aceitar isso.

Não é segredo que os EUA e outros países têm interesse em uma política mais liberal do Brasil em relação ao pré-sal, mas os EUA não vão pressionar mais do que a Austrália ou qualquer outro país que também tenha interesses. Com Dilma no poder, já havia espaço para negociação, para investir.

A ideia de que a CIA está planejando um golpe no Brasil não faz sentido. Vocês não precisam de atores estrangeiros para levar adiante este tipo de mudança política no país.

Brasilianismo – José Serra assumiu o Ministério das Relações Exteriores dizendo que ia fazer política externa ‘sem partidarismo’ e prometendo focar em comércio exterior. Acha que a agenda de política internacional do Brasil mudou após o impeachment?

Sean Burges – Acho que não. Serra propôs dez pontos de mudança, mas ali não há mudanças reais. Ele fala em rever muitas coisas, mas isso não significa mudar nada na prática. Ele fala em tirar a ideologia, mas o Brasil não tem muita opção. Dizer que Lula e Dilma criaram uma diplomacia ideológica é ignorar o que há de mais importante. Por mais que pareça que Lula estava agindo para ajudar Evo Morales e Hugo Chávez, o Brasil agiu de forma calma para defender seus interesses. Quando se fala da desapropriação da petrobras na Bolívia, por exemplo, houve muito barulho, mas na prática quase nada mudou para o Brasil. Lula e Dilma tinham uma abordagem regional agressiva nos bastidores.

A mudança no discurso reflete uma realidade com a qual Serra e Temer vão ter que lidar. Lula lidava diretamente com líderes internacionais, como Chávez, para garantir a defesa dos interesses do Brasil, e pagamento para empresas brasileiras atuando nesses países. Temer e Serra não vão ter este tipo de acesso. Então não faria sentido fingir que há interesses ideológicos sobre a mesa, já que líderes como Morales e Correa não vão ter interesse em manter as aparências. Os dois vão ser hostis no discurso, mas pragmáticos nas negociações. Se o governo do Brasil não vai conseguir manter a mesma relação, não adianta tentar continuar, por isso este discurso de tirar a ideologia. Na prática, nada muda, mas a apresentação é diferente.

Brasilianismo – O governo Dilma foi muito criticado por ter encolhido a presença internacional do Brasil. Acha que isso aconteceu de fato?

Sean Burges – Sim, é verdade. O investimento pessoal do presidente tem relevância nas relações internacionais do país. Dilma tinha uma grande preocupação com a mudança econômica e social no país, mas se preocupava apenas com questões que tinham relação com isso. O Itamaraty falhou em explicar para ela como as relações internacionais podiam se relacionar com o que ela se interessava. Lula trabalhou de forma tremenda por oito anos para construir acesso e ganhar presença na África, que vai ser um grande mercado emergente, com grandes possibilidades para o Brasil. E dilma cortou essa relação, tirando dinheiro das embaixadas. Ela perdeu as conexões e isso cria um problema fundamental, que pode afetar a recuperação econômica do Brasil, pois o país precisa exportar, e a África poderia ser uma saída.

Brasilianismo – Como acha que o MRE vai agir sob Temer até 2018?

Sean Burges – Passei dez dias no Itamaraty em novembro do ano passado. As pessoas pareciam mais felizes do que nos últimos anos. Elas acham que o atual ministro tem uma voz política. Serra quer ser presidente, o que significa que vai mobilizar o Itamaraty para valorizar seu capital político.

O problema de temer é que ele tem muitos problemas internos, e precisa lutar pela sobrevivência política. Isso requer muita energia. A política doméstica roupa atenção da política externa no Brasil atual.

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‘Financial Times’ diz que ameaça de impeachment dificulta reformas de Temer
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'Financial Times' diz que ameaça de impeachment dificulta reformas de Temer

‘Financial Times’ diz que ameaça de impeachment dificulta reformas de Temer

Uma nova série de escândalos ameaça o governo de Michel Temer de impeachment e dificulta a aprovação de reformas econômicas em discussão no país, segundo uma reportagem publicada pelo jornal de economia “Financial Times”.

“Desde que Temer assumiu o poder, ele perdeu em média um ministro por mês. Na semana passada, dois ministros renunciaram em meio a acusações de que o presidente usou sua influência para ajudar um aliado na negociação de um imóvel”, diz a publicação.

Segundo o “FT”, Temer tem tentado equilibrar o fato de não ter sido eleito para a Presidência e sua baixa popularidade com a promessa de importantes reformas, o que tem enfrentado dificuldades.

Depois de meses com voto de confiança dos mercados, “agora estão crescendo as dúvidas de que a economia possa se recuperar tão rapidamente quanto o esperado”, diz. “Controvérsias políticas ameaçam atrapalhar o progresso” na recuperação.

“É pouco provável que o pedido de impeachment feito por um partido de oposição menor ganhe força por enquanto, segundo analistas. Mas as controvérsias aparecem num momento em que o governo Temer está sendo testado sobre sua capacidade de entregar um resgate da economia do Brasil”, diz.

Apesar do tom ainda cético em relação ao crescimento do movimento pelo impeachment, vale lembrar que a discussão sobre a deposição da ex-presidente Dilma Rousseff também começou sem que houvesse muita confiança no andamento do processo. A imprensa estrangeira acompanhou a discussão sobre o impeachment durante meses, e em muitos momentos usou argumentos semelhantes, de que seria pouco provável ver o pedido contra a presidente avançar.

Temer pode se afundar em instabilidades políticas e econômicas ao longo do próximo ano, diz o “FT”. Foram instabilidades e a incapacidade de reverter as crises políticas e econômicas que levaram ao crescimento do movimento de impeachment de Dilma.

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Greg Grandin: Postura de Obama em impeachment antecipou ascensão de Trump
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Greg Grandin: Postura de Obama sobre impeachment antecipou ascensão de Trump

Greg Grandin: Postura de Obama sobre impeachment antecipou ascensão de Trump

A forma como o governo de Barack Obama, nos EUA, lidou com a derrubada de três governos de esquerda na América Latina (Honduras, Paraguai e o impeachment de Dilma Rousseff no Brasil) antecipou o discurso que ele agora precisa assumir ao ver a vitória do republicano Donald Trump para sucedê-lo na Presidência norte-americana.

Segundo artigo do historiador norte-americano Greg Grandin, professor da New York University, na revista “The Nation”, o fato de Obama não ter denunciado o que chama de “golpe” no Brasil e nesses outros países acabou servindo de exemplo para a forma como ele agora aceita a derrota nos EUA.

“A ironia é amarga. Depois de ajudar a normalizar a transição autoritária neoliberal no exterior, Obama, nas últimas semanas da sua Presidência, agora se encontra fazendo o mesmo em casa. Os termos usados para descrever a aproximação da Presidência de Trump são exatamente os mesmos que o Departamento de Estado usou para acatar o golpe no Brasil: a resiliência das instituições democráticas… a necessidade de aceitar os altos e baixos da competição eleitoral… a lei… e por aí vai”, explica.

Para Grandin, assim como não houve vontade democrática na derrubada de governos pela América Latina, o mesmo acontece nos EUA, considerando que Hillary Clinton foi derrotada no Colégio Eleitoral mesmo tendo mais votos nacionalmente do que o presidente eleito.

Grandin ressalta ainda o que chama de “segunda ironia”. O fato de que os governos de centro direita que assumiram o poder na América Latina durante o governo de Obama preferiam que Hillary tivesse vencido as eleições nos EUA, e agora vão ter que lidar com o governo de Trump.

O historiador Grandin conhece bem o Brasil. Ele é autor do livro “Fordlândia”, sobre uma cidade-utopia que o empresário norte-americano Henry Ford tentou construir na Amazônia no início do século XX. Ele foi um dos entrevistados para o livro “Brazil, um país do presente”, e ajudou a traçar a imagem que os norte-americanos têm da Amazônia brasileira.

Ideologicamente ligado à esquerda, Grandin escreve esporadicamente sobre o na revista “The Nation”. Em um texto publicao após o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, ele publicou um artigo chamando o impeachment de “golpe escravagista”.

“A retirada de Dilma pode ser chamada de muitas coisas, entre elas um golpe midiático e um golpe constitucional. Pelo menos em parte, é também um golpe escravagista”, dizia.

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Brasil vive disputa política por seu futuro, diz artigo na ‘Al Jazeera’
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Daniel Buarque

Brasil vive disputa política por seu futuro, diz artigo na 'Al Jazeera'

Brasil vive disputa política por seu futuro, diz artigo na ‘Al Jazeera’

Duas gerações se enfrentam politicamente em uma disputa pelo futuro do país, diz um artigo publicado no site da rede árabe de notícias “Al Jazeera”.

Segundo a publicação, os jovens brasileiros estão liderando a resistência a mudanças em leis que podem reverter os ganhos sociais e proteger as elites do país.

“De um lado, uma nova geração que cresceu com melhor expectitaiva e horizonte mais amplo do que seus pais, e para quem a perspectiva até recentemente era de melhora; do outro, aqueles que não aceitaram perder privilégios enquanto os outros ganhavam direitos. Futuro contra passado, em resumo”, diz o texto assinado por Rodrigo Nunes, professor de filosofia da PUC-Rio.

Com tom fortemente crítico às propostas do governo Temer, o texto analisa as mudanças políticas pelas quais o Brasil vem passando neste ano, com o impeachment de Dilma Rousseff, o início do governo de Michel Temer e o resultado negativo para a esquerda nas eleições municipais.

“Se alguém pode falar em golpe no Brasil, não foi contra Dilma, mas contra a sociedade brasileira, contra tendências favoráveis à maior igualdade e prestação de contas que, aos poucos, mas com certeza, emergiram nas últimas décadas”, diz.

A “Al Jazeera” assumiu postura crítica a todo o processo de impeachment no Brasil, e às propostas do novo governo.

Em um artigo publicado após a votação para afastar Dilma, o canal dizia que o Brasil passava a viver um “carnaval neoliberal”, dizia. ”Este não é um golpe contra Dilma, mas contra a própria democracia”, argumentava.

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