Brasilianismo

Imagem do Brasil não tem como sair bem de ‘pesadelo’ de voto contra Temer

Daniel Buarque

Imagem do Brasil não tem como sair bem de 'pesadelo' de voto contra Temer

''Pesadelo'' é o termo usado pelo jornal britânico ''The Guardian'' para descrever a situação política do Brasil nesta semana, quando o país pode ''remover o segundo presidente do poder em um ano'', diz.

O cenário desolador se vê não pelo risco de saída de Michel Temer da Presidência, mas pela ausência de um cenário bom para o país a partir da votação da denúncia contra ele.

Se Temer sair vitorioso, a imagem de impunidade para a corrupção no Brasil sairá reforçada. ''E a persistente nuvem de corrupção que persiste sobre os líderes políticos do Brasil se prolongará'', avalia a publicação de Londres.

Se, ao contrário, o presidente for afastado, a imagem de instabilidade política do Brasil se consolidará nos olhos do resto do mundo.

''O tumulto político se tornou o novo normal no Brasil'', diz uma análise publicada no site ''Open Democracy''. ''Os brasileiros estão ficando acostumados a ver seus presidentes envolvidos em problemas legais'', complementa.

Como esperança de mínimo resultado menos catastrófico para a imagem do Brasil, há também duas opções.

Existe a possibilidade de o mercado internacional reagir positivamente à manutenção de Temer no governo (e a maior probabilidade de aprovação de mais reformas, como a da Previdência), mesmo que isso signifique ignorar escândalos de corrupção.

Por outro lado, mais positivo no longo prazo, analistas do resto do mundo têm elogiado a luta do Brasil contra a corrupção, e pode haver uma reação mais positiva para o país aos olhos dos estrangeiros, mesmo que isso signifique um novo mergulho na incerteza política.

Ter chegado a esta situação já tem um grave impacto sobre a forma como o Brasil é visto no resto do mundo. O país, e sua reputação internacional, não têm como sair ganhando.

Nem mesmo a reação popular, que demonstraria a mobilização dos cidadãos contra a corrupção e o caos político, é esperada por observadores externos.

''Há pouco apetite para uma nova rodada de protestos nas ruas como os que ajudaram a tirar Dilma Rousseff do poder'', diz o ''Guardian''.

O cenário imediato é de perda certa, sem perspectiva de recuperação no curto prazo.

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