Brasilianismo

Arquivo : abril 2016

Michael Reid: A mídia brasileira está muito partidária
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Daniel Buarque

Michael Reid: A mídia brasileira está muito partidária

Michael Reid: A mídia brasileira está muito partidária

O ex-editor da revista “The Economist” para a América Latina alega que a busca por notícias sobre o Brasil na imprensa internacional é motivada pela polarização partidária percebida na imprensa brasileira. Em entrevista à BBC Brasil, Reid falou sobre a crise no país e o posicionamento da revista, que criticou o impeachment, mas defendeu a renúncia da presidente Dilma Rousseff.

“A mídia brasileira está muito partidária, isso faz com que as pessoas olhem mais para publicações internacionais”, disse.

Leia também: A importância da imagem do Brasil que repercute na imprensa internacional

Veja abaixo alguns trechos da entrevista.

“O impeachment está na legislação, não é um golpe. Mas dissemos que seu uso não é uma boa ideia. Algumas das pessoas julgando a presidente estão envolvidas em denúncias graves de corrupção e têm processos na justiça.”

“Só que essa crise está custando caro demais para o Brasil e não pode durar outros dois anos até as eleições de 2018, e por isso defendemos novas eleições no Brasil. Temos opiniões de que as pessoas podem até discordar. Mas tomamos muito cuidado com os fatos”.

“O que mais me chamou a atenção foi que a causa do processo de impeachment contra a presidente (as pedaladas fiscais) não foi mencionada pela maioria dos deputados. O Congresso não fez nenhum a favor a si mesmo naquele dia para tentar conter a crise de credibilidade na política brasileira”.

“Para quem vê de fora, Cunha tem muito ao que responder e deveria ser afastado do Parlamento até que as acusações contra ele fossem investigadas, até por uma questão de credibilidade do processo”.

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Deu na ‘Folha’: Imprensa internacional não chama impeachment de golpe
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Daniel Buarque

Deu na 'Folha': Imprensa internacional não chama impeachment de golpe

Deu na ‘Folha’: Imprensa internacional não chama impeachment de golpe

A “Folha de S.Paulo” fez um importante levantamento do posicionamento editorial dos principais veículos da imprensa internacional a respeito do processo de impeachment no Brasil. Em tempos de propagação de boatos na internet, a avaliação de 11 dos principais jornais e revistas do mundo mostra que não houve uma defesa formal do impeachment, mas também não se aceitou abertamente a retórica de que destituir Dilma Rousseff seria golpe. No fundo, a mídia estrangeira tem feito um balanço muito crítico do processo de impedimento e de todo o sistema político do país.

“A Folha avaliou editoriais de 11 dos principais veículos de mídia estrangeira. Os editoriais transmitem a visão institucional dos jornais. Não foram analisados artigos assinados, que refletem apenas a opinião do autor do texto, nem reportagens, que devem contemplar todos os lados envolvidos em determinada questão, sem emitir opinião”, explica o texto da repórter especial Patrícia Campos Mello.

Leia também: A importância da imagem do Brasil que repercute na imprensa internacional

Este blog Brasilianismo tem acompanhado diariamente a publicação de reportagens e editoriais internacionais sobre o impeachment, mas ainda não havia compilado os mais recentes textos sobre a avaliação do impeachment para avaliar o tom geral da imprensa mundial.

O jornal avaliou o que foi publicado no “Financial Times“, no “Guardian”, na “Economist“, no “New York Times”, no “Washington Post”, na “Spiegel”, no “Miami Herald”, “El País”, “La Nación”, “Le Monde” e cita ainda o “Wall Street Journal” e “Süddeutsche Zeitung”.

Muitas das publicações admitem que o impeachment está sendo uma forma de retirar do poder uma presidente pouco popular, mas contra quem não há acusações de corrupção – apenas as pedaladas fiscais.

Entre as avaliadas, as publicações alemãs, diz a “Folha”, são os que mais se aproximam do discurso de que impeachment seria golpe.

“O correspondente do jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” foi o que chegou mais próximo de classificar o impeachment de ‘golpe’. Em artigo de opinião intitulado ‘Quase um golpe: o processo contra a presidente é errado’, Boris Herrmann afirma que a palavra golpe não é “necessária nem adequada”, mas que o processo tem ‘contornos golpistas’. ‘A tentativa de se livrar de uma presidente eleita’ não é ‘processo democrático’.”

“Outro correspondente no Brasil de veículo alemão, Jens Glüsing da revista ‘Der Spiegel’, diz: ‘Partidários de Lula alertam para um ‘golpe não tradicional’ contra a democracia. Não dá para dizer que essa preocupação seja totalmente descabida’, declara.”

Ao selecionar os veículos de imprensa “de referência” internacional, a “Folha” deixou de lado jornais e revistas mais partidários dos movimentos de esquerda, que veem denunciando o processo para destituir a presidente. A rede venezuelana Telesur, por exemplo, ataca veementemente o “golpe” contra Dilma. O mesmo pode ser lido, por exemplo, em sites como “Sputnik”, “La Izquierda Diario”, “Cubanet” e “Counterpunch”.

A própria “Folha”, é importante ressaltar, já criticou o processo de impeachment de Dilma, mas defende que ele segue as regras constitucionais e não pode ser chamado de golpe. O jornal defendeu, em editorial, a renúncia tanto da presidente quanto do seu vice, Michel Temer, bem como o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

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Greg Grandin: Impeachment de Dilma pode ser chamado de ‘golpe escravagista’
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Daniel Buarque

Greg Grandin: Impeachment de Dilma pode ser chamado de 'golpe escravagista'

Greg Grandin: Impeachment de Dilma pode ser chamado de ‘golpe escravagista’

O historiador norte-americano Greg Grandin, professor da New York University, publicou um artigo contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff na revista “The Nation”. Para ele, é preciso prestar atenção à presença de grupos econômicos que usam trabalho escravo entre os que estão pressionando pela destituição da governante.

“A retirada de Dilma pode ser chamada de muitas coisas, entre elas um golpe midiático e um golpe constitucional. Pelo menos em parte, é também um golpe escravagista”, diz Grandin.

O historiador conhece bem o Brasil. Ele é autor do livro “Fordlândia”, sobre uma cidade-utopia que o empresário norte-americano Henry Ford tentou construir na Amazônia no início do século XX. Ele foi um dos entrevistados para o livro “Brazil, um país do presente”, e ajudou a traçar a imagem que os norte-americanos têm da Amazônia brasileira.

Com um olhar tradicionalmente de esquerda, e favorável a Dilma, ele admite que a utilização de trabalho análogo à escravidão não é o principal motivo por trás do processo contra a presidente, mas defende que isso precisa ser levado em consideração na análise do que está acontecendo no Brasil.

“A escravidão, ainda que relativamente pequena em comparação com o grande mercado de trabalho do Brasil, representa a fronteira de um princípio mais amplo: o direito das elites brasileiras de explorar humanos e a natureza da forma brutal que quiserem”, avalia o pesquisador.

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Deu no ‘Al Arabiya’: Com impeachment, Brasil pode ter um presidente libanês
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Deu no 'Al Arabiya': Brasil pode ter um presidente libanês

Deu no ‘Al Arabiya’: Brasil pode ter um presidente libanês

Enquanto o Líbano lida com problemas políticos que deixam o país sem um presidente há quase dois anos, o Brasil, do outro lado do mundo, pode passar a ter um presidente libanês em breve.

O comentário comparando as duas situações foi publicado pelo portal da rede “Al Arabiya”, canal de notícias do mundo árabe em inglês, que publicou um perfil do atual vice-presidente brasileiro, Michel Temer, e falou sobre suas chances de chegar ao poder no caso de um impeachment.

O texto fala sobre a relação histórica entre os dois países e sobre Btaaboura, a cidade libanesa onde nasceu a família de Temer.

O “Al Arabiya” conta que o vice-presidente visitou o Líbano duas vezes, que ficou muito emocionado e que se arrependeu de não ter ido ao país antes. Diz ainda que Temer adora comidas libanesas, que são muito populares e facilmente encontradas no Brasil.

“Com a decisão de parlamentares de aceitar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff”, continua a reportagem, que erra ao dizer que o julgamento se dá por acusações de corrupção da presidente. “Temer parece pronto para assumir o poder do país com mais de 209 milhões de pessoas.”

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Brasil está caindo de volta ao Terceiro Mundo, diz site de economia
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Daniel Buarque

Brasil está sendo rebaixado ao Terceiro Mundo novamente, diz site de economia

Brasil está sendo rebaixado ao Terceiro Mundo novamente, diz site de economia

“Mesmo que você não acompanhe a política latino-americana, você provavelmente sabe que o Brasil – abençoado seja seu coração verde e amarelo – está rapidamente sendo rebaixado ao status de Terceiro Mundo”, diz o portal norte-americano de análises econômicas “Seeking Alpha”.

A avaliação leva em consideração que depois de uma evolução nas últimas dédacas, o país piorou. Agora é preciso ver a situação política e econômica do país, vazamentos “absurdos” de investigações da Justiça, o fato de muitos do Congresso serem acusados de corrupção e o “colapso” financeiro do país – tudo culminando com a possibilidade de impeachment da presidente.

Aqui cabe a ressalva de que o mundo acadêmico não usa mais a classificação dos países em Primeiro, Segundo ou Terceiro Mundos, que é considerada ultrapassada. De forma mais séria, o Brasil é visto como emergente (ou em desenvolvimento). Mesmo assim, é muito comum, especialmente nos Estados Unidos, ver a expressão ainda em uso, especialmente para criticar o subdesenvolvimento, como acontece nesse texto do portal de economia.

Apesar das muitas notícias negativas, o “Seeking Alpha” mostra que há um crescente interesse estrangeiro por investimentos no país.

“Este é um caso claro de um rabo político balançando um mercado-cão. Os mercados estão apostando que qualquer coisa é melhor de que Dilma”, diz. Segundo a avaliação, entretanto, o problema é que o mercado está olhando muito para a política e esquecendo de analisar a situação econômica real do Brasil, que é muito mais complicada de que pode parecer.

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Deu no ‘Miami Herald’: Impeachment é desproporcional a erros do governo
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Daniel Buarque

Editorial do 'Miami Herald' diz que impeachment é castigo desproporcional para governo ruim

Editorial do ‘Miami Herald’ diz que impeachment é castigo desproporcional para governo ruim

Um editorial publicado pelo jornal norte-americano “Miami Herald” (e por sua versão em espanhol ‘El Nuevo Herald’) defende que o impeachment é um castigo exagerado pela infração das regras de administração fiscal do governo.

O texto defende que a avaliação do processo para retirar Dilma Rousseff do cargo deve olhar apenas para a lei, e ignorar o julgamento político da presidente.

“Os brasileiros não devem se distrair. O crime que vem rebaixando o país é o roubo de políticos. Persigam os corruptos e deixem os eleitores decidirem o destino de políticos incompetentes”, diz o texto.

Segundo o jornal, a motivação política no processo contra Dilma se assemelha ao que aconteceu nos Estados Unidos durante o governo de Bill Clinton, que viu a Câmada do país aprovar seu impeachment, mas foi mantido no cargo pelo Senado.

“Clinton tinha de fato se comportado de forma inferior ao que se espera de um presidente. Mas os republicanos que o detestavam nunca conseguiram convencer o público de que defendiam os interesses do país – em oposição a seus próprios interesses políticos”, compara o “Miami Herald”, alegando que a situação é semelhante à do Brasil atual.

Para o jornal, a verdadeira questão que o Brasil precisa considerar neste momento crítico não são as pedaladas fiscais, mas a corrupção.

“Dilma pode ser culpada de administrar mal a economia, mas suas mão estão limpas no escândalo de corrupção”, defende.

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Cartunista canadense desenha charges sobre crises e corrupção no Brasil
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Daniel Buarque

Charges publicadas no jornal canadense 'Globe and Mail' fazem sátira de crises no Brasil

Charges publicadas no jornal canadense ‘Globe and Mail’ fazem sátira de crises no Brasil

A situação caótica do Brasil tem rendido um bom material para cartunistas internacionais.

No início do mês, um jornal dos Estados Unidos publicou um desenho do artista plástico costa-riquenho Arcadio Esquivel sobre a crise no país.

Além dele, duas charges publicadas nas últimas semanas em um jornal canadense fazem sátiras sobre o que acontece no Brasil. Uma delas mostra a garota Ipanema transformada em um monstro de corrupção, e outra traz o Cristo Redentor usando uma máscara contra gases tóxicos da política nacional.

Charge publicada no 'Globe and Mail', do Canadá

Charge publicada no ‘Globe and Mail’, do Canadá

Os desenhos são de Brian Gable, premiado autor das charges publicadas pelo jornal canadense “The Globe and Mail” desde 1987. Seus desenhos tratam especialmente de temas de política e economia internacionais, ironizando especialmente as notícias sobre o Canadá, os EUA e a Europa.

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Eliane Brum: Disputa por imagem internacional é ‘nostalgia do colonizador’
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Daniel Buarque

Eliane Brum: Disputa por imagem internacional talvez revele 'nostalgia do colonizador'

Eliane Brum: Disputa por imagem internacional talvez revele ‘nostalgia do colonizador’

A escritora brasileira Eliane Brum analisa, em sua mais recente coluna no site em português do jornal espanhol “El País”, a disputa pela narrativa internacional a respeito do processo de impeachment no Brasil.

Segundo ela, a busca por explicações na “imprensa estrangeira” para o que acontece no país talvez revele uma certa “nostalgia do colonizador”. Haveria uma necessidade em se ver interpretado e explicado por quem nos vê de fora, em vez de os brasileiros criarem sua própria narrativa.

Esta interpretação externa e o interesse dos brasileiros pela imagem internacional do país são os temas que movem este blog Brasilianismo. Em uma análise recente, tratamos dessa “obsessão” nacional pelas análises estrangeiras.

O interesse dos brasileiros e a importância dessa imagem internacional também foram temas abordados no livro “Brazil, um país do presente”, que trata da reputação do país no exterior. Lá, está explicado que o Brasil sempre valorizou estudos externos sobre sua realidade, e que a própria concepção de “país do futuro” veio de uma análise internacional.

Leia também: Em nova edição, livro analisa ascensão e queda da imagem do Brasil no mundo

A análise de Brum, que é escritora, repórter e documentarista, é interessante ao retomar o “complexo de vira latas” sob a ótica da “nostalgia do colonizador”. “Há muitas razões e significados. Mas talvez exista também uma nostalgia do colonizador. Uma demanda de paternidade. Ou de autoridade. Digam vocês, os que sabem, o que acontece aqui. Deem-nos um nome”, diz.

Em vez de rejeitar esta característica tão brasileira, ela faz uma proposta interessante, de que os brasileiros tentem se ocupar de criar sua própria narrativa.

Leia abaixo alguns dos principais trechos da coluna

Clique aqui para ler o texto de Eliane Brum completo no “El País”.

“A narrativa construída por uma parte da imprensa brasileira sobre o momento mais complexo da história recente do país, a forma como essa parcela da mídia ocupa seu papel como protagonista, assim como as consequências dessa atuação, merecem toda atenção. Possivelmente muitos livros serão escritos sobre esse tema, as perguntas recém começaram a ser feitas. Nesse artigo, porém, quero seguir uma outra pista, que considero fascinante demais para ser perdida. Também não se trata aqui de analisar o que a imprensa de outros países disse de fato – e que está longe de ser homogêneo como se quer vender. Não se trata aqui “deles”, mas de “nós”.”

“A pista que investigo aqui parte da interrogação sobre o que significa levar a disputa narrativa ao território simbólico do grande outro, “o estrangeiro”. E não qualquer estrangeiro, mas o que fala principalmente inglês, depois alemão e francês e espanhol (da Espanha, não da América Latina). E o que significa dar a essa entidade, chamada “imprensa estrangeira”, a palavra para nomear o que aconteceu – e acontece – no Brasil.”

“Que em vez disso nos lancemos em busca de que o outro nos nomeie, de que o outro diga o nome da coisa que se passa aqui, é bem revelador. Agora menos a Europa e mais os Estados Unidos, agora menos Paris e mais Nova York, agora menos Le Monde e mais New York Times. Como se diante da cena ainda por decifrar não fôssemos capazes de falar em nome próprio.”

“O Brasil, este que nasce pela invasão dos europeus e promove primeiro o genocídio indígena, depois o dos negros escravizados – ambos ainda em curso, vale dizer –, nasce com a carta do português Pero Vaz de Caminha. Parte da nossa trajetória é narrada pelo olhar de viajantes notáveis, como o francês Auguste de Saint-Hilaire. O que se diz do Brasil, e que portanto o constitui como narrativa, é dito em língua estrangeira, como todo país que nasce da usurpação do corpo de um outro.”

“Será sempre lost in translation enquanto não se encontrar o nome próprio. Enquanto o Brasil não falar em nome próprio. Enquanto o Brasil seguir insistindo em ser descoberto quando o que precisa é se inventar. Essa realidade é o cenário da extraordinária peça de Felipe Hirsch e Os Ultralíricos, A Tragédia Latino-Americana, em que os blocos são construídos para em seguida desabarem e serem rearranjados para logo depois virarem ruínas e tudo então ser mais uma vez reconstruído para desabar de novo e de novo e de novo.”

“O que fazer diante do horror? Retomar a palavra, a que atravessa os muros. Enfrentar o desafio de construir uma narrativa, necessariamente polifônica, sobre o momento, em todos os espaços. Não desviando das contradições, para evitar que elas manchem a limpidez do discurso. Ao contrário. Abraçando-as, porque elas criam o discurso.”

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Harold Trinkunas: Crises enfraquecem aspirações globais do Brasil
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Daniel Buarque

Harold Trinkunas: Crises enfraquecem aspirações globais do Brasil

Harold Trinkunas: Crises enfraquecem aspirações globais do Brasil

As persistentes crises política e econômica que atingem o Brasil, e que não têm um fim em vista, enfraquecem as aspirações globais do Brasil e seu poder de influência internacional. A avaliação é de Harold Trinkunas, chefe do setor da América Latina no centro de estudos Brookings, em Washington, DC.

Trinkunas é um dos autores do livro “Aspirational Power: Brazil’s Long Road to Global Influence”, que vai ser lançado em breve e que trata das ambições do país em política internacional. Em um artigo publicado no site do think tank Brookings, ele comenta o processo de impeachment de Dilma Rousseff (que afirma não ser um golpe), e indica os impactos do processo para a diplomacia brasileira.

Segundo ele, o processo de retirada de Dilma está apenas começando, e deve se arrastar por longos meses. “Enquanto a crise continua, a influência global e regional do Brasil sofre”, diz. Sua avaliação é que a situação não será totalmente resolvida antes da eleição presidencial de 2018.

Isso acontece porque a política externa do Brasil é muito baseada no soft power, o poder de convencimento e atração pelo modelo político, econômico, social e cultural do país.

“O atual turbilhão no Brasil sem dúvida enfraquece a capacidade de atração internacional do modelo do país. Mas mesmo perto de casa, a distração política e a recessão econômica no Brasil tem efeitos nos parceiros comerciais do Mercosul. E a incerteza política sobre quem vai ser o próximo presidente do Brasil dificulta o trabalho da diplomacia brasileira em manter seu papel de líder entre os parceiros da América do Sul”, explica.

Apesar da previsão crítica para os próximos anos, Trinkunas alega que não há dúvidas de que o Brasil vai acertar seu rumo no longo prazo, reforçando seu desenvolvimento econômico e sua influência global.

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CNN foge de clichês e apresenta símbolos da cultura brasileira de A a Z
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Daniel Buarque

CNN foge de clichês e apresenta símbolos da cultura brasileira de A a Z

CNN foge de clichês e apresenta símbolos da cultura brasileira de A a Z

Em um respiro no noticiário político e econômico, a rede de TV norte-americana CNN publicou um vídeo apresentando um ABC dos maiores símbolos da cultura brasileira.

Apesar de ainda falar de alguns clichês como a garota de Ipanema, Pelé, Gisele Bündchen e rainhas do carnaval, a lista é surpreendente. Ela traz nomes menos famosos na grande mídia internacional, mas de grande importância cultural para o país, longe dos estereótipos de sempre.

Beatriz Milhazes, Cinema Novo, Roberto Burle Marx, Leminski, Marcio Kogan, Hélio Oiticica, Francisco Costa, Vital Brazil e Xica da Silva são alguns dos listados.

Se a imagem do Brasil no mundo continua ligada à ideia de que trata-se de um país decorativo, é interessante ver que a cultura que é apresentada no exterior vai além dos clichês batidos pela história.

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Tags : CNN Cultura