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Brasil vive ‘confortável contradição racial’, diz antropóloga dos EUA
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Daniel Buarque

Brasil vive ‘confortável contradição racial’, diz livro de antropóloga dos EUA

Apesar de o país ter orgulho de sua história de miscigenação racial e da ausência de conflitos raciais declarados, o Brasil mantêm uma sociedade em que estão presentes cotidianamente as ideias de superioridade dos brancos e inferioridade dos negros. Esta tese é apresentada pela antropóloga Jennifer Roth-Gordon, da Universidade do Arizona, nos EUA, em um livro recém-lançado.

Em “Race and the Brazilian Body: Blackness, Whiteness and Everyday Language in Rio de Janeiro” (Raça e o Corpo Brasileiro: Negritude e Branquitude na Linguagem Cotidiana no Rio de Janeiro), Roth-Gordon alega que o país vive uma “confortável contradição racial” no contraste entre a teoria e a prática do racismo no país que por muito tempo se propôs como uma democracia racial.

“Existe uma profunda desigualdade racial no Brasil, e mesmo assim as pessoas acham que não são racistas”, explicou a pesquisadora, em texto publicado no site da universidade do Arizona.

Segundo a reportagem, a antropóloga esteve no Brasil pouco antes dos Jogos Olímpicos e viveu de perto o preconceito ao ver seus dois filhos, que são negros, serem tratados como inferiores nas ruas do Rio.

O livro se baseia em pesquisa de campo e entrevista com brasileiros para tentar revelar como o racismo existe no país, ainda que pareça estar escondido.

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Cotas geram debate sobre raça e preconceito no Brasil, diz jornal canadense
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Daniel Buarque

Política de cotas gera debate sobre raça no Brasil, diz jornal canadense

Política de cotas gera debate sobre raça no Brasil, diz jornal canadense

Um sistema criado para evitar fraudes em concursos que oferecem cotas de vagas para negros e pardos no Brasil gerou polêmica e acabou abrindo um debate sobre o significado de questões de raça e sobre discriminação racial no país, segundo uma reportagem do jornal canadense “Globe and Mail”.

“A política nasceu de boas intenções, mas gerou questões atordoantes, às vezes dolorosas: O que torna uma pessoa negra ou branca? São feições faciais? Cabelo? Família? Ou uma experiência de racismo? E quem decide?”, pergunta.

A reportagem se debruça sobre uma série de casos em que brasileiros que se declaram negros foram rejeitados por comissões que avaliam se os candidatos têm direito a vagas separadas para políticas de ação afirmativa. E aponta problemas no sistema.

“A política de cotas é um esforço controverso de reparação à escravidão e centenas de anos de discriminação racial. Depois que a escravidão foi proibida em 1888, o Brasil não teve políticas explícitas de discriminação, como as leis Jim Crow no sul dos EUA. Ao contrário, o país cultivou uma imagem de ‘democracia racial’ onde todos eram participantes iguais”, diz o texto, se referindo ao mito que se criou sobre racismo no Brasil.

Por décadas o país vendeu no exterior esta imagem de que não tinha racismo, por não ter leis que forçassem a segregação. Mais recentemente, entretanto, observadores e pesquisadores estrangeiros passaram a perceber e divulgar o quanto o racismo continuava presente na sociedade brasileira, buscando derrubar o mito.

“O efeito de 140 anos de exclusão sistêmica de pessoas negras, baseado em uma hierarquia de tons de cor de pele, é óbvio atualmente”, diz o jornal canadense.

A reportagem explica que o sistema de cotas nasceu para tentar diminuir essas diferenças baseadas em raça, e que em seus primeiros anos ela se baseava na autodeclaração de raça dos candidatos, mas que houve abusos e foram registrados casos de pessoas brancas se aproveitando do sistema.

Isso levou à formação de uma “comissão de verificação de raça”, que virou o centro da polêmica. “Isso significa que um painel de assessores olharia para cada candidato e decidiria se sua aparência se encaixava na raça declarada por ela”, diz. “O resultado, frequentemente, é confuso”, completa.

Sem uma escala objetiva para determinar algo tão subjetivo e individual quanto raça, diz o jornal, já há quem questione todo o sistema de ação afirmativa.

“Enquanto muitos ativistas são ferozmente envolvidos em proteger a limitação de vagas de ação afirmativa para alguém que tenha sido vítima de discriminação, outross argumentam que deixar o Estado definir a raça é uma regressão”, explica.

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Violência, racismo, corrupção e crise resumem o Brasil, segundo think tank
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Daniel Buarque

Violência, racismo, corrupção e crise resumem imagem do Brasil, diz revista de diplomacia

Violência, racismo, corrupção e crise resumem imagem do Brasil, diz revista de diplomacia

Um dos retratos mais críticos da imagem internacional do Brasil nos últimos anos foi publicado neste mês pela revista digital de relações internacionais “Foreign Policy in Focus”.

Em um texto que questiona “o que aconteceu” com o país, a publicação diz que “o maior país da América Latina parecia em ascensão. Agora está marcado pela violência generalizada, por racismo estrutural, corrupção endêmica e choques econômicos externos”, diz.

Depois de tratar do avanço político e econômico do país nos 15 anos entre o Plano Real e a virada da segunda década do século XXI, a publicação reúne algumas das notícias mais recentes sobre o país na imprensa internacional para abordar as questões de segurança, corrupção e racismo, assim como a crise econômica. O resultado é um perfil nada elogioso.

O texto fala sobre o mapa global da violência, que indica que o Brasil tem algumas das cidades mais violentas do mundo. Fala ainda sobre notícias sobre brutalidade policial e a negação do racismo, que é apontado como um grave problema no país. A revista também aborda os escândalos de corrupção na Petrobras.

Após uma série de críticas, algumas ressalvas: “Não é tarde demais, é claro, para o Brasil fazer uma grande correção em sua direção”, diz. “Felizmente, na vida e no esporte, países conseguem ter uma segunda chance. O Brasil tem os ingredientes certos para ter uma performance de classe mundial”, complementa.

A “Foreign Policy in Focus” é um projeto do Institute for Policy Studies (IPS), um “think tank” multidisciplinar e de orientação progressista de Washington, DC. Com participação de mais de 600 pesquisadores, a publicação diz buscar a promoção da democracia e da responsabilidade dos EUA nas relações globais. O texto é assinado pelo pesquisador John Feffer, do IPS, diretor da publicação.

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Polícia evidencia ‘apartheid simbólico’ no Brasil, diz mídia estrangeira
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Daniel Buarque

Reportagem do 'Independent' critica 'apartheid simbólico' no Brasil

Reportagem do ‘Independent’ critica ‘apartheid simbólico’ no Brasil

O racismo escondido da sociedade brasileira foi destacado em uma dezena de reportagens na mídia internacional ao longo dos últimos dias. A notícia de que mais de uma centena de adolescentes cariocas foram recolhidos pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, sem nenhum motivo aparente, a caminho das praias da zona sul da cidade gerou reação da mídia em diferentes países atacando a discriminação.

Segundo o jornal britânico “The Independent”, o caso demonstra que o Brasil vive um “apartheid simbólico”.

“Enquanto a cidade [do Rio de Janeiro] se prepara para receber a Olimpíada no próximo ano, trazendo muitos visitantes, a polícia tem realizado buscas em ônibus com jovens a caminho da praia, e alguns são levados a abrigos até serem buscados pela família, mesmo que não tenham cometido nenhuma ofensa”, diz o jornal.

A notícia foi publicada com tom crítico em pelo menos uma dezena de veículos de diferentes partes do mundo.

O Italiano “La Presse” destacou que a ação “preventiva” prendeu apenas jovens pobres e negros, o que não teria nenhuma base legal.

O site “RPP”, citando a agência internacional Efe, alegou que a ação demonstra uma tentativa de segregação de grandes cidades do Brasil, com exclusão dos mais pobres a fim de proteger os setores mais ricos da sociedade.

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