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Arquivo : Heritage Foundation

Para ‘think tank de Trump’, corrupção no Brasil começa no topo da política
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Daniel Buarque

Para o ‘think tank de Trump’, a corrupção no Brasil começa no topo político

Para o centro de estudos americano que costuma ser considerado uma referência para a forma de pensar do presidente Donald Trump, a corrupção toma conta do Brasil, e vem de cima para baixo.

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção é apenas um símbolo do grave problema que o Brasil enfrenta por conta da generalização deste tipo de crime em sua política, segundo uma análise da Heritage Foundation.

A opinião foi publicada pelo “Daily Signal”, site do “think tank de Trump”. “A corrupção no Brasil começa no topo”, diz.

“Os crimes pelos quais Lula foi considerado culpado certamente são significantes. Mais importante, entratento, é que eles ilustram como as elites públicas e privadas do Brasil têm se comportado –muito mal”, diz um texto assinado pelos pesquisadores James M. Roberts e Charles Busch.

Em meio a dezenas de análises críticas sobre a corrupção no Brasil, a avaliação da fundação Heritage pode parecer não ter nada de muito novo. Sua importância fica mais clara por conta da ligação deste think tank com o governo Trump. Segundo a rede de TV CNN, a Heritage pode ser considerada uma das principais referências sobre as ideias em torno do atual governo americano –por mais que o relacionamento tenha passado por turbulências recentemente. “O think tank conservador tem velhas raízes em Washington e está se tornando uma das maiores influências no governo Trump”, diz.

Mais preocupada com política interna, a Heritage não costuma publicar muitos textos sobre questões entre EUA e Brasil, mas fez esta análise recente sobre corrupção. Segundo ela, o problema atinge todo o sistema político do país.

“A troca de favores e a corrupção afetaram todos os partidos políticos no Brasil. Michel Temer, que assumiu a Presidência após a remoção de Rousseff, também foi manchado por alegações de corrupção”, diz.

A falta de confiança nas leis brasileiras faz com que o país perca pontos no Índice de Liberdade Econômica, calculado pela Heritage. Segundo a fundação, o Brasil tem caído nesta avaliação, e deixou de ser “majoritariamente livre” para uma situação de “majoritariamente sem liberdade”.

“Até agora, os únicos heróis a surgirem neste longo drama brasileiro são os procuradores e juízes. (…) Vai ser preciso haver mais gente como [o juíz Sérgio] Moro, com uma defesa firme de princípios”, para mudar isso, diz.

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Carne Fraca expôs ao mundo a corrupção sistêmica do país, dizem analistas
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Daniel Buarque

O escândalo revelado pela operação Carne Fraca, envolvendo frigoríficos brasileiros, se consolida como uma exposição internacional de o quanto a corrupção se tornou sistêmica, generalizada em todos os setores do país, que perdeu ainda mais credibilidade. A avaliação é defendida em artigos publicados por analistas estrangeiros na mídia internacional, e indica que isso afeta a reputação do Brasil no mundo e pode dificultar a recuperação econômica do país.

Em texto de opinião publicado na revista “Americas Quarterly”, Brian Winter, editor-chefe da publicação e autor de quatro livros sobre a América do Sul, indica que a Carne Fraca é mais um indício da falta de credibilidade do governo de Michel Temer e, por consequência, do país.

“Pouca gente confia, e menos ainda gosta, deste governo”, diz. Segundo ele, essa falta de confiança é alimentada pelo discurso do presidente, que diz não buscar popularidade. Isso gera dificuldade em aprovar uma série de reformas que podem até ser importantes para o país, mas que podem ser impedidas pelo clima de desconfiança generalizada.

Segundo ele, o governo Temer assumiu em circunstâncias problemáticas e está cercado de escândalos de corrupção desde então, o que torna difícil acreditar na aprovação da “reforma econômica mais ambiciosa dos últimos 20 anos”.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, Winter foi correspondente internacional no Brasil e desponta atualmente como uma das principais vozes nos Estados Unidos a analisar e comentar o que acontece no Brasil e na América Latina. Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo em dezembro, ele disse estar preocupado com a crise política no Brasil, pois vê na atual crise um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Trump nos EUA.

Na ocasião, ele também falou ainda sobre corrupção no país:”Não acho que os brasileiros sejam naturalmente mais corruptos do que alemães ou americanos, mas que as instituições que lidam com isso ainda não foram totalmente estabelecidas aqui, como foram em outros países. Espero que isso seja que esteja acontecendo agora”, disse.

No artigo mais recente, Winter cita a visita de um enviado da União Europeia para avaliar os frigoríficos brasileiros após a Carne Fraca. Em entrevista, ele alegou que o problema encontrado ali não era exceção, e aparece também em outros setores.

“O escândalo da carne é um exemplo perfeito do que pode dar errado quando as pessoas não confiam no governo”, explica.

Carne Fraca expôs ao mundo a corrupção sistêmica do país, dizem analistas

Uma tese semelhante é defendida pelo pesquisador James M. Roberts em um artigo publicado no site americano Daily Signal. Segundo ele, os escândalos da Lava Jato e da Carne Fraca mostram que a corrupção permeia todo o Brasil.

“A notícia triste para os brasileiros é que esses escândalos de corrupção poderiam ter sido antecipados, e talvez até evitados”, diz.

Roberts é ligado à Heritage Foundation, think tank conservador americano que é apontado como um dos centros formadores de políticas defendidas pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump. O site Daily Signal também é ligado ao instituto, e tem ganhado maior força na mídia do país desde a posse de Trump.

Segundo o artigo, a avaliação do Brasil no Índice de Liberdade Econômica, produzidor pela Heritage, tem se deteriorado nas últimas décadas, em parte por causa da atuação dos governos de Lula e Dilma nesta área.

“Enquanto o Brasil tenta sair do pântano da corrupção, vamos torcer para que uma nova geração de lideranças políticas possa surgir com determinação para melhorar o cumprimento das leis e colocar o Brasil de volta no caminho da liberdade econômica”, diz.

O argumento usado nessas análises generaliza problemas do país e indica que casos de corrupção e de instabilidade não são isolados, mas estão relacionados a uma questão nacional mais ampla. É uma observação semelhante à que observadores externos faziam durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, quando indicavam que, mais do que uma falha na democracia, a derrubada do governo era um símbolo da disfuncionalidade da política nacional.

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