Brasilianismo

Arquivo : Council on Hemispheric Affairs

Para think tank dos EUA, sobrevivência de Temer depende de alívio econômico
Comentários Comente

Daniel Buarque

Apesar de o presidente Michel Temer ter mostrado ainda ter força política ao evitar investigações contra ele sobre corrupção, o governante está enfraquecido, segundo uma análise publicada pelo think tank norte-americano Council on Hemispheric Affairs.

Segundo um artigo assinado pela pesquisadora Madeline Asta, se Temer tentar aprovar reformas que retirem acesso da população a serviços como educação e saúde, a reação pública pode ameaçar sua legitimidade e a sensação de recuperação econômica promovida pelo seu governo.

“Enquanto Temer enfrenta acusações de corrupção, ele só consegue manter seu poder político pela promessa de alívio econômico. Apesar de o Congresso recentemente ter votado para proteger Temer das investigações de corrupção, se suas políticas mostrarem sinais de enfraquecimento, seus aliados congressistas vão provavelmente abandoná-lo quando novas acusações aparecerem”, diz o texto.

“Para realmente melhorar a atual estrutura social, política e econômica, o Brasil precisa de uma reforma tributária progressista e do fim da corrupção; além disso, qualquer reforma também precisa ser acompanhada de medidas efetivas de controle de gastos públicos e não pode ser obscurecida por manobras políticas”, defende.

O tom crítico ao governo Temer é natural para o Coha, que recentemente publicou um artigo alegando que o impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão ao poder de Temer criaram uma situação análoga a um “Estado de exceção” semelhante ao que governou o Brasil a partir de 1964.

Desde o início do processo de impeachment, a maioria dos textos publicados pelo think tank com sede em Washington DC. e fundado em 1975, tinham um tom crítico à saída dela do poder.

Apesar de a postura política de esquerda não ser declarada ou oficial pelo instituto, que diz defender apenas a democracia e condenar regimes autoritários, o Coha na prática faz um contraponto aos think tanks americanos mais populares, como o Instituto Brookings e o Council on Foreign Relation.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Artigo de think tank americano diz que Brasil vive Estado de exceção
Comentários Comente

Daniel Buarque

Artigo de think tank americano diz que Brasil vive estado de exceção

O impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão ao poder de Michel Temer como presidente do Brasil criaram uma situação análoga a um “Estado de exceção” semelhante ao que governou o Brasil a partir de 1964, segundo um artigo publicado pelo site do think tank americano Council on Hemispheric Affairs (Coha).

“O Brasil tem uma longa história de rupturas democráticas e crises econômicas, mas desde que a presidente democraticamente eleita Dilma Rousseff foi ilegalmente deposta em 31 de agosto de 2016, o país tem assistido a uma maior deterioração do estado de direito e da legitimidade democrática em todos os ramos do governo”, defende o texto, em inglês, assinado pelas pesquisadoras Aline Piva e Liliana Muscarella.

O artigo assume que o impeachment foi um “golpe” e diz que ele foi parte de uma manobra coordenada pela mídia e pelas elites com ajuda do Judiciário para tirar o Partido dos Trabalhadores do poder.

Desde a saída de Dilma, argumenta, o governo tem se mantido no poder de forma tênue com ajuda de uma “constante deterioração das instituições brasileiras, criando um estado de coisas com pouca semelhança com a democracia”, diz, indicando que isso gera uma ação violenta contra as vozes da oposição.

“Esta dinâmica pode ser classificada como um ‘estado de exceção’ não convencional –um com muitas semelhanças com a ditadura militar iniciada em 1964.”

Com sede em Washington, DC., o Coha foi fundado em 1975 e faz um contraponto mais à esquerda dos think tanks americanos mais populares, como o Instituto Brookings e o Council on Foreign Relations –apesar de esta postura política não ser declarada ou oficial pelo instituto, que diz defender apenas a democracia e condenar regimes autoritários.

Desde o início do processo de impeachment contra Dilma, a maioria dos textos publicados pelo think tank tinham um tom crítico à saída dela do poder. A análise do Coha indicava riscos de tensão e democracia, mas um artigo publicado ali dizia que a instabilidade do país ia além do impeachment.

Sem fins lucrativos, o centro de pesquisas se propõe a promover interesses comuns do hemisfério e aumentar a visibilidade de assuntos regionais, além de aumentar a importância das relações inter-americanas e incentivar o desenvolvimento de uma relação construtiva entre os EUA e o resto do continente.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Think tank publica edição de revista acadêmica sobre política brasileira
Comentários Comente

Daniel Buarque

Think Tank publica edição especial de revista acadêmica sobre política brasileira

Uma coletânea de trabalhos acadêmicos sobre política e presidencialismo no Brasil está sendo publicada pelo think tank americano Council on Hemispheric Affairs (Coha).

O trabalho foi editado pelo pesquisador sênior do Coha Sean W. Burges e por Tracy Beck Fenwick, ambos de origem australiana, e foi publicado na revista acadêmica “Policy Studies”.

Segundo um resumo publicado na página do Coha, o objetivo central da edição é analisar a situação política brasileira nos últimos anos, comparando os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff em diferentes áreas.

“A comparação aprofunda o entendimento do poder e influência presidenciais além da própria Presidência brasileira, já que muitas das características do governo Lula foram continuadas pelo de Dilma”, diz.

A edição especial avalia a questão do poder presidencial e da política brasileira sob várias metodologias e abordagens acadêmicas, desde a ciência política, passando por economia política, relações internacionais, sociologia e análise de políticas públicas.

A publicação reúne cinco artigos produzidos por importantes nomes da pesquisa sobre o Brasil no resto do mundo, como o próprio Sean Burges, que deu uma entrevista ao blog Brasilianismo recentemente sobre política externa, Katrhyn Hochstetler, da London School of Economics, e Timothy J. Power, de Oxford.

Com sede em Washington, DC., o Coha foi fundado em 1975 e faz um contraponto mais à esquerda dos think tanks americanos mais populares, como o Instituto Brookings e o Council on Foreign Relations –apesar de esta postura política não ser declarada ou oficial pelo instituto, que diz defender apenas a democracia e condenar regimes autoritários.

Sem fins lucrativos, o centro de pesquisas se propõe a promover interesses comuns do hemisfério e aumentar a visibilidade de assuntos regionais, além de aumentar a importância das relações inter-americanas e incentivar o desenvolvimento de uma relação construtiva entre os EUA e o resto do continente.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Em livro, pesquisador descreve ‘jeito brasileiro’ de fazer diplomacia
Comentários Comente

Daniel Buarque

Em livro, pesquisador descreve 'jeito brasileiro' de fazer diplomacia

Em livro, pesquisador descreve ‘jeito brasileiro’ de fazer diplomacia

A política externa brasileira busca desafiar e transformar a estrutura global de poder, sem desfazer o padrão em funcionamento em vigor no mundo atual. Este é um dos exemplos do “jeito brasileiro” de fazer diplomacia, segundo um livro recém-lançado no Reino Unido.

“Brazil in the world: The international relations of a South American giant” (Brasil no mundo: As relações internacionais de um gigante sul-americano, Manchester University Press) trata dos desafios de diplomacia do Brasil no século 21, quando o país conseguiu expandir sua ação no resto do mundo, mas acabou perdendo força por conta das crises política e econômica.

O livro é resultado de anos de pesquisa de Sean W Burges, pesquisador sênior do Council on Hemispheric Affairs, vice-diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da universidade Australian National.

A obra está dividida em três partes: uma apresentando o contexto da política externa brasileira e os desafios à ordem global; outra sobre questões relacionadas a multilateralismo, comércio e segurança; e uma terceira sobre relações bilaterais com a América Latina, os EUA e a China.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Instabilidade do Brasil vai muito além do impeachment, dizem pesquisadoras
Comentários Comente

Daniel Buarque

Instabilidade do Brasil vai muito além do impeachment, dizem pesquisadoras

Instabilidade do Brasil vai muito além do impeachment, dizem pesquisadoras

Dias depois da maior manifestação pública contra o governo de Dilma Rousseff, enquanto o mercado internacional já trabalha com a ideia de mudança de governo e agências de avaliação de risco político indicam que a presidente Dilma Rousseff não deve ficar mais de que dois meses no poder, pesquisadores estrangeiros começam a analisar, preocupados, o que vai acontecer com o Brasil no futuro. Segundo uma análise publicada pelo think tank Council on Hemispheric Affairs (Coha), o impeachment está longe de resolver a crise política, e a instabilidade vai muito além da saída de Dilma.

“O Brasil está entrando em um período sem precedentes, extremamente polarizado com elevada tensão política”, diz o texto assinado pelas pesquisadoras Esther Fuentes e Rachael Hilderbrand, do Coha. “Enquanto o ciclo de corrupção do Brasil continua, as demandas públicas podem mudar, mas é incerto quem irá liderar a nação, ou que opções para a mudança existem”.

Segundo elas, a situação atual do Brasil é ainda mais preocupante, tendo em conta o que aconteceria no dia após Dilma ser finalmente retirada do poder. “Considerando que os políticos da oposição foram rejeitados pelo público nas manifestações de domingo, é evidente que a instabilidade política do Brasil vai muito além desse processo de impeachment”, dizem.

“Quem, aos olhos dos brasileiros tem legitimidade suficiente para liderar o país e retirá-lo das crises política e econômica? Se ocorrer o impeachment, pode não haver um líder político para governar o Brasil no lugar de Dilma”, questionam.

O texto do Coha explica que, pela legislação brasileira, a retirada de Dilma do poder coloca o vice-presidente, Michel Temer, em seu lugar, mas que ainda há o risco de Temer ser retirado por conta do julgamento da campanha de 2014. Nesse caso, em seguida na linha de sucessão estaria o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que seria responsável por convocar novas eleições. No entanto, Cunha também é acusado na Operação Lava Jato. Se ele for processado e não puder suceder o presidente, o quarto na linha seria o presidente do Senado, Renan Calheiros, que também foi mencionado em delação premiada.

“Uma presidente supostamente corrupta pode ser cassada, as investigações sobre um ex-presidente e vários senadores proeminentes e funcionários públicos continuam, e até aqueles que continuam a oferecer alguma liderança política também são acusados ​​de corrupção”, dizem, indicando um futuro de muitas incertezas para o país.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Analistas estrangeiros veem clima de tensão e riscos à democracia no Brasil
Comentários Comente

Daniel Buarque

Analistas estrangeiros veem clima de tensão e riscos à democracia no Brasil

Analistas estrangeiros veem clima de tensão e riscos à democracia no Brasil

A chamada da reportagem do jornal espanhol “El País” logo na sexta-feira, dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado a depor pela Polícia Federal, já resumia o que diriam os pesquisadores internacionais ao analisar a atual situação do país: “O ‘caso Lula’ põe à prova a democracia brasileira”.

“Voltou a ressoar o fantasma do golpe”, ressalta a publicação espanholsa, indicando que desta vez a “ameaça” não vem dos quartéis, mas das operações policiais e judiciais e pela pressão de conservadores que apostam na queda do governo. “O Brasil vive um momento histórico delicado, precisa mais de bombeiros de que de incendiários, e deve prevalecer a responsabilidade de todos”, complementa.

O argumento publicado no calor dos acontecimentos pelo jornal espanhol se fortaleceu na análise mais cuidadosa de dois importantes centros de estudo nos Estados Unidos. Artigos publicados pelos “think tanks” Brookings e Council on Hemispheric Affairs (Coha) também demonstram preocupação com a saúde da democracia brasileira.

Segundo o Coha, o país está enfrentando um momento complicado na sua relação historicamente problemática com a corrupção, o que leva a uma escalada de problemas sociais e riscos.

“A crescente tensão política em torno dos escândalos de corrupção vão aumentar a pressão sobre a atual presidente Dilma Rousseff, que também enfrenta acusações por envolvimento no escândalo da Petrobras e pode sofrer impeachment. O Escândalo da Petrobras penetrou o sistema político brasileiro e representa uma ameaça à democracia do país”, avalia.

O artigo publicado pelo Instituto Brookings tem uma abordagem mais ampla, e foca não apenas na atual crise brasileira e nas notícias recentes envolvendo o ex-presidente Lula, mas na onda de transformações pelas quais têm passado vários países da América Latina nos últimos meses.

O Brookings parte de dados publicados recentemente no Índice de Democracia do Economist Intelligence Unit, que indica que a democracia está em risco em todo o continente. Segundo o estudo as crises, a instabilidade e o risco de impeachment são alguns dos pontos que fazem com que a democracia brasileira seja vista como “flawed”, com falhas.

A análise do “think tank” ressalta que os brasileiros têm participado de grandes protestos desde 2013, e que, apesar da insatisfação popular com a política, o país não tem mudado. “Sua principal demanda, por melhores condições de vida, continuam não sendo respondidas no Brasil enquanto uma crise fiscal continua”, explica.

Leia também: Recessão e impeachment derrubam Brasil em ranking mundial de democracias

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>