Brasilianismo

Arquivo : imprensa

Crise faz 80% de menções ao Brasil na mídia estrangeira terem teor negativo
Comentários Comente

Daniel Buarque

Crise política piora avaliação do Brasil na mídia estrangeira

“O primeiro trimestre de 2017 foi o momento em que a imprensa internacional percebeu de forma mais clara que o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto, não traria a estabilidade política ao Brasil.”

A avaliação é parte do estudo I See Brazil sobre como o país apareceu na mídia estrangeira no primeiro semestre deste ano.

Realizado pela agência Imagem Corporativa, o levantamento avalia regularmente a imagem do país a partir de pesquisas e da abordagem da imprensa internacional a respeito da reputação do Brasil.

Apesar de o relatório anterior, referente ao último trimestre de 2016, ter indicado uma leve melhora no tom usado pelo resto do mundo para se referir ao Brasil, o levantamento referente ao primeiro semestre de 2017 mostra que a imagem do Brasil ainda vai mal. Segundo o estudo, essa continuação da crise política é um dos principais motivos que têm gerado observações negativas a respeito do país.

“A forte rejeição popular às políticas do presidente Michel Temer e o envolvimento de diversos integrantes do governo em atividades ilícitas derrubaram a imagem do país no exterior com relação a temas políticos”, diz.

Crise política piora avaliação do Brasil na mídia estrangeira

No primeiro semestre de 2017, 80,5% da cobertura da imprensa internacional teve tom negativo em relação ao país. O estudo avaliou 1.170 reportagens sobre o país publicadas em 13 jornais internacionais.

O relatório faz a ressalva de que o pior momento da imagem do país ainda foi o primeiro semestre de 2016, quando 84% das reportagens tinham tom negativo, mas lembra que a segunda metade do ano passado já havia visto o encolhimento da cobertura negativa para 75,85%.

Além de contabilizar o percentual de cobertura positiva e negativa sobre o país na mídia estrangeira, o estudo também pondera as avaliações da imprensa e de especialistas internacionais sobre o Brasil, gerando uma nota para a imagem do país, chamada de I See Brazil Index.

“No primeiro semestre, o indicador atingiu 1,858 ponto –-resultado pouco superior ao observado entre janeiro e junho de 2016, quanto se atingiu 1,297 ponto, mas inferior ao verificado no segundo semestre do ano passado (2,448 pontos)”, diz o relatório.

Segundo o I See Brazil, a redução da nota entre o segundo semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017 reflete a reversão que ocorreu na percepção externa nesses últimos doze meses.

“Após a realização dos Jogos Olímpícos do Rio de Janeiro, em julho do ano passado, parecia que a percepção internacional do Brasil iria aos poucos se recuperar do turbilhão político e econômico que fazia parte do dia a dia do país desde o início de 2015. O otimismo cauteloso de empresários e investidores parecia indicar que 2017 seria um ano melhor. No entanto, o que se percebe no primeiro semestre deste ano é que esse otimismo parece ter sido um pouco precipitado”, diz.

Segundo o relatório, a percepção negativa se aprofundou à medida que as investigações da Operação Lava-Jato prosseguiram, demonstrando a complexidade das operações de corrupção envolvendo grandes empresas e representantes da classe política brasileira.

O I See Brazil é produzido com a finalidade de mostrar como está a imagem do Brasil em outros países, reunindo e analisando referências à política, à economia e aos assuntos socioambientais e diferentes aspectos ligados a esses três pilares.

O estudo avalia o que sai sobre o Brasil em 13 publicações internacionais: o italiano “Corriere Della Sera”, a revista alemã “Der Spiegel”, o indiano “Economic Times of India”, o jornal espanhol “El País”, o jornal de economia “Financial Times”, o argentino “La Nación”, o francês “Le Monde”, o chinês “South China Morning Post”, a revista britânica “The Economist”, o japonês “Japan Times”, os americanos “The New York Times” e “The Wall Street Journal” e o canadense “The Toronto Star”.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


‘New York Times’ e ‘Guardian’ trocam seus correspondentes no Brasil
Comentários Comente

Daniel Buarque

‘New York Times’ e ‘Guardian’ trocam seus correspondentes no Brasil

Duas das mais importantes publicações da imprensa estrangeira que fazem cobertura regular sobre o Brasil estão trocando seus correspondente no país neste mês.

Segundo coluna de Nelson de Sá, na “Folha de S.Paulo”, o britânico “The Guardian” e o americano “The New York Times” têm novos jornalistas acompanhando o noticiário sobre o Brasil e traduzindo o que acontece no país para o público anglófono a partir de agora.

O novo correspondente do “NYT” no país, Ernesto Londoño, estreou na sexta com reportagem sobre o fim da força-tarefa da Lava Jato.

Já o novo repórter do “Guardian” no Brasil, Dom Phillips, começou sua atuação tratando da impunidade e do aumento no número de mortes no campo no Brasil.

Os dois correspondentes anteriores dos jornais, Simon Romero e Jonathan Watts, se despediram fazendo balanços da sua experiência no Brasil. O tom final percebido por eles é o de pena pelo declínio enfrentado pelo país.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Jornal alemão diz que é surpreendente que não haja protestos contra Temer
Comentários Comente

Daniel Buarque

Jornal alemão diz que é surpreendente que não haja protestos contra Temer

O site em português da rede alemã Deutsche Welle publicou um pequeno apanhado das reações dos principais jornais alemães aos mais recentes escândalos políticos no Brasil, com a denúncia contra o presidente Michel Temer. Um dos principais destaques percebidos é a perda da confiança na democracia e a falta de protestos contra o governo.

“Alguém ainda se surpreende se os brasileiros estão perdendo a confiança na democracia? Surpreendente é que não haja milhões nas ruas para exigir a retirada de Temer. Por simpatia não pode ser, pois a popularidade dele anda em 7% – um recorde negativo. Por que, então, a população não se vira contra ele? Talvez porque não saiba o que ganharia com isso. Muitos têm a sensação de que, se expulsarem um charlatão, outro virá para o lugar dele”, diz o “Süddeutsche Zeitung”

Já o “Frankfurter Allgemeine Zeitung” destaca as chances de Temer se manter no poder.

“Temer já saiu várias vezes de uma enrascada e é bem possível que ele de fato fique no cargo até o fim do seu mandato, em dezembro de 2018. Incerto, porém, é se o presidente, em permanente luta pela sobrevivência política, e sua coalizão, cada vez mais frágil, ainda conseguem reunir as forças para impor as reformas necessárias para superar a recessão.”

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Com crise política, imprensa dos EUA tem pico de cobertura sobre o Brasil
Comentários Comente

Daniel Buarque

Com crise política, imprensa dos EUA tem pico de cobertura sobre o Brasil

A crise política no Brasil e as denúncias contra o presidente Michel Temer geraram um pico no número de reportagens sobre o Brasil na imprensa dos Estados Unidos, segundo Tom Reichert, chefe do departamento de publicidade e relações públicas da Universidade da Georgia (EUA).

Em entrevista publicada pela Folha, Reichert disse que minutos antes de Temer declarar que não renunciaria ao cargo, a notícia da crise política no Brasil já era o segundo tema mais falado na mídia dos EUA. Agregadores de publicações americanas indicavam que apenas a pressão política sobre Donald Trump era mais tratado na imprensa do país.

Leia a reportagem da Folha sobre o pico de cobertura sobre o Brasil nos EUA

“Os americanos estão acompanhando o noticiário sobre a política brasileira de perto desde o ano passado”, explicou Reichert. “Agora há um pico no número de reportagens sobre o Brasil, por conta da nova crise”, complementou

O pesquisador veio ao Brasil junto com seu colega Itai Himelboim, diretor do departamento de engajamento de redes sociais e publicidade da mesma universidade, para apresentar o mais amplo estudo sobre a percepção da imprensa americana a respeito do Brasil.

Ao longo de 2016, o levantamento coordenado por eles analisou 143.549 reportagens sobre o Brasil na mídia dos EUA.

Segundo Reichert, apesar de o atual escândalo estar chamando muita atenção, e de o foco na instabilidade política levantar discussões sobre as implicações econômicas dela, há uma sensação de que pode haver finalmente uma solução para a crise.

“Depois do atual pico no noticiário, haverá uma oportunidade para mostrar o Brasil no exterior sob um enquadramento novo. Pode haver a sensação de renovação, de dar um passo adiante no sentido da busca da estabilidade e da resolução da crise”, disse.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Encolhimento da cobertura estrangeira não significa ausência de interesse
Comentários Comente

Daniel Buarque

A revista “Piauí” publicou nesta semana em seu site uma interessante reportagem sobre a “debandada dos correspondentes estrangeiros do Brasil”, indicando que o país se tornou menos atraente para o resto do mundo nos últimos meses por conta da série de crises e do fim dos Jogos Olímpicos, e assim passou a ter menos jornalistas de outros países em suas cidades.

É verdade que há um aparente movimento de encolhimento do espaço destinado ao Brasil no resto do mundo, mas ainda faltam dados e estudos que comprovem a tese, e soa errado interpretar o encolhimento da cobertura como “desinteresse” internacional no país, como diz o título da reportagem: “Não interessa mais”. A interpretar pela intensa cobertura que a imprensa estrangeira faz das reformas propostas por Temer, da crise política, da possível retomada econômica, das investigações da Lava Jato e de episódios como a Operação Carne Fraca, o interesse em temas relacionados ao Brasil continua existindo, sim, e não é pouco.

O ponto central da discussão é entender que 2016 foi um ponto muito fora da curva na cobertura internacional sobre o Brasil. Com Jogos Olímpicos, epidemia de zika, microcefalia, desastre em Mariana e o impeachment de Dilma Rousseff, o país esteve nos holofotes do resto do mundo como nunca antes –daí que seja natural perceber uma redução na atenção após algum tempo.

Segundo o I See Brazil, principal estudo a contabilizar o volume e o tom da cobertura da imprensa internacional sobre o Brasil, o volume de reportagens sobre o país no resto do mundo subiu 75,68% em 2016, passando de 1.908 menções ao país em 2015 para 3.352 textos no ano passado (considerando uma amostra dos principais veículos impressos do planeta). Partir desse volume imenso de cobertura em 2016 para interpretar o interesse internacional seria, portanto, um erro.

É natural que este índice indique uma volta do país a índices semelhantes aos de 2015, ou até menores, visto que antes havia ainda uma onda de interesse externo inciada em 2014, com a Copa do Mundo. O movimento de correspondentes estrangeiros e “debandada” de muitos deles é normal em um cenário assim, e é claramente perceptível no Rio de Janeiro, cidade que centralizou a atenção naquele ano, como diz a “Piauí”. Considerando que muitos desses correspondentes internacionais se conheciam e conviviam durante o tempo morando na mesma cidade, a percepção de que havia uma debandada era clara entre muitos deles, daí o relato anedotário sobre este êxodo e a redução percebida pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil.

Além disso, o êxodo retratado pela revista tem uma série de casos que talvez não possam ser entendidos como “debandada”. A reportagem começa falando do “New York Times”, que está simplesmente mudando de correspondente. Fala também do fechamento da BBC o Rio, sem indicar que a mesma BBC está com sete vagas abertas em São Paulo, além de outras quatro abertas no serviço brasileiro em Londres, em um movimento que indica a ampliação do interesse no Brasil.

Outra questão importante é tratar sobre como essa imprensa internacional cobre o Brasil. O país se tornou claramente mais visível no resto do mundo ao longo da última década, e com isso passou a atrair mais jornalistas estrangeiros. Durante este período, entretanto, muitos passaram a conhecer bem o país, a ter fontes entre políticos e no mercado, e voltaram para seus países de origem, mesmo que continuem cobrindo a situação do Brasil.

Em entrevista recente ao blog Brasilianismo, Brian Winter, editor-chefe da “Americas Quarterly” explicou que este era seu caso. Depois de morar muitos anos em São Paulo, ele voltou para os EUA, mas continua de olho no Brasil. “Ouço a CBN no metrô de Nova York”, contou. É um caso parecido com o site da revista “Forbes”, que publica reportagens regularmente sobre o Brasil sem ter um correspondente fixo no país. Aconteceu ainda com Alex Cuadros, que veio ao Brasil cobrir os bilionários do país pela Bloomberg, acabou deixando o país, mas escreve com certa regularidade sobre temas locais em vários veículos da mídia americana.

Talvez se possa questionar a qualidade dessa cobertura feita à distância (ainda que seja por profissionais extremamente competentes), mas é preciso entender que a saída de correspondentes não representa necessariamente nem mesmo o encolhimento da atenção dada ao país.

O mais importante da reportagem da “Piauí” não é o êxodo de correspondentes, mas a clara inversão da onda de euforia estrangeira sobre o Brasil. Desde 2014 que a cobertura internacional, ainda que grande, mudou de tom, e tem focado muito mais os problemas do país, em um clima evidente de depressão, comprovado por pesquisas e dados sobre a imagem do país.

A imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos, segundo o I See Brazil, levantamento realizado desde 2009 pela agência de comunicação Imagem Corporativa (IC). Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, em 2016 o Brasil apareceu com enfoque negativo em 85,5% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

Este noticiário negativo derrubou o Brasil no principal ranking internacional que mede a imagem das nações no mundo. O Brasil aparece em 23º lugar na edição mais recente, de 2016, do Anholt-GfK Nation Brands Index (NBI), a sua pior classificação na história do índice.

Aí está também o ponto central da edição atualizada e digital do livro “Brazil, um País do Presente”, publicada em 2015.

“A imagem internacional do Brasil mudou de forma surpreendentemente rápida e radical ao longo da última década. Em 2010, a palavra ‘euforia’ era a que melhor representava a forma como o mundo via o país em seu momento ‘bola da vez’. Hoje, tudo mudou, e a desconfiança tomou conta das interpretações estrangeiras sobre o país. Depois da euforia, veio a depressão”, dizia.

Além de um novo capítulo e de um posfácio sobre euforia e depressão, esta nova edição digital trazia ainda um novo prefácio, escrito pelo diretor do Brazil Institute do King’s College London, Anthony Pereira. No texto, o pesquisador argumenta que apesar da oscilação entre cobertura positiva e negativa, “o mundo está cada vez mais interessado no Brasil, e o Estado brasileiro está mais presente em assuntos internacionais do que jamais esteve antes”.

Para este blog Brasilianismo, que acompanha regularmente há mais de dois anos toda a cobertura da imprensa estrangeira sobre o país, a questão mais relevante é entender que existe esta oscilação da imagem, mas que a ascensão da imagem do Brasil no resto do mundo na década passada consolidou-o como um “país presente”.

No pósfacio, a edição atualizada do livro argumentava:

“Dizem que escritores costumam ter depressão pós-parto, e ficam se lamentando não poder fazer mudanças no texto de sua obra já publicada. Assim que este “Brazil, um País do Presente” foi lançado, em 2013, pensei que talvez fizesse mais sentido tê-lo dado o título de ‘Brazil, um País Presente’. Além do jogo de palavras com o ‘país do futuro’ vaticinado por Stefan Zweig, umas das ideias centrais que defendia era de que o Brasil e sua imagem haviam se tornado figuras presentes definitivamente no cenário internacional. No século XXI, o país passava a ser mais reconhecido como relevante, e não era mais ignorado pelo resto do mundo – fale bem ou mal, mas o mundo todo fala mais sobre o Brasil.

Esta questão da presença do Brasil vai além das ideias de euforia e depressão relacionadas à sua imagem. De fato, desde o começo do século XXI mais pessoas sabem mais sobre o Brasil no resto do mundo, e a incorporação do país ao imaginário global parece ser permanente. A imagem do Brasil é a de um país presente, mesmo que a impressão causada seja mais positiva em alguns momentos e mais negativa em outros.”

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


‘Time’ relembra capa sobre Brasil em 1967, quando o país parecia ‘decolar’
Comentários Comente

Daniel Buarque

A revista “Time” tem feito um amplo trabalho de memória ao longo do ano, recuperando a cada semana a edição da revista que foi publicada 5 décadas antes e esmiuçando o mundo descrito naquela época. E uma das edições de abril de 1967 trazia uma discussão sobre o lugar do Brasil no mundo na capa, e um tom que em muitos momentos soa bem atual.

A revista enfocava a conferência de líderes das Américas realizada em Punta del Este e dizia que caberia ao Brasil do “presidente” Costa e Silva, “líder de uma nação que forma metade da área, da riqueza e da população da América do Sul”, levar adiante as decisões do encontro.

Uma imagem de Costa e Silva, por sinal, estampava a capa da publicação, que se referia a ele como “líder” e “presidente”, mas não como ditador, segundo a memória publicada agora no site da publicação.

Após ser um dos homens poderosos envolvidos no golpe de 1964, dizia, “Costa e Silva prometeu humanizar a revolução lançada pelo seu antecessor austero e sem humor –mas também deixou claro que pretendia levar adiante muitas das reformas básicas iniciadas por Castello”, dizia a revista, sem questionar o fato de o Brasil ser uma ditadura na época.

O mais interessante de perceber na publicação de parte do texto histórico é ver a linguagem usada pela “Time” em 1967. Alguns dos termos usados na época ficaram marcados como alguns dos mais comuns durante o recente período de ascensão econômica do país, na década passada. “Otimismo do tipo que no passado cegou o Brasil precisa aguardar que, tendo chegado ao ponto de decolar, o gigante do Sul vá finalmente decolar”, dizia.

A expressão “take off” usada duas vezes na mesma frase faz a famosa capa da “The Economist” de 2009, com o Cristo Redentor como se fosse um foguete soar como um eco distante. E o tipo de avaliação reforça a ideia já percebida por analistas de que a imagem do Brasil no resto do mundo alterna esses momentos de euforia e depressão, com impressão de que o “gigante” vai decolar sempre que vive um bom momento.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Imagem do Brasil no mundo passou de 81% positiva a 85% negativa em 7 anos
Comentários Comente

Daniel Buarque

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

A imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos, segundo um levantamento realizado desde 2009 pela agência de comunicação Imagem Corporativa (IC).

Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, neste ano o Brasil aparece com enfoque negativo em 85,5% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

O dado faz parte de um livreto da IC, divulgado neste mês, que faz um balanço sobre as oscilações do país e da sua imagem ao longo da última década. O trabalho é um resumo do que a agência costuma produzir na pesquisa ”I See Brazil”, que busca medir as percepções externas em torno do país a partir do que se lê na mídia estrangeira e do que falam especialistas no assunto.

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

“Um levantamento da Imagem Corporativa que acompanha a imagem do Brasil no exterior desde 2009 mostrou que, naquele ano, 80% das reportagens publicadas sobre o país nos principais veículos da imprensa estrangeira eram positivas. Esse percentual passou para 81% no ano seguinte – ponto alto da exposição favorável da mídia estrangeira ao Brasil. A queda começaria em 2013, quando o percentual caiu para 65%. No ano seguinte houve a reversão: 56% das reportagens publicadas sobre o país eram negativas. Tal percentual cresceria para 72% em 2015 – invertendo completamente o quadro observado poucos anos atrás”, diz o trabalho. O levantamento mais recente, do primeiro semestre deste ano, mostra que 85,5% das reportagens sobre o Brasil eram negativas.

A oscilação da reputação internacional do país já havia sido abordado pela edição mais recente do livro “Brazil, um País do Presente – A Imagem Internacional do ‘País do Futuro’”, escrito pelo autor deste blog Brasilianismo, lançada no ano passado.

A partir de trabalho de reportagem e de estudos de nation branding, competitive identity e diplomacia pública, o livro mostra que a imagem do Brasil mudou de forma surpreendentemente rápida e radical ao longo da última década. Ali vê-se que em 2010, a palavra “euforia” era a que melhor representava a forma como o mundo via o país em seu momento “bola da vez”. Hoje, tudo mudou, e a desconfiança tomou conta das interpretações estrangeiras sobre o país. Depois da euforia, veio a depressão.

Uma década de altos e baixos

O livreto sobre a oscilação brasileira ao longo da década aponta como a economia e a política evoluíram e depois perderam o rumo. Fala sobre como o Brasil impulsionou sua imagem como parte dos ascendentes BRICs e depois dos “cinco vulneráveis”. Trata ainda do quanto o governo Lula aproveitou a instabilidade na região para promover a imagem do país.

Mostra que, como seria natural, a imagem do país reflete o que acontece de fato dentro dele. E, se o Brasil passou por uma oscilação política econômica tão grande, isso acaba sendo sentido por sua reputação internacional.

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

“Em tão pouco tempo, o país iniciou uma trajetória ascendente, na qual assistiu à melhoria de seus indicadores econômicos e sociais, aumentou seu grau de protagonismo na arena mundial e sediou dois eventos esportivos internacionais. E também testemunhou a deterioração desses mesmos indicadores econômicos e sociais, ingressou em uma crise política sem precedentes nas últimas décadas e presenciou pela terceira vez em menos de 30 anos a posse de um vice-presidente no lugar do titular escolhido pelo voto.”

Após um panorama da história recente do país, o trabalho do IC apresenta sua pesquisa mais interessante e original – a respeito do protagonismo internacional do país.

“Assim como na economia e na política, a percepção externa em torno do Brasil também teve seus movimentos mais expressivos – positiva e negativamente – ao longo desses dez anos”, diz,

“Um importante ponto desse período foi o fato de o governo brasileiro ser visto no exterior – especialmente pelos EUA tanto de George W. Bush quanto de Barack Obama – como um contraponto ao bolivarianismo”, diz.

Mais uma vez, avaliação semelhante pode ser lida no livro “Brazil, um país do presente”, em que mostro como a imagem do Brasil conseguia melhorar a partir da comparação com outros países. Isso valia também em relação aos BRIC, já que, mesmo crescendo menos do que os outros, o Brasil era visto como menos corrupto e mais democrático do que a Rússia e a China, e menos pobre do que a Índia.

Segundo o livreto da IC, 2007 é o ano emblemático da alta da imagem do país: Ali, o país ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo e encontrou reservas de petróleo do pré-sal, abrindo caminho para, nos anos seguintes, se tornar “investment grade” e ser escolhido para sediar os Jogos Olímpicos. A crise financeira global, em 2008, impulsionaria ainda mais a imagem do Brasil, que sobreviveu sem grandes abalos enquanto as maiores economias do mundo tremiam. O Brasil “seria visto como um exemplo de resiliência em um momento desafiador”, diz.

A euforia internacional, que cresceu tão rapidamente, também não duraria muito tempo, entretanto. “Assim como se tornou consensual em pouco tempo, essa imagem positiva do Brasil foi rapidamente desconstruída”, diz.

Isso começou em 2013, segundo a IC, com os primeiros indicadores negativos da economia e o início dos protestos contra a política brasileira (incluindo governos locais e o federal).

“É irônico notar que, no momento em que o Brasil exibia um dos pontos altos conquistados na década passada – a realização da Copa do Mundo de Futebol, em junho de 2014 – o país já começava a ser visto com desconfiança lá fora”, diz.

Com as crises do ano seguinte, chegou o ponto a virada da imagem internacional do Brasil, que passou a ser majoritariamente negativa.

Apesar do mau momento atual e das crises, no país e em sua imagem internacional, o trabalho da IC alega que não há motivo para desespero. “O Brasil enfrentou crises muito mais severas em sua história recente, e certamente superará as dificuldades atuais – com o benefício das lições aprendidas nesses últimos dez anos”.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


‘Não chamaria Dilma de corrupta’, diz Temer ao ‘Washington Post’
Comentários Comente

Daniel Buarque

'Não chamaria Dilma de corrupta', diz Temer em entrevista ao 'Washington Post'

‘Não chamaria Dilma de corrupta’, diz Temer em entrevista ao ‘Washington Post’

A disputa política em torno da imagem internacional do país em meio ao processo de impeachment continua ganhando espaço na imprensa estrangeira. O jornal norte-americano “The Washington Post” publicou a primeira entrevista do presidente interino, Michel Temer à imprensa internacional.

Na entrevista, Temer alegou ser incapaz de dizer se a presidente afastada, Dilma Rousseff, se envolveu em esquemas de corrupção.

“Ela pode ter cometido erros administrativos, mas não a chamaria de corrupta”, disse.

A entrevista envolveu vários assuntos relacionados às crises no país e à Olimpíada. Temer deu respostas curtas e pouco elaboradas, e defendeu a legalidade do governo interino.

“Fui eleito vice-presidente. Aqui no Brasil, o presidente e o vice são eleitos juntos. Mesmo assim, partidos da oposição estão alegando que houve um golpe e que deveria haver eleições presidenciais. Só existe golpe quando se viola a Constituição, e este não é o caso”, disse.

Tanto o governo interino quanto o afastado têm dado bastante atenção à narrativa internacional acerca do impeachment. Desde a abertura do processo, Dilma, Temer e até o ex-presidente Lula têm dado constantes entrevistas à imprensa internacional. Além disso, Temer instruiu diplomatas brasileiros a combaterem internacionalmente o discurso sobre a ideia de “golpe” no Brasil, o que tem rendido posicionamento frequente de embaixadores na mídia estrangeira.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira
Comentários Comente

Daniel Buarque

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest

Estados Unidos, Argentina e Chile estão entre os primeiros governos internacionais a se pronunciar, desde a quarta-feira (11) sobre o a votação do impeachment de Dilma Rousseff. Os três falam na importância das instituições brasileiras em meio ao processo.

Reportagem publicada pela “Folha de S.Paulo” relata que o governo norte-americano se posicionou a respeito da votação do Senado. Segundo o jornal, o governo americano reagiu com cautela ao afastamento iminente da presidente .

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que os EUA confiam nas instituições brasileiras.

“O Brasil tem um sistema de leis, tem uma democracia madura e estabelece um sistema para resolver esses conflitos políticos dentro do país”, disse Earnest ao ser questionado sobre a votação no Senado durante a entrevista diária na Casa Branca.

“O Brasil está sob certo escrutínio e sob certa pressão, e os EUA estarão à disposição para apoiar nosso amigo e parceiro, enquanto ele lida com os desafios significativos que está encarando neste momento”, afirmou.

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

Earnest disse que não iria julgar alegações específicas de um ou outro político brasileiro, mas indicou que os EUA consideram que o processo no Congresso segue as normas.

“Nós obviamente acreditamos que essas instituições democráticas foram estabelecidas por um motivo, e as regras que guiam a democracia devem ser seguidas”, disse. “Nós continuamos confiantes que com essas instituições democráticas o Brasil pode atravessar a confusão que vive hoje”.

Chile e Argentina

Segundo relatos do portal “Opera Mundi“, um a presidente chilena Michelle Bachelet e a ministra de Relações Exteriores da Argentina trataram do afastamento de Dilma.

“O Chile tem seguido com atenção os recentes sucedidos políticos no Brasil, país de histórica relevância econômica, diplomática e cultural para o Chile, incluindo durante o período da administração da amiga presidenta Dilma Rousseff, com a qual temos mantido excelentes relações”, afirma o comunicado de Bachelet.

“A democracia brasileira é sólida e os próprios brasileiros saberão resolver seus desafios internos. Nesse meio tempo, o Chile reafirma seu decidido respaldo ao Estado de Direito, aos processos constitucionais e às instituições democráticas no Brasil e em cada um dos países da América do Sul, elementos indispensáveis para resguardar nossas democracias, fortalecer nossa integração regional e nossa inserção global”, conclui a nota.

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

A ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, publicou no Twitter na manhã desta quinta-feira (12/05) que o governo de Mauricio Macri “respeita o processo institucional” que se desenvolve no Brasil. A mensagem veio depois da decisão do Senado de admitir o processo de impeachment e afastar a presidente Dilma Rousseff do cargo.

“Tendo em conta os acontecimentos registrados no Brasil, o governo argentino manifesta que respeita o processo institucional que se está desenvolvendo. A Argentina continuará dialogando com as autoridades constituídas para seguir avançando com o processo de integração bilateral e regional. Confiamos que o desenlace da situação consolide a solidez da democracia do Brasil”, afirmam as mensagens.

Imprensa

A “Folha” também reúne os primeiros relatos do afastamento da presidente na imprensa internacional.

Minutos após o Senado Federal ter aprovado o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, os principais veículos da imprensa internacional já davam destaque à decisão.

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

EUA, Argentina e Chile dizem confiar na força da democracia brasileira

“Brasil: Dilma Rousseff afastada do poder”, escreveu o francês “Le Monde”.

“Fim do jogo para Dilma Rousseff. Uma maioria de 55 senadores votou, na quinta (12), pela suspensão do mandato da presidente e, assim, de seu afastamento do poder por até 180 dias. Ela é acusada pelos senadores de ter maquiado contas públicas. A senhora Rousseff será substituída, durante o dia, por seu vice-presidente, Michel Temer, a quem ela acusa de golpe de Estado institucional”, explica o “Le Monde”, um dos primeiros jornais internacionais a tratar do tema nesta quinta-feira (12).

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


‘Confusão’ é o tema da cobertura internacional da anulação do impeachment
Comentários Comente

Daniel Buarque

'Confusão' é o tema da cobertura internacional da anulação do impeachment

‘Confusão’ é o tema da cobertura internacional da anulação do impeachment

Se, para quem é brasileiro, é difícil entender o que está acontecendo, para quem tenta traduzir a realidade brasileira para o resto do mundo, a confusão é ainda maior.

As notícias sobre a anulação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, e a decisão do presidente do Senado de manter o encaminhamento do processo foram replicadas rapidamente no exterior, mas o tom geral ainda é de que a situação é caótica demais para tomar qualquer coisa como definitiva.

Por mais que os veículos de comunicação brasileiros tenham sido rápidos em publicar listas de repercussão internacional do noticiário desta tarde, a impressão é de que ninguém – nem no Brasil, nem fora – sabe exatamente o que se passa na política brasileira.

A confusão é ainda maior pela velocidade com que as notícias estão se sucedendo. Historicamente, a mídia internacional costuma ser mais lenta e mais analítica ao tratar dos fatos do Brasil na imprensa do resto do mundo. É um tempo que normalmente os correspondentes levam para conseguir apurar, processar os fatos e traduzir os acontecimentos para quem não conhece tão bem a realidade brasileira. Quando o ritmo do noticiário fica acelerado assim, tudo fica mais complicado.

“A política da confusão no Brasil”, diz o título mais recente da revista “The Atlantic”. “Caos no Brasil pela ‘anulação’ do impeachment de Dilma Rousseff”, publicou o jornal britânico “Telegraph”. “Votação do impeachment de Dilma é anulado, e oa legislagura do Brasil é jogada no caos”, diz o “Guardian”, em algumas das primeiras reações no resto do mundo.

A semana começou com os principais jornais internacionais noticiando a votação do impeachment no Senado, marcada para começar na quarta-feira, mas no meio da tarde tudo mudou. Aos poucos, as agências de notícias foram traduzindo as primeiras notícias, e os correspondentes começaram a tentar explicar o que acontece.

Com o tempo, com certeza vão surgir textos e análises mais aprofundados com o olhar estrangeiro. Por enquanto, o domínio é do tom de estranhamento e confusão. O mesmo estranhamentos e a mesma confusão que também toma a maioria dos brasileiras, diga-se.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil