Brasilianismo

Arquivo : Eleições 2018

Insegurança pode levar militares de volta ao poder no Brasil, diz Bloomberg
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Daniel Buarque

Uma reportagem publicada no site da agência de economia Bloomberg analisa como os militares estão prestes a voltar ao poder no Brasil três décadas após o fim da ditadura. Se Jair Bolsonaro for eleito presidente, diz, seu governo pode ter até cinco generais, o maior papel das forças de segurança no governo em décadas.

“Apenas 30 anos após o fim de uma ditadura militar, as forças de segurança do Brasil estão de volta. Mesmo que Bolsonaro perca a eleição, agora existe um significativo bloco de lei e ordem no Congresso eleito por uma população com medo da alta criminalidade”, diz.

A insegurança no país que registrou mais de 60 mil homicídios por ano é a principal causa do apoio dos brasileiros ao retorno dos militares à política, segundo a reportagem.

Apesar do apoio popular dado a muitos desses militares que chegam à política, a Bloomberg ressalta que o movimento político no país se dá alinhado a um crescimento da extrema direita.

“Bolsonaro colocou em dúvida o futuro da democracia. Ele ficou famoso –e infame– por conta de comentários depreciativos contra mulheres, gays, indígenas e afrodescendentes. Ele disse que o maior problema com a ditadura foi que ela não matou gente o suficiente, e que se recusaria a aceitar o resultado das eleições se ele perdesse.”

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Imprensa estrangeira destaca aumento da violência política no Brasil
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Daniel Buarque

A imagem de violência é uma das mais fortes associações que se percebe na imprensa internacional ao tratar do Brasil nos últimos anos. Mais recentemente, têm sido comuns as análises que tratam sobre o crescimento da violência política, que teve destaque especialmente na cobertura da morte da vereadora Marielle Franco, nos tiros disparados contra uma caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no atentado a faca contra Jair Bolsonaro. Na semana após o primeiro turno de eleições “marcadas pela raiva”, o mundo vê o ódio político florescer no Brasil.

“Tensão diante das eleições brasileiras foram ligadas a uma série de ataques violentos, incluindo um caso que está sendo tratado como um assassinato político”, diz uma reportagem da rede britânica BBC.

“A frustração dos eleitores com o aumento da violência e da corrupção no país – bem como a explosão de notícias falsas inflamatórias – criou uma atmosfera tóxica que englobou a eleição deste ano”, avalia o jornal inglês “The Guardian”.

Os relatos sobre violência política se tornaram tão frequentes na mídia estrangeira que uma busca na internet por notícias a respeito da violência no Brasil tem mais retornos sobre a eleição do que sobre o recorde de homicídios no país –este que é uma das imagens mais fortes e mais negativas sobre o Brasil no exterior.

A agência Associated Press registrou que os casos de violência relacionados à eleição levaram os candidatos a pedirem calma a seus eleitores –ainda que a BBC tenha destacado que Bolsonaro tratou os casos como “isolados”.

As reportagens na imprensa internacional relatam dezenas de casos de violência política registrados no país nas últimas semanas.

A ONG Human Rights Watch também registrou o aumento de casos violentos no país por conta da eleição. Em um texto que trata de relatos pessoais de agressão por política ouvidos de amigos, a diretora da divisão brasileira da HRW defendeu que os candidatos, Maria Laura Canineu, argumenta que os candidatos precisam ser enfáticos contra a violência.

“Eleições são um exercício de democracia, momentos especiais em que cidadãos refletem sobre o estado do país e escolhem pacificamente o futuro que querem. Mas a campanha deste ano foi manchada por ameaças e violência”, diz.

Entre os casos de agressões registrados pela imprensa internacional estão situações de ataques a jornalistas brasileiros. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, 137 repórteres foram ameaçados ou atacados enquanto cobriam as eleições.

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Brasil enfrenta escolha impossível, diz professor de universidade francesa
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Daniel Buarque

Editorial do ‘Le Monde’ diz que Bolsonaro ameaça a democracia brasileira

Os eleitores brasileiros viraram reféns da polarização política, e enfrentam uma “escolha impossível” no segundo turno da decisão presidencial, segundo a avaliação do professor Alfredo Valladão, da Sciences Po, em Paris.

Durante uma palestra na série de seminários do Brazil Institute do King’s College London, na noite de terça, Valladão analisou o cenário político do país que volta às urnas no fim do mês para escolher entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

Para ele, os brasileiros estão “fartos” da política, não confiam nos partidos tradicionais e estão desesperados pela violência. Além disso, a tática usada por Lula e pelo PT na eleição ajudou a “asfixiar o centro político, e desagregou o meio”, o que impulsionou “um candidato homofóbico, misógino e radical, que não entende nada de economia.”

“A maioria dos brasileiros são razoáveis e tolerantes, mas foram feitos reféns por duas forças extremas que criaram um clima terrível de ‘nós contra eles’, de eliminar e destruir o oponente, como se fosse um inimigo, o que torna impossível negociar qualquer coisa. Esse clima é uma das piores coisas que acontecem no Brasil. Ninguém vota em um candidato, vota contra um candidato”, disse Valladão.

O professor Alfredo Valladão, durante palestra no King’s College London

Além dos riscos gerais trazidos por uma eleição radicalizada, avaliou, a divisão impede que as pessoas pensem em soluções para os problemas do Brasil.

“As minorias radicais transformaram a eleição em uma escolha binária. A narrativa criada é entre as pessoas que têm medo da ditadura militar e as pessoas que têm medo de uma ditadura populista que transformaria o país numa Venezuela. As pessoas acreditaram nessas narrativas, mas acho que elas estão erradas. O Brasil é melhor do que a Venezuela e as instituições estão fortes, então não há espaço para uma ditadura. Além disso, nenhum dos dois lados controla os militares”, disse.

Nesse cenário, quem quer que ganhe a eleição vai ter dificuldades para governar “um país dividido e com raiva, fraturado e marcado pela corrupção”, disse. “Vamos passar por um longo período de estagnação. Teremos sorte se conseguirmos evitar violência política, o que atrairia os militares e seria desastroso.”

Apesar do tom de preocupação com o futuro do Brasil e das críticas ao candidato que venceu o primeiro turno, o professor da universidade francesa minimizou o risco de o país avançar rumo ao autoritarismo sob um eventual governo de Bolsonaro.

“Não há um movimento de extrema-direita no Brasil, como há na França e na Alemanha. Há um político com posições de extrema-direita, que tem alguns seguidores, mas ele não tem um partido que possa ser entendido como um movimento radical”, disse.

“Há um sentimento conservador na sociedade brasileira, mas as pessoas não parecem querer se organizar em torno de um partido de extrema-direita. O próprio partido de Bolsonaro é tão diversificado e sem tradição que não vai se organizar como o Front Nacional, por exemplo. Pode haver pequenos grupos radicais fortes, mas não acho que possa haver um movimento de extrema-direita organizado no Brasil mesmo que Bolsonaro vença.”

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Imprensa internacional vê Brasil ‘à beira do autoritarismo’ no 2º turno
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Daniel Buarque

As primeiras avaliações estrangeiras a respeito do resultado do primeiro turno da eleição no Brasil veem o país se aproximar do autoritarismo com a ampla vantagem conquistada por Jair Bolsonaro no domingo. O tom da maioria dos textos publicados na imprensa internacional nesta semana é de que o candidato do PSL representa um risco para a democracia do país.

“Os militares voltam à política brasileira”, diz o título de uma análise publicada na revista de política internacional “Foreign Policy”.

Apesar das posições radicais e controversas de Bolsonaro, diz a publicação, “mais preocupante é que os poderosos militares do Brasil também estão apoiando Bolsonaro. Para os líderes militares, parece ser uma questão de lei e ordem”, explica.

“Em uma presidência de Bolsonaro, as interferências [do exército] podem ser ainda mais frequentes”, diz. “Uma vitória de Bolsonaro seria um grande passo rumo ao autoritarismo”, finaliza.

O tom é bem parecido com o do título de artigo publicado pela revista “The New Republic”: “O Brasil está à beira do autoritarismo”.

“Muitos dos apoiadores de Bolsonaro minimizaram as declarações mais radicais dele como falas sem seriedade. Ainda assim, há motivos para preocupação de que a retórica violenta de Bolsonaro não vai ficar apenas no nível do discurso”, diz.

Segundo a publicação, Bolsonaro teria grande apoio de um Congresso muito conservador eleito nestas eleições.

Este é o foco da análise publicada pelo jornal britânico “The Guardian”, que cita uma “onda conservadora” de aliados de Bolsonaro. “Por todo o país, aliados conservadores de Bolsonaro e seu pequeno PSL ganharam mais votos do que se esperava. (…). Quatro anos atrás o PSL tinha apenas um deputado eleito. No domingo ele se tornou o segundo maior partido na Câmara.”

O “Guardian” também publicou um artigo de opinião de Jeffrey Rubin, professor da Universidade de Boston, que também aborda o que vê como riscos à democracia brasileira.

Segundo a revista “Time”, o Brasil acordou nesta semana após a eleição vendo a democracia em risco. Bolsonaro, explica a publicação, “tem uma postura autoritária que é muito perigosa”.

Em uma análise do futuro político do Brasil, a agência de análise de risco e geopolítica Stratfor indica que a eleição mostrou o quanto o país está dividido. Segundo a avaliação, quem quer que vença a eleição vai enfrentar grandes protestos pelo país.

A única publicação que tem um tom um pouco mais favorável à candidatura de Bolsonaro é o “Wall Street Journal”, que publicou um editorial alegando que a candidatura dele trata de “drenar o pântano”, expressão usada por Trump em 2016 como crítica ao sistema político.

Segundo o jornal de economia, apesar de ser um populista e de ser visto por muitos como ameaça à democracia, o plano de Bolsonaro não fala em mexer na Constituição. Para o “WSJ” o apoio à candidatura dele é um reflexo da situação do Brasil. “Depois de tanto tumulto político e corrupção, não é de surpreender que os brasileiros estejam respondendo a um candidato que promete algo melhor”, diz. “Talvez eles saibam mais do que as críticas do mundo.”

Desde antes do primeiro turno, a cobertura feita pela imprensa e as avaliações de analistas estrangeiros têm sido quase unânimes em sua condenação à candidatura de Bolsonaro. A “Economist” indicou que ele seria um presidente desastroso, enquanto o “Guardian” já havia indicado que ele seria “pior do que Trump. Com o resultado do primeiro turno, o tom se mantém de críticas ao avanço do que é visto de fora como uma ameaça às instituições democráticas do país.

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Visto de fora, Brasil precisa de moderação política após ‘eleição da raiva’
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Daniel Buarque

Raiva e ressentimento foram duas das palavras mais usadas por analistas estrangeiros na mídia internacional para explicar o sentimento dos brasileiros nas eleições de domingo. O sentimento antipolítica deu o tom do primeiro turno, vencido pelo candidato que conseguiu simbolizar este movimento.

Para o segundo turno, entretanto, por mais que a perspectiva seja de que o país volte a se dividir e ficar polarizado, o debate deve se voltar também ao centro, discutindo o papel da democracia ao definir quem vai ser o próximo presidente, com a necessidade de um pouco mais de moderação.

Como relatado pelo UOL, imprensa estrangeira viu a “extrema-direita” alcançar votação “estrondosa” no domingo. Jornais de todo o mundo acompanharam a movimentação eleitoral ao longo do dia e a apuração dos votos à noite. O principal destaque logo após a eleição foi o resultado com a ampla vantagem conquistada por Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT), que quase garantiu ao deputado federal a vitória já no primeiro turno.

A cobertura internacional, de forma ampla e generalizada, tem sido extremamente crítica à candidatura de Bolsonaro, classificando-o como um candidato de declarações controversas e violentas, e uma ameaça à democracia, um possível desastre na Presidência do país.

Um dos veículos mais críticos a Bolsonaro é o jornal britânico “The Guardian”, que chamou o candidato de “pior do que Trump”. Segundo uma análise publicada após o resultado do primeiro turno, Haddad precisará formar “a maior das coalizões”, se quiser derrotar o candidato da extrema-direita.

O candidato do PT “precisa se posicionar como um campeão da democracia que pode prevenir o Brasil de voltar ao tipo de governo autoritário e assassino que Bolsonaro sempre diz admirar”, diz o “Guardian”, que publicou editorial dizendo ver em Bolsonaro uma ameaça ao estado democrático.

Segundo a rede BBC, Haddad deverá apostar na moderação no segundo turno.

Segundo o “New York Times”, o próprio Bolsonaro também deve adaptar seu discurso para o segundo turno, e já falou em “unir a nação”.

Depois do voto da raiva e contra a política, o mundo vai acompanhar enquanto Brasil terá três semanas para decidir sobre o futuro da sua democracia.

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Voto ‘contra todos’ tem potencial de criar futuro turbulento para o Brasil
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Daniel Buarque

O sentimento antipolítico, “contra tudo o que está aí”, cresceu de forma surpreendente no Brasil desde 2013 e tem o potencial de ser um fator decisivo nas eleições deste domingo, criando um caminho (no mínimo) turbulento para o país.

O resultado da disputa polarizada, em que a moderação foi escanteada do debate, deve levar a uma transformação do sistema político construído no país desde o fim da ditadura, e no curto prazo vai ser difícil alcançar a estabilidade necessária para o país tentar ser levado a sério no resto do mundo.

Durante um painel entre acadêmicos que analisam o Brasil com a perspectiva internacional, em Oxford, na véspera da eleição, a percepção em geral era de que Jair Bolsonaro tem grandes chances de ser eleito presidente — levado não apenas pelo tradicional antipetismo, mas em grande parte por ele simbolizar este sentimento “contra todos”.

Por conta de declarações do candidato, o cenário leva a preocupação com a democracia do país. E mesmo que o Brasil não se torne uma ditadura declarada é preciso estar atento para proteger direitos e garantias para o país.

“Podemos ter esperança de que as instituições vão resistir a um caminho turbulento”, avaliou o cientista político Timothy Power, diretor do programa de estudos brasileiros da Universidade de Oxford. O comentário fez parte de uma mesa redonda no encerramento da 7ª conferência Oxbridge de estudos brasileiros.

Segundo Power, a política brasileira parece estar se “americanizando” com uma polarização dos eleitores, o que acabou enfraquecendo alternativas “de centro”, como a candidatura de Geraldo Alckmin. O PSDB, diz, paga o preço de ter apoiado o governo de Michel Temer. “Alckmin é a Hillary Clinton do Brasil, um candidato muito ligado ao establishment em uma eleição contra o establishment”, disse.

Neste contexto, Bolsonaro conseguiu se colocar do lado das duas forças decisivas nas eleições deste ano: o voto contra o PT e o voto contra todos. “O PSDB achou que ia herdar o sentimento antipetista, mas foi Bolsonaro que conseguiu isso”, disse Power. “O vento sopra a favor dele”, completou, e ele tem grandes chances de chegar ao poder.

O debate sobre eleições encerrou a conferência multidisciplinar que contou com apresentações de pesquisas importantes conduzidas em algumas da principais universidades do mundo a respeito do Brasil. A atenção com a questão das eleições esteve presente durante todo o dia, entretanto, refletindo parte da atenção internacional dada à escolha do próximo presidente do país.

A maior parte da cobertura da imprensa internacional e das análises de estrangeiros a respeito da eleição destaca a ascensão de Bolsonaro, seu perfil e declarações antidemocráticos, e os riscos disso para o país. Editoriais de importantes publicações, como a revista “The Economist”, o jornal “The Guardian” e a capa de vários jornais franceses alertam para o que é visto como um “flerte com o fascismo”.

O “New York Times” descreve a eleição como sendo marcada pela “raiva e frustração” dos eleitores. O jornal o chama de candidato de “extrema-direita”, provocador e populista, que foi capaz de canalizar o ressentimento com a política tradicional no país. O “Guardian” fala em medo da volta da ditadura no Brasil.

Apesar do tom de preocupação com esta radicalização, a análise externa da política brasileira indica que a fragmentação do sistema, com um Congresso também formado por este sentimento antipolítico, e a necessidade de conseguir apoios para ter governabilidade geram a necessidade de que um eventual governo de Bolsonaro tenha que apelar ao “centrão”, o que pode exigir moderação da postura antidemocrática.

A erosão da democracia no Brasil preocupa analistas, entretanto, mesmo que a perspectiva não seja de transformação do país em uma ditadura.

Segundo Malu Gatto, pesquisadora do pós-doutorado em ciência política da Universidade de Zurique que também participou do debate em Oxford sobre eleições e democracia no país, a candidatura de Bolsonaro legitimou o discurso do ódio no país, o que é muito perigoso. “Podemos assistir a um enfraquecimento das instituições, uma deterioração da democracia”, disse.

Esta também foi a avaliação Andreza A. de Souza Santos, professora do Centro Latino-Americano de Oxford. “A democracia pode sofrer mesmo sem uma ditadura declarada”, disse.

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Para editor americano, Bolsonaro é herdeiro de tradição autoritária no país
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Daniel Buarque

A ascensão de Jair Bolsonaro e sua liderança nas pesquisas de intenção de voto para presidente não deveriam ser uma surpresa, segundo o editor da revista “Americas Quarterly”, Brian Winter. “Isso já aconteceu muitas vezes antes”, explica, citando o histórico de governos autoritários no país.

Em um artigo publicado no site da revista, Winter explica que o candidato do PSL é herdeiro de uma longa tradição de “soldados no poder” no Brasil, e que a chegada dele à presidência “seria um governo militar em muitos sentidos”.

O texto avalia a história do país e diz que até 1985 os militares detinham ou dividiam o poder no país. “A maioria de nós achou que esses dias haviam terminado com o fim da Guerra Fria”, continua, mas a crise e o medo de um governo de esquerda “levaram muitos no país a gritar por ordem mais uma vez”.

Apesar de muitos criticarem Bolsonaro como uma ameaça de volta ao autoritarismo, a avaliação de Winter indica que o candidato é um sintoma mais amplo dessa forma como o Brasil lida com política, registrando pouco apego à democracia. “Se ele vencer, há sinais de que o que virá será um regime vingativo e cruel”, diz. Mas, “mesmo que Bolsonaro perca, este lado do Brasil que acordou parece ter vindo para ficar”, avalia.

O contexto político e histórico do Brasil e sua tendência pouco democrática têm sido analisados por Winter há vários meses. Em entrevista ao blog Brasilianismo no fim de 2016, ele disse que “os mesmos fatores que criaram o fenômeno Donald Trump estão presentes no Brasil. Exceto que, no Brasil, as coisas estão bem piores”.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, Winter foi correspondente internacional no Brasil, no México e na Argentina por dez anos e escreveu livros como “Why Soccer Matters” (Por que o futebol importa), “The Accidental President of Brazil” (O presidente acidental do Brasil), escrito com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “No Lost Causes” (Sem causas perdidas), com o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e “Long After Midnight” (Muito depois da meia noite).

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Editorial do ‘Guardian’ diz que Bolsonaro é uma ameaça: ‘pior do que Trump’
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Daniel Buarque

Um editorial publicado nesta quinta-feira pelo jornal britânico “The Guardian” diz que Jair Bolsonaro representa uma ameaça “imensa” à democracia brasileira. Segundo a publicação, o “risco impensável” de que ele se tornasse presidente do Brasil agora é real.

“Chamar ele de o Donald Trump da América Latina, como alguns fizeram, é ser gentil demais. Bolsonaro é um misógino e homofóbico cujas opiniões sobre comunidades indígenas e o ambiente são muito sombrias. Ele elogia torturadores e a ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Ele recentemente defendeu disparos contra seus oponentes. Sua intolerância é retratada como ‘honestidade'”, diz o editorial.

Segundo o “Guardian”, Bolsonaro se aproveitou dos problemas do Brasil para catapultar uma campanha populista. “Mas ele atrai sua força de velhas forças brasileiras: os militares, fazendeiros ricos e empresários, conservadores, igrejas evangélicas estão apoiando ele”.

A situação crítica da política brasileira, segundo o jornal inglês, indica que mesmo que Bolsonaro seja derrotado, “as forças que levaram a sua ascensão não vão desaparecer”.

“Reconstruir a economia, reduzir a criminalidade e lutar contra a corrupção são essenciais para construir uma cultura política mais saudável”, diz.

A opinião do jornal, que é uma das principais publicações do Reino Unido, se alinha ao que foi publicado recentemente pela revista “The Economist”. Em sua capa, a publicação chamou Bolsonaro de a mais recente ameaça na América Latina.

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Violência e clima de guerra influenciam eleições no Brasil, diz ‘Guardian’
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Daniel Buarque

O Brasil está em guerra, diz o título de uma reportagem do jornal britânico “The Guardian” sobre a violência no país e a influência do alto número de homicídios no país na eleição presidencial de domingo.

“A maior democracia da América Latina sofreu um recorde de 63.880 homicídios no ano passado e o fenômeno está levando alguns a apoiarem as políticas duras do candidato Jair Bolsonaro”, explica.

Segundo a publicação, muitos dos seguidores de Bolsonaro citam a questão da segurança como principal razão para apoiar o candidato que prometeu resolver a questão de forma simples, incluindo a liberação de armas. Ainda assim, continua, “muitos estão horrorizados com a ascensão do populista conhecido por suas declarações incendiárias sobre mulheres, negros, comunidades indígenas, direitos humanos e comunidade LGBT”.

Especialistas em segurança ouvidos pelo jornal inglês, entretanto, avaliam que Bolsonaro e os outros candidatos à Presidência “falam grosso” sobre o crime e suas causas, mas não ofereceram até agora propostas reais para lidar com o crescimento da violência no país.

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Após desistirem de Alckmin, investidores comemoram crescimento de Bolsonaro
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Daniel Buarque

O mercado internacional comemorou a divulgação de pesquisas de intenção de voto que apontam o crescimento da adesão de eleitores à candidatura de Jair Bolsonaro, indicando claramente que ele se tornou o candidato preferido dos investidores estrangeiros na reta final da eleição –depois de desistir de Geraldo Alckmin, que era sua primeira opção.

Uma reportagem publicada pela rede americana de economia CNBC explica que ações brasileiras cresceram após a divulgação das pesquisas desta semana.

“Bolsonaro é visto como um candidato mais favorável ao mercado do que Haddad dada a sua plataforma econômica”, diz a reportagem. Para os investidores, ele também é uma opção à preocupação com uma possível volta do PT ao poder.

Ainda assim, a CNBC explica que é difícil saber se, em caso de vitória, Bolsonaro teria capital político para levar adiante as reformas que os economistas veem como necessárias no país.

A opção do mercado por Bolsonaro na semana da eleição no Brasil consolida uma tendência iniciada há alguns meses, mas marcada por algumas reviravoltas.

Desde um ano antes da eleição, os investidores indicavam um apoio a uma candidatura mais moderada e de centro, como a de Alckmin.

Antes do início da campanha, o mercado indicava que um segundo turno entre Bolsonaro e o PT era o pesadelo dos investidores. Com o tempo, entretanto, a incapacidade de Alckmin de ganhar força nas pesquisas de intenção de voto e a falta de um candidato que representasse o “Macron brasileiro” levaram os investidores a começar a tolerar o discurso mais radical de Bolsonaro, que virou a opção de muitos deles.

Dada a alta rejeição a Bolsonaro, entretanto, o mercado percebeu que ele poderia ter dificuldade em vencer e chegou até a indicar que toleraria uma eleição de Haddad, indicando que ele seria mais moderado do que Ciro Gomes. Mas as pesquisas indicando que Bolsonaro tem chances de vencer, o mercado voltou a demonstrar seu apoio a ele.

Apesar do alinhamento implícito dos investidores à candidatura de Bolsonaro, segundo a agência de classificação risco S&P Global, a eleição dele eleva o risco de falta de coerência ou de atrasos na proposição de medidas de ajuste econômico necessárias no Brasil, revelou uma reportagem na Folha.

“O candidato do PT não é um outsider, mas Bolsonaro é, o que aumenta o risco de incoerência ou de atrasos em ter as coisas feitas depois das eleições”, disse Joydeep Mukherji, analista de ratings soberanos da S&P Global para a América Latina.

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