Brasilianismo

Lula não é preso político, e campanha mundial faz mal ao país, diz ‘Forbes’

Daniel Buarque

A polêmica em torno da disputa jurídica sobre a libertação ou não do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz parte de uma campanha articulada para promover internacionalmente a ideia de que Lula é um preso político, diz um artigo publicado no site da revista de economia ''Forbes''. Esta ação no resto do mundo pode fazer mal à reputação das instituições do país, complementa.

Em uma análise crítica da confusão do último domingo (8), Kenneth Rapoza, autor da cobertura política do Brasil na ''Forbes'', rejeita os argumentos usados para ''convencer o mundo de que Lula é perseguido por sua política''. Segundo ele, a estratégia teve início em 2016, e conseguiu convencer algumas pessoas de que ''os homens maus no poder não queriam que ele concorresse à Presidência novamente, com medo que ele ganhasse e ajudasse os brasileiros de baixa renda a sair de sua verdadeira servidão.''

Apesar da campanha, segundo ele, ''Lula não é um preso político''.

O texto de Rapoza na ''Forbes'' é uma das críticas mais duras ao argumento de perseguição política ao ex-presidente publicadas na imprensa internacional. Apesar de ser uma publicação ligada ao olhar (e interesses) de investidores internacionais, ele aponta o quanto empresários foram favorecidos durante o governo de Lula, e o quanto muitos executivos também estão sendo punidos pela mesma investigação de corrupção em que Lula aparece envolvido.

''Lula não é uma figura antiestablishment apanhada no turbilhão de elites raivosas e vingativas. Por mais de 13 anos, seu partido foi o establishment. Ele trabalhou com as elites do Brasil e vice-versa'', diz.

Segundo o artigo, apesar da campanha, Lula está preso por causa da corrupção na Petrobras, e o argumento de perseguição perde força ao ver que ele não é o único processado em uma investigação que envolve políticos e empresários com grande força no país.

''Grandes executivos que ajudaram o Partido dos Trabalhadores e seus aliados a atacar a Petrobras estão todos na prisão ou em prisão domiciliar, sejam eles marxistas ou capitalistas com imóveis em Miami. Subornos eram usados ​​para pagar campanhas políticas e outros favores. Era um sistema fraudulento que favorecia alguns partidos. O partido de Lula foi um deles'', diz.

Independente de ter base real, argumenta o artigo, a campanha para convencer observadores externos de que Lula é perseguido politicamente vai continuar até a eleição e vai ter um impacto negativo para a reputação das instituições brasileiras.

''O Brasil não terá seu primeiro presidente prisioneiro. E, como resultado, muitos defensores intransigentes dele em todo o mundo vão declarar a eleição de outubro uma fraude. Celebridades e professores da Sorbonne vão escrever artigos apaixonados e virais dizendo que a democracia do Brasil é uma farsa… De novo. Não será por erro que eles vão pensar assim. Será o resultado do enredo inteligente e emocionalmente carregado que Lula tem promovido para todo o mundo por mais de um ano. Ele sabe que, se a opinião estrangeira se inclinar a seu favor, lançará dúvidas sobre as instituições que o prenderam. Isso pode ser bom para Lula, mas não é uma boa ideia para o Brasil.''

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