Brasilianismo

Olimpíada do Rio foi sucesso em seu objetivo: desviar dinheiro, diz revista

Daniel Buarque

Olimpíada do Rio foi um sucesso em seu objetivo: desviar verbas, diz revista americana

Enquanto a maioria das análises internacionais sobre o legado deixado pelos Jogos Olímpicos de 2016 aponta para a grave crise política e econômica do Rio de Janeiro e o abandono das estruturas construídas na cidade, uma avaliação mais crítica indica que a Olimpíada do Brasil na verdade foi um grande sucesso no seu verdadeiro objetivo: desviar verbas.

Os problemas gerados pelos jogos, segundo a jornalista e escritora Juliana Barbassa, só são problemas ''se você acredita que o bem estar da população do Rio, dos atletas que participaram ou mesmo dos turistas que visitaram eram o foco principal do evento. Neste caso, você é bobo'', ironiza, em artigo publicado pela revista ''Americas Quarterly''.

''Se, em vez disso, reconhecermos que o verdadeiro objetivo dos Jogos era desviar toneladas de dinheiro público para bolsos privados através de lucrativos contratos de construção gerados pelo evento, então os Jogos Olímpicos de 2016 excederam todas as expectativas. Neste sentido, conquistar o direito de sediar a Olimpíada foi um toque de mestre, o toque final de um esquema de corrupção extenso e antigo que extorquiu os brasileiros por muitos anos'', explica.

O texto avalia a situação dos escândalos de corrupção no Brasil, associando as denúncias à realização dos Jogos do Rio.

Barbassa é editora da ''Americas Quarterly''. Apesar de ter nascido no Brasil, ela pode ser descrita como ''meio gringa'', pois passou mais de 30 anos fora do país, trabalhou como correspondente internacional no Rio e é autora do livro “Dancing with the Devil in the City of God” (que poderia ser interpretado como algo na linha de “brincando com o perigo na cidade de Deus”). Lançada em 2015, a obra retrata de um Brasil complicado, cheio de problemas, com uma complexidade que vai além dos clichês mais populares no resto do mundo.

Em entrevista ao blog Brasilianismo, em 2015, Barbassa contou que recebeu mensagens críticas de brasileiros em relação a seu livro. ''Não li e não quero ler'', ''se não gosta do Brasil, pode ir embora'', diziam. “Há um esforço para mostrarapenas nosso melhor perfil no exterior, até o ponto em que alguns brasileiros chegam a negar os problemas que temos quando estão diante de uma platéia internacional”, explicou.

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