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‘Washington Post’ diz que Lula tem dois caminhos: a Presidência ou a prisão
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Daniel Buarque

Deu no ‘Washington Post’: Lula tem dois caminhos, a Presidência ou a prisão

“Daqui a um ano, o político mais popular do Brasil deve estar dormindo em um desses dois lugares: no conforto atrás dos portões do palácio presidencial ou em uma pequena cama atrás das grades.”

Assim o jornal americano “The Washington Post” vê o futuro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo uma análise publicada dias após o depoimento prestado por ele a Sergio Moro.

Segundo o jornal, Lula se vê ameaçado pela Justiça, mas ainda tem alta popularidade, e teria chances de voltar ao poder.

“Se ele conseguir segurar o processo judicial por tempo suficiente para ganhar a eleição de outubro de 2018, incluindo todos os apelos, ele ganharia imunidade presidencial, o protegendo de processos por quatro anos”, explica a publicação.

O jornal relata o depoimento a Moro, em que Lula negou envolvimento em escândalos de corrupção, e explica que, apesar de o juiz ser visto como um heroi, manifestantes foram às ruas também para apoiar o ex-presidente.

“Mesmo se Lula não for condenado, analistas dizem, as investigações mancharam sua reputação e deixaram seu partido em pedaços”, explica o jornal.

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Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval
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Daniel Buarque

Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval

Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval

Normalmente conhecido no resto do mundo como um “bacanal do politicamente incorreto”, o carnaval brasileiro está sofrendo efeitos da polarização no país. A festa se tornou alvo de pressão política por todos os lados, segundo reportagens publicadas na imprensa internacional.

Textos publicados no jornal “The Washington Post” e na revista “The Economist”, por exemplo, indicam que há um movimento da esquerda cobrando a exclusão de marchinhas politicamente incorretas de blocos do Rio de Janeiro e campanhas conservadoras de grupos religiosos cobrando menos exposição das mulheres e mais referências a religião.

“A transgressão sempre foi parte do objetivo [do carnaval], mas neste ano o bacanal do politicamente incorreto está provocando uma reação”, diz a “Economist”, que foca especialmente nas críticas ao conteúdo racista e homofóbico em marchinhas.

“Você já viu as imagens do carnaval brasileiro. Um mar de pessoas nas ruas, mulheres cobertas em óleo dançando samba à velocidade da luz e grupos de trompetes, trombones e tambores tocando músicas. Mas neste ano a tradição anual de indulgência lasciva está mostrando sinais de mudança”, diz o “Washington Post”.

O jornal trata do confronto entre a “cada vez mais poderosa igreja evangélica” e movimentos progressistas. “Os dois estão pressionando o carnaval para adaptá-lo a suas prioridades opostas”, diz.

Segundo a publicação americana, uma das principais referências da disputa política em torno do carnaval é o fato de que a dançarina globeleza apareceu vestida na vinheta da TV Globo, rompendo com a tradição do canal.

Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval

Mídia estrangeira vê pressão política de esquerda e direita sobre carnaval

O carnaval é um dos mais fortes clichês da imagem internacional do Brasil, e é natural que qualquer debate em torno de um símbolo tão forte do país acabe tendo destaque no resto do mundo.

É interessante perceber que a discussão sobre política em torno do carnaval ganha espaço depois de dois anos em que a festa tradicional foi ofuscada pela crise no Brasil. Tanto em 2015 quanto em 2016, um dos principais focos da mídia estrangeira ao tratar do carnaval era apontar que a folia seria encolhida por conta dos problemas econômicos do país, ou de que o Brasil iria dançar “à beira do abismo”, como disse a “Economist” no ano passado ou até que a festa seria cancelada, como relatou o “Financial Times”.

Neste ano os primeiros relatos da imprensa de economia mostravam o contrário, que o país começa a se recuperar e que o carnaval deve ajudar as finanças nacionais. Uma vez que a festa deixa de ser ofuscada pela crise, é curioso que a imprensa de outros países busquem outros temas para tratar, encontrando a disputa política, também muito associada ao atual momento polarizado do país. É interessante ainda que, por meio do carnaval e de imagens tão cheias de estereótipos seja possível apresentar a muitos leitores do resto do mundo um traço importante da atual realidade política do país.

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Ano novo é uma oportunidade para o PT se reorganizar, diz TV venezuelana
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Daniel Buarque

Ano novo é uma oportunidade para o PT se reorganizar, diz TV Venezuelana

Ano novo é uma oportunidade para o PT se reorganizar, diz TV Venezuelana

Em um balanço sobre o turbulento ano de 2016 na política brasileira, a rede de TV Venezuelana Telesur, uma das principais porta-vozes de movimentos de esquerda no continente, avalia que o Partido dos Trabalhadores precisa aproveitar 2017 como uma oportunidade para se reorganizar e lutar contra a “onda da direita”.

Um texto publicado em inglês no site da Telesur avalia a situação de grupos da “esquerda” no Brasil e aponta caminhos para o seu fortalecimento.

Para a Telesur, o processo de impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe legislativo contra uma líder eleita democraticamente, e representa um baque para a democracia do país. Desde o início do ano passado, a rede venezuelana se consolidou como uma das mais ativas vozes internacionais contra a destituição de Dilma e a posse de Michel Temer.

“Assim que ela ganhou seu segundo mandato, em outubro de 2014, ficou claro que uma das principais metas do PT era evitar tentativas de impeachment”, diz. Com isso, a reportagem justifica a mudança de tom no governo de Dilma a partir de 2015, com tentativa de satisfazer interesses do mercado e implementar medidas de austeridade.

“O golpe parlamentar, que deu fim a 13 anos de governo de esquerda no país, foi visto por muitos como uma grande derrota da esquerda na América Latina, enquanto governos socialistas em outros países enfrentam desafios de uma oposição de direita apoiada pelos EUA”, diz.

“O impeachment de Dilma, que foi apoiado e orquestrado pela grande mídia e pelas elites políticas do país, serve como um alerta para o PT enquanto ele busca eleger o antecessor dela, Luiz Inácio Lula da Silva, que é visto como uma das figuras políticas mais populares do país.”

De acordo com a reportagem, para que possa vencer em 2018, Lula e o PT precisam se reaproximar de movimentos sociais e fazer oposição à agenda “neoliberal” de Temer.

“Este ano representa uma oportunidade única para o partido de esquerda se reorganizar com grupos sociais, que desesperadamente precisam de representação após a tomada de poder antidemocrática da direita”, diz. “O PT precisa aprender com seus erros do passado e evitar abandonar os movimentos sociais e grupos que ajudaram a levar o partido ao poder”, explica.

A Telesur (ou TeleSUR, como se denomina no site oficial) foi ao ar pela primeira vez em 2005 e desde então se consolidou como o principal veículo de comunicação “bolivariano”, dando voz aos movimentos de esquerda da América Latina, especialmente o de Hugo Chávez em seu próprio país.

“TeleSUR é uma plataforma multimídia latino-americana orientada a liderar e promover a unificação do Sul”, diz a “missão” do grupo, em referência ao “conceito geopolítico que promove a luta dos povos por paz, autodeterminação e respeito à justiça social e direitos humanos”.

Antes da destituição de Dilma, a Telesur assumia publicamente a defesa do seu mandato, e criticava o processo que acabaria a retirando do governo. Em março, ela publicou um artigo falando que ainda havia tempo de frear o “fascismo” no Brasil, em referência a um possível golpe para derrubar o PT do governo.

“O que está acontecendo atualmente no Brasil é de manual. Do Manual de Golpes Brandos, Suaves e outras variedades, que o Império, com a ajuda de cúmplices locais, executa reiteradamente no continente latino americano”, dizia.

Logo após o impeachment, a Telesur foi um dos veículos estrangeiros que abraçou a teoria de que houve um golpe de Estado no país. ”Se consuma o golpe de Estado: Senado brasileiro destitui a presidente Dilma Rousseff”, dizia sua manchete.

Em outubro, a Telesur divulgou um vídeo em que o escritor e ativista de esquerda paquistanês Tariq Ali diz acreditar que houve um golpe constitucional no Brasil. Para ele, a direita se aproveitou de erros cometidos pelos governos do PT para tomar o poder – com a provável ajuda imperialista do governo dos Estados Unidos.

Reportagem do 'Washington Post' sobre venezuelanos buscando hospitais no Brasil

Reportagem do ‘Washington Post’ sobre venezuelanos buscando hospitais no Brasil

Enquanto a rede venezuelana aborda a situação política de grupos de esquerda no Brasil, o jornal norte-americano “The Washington Post” publicou no fim de 2016 uma reportagem sobre como a crise no país bolivariano está levando milhares de pessoas ao Brasil em busca de alimentos e cuidados médicos.

“A espiral da crise econômica e a hiperinflação deixaram os hospitais da Venezuela sem agulhas, curativos e remédios. Desesperados por cuidados e muitas vezes sem documentos, milhares de pacientes estão lotando salas de emergências do Brasil”, diz.

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‘Chacina’ é a palavra mais assustadora do Brasil, diz ‘Washington Post’
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Daniel Buarque

'Chacina' é a palavra mais assustadora do Brasil, diz 'Washington Post'

‘Chacina’ é a palavra mais assustadora do Brasil, diz ‘Washington Post’

Estrangeiros costumam se referir à exclusividade da palavra “saudade” na língua portuguesa, intraduzível no resto do mundo. Mas uma outra palavra usada com frequência no Brasil é de difícil explicação para muitas pessoas em outros países, e é considerada a mais “assustadora do país”, segundo o “Washington Post”: é o termo “chacina”.

“A palavra chacina vem do abate de porcos em matadouros, e significa literalmente massacre ou abate. Mas pergunte a qualquer brasileiro, e eles vão dizer que há um outro significado, mais perturbador”, diz reportagem do jornal.

O texto explica então que o termo é usado para se referir a assassinatos em série pela polícia.

“Ao longo da história moderna do Brasil, a palavra chacina veio a se referir ao massacre de pessoas após a morte de um policial. A implicação é clara: chacina são assassinatos em represália pela polícia em uma escala assustadora”, explica.

O texto do “Washington Post” se junta a uma série de referências internacionais sobre a violência no Brasil, um dos pontos mais marcantes da imagem do país no exterior. A polícia brasileira e a violência com que ela age contra os cidadãos são um dos mais fortes estereótipos do país no exterior. A isso, se junta a lentidão da Justiça, incapaz de reagir aos problemas de falta de segurança.

O que piora a situação, diz a reportagem, é que muitas vezes a chacina é legitimada pela opinião pública, que elogia os policiais e defende que “bandido bom é bandido morto”.

Segundo o jornal, apesar de muitos dos mortos em massacres deste tipo serem supostos criminosos, é comum não haver uma relação clara das vítimas com grupos de bandidos.

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‘Washington Post’ compara propostas de Trump a ‘populismo’ de Dilma
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Daniel Buarque

'Washington Post' compara Trump a 'populismo' de Dilma Rousseff

‘Washington Post’ compara Trump a ‘populismo’ de Dilma Rousseff

Diferente do que se vê na política tradicional, a plataforma política do presidente eleito dos Estados Unidos Donald Trump surpreende os americanos e tem poucos paralelos no mundo, diz uma reportagem do jornal “Washington Post”. Se alguém fez algo parecido, avalia, foi a presidente brasileira Dilma Rousseff, que sofreu impeachment neste ano.

“Mais do que a plataforma de qualquer político americano, a agenda de Trump para a economia se parece com a de líderes populistas no exterior. Em particular, as políticas que ele propôs são muito similares às de Dilma Rousseff”, diz o jornal.

“Assim como Trump planejou fazer, Dilma aumentou as restrições a importações. Ela prometeu novos gastos em infraestrutura e garantiu subsídios generosos para empresas com o objetivo de estimular a economia, especialmente a indústria”, completa.

O jornal entrevistou o cientista político e brasilianista Riordan Roett, que concordou com a comparação. “São programas muito similares”, disse.

A publicação alerta que a atual crise no Brasil deve servir como exemplo dos riscos nos quais os Estados Unidos vão embarcar a partir do governo Trump.

Segundo a economista monica de Bolle, também citada pela publicação, é muito arriscado criar a “combinação de protecionismo e expansão fiscal”, como Dilma fez e Trump propõe.

Após o crescimento econômico sob Lula, Dilma deu continuidade a algumas políticas e expandiu outras. “Seu governo continuou ampliando o crédito barato a grandes empresas brasileiras via o banco estatal de desenvolvimento. Esses subsídios custosos, combinados com outros créditos, contribuíram para o aumento do déficit”, diz.

“O fato é que o governo Dilma foi muito mais generoso para os ricos do que para os pobres”, diz de Bolle ao jornal, comparando-a ao presidente eleito dos EUA.

A publicação ressalta, entretanto, que os Estados Unidos têm uma economia mais forte e diversificada do que a brasileira, então os EUA podem resistir mais a uma recessão grave. Mesmo assim, alerta que o aumento de gastos pode elevar a inflação no país.

A avaliação menos pessimista ecoa o que o brasilianista Roett disse em entrevista a este blog Brasilianismo em maio no ano passado. Em meio a uma grave crise política e econômica no país, Roett avaliava que país já demonstrou historicamente que é um paciente resistente, que aguenta forte as aflições da sua política e economia.

Se tudo parece muito ruim, ele se diz ainda otimista com o Brasil e a solidez das suas instituições. “O momento atual é de descer ladeira abaixo, mas eu conheço o Brasil há muitas décadas, e o país sempre se levanta depois de crises assim. O Brasil sempre sobrevive.”

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‘Washington Post’: Lula foi o político mais popular, agora pode ser preso
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Daniel Buarque

'Washington Post': Ex-político mais popular da Terra, Lula pode ser preso

‘Washington Post’: Ex-político mais popular da Terra, Lula pode ser preso

O jornal norte-americano “The Washington Post” publicou uma longa reportagem sobre a situação política do ex-presidente Lula no país. Com uma abordagem analítica, a publicação tenta explicar como o ex-presidente pode ter passado de uma fase em que era chamado de “político mais popular na Terra” a uma situação que pode levá-lo à prisão.

“Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula, é um gigante na política moderna da América Latina. Em oito anos como presidente, ele presidiu sobre um crescimento econômico enquanto introduziu políticas de bem estar social que ajudaram a tirar 36 milhões de pessoas da pobreza”, diz a reportagem.

Citando analistas brasileiros, o jornal diz que o mito de Lula perdeu força por uma conjunção de problemas econômicos e denúncias de corrupção.

“Agora o ícone da esquerda brasileira foi despojado de muito da sua força”, complementa.

Segundo a publicação, a ex-presidente Dilma Rousseff danificou o legado de Lula com uma política que ampliou os gastos do governo ao mesmo tempo que que o boom das commodities chegou ao fim.

Apesar da situação problemática, o jornal deixa claro que Lula “está longe de ter sido eliminado da política”.

“Pesquisas recentes mostram ele na liderança da corrida eleitoral para a Presidência em 2018, com quase um terço dos votos”, diz. “A popularidade de Lula se mantém forte em parte por causa da sua narrativa como um presidente que nasceu na pobreza”, explica.

O jornal ressalta que parte das acusações contra o ex-presidente parecem exagerada, mas indica que os problemas legais de Lula não param de crescer.

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Após críticas nos Jogos, público da Paraolimpíada é elogiado no exterior
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Daniel Buarque

Após críticas nos Jogos, público da Paraolimpíada é elogiado no exterior

Após críticas nos Jogos, público da Paraolimpíada é elogiado no exterior

Alvo de críticas internacionais durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, especialmente por conta do excesso de vaias, o comportamento da torcida brasileira agora é apontado na imprensa estrangeira como marca do sucesso da Paraolimpíada.

“Apesar das previsões sombrias de que a Paraolimpíada seria um fracasso, o aumento do interesse transformou em um dos Jogos mais populares da história”, diz reportagem do jornal britânico “The Guardian”.

“A atmosfera é simplesmente a melhor que se pode imaginar”, complementa uma entrevistada citada no texto.

O grande entusiasmo do público brasileiro é o foco da reportagem da agência Associated Press, publicada no jornal “The Washington Post”. “Brasileiros, sendo brasileiros, animam o espírito paraolímpico”, diz o título.

As reportagens estrangeiras destacam ainda o fato de que a diminuição dos preços dos ingressos permitiram que o público se transformasse em maior e mais variado, com mais famílias, mais idosos e crianças.

“Não é apenas que as pessoas estão indo até o Parque Olímpico, na periferia do Rio. É quem está indo – torcedores brasileiros, muitos em famílias e casais, aproveitando um dia de folga em um país ondem um quinto da população está abaixo da linha de pobreza”, diz a AP.

O “Guardian” explica também que a atuação brasileira nos Jogos Paraolímpicos é mais bem sucedida do que na Olimpíada, com mais medalhas. Mas diz que o interesse tem sido atraído também por conta do alto nível de competições paraolímpicas.

“Os preços baixos ajudaram. (…) Mas os motivos do sucesso não são apenas econômicos”, diz.

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Em editorial, ‘Washington Post’ diz que impeachment de Dilma era necessário
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Daniel Buarque

Em editorial, 'Washington Post' diz que impeachment era necessário

Em editorial, ‘Washington Post’ diz que impeachment era necessário

O impeachment de Dilma Rousseff não foi uma demonstração de civismo de um Senado marcado por acusações, mas foi “provavelmente a melhor saída para um país preso entre escândalos políticos e a pior recessão em um século”, diz um editorial publicado pelo jornal norte-americano “Washington Post”.

A decisão “foi legal, foi políticamente legítima, e abre o caminho para reformas de que o Brasil precisa desesperadamente”, complementa.

Antes do “Post”, o jornal britânico “The Guardian” já havia publicado editorial sobre o impeachment, chamando a decisão do Senado de “injusta”. Esta avaliação foi compartilhada também por jornais da Alemanha.

O jornal americano ironiza a acusação de que o impeachment é um golpe de Estado, diz que essa afirmação é “falsa” e lembra que o governo Dilma apoiou o venezuelano Hugo Chávez na Venezuela e a ditadura cubana.

Mesmo assim, o editorial admite que as violações fiscais não foram as principais causas que levaram ao impeachment.

O “Post” lembra que o novo presidente, Michel Temer, enfrenta baixa popularidade, mas diz que ele promete reformas importantes para o país.

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Impeachment reforça no mundo a imagem ‘disfuncional’ da política brasileira
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Daniel Buarque

Impeachment reforça imagem 'disfuncional' da política brasileira no mundo

Impeachment reforça no mundo a imagem ‘disfuncional’ da política brasileira

Em vez de fortalecer a democracia do Brasil, o impeachment de Dilma Rousseff pode aumentar a alienação dos eleitores já desiludidos com o sistema político brasileiro, diz uma análise publicada no jornal norte-americano “Washington Post”.

Esta avaliação segue a principal linha de argumentação da imprensa internacional e de analistas estrangeiros sobre o longo processo de impeachment no país. Em vez de se alinhar com o discurso dos que defendem o impeachment ou com a teoria de que há um golpe em curso no país, a interpretação externa é crítica a todo o sistema político do país, visto como disfuncional.

Isso ficou evidente desde maio, quando a presidente Dilma foi afastada do cargo e grande parte da imprensa de outros países dedicou editoriais à situação política do Brasil. Para a mídia internacional, a questão não é mais nem a legalidade do impeachment ou a mudança dos governos, mas o fato de que o processo representa o fracasso do modelo político do país.

“Analistas dizem que o caso de Dilma expôs algumas das fraquezas do sistema político brasileiro, no qual um presidente tem que fazer acordos com vários partidos políticos, muitos sem ideologia clara. O sistema encoraja a troca de cargos e a corrupção, dizem”, explica o texto mais recente no “Post”.

O argumento se alinha a outro texto do mesmo jornal, publicado em junho, quando questionou se o governo Dilma seria substituído por um novo governo “tão sujo quanto”.

É a mesma linha de crítica usada pela revista “The Economist” em março do ano passado, quanto apontou o Brasil como o país com a política mais fragmentada do mundo, o que deixa o governo disfuncional..

Além de consolidar o modelo problemático da política nacional, o impeachment também não deve resolver a crise econômica do país, segundo análise publicada na revista “Fortune”.

“Apesar de o fim do longo processo de impeachment trazer uma pausa na crise, o próximo governo vai continuar a encarar uma batalha dura para colocar o país de volta nos trilhos”, diz o texto assinado pelo diretor de América Latina da consultoria Eurasia Group, João Augusto de Castro Neves.

O próprio Neves escrevia antes, em dezembro do ano passado, na mesma revista, que o impeachment não ajudaria o país. Na época, entretanto, ele argumentava que o impeachmment era improvável.

Consumado o processo, o tom crítico ao sistema político nacional deve se consolidar como a principal linha de abordagem de analistas externos.

Em um resumo da crise política brasileira e do impeachment, publicado nesta semana, a agência de notícias Associated Press finaliza alegando que a “política envenenada” escurece o futuro do país.

Um artigo de opinião assinado por uma jornalista brasileira no “New York Times” nesta semana também reforça este posicionamento crítico à imagem da política nacional.

“Uma economia que afunda e a irritação contra a corrupção geraram protestos sucessivos e intensos que levaram a uma mudança no governo, mas não na política brasileira”, resume. “Não há um sinal de reforma política no horizonte.”

É este tipo de imagem de política disfuncional, já consolidada aos olhos internacionais e reforçada com o processo de impeachment, que faz com que o Brasil não consiga passar uma imagem de força política no exterior. É isso que faz com que o perfil da imagem do Brasil seja a de um país mais voltado ao turismo, à cultura, e ao encontro de povos, como se percebe nos estudos de “nation branding”.

Nessas pesquisas sobre a imagem que o Brasil tem nos outros países, é comum que as características leves da sua personalidades sejam bem avaliadas, e que os estrangeiros achem os brasileiros legais e simpáticos. Ao mesmo tempo, características mais sérias, como a política e a economia, não costumam ser bem avaliadas por estrangeiros. E o impeachment vai fortalecer isso. Ao reforçar a ideia de que o Brasil é um país com política disfuncional, o impeachment vai consolidar ainda mais a ideia de que somos apenas “decorativos” no mundo.

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De economia a sexo, escritora ‘meio gringa’ lista mitos sobre o Brasil
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Daniel Buarque

De economia a sexo, escritora 'meio gringa' lista mitos sobre o Brasil

De economia a sexo, escritora ‘meio gringa’ lista mitos sobre o Brasil

Apesar de ser um dos maiores e mais populosos países do mundo, o Brasil ainda é pouco compreendido no exterior, explica a jornalista e escritora Juliana Barbassa em um artigo publicado no jornal americano “Washington Post”. Por isso é importante desfazer alguns dos mitos sobre o país – da sexualidade à economia.

Nascida no Brasil, Barbassa é “meio gringa”, pois passou mais de 30 anos fora do país, trabalhou como correspondente internacional no Rio e é autora do livro “Dancing with the Devil in the City of God” (que poderia ser interpretado como algo na linha de “brincando com o perigo na cidade de Deus”). Lançada no ano passado, a obra retrata de um Brasil complicado, cheio de problemas, com uma complexidade que vai além dos clichês mais populares no resto do mundo.

Esta mesma abordagem aparece na reportagem publicada agora, em que trata dos mitos sobre o país. A lista é interessante por mostrar o que se pensa sobre o Brasil a partir do exterior, revelando os estereótipos percebidos pela jornalista.

Mito 1 – O Brasil celebra a diversidade e é uma democracia racial – Apesar de ser um país de etnias misturadas, “existe uma hierarquia de raças no Brasil, e a branca está no topo”, diz, citando maiores dificuldades econômicas e sociais enfrentadas pelos negros e a forte presença de racismo em todo o país”, explica.

Mito 2 – Brasileiros são sexualmente liberados – “A aparente abertura relacionada ao sexo, sexualidade e relações de gênero é marcada por tensões. Ela coexiste com religiosidade profunda, uma postura de direita no governo e bolsões de machismo e homofobia”, diz. “A violência sexual também é um problema”, complementa.

Mito 3 – Brasil é o coração e a alma do futebol mundial – “A ausência de uma liga competitiva nacional, com times que vendem jogadores talentosos e jovens o mais rapidamente possível, baixou a qualidade do futebol doméstico e esvaziou estádios.”

Mito 4 – Brasileiros não se preocupam com a aparência – “Informalidade não é sinônimo de falta de cuidados. Pelo contrário, os brasileiros são os mais cuidadosos do mundo quando se trata de enfeitar, tratar, perfumar e manter-se limpo de forma geral.”

Mito 5 – O Brasil é uma economia crescente e em processo de modernização – Depois de crescer bem na década passada, a economia do país começou a desabar. “Para piorar, o Brasil não usou os anos prósperos para fazer muito do trabalho duro que precisaria para crescer no longo prazo”, explica.

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