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Andres Oppenheimer: Escândalos no Brasil são ótimos para a América Latina
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Daniel Buarque

Andres Oppenheimer: Escândalos de corrupção no Brasil são ótimos para a América Latina

Longe de serem apenas um problema local, os escândalos de corrupção que assolam o Brasil nos últimos meses podem ser uma das melhores coisas que aconteceram na América Latina recentemente, segundo o colunista Andrés Oppenheimer, em texto publicado no jornal americano “Miami Herald”.

As revelações, ele diz, “podem gerar uma extraordinária onda de insatisfação popular e se tornar um ponto de virada na velha batalha da região contra a corrupção”, diz, em artigo publicado nesta semana.

Oppenheimer admite que, no curto prazo, os escândalos podem abalar as economias dos países da região, como tem acontecido nos últimos dias no Brasil. Mesmo assim, ele defende que o resultado final pode ser positivo para todo o continente.

O ponto de virada citado pelo colunista é a data em que vão ser divulgados os nomes de envolvidos em pagamentos de propinas da Odebrecht em 11 países, totalizando US$ 800 milhões em pagamentos ilegais ligados à empreiteira.

“Assim que o Brasil divulgar os nomes de quem recebeu propina da Odebrecht, alguns países provavelmente vão anunciar agências governamentais de combate à corrupção”, diz.

Apesar de acreditar que isso é importante, ele ressalta que a luta contra a corrupção vai além dos governos, com a formação de grupos independentes de combates a este tipo de desvio. “A luta contra a corrupção é importante demais para ser deixada nas mãos do governo”, avalia.

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Deu na rede CNBC: Chance de Temer sair antes do fim do mandato é de 100%
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Daniel Buarque

Deu na rede CNBC: Chance de Temer sair antes do fim do mandato é de 100%

A crise política iniciada com as denúncias contra o presidente Michel Temer faz com que as chances de ele deixar o poder antes do fim do seu mandato sejam de 100%, segundo uma reportagem publicada pela rede americana de economia CNBC.

“O mais recente escândalo político a atingir o Brasil provavelmente vai encerrar o governo do presidente Michel Temer antes do fim de 2018”, diz a reportagem, citando um analista da consultoria Oxford Economics.

Segundo o especialista em mercados, pouca gente no Brasil acredita que ele consiga se manter no poder até o fim do seu mandato.

“Ele obviamente vai negar os fatos, mas as gravações são bastante conclusivas. Elas foram divulgadas na quinta à noite, e na sexta todo mundo já havia decidido e tido tempo suficiente para digerir a notícia”, diz o analista.

Apesar de não ser tão radical em sua avaliação, a Eurasia Group, uma das maiores consultorias de risco do mundo, estima que há 70% de chances de Temer deixar a presidência antes do prazo normal.

“A dinâmica é de queda de Temer”, disse João Augusto de Castro Neves, diretor da consultoria no Brasil ao jornal “O Globo”.

Segundo ele, a dúvida é sobre como se dará este processo: de maneira rápida, com renúncia ou decisão do TSE sobre as contas da chapa Dilma-Temer, ou lenta, que seria mais danosa para o país.

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Mídia estrangeira vê ‘tempestade’ e volta do Brasil a grave crise política
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Daniel Buarque

Na mídia estrangeira, ‘tempestade’ joga Brasil de volta a grave crise política

A revelação de que o presidente Michel Temer foi gravado por um dos donos do frigorífico JBS falando sobre a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está sendo interpretada no exterior como uma “tempestade”, que joga o Brasil de volta a uma grave crise política, e que pode ter sérios efeitos sobre a economia.

“Brasil mergulha de volta na crise política”, diz o título de reportagem sobre o caso na agência de economia Bloomberg. Na TV do grupo, analistas avaliam que a reação inicial do mercado foi muito negativa.

“Os mercados estavam se valorizando na expectativa de reformas amplas, e isso tudo estava nas costas da habilidade política e conexões de Temer, e agora isso tudo fica em suspenso, na melhor das hipóteses”, diz analista da agência.

Segundo a Bloomberg, a crise lembra o caos que cercou o processo de impeachment de Dilma Rousseff, no ano passado.

“Se os últimos 18 meses são alguma referência, mais surpresas são esperadas. Alguns analistas dizem que a mais alta corte eleitoral, que está investigando irregularidades no financiamento da campanha presidencial de 2014, poderia anular o resultado da votação. Isso nunca aconteceu antes, mas se a corte anular a eleição de 2014, a Constituição do Brasil diz que o Congresso deve eleger um novo presidente em 30 dias”, explica a Bloomberg.

Uma “tempestade política” balança todo o Brasil, diz reportagem do jornal italiano “La Repubblica”. “Com um furo em sua edição online, o jornal “O Globo” revelou uma história de fundo que atinge o coração do presidente Michel Temer, e que agora corre o risco de um procedimento de impeachment”, diz.

Segundo o jornal francês “Le Monde”, novas revelações “respingam” no presidente Temer, e agora seus dias no governo “parecem contados”. O jornal relata que centenas de pessoass foram às ruas em São Paulo para pedir a saída de Temer.

O “Monde” destaca ainda que as revelações não afetam apenas o presidente, e diz que a denúncia também atinge o senador Aécio Neves. Além disso, explica que o caso atual não envolve o Partido dos Trabalhadores.

“O presidente Temer no coração do escândalo”, diz o jornal francês “Le Figaro”. “A política brasileira foi novamente abalada por um caso de corrupção”, complementa.

A revelação, diz, é um “terremoto na política do país, onde os casos de corrupção acontecem a cada dia”.

O jornal de economia “The Wall Street Journal” já fala sobre a movimentação que pede o impeachment de Temer. “Relatos de jornal levam oposição a protestar”, diz.

A rede de TV CNN falou sobre as denúncias e ressaltou que o caso de corrupção chegou aos mais altos escalões do poder do Brasil.

“A ex-presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment no ano passado depois que o Senado a considerou culpada por infringir leis orçamentárias em meio a uma investigação de corrupção – apesar de ela própria não ter sido acusada de corrupção”, explica.

O escândalo político e os casos de corrupção, diz, “são a principal razão por que o Brasil está em sua pior recessão da história”.

“Gravações explosivas implicam o presidente Michel Temer em propinas”, diz o título da reportagem do jornal “The Guardian” sobre o caso. A publicação fala dos protestos pedindo a saída de Temer.

“A política deve ficar mais paralisada”, diz o “Guardian”. “A possibilidade de o Brasil retirar outro presidente se aproximou, apesar de a coalizão do governo ter maioria no Congresso”, complementa.

“Nenhum dos grandes partidos deve sair intocado da delação da JBS”, diz o “Guardian”.

A cobertura internacional sobre a nova crise política no país e sua provável repercussão na economia contrasta com uma semana que havia começado a dar margem a uma interpretação mais otimista sobre o país.

O ponto mais marcante disso tinha sido uma série de reportagens do jornal de economia “Financial Times” sobre o que chama de “reinvenção do Brasil” através das reformas propostas pelo governo de Temer. Apesar da impopularidade do presidente, a imprensa internacional vinha apresentando os esforços do governo como positivos na aparente retomada da economia do país após anos de recessão.

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‘Washington Post’ diz que Lula tem dois caminhos: a Presidência ou a prisão
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Daniel Buarque

Deu no ‘Washington Post’: Lula tem dois caminhos, a Presidência ou a prisão

“Daqui a um ano, o político mais popular do Brasil deve estar dormindo em um desses dois lugares: no conforto atrás dos portões do palácio presidencial ou em uma pequena cama atrás das grades.”

Assim o jornal americano “The Washington Post” vê o futuro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo uma análise publicada dias após o depoimento prestado por ele a Sergio Moro.

Segundo o jornal, Lula se vê ameaçado pela Justiça, mas ainda tem alta popularidade, e teria chances de voltar ao poder.

“Se ele conseguir segurar o processo judicial por tempo suficiente para ganhar a eleição de outubro de 2018, incluindo todos os apelos, ele ganharia imunidade presidencial, o protegendo de processos por quatro anos”, explica a publicação.

O jornal relata o depoimento a Moro, em que Lula negou envolvimento em escândalos de corrupção, e explica que, apesar de o juiz ser visto como um heroi, manifestantes foram às ruas também para apoiar o ex-presidente.

“Mesmo se Lula não for condenado, analistas dizem, as investigações mancharam sua reputação e deixaram seu partido em pedaços”, explica o jornal.

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Álvaro Vargas Llosa: Sucessor de Temer vai se beneficiar das suas reformas
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Daniel Buarque

Álvaro Vargas Llosa: Sucessor de Temer vai se beneficiar das suas reformas

As polêmicas reformas encaminhadas pelo presidente Michel Temer vão ter um importante efeito para o Brasil e mesmo para outros países da América Latina, segundo o historiador e analista político peruano Álvaro Vargas Llosa.

Em um artigo publicado no jornal peruano “La Tercera”, Llosa argumenta que o governo Temer “já colhe algum resultado econômico e, o que é mais importante, propõe reformas que qualquer presidente do Brasil que tivesse um mínimo de lucidez sobre as causas do modelo atual levaria adiante”, diz.

Llosa (que é filho do escritor ganhador do Nobel de literatura Mario Vargas Llosa) explica que o processo pelo qual Temer chegou à Presidência foi cercado de questionamentos, e que o presidente tem sido citado em escândalos de corrupção, mas defende que não há provas contra ele até agora, e que seu governo deve seguir até as eleições do próximo ano.

“Temer está fazendo o que disse que faria ao assumir a Presidência”, diz, listando as reformas tributária, da previdência e trabalhista. Tudo isso há de ter um efeito positivo para o país, ele acredita.

“Se Temer sobreviver, o que ainda não é certo, seu sucessor ou sucessora se beneficiará do preço político que ele está pagando por reformas (ainda tímidas) que alguém tinha que começar”, diz.

Llosa é um comentarista tradicionalmente associado ao pensamento neoliberal, e forte crítico à esquerda latino-americana, especialmente a ligada ao regime cubano. Ele é autor de um livro que traça o perfil do que chama de “perfeito idiota latino-americano”, um personagem caricato que simbolizaria esses movimento de esquerda da região.

Em um artigo publicado na revista americana “National Interest” em junho do ano passado, Llosa defendia que o processo de impeachment de Dilma Rousseff havia sido correto e que tratar o afastamento dela como um golpe de Estado era “uma ofensa às incontáveis vítimas de golpes de verdade na história das repúblicas da América Latina”.

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‘Time’ relembra capa sobre Brasil em 1967, quando o país parecia ‘decolar’
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Daniel Buarque

A revista “Time” tem feito um amplo trabalho de memória ao longo do ano, recuperando a cada semana a edição da revista que foi publicada 5 décadas antes e esmiuçando o mundo descrito naquela época. E uma das edições de abril de 1967 trazia uma discussão sobre o lugar do Brasil no mundo na capa, e um tom que em muitos momentos soa bem atual.

A revista enfocava a conferência de líderes das Américas realizada em Punta del Este e dizia que caberia ao Brasil do “presidente” Costa e Silva, “líder de uma nação que forma metade da área, da riqueza e da população da América do Sul”, levar adiante as decisões do encontro.

Uma imagem de Costa e Silva, por sinal, estampava a capa da publicação, que se referia a ele como “líder” e “presidente”, mas não como ditador, segundo a memória publicada agora no site da publicação.

Após ser um dos homens poderosos envolvidos no golpe de 1964, dizia, “Costa e Silva prometeu humanizar a revolução lançada pelo seu antecessor austero e sem humor –mas também deixou claro que pretendia levar adiante muitas das reformas básicas iniciadas por Castello”, dizia a revista, sem questionar o fato de o Brasil ser uma ditadura na época.

O mais interessante de perceber na publicação de parte do texto histórico é ver a linguagem usada pela “Time” em 1967. Alguns dos termos usados na época ficaram marcados como alguns dos mais comuns durante o recente período de ascensão econômica do país, na década passada. “Otimismo do tipo que no passado cegou o Brasil precisa aguardar que, tendo chegado ao ponto de decolar, o gigante do Sul vá finalmente decolar”, dizia.

A expressão “take off” usada duas vezes na mesma frase faz a famosa capa da “The Economist” de 2009, com o Cristo Redentor como se fosse um foguete soar como um eco distante. E o tipo de avaliação reforça a ideia já percebida por analistas de que a imagem do Brasil no resto do mundo alterna esses momentos de euforia e depressão, com impressão de que o “gigante” vai decolar sempre que vive um bom momento.

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Matthew Taylor: Falência da política dá força a ideia de nova Constituição
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Daniel Buarque

Matthew Taylor: Falência da política dá força a ideia de nova Constituição

Os analistas estrangeiros parecem ter desistido do sistema político brasileiro.

O tom geral das principais avaliações publicadas fora do país nas últimas semanas falam em falência da política tradicional do país, mergulhada em uma crise que parece interminável e golpeada por sucessivas revelações sobre corrupção.

Nesse contexto, o pesquisador americano Matthew M. Taylor, professor da American University, em Washington, DC., começa a perceber o crescimento da discussão em torno de uma nova Assembleia Constituinte, para “resetar” a política nacional.

“No meio da polarização e da incerteza, nomes importantes em todo o espectro político levantaram uma nova e ousada ideia: uma Assembleia Constituinte para quebrar o atual nó político”, diz Taylor, em texto publicado no blog do think tank americano Council on Foreign Relations.

Taylor admite que a ideia parece um tanto exagerada e improvável, mas diz que tem ouvido pessoas importantes de Brasília falar do assunto com cada vez mais frequência, e que acredita que uma nova Constituição resolveria problemas atuais do Brasil, como a questão fiscal, a fragmentação política e as investigações de corrupção.

Segundo ele, o debate atual dá voz ao que deve se tornar um dos principais temas de debate político nas eleições de 2018: um debate sobre o que deu errado no sistema político do país.

“Isso pode proporcionar um refúgio bem-vindo da polarização acrimoniosa de soma zero entre os principais partidos políticos, bem como uma oportunidade para um movimento reformista emergir dos destroços do sistema político de três décadas”, avalia.

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Mídia estrangeira vê Brasil de 2018 dividido entre Trump e ‘poderoso’ Lula
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Daniel Buarque

Mídia estrangeira vê Brasil de 2018 dividido entre Trump e ‘poderoso’ Lula

Duas reportagens publicadas na mídia estrangeira na última semana simbolizam uma tendência cada vez mais comum nas análises internacionais sobre o cenário político do Brasil nas eleições de 2018. Segundo publicações como o “Washington Post” e o “Financial Times”, o país chegará à próxima decisão política dividido entre uma versão local de Donald Trump e a volta do ‘poderoso’ Lula.

A ideia de ascensão de um nome externo à política tradicional no Brasil como opção à fragmentação do establishment de Brasília tem sido comentada no exterior há algum tempo. Isso seria o resultado da destruição do sistema político tradicional no país, como explicou uma análise recente da agência de geopolítica americana Stratfor.

Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo no fim do ano passado, Brian Winter, diretor da “Americas Quarterly” avaliava que o país tinha todos os ingredientes que levaram Trump à Presidência dos EUA. A agência de economia Bloomberg também publicou recentemente uma reportagem sobre o risco de o deputado Jair Bolsonaro se tornar este “Trump brasileiro”.

A reportagem mais recente sobre este tema no “Washington Post” foi publicada com uma foto do presidente dos EUA sobreposta à bandeira brasileira. O texto parte de uma entrevista pela ex-presidente Dilma Rousseff ao jornal, durante uma passagem pelos EUA.

“Com a aproximação de eleições presidenciais, um número de candidatos pouco ortodoxos emergiu e ameaça desfazer ainda mais o legado de Dilma e do seu antecessor, o líder carismático Luiz Inácio Lula da Silva”, diz o jornal.

O mesmo “Washington Post”, curiosamente, publicou uma análise em novembro do ano passado fazendo a comparação de forma invertida. Segundo ele, as proposta de Trump antes de assumir a presidência dos EUA é que se aproximavam do “populismo” do governo Dilma.

O “Financial Times” também tratou, em reportagem publicada recentemente, da emergência de nomes de fora da política brasileira. Segundo o jornal de economia, entretanto, mais do que Bolsonaro, quem mais tem chance de crescer é o prefeito de São Paulo, João Dória.

Para o “FT”, entretanto, o caminho não está tão aberto assim, visto que o país pode assistir à volta do “poderoso” Lula, como chama o ex-presidente.

Apesar das denúncias de corrupção e da responsabilidade de Lula pelos erros de Dilma na presidência, diz, pesquisas indicam que Lula venceria uma eleição presidencial no país hoje.

“Ele terminou seu mandato em 2010 com 83% de aprovação após uma longa expansão da economia em que a classe média do Brasil cresceu e chegou a formar metade da população”, diz o “FT”.

Segundo o jornal de economia, Lula pode se beneficiar politicamente das fragilidades do governo de Michel Temer, que está tentando aprovar medidas pouco populares, e que está sob pressão por conta das investigações da Lava Jato.

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Lava Jato pode destruir sistema político do Brasil, diz estudo americano
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Daniel Buarque

Lava Jato pode destruir sistema político do Brasil, diz agência de geopolítica dos EUA

Após anos de revelações e escândalos de corrupção a Operação Lava Jato pode “destruir o sistema político brasileiro”, segundo uma análise publicada pela agência norte-americana de inteligência e geopolítica Stratfor.

De acordo com esta análise internacional, quanto mais os políticos convencionais do país aparecem ligados a esquemas de corrupção “maiores as chances de um nome de fora da política chegar ao poder nas próximas eleições, em 2018”, diz, em tom preocupado com a falência do sistema atual, ainda que ele tenha problemas.

O trabalho divulgado pela Stratfor indica que políticos e partidos tradicionais do Brasil estão trabalhando para criar pactos que possam salvá-los deste fim, ou ao menos diminuir os impactos das revelações da investigação. Uma das tentativas, explica, é tentar argumentar que fazer caixa 2 não seria uma forma de corrupção.

“Independentemente de os políticos serem considerados culpados, a investigação fez estragos em suas reputações com o público e diminuiu suas chances na eleição de 2018. Para agentes externos da política, a perda dos partidos tradicionais é uma conquista”, avalia.

“É claro que os políticos tradicionais do Brasil ainda têm mais de um ano para se preparar para as próximas eleições, mas considerando o progresso da Operação Lava Jato, e o sucesso limitado das tentativas de barrar a investigação, talvez já seja tarde demais para a classe política do país”, diz.

A Stratfor tem publicado de forma regular análises e estudos sobre a crise política no Brasil. Em um relatório recente, a agência dizia que a fragmentação política do país em dezenas de partidos era uma das raízes das instabilidades vividas pelo país.

Antes disso, em junho do ano passado, um estudo indicava algo semelhante ao mais recente a respeito dos impactos das investigações, apontando para o fim da tolerância dos brasileiros com a corrupção, o que seria sentido nas urnas.

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Para analistas estrangeiros, Brasil se tornou o país da corrupção sem fim
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Daniel Buarque

Para analistas estrangeiros, Brasil se tornou o país da corrupção sem fim

As mais recentes revelações sobre a corrupção na Odebrecht e a lista de Fachin geraram no resto do mundo a impressão de que o Brasil se consolidou de vez como o país da corrupção sem fim. O caráter interminável dos escândalos que se sucedem na política brasileira foi destacado por vários analistas nas avaliações publicadas na mídia do resto do mundo nos últimos dias.

A expressão “interminável” apareceu no título de um artigo do pesquisador Brian Winter na prestigiosa revista de diplomacia “Foreign Affairs”, por exemplo. Segundo Winter, o país está mergulhado em um “mar de lama” de forma rotineira desde os anos 1950, quando Vargas se suicidou.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, e editor-chefe da revista “Americas Quarterly”, Winter foi correspondente internacional no Brasil, no México e na Argentina por dez anos e escreveu vários livros sobre a região. Ao avaliar a questão da corrupção do Brasil, ele cita problemas registrados nos anos 1960, escândalos durante o governo militar, as revelações que derrubaram Collor nos anos 1990 e vários outros casos até a queda de Dilma Rousseff, no ano passado, e as denúncias mais recentes na Lava Jato.

“Com a irritação pública em alta e a economia ainda estagnada, a democracia brasileira está em seu ponto mais vulnerável desde a volta dos governos civis três décadas atrás, e corre o risco de cair em uma disfunção de longo prazo ou no ‘autoritarismo suave’ que atualmente varre o mundo”, diz Winter.

Esta preocupação estava presente em avaliação da política brasileira no fim do ano passado. Em entrevista a este blog Brasilianismo, Winter disse que a atual crise criava um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Donald Trump nos EUA.

Apesar de a corrupção ser um problema global, e de ele não acreditar que seja um problema maior no Brasil, Winter explica que o país é recordista em fracassos de governos por conta de escândalos de corrupção. Ainda assim, “nas últimas décadas, a corrupção sistêmica do Brasil se tornou mais insustentável”, diz.

A única forma de conter a crise e reverter esta situação, segundo ele, é a transparência total do setor público. “Apenas se renunciarem a seus privilégios especiais e se comprometerem com uma reforma real, os políticos brasileiros serão capazes de reconquistar a confiança da população”, diz.

A interpretação dá continuidade à leitura sobre o caráter “disfuncional” da política brasileira, na avaliação de estrangeiros. Esta incapacidade de funcionar se tornou um dos símbolos do país para analistas do resto do mundo desde o processo de impeachment de Dilma, indicando que o problema não está necessariamente ligado a um partido ou político, mas a todo o sistema que rege o país.

Apesar de Winter fazer a análise internacional mais completa sobre este cenário atual da política brasileira, ele não é o único ao ver o escândalo como parte de uma tendência sem fim de corrupção. A expressão “interminável”, usada para se referir à corrupção brasileira deu título também a uma reportagem do jornal de economia “The Wall Street Journal”.

Um vídeo publicado pela página hispânica da rede alemão Deutsche Welle tem um tom parecido e compara o país a “um pântano de corrupção”.

Pablo Kummetz, economista da DW, diz que “o sistema político brasileiro está corrompido até a medula”. Segundo ele, o lado positivo é que o atual escândalo poe dar fim à conivência entre as empreiteiras e o Estado.

Para a rede canadense CBC, apesar de não ser uma novidade tão grande em meio às dezenas de denúncias recentes, o escândalo da última semana pode ser interpretado como uma ameaça à estabilidade política do país. “O presente e a esperança futura da política brasileira foram manchados”, diz.

Já a rede árabe Al Jazeera, em seu site em inglês, destacou as possíveis ramificações regionais do escândalo, indicando que a Lava Jato está criando preocupação em toda a América Latina. “A investigação chacoalhou o establishment político da região”, diz.

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