Brasilianismo

Arquivo : Polícia

Condenação internacional reforça imagem de violência policial no Brasil
Comentários Comente

Daniel Buarque

Policial se prepara para atirar contra manifestantes durante protesto em São Paulo (Imagem: Leonardo Soares/UOL)

O Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) por conta de um episódio de violência policial, o que reforça no mundo uma das imagens mais fortes do país.

A IACHR (na sigla em inglês), condenou o Estado brasileiro nesta semana por não ter investigado e punido os responsáveis por 26 mortes em operações policiais nos episódios conhecidos como chacinas de Nova Brasília, ocorridas em 1994 e 1995 no Rio de Janeiro.

Segundo a rede BBC, no entendimento da Corte Interamericana, houve demora injustificada nas investigações, e as famílias das vítimas ficaram sem proteção. Isso viola o direito às garantias judiciais de diligências em prazos razoáveis, como prevê a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário.

A Corte aponta ainda que o Estado brasileiro aceitou uma “inversão de papéis”: os inquéritos, ao invés de apurar as mortes, se detêm no perfil dos mortos, apontados como possíveis criminosos, e eles é que aparecem como investigados, diz a BBC Brasil.

A condenação ganhou repercussão internacional, e foi tratado pela Anistia Internacional como uma evidência de violações e homicídios por parte da polícia brasileira.

O site Insight Crime analisou a condenação e indicou que ela ocorreu em um momento de escalada na violência no Rio de Janeiro, inclusive por parte de policiais.

“Ainda que não seja claro exatamente o que este caso vai significar no longo prazo, ele amplia a já crescente condenação internacional à velha questão da brutalidade da polícia do Rio de Janeiro”, avaliou.

“Desde janeiro de 2016, assassinatos pela polícia do Rio de Janeiro cresceram, chegando a 105 mortes em dezembro de 2016. Casos de uso excessivo de força pela polícia do Brasil normalmente não são punidos”, complementa.

Os casos frequentes de violência da polícia têm chamado atenção internacional. Nas últimas semanas, uma reportagem do jornal britânico “The Guradian” dizia que o governo brasileiro está fechando os olhos para o aumento da violência policial, o que está se consolidando como uma crise de direitos humanos no país.

Há tempos que a violência policial no Brasil tem se consolidado como uma das mais fortes imagens relacionadas ao país no resto do mundo, e o tema é constantemente abordado pela imprensa estrangeira

Quase todas as semanas é possível ler relatos em publicações de outros países a respeito das violações aos direitos humanos e a brutalidade dos agentes de segurança, que em contrapartida são vistos como incapazes de diminuir a enorme onda de violência no país

Além da forte imagem de violência, o mundo vê o Brasil como um país que tolera a ação brutal da polícia, como se isso fosse capaz de tornar a sociedade mais segura.

Segundo o relatório global anual da ONG internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, entretanto, o abuso de violência por forças de segurança do Brasil na verdade alimenta o ciclo de violência no país.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


‘Guardian’: Violência policial faz Brasil viver crise de direitos humanos
Comentários Comente

Daniel Buarque

Violência policial faz Brasil viver crise de direitos humanos, diz ‘The Guardian’

O governo brasileiro está fechando os olhos para o aumento da violência policial, o que está se consolidando como uma crise de direitos humanos no país, segundo uma reportagem do jornal britânico “The Guardian”.

O jornal cita um relatório da Anistia Internacional para justificar a crítica.

“Desde 2012, o número de assassinatos pelas mãos de policiais aumentou fortemente. No ano passado, foram registradas 920 dessas mortes somente no Rio de Janeiro, comparado com 419 em 2012”, diz.

Apenas nos dois primeiros meses de 2017, o número de mortes causadas por policiais foi 78% maior do que no mesmo período do ano anterior, complementa o jornal.

O “Guardian” ressalta que o Brasil vai ter essa situação avaliada pela ONU nessa semana.

“O país tem o maior número de homicídios do mundo, com uma quantidade que chegou perto de 60 mil em 2015. A maioria das vítimas é formada por jovens homens negros.”

O jornal destaca ainda que a polícia é responsável por uma a cada cinco mortes no Rio de Janeiro, e uma a cada quatro em São Paulo.

A violência policial no Brasil é um tema constantemente abordado pela imprensa internacional, e é uma das mais fortes imagens relacionadas ao país no resto do mundo.

Quase todas as semanas é possível ler relatos na imprensa internacional a respeito das violações aos direitos humanos e a brutalidade dos agentes de segurança, que em contrapartida são vistos como incapazes de diminuir a enorme onda de violência que assusta a sociedade

O problema foi até tema de uma audiência pública no Congresso dos Estados Unidos, onde se discutiu o aumento de registro de execuções extrajudiciais.

Além da forte imagem de violência, o mundo vê o Brasil como um país que tolera a ação brutal da polícia, como se isso fosse capaz de tornar a sociedade mais segura.

Segundo o relatório global anual da ONG internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, entretanto, o abuso de violência por forças de segurança do Brasil na verdade alimenta o ciclo de violência no país.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Abuso policial alimenta ciclo de violência no Brasil, diz ONG internacional
Comentários Comente

Daniel Buarque

hrw report2

O relatório global anual da ONG internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch crítica o abuso de violência por forças de segurança do Brasil e diz que ele alimenta o ciclo de violência no país.

“Problemas de direitos humanos crônicos afligem o sistema jurídico do Brasil, incluindo execuções extrajudiciais, superpopulação prisional, e tortura e maus tratos a detentos”, diz o capítulo sobre o Brasil publicado no relatório da HRW.

Segundo o estudo, algumas das medidas mais recentes tomadas pelo governo tentam lidar com estes problemas, mas outros podem exacerbá-los, avalia, citando o programa que acelera julgamentos como exemplo do primeiro e a lei antiterrotismo como exemplo do segundo.

O relatório trata da violência generalizada no país, e diz que ela está associada a abusos da polícia. O texto diz que 3.345 pessoas foram mortas pela polícia em 2015, e que parte dessas mortes se dá através de execuções ilegais.

“A tortura e as execuções extrajudiciais pela polícia contribuem para o ciclo da violência no Brasil, debilitando a segurança pública e colocando em risco as vidas dos policiais”, diz.

O relatório evidencia algo que é facilmente perceptível na avaliação da imagem internacional do Brasil. A violência com que a polícia age contra os cidadãos é um dos mais fortes estereótipos do país no exterior, e aparece com destaque frequente na imprensa de estrangeira.

Abuso policial alimenta ciclo de violência no Brasil, diz ONG internacional

Abuso policial alimenta ciclo de violência no Brasil, diz ONG internacional

Segundo a avaliação da entidade, os assassinatos por parte da polícia faz com que membros de grupos criminosos sejam menos propensos a se entregar e os motiva a tentar matar policiais quanto têm a chance.

“As execuções também diminui a probabilidade de as comunidades denunciarem crimes à polícia”, diz.

A análise faz parte do relatório de quase 700 páginas sobre a situação dos direitos humanos em 90 países.

A HRW avalia de forma constante a situação dos direitos humanos no Brasil, e tem publicado textos frequentes criticando especialmente a situação das prisões brasileiras.

Além da violência policial, o capítulo que trata do Brasil no relatório anual aborda a situação das prisões brasileiras, os direitos das crianças e adolescentes, ações contra o terrorismo, liberdade de expressão na internet, privacidade, direitos das mulheres, direitos dos deficientes, orientação sexual e identidade de gênero, direitos trabalhistas, violência rural, confronto de abusos da época da ditadura e relações internacionais.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


‘Chacina’ é a palavra mais assustadora do Brasil, diz ‘Washington Post’
Comentários Comente

Daniel Buarque

'Chacina' é a palavra mais assustadora do Brasil, diz 'Washington Post'

‘Chacina’ é a palavra mais assustadora do Brasil, diz ‘Washington Post’

Estrangeiros costumam se referir à exclusividade da palavra “saudade” na língua portuguesa, intraduzível no resto do mundo. Mas uma outra palavra usada com frequência no Brasil é de difícil explicação para muitas pessoas em outros países, e é considerada a mais “assustadora do país”, segundo o “Washington Post”: é o termo “chacina”.

“A palavra chacina vem do abate de porcos em matadouros, e significa literalmente massacre ou abate. Mas pergunte a qualquer brasileiro, e eles vão dizer que há um outro significado, mais perturbador”, diz reportagem do jornal.

O texto explica então que o termo é usado para se referir a assassinatos em série pela polícia.

“Ao longo da história moderna do Brasil, a palavra chacina veio a se referir ao massacre de pessoas após a morte de um policial. A implicação é clara: chacina são assassinatos em represália pela polícia em uma escala assustadora”, explica.

O texto do “Washington Post” se junta a uma série de referências internacionais sobre a violência no Brasil, um dos pontos mais marcantes da imagem do país no exterior. A polícia brasileira e a violência com que ela age contra os cidadãos são um dos mais fortes estereótipos do país no exterior. A isso, se junta a lentidão da Justiça, incapaz de reagir aos problemas de falta de segurança.

O que piora a situação, diz a reportagem, é que muitas vezes a chacina é legitimada pela opinião pública, que elogia os policiais e defende que “bandido bom é bandido morto”.

Segundo o jornal, apesar de muitos dos mortos em massacres deste tipo serem supostos criminosos, é comum não haver uma relação clara das vítimas com grupos de bandidos.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


‘USA Today’: Constrangimento fez Brasil exagerar em caso de nadadores
Comentários Comente

Daniel Buarque

'Para colunista do 'USA Today', constrangimento fez Brasil exagerar em caso de nadadores americanos

‘Para colunista do ‘USA Today’, constrangimento fez Brasil exagerar em caso de nadadores americanos

A colunista Nancy Armour, do jornal americano “USA Today”, publicou uma dura crítica à polícia brasileira e à organização dos Jogos Olímpicos em meio à polêmica envolvendo o suposto assalto a nadadores dos EUA durante a Olimpíada do Rio.

Depois que a Polícia Federal impediu o embarque de Gunnar Bentz e Jack Conger para investigação sobre a denúncia de que teriam sido assaltados, Armour disse que o caso é um problema de relações públicas, e que o Brasil não tolera o fato de que o caso envolvendo o medalhista Ryan Lochte tenha envergonhado o país.

Armour citou outros casos de violência e de problemas registrados no Rio desde o início dos Jogos, e insinuou que a polícia e a organização do evento mentem para fingir que não há nada de errado. “As autoridades do Rio já mostraram que os fatos são sobrevalorizados e muito abertos a interpretação”, ironizou.

Segundo Armour, há um exagero na reação da polícia e da Justiça brasileiras. O medalhista olímpico e seus colegas “estão sendo tratados como se tivessem subido no Cristo Redentor e mostrado o dedo médio para todo o Brasil”, disse.

“Está claro que algo aconteceu na manhã de domingo, e ninguém ficaria surpreso se acabasse sendo algo constrangedor ou que possa gerar problemas para os nadadores com o comitê olímpico dos EUA e seus patrocinadores. Mas o grande crime de Lochte parece ter sido de relações públicas – ele mencionou que os assaltantes eram homens fingindo ser da polícia, incluindo o fato de um deles ter mostrado um distintivo”, explicou.

Segundo ela, é “irrelevante” saber se o caso de Lochte é verdade, e a polícia deveria ter problemas maiores com que se preocupar. “Mas a história de Lochte gerou constrangimento, e isso não vai ser tolerado.”

“Elevar [o caso] ao nível de um crime capital parece apropriado no Brasil. É o equivalente a uma amputação por um corte com papel. Mentir para a polícia é ruim. Mentiras da polícia são uma diferença de opinião”, criticou.

Para ela, os Estados Unidos devem se preocupar em tirar do Brasil os americanos que tiveram os passaportes retidos. “Pois, se eles fizeram uma comunicação falsa de crime, no Brasil isso aparentemente é muito pior do que atirar em um ônibus cheio de pessoas”.

Em reportagem sobre o caso, o “New York Times” diz que o episódio criou um teste para a relação colaborativa entre polícias do Brasil e dos EUA.

“Nos meses antes da Olimpíada, os países trabalharam de forma próxima para tentar melhorar a capacidade do Brasil de evitar um ataque terrotrista. Mas na noite de quarta-feira, oficiais americanos pareciam no escuro sobre a detenção de Conger e Bentz”, diz.

Segundo o jornal, a notícia do assalto aos nadadores realmente foi recebida com grande constrangimento pelo país, mas as dúvidas sobre o testemunho dos americanos “transformou constrangimento em raiva”, explica.

“Apesar de haver um histórico assim [de envolvimento de policiais em assaltos no Rio], muitos brasileiros assumiram postura defensiva em relação a críticas à cidade”, diz.

O caso dos nadadores continua sob investigação. A história está mal explicada e pode envolver de fato o crime de denúncia falsa. O fato de ser uma questão de alta visibilidade internacional requer um cuidado especial do Brasil. Se a colunista do “USA Today” estiver certa, entretanto, e parte da motivação da polícia e da Justiça existir por conta do constrangimento gerado pelos nadadores, a ação contra os americanos pode de fato ser exagerada acabar gerando um efeito contrário ao desejado, criando um constrangimento ainda maior para o país.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Audiência no Congresso dos EUA discute a violência policial no Brasil
Comentários Comente

Daniel Buarque

Congresso dos EUA discute violência policial no Brasil

Congresso dos EUA discute violência policial no Brasil

O Congresso dos Estados Unidos vai realizar uma audiência sobre a violência policial no Brasil, especialmente o aumento de registro de execuções extrajudiciais.

“Por anos o país vem sofrendo com o registro de uso excessivo da força pela polícia militar, incluindo assassinatos e execuções extrajudiciais”, diz o texto de apresentação da audiência.

Leia também: Violência policial é uma das mais fortes imagens do Brasil no exterior

O evento em Washington, DC. é organizado pela Comissão de Direitos Humanos Tom Landos, um grupo bipartidário estabelecido na Câmara dos EUA em 2008. Segundo a comissão, há uma escalada desse tipo de violência no Rio de Janeiro, o que pode estar relacionado com a Olimpíada.

“Homicídios causados por intervenção policial aumentaram significativamente em 2015 e continuam crescendo em 2016. Abusos muitas vezes acontecem em torno de grandes eventos esportivos”, diz.

A comissão ressalta ainda que as principais vítimass são jovens negros, e que o país tem problemas levando os crimes à Justiça.

“Uma cultura de impunidade prevalece: Poucos casos são investigados, e menos ainda viram processos, aumentando assim a desconfiança entre a polícia e aqueles que eles deveriam proteger”, explica.

A comissão norte-americana já realizou uma audiência semelhante em 2010, quando foram discutidos os abusos aos direitos humanos no Brasil.

Quase todas as semanas é possível ler relatos na imprensa internacional a respeito das violações aos direitos humanos e a brutalidade dos agentes de segurança, que em contrapartida são vistos como incapazes de diminuir a enorme onda de violência que asssusta a sociedade.

Na mídia internacional, a violência policial foi tratada como “epidemia” pela revista “Foreign Policy”. Os policiais já foram associados a “assassinatos em série” pela revista “The Economist”. Já foi dito que é uma força policial “rápida no gatilho”. Já se comparou a ações de terror, e não são raras as definições como “fora de controle” para a violência policial.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Violência policial é uma das mais fortes imagens do Brasil no exterior
Comentários Comente

Daniel Buarque

Reportagem do 'Guardian' sobre morte de cinco jovens pela polícia no Rio

Reportagem do ‘Guardian’ sobre morte de cinco jovens pela polícia no Rio

Treinada para “mimar” turistas para tentar diminuir sua má fama no mundo, a polícia brasileira e a violência com que ela age contra os cidadãos é um dos mais fortes estereótipos do país no exterior.

O caso dos cinco jovens fuzilados com mais de cem tiros em Costa Barros, no Subúrbio do Rio, é uma das últimas notícias a reforçar no mundo esta imagem negativa do país e das suas forças de segurança.

O crime foi “o mais recente incidente em uma lista longa e horripilante de assassinatos pela polícia do Rio, que mata mais de que qualquer cidade dos Estados Unidos”, diz uma reportagem do jornal inglês “The Guardian”, um dos mais críticos à polícia brasileira.

“Quatro policiais militares do Rio de Janeiro foram detidos após suspeitas de que eles mataram cinco jovens negros e mestiços de uma favela e depois manipularam a cena do crime para parecer que estavam se defendendo”, explica o “Guardian”, tratando o assunto como “execução”.

“O Brasil como um todo tem um dos piores registros do mundo em assassinatos de e por policiais. Entre janeiro de 2011 e outubro de 2015, 2.510 pessoas foram mortas em ações da polícia na qual ela alegou se defender – uma média de 1,4 mortes por dia”, diz. “A maioria esmagadora das vítimas tende a ser de homens, jovens, negros de comunidades pobres.”

Segundo a agência de notícias France Presse, o caso recente foi mais brutal e assustador, mesmo para uma sociedade acostumada com este tipo de violência.

“Mesmo em uma cidade onde mais de três pessoas morrem todos os dias e onde a polícia comete cerca de 16% dos assassinatos, o fuzilamento dos cinco causou choque”, diz.

O choque adicional é explicado em parte por uma informação importante destacada pela agência Efe, publicada em veículos internacionais como a rede americana Fox: “Os jovens não pertenciam a nenhuma quadrilha que controla o tráfico de drogas na região e estavam desarmados”, diz.

As imagens da violência policial vistas pelo resto do mundo, em seleção a partir de busca no Google Images

As imagens da violência policial vistas pelo resto do mundo, em seleção a partir de busca no Google Images

Quase todas as semanas é possível ler relatos na imprensa internacional a respeito das violações aos direitos humanos e a brutalidade dos agentes de segurança, que em contrapartida são vistos como incapazes de diminuir a enorme onda de violência que asssusta a sociedade. Desde o início do levantamento de notícias internacionais sobre o Brasil neste blog Brasilianismo, em março, são frequentes as publicações que falam sobre problemas da polícia do país.

Na mídia internacional, a violência policial foi tratada como “epidemia” pela revista “Foreign Policy”. Os policiais já foram associados a “assassinatos em série” pela revista “The Economist”. Já foi dito que é uma força policial “rápida no gatilho”. Já se comparou a ações de terror, e não são raras as definições como “fora de controle” para a violência policial.

“Todos os anos, a polícia do Brasil é responsável por pelo menos duas mil mortes. As vítimas são registradas como tendo sido ‘mortas ao resistir a prisão'”, explica uma reportagem de 2014 da “Economist”.

“A população brasileira é 50% menor de que a dos EUA, mas sua força policial matou o mesmo número de pessoas nos últimos cinco anos que a polícia americana matou nos últimos 30 anos”, diz o site “Think Progress”.

Um relatório da ONG Anistia Internacional indica que a polícia brasileira e autoridades ligadas ao governo usam a ideia de legítima defesa como “cortina de fumaça” para encobrir execuções extrajudiciais praticadas por agentes de segurança pública.

O relatório divulgado em diferentes países e em vários idiomas ajuda a reforçar uma imagem internacional de violência no Brasil. Reportagens sobre a questão de segurança pública costumam indicar a falta de segurança e o rotineiro desrespeito aos direitos humanos no país.

“A Polícia Militar do Rio de Janeiro parece seguir uma estratégia de ‘atirar primeiro, perguntar depois’ e está contribuindo para o aumento do número de homicídios, apesar de raramente ser investigada”, diz a apresentação do relatório.

A má fama da polícia brasileira é muito detalhada no livro “Culture Shock! A Survival Guide to Customs and Etiquette: Brazil” (Choque cultural! Um guia de sobrevivência sobre costumes e etiqueta: Brasil), escrito pelo austríaco Volker Poelz e publicado em 2009.

“A polícia brasileira tem uma má reputação, o que infelizmente não é desmerecido. Apesar de haver muitos policiais honestos que trabalham duro, policiais brasileiros estiveram envolvidos com o crime organizado, venda de drogas, lavagem de dinheiro e venda de armas e muitos outros crimes violentos. Como os policiais são praticamente imunes, é quase impossível processar os suspeitos”, diz.

Além da forte imagem de violência, o mundo vê o Brasil como um país que tolera a ação brutal da polícia, como se isso fosse capaz de tornar a sociedade mais segura.

O Brasil tem fechado os olhos para a violência policial como uma forma de combater a criminalidade no país, segundo uma longa reportagem publicada pelo jornal americano “The New York Times”. Enquanto mortes causadas por policiais criaram protestos nos Estados Unidos, elas são quase sempre aceitas no Brasil como algo normal no policiamento de um país cansado da violência de criminosos, diz a publicação.

O “NYT” compara as 2.212 mortes causadas por policiais no Brasil com 461 mortes causadas por policiais nos EUA no ano de 2013, e ressalta que a população dos EUA é quase 50% maior de que a brasileira. Segundo o jornal, as mortes causadas pela polícia têm aumentado no Rio de Janeiro enquanto o governo trabalha para preparar os Jogos Olímpicos do próximo ano.

“Mas em vez de criar uma reação às mortes causadas pela polícia, um fenômeno oposto tem acontecido em grande parte do Brasil: Propostas de táticas policiais mais fortes têm aparecido”, diz, se referindo à “Bancada da Bala” no Congresso brasileiro.

A agência France Presse já tratou desse grave problema do Brasil atual: policiais são os principais suspeitos de um massacre na periferia de São Paulo. Para piorar, diz, parte da população aceita a violência, desde que seja contra “suspeitos de crimes”. A AFP fala sobre os “justiceiros” de forma crítica, mas diz que “grande proporção da sociedade brasileira parece feliz em aceitar o estado sem lei, se for direcionado a suspeitos de crimes”, explica.

Em uma entrevista concedida ao blog Brasilianismo no início do ano, o pesquisador brasileiro Vinicius Mariano de Carvalho, professor do Instituto Brasil do King’s College de Londres e especialista em temas relacionados a segurança pública e violência, falou sobre a dificuldade de explicar a violência do Brasil a estrangeiros. Carvalho tratava do caso da morte de Eduardo de Jesus, de apenas 10 anos de idade, que levou um tiro de fuzil disparado pela polícia do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão – o que chamou de “inexplicável”.

“É difícil para nós, que falamos no exterior sobre policiamento no Brasil, explicar como funcionam as polícias no Brasil. É difícil fazer entender o que é uma Polícia Militar estadual, uma Polícia Civil, uma Polícia Federal, a Força Nacional, Exército na rua. Temos muitos agentes armados e a coordenação entre eles é muito pequena”, explicou.

Para ele, a violência da polícia é um problema, mas é também um reflexo de problemas maiores na sociedade. “A percepção que temos da violência no Brasil é contaminada pelo uso constante de violência pelo estado e pela população. A polícia é um reflexo da sociedade também. Ela não é um caso à parte”, disse.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


Com má reputação no mundo, polícia do Rio é treinada para ‘mimar’ turistas
Comentários Comente

Daniel Buarque

Uma reportagem da rádio CBN mostra que a preocupação com a imagem do país está bem presente na Polícia Civil do Rio de Janeiro. Segundo a reportagem de Lizandra Rodrigues veiculada nesta sexta-feira (30), um curso oferecido aos policiais orienta a dar tratamento especial a turistas estranhgeiros, a fim de minimizar o desconforto.

“Faça com que os turistas se sintam como convidados”, recomenda um do módulos do curso, que indica oferecer chá ou café e ser hospitaleiro com os estrangeiros.

Curso orienta policiais civis a oferecerem café ou chá a turistas (Reprodução / CBN)

Curso orienta policiais civis a oferecerem café ou chá a turistas
(Reprodução / CBN)

Este tipo de orientação está claramente ligado à preocupação com a imagem da polícia do Rio entre estrangeiros, que já é alvo de uma má reputação. Não são raros os relatos encontrados na internet em que turistas criticam o atendimento recebido após alguma ocorrência no país.

Os veículos de imprensa do resto do mundo publicam regularmente reportagens sobre a violência com que a polícia age, usando dados de ONGs como a Anistia Internacional para indicar que a polícia brasileira é uma das que mais mata no mundo – ou que está ligada a corrupção.

Livro trata do choque cultural de estrangeiros no Brasil

Livro trata do choque cultural de estrangeiros no Brasil

A má fama da polícia brasileira é muito detalhada no livro “Culture Shock! A Survival Guide to Customs and Etiquette: Brazil” (Choque cultural! Um guia de sobrevivência sobre costumes e etiqueta: Brasil), escrito pelo austríaco Volker Poelz e publicado em 2009.

“A polícia brasileira tem uma má reputação, o que infelizmente não é desmerecido. Apesar de haver muitos policiais honestos que trabalham duro, policiais brasileiros estiveram envolvidos com o crime organizado, venda de drogas, lavagem de dinheiro e venda de armas e muitos outros crimes violentos. Como os policiais são praticamente imunes, é quase impossível processar os suspeitos”, diz.

Poelz explica que a maioria dos estrangeiros raramente vai ser confrontada com os aspectos mais obscuros da polícia brasileira, entretanto, e que já havia uma preocupação diferenciada com os turistas de outros países. “Estrangeiros geralmente são tratados com respeito e deixados em paz.”

O livro dá até mesmo dicas de como se livrar de problemas com a polícia através de “jeitinhos” fora da lei. “Se você estiver em uma situação que possa levar a uma extorsão, tenha cuidado com o que você diz. Pense que a polícia quase sempre tem a lei a seu lado. mantenha-se educado e nunca ofereça dinheiro diretamente. Você pode ser acusado de tentariva de suborno. O melhor que você pode fazer é perguntar se há uma forma de resolver a situação. Se for sugerido pagar, então você pode oferecer ao policial a propina pedida para sair da situação rapidamente.”

Segundo um policial ouvido na reportagem da rede CBN, é contraditório sugerir “mimar” os estrangeiros quando em algumas delegacias falta até mesmo papel higiênico.

Siga o blog Brasilianismo no Facebook para acompanhar as notícias sobre a imagem internacional do Brasil


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>