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Arquivo : Nation Branding

Em Londres, evento debate a marca Brasil e sua imagem na mídia estrangeira
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Daniel Buarque

Em Londres, evento debate a marca do Brasil e a imagem na mídia internacional

Um evento na embaixada brasileira em Londres vai discutir a marca internacional do Brasil e as percepções da mídia estrangeira sobre o país. Com uma série de painéis sobre nation branding, que estuda a construção de imagens de nações, o encontro no dia 18 de maio vai tentar entender o que se pensa sobre o Brasil no resto do mundo.

“Em um mundo globalizado, nation branding pode ser um fator crucial para influenciar as decisões sobre onde investir, viver, estudar ou trabalhar”, explica a página sobre o evento.

“Uma marca transmite a identidade de um país e pode transformar a forma como ele é visto pela comunidade internacional”, complementa.

O encontro será aberto pelo embaixador do Brasil no Reino Unido, Eduardo dos Santos. Christopher Nurko, diretor da FutureBrand, agência que analise imagens de nações, apresenta uma palestra sobre os conceitos por trás de nation branding, e em seguida jornalistas da BBC, do “Financial Times”, da Globo News e da “The Economist” discutem como a imprensa internacional trata o país.

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Brasil ‘despenca’ e vai a sua pior posição em ranking de imagens de nações
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Daniel Buarque

Crise afeta imagem internacional do Brasil (Arte: plus55)

Crise afeta imagem internacional do Brasil (Arte: plus55)

O noticiário sobre as crises política e econômica e os problemas registrados durante a Olimpíada no país derrubaram o Brasil no principal ranking internacional que mede a imagem das nações no mundo. O Brasil aparece em 23º lugar na edição mais recente, de 2016, do Anholt-GfK Nation Brands Index (NBI), a sua pior classificação na história do índice.

A avaliação revela uma queda de três posições no ranking global. Pode parecer pouco, mas é uma das maiores quedas do país em nove anos em que foi feita a avaliação do NBI, e levou o Brasil a sua pior posição já registrada no ranking, segundo um levantamento histórico realizado pelo NBI a pedido deste blog Brasilianismo.

Posições do Brasil no NBI ao longo dos anos

Posições do Brasil no NBI ao longo dos anos

O país foi listado na primeira edição do ranking, em 2008, em 13º lugar entre as nações mais admiradas do mundo, mas desde 2009 costumava aparecer como o país emergente mais bem classificado, sempre em torno do 20º lugar — Em 2011 subiu para 16º, mas logo depois caiu de volta para a 20ª colocação.

O NBI é um índice que avalia a imagem de 50 países, incluindo o Brasil, no resto do mundo. Ele é calculado a partir de entrevistas e painéis realizados em várias partes do planeta, e costuma avaliar como as nações são vistas em seis categorias diferentes: economia, política, cultura, população, turismo e potencial de imigração e investimento. A partir dessas avaliações independentes, é calculada a imagem geral de cada um dos países no resto do mundo.

Na edição de 2016, a melhor avaliação do Brasil no mundo é em relação a sua Cultura, em que o país aparece em 11º lugar entre as 50 nações. Além disso, o o Brasil é o 18º em Turismo, o 21º na avaliação do seu Povo, o 28º em Exportações, o 29º em Imigração e Investimento e apenas o 31º em Governança.

Esta avaliação ajuda a reforçar a imagem internacional de país decorativo do Brasil. Segundo esta interpretação, o país vai bem em itens mais leves da sua reputação, ligados a diversão, e é mal avaliado em questões sérias como política e economia. Isso reforça a imagem internacional do Brasil como um país de festa, mas não sendo como um bom lugar para fazer negócios.

Apesar da grave crise pela qual o país vem passando, que poderia fazer soar natural uma queda na sua reputação, o índice surpreende, pois vai contra a tendência que era percebida até o ano passado. Em 2015, apesar da perda do grau de investimento e da ampla divulgação internacional da epidemia de Zica no país, o Brasil acabou subindo uma posição, da 21ª para a 20ª.

No final de 2015, mesmo em meio ao que se chamava de “atoleiro” do país em sua imagem internacional, o Brasil aparecia consolidado como o 20º país mais admirado do mundo, mostrando que sua marca estava forte, uma das melhores entre os países em desenvolvimento.

A avaliação que se fazia então era de que não havia motivo para euforia, já que o Brasil costumava aparecer em torno do 20º lugar, e de que havia alguma segurança e estabilidade nesta avaliação externa do país.

Essa imagem consolidada aparecia também em outros índices internacionais, como o ranking “Best Countries”, criado no ano passado pela consultoria internacional WPP e pelo portal “U.S. News & World Report”. A análise ampla julgava 60 países do mundo e indicava, em ordem, os melhores e os piores. Também segundo este trabalho, o Brasil era o 20º melhor país do mundo, um ótimo lugar para diversão e aventura, mas não exatamente um bom lugar para viver ou fazer negócios.

Ilustração da revista 'The Economist' sobre crise no Brasil

Ilustração da revista ‘The Economist’ sobre crise no Brasil

A queda da avaliação no NBI deste ano, entretanto, reflete algo que havia sido percebido pelo criador do NBI, o consultor britânico Simon Ahnolt. Em entrevista ao autor deste blog Brasilianismo, em maio, o pesquisador disse que apesar de ter então a 20ª melhor reputação do mundo, o Brasil era o 49º em um outro ranking, o do “país bom”, que avalia a contribuição real do país para o resto do mundo. “O Brasil aparenta ter uma reputação melhor de que merece”, disse então.

A avaliação estrangeira atual pode ser um reflexo do noticiário internacional sobre o Brasil no ano passado. O clima de desastre associado à imagem do Brasil no noticiário internacional levou a uma deterioração aguda da imagem do país no exterior, segundo a pesquisa “I See Brazil”, estudo realizado pela agência de comunicação Imagem Corporativa, que busca medir as percepções externas em torno do país a partir do que se lê na mídia estrangeira e do que falam especialistas no assunto. Segundo o levantamento, 2015 foi “um ano para se esquecer”. O resultado do levantamento neste ano até registrou uma melhora na imagem do país, mas o efeito do ano passado pode ainda estar sendo sentido.

Mesmo assim, a variação de nota e de posição do Brasil no NBI de 2016, em que perdeu três posições no ranking, vai contra uma tendência histórica do índice, que costumava demonstrar a solidez das imagens internacionais, que pouco variavam com as crises e notícias negativas sobre os países.

Segundo Anholt, um dos primeiros pesquisadores a trabalhar a imagem internacional de nações, as percepções globais sobre os países costumam ser muito estáveis. “Mas mudanças podem acontecer, e acontecem. É a percepção do impacto de um país no mundo que afeta sua reputação global, muito mais do que suas conquistas — e é isso que estamos vendo agora”, disse em comunicado sobre o índice de 2016.

Principal pesquisa sobre marcas globais dos países, o NBI avalia a imagem internacional de 50 países. O estudo realiza 20.353 entrevistas para entender o que o que o público internacional pensa sobre esses países em termos de economia, política, cultura, população, turismo e potencial de imigração e investimento.

Países desenvolvidos e ricos dominam o topo da lista do NBI. Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido mantiveram a liderança como as três nações mais admiradas do mundo, segundo o NBI. Depois delas, no top 10, aparecem o Canadá, a França, a Itália, o Japão, a Suíça, a Austrália e a Suécia.

Apesar de o topo do ranking ser mais ou menos igual ao do ano passado, o NBI registrou uma queda nas notas gerais de avaliação de quase todos os países.

Segundo Vadim Volos, vice-presidente da GFK, a imagem de um país no mundo é um refleco de seus atributos históricos, como estereótipos, e de influência de curto prazo, como a cobertura jornalística de crises. “Nosso estudo mostra onde as nações estão em termos de sua imagem atual, seu momento e seu potencial, ajudando elas a determinar o melhor caminho para o sucesso”, disse em comunicado.

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Olimpíada e impeachment melhoram imagem internacional do Brasil, diz estudo
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Daniel Buarque

icbrazil2A edição mais recente do estudo I See Brazil, que avalia regularmente a abordagem da imprensa internacional a respeito da imagem do Brasil, diz que o país começou a recuperar sua reputação no terceiro trimestre desse ano.

Segundo o relatório divulgado nesta semana, a Olimpíada, o fim do processo de impeachment e a leve melhora nos índices econômicos ajudaram a mudar a tendência anterior, que havia levado o país a atingir o pior patamar já registrado do índice sobre sua imagem.

O momento, diz o título do relatório, é de “otimismo cauteloso”, com leve melhora e perspectiva de recuperação lenta e gradual.

icbrazilO país registrou 2,278 pontos no índice I See Brazil relativo ao terceiro trimestre de 2016. Apesar de interromper a queda e melhorar a nota, a avaliação é apenas 1,2 ponto superior à registrada no trimestre anterior, e continua abaixo da avaliação do mesmo período no ano anterior, que chegou a 2,407 pontos.

O estudo encontrou 909 reportagens sobre o Brasil em veículos de imprensa internacionais no período. Desse total, 19,14% das menções ao país entre julho e setembro apareceram em reportagens com teor positivo, enquanto 80,86% tinham tom negativo sobre o Brasil.

A avaliação do trimestre é melhor do que a média anual. Até agora, em 2016 foram encontradas 2.899 textos sobre o Brasil, e a abordagem negativa atingia 83,1% deles.

“É interessante notar que, apesar de uma ligeira melhora de percepção em termos de assuntos ligados a Política e Economia, a situação frágil do país nesses dois temas acabou afetando a avaliação positiva do Brasil em reportagens positivas publicadas sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O tom predominante foi de que o evento – para o qual se projetavam riscos decorrentes da contaminação do vírus zika, da violência urbana ou mesmo de ataques terroristas – foi um sucesso”, diz o trabalho.

A avaliação é parecida com a feita por este blog Brasilianismo ao fim do evento, em agosto. Apesar de ter acertado na organização e de ter saído da Olimpíada recebendo elogios por todo o mundo, o Brasil falhou na sua tentativa de usar grandes eventos internacionais para transformar sua “marca global. Em vez de melhorar sua reputação, os jogos serviram para reforçar estereótipos e consolidar a imagem do Brasil como um país decorativo.

Além da Olimpíada, o período avaliado incluiu a cobertura estrangeira do impeachment. No geral, a mídia internacional foi muito crítica a todo o processo, e apontou manipulação e as denúncias de golpe feitas pelo governo deposto. Ela também avaliou que o país vive um momento de política disfuncional. Mesmo assim, a decisão final ajudou a mudar o tom usado anteriormente, passando a indicar caminhos para uma retomada e estabilização política e econômica do país.

icbrazil3A mudança pôde ser notada especialmente a imprensa de economia, que passou a apoiar projetos de reformas que deixavam de lado a política econômica do governo de Dilma Rousseff.

Produzido pela agência de comunicação Imagem Corporativa, o estudo I See Brazil reune e analisa menções ao Brasil em referências à política, à economia e aos assuntos socioambientais. O estudo considera o que se fala sobre o país em 13 veículos de imprensa internacionais – “Corriere Della Sera” (Itália), “Der Spiegel” (Alemanha), “Economic Times of India” (Índia), “El País” (Espanha), “Financial Times” (Reino Unido), “La Nación” (Argentina), “Le Monde” (França), “South China Morning Post” (China), “The Asahi Shimbun” (Japão), “The Economist” (Reino Unido), “The New York Times” (EUA), “The Toronto Star” (Canadá) e “The Wall Street Journal” (EUA).

A avaliação dessas menções gera o índice I See Brazil, uma nota de 0 a 10 com base nessa análise, buscando traduzir como o país foi visto no exterior naquele trimestre.

A avaliação histórica dessa nota mostrou que a imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos. Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, neste ano o Brasil aparece com enfoque negativo em mais de 80% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

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Impeachment de Dilma arranha imagem do Brasil, diz cientista política
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Daniel Buarque

Impeachment de Dilma pode arranhar imagem do Brasil, diz cientista política

Impeachment de Dilma pode arranhar imagem do Brasil, diz cientista política

O processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, vai encolher a presença do Brasil no mundo, segundo a professora titular de ciência política da Universidade de São Paulo Maria Hermínia Tavares de Almeida.

A avaliação foi feita em entrevista ao jornal “Valor Econômico”. Para a professora, mesmo que o processo tenha seguido os procedimentos constitucionais, há dúvidas sobre sua legitimidade e o impeachment arranhou a imagem externa do país.

Segundo ela, “lá fora ninguém entende o que são pedaladas e poucos acreditam que são um bom motivo para impeachment”.

Maria Hermínia Tavares de Almeida: Certa feita, aí pela década dos 1970, perguntaram ao primeiro-ministro chinês Chu En-Lai quais teriam sido as consequências da Revolução Francesa de 1789, ao que ele teria respondido que era ainda muito cedo para dizer. Não tenho a menor ideia de qual será o julgamento da história. Pessoalmente, acredito que não se tratou de um golpe, mas que, mesmo assim, foi um evento traumático; talvez evitável, se o governo Dilma tivesse mostrado mais disposição para conversar e negociar e se o candidato do PSDB, derrotado em 2014, não tivesse apostado na possibilidade de afastar a presidente, no dia seguinte das eleições presidenciais. O impeachment, mesmo seguindo os procedimentos constitucionais, arranhou a imagem externa do país. Lá fora ninguém entende o que são pedaladas e poucos acreditam que são um bom motivo para impeachment. Todos sabem que a presidente caiu porque perdeu sua base de apoio parlamentar e, em consequência, a capacidade de governar. E isso gera dúvidas com relação à legitimidade de seu afastamento, mesmo seguindo os procedimentos estabelecidos pela Constituição. Falo aqui de setores moderados do establishment e da imprensa internacionais. Ficamos menores diante do mundo.”

É difícil medir este impacto do impeachment na imagem internacional do Brasil, e mais difícil ainda saber se há de fato este “arranhão” na imagem. Em alguns momentos, ao contrário da avaliação da cientista política, pode-se ter a impressão de que a crise política e o impeachment aumentaram a presença do Brasil na imprensa internacional, ampliando a imagem do país (mesmo que uma imagem negativa) em vez de encolher esta presença.

Mesmo assim, uma avaliação da cobertura do processo na imprensa internacional leva à conclusão de que realmente tem sido comum a crítica generalizada ao sistema político brasileiro, o que pode reforçar uma imagem ruim.

Por outro lado, a imagem do Brasil no exterior nunca foi a de um país rico, ou de um exemplo de seriedade política – portanto as crises não chegam a surpreender observadores externos ou a alterar a imagem que se tem do país.

Pelo contrário, o impeachment se aproxima do seu fim bem perto da Olimpíada, evento que colocou o Brasil nos holofotes do mundo e que serviu para reforçar estereótipos do país e mostrar seu lado mais decorativo. Depois dos Jogos e do impeachment, o Brasil sai mais uma vez como um país com avaliação negativa de aspectos de política e economia, mas cada vez mais positivas em aspectos de cultura e sociedade.

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Olimpíada reforça estereótipos e consolida imagem do Brasil como decorativo
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Daniel Buarque

Olimpiada reforçou estereótipos sobre o Brasil

Olimpiada reforçou estereótipos sobre o Brasil

Este texto é a versão expandida de análise publicada na “Folha de S. Paulo”

Foi uma grande festa. E um alívio ainda maior que a Olimpíada passou sem grandes sobressaltos.

A exemplo do que aconteceu durante a Copa do Mundo de 2014, o clima de pessimismo que se viu na imprensa internacional antes do início do evento global foi substituído por uma surpresa positiva. Com as expectativas tão em baixa, o Rio conseguiu manter tudo dentro do controle, e foi feliz ao evitar problemas e fazer seu evento. No fim, (quase) tudo deu certo. O Brasil superou as expectativas e não só passou pelo evento sem ter sua imagem manchada, como mostrou que sabe festejar como nenhum outro país.

O evento foi um sucesso, é verdade, mas essa avaliação pode esconder seu verdadeiro efeito sobre a reputação internacional do Brasil.

Apesar de ter acertado na organização e de ter saído da Olimpíada recebendo elogios por todo o mundo, o Brasil falhou na sua tentativa de usar grandes eventos internacionais para transformar sua “marca” global. Em vez de melhorar sua reputação, os jogos serviram para reforçar estereótipos e consolidar a imagem do Brasil como um país decorativo.

Quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa e a Olimpíada, na época em que tudo ia bem na economia e que o país vendia no exterior a imagem de uma potência ascendente, a ideia era de que poderíamos mostrar ao mundo que nossa nação é mais do que praia, carnaval e futebol —tanto que o ex-presidente Lula comemorou a conquista alegando que o Brasil viraria um país de “primeira classe”.

Passados os dois eventos, escapamos do vexame, mas reforçamos os clichês já conhecidos do Brasil no mundo: Somos um país de festa.

Parte da imprensa internacional encerrava a cobertura apontando o que vem para o país a partir de agora: a comemoração seria trocada pela “dura realidade” de impeachment e recessão.

Ao fim dos jogos, milhares de turistas saíram satisfeitos e empolgados até mesmo com a ideia de voltar ao Brasil. O país reforçou a sua marca de um bom lugar para conhecer e se divertir. Todo o noticiário sobre problemas do país, entretanto, reforçaram a imagem de que pode não valer muito a pena ir além do lazer. O país vale só por suas festas.

Entre estudiosos de “nation branding”, área de pesquisa que avalia a reputação internacional de países, a ideia de nação decorativa indica que o lugar costuma ser bem avaliado nos aspectos leves da sua personalidade, mas escorrega nas características mais “sérias”.

Pesquisas de opinião sobre a reputação de países costumam indicar que o Brasil é visto como um lugar de povo amigável, cultura forte, com ambiente para turismo e diversão. Por outro lado, não aparece bem em avaliações sobre seriedade política ou eficiência econômica.

Isso não chega a ser um problema. Poucos países conseguem aliar lazer e eficiência, e o exemplo de nação decorativa é a Itália, que vai muito bem mesmo assim.

E o Brasil pode aproveitar para capitalizar este perfil. Segundo uma pesquisa do Ministério do Turismo, nove entre dez estrangeiros que visitaram o país pela primeira vez nos Jogos têm intenção de voltar.

BALANÇO

Ainda não há um levantamento de dados abrangente sobre a cobertura internacional da Olimpíada, mas é provável que se repita o perfil do que ocorreu na Copa de 2014, quando 80% das reportagens que citavam o Brasil recorriam a clichês para descrever o país.

O estereótipo do Brasil como um país de festas foi um dos mais repetidos na cobertura da Copa – assim como foram martelados os gastos exagerados do país para organizar o evento e as tensões sociais enfrentadas nacionalmente.

A diferença entre Copa e Olimpáida deve ficar no espectro político. Em 2014, mais de 30% das reportagens que citavam o Brasil na imprensa internacional mencionavam a tensão social e política no país, dando destaque aos protestos contra o governo.

Na cobertura da Olimpíada, foram muitas as menções à crise política e à recessão econômica, mas a ausência de protestos e confrontos nas ruas dava a impressão de menor tensão social – o que aparecia com maior frequência eram as explicações sobre o impeachment e a recessão.

A impressão gerada deixada pela olimpíada no resto do mundo e positiva, mas o balanço de reportagens ainda pode pesar para o lado mais negativo. Foi assim na Copa, que teve um roteiro de cobertura parecido com o dos Jogos Olímpicos.

Os principais relatos no resto do mundo desde o encerramento dos jogos repetiam o que havia acontecido na Copa. Depois de passar semanas esmiuçando os problemas e contrastes do Brasil e de prever tudo o que podia dar errado, a opinião estrangeira ficou surpreendida com o evento.

Mesmo durante a Olimpíada parecia ainda haver um certo mau humor, e interesse em mostrar com destaque exagerado o que estava indo fora do roteiro. Tanto que o ex-correspondente do “New York Times” no Brasil Roger Cohen escreveu uma coluna pedindo que os estrangeiros tivessem um pouco mais de boa vontade com o país. “Estou cansado, muito cansado, de ler reportagens negativas sobre a Olimpíada brasileira”, escreveu.

Em 2014, 47% das reportagens internacionais que mencionavam o Brasil tinham uma descrição negativa do país, e apenas 20% eram positivas.

Isso aconteceu especialmente por conta do perfil da cobertura de grandes eventos na imprensa. É normal ter uma maior quantidade de reportagens sobre o evento antes do início da competição, que é justamente quando o foco costuma ser nos problemas e no que pode dar errado.

Depois do fim da festa, por mais positiva que seja a cobertura e as descrições sobre o país, o volume de matérias é menor, o que faz com que fique registrado um histórico com mais críticas do que aplausos.

UFANISTAS E DESIGUAIS

Além dos clichês básicos, o patriotismo e a desigualdade se juntaram em um destaque da imagem brasileira.

Durante a Olimpíada, não faltaram análises estrangeiras indicando o orgulho dos brasileiros ao sediar os Jogos, torcer pelos seus atletas, bem como o alívio nacional de ela passar sem problemas.

O nacionalismo foi especialmente destacado no caso do falso assalto ao nadador americano Ryan Lochte.

Depois de aparecer como provável mancha na imagem dos Jogos, o caso Lochte mostrou ao mundo que o Brasil se importa com o que os visitantes falam sobre o país, leva a sério casos de violência e que não é uma “terra sem lei” onde os gringos podem fazer o que quiserem sem se responsabilizar. Ao mostrar a violência que acontecia fora da área olímpica do Rio, a cobertura feita por veículos sérios revelou a desigualdade com a qual a criminalidade é tratada no país.

Ficou a imagem de que os convidados recebem tratamento especial, mas devem se comportar durante a festa.

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Reação a caso Lochte reflete obsessão do Brasil por sua imagem no mundo
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Daniel Buarque

Reação brasileira a caso Lochte revela obsessão pela imagem internacional do país

Reação brasileira a caso Lochte revela obsessão pela imagem internacional do país

A forte reação do Brasil e dos brasileiros ao caso do nadador americano Ryan Lochte, que mentiu ao alegar ter sofrido um assalto no Rio durante a Olimpíada, é um reflexo da obsessão nacional pela reputação internacional do país e da baixa autoestima nacional ao ver notícias negativas sobre o país no resto do mundo.

Segundo o jornalista e escritor americano Alex Cuadros, ex-correspondente da Bloomberg no Brasil e autor do livro “Brazillionaires”, sobre os megarricos do país,  a peculiaridade cultural do país, que se preocupa com a reputação que tem no mundo desenvolvido, é uma justificativa para a dimensão que o caso tomou.

“A intensidade das reações – tanto as oficiais quanto as extraoficiais – também apontam para uma peculiaridade cultural maior. Há tempos é comum que os brasileiros fiquem obsessivos sobre o que o mundo desenvolvido pensa deles. Mesmo quando a Olimpíada não está acontecendo, a mídia local constantemente publica reportagens sobre o que veículos americanos e europeus estão dizendo sobre o Brasil. Lochte sem querer tocou o terceiro trilho da identidade nacional”, avalia Cuadros, em artigo publicado na revista americana “The New Yorker”. Quando deu entrevista sobre seu livro, Cuadros já comentou que percebia essa obsessão enquanto vivia e trabalhava no país.

A existência deste blog Brasilianismo, dedicado a tentar entender essa reputação do Brasil no exterior, e a publicação deste post são provas vivas dessa tese de Cuadros. A obsessão brasileira pela imagem internacional do Brasil é um tema corrente neste blog Brasilianismo, que já publicou textos explicando a importância dessa reputação global. Além de entender o que se pensa sobre o país, um dos objetivos do blog é entender por que os brasileiros se interessam tanto pelo que se fala sobre o país no exterior.

Leia também: A importância da imagem do Brasil que repercute na imprensa internacional

A reputação internacional tem influência sobre a posição diplomática e econômica de um país no mundo, e é relevante para todas as nações. Cuidar da forma como o país é visto é algo natural, mas no Brasil aparece de forma mais exagerada e há mais tempo.

A preocupação nacional com a forma como o país é visto é histórica. Desde o século 19, quando o país se tornou independente e quando virou República, estava claro o objetivo nacional de promover no mundo uma imagem de nação grande e moderna. Mais recentemente, ela fica evidente nas reações em redes sociais todas as vezes em que o Brasil é criticado no resto do mundo.

Cuadros explica que a obsessão com a imagem do país estava presente na própria candidatura do Rio a sediar a Olimpíada, e lembra que o ex-presidente Lula queria que o Brasil mostrasse ao mundo que era um país de “primeira classe”. “Assim como têm orgulho do samba, do carnaval e do futebol, brasileiros esperavam mostrar ao mundo que seu país é mais do que isso”, diz.

Seu artigo destaca a importância do “complexo de vira-latas” no país, e diz que o Brasil tem um tipo de “excepcionalismo invertido”, marcado por baixa autoestima na qual os brasileiros são os primeiros a indicar os problemas nacionais.

“Mesmo com todos os seus recursos naturais e seu tamanho continental, o Brasil sempre parece ficar aquém do seu potencial, nunca conseguindo encontrar seu lugar no clube das nações desenvolvidas”, diz.

Nesse contexto, enquanto a Olimpíada aumenta a visibilidade internacional do país e propaga notícias negativas sobre ele no resto do mundo, “o caso Lochte se encaixou perfeitamente”, diz.

De fato, a notícia sobre o assalto aos nadadores, divulgada com destaque internacional no início da semana, ajudou a divulgar uma imagem de um país incapaz de proteger mesmo os atletas no evento global. A violência brasileira foi estampada nos principais jornais do mundo, “manchando a imagem do país”.

Em compensação, a revelação de que os americanos mentiram aparenta ter ganho um destaque igual ou maior em todo o mundo. A própria revista “The New Yorker” publicou até mesmo uma correção de uma charge divulgada durante a semana. No desenho atualizado, o policial comenta que os nadadores estão do lado errado do vidro, dando a entender que os suspeitos são eles mesmos.

Charge da revista 'The New Yorker' foi corrigida após a revelação de que os nadadores mentiram

Charge da revista ‘The New Yorker’ foi corrigida após a revelação de que os nadadores mentiram

Isso ajuda a mostrar que “em países sérios, você não pode mentir para polícia e escapar com isso”, como argumentou o especialista em América Latina do centro de pesquisas Council of the Americas, em Washington, Brian Winter em entrevista à BBC Brasil.

Por outro lado, ainda há analistas internacionais que acham que o Brasil exagerou na sua reação ao caso, como a colunista Nancy Armour, do jornal americano “USA Today”. Depois de publicar um texto inicial em que dizia que a veracidade da história de Lochte era “irrelevante”, ela continuou criticando a polícia do Rio mesmo depois de os nadadores admitirem que mentiram e pedirem desculpas.

Segundo ela, mesmo que Lochte seja culpado por mentir, a polícia brasileira errou a dose ao tratar a falsa denúncia de crime como um “crime capital”. “Se ao menos a polícia se preocupasse tanto com o mal realizado contra seus cidadãos todos os dias”, disse, citando dados da violência da cidade.

De forma semelhante, mas mais bem articulada e embasada, o colunista da BBC Brasil Tim Vickery defendeu que a criminalidade real do Rio não deve ser escondida.

“É por esse motivo que uma cobertura exagerada sobre esse assunto é preferível a uma que procure minimizar os perigos. As maiores vítimas da violência são os próprios cariocas. E os ricos têm mais possibilidade de se proteger, nos seus condomínios fechados e espaços privados. Quem sofre mais são as pessoais normais”, diz.

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Brasil tem a 24ª melhor reputação do mundo, mas tem autoimagem negativa
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Daniel Buarque

Brasil tem a 24ª melhor reputação do mundo, mas tem autoimagem negativa

Brasil tem a 24ª melhor reputação do mundo, mas tem autoimagem negativa

O Brasil é listado em 24º lugar no ranking de países com a melhor imagem internacional do mundo pelo índice Country RepTrak de 2016. O ranking foi desenvolvido pelo Reputation Institute, uma consultoria multinacional especializada em medir e administrar marcas e imagem de empresas. O índice avalia a imagem de 70 países no mundo.

O Brasil atingiu 57,75 pontos no ranking, o que é considerado um índice de reputação fraca/vulnerável.

A avaliação é próxima do que aparece em outros rankings semelhantes que avaliam a “marca” internacional de países – essas pesquisas de nation branding costumam avaliar a forma como um país é avaliado no resto do mundo. O Brasil costuma ser listado sempre em torno da 20ª colocação nesses índices.

O Brasil é o 20º “mais admirado do mundo” segundo o Nation Brands Index, mais tradicional levantamento deste tipo, e aparece em 20º também no Best Countries, um dos estudos mais recentes de avaliação de imagem internacional dos países.

Além de medir a reputação internacional dos países, o Reputation também avalia a autoimagem dos lugares avaliados. O Brasil é um dos poucos casos de países que têm uma reputação interna pior do que a internacional. Enquanto o país tem 57,8 pontos na avaliação externa, tem apenas 47,5 na autoavaliação.

“Entrevistados no exterior dão a esses países o benefício da dúvida quando se trata de eficiência de governo e transparência, mas sul-africanos, italianos e brasileiros avaliam a reputação dos seus países como muito mais baixa do que ela é percebida por estrangeiros”, diz o relatório sobre o levantamento.

Este dado é curioso, pois se alinha à avaliação do consultor britânico Simon Anholt, criador do Nation Brands Index e um dos pioneiros em pesquisas de nation branding deste tipo.

Segundo ele a reputação do Brasil talvez seja melhor do que o país merece de fato. Quando a contribuição real do país para o planeta é medida, o país cai dezenas de posições, e fica apenas em 49º lugar em um novo ranking de países desenvolvido por Anholt, o Good Country Index.

Assim como outros estudos sobre imagem e reputação de nações, o Reputation destaca que a forma como o país é visto no exterior influencia na atração de turismo e investimentos diretos, melhora nas exportações e na atração de talentos de outros países e cria até mais oportunidades para a diplomacia nacional.

Em resumo, diz o relatório publicado neste ano, a percepção criada pela experiência de estrangeiros, pela divulgação do país, pela influência de terceiros e por estereótipos influencia o comportamento internacional e ajuda a criar valor para o país.

O levantamento realizou mais de 58 mil entrevistas online de avaliação de países com maior visibilidade internacional.

Segundo o ranking, a Suécia é o país com a melhor reputação do mundo, com pontuação 78,3. Ela é seguida pelo Canadá (77,8), pela Suíça (77), pela Austrália (76,8) e pela Noruega (76,2).

“O que esses países têm em comum? Eles estão no topo da listas de países com maior índice de felicidade, mais pacíficos e progressistas socialmente (casamento entre pessoas do mesmo sexo, melhor educação e saúde públicas)”, diz o relatório.

O estudo faz uma comparação para mostrar que entre os dez países com maior PIB, maior área e maior população, apenas o Canadá é listados entre os de melhor reputação. Por outro lado, quase todos os países no topo dos rankings internacionais de felicidade, paz e sem corrupção estão entre os de melhor reputação.

Segundo o Reputation, a marca de um país é algo que demora a ser consolidado, mas pode se desfazer rapidamente na era da comunicação veloz de hoje. A construção da imagem passa por dezenas de fatores, mas receber bem estrangeiros, ser seguro e ser bonita estão entre os três principais pontos para a avaliação positiva no resto do mundo.

O ranking dos dez primeiros países da lista pouco mudou nas últimas três edições do índice, mas em 2015 o Canadá aparecia em primeiro e em 2014 a Suíça liderava.

No fim da lista, com pior reputação entre as nações avaliadas, aparecem o Iraque (24,56 pontos), o Irã (29,74), o Paquistão (31,03), a Arábia Saudita (36,32) e a Nigéria (36,37).

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Marcos Troyjo: Imagem do Brasil após Olimpíada será a de país de contrastes
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Daniel Buarque

Marcos Troyjo: Imagem que ficará do Brasil após Olimpíada é a de país de contrastes

Marcos Troyjo: Imagem que ficará do Brasil após Olimpíada é a de país de contrastes

A imagem que ficará do Brasil após os jogos Olímpicos do Rio de Janeiro é a de um país de contrastes, defende o pesquisador e colunista da “Folha de S.Paulo” Marcos Troyjo em artigo publicado nesta quarta (10).

“A mídia global bomba matérias sobre a beleza e a alegria que marcam o Brasil, mas essa poderosa lente de aumento também exibe no detalhe as nossas mazelas socioeconômicas, a incapacidade de melhorar o meio ambiente a disfuncionalidade de nossa política”, argumenta.

Troyjo é economista, diplomata e cientista social, e dirige o BRICLab da Universidade Columbia em Nova York. Ele diz que assistiu à abertura dos Jogos em um estúdio improvisado a serviço de redes de televisão estrangeiras, e que todas as equipes estavam boquiabertas com a qualidade estética e o entusiasmo da festa.

“O Brasil e seus nacionais ainda são muito desconhecidos. (…) Traços básicos de nossa história, geografia e conjuntura apenas agora estão se expandindo aos quatro cantos”, explica.

Para ele, enquanto o Brasil ganhou o direito a sediar a Olimpíada quando aparecia como potência emergente, os pilares da ascensão mostraram-se frágeis.

“A mensagem que se emite é menos a de um país cujo futuro brilhante está inercialmente garantido. E mais a de uma sociedade ainda assoberbada por seus gigantescos desafios”, diz.

Em um artigo publicado em maio, o colunista alegava que a ideia de que a ascensão da imagem do Brasil no mundo ao longo dos últimos anos deu ao país protagonismo nas relações globais é um erro. Para Troyjo, o Brasil teve uma grande oportunidade e chegou a um “camarote” dessa política internacional, mas se comportou de forma errada e deixou de aproveitar a chance de se consolidar como importante ator naquele palco.

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Kenneth Maxwell: Importância do Brasil vai além de euforia e depressão
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Daniel Buarque

Kenneth Maxwell: Importância do Brasil vai além de euforia e depressão

Kenneth Maxwell: Importância do Brasil vai além de euforia e depressão

O Brasil importa, diz o historiador norte-americano Kenneth Maxwell em um artigo publicado no jornal “Valor Econômico”.

Enquanto os Jogos Olímpicos começam no Rio de Janeiro e o mundo começa a prestar mais atenção ao país que tinha tudo para se destacar, mas começou a enfrentar uma grave crise, é importante fugir dessa característica pendular da forma como o Brasil é visto, e encarar a realidade longe de euforia e de depressão.

“Ao olhar para o Brasil de fora, entretanto, é sempre importante evitar extremos”, defende o fundador do programa sobre Brasil na Universidade Harvard, diretor de estudos sobre a América Latina no Council on Foreign Relations, em Nova York, e autor de livros sobre o Brasil, como “A Devassa da Devassa” (Paz e Terra).

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“O Brasil nunca esteve ‘com tudo’, como muitos proclamaram há não tanto tempo durante os anos de auge do presidente Lula, quando a China não parava de comprar commodities e outros produtos de exportação brasileiros, quando parecia que novos recursos petrolíferos marítimos promoveriam um futuro brilhante, quando o Brasil parecia criar alianças com as novas potências promissoras do mundo, como parte da parceria estratégica dos países do Brics, e quando Venezuela, Bolívia e Argentina prometiam uma nova união regional para conter a influência dos Estados Unidos no hemisfério Ocidental. Por outro lado, agora o Brasil tampouco está “com nada”, destinado ao isolamento e à insignificância”, diz.

A análise faz parte de uma interpretação comum á academia internacional voltada ao Brasil. A imagem do país parece sempre oscilar entre a euforia e a depressão exageradas, enquanto o país de fato, real, é muito mais complexo.

Kenneth Maxwell: Brasil enfrenta grave crise existencial em sua política

O historiador Kenneth Maxwell

O próprio Maxwell indicou isso em uma entrevista concedida à BBC Brasil, em março deste ano.

“A imagem internacional do Brasil não poderia estar pior. A imagem do Brasil tende a ir da euforia às previsões de desastre. Na realidade ,nunca é tão boa ou tão ruim, e o Brasil é um país vasto onde algumas coisas funcionam bem e onde há uma esperança permanente no futuro. Mas atualmente é muito difícil encontrar algo positivo em meio ao tsunami de notícias ruins”, disse então.

Falou de forma parecida também em julho, em entrevista à revista “Época”, quando ressaltou que a situação do Brasil passa por fluxos constantes que se alternam entre esperança e desespero, e que é importante ter uma perspectiva de mais longo prazo.

“Quando as pessoas escrevem livros sobre o Brasil, eu as aconselho a não escrever que o Brasil está em ascensão ou em queda. Porque, senão, o livro ficará desatualizado quando for publicado. O Brasil tem de abandonar essas ideias de que é o país do futuro ou o país que nunca vai para a frente. O Brasil é um país grande e complicado e tem um sistema político muito complexo, com vários interesses envolvidos. O Brasil vai sobreviver a este momento de depressão”, disse.

Para uma análise mais sóbria do momento atual, Maxwell se volta, no artigo do Valor, ao resto do mundo, onde tambem há graves crises e incertezas como o “brexit” na Europa e a candidatura de Donald Trump à Presidência dos EUA.

“O Brasil decididamente não é o único. Muitos países enfrentam graves problemas, em especial nas democracias avançadas, onde há grande divisão separando as elites políticas da massa da população e há enormes deslocamentos das placas tectônicas dos assuntos internacionais, sem nenhuma indicação clara sobre o que o futuro nos reserva”, explica.

Ainda assim, o historiador diz que o Brasil precisa encontrar um novo papel no mundo.

“Um papel que seja desprovido de presunções e realista nas aspirações. É importante, contudo, reconhecer que o Brasil não vai desaparecer. Isso é certo. E as riquezas da cultura brasileira, de seus recursos, de sua população, assistida e educada apropriadamente por um governo democrata responsável – que é, sempre deve ser lembrado, o maior feito do Brasil – e de sua vasta beleza natural ainda têm muito a oferecer ao mundo.”

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Sérgio Amaral: Imagem do Brasil no exterior depende da sua imagem interna
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Daniel Buarque

Sérgio Amaral: Imagem do Brasil no exterior depende da imagem interna

Sérgio Amaral: Imagem do Brasil no exterior depende da imagem interna

A imagem que o Brasil projeta no exterior é um reflexo da imagem que existe dentro do próprio país. Base de muitas pesquisas sobre “nation branding” e “competitive identity”, esta avaliação foi incorporada pelo diplomata Sérgio Amaral, indicado pelo presidente interino, Michel Temer, para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, Amaral avaliou os principais desafios da diplomacia brasileira em tempo de crise, e deu a entender que é normal que a imagem do país sofra enquanto há problemas internos no Brasil.

“A gente precisa ter presente que a imagem do país fora depende muito da imagem dele aqui. Nós temos um processo de normalização, e tendo maior serenidade nas relações entre os poderes, é natural que isso vai se refletir no exterior”, disse Amaral.

“O segundo ponto importante é que haja uma recuperação da economia brasileira. Tudo isso vai contribuir para despertar maior interesse sobre o Brasil”, continou.

Segundo ele, o Itamaraty pode ajudar também, acelerando o processo mediante uma presença maior nos debates sobre o Brasil em Washington.

“Quero ter na embaixada um espaço de debate sobre Brasil, e o único pedido que eu fiz Itamaraty foi a restauração do auditório da embaixada para isso”, disse.

Ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Amaral falou sobre negociações com os EUA, parcerias de mercado, debates sobre vistos e sobre o longo sonho brasileiro de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU

“O Conselho de Segurança é uma legítima aspiração do Brasil por seu peso político e econômico. Agora precisa ver qual é o momento oportuno, porque, em governos passados, fizemos enorme investimento em recursos humanos e mesmo econômicos e não tivemos qualquer resultado. Quando essa oportunidade se mostrar um pouco mais evidente, o governo deve se empenhar por isso”, disse.

Leia a entrevista completa na “Folha”.

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