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Arquivo : ‘Foreign Affairs’

Para analistas estrangeiros, Brasil se tornou o país da corrupção sem fim
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Daniel Buarque

Para analistas estrangeiros, Brasil se tornou o país da corrupção sem fim

As mais recentes revelações sobre a corrupção na Odebrecht e a lista de Fachin geraram no resto do mundo a impressão de que o Brasil se consolidou de vez como o país da corrupção sem fim. O caráter interminável dos escândalos que se sucedem na política brasileira foi destacado por vários analistas nas avaliações publicadas na mídia do resto do mundo nos últimos dias.

A expressão “interminável” apareceu no título de um artigo do pesquisador Brian Winter na prestigiosa revista de diplomacia “Foreign Affairs”, por exemplo. Segundo Winter, o país está mergulhado em um “mar de lama” de forma rotineira desde os anos 1950, quando Vargas se suicidou.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, e editor-chefe da revista “Americas Quarterly”, Winter foi correspondente internacional no Brasil, no México e na Argentina por dez anos e escreveu vários livros sobre a região. Ao avaliar a questão da corrupção do Brasil, ele cita problemas registrados nos anos 1960, escândalos durante o governo militar, as revelações que derrubaram Collor nos anos 1990 e vários outros casos até a queda de Dilma Rousseff, no ano passado, e as denúncias mais recentes na Lava Jato.

“Com a irritação pública em alta e a economia ainda estagnada, a democracia brasileira está em seu ponto mais vulnerável desde a volta dos governos civis três décadas atrás, e corre o risco de cair em uma disfunção de longo prazo ou no ‘autoritarismo suave’ que atualmente varre o mundo”, diz Winter.

Esta preocupação estava presente em avaliação da política brasileira no fim do ano passado. Em entrevista a este blog Brasilianismo, Winter disse que a atual crise criava um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Donald Trump nos EUA.

Apesar de a corrupção ser um problema global, e de ele não acreditar que seja um problema maior no Brasil, Winter explica que o país é recordista em fracassos de governos por conta de escândalos de corrupção. Ainda assim, “nas últimas décadas, a corrupção sistêmica do Brasil se tornou mais insustentável”, diz.

A única forma de conter a crise e reverter esta situação, segundo ele, é a transparência total do setor público. “Apenas se renunciarem a seus privilégios especiais e se comprometerem com uma reforma real, os políticos brasileiros serão capazes de reconquistar a confiança da população”, diz.

A interpretação dá continuidade à leitura sobre o caráter “disfuncional” da política brasileira, na avaliação de estrangeiros. Esta incapacidade de funcionar se tornou um dos símbolos do país para analistas do resto do mundo desde o processo de impeachment de Dilma, indicando que o problema não está necessariamente ligado a um partido ou político, mas a todo o sistema que rege o país.

Apesar de Winter fazer a análise internacional mais completa sobre este cenário atual da política brasileira, ele não é o único ao ver o escândalo como parte de uma tendência sem fim de corrupção. A expressão “interminável”, usada para se referir à corrupção brasileira deu título também a uma reportagem do jornal de economia “The Wall Street Journal”.

Um vídeo publicado pela página hispânica da rede alemão Deutsche Welle tem um tom parecido e compara o país a “um pântano de corrupção”.

Pablo Kummetz, economista da DW, diz que “o sistema político brasileiro está corrompido até a medula”. Segundo ele, o lado positivo é que o atual escândalo poe dar fim à conivência entre as empreiteiras e o Estado.

Para a rede canadense CBC, apesar de não ser uma novidade tão grande em meio às dezenas de denúncias recentes, o escândalo da última semana pode ser interpretado como uma ameaça à estabilidade política do país. “O presente e a esperança futura da política brasileira foram manchados”, diz.

Já a rede árabe Al Jazeera, em seu site em inglês, destacou as possíveis ramificações regionais do escândalo, indicando que a Lava Jato está criando preocupação em toda a América Latina. “A investigação chacoalhou o establishment político da região”, diz.

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Mídia estrangeira: Onda de violência revela horror de presídios do Brasil
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Daniel Buarque

Onda de violência mostra que presídios brasileiros são um horror, diz mídia estrangeira

Onda de violência mostra que presídios brasileiros são um horror, diz mídia estrangeira

A onda de violência que se espalhou pelos presídios brasileiros e já deixou mais de cem mortos é uma clara evidência de que o sistema correcional brasileiro é um horror, segundo uma análise publicada na importante revista de relações internacionais “Foreign Affairs”.

Em um longo texto o pesquisador da ONG de direitos humanos Human Rights Watch César Muñoz Acebes descreve a péssima situação do sistema prisional, que compara a prisões da Idade Média.

“Historiadores dos tempos medievais reconheceriam muito em uma prisão dos tempos modernos no Brasil. Detentos eram tradicionalmente mantidos em celas escuras, úmidas e sem ventilação. Doenças se espalhavam; prisioneiros tinham 30 vezes mais chances de ter tuberculose”, diz.

Assim como a HRW já fez em textos divulgados nos últimos dias, o texto da revista de diplomacia defende que o país precisa reformar seu sistema prisional.

A HRW tem sido muito ativa em publicação de análises críticas à situação em que o Brasil mantém seus detentos. Após as últimas rebeliões, ela publicou um artigo defendendo que o Brasil deve retomar o controle do sistema prisional do país.

Segundo a HRW, as autoridades brasileiras abdicaram da responsabilidade de manter a ordem e a segurança nas prisões, e isso viola os direitos dos prisioneiros. “O Brasil precisa tomar das gangues o controle do seu sistema prisional e garantir a segurança de todos os detentos”, diz.

O artigo publicado na “Foreign Affairs” é a análise mais recente em uma onda recente de reportagens publicadas em veículos de comunicação estrangeiros criticando o sistema de prisões do Brasil e tratando os presídios do país como lugar de “terror”.

O massacre de mais de 50 pessoas dentro de um presídio de Manaus, a primeira da atual série de rebeliões, transformou a questão da violência nos presídios brasileiros no assunto relacionado ao Brasil mais citado no resto do mundo neste início de 2017.

Centenas de reportagens em veículos de todo o mundo denunciam a barbárie registrada em várias prisões –com grande destaque para decapitações– e reforçam no resto do planeta a péssima imagem das prisões e dos direitos humanos no país.

A situação dos presídios brasileiros é destaque frequente no resto do mundo há muitos anos, sempre revelando problemas no respeito aos direitos humanos.

“A punição ainda é vista pela sociedade brasileira como uma forma de vingança”, explicava o site da rede Al Jazeera sobre a barbaridade dessas prisões em dezembro de 2014.

A crítica internacional e a imagem negativa associada às prisões brasileiras mancham a forma como o país é visto no resto do mundo e fazem com que questões de direitos humanos como estas deixem de ser apenas do interesse de grupos ligados à sua defesa. Garantir a integridade de prisioneiros do Estado é algo que é regularmente cobrado de países que querem ter relevância no cenário internacional.

O respeito aos direitos humanos é parte fundamental do funcionamento de um país realmente democrático. “A forma como uma sociedade cuida de sua população prisional é um bom índice dos seus valores e da sua civilidade. Uma inspeção cotidiana do sistema penal do Brasil revela uma cultura que beira o sadismo”, dizia uma reportagem do jornal “Los Angeles Times” em 2014.

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Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil
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Daniel Buarque

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

O trabalho do juiz federal Sergio Moro no combate à corrupção no Brasil tem o potencial de transformar o país, segundo análise do cientista político Robert I. Rotberg, ex-professor do MIT, presidente emérito da World Peace Foundation e fundador do Programa de Conflitos Intraestatais, Prevenção e Resolução de Conflitos de Harvard.

Em um artigo publicado na prestigiosa revista de relações internacionais “Foreign Affairs”, Rotberg analisou os possíveis impactos da Operação Lava Jato, e indicou que a luta contra a corrupção tem dado passos importantes no país.

“Pesquisas recentes realizadas por mim e por pesquisadores da Alemanha, Suécia e Reino Unido confirmam que liderança comprometida faz a maior diferença na redução da corrupção, especialmente quando ela está profundamente enraizada. Isso é boa notícia para o Brasil, onde Sergio Moro está liderando o processo contra a histórica corrupção endêmica”, diz o artigo.

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Rotberg é especialista em temas ligados a corrupção, falência de estados, governança e liderança política em nações falidas. Ele chegou a atuar como consultor do Departamento de Estado dos EUA em temas ligados à política na África.

Segundo ele, mesmo sem ser um político, as ações de Moro criaram um modelo de um tipo único de liderança que está tendo profundo impacto na forma como o Brasil lida com a corrupção.

“Por mais de dois anos, Moro, que está baseado no Estado sulista do Paraná, ouviu um caso após o outro relacionado ao roubo sistemático dos cofres nacionais. Neste período, ele prendeu mais de 40 políticos e executivos de empresas. As punições definidas por Moro estão perto de acabar com a tradição de impunidade entre a classe política do Brasil e deram esperança de reforma aos brasileiros comuns”, diz.

O artigo menciona que críticos acusam o juiz de liderar uma cruzada, mas diz que mesmo assim ele tem tido amplo apoio popular no país, o que tem evitado ações políticas para limitar o alcance da Lava Jato.

Segundo Rotberg, a grande questão é saber se a ação de Moro, mesmo que prenda mais 50 políticos, terá capacidade de fazer com que o Brasil se torne menos corrupto.

“Vai levar uma década até que se saiba isso. Por enquanto, as coisas parecem ser positivas pois a impunidade política foi eliminada e porque as ações exemplares de Moro permitem que brasileiros pela primeira vez possam demonstrar sua intolerância em relação à corrupção pública e empresarial. Foi isso o que aconteceu nos países nórdicos, na Nova Zelândia e no Canadá ao longo de muitas décadas nos séculos 19 e 20. Em cada caso, a transformação foi levada adiante por uma figura ou por figuras como Moro. O juiz com cara de nerd parece que vai realmente transformar o Brasil.”

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Geração dos descontentes reduz poder de políticos tradicionais, diz revista
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Daniel Buarque

Geração dos descontentes reduz poder de políticos tradicionais, diz revista

Geração dos descontentes reduz poder de políticos tradicionais, diz revista

Desde 2013 o Brasil vive um período conturbado em sua política e economia, diz uma reportagem publicada pela revista norte-americana de diplomacia “Foreign Affairs”.

O país tem uma geração de descontentes, uma população que sente que o governo do país fracassou em sua função de oferecer serviços públicos básicos, explica o texto, em referência a protestos que tomam conta do país nos últimos anos.

“Em vez de dialogar com os manifestantes, o governo brasileiro respondeu mais com prisões, gás lacrimogêneo e balas de borracha”, diz.

Segundo a reportagem, este descontentamento generalizado e a batalha eleitoral de 2014 dividiram o país, criando grupos mais à direita e mais à esquerda, com fortalecimento de posições radicais — com efeitos sobre a eleição municipal deste ano.

“Campanhas contra o establishment, tanto à esquerda quanto à direita, afrouxaram mais do que nunca o controle de partidos tradicionais sobre a narrativa política do Brasil”, explica.

A revista alega que os eleitores brasileiros romperam com o status quo tanto em sua escolha de candidatos quanto na forma como escolheram os representantes políticos, abraçando campanhas por temas específicos, e não as campanhas partidárias tradicionais.

Apesar da desilusão com a política tradicional, a reportagem alega que há um forte envolvimento dos brasileiros com temas políticos, com a busca por informações sobre decisões tomadas pelo Planalto, pelo Congresso e até mesmo pelo Supremo Tribunal Federal. Isso pode ter um efeito positivo no longo prazo, indica.

Revista respeitada em sua abordagem de temas de política internacional, a “Foreign Affairs” tem publicado textos muito críticos à situação do Brasil.

Em setembro, um artigo tratou das ineficiências da política nacional e apontou à sua disfuncionalidade, tema frequente em análises estrangeiras – referência a graves falhas em todo o sistema que rege os governos do país.

Antes disso, em janeiro, dizia que as crises no país erodia a força da política externa brasileira. Nos últimos anos, a política externa do Brasil “fracassou”, e agora o país assiste ao fim das suas ambições regionais.

Depois de se consolidar como um país emergente com perspectiva de se tornar uma potência global, no início do século XXI, o Brasil agora assiste ao encolhimento da sua influência no resto do mundo, argumentava.

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‘Foreign Affairs’: Sistema político brasileiro é viciado em ‘maus governos’
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Daniel Buarque

'Foreign Affairs': Sistema político brasileiro é 'viciado' em maus governos

‘Foreign Affairs’: Sistema político brasileiro é ‘viciado’ em maus governos

Um artigo publicado na revista internacional de diplomacia “Foreign Affairs” avalia os problemas da política brasileira que levaram à atual crise, com impeachment da presidente Dilma Rousseff e instabilidade no país. O texto volta a tratar das ineficiências da política nacional, e aponta à sua disfuncionalidade, tema que tem dominado atenção de análises estrangeiras e que aponta para graves falhas em todo o sistema que rege os governos do país.

“A atual crise no Brasil é produto de comportamento criminoso generalizado dos seus principais políticos. Mas a fonte real do problema é mais profunda”, diz o artigo, assinado pelos pesquisadores brasileiros Eduardo Mello e Matias Spektor.

“O caos que atinge o país é produto não de conduta ilegal individual, mas de uma engenharia política falida. No coração dos problemas brasileiros com corrupção e ineficiência estão as regras que governam a relação entre os poderes Executivo e Legislativo, que encorajam exatamente o tipo de corrupção que o escândalo da Petrobras revelou. ”

Segundo o texto publicado na “Foreign Affairs”, para levar o Brasil de volta à solvência política, os brasileiros precisam enfrentar o desafio de fazer uma ampla reforma política e eleitoral para eliminar os incentivos que levam tantos políticos a infringir a lei.

O artigo critica o presidencialismo de coalizão, e diz que ele que cria problemas para o funcionamento da política nacional.

“Como o Congresso brasileiro tem mais de dua dúzias de partidos políticos, é quase impossível um único ganhar a maioria. Isso força os presidentes brasileiros a formar coalizões para poder governar de forma eficiente. E é aí que o problema começa. Os partidos políticos do Brasil não têm uma ideologia coerente. Pelo contrário, são alianças mal amarradas cujos membros não têm problemas em formar ou dissolver coalizões a qualquer momento. Como resultado, membros do Congresso constantemente renegociam suas lealdades políticas baseados amplamente em interesses paroquiais.”

Apesar do forte tom de crítica, o artigo diz que há um lado positivo na crise atual. Mesmo que haja muitos problemas no país, os brasileiros parecem ter percebido que o país chegou a uma situação que precisa mudar, diz.

Nesse sentido, os pesquisadores defendem que o presidente Michel Temer “parece entender a necessidade de mudança”, e propõe reformas no país.

“Ainda é muito cedo para dizer quais propostas vão ser eficientes. O que é certo, entretanto, é que o sistema político do Brasil vai continuar sendo disfuncional até que o presidente e os legisladores do país possam trabalhar juntos de forma eficiente – em nome de plataformas de partido, não de negociações clientelistas”, diz.

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Revista de diplomacia analisa ‘fracassos’ da política externa do Brasil
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Daniel Buarque

Revista de diplomacia analisa 'fracasso' da política externa do Brasil

Revista de diplomacia analisa ‘fracasso’ da política externa do Brasil

A crise econômica, os desajustes políticos e os escândalos de corrupção estão erodindo a força da política externa brasileira. Depois de se consolidar como um país emergente com perspectiva de se tornar uma potência global, no início do século XXI, o Brasil agora assiste ao encolhimento da sua influência no resto do mundo.

Segundo uma análise publicada na revista internacional de diplomacia “Foreign Affairs”, nos últimos anos, a política externa do Brasil “fracassou”, e agora o país assiste ao fim das suas ambições regionais.

O artigo faz um relato da ascensão e da queda da diplomacia brasileira nos últimos anos, e explica como os escândalos de corrupção e a crise no Brasil transformaram profundamente o alcance global das ações da política externa brasileira. “Os dias em que o governo e grandes empresas andavam de mãos dadas em uma forte política regional chegaram ao fim”, diz.

Além do enfraquecimento causado pelos escândalos de corrupção, a “Foreign Affairs” diz que o maior dano causado à política externa do Brasil está nos cortes de orçamento do Itamaraty. “Para um país que até pouco tempo atrás fazia campanha por um assento permanente no Consoelho de Segurança da ONU, a nova realidade financeira é difícil de engolir.”

A “Foreign Affairs” ressalta que a mudança na força global do país não ocorre por acaso, e que faz parte de uma opção da presidente Dilma Rousseff, em contraste com o que pensava Lula. “Em seu governo, a política externa desertou”.

“Dilma nunca pensou que o Brasil deveria se envolver diretamente com temas intrincados de segurança internacional, como a ambição nuclear do Irã, a Síria, ou a Ucrânia. Em vez disso, ela pensou que o Brasil se sairia melhor se adotasse uma posição radicalmente avessa a riscos no cenário global”, avalia.

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