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Com crise política, imprensa dos EUA tem pico de cobertura sobre o Brasil
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Daniel Buarque

Com crise política, imprensa dos EUA tem pico de cobertura sobre o Brasil

A crise política no Brasil e as denúncias contra o presidente Michel Temer geraram um pico no número de reportagens sobre o Brasil na imprensa dos Estados Unidos, segundo Tom Reichert, chefe do departamento de publicidade e relações públicas da Universidade da Georgia (EUA).

Em entrevista publicada pela Folha, Reichert disse que minutos antes de Temer declarar que não renunciaria ao cargo, a notícia da crise política no Brasil já era o segundo tema mais falado na mídia dos EUA. Agregadores de publicações americanas indicavam que apenas a pressão política sobre Donald Trump era mais tratado na imprensa do país.

Leia a reportagem da Folha sobre o pico de cobertura sobre o Brasil nos EUA

“Os americanos estão acompanhando o noticiário sobre a política brasileira de perto desde o ano passado”, explicou Reichert. “Agora há um pico no número de reportagens sobre o Brasil, por conta da nova crise”, complementou

O pesquisador veio ao Brasil junto com seu colega Itai Himelboim, diretor do departamento de engajamento de redes sociais e publicidade da mesma universidade, para apresentar o mais amplo estudo sobre a percepção da imprensa americana a respeito do Brasil.

Ao longo de 2016, o levantamento coordenado por eles analisou 143.549 reportagens sobre o Brasil na mídia dos EUA.

Segundo Reichert, apesar de o atual escândalo estar chamando muita atenção, e de o foco na instabilidade política levantar discussões sobre as implicações econômicas dela, há uma sensação de que pode haver finalmente uma solução para a crise.

“Depois do atual pico no noticiário, haverá uma oportunidade para mostrar o Brasil no exterior sob um enquadramento novo. Pode haver a sensação de renovação, de dar um passo adiante no sentido da busca da estabilidade e da resolução da crise”, disse.

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Brasil começa a melhorar sua imagem na mídia internacional, indica estudo
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Daniel Buarque

Brasil começa a melhorar sua imagem na mídia internacional, indica estudo

O segundo semestre de 2016 deu início a um lento processo de recuperação da qualidade da imagem internacional do Brasil, após meses de crise que empurraram as percepções sobre o país no resto do mundo a seu ponto mais baixo. A análise faz parte do último relatório do estudo I See Brazil, da agência Imagem Corporativa, que avalia regularmente a imagem do país a partir de pesquisas e da abordagem da imprensa internacional a respeito da reputação do Brasil.

“Um ano que pareceu comportar bem mais do que os 12 meses habituais. Assim foi 2016 em diferentes geografias, inclusive no Brasil – onde tendências já presentes em 2015 seguiram seu curso e levaram tanto ao agravamento da crise econômica quanto ao impeachment da presidente Dilma Rousseff”, diz o estudo, resumindo o ano de muitos acontecimentos que afetaram a imagem do país no resto do mundo.

Ainda que a cobertura que o resto do mundo faz do Brasil tenha começado a melhorar, segundo o levantamento, apenas 29% das reportagens sobre o Brasil na mídia internacional foram positivas no último trimestre do ano passado –contra 71% de textos com teor negativo.

A tendência de melhora fica perceptível quando os dados dos três últimos meses são comparados ao de todo o ano. Em 2016, 81% das reportagens sobre o Brasil na imprensa estrangeira tiveram teor negativo, diz o estudo.

Brasil começa a melhorar sua imagem na mídia internacional, indica estudo

Na reta final do ano, o país atingiu uma nota 3,04 no índice I See Brazil, metodologia criada pela agência para medir as percepções externas sobre o país. A avaliação é melhor do que a de nota 2,278 registrada no terceiro trimestre, quando o índice começou a perceber uma retomada da imagem do Brasil no mundo, e bem mais alta do que o 1,82 ponto atingido pelo índice na média do ano.

Todos os itens avaliados pelo estudo tiveram nota baixa, mas a avaliação foi negativa especialmente por conta do quesito política, que fechou o ano com média 0,58 pontos.

Na média anual, entretanto, foram justamente as reportagens sobre política e economia que começaram a mudar o tom a partir do segundo semestre, melhorando a imagem do país no índice.

“Três fatores contribuíram para este resultado. O afastamento da presidente Dilma Rousseff, associado à continuidade das investigações do Ministério Público Federal (MPF) e à prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pareciam mostrar que a crise política que vinha desde o fevereiro de 2015 estava arrefecendo”, diz o estudo.

O estudo I See Brazil reúne e analisa menções ao Brasil em referências à política, à economia e aos assuntos socioambientais. O estudo considera o que se fala sobre o país em 13 veículos de imprensa internacionais – ”Corriere Della Sera” (Itália), ”Der Spiegel” (Alemanha), ”Economic Times of India” (Índia), ”El País” (Espanha), ”Financial Times” (Reino Unido), ”La Nación” (Argentina), ”Le Monde” (França), ”South China Morning Post” (China), ”The Asahi Shimbun” (Japão), ”The Economist” (Reino Unido), ”The New York Times” (EUA), ”The Toronto Star” (Canadá) e ”The Wall Street Journal” (EUA).

A avaliação dessas menções gera o índice I See Brazil, uma nota de 0 a 10 com base nessa análise, buscando traduzir como o país foi visto no exterior naquele trimestre.

A avaliação histórica dessa nota mostrou que a imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos. Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, neste ano o Brasil aparece com enfoque negativo em mais de 80% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

Apesar da perceptível retomada na parte final do ano, o trabalho sobre a reputação do Brasil diz que é preciso manter cautela no otimismo, expressão que já era usada no trabalho do trimestre anterior, quando começou a retomada.

“As incertezas com relação a um possível cenário pós-impeachment e a cautela com relação às primeiras medidas do governo Temer fizeram com o tom negativo continuasse alto – embora com algum espaço para o otimismo”, avalia.

O trabalho sobre 2016 revela ainda que houve um impressionante aumento da atenção estrangeira sobre o Brasil, fruto do noticiário de crises e também da realização dos Jogos Olímpicos. Segundo o I See Brazil, o volume de reportagens sobre o país no resto do mundo subiu 75,68%, de 1.908 menções ao país em 2015 para 3.352 textos em 2016.

“O foco principal do interesse da mídia externa no Brasil em 2016 foi dirigido a questões relacionadas à política (47,37% do total) – em razão, principalmente, do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff e de temas ligados a corrupção”, diz.

O relatório divulgado nesta semana menciona, além dos dados do estudo completo, o livro “Brazillionaires”, do jornalista americano Alex Cuadros, como “uma das análises mais interessantes do Brasil feitas no exterior ao longo deste ano”.

Em entrevista ao blog Brasilianismo, em julho, Cuadros falou sobre a obra e explicou que os ricos do Brasil merecem um tratado próprio. “A relação entre bilionários e o Estado brasileiro ajuda a entender como o Brasil chegou onde chegou”, disse.

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Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil
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Daniel Buarque

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

O trabalho do juiz federal Sergio Moro no combate à corrupção no Brasil tem o potencial de transformar o país, segundo análise do cientista político Robert I. Rotberg, ex-professor do MIT, presidente emérito da World Peace Foundation e fundador do Programa de Conflitos Intraestatais, Prevenção e Resolução de Conflitos de Harvard.

Em um artigo publicado na prestigiosa revista de relações internacionais “Foreign Affairs”, Rotberg analisou os possíveis impactos da Operação Lava Jato, e indicou que a luta contra a corrupção tem dado passos importantes no país.

“Pesquisas recentes realizadas por mim e por pesquisadores da Alemanha, Suécia e Reino Unido confirmam que liderança comprometida faz a maior diferença na redução da corrupção, especialmente quando ela está profundamente enraizada. Isso é boa notícia para o Brasil, onde Sergio Moro está liderando o processo contra a histórica corrupção endêmica”, diz o artigo.

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Rotberg é especialista em temas ligados a corrupção, falência de estados, governança e liderança política em nações falidas. Ele chegou a atuar como consultor do Departamento de Estado dos EUA em temas ligados à política na África.

Segundo ele, mesmo sem ser um político, as ações de Moro criaram um modelo de um tipo único de liderança que está tendo profundo impacto na forma como o Brasil lida com a corrupção.

“Por mais de dois anos, Moro, que está baseado no Estado sulista do Paraná, ouviu um caso após o outro relacionado ao roubo sistemático dos cofres nacionais. Neste período, ele prendeu mais de 40 políticos e executivos de empresas. As punições definidas por Moro estão perto de acabar com a tradição de impunidade entre a classe política do Brasil e deram esperança de reforma aos brasileiros comuns”, diz.

O artigo menciona que críticos acusam o juiz de liderar uma cruzada, mas diz que mesmo assim ele tem tido amplo apoio popular no país, o que tem evitado ações políticas para limitar o alcance da Lava Jato.

Segundo Rotberg, a grande questão é saber se a ação de Moro, mesmo que prenda mais 50 políticos, terá capacidade de fazer com que o Brasil se torne menos corrupto.

“Vai levar uma década até que se saiba isso. Por enquanto, as coisas parecem ser positivas pois a impunidade política foi eliminada e porque as ações exemplares de Moro permitem que brasileiros pela primeira vez possam demonstrar sua intolerância em relação à corrupção pública e empresarial. Foi isso o que aconteceu nos países nórdicos, na Nova Zelândia e no Canadá ao longo de muitas décadas nos séculos 19 e 20. Em cada caso, a transformação foi levada adiante por uma figura ou por figuras como Moro. O juiz com cara de nerd parece que vai realmente transformar o Brasil.”

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Olimpíada e impeachment melhoram imagem internacional do Brasil, diz estudo
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Daniel Buarque

icbrazil2A edição mais recente do estudo I See Brazil, que avalia regularmente a abordagem da imprensa internacional a respeito da imagem do Brasil, diz que o país começou a recuperar sua reputação no terceiro trimestre desse ano.

Segundo o relatório divulgado nesta semana, a Olimpíada, o fim do processo de impeachment e a leve melhora nos índices econômicos ajudaram a mudar a tendência anterior, que havia levado o país a atingir o pior patamar já registrado do índice sobre sua imagem.

O momento, diz o título do relatório, é de “otimismo cauteloso”, com leve melhora e perspectiva de recuperação lenta e gradual.

icbrazilO país registrou 2,278 pontos no índice I See Brazil relativo ao terceiro trimestre de 2016. Apesar de interromper a queda e melhorar a nota, a avaliação é apenas 1,2 ponto superior à registrada no trimestre anterior, e continua abaixo da avaliação do mesmo período no ano anterior, que chegou a 2,407 pontos.

O estudo encontrou 909 reportagens sobre o Brasil em veículos de imprensa internacionais no período. Desse total, 19,14% das menções ao país entre julho e setembro apareceram em reportagens com teor positivo, enquanto 80,86% tinham tom negativo sobre o Brasil.

A avaliação do trimestre é melhor do que a média anual. Até agora, em 2016 foram encontradas 2.899 textos sobre o Brasil, e a abordagem negativa atingia 83,1% deles.

“É interessante notar que, apesar de uma ligeira melhora de percepção em termos de assuntos ligados a Política e Economia, a situação frágil do país nesses dois temas acabou afetando a avaliação positiva do Brasil em reportagens positivas publicadas sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O tom predominante foi de que o evento – para o qual se projetavam riscos decorrentes da contaminação do vírus zika, da violência urbana ou mesmo de ataques terroristas – foi um sucesso”, diz o trabalho.

A avaliação é parecida com a feita por este blog Brasilianismo ao fim do evento, em agosto. Apesar de ter acertado na organização e de ter saído da Olimpíada recebendo elogios por todo o mundo, o Brasil falhou na sua tentativa de usar grandes eventos internacionais para transformar sua “marca global. Em vez de melhorar sua reputação, os jogos serviram para reforçar estereótipos e consolidar a imagem do Brasil como um país decorativo.

Além da Olimpíada, o período avaliado incluiu a cobertura estrangeira do impeachment. No geral, a mídia internacional foi muito crítica a todo o processo, e apontou manipulação e as denúncias de golpe feitas pelo governo deposto. Ela também avaliou que o país vive um momento de política disfuncional. Mesmo assim, a decisão final ajudou a mudar o tom usado anteriormente, passando a indicar caminhos para uma retomada e estabilização política e econômica do país.

icbrazil3A mudança pôde ser notada especialmente a imprensa de economia, que passou a apoiar projetos de reformas que deixavam de lado a política econômica do governo de Dilma Rousseff.

Produzido pela agência de comunicação Imagem Corporativa, o estudo I See Brazil reune e analisa menções ao Brasil em referências à política, à economia e aos assuntos socioambientais. O estudo considera o que se fala sobre o país em 13 veículos de imprensa internacionais – “Corriere Della Sera” (Itália), “Der Spiegel” (Alemanha), “Economic Times of India” (Índia), “El País” (Espanha), “Financial Times” (Reino Unido), “La Nación” (Argentina), “Le Monde” (França), “South China Morning Post” (China), “The Asahi Shimbun” (Japão), “The Economist” (Reino Unido), “The New York Times” (EUA), “The Toronto Star” (Canadá) e “The Wall Street Journal” (EUA).

A avaliação dessas menções gera o índice I See Brazil, uma nota de 0 a 10 com base nessa análise, buscando traduzir como o país foi visto no exterior naquele trimestre.

A avaliação histórica dessa nota mostrou que a imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos. Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, neste ano o Brasil aparece com enfoque negativo em mais de 80% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

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Imagem do Brasil no mundo passou de 81% positiva a 85% negativa em 7 anos
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Daniel Buarque

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

A imagem do Brasil na mídia estrangeira alternou do seu ponto mais positivo ao mais negativo em apenas sete anos, segundo um levantamento realizado desde 2009 pela agência de comunicação Imagem Corporativa (IC).

Depois de atingir o patamar de 81,1% de notícias de teor positivo nos principais veículos da imprensa internacional no fim da década passada, neste ano o Brasil aparece com enfoque negativo em 85,5% nas reportagens estrangeiras que citam o país.

O dado faz parte de um livreto da IC, divulgado neste mês, que faz um balanço sobre as oscilações do país e da sua imagem ao longo da última década. O trabalho é um resumo do que a agência costuma produzir na pesquisa ”I See Brazil”, que busca medir as percepções externas em torno do país a partir do que se lê na mídia estrangeira e do que falam especialistas no assunto.

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

“Um levantamento da Imagem Corporativa que acompanha a imagem do Brasil no exterior desde 2009 mostrou que, naquele ano, 80% das reportagens publicadas sobre o país nos principais veículos da imprensa estrangeira eram positivas. Esse percentual passou para 81% no ano seguinte – ponto alto da exposição favorável da mídia estrangeira ao Brasil. A queda começaria em 2013, quando o percentual caiu para 65%. No ano seguinte houve a reversão: 56% das reportagens publicadas sobre o país eram negativas. Tal percentual cresceria para 72% em 2015 – invertendo completamente o quadro observado poucos anos atrás”, diz o trabalho. O levantamento mais recente, do primeiro semestre deste ano, mostra que 85,5% das reportagens sobre o Brasil eram negativas.

A oscilação da reputação internacional do país já havia sido abordado pela edição mais recente do livro “Brazil, um País do Presente – A Imagem Internacional do ‘País do Futuro’”, escrito pelo autor deste blog Brasilianismo, lançada no ano passado.

A partir de trabalho de reportagem e de estudos de nation branding, competitive identity e diplomacia pública, o livro mostra que a imagem do Brasil mudou de forma surpreendentemente rápida e radical ao longo da última década. Ali vê-se que em 2010, a palavra “euforia” era a que melhor representava a forma como o mundo via o país em seu momento “bola da vez”. Hoje, tudo mudou, e a desconfiança tomou conta das interpretações estrangeiras sobre o país. Depois da euforia, veio a depressão.

Uma década de altos e baixos

O livreto sobre a oscilação brasileira ao longo da década aponta como a economia e a política evoluíram e depois perderam o rumo. Fala sobre como o Brasil impulsionou sua imagem como parte dos ascendentes BRICs e depois dos “cinco vulneráveis”. Trata ainda do quanto o governo Lula aproveitou a instabilidade na região para promover a imagem do país.

Mostra que, como seria natural, a imagem do país reflete o que acontece de fato dentro dele. E, se o Brasil passou por uma oscilação política econômica tão grande, isso acaba sendo sentido por sua reputação internacional.

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

Imagem internacional do Brasil passou de 81% positiva a 85% negativa em sete anos

“Em tão pouco tempo, o país iniciou uma trajetória ascendente, na qual assistiu à melhoria de seus indicadores econômicos e sociais, aumentou seu grau de protagonismo na arena mundial e sediou dois eventos esportivos internacionais. E também testemunhou a deterioração desses mesmos indicadores econômicos e sociais, ingressou em uma crise política sem precedentes nas últimas décadas e presenciou pela terceira vez em menos de 30 anos a posse de um vice-presidente no lugar do titular escolhido pelo voto.”

Após um panorama da história recente do país, o trabalho do IC apresenta sua pesquisa mais interessante e original – a respeito do protagonismo internacional do país.

“Assim como na economia e na política, a percepção externa em torno do Brasil também teve seus movimentos mais expressivos – positiva e negativamente – ao longo desses dez anos”, diz,

“Um importante ponto desse período foi o fato de o governo brasileiro ser visto no exterior – especialmente pelos EUA tanto de George W. Bush quanto de Barack Obama – como um contraponto ao bolivarianismo”, diz.

Mais uma vez, avaliação semelhante pode ser lida no livro “Brazil, um país do presente”, em que mostro como a imagem do Brasil conseguia melhorar a partir da comparação com outros países. Isso valia também em relação aos BRIC, já que, mesmo crescendo menos do que os outros, o Brasil era visto como menos corrupto e mais democrático do que a Rússia e a China, e menos pobre do que a Índia.

Segundo o livreto da IC, 2007 é o ano emblemático da alta da imagem do país: Ali, o país ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo e encontrou reservas de petróleo do pré-sal, abrindo caminho para, nos anos seguintes, se tornar “investment grade” e ser escolhido para sediar os Jogos Olímpicos. A crise financeira global, em 2008, impulsionaria ainda mais a imagem do Brasil, que sobreviveu sem grandes abalos enquanto as maiores economias do mundo tremiam. O Brasil “seria visto como um exemplo de resiliência em um momento desafiador”, diz.

A euforia internacional, que cresceu tão rapidamente, também não duraria muito tempo, entretanto. “Assim como se tornou consensual em pouco tempo, essa imagem positiva do Brasil foi rapidamente desconstruída”, diz.

Isso começou em 2013, segundo a IC, com os primeiros indicadores negativos da economia e o início dos protestos contra a política brasileira (incluindo governos locais e o federal).

“É irônico notar que, no momento em que o Brasil exibia um dos pontos altos conquistados na década passada – a realização da Copa do Mundo de Futebol, em junho de 2014 – o país já começava a ser visto com desconfiança lá fora”, diz.

Com as crises do ano seguinte, chegou o ponto a virada da imagem internacional do Brasil, que passou a ser majoritariamente negativa.

Apesar do mau momento atual e das crises, no país e em sua imagem internacional, o trabalho da IC alega que não há motivo para desespero. “O Brasil enfrentou crises muito mais severas em sua história recente, e certamente superará as dificuldades atuais – com o benefício das lições aprendidas nesses últimos dez anos”.

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Qualidade da imagem do Brasil no exterior despencou em 2015, diz pesquisa
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Daniel Buarque

 

Pesquisa mostra que imagem do Brasil no exterior despencou em 2015

Pesquisa mostra que imagem do Brasil no exterior despencou em 2015

O clima de desastre associado à imagem do Brasil no noticiário internacional ao longo dos últimos meses levou a uma deterioração aguda da imagem do país no exterior. A avaliação é o resultado da pesquisa “I See Brazil”, estudo realizado pela agência de comunicação Imagem Corporativa, que busca medir as percepções externas em torno do país a partir do que se lê na mídia estrangeira e do que falam especialistas no assunto. Segundo o levantamento, 2015 foi “um ano para se esquecer”.

“O retrato do Brasil como uma ‘nova potência’, ‘economia emergente de destaque’ e ‘líder hemisférico’ se desfez tão rapidamente quanto apareceu”, diz o estudo mais recente, que acaba de ser publicado.

Leia também: Em nova edição, livro analisa ascensão e queda da imagem do Brasil no mundo
seebraz2O levantamento mostrou que houve uma clara inversão no teor das reportagens publicadas sobre o Brasil desde o final de 2014. No ano, quase três quartos dos textos que falavam do país apresentaram uma percepção negativa em torno do Brasil. Foram ou 72,3% de reportagens com tom negativo, e apenas 27,7% de matérias favoráveis ao país. Segundo a Imagem Corporativa, esses resultados são praticamente o contrário do verificado em 2011, quando as reportagens positivas somaram 73,5% do total, e as negativas, 26,5%. De “país da moda”, o Brasil agora é mais associado a “país das crises”.

O Estudo avaliou 1.908 reportagens sobre o Brasil publicadas no ano passado e indica que há nítido um interesse maior sobre assuntos ligados à economia (47,33% do total). Reportagens sobre política e a crise entre os poderes Executivo e Legislativo, além de escândalos de corrupção e ameaça de impeachment aparecem em segundo lugar, com 40,15% da cobertura internacional. Temas socioambientais encolheram para 12,53% do total.

seebrazA avaliação da Imagem Corporativa também atribui uma nota para a reputação do país no exterior a partir do levantamento realizado. O índice “I See Brazil” de 2015 resultou numa nota de 1,6 ponto em uma avaliação que vai de 0 (imagem extremamente negativa) a 10 (imagem extremamente positiva). Foi o menor resultado já registrado pelo estudo – uma marca dois pontos inferior à nora obtida em 2014, que foi de 3,77.

A agência de comunicação analisa as reportagens sobre o Brasil publicadas em nove veículos internacionais de imprensa para criar o índice I See Brazil: os argentinos “Clarín” e “La Nación”, o alemão “Der Spiegel”, o espanhol “El País”, os britânicos “Financial Times” e “The Economist”, o francês “Le Monde” e os americanos “The New York Times” e “The Wall Street Journal”.

Apesar de ser um importante retrato da imagem do país no resto do mundo, é importante ressaltar que o índice é revela uma flutuação que não atinge a essência da “marca Brasil”, a reputação que o país tem consolidada na mente das pessoas no resto do mundo – com todos os seus clichês e estereótipos. Esta imagem mais aprofundada, estudada por acadêmicos que pesquisam “identidade competitiva”, não costuma flutuar com tanta facilidade, e tem uma característica mais permanente.

Leia também: Crises, corrupção e zika criam tormenta, mas não destroem imagem do Brasil

Em uma entrevista concedida no ano passado ao autor deste blog Brasilianismo, o consultor britânico Simon Anholt, principal referência em estudos de imagem internacional e “marca país”, dizia que o acúmulo de notícias negativas não afetaria a reputação do Brasil. Por mais que o noticiário dê impressão de estarmos vivendo um desastre real, ele está apenas amplificando um discurso que pode não ter um efeito real sobre a imagem da nação. O consultor é o criador do Nation Brands Index (NBI), índice que avalia a imagem de 50 países, incluindo o Brasil, no resto do mundo.

Os dados mais recentes das pesquisas deste tipo deixam bem claro que as crises pelas quais o país vem passando não afetam a marca do Brasil. Divulgado em novembro do ano passado, já em meio às turbulências econômica e política e depois da perda de grau de investimento, o NBI mostrou que o Brasil na verdade subiu uma posição no ranking global de imagens de nações, e agora é o 20º país mais admirado do mundo. A mudança foi interpretada sem euforia, já que há muitos anos o Brasil costuma oscilar entre a 20ª e a 22ª posição no ranking global de 50 países – mas a manutenção do patamar em meio à crise mostra bem a estabilidade da imagem mesmo com todo o noticiário jogando contra.

Na entrevista, Anholt explicou que as imagens internacionais dos países não costumam sofrer mudanças radicais, e disse que os estereótipos têm grande potencial de se manter fortes na forma como o resto do mundo interpreta as outras nações. Todos esses levantamentos confirmam uma tendência positiva para a “marca Brasil”, e o fato de que as crises internas, por piores que pareçam, não afetam a reputação do país no resto do mundo. A imagem do Brasil está muito ligada ao estereótipo de Brasil como país “mais decorativo de que útil”, mais “simpático” do que “admirado”, como Anholt costuma explicar. Isso porque o Brasil é visto como um “país de festa” e tem uma boa imagem em questões relacionadas a lazer e diversão, mas uma reputação fraca em assuntos sérios como política e economia.

Não se pode negar que há um impacto imediato do noticiário internacional sobre o país na forma como ele é visto no resto do mundo. A situação do Brasil é crítica, e o levantamento “I See Brazil” mostra isso. Mas é importante ter em vista o contraponto desta imagem mais fixa do país. Isso tudo indica que uma estabilização da política e da economia do Brasil no futuro pode retomar o otimismo internacional com o país, melhorando a avaliação que se faz sobre o Brasil no resto do mundo.

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Estudo mostra que imagem do Brasil no mundo tem se tornado mais negativa
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Daniel Buarque

Análises do índice I See Brazil mostra uma clara piora da imagem do país no resto do mundo desde o início de 2014.

Análises do índice I See Brazil mostra uma clara piora da imagem do país no resto do mundo desde o início de 2014.

O noticiário internacional a respeito do Brasil assumiu um tom bem negativo desde o início do ano passado. O que se percebe diariamente na leitura das reportagens que citam o país é comprovado pelo levantamento de uma agência de comunicação que faz uma contabilização bem completa das menções ao Brasil no exterior e avalia o tom geral dessa cobertura.

Segundo o índice I See Brazil, da Imagem Corporativa, a imagem do Brasil nos veículos de comunicação internacionais atingiu no início deste ano seu ponto mais baixo em anos.

O boletim dá uma nota à percepção internacional do Brasil após ponderar as avaliações da imprensa e dos especialistas internacionais. A evolução dessas notas mostram uma clara tendência pessimista, com notícias cada vez mais negativas a respeito do país desde o começo de 2014.

No início deste ano, a nota foi 1,483 em uma escala de 0 a 10. No final de 2014, a nota havia sido bem maior, 3,125, e, no início do ano passado, 3,611.

O relatório da pesquisa responsabiliza problemas ligados à política e a corrupção, além de críticas à crise econômica, que dominaram a percepção externa do país nos primeiros três meses de 2015. Além dessas questões, problemas no abastecimento de água e de energia passaram a ganhar mais atenção internacional.

Estudo da agência Imagem Corporativa prevê tempos difíceis para a imagem do Brasil no mundo

Estudo da agência Imagem Corporativa prevê tempos difíceis para a imagem do Brasil no mundo

O estudo I See Brazil destaca, entretanto, que em meio ao pessimismo em relação ao país, há um tom mais positivo na cobertura relacionada a empresas brasileiras no resto do mundo – como as aquisições e movimentações do grupo do bilionário Jorge Paulo Lemann.

Segundo a Imagem Corporativa, a desaceleração econômica, desdobramentos do caso Petrobras e a crise política devem continuar sendo os principais temas relacionados ao Brasil na imprensa estrangeira nos próximos meses. Além desses, problemas no abastecimento de água e energia, reforma política, ajustes econômicos e retração de investimentos externos também podem entrar na pauta.

O estudo leva em conta a avaliação das menções ao Brasil em oito veículos internacionais: o “Clarín”, da Argentina; “Der Spiegel”, da Alemanha; “El País”, da Espanha; o “Financial Times” e a “Economist”, do Reino Unido; “Le Monde”, da França; o “New York Times” e o “Wall Street Journal”, dos EUA.

A avaliação foi feita no primeiro trimestre e, portanto, não leva em consideração reportagens levemente mais positivas em relação ao futuro do país publicadas nas últimas semanas, nem conta com os pacotes mais recentes do governo para atrair capital estrangeiro, como o plano para investimentos em infraestrutura anunciado nesta semana. As recentes demonstrações de alinhamento do governo com os interesses do mercado podem levar as notícias de economia a assumirem uma postura menos negativa sobre o país nos próximos meses – mas ainda falta uma longa caminhada para que o Brasil chegue e níveis próximos do otimismo quase eufórico que era registrado pelos estrangeiros até 2010 e 2011.

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