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Arquivo : Council on Hemispheric Affairs

Think tank publica edição de revista acadêmica sobre política brasileira
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Daniel Buarque

Think Tank publica edição especial de revista acadêmica sobre política brasileira

Uma coletânea de trabalhos acadêmicos sobre política e presidencialismo no Brasil está sendo publicada pelo think tank americano Council on Hemispheric Affairs (Coha).

O trabalho foi editado pelo pesquisador sênior do Coha Sean W. Burges e por Tracy Beck Fenwick, ambos de origem australiana, e foi publicado na revista acadêmica “Policy Studies”.

Segundo um resumo publicado na página do Coha, o objetivo central da edição é analisar a situação política brasileira nos últimos anos, comparando os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff em diferentes áreas.

“A comparação aprofunda o entendimento do poder e influência presidenciais além da própria Presidência brasileira, já que muitas das características do governo Lula foram continuadas pelo de Dilma”, diz.

A edição especial avalia a questão do poder presidencial e da política brasileira sob várias metodologias e abordagens acadêmicas, desde a ciência política, passando por economia política, relações internacionais, sociologia e análise de políticas públicas.

A publicação reúne cinco artigos produzidos por importantes nomes da pesquisa sobre o Brasil no resto do mundo, como o próprio Sean Burges, que deu uma entrevista ao blog Brasilianismo recentemente sobre política externa, Katrhyn Hochstetler, da London School of Economics, e Timothy J. Power, de Oxford.

Com sede em Washington, DC., o Coha foi fundado em 1975 e faz um contraponto mais à esquerda dos think tanks americanos mais populares, como o Instituto Brookings e o Council on Foreign Relations –apesar de esta postura política não ser declarada ou oficial pelo instituto, que diz defender apenas a democracia e condenar regimes autoritários.

Sem fins lucrativos, o centro de pesquisas se propõe a promover interesses comuns do hemisfério e aumentar a visibilidade de assuntos regionais, além de aumentar a importância das relações inter-americanas e incentivar o desenvolvimento de uma relação construtiva entre os EUA e o resto do continente.

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Em livro, pesquisador descreve ‘jeito brasileiro’ de fazer diplomacia
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Daniel Buarque

Em livro, pesquisador descreve 'jeito brasileiro' de fazer diplomacia

Em livro, pesquisador descreve ‘jeito brasileiro’ de fazer diplomacia

A política externa brasileira busca desafiar e transformar a estrutura global de poder, sem desfazer o padrão em funcionamento em vigor no mundo atual. Este é um dos exemplos do “jeito brasileiro” de fazer diplomacia, segundo um livro recém-lançado no Reino Unido.

“Brazil in the world: The international relations of a South American giant” (Brasil no mundo: As relações internacionais de um gigante sul-americano, Manchester University Press) trata dos desafios de diplomacia do Brasil no século 21, quando o país conseguiu expandir sua ação no resto do mundo, mas acabou perdendo força por conta das crises política e econômica.

O livro é resultado de anos de pesquisa de Sean W Burges, pesquisador sênior do Council on Hemispheric Affairs, vice-diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da universidade Australian National.

A obra está dividida em três partes: uma apresentando o contexto da política externa brasileira e os desafios à ordem global; outra sobre questões relacionadas a multilateralismo, comércio e segurança; e uma terceira sobre relações bilaterais com a América Latina, os EUA e a China.

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Instabilidade do Brasil vai muito além do impeachment, dizem pesquisadoras
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Daniel Buarque

Instabilidade do Brasil vai muito além do impeachment, dizem pesquisadoras

Instabilidade do Brasil vai muito além do impeachment, dizem pesquisadoras

Dias depois da maior manifestação pública contra o governo de Dilma Rousseff, enquanto o mercado internacional já trabalha com a ideia de mudança de governo e agências de avaliação de risco político indicam que a presidente Dilma Rousseff não deve ficar mais de que dois meses no poder, pesquisadores estrangeiros começam a analisar, preocupados, o que vai acontecer com o Brasil no futuro. Segundo uma análise publicada pelo think tank Council on Hemispheric Affairs (Coha), o impeachment está longe de resolver a crise política, e a instabilidade vai muito além da saída de Dilma.

“O Brasil está entrando em um período sem precedentes, extremamente polarizado com elevada tensão política”, diz o texto assinado pelas pesquisadoras Esther Fuentes e Rachael Hilderbrand, do Coha. “Enquanto o ciclo de corrupção do Brasil continua, as demandas públicas podem mudar, mas é incerto quem irá liderar a nação, ou que opções para a mudança existem”.

Segundo elas, a situação atual do Brasil é ainda mais preocupante, tendo em conta o que aconteceria no dia após Dilma ser finalmente retirada do poder. “Considerando que os políticos da oposição foram rejeitados pelo público nas manifestações de domingo, é evidente que a instabilidade política do Brasil vai muito além desse processo de impeachment”, dizem.

“Quem, aos olhos dos brasileiros tem legitimidade suficiente para liderar o país e retirá-lo das crises política e econômica? Se ocorrer o impeachment, pode não haver um líder político para governar o Brasil no lugar de Dilma”, questionam.

O texto do Coha explica que, pela legislação brasileira, a retirada de Dilma do poder coloca o vice-presidente, Michel Temer, em seu lugar, mas que ainda há o risco de Temer ser retirado por conta do julgamento da campanha de 2014. Nesse caso, em seguida na linha de sucessão estaria o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que seria responsável por convocar novas eleições. No entanto, Cunha também é acusado na Operação Lava Jato. Se ele for processado e não puder suceder o presidente, o quarto na linha seria o presidente do Senado, Renan Calheiros, que também foi mencionado em delação premiada.

“Uma presidente supostamente corrupta pode ser cassada, as investigações sobre um ex-presidente e vários senadores proeminentes e funcionários públicos continuam, e até aqueles que continuam a oferecer alguma liderança política também são acusados ​​de corrupção”, dizem, indicando um futuro de muitas incertezas para o país.

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Analistas estrangeiros veem clima de tensão e riscos à democracia no Brasil
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Daniel Buarque

Analistas estrangeiros veem clima de tensão e riscos à democracia no Brasil

Analistas estrangeiros veem clima de tensão e riscos à democracia no Brasil

A chamada da reportagem do jornal espanhol “El País” logo na sexta-feira, dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado a depor pela Polícia Federal, já resumia o que diriam os pesquisadores internacionais ao analisar a atual situação do país: “O ‘caso Lula’ põe à prova a democracia brasileira”.

“Voltou a ressoar o fantasma do golpe”, ressalta a publicação espanholsa, indicando que desta vez a “ameaça” não vem dos quartéis, mas das operações policiais e judiciais e pela pressão de conservadores que apostam na queda do governo. “O Brasil vive um momento histórico delicado, precisa mais de bombeiros de que de incendiários, e deve prevalecer a responsabilidade de todos”, complementa.

O argumento publicado no calor dos acontecimentos pelo jornal espanhol se fortaleceu na análise mais cuidadosa de dois importantes centros de estudo nos Estados Unidos. Artigos publicados pelos “think tanks” Brookings e Council on Hemispheric Affairs (Coha) também demonstram preocupação com a saúde da democracia brasileira.

Segundo o Coha, o país está enfrentando um momento complicado na sua relação historicamente problemática com a corrupção, o que leva a uma escalada de problemas sociais e riscos.

“A crescente tensão política em torno dos escândalos de corrupção vão aumentar a pressão sobre a atual presidente Dilma Rousseff, que também enfrenta acusações por envolvimento no escândalo da Petrobras e pode sofrer impeachment. O Escândalo da Petrobras penetrou o sistema político brasileiro e representa uma ameaça à democracia do país”, avalia.

O artigo publicado pelo Instituto Brookings tem uma abordagem mais ampla, e foca não apenas na atual crise brasileira e nas notícias recentes envolvendo o ex-presidente Lula, mas na onda de transformações pelas quais têm passado vários países da América Latina nos últimos meses.

O Brookings parte de dados publicados recentemente no Índice de Democracia do Economist Intelligence Unit, que indica que a democracia está em risco em todo o continente. Segundo o estudo as crises, a instabilidade e o risco de impeachment são alguns dos pontos que fazem com que a democracia brasileira seja vista como “flawed”, com falhas.

A análise do “think tank” ressalta que os brasileiros têm participado de grandes protestos desde 2013, e que, apesar da insatisfação popular com a política, o país não tem mudado. “Sua principal demanda, por melhores condições de vida, continuam não sendo respondidas no Brasil enquanto uma crise fiscal continua”, explica.

Leia também: Recessão e impeachment derrubam Brasil em ranking mundial de democracias

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