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Com crise política, imprensa dos EUA tem pico de cobertura sobre o Brasil
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Daniel Buarque

Com crise política, imprensa dos EUA tem pico de cobertura sobre o Brasil

A crise política no Brasil e as denúncias contra o presidente Michel Temer geraram um pico no número de reportagens sobre o Brasil na imprensa dos Estados Unidos, segundo Tom Reichert, chefe do departamento de publicidade e relações públicas da Universidade da Georgia (EUA).

Em entrevista publicada pela Folha, Reichert disse que minutos antes de Temer declarar que não renunciaria ao cargo, a notícia da crise política no Brasil já era o segundo tema mais falado na mídia dos EUA. Agregadores de publicações americanas indicavam que apenas a pressão política sobre Donald Trump era mais tratado na imprensa do país.

Leia a reportagem da Folha sobre o pico de cobertura sobre o Brasil nos EUA

“Os americanos estão acompanhando o noticiário sobre a política brasileira de perto desde o ano passado”, explicou Reichert. “Agora há um pico no número de reportagens sobre o Brasil, por conta da nova crise”, complementou

O pesquisador veio ao Brasil junto com seu colega Itai Himelboim, diretor do departamento de engajamento de redes sociais e publicidade da mesma universidade, para apresentar o mais amplo estudo sobre a percepção da imprensa americana a respeito do Brasil.

Ao longo de 2016, o levantamento coordenado por eles analisou 143.549 reportagens sobre o Brasil na mídia dos EUA.

Segundo Reichert, apesar de o atual escândalo estar chamando muita atenção, e de o foco na instabilidade política levantar discussões sobre as implicações econômicas dela, há uma sensação de que pode haver finalmente uma solução para a crise.

“Depois do atual pico no noticiário, haverá uma oportunidade para mostrar o Brasil no exterior sob um enquadramento novo. Pode haver a sensação de renovação, de dar um passo adiante no sentido da busca da estabilidade e da resolução da crise”, disse.

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Brasil tem os mesmos fatores que criaram fenômeno Trump, diz Brian Winter
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Daniel Buarque

Revista americana publica especial de 50 páginas sobre como consertar o Brasil

Revista americana publica especial de 50 páginas sobre como consertar o Brasil

Brian Winter está preocupado com a crise política no Brasil. Editor-chefe da revista “Americas Quarterly” e autor de quatro livros sobre a América do Sul, ele diz que vê na atual crise um cenário parecido com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário de Donald Trump nos Estados Unidos, país onde nasceu e mora atualmente.

Em entrevista concedida ao longo de mais de uma hora em um café no bairro dos Jardins, em São Paulo, durante uma visita ao Brasil em dezembro para lançar a edição especial da revista sobre o país, Winter disse ao Blog Brasilianismo que ainda tem esperança de que a crise seja resultado de um amadurecimento do país, mas que é preciso cuidado com este risco do autoritarismo.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, Winter foi correspondente internacional no Brasil, no México e na Argentina por dez anos e escreveu livros como “Why Soccer Matters” (Por que o futebol importa), escrito com Pelé, “The Accidental President of Brazil” (O presidente acidental do Brasil), escrito com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “No Lost Causes” (Sem causas perdidas), com o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e “Long After Midnight” (Muito depois da meia noite). Ele desponta atualmente como uma das principais vozes nos Estados Unidos a analisar e comentar o que acontece no Brasil e na América Latina.

brian_winterNa longa conversa, ele falou sobre política no Brasil, mas foi além da análise sobre a atual crise e o risco de autoritarismo, tratando de corrupção, violência e da consolidação das instituições nacionais. Um dos maiores problemas da política brasileira é que as instituições estão dominadas por uma geração que deveria ter deixado o poder, e não há jovens lideranças na política do país. Questionado sobre sua aposta para a eleição de 2018, disse que vê grandes chances de Ciro Gomes crescer politicamente.

Leia abaixo a entrevista completa

Brasilianismo – Em uma reportagem da “Americas Quarterly” de agosto de 2015 você falava sobre a consolidação da seriedade e estabilidade da política brasileira ao longo de duas décadas, e do risco que a crise política representava. Hoje, depois do agravemento dessa crise, do impeachment e de um início turbulento do governo Temer, como vê essa questão da estabilidade?
Brian Winter – Estou mais preocupado agora do que estava um ano atrás. Ainda acho que é inteiramente possível que tudo isso seja parte de um processo positivo. Podemos estar vendo as dores de um avanço qualitativo na aplicação das leis, o que toda democracia precisa enfrentar. Vejo figuras do Judiciário, como o próprio Sergio Moro, e muitos outros com quem tenho tido contato. Há pessoas extraordinárias.

O desenvolvimento e progresso não acontecem de forma natural. As pessoas têm que fazer isso acontecer. Me preocupo que a destruição dessa atual guerra de poderes seja tão severa que o país fique muito vulnerável quando chegar a eleição de 2018.

O problema maior é ilustrado pelo que acontece nos EUA. Os mesmos fatores que criaram o fenômeno Donald Trump estão presentes no Brasil. Exceto que, no Brasil, as coisas estão bem piores. É fácil ver este processo que vemos agora, de guerra de poderes, levar ao aparecimento de um líder autoritário em 2018.

Brasilianismo – Uma edição especial da revista sobre o país diz que “o destino do Brasil vai depender inteiramente das decisões que estão sendo tomadas agora”. O que acha das decisões que estão sendo tomadas agora?
Winter – É difícil ver decisões corretas sendo tomadas fora do Judiciário atualmente. Há pessoas que apostaram muito dinheiro em Temer e que agora estão perdendo dinheiro. A crença de que só tirar Dilma do poder consertaria tudo de forma mágica se provou errada. Havia uma crença grande de que após o impeachment as coisas voltariam a ser como eram até 2002, e que os 14 anos de PT seriam esquecidos. Ainda acho que há chance de Temer ir bem, mas essa possibilidade está diminuindo.

Brasilianismo – Como colocar isso no contexto da decisão do STF sobre Renan Calheiros, em dezembro, que foi criticada e apontada como “prova do golpe”, do “acordão” com Supremo e tudo, e que fez com que lados opostos se juntassem em crítica ao STF. O que acha disso?
Winter – Esse é o cenário mais negativo que podemos pensar. Eu hesito em dizer isso, mas, se estivéssemos em um período anterior a 1989, os generais não já teriam tomado o poder? Eu sou totalmente a favor da democracia e não acho que eles deveriam fazer isso, mas é importante perceber que este nível de desordem institucional existiu no passado, mas que agora a intervenção militar não é uma opção. Isso que deixa no ar a pergunta ‘quem vai dar um passo à frente para corrigir esta situação?’. Meu medo é que a tentação seja de eleger alguém com instintos autoritários para assumir esta função que no passado teria sido assumida pelos militares.

Brasilianismo – A edição especial da revista fala sobre possíveis nomes para o Brasil em 2018. Bolsonaro provavelmente seria o exemplo do que você acabou de citar. Há quem fale que Moro pode se destacar dessa forma também. O que acha?
Winter – Moro não vai ser candidato. Acredito na possibilidade de outros nomes do Judiciário se destacando dessa forma, e ouvi muita gente falando em Carmem Lucia.

É difícil comentar esse tipo de coisa no Brasil por causa do que está acontecendo nos EUA. Também entramos nessa fase em que as pessoas valorizam a democracia menos do que o faziam antes, pois acreditam que o país está em crise e por isso medidas e líderes autoritários são os caminhos contra a crise. O risco de que esta mesma tendência de autoritarismo chegue ao brasil é muito elevado.

Brasilianismo – Já que você falou de Trump, como acha que a relação entre Brasil e EUA pode mudar em seu governo?
Winter – Não acho que Donald Trump deu mais do que 60 segundos da sua atenção à América do Sul. É difícil saber como a relação vai mudar na prática, mas se Trump começar uma guerra comercial com a China, o que eu duvido que aconteça, isso vai ter consequências para o Brasil. O efeito de trump no Brasil pode ser de aumentar a integração da América Latina em comércio e em diplomacia.

Brasilianismo: A ascensão de Trump pode ser um incentivo ao autoritarismo no Brasil?
Winter – Vemos na história da América Latina que as tendências globais tendem a se refletir na região, então é possível pensar que sim. Mas acredito que a democracia brasileira evoluiu de uma forma que faz com que o país não precise mais de exemplos a seguir, não precise mais aprender com os EUA o que fazer. O Brasil e a América Latina têm seu próprio centro de gravidade, ao contrário do que acontecia 25 anos atrás. Claro que há uma crise agora, mas o processo doloroso e construtivo de implementação de leis e de combate à corrupção pode ser a opção à decadência institucional e guerra de poderes que daria ascensão a um movimento autoritário.

Brasilianismo – O processo de impeachment popularizou a ideia de que “as instituições estão funcionando”, mas a crise entre poderes abriu questionamentos a isso. Matthew Taylor disse que as instituições funcionam, mas que as pessoas dentro dessas instituições estão usando as regras de forma errada. O que acha?
Winter – Quando viajo pela América Latina, vejo políticos jovens, com 30 ou 40 anos de idade, atuando de forma intensa na política local. No brasil não há ninguém assim. No Brasil não há lideranças jovens. É difícil até achar algum político ativo abaixo dos 50 anos. O governo atual é dominado por pessoas na casa do 70 anos, e isso é incrível. A forma como as eleições acontecem no Brasil dá muito poder aos partidos, e isso impede a emergência de novos partidos e novos nomes no país. São barreiras institucionais que impedem essa mudança geracional. Eu trabalhei com FHC e tenho uma relação pessoal com ele, mas o fato de o nome dele ter sido citado como uma possibilidade para uma eleição indireta é prova de total falta de imaginação e sinal do quanto o país precisa de uma mudança geracional. Ele tem 85 anos! Não existe outra solução? O fato de ele ter sido mencionado não faz sentido.

O Brasil tem instituições dominadas por uma geração que deveria ter saído de cena. O país precisa de uma mudança geracional na política. A ausência de uma nova geração na política é a grande diferença do Brasil em relação ao resto do continente. As instituições até funcionam, mas as pessoas que atuam nelas são as mesmas desde as Diretas Já. Desde antes mesmo que as instituições existissem ou funcionassem propriamente.

Brasilianismo – Entre março e abril do ano passado você deu entrevistas falando da crescente possibilidade de impeachment de Dilma Rousseff. Agora, acha que Temer termina seu mandato?
Winter – Acho que Temer vai sobreviver. Ele ainda tem muito apoio dos partidos políticos em Brasília. Estive lá e fiquei surpreso com o clima de resignação. As pessoas não estão mais mobilizadas. Não sinto o mesmo nível de rejeição e raiva que esperava. Faz sentido. As pessoas estão cansadas. A crise está entrando em seu terceiro ano. Isso aconteceu também na crise argentina. Em 2003, as pessoas odiavam Eduardo Duhalde, mas os cidadãos estavam sem energia depois de tantos protestos e mudanças no governo.

Se Temer for diretamente implicado na Lava Jato, tudo pode mudar, mas, por enquanto, acho que ele sobrevive.

Brasilianismo – E quem acha que pode substituir ele após 2018?
Winter – Se tivesse que apostar, diria que Ciro Gomes. Ele tem um pé no perfil anti-establishment, mas, na verdade é alguém que está presente na política há muito tempo. Além disso seu discurso é bem posicionado para se aproveitar da raiva da população se o país não melhorar até a eleição.

Outra opção é aparecer alguém que não está no radar até agora.

Brasilianismo – Na cobertura que a revista faz do país, qual a maior dificuldade de traduzir o Brasil para leitores no resto do mundo?
Winter – É muito difícil traduzir o país. O Brasil é um país desorientador, mas apesar de ser difícil de explicar, tem características que os americanos conseguem reconhecer, como o tamanho do território, o perfil autocentrado. Há interesse no Brasil. Vemos isso com a revista e com o site. Houve um aumento do interesse no ano passado por causa do impeachment, mas há o reconhecimento geral de que as coisas foram muito bem por um período, e estão indo muito mal agora. As pessoas estão de olho.

Brasilianismo – Como lida com a ideia de que brasileiros estão lendo e fazendo cobranças a respeito do que você escreve em inglês?
Winter – Esta semana, uma das pessoas que trabalha com redes sociais na revista me disse que nunca tinha visto ninguém ser acusado de ser tantas coisas diferentes ao mesmo tempo. Eles me chamam anti-pt, anti-tucano, de esquerda, de direita, autoritário, liberal. Espero que seja um sinal de que estou mantendo os olhos abertos e estou respeitando o país. Vivi muitos anos aqui e mantive relacionamento com as pessoas, e trabalho muito duro para acompanhar o que acontece aqui. Mesmo morando em Nova York eu ouço CBN no metrô. Eu tento ser fiel ao que acredito e tento não se partidário. Não sou a favor de nenhum partido. Acredito na democracia, na economia inclusiva, nos direitos iguais para todas as pessoas (o que me faz achar Bolsonaro detestável). Acho que o PT fez coisas boas e sei que o PSDB fez coisas ruins. às vezes eu erro, mas tento fazer o melhor possível.

Brasilianismo – Você veio ao Brasil em 2010, quando o interesse no Brasil estava em alta. Agora o país está em crise. Mudou algo no interesse internacional sobre o país?
Winter – Mudou, mas o mais importante é o que aconteceu antes disso. Em 2004, eu morava na Argentina. Recebi uma ligação de uma editora de Nova York perguntando se eu já tinha ouvido falar de Fernando Henrique Cardoso. Eles queriam um jornalista para ajudar ele a escrever um livro para o público internacional, e perguntaram se eu tinha interesse. Eu disse que sim, mas que não falava português, não conhecia bem o Brasil e nunca tinha escrito um livro. Lembrei a ele que eu morava na Argentina, e ele respondeu: “Brasil e Argentina não são basicamente a mesma coisa?”.

Este tipo de conversa não aconteceria em 2016. Nos últimos 12 anos, houve um aumento da visibilidade do Brasil e da conexão do país com os EUA. Agora é facil achar alguém nos eua que fale português e conhece minimamente o Brasil para escrever um livro assim. Isso mudou. O reconhecimento da importância do Brasil se acelerou na virada da década, e vai continuar presente, com mais pessoas familiarizadas com o Brasil.

Brasilianismo – O consultor britânico Simon Anholt dizia que a crise não mudaria a imagem do Brasil em outros países, pois o resto do mundo já via o país como sendo um país pobre. Mesmo assim o Brasil teve sua maior queda no NBI deste ano. Como acha que a crise está afetando a imagem internacional do brasil?
Winter – Agosto de 2016, de forma geral, foi ruim para a imagem do Brasil, por conta do impeachment e da Olimpíada. Acho que a Olimpíada foi boa para o país, mas as complicações que tiveram destaque na mídia podem ser ruins para a imagem. O momento atual é difícil, mas não vai durar para sempre. Se o país conseguir se recuperar nos próximos anos, sua posição em rankings assim vai melhorar. É coisa passageira.

Brasilianismo – Você escreveu sobre sua relação com o risco de violência no Brasil. Quanto a violência está conectada à imagem do Brasil nos Estados Unidos?
Winter – Muito. O Brasil é um paí muito violento, e tem coisas que parecem normais aqui que não são normais, como carros blindados, muros de 3 metros de altura com cerca eletrificada, a facilidade com que as pessoas são mortas e a falta de julgamento. Sucessivos governos desde o fim da ditadura fracassaram na tentativa em nível federal de controlar a violência. Isso acaba tendo reflexos políticos, pois a insatisfação das pessoas é com a situação de insegurança generalizada em que elas vivem. Não é uma questão fácil de lidar, mas é parte da identidade do que significa ser brasileiro e do que se pensa sobre o país no mundo.

O diretor de uma empresa de tecnologia que atua no mundo todo esteve no Brasil e visitou a Rocinha. Perguntado sobre o que achou, ele se disse surpreso com o fato de a Rocinha não ser tão pobre em um contexto global. Segundo ele, o que é sufocante é o risco de violência que se sente só de visitar o lugar. Esta é a verdadeira fonte de miséria das pessoas que vivem ali.

Brasilianismo – As pessoas têm falado sobre a corrupção no cotidiano dos brasileiros. Acha que isso é algo em que o país se diferencia do resto do mundo?
Winter – Acho que a corrupção é o estado normal dos homens, e que é preciso construir instituições e leis para retirar a corrupção da sociedade. Não acho que os brasileiros sejam naturalmente mais corruptos do que alemães ou americanos, mas que as instituições que lidam com isso ainda não foram totalmente estabelecidas aqui, como foram em outros países. Espero que isso seja que esteja acontecendo agora.

É importante perceber que há menos corrupção cotidiana no Brasil do que em outros países da América Latina. Você não vê o hábito de dar a policiais na rua 5 pesos para comprar um refrigerante como há no México, por exemplo. O que há é um sistema de corrupção que define a interação entre o setor privado e o setor público, que se tornou incompatível com a melhora das instituições jurídicas independentes. E agora chegamos ao momento de crise. A esperança é que este sistema seja reconstruído, criando uma nova forma de interação entre os setores público e privado.

Brasilianismo – Em 2010 falava-se que o Brasil se tornava um exemplo global de luta contra a pobreza e a desigualdade. isso se perdeu com a crise. Acha que o Brasil ainda é exemplo positivo de algo para o resto do mundo?
Winter – Sim, é um exemplo de tolerância. Em um contexto global, a sociedade brasileira é muito tolerante. O país recebeu muitos migrantes de forma aberta, com poucos incidentes problemáticos. Quando se vê a pluralidade da sociedade e a forma como pessoas de todas as minorias são aceitas e toleradas, percebe-se que o Brasil dá uma lição nesse sentido, apesar de haver incidentes barulhentos, e crimes de ódio contra gays. A sociedade como um todo tem uma capacidade surpreendente de assimilar. Eu senti isso quando vivi aqui. Me senti mais bem-vindo aqui do que em qualquer outro país.

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Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil
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Daniel Buarque

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

O trabalho do juiz federal Sergio Moro no combate à corrupção no Brasil tem o potencial de transformar o país, segundo análise do cientista político Robert I. Rotberg, ex-professor do MIT, presidente emérito da World Peace Foundation e fundador do Programa de Conflitos Intraestatais, Prevenção e Resolução de Conflitos de Harvard.

Em um artigo publicado na prestigiosa revista de relações internacionais “Foreign Affairs”, Rotberg analisou os possíveis impactos da Operação Lava Jato, e indicou que a luta contra a corrupção tem dado passos importantes no país.

“Pesquisas recentes realizadas por mim e por pesquisadores da Alemanha, Suécia e Reino Unido confirmam que liderança comprometida faz a maior diferença na redução da corrupção, especialmente quando ela está profundamente enraizada. Isso é boa notícia para o Brasil, onde Sergio Moro está liderando o processo contra a histórica corrupção endêmica”, diz o artigo.

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Robert Rotberg: Ação de Sergio Moro tem o potencial de transformar o Brasil

Rotberg é especialista em temas ligados a corrupção, falência de estados, governança e liderança política em nações falidas. Ele chegou a atuar como consultor do Departamento de Estado dos EUA em temas ligados à política na África.

Segundo ele, mesmo sem ser um político, as ações de Moro criaram um modelo de um tipo único de liderança que está tendo profundo impacto na forma como o Brasil lida com a corrupção.

“Por mais de dois anos, Moro, que está baseado no Estado sulista do Paraná, ouviu um caso após o outro relacionado ao roubo sistemático dos cofres nacionais. Neste período, ele prendeu mais de 40 políticos e executivos de empresas. As punições definidas por Moro estão perto de acabar com a tradição de impunidade entre a classe política do Brasil e deram esperança de reforma aos brasileiros comuns”, diz.

O artigo menciona que críticos acusam o juiz de liderar uma cruzada, mas diz que mesmo assim ele tem tido amplo apoio popular no país, o que tem evitado ações políticas para limitar o alcance da Lava Jato.

Segundo Rotberg, a grande questão é saber se a ação de Moro, mesmo que prenda mais 50 políticos, terá capacidade de fazer com que o Brasil se torne menos corrupto.

“Vai levar uma década até que se saiba isso. Por enquanto, as coisas parecem ser positivas pois a impunidade política foi eliminada e porque as ações exemplares de Moro permitem que brasileiros pela primeira vez possam demonstrar sua intolerância em relação à corrupção pública e empresarial. Foi isso o que aconteceu nos países nórdicos, na Nova Zelândia e no Canadá ao longo de muitas décadas nos séculos 19 e 20. Em cada caso, a transformação foi levada adiante por uma figura ou por figuras como Moro. O juiz com cara de nerd parece que vai realmente transformar o Brasil.”

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Riordan Roett: Eleição de Trump nos EUA pode ser positiva para o Brasil
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Daniel Buarque

Riordan Roett: Eleição de Trump nos EUA pode ser positiva para o Brasil

Riordan Roett: Eleição de Trump nos EUA pode ser positiva para o Brasil

O Brasil pode se beneficiar da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, segundo a avaliação do brasilianista Riordan Roett.

Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, o pesquisador avaliou que o fato de Trump não dar prioridade a questões relacionadas à América Latina, incluindo o Brasil, pode dar espaço para que o país se dedique a resolver seus problemas internos antes de ter que repensar a relação com a maior potência do planeta sob nova direção.

“O governo Temer tem questões internas para resolver antes da eleição de 2018. É melhor dedicar esse tempo para lidar com o ajuste fiscal e a reforma previdenciária, são políticas muito grandes e não acho que Serra queira entrar em qualquer tipo de conflito com os EUA. Sobre a crise na Venezuela, por exemplo, acho que haverá uma convergência de posições entre EUA, Brasil e Argentina”, disse Roett na entrevista.

Roett é diretor do Programa de Estudos da América Latina da universidade Johns Hopkins, em Washington, DC. Ele é autor de livros como “The New Brazil” (O novo Brasil), ”Brazil under Cardoso” (Brasil sob Cardoso) e ”Brazil – Politics In A Patrimonial Society” (Brasil – política em uma sociedade patrimonial), e recebeu a ordem de Rio Branco do governo brasileiro. Ele tem ganhado espaço na mídia internacional após comparar as propostas do presidente eleito dos EUA para a economia ao que foi feito pela ex-presidente Dilma Rousseff no Brasil.

“Os mais ricos ficarão bem sob o governo Trump e isso ocorreu com a Dilma. A ideia de grandes projetos de infraestrutura, que era muito presente sob Dilma, embora ela não tenha feito muito, também é um tema de Trump, que fala em criar empregos e reformar estradas e aeroportos. A questão é sempre o financiamento, que foi um grande problema para Dilma, porque ela gastou mais do que tinha. O grande temor é que isso é exatamente o que Trump fará, gastar mais do que arrecada com impostos, colocando pressão no balanço da conta corrente e possivelmente levando à alta da inflação. Dilma defendia um governo grande, e enquanto os republicanos falam em encolher o papel do governo, na verdade Trump também parece caminhar para o oposto, dizendo que o governo vai resolver problemas de infraestrutura, substituir o Obamacare, etc.”, explicou.

Apesar da comparação em tom negativo, Roett defende que não se deve dar espaço ao pessimismo na avaliação da situação brasileira. Em entrevista a este blog Brasilianismo em maio no ano passado, Roett avaliava que país já demonstrou historicamente que é um paciente resistente, que aguenta forte as aflições da sua política e economia. Se tudo parece muito ruim, ele se diz ainda otimista com o Brasil e a solidez das suas instituições. “O momento atual é de descer ladeira abaixo, mas eu conheço o Brasil há muitas décadas, e o país sempre se levanta depois de crises assim. O Brasil sempre sobrevive.”

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Evento celebra brasilianista que profissionalizou ensino econômico no país
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Daniel Buarque

Evento celebra brasilianista que profissionalizou ensino econômico no país

Evento celebra brasilianista que profissionalizou ensino econômico no país

O brasilianista Werner Baer, morto em março, transformou o ensino e a pesquisa de economia no Brasil.

Por meio de trabalhos realizados no país a partir dos anos 1960, ele ajudou a moldar a estrutura do ensino e pesquisa econômicos nacionalmente, estabelecendo as bases para o que existe até hoje. Ao longo de cinco décadas, orientou e formou dezenas de profissionais, deixando como legado uma genealogia que aponta a existência de mais de 1.700 herdeiros acadêmicos do seu trabalho.

A atuação analítica de Baer já havia sido mencionada neste blog Brasilianismo após sua morte. Em entrevistas realizadas ao longo da última década, ele se mostrava sempre equilibrado e distante dos radicalismos que cercam a análise das oscilações das finanças do país.

Em um seminário dedicado a celebrar sua importância para a economia brasileira e a partir dos seus estudos para pensar saídas para a atual crise brasileira, alguns dos nomes mais importantes da pesquisa econômica do país destacaram a importância de Baer, que abriu horizontes do estudo acadêmico do Brasil e deixou um legado marcante nas universidades nacionais.

Realizado na quinta-feira (29/09) em um auditório do Senado, em Brasília, o Seminário de Economia Brasileira em Homenagem ao professor Werner Baer ganhou o título “E agora, Wener?”, numa busca por respostas para resolver problemas atuais da economia a partir do seu trabalho. Além de um panorama crítico da situação atual, com indicações de possíveis caminhos para uma retomada da economia, os palestrantes ressaltaram a importância histórica de Baer para o país.

Arquiteto da formação

“Ele criou a profissão de economistas profissionais no Brasil”, segundo Claudio de Moura Castro. Baer foi o arquiteto da máquina administrativa de formação de economistas, disse.

Sua atuação como pesquisador estrangeiro no país abriu horizontes e revolucionou o pensamento econômico brasileiro ao mudar a abordagem dos estudos dessa área e passar a cobrar pesquisas baseadas em números, o mundo real, além da teoria.

O professor Werner Baer (Ryan Fang/Universidade de Illinois)

O professor Werner Baer (Ryan Fang/Universidade de Illinois)

“Até os anos 1960, a formação dos economistas era baseada em economia política. Estávamos em Aristóteles, com boas ideias e teorias. Ali, passamos ao empirismo”, explicou Castro.

Decano entre os participantes do evento, Paulo Haddad explicou que até a chegada de Baer no Brasil, apenas um terço do que os estudantes de economia estudavam no país era realmente economia. “Todo o resto era dominado por outros temas, como direito e contabilidade.”

Segundo ele, a profissão de economista no Brasil é fruto de um projeto, e o professor Baer foi importante nisso, ajudando a implementar a Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec). “Ele construiu um projeto de modernização do ensino e pesquisa de economia no Brasil”, disse Haddad.

Além do projeto local, Baer ajudou a desenvolver a estratégia de formar brasileiros no exterior para que desenvolvessem a área no Brasil.

Assim como demonstrou em sua avaliação mais recente sobre a economia brasileira, Baer também atuou para impulsionar a democracia de pensamento econômico do país, formando linhas variadas de pesquisas econômicas, segundo Haddad. Isso permitiu que as universidades nacionais atuassem em várias frentes e com diferentes doutrinas de pensamento econômico.

Seu trabalho para profissionalizar o estudo de economia no país acabou tendo um efeito nacionalizador, o que fez com que os brasilianistas passassem a ter um papel secundário, explicou Castro. Com o aumento no número de pesquisas “made in Brazil”, se tornaram menos importantes os estudos como o que ele mesmo fazia, com base internacional.

“Até ele, os estrangeiros lideravam estudos sobre o Brasil, mas ele puxou o tapete de gente como ele mesmo”, disse Castro.

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Com várias passagens pelo Brasil, Baer foi professor de economia da Universidade de Illinois e autor de uma das principais obras internacionais sobre a economia brasileira: ”The Brazilian Economy”, cobrindo todo o desenvolvimento econômico do país desde períodos coloniais até o século XXI. Formado no Queens College e com mestrado e doutorado em Harvard, ele viveu no Rio de Janeiro e em Portugal, e recebeu título de doutor honoris causa de universidades como a Federal de Pernambuco e a do Ceará. Depois de ter começado sua carreira acadêmica pesquisando a Alemanha e Porto Rico, Baer se voltou para o Brasil no início dos anos 1960, discutindo relações entre inflação e crescimento econômico. Ele estudou ainda questões de nacionalismo brasileiro, desigualdades regionais e especialmente a industrialização do país.

Durante cinco décadas ajudando a desenvolver o estudo de economia no Brasil, Baer teve 107 alunos brasileiros nos Estados Unidos e orientou a formação de 86 doutores em economia.

Após sua morte, Baer tem 1.788 sucessores no Brasil atual, segundo uma análise de pesquisas realizadas entre 1990 e 2010, que mostra que ele deixou legado de “filhos”, “netos”, “bisnetos” e até “trinetos” acadêmicos.

O levantamento realizado por Eduardo Amaral Haddad, que também estudou com o brasilianista, traça a genealogia acadêmica de Baer, que deixou estas gerações de economistas brasileiros, sendo 107 “filhos acadêmicos”, 917 “netos”, 693 “bisnetos” e 71 “trinetos”.

E agora?

Após a celebração da importância histórica e do legado do brasilianista, o seminário se voltou especialmente a tentar traçar caminhos a partir da obra de Baer para que o Brasil possa sair da atual crise econômica.

Segundo a ex-ministra Dorothea Werneck, o idealismo de Baer fez a atuação de economistas no país avançar muito desde os anos 1970, mas continua havendo uma batalha nos dias de hoje porque as visões acadêmica e tecnocrata da economia continuam muito separadas.

“É preciso aproximar os dois para que a academia contribua para políticas públicas”, disse, ressaltando que no setor público, a velocidade dos projetos é muito maior, mas que a academia precisa formar gestores públicos.

Werneck criticou a crescente partidarização do serviço público no país, defendeu uma busca por maior eficiência do estado e propôs que a saída da atual crise depende de um tripé baseado em equilíbrio fiscal (receitas e gastos), volta ao federalismo e um trabalho para liberalizar regulamentações e burocracias.

Apesar da forte recessão no país, José Márcio Camargo defendeu que o governo de Michel Temer tem uma linguagem mais próxima da realidade dos economistas do que o da ex-presidente Dilma Rousseff, o que dá um pouco mais de previsibilidade.

Ainda assim, Camargo criticou problemas estruturais que tornam o Brasil “um inferno fiscal, trabalhista e de produtividade”, o que afasta investidores

Para Edmar Bacha, a única alternativa possível para a crise é integrar a economia brasileira ao mundo. “O Brasil é um dos países mais fechados do mundo”, criticou, indicando que o país tem a 7ª maior economia, mas apenas o 25º maior exportador.

Ele admite que o argumento pela integração é complexo, e “há oposição de interesses locais, pois os benefícios são de longo prazo, mas os custos são imediatos. Não o fazer, entretanto, é uma leitura simplista da história do país.”

Mesmo sem uma receita óbvia para que o país se recupere da crise atual, o evento serviu para mostrar a importância de Baer na formação dos que pensam sobre a situação econômica do Brasil. Em um seminário marcados por momentos de forte emoção e nostalgia por parte dos participantes, o brasilianista e seu legado foram celebrados como uma base do pensamento econômico nacional.

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James Green: Impeachment é parte de programa contra conquistas da esquerda
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Daniel Buarque

James Green: Impeachment é 1º passo de programa para desfazer conquistas da esquerda

James Green: Impeachment é 1º passo de programa para desfazer conquistas da esquerda

O impeachment de Dilma Rousseff pode ser o primeiro passo de um programa para desfazer as mudanças alcançadas pela esquerda no Brasil, segundo o historiador americano James Green.

Em um artigo publicado no site da organização North American Congress on Latin America (Nacla), Green analisa o processo político que levou à eleição e ao fim do mandato de Dilma e indica que o país pode passar por uma virada radical no projeto político iniciado com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Segundo Green, além do impeachment, o programa dos conservadores na política brasileira prevê barrar Lula de ser candidato em 2018 e o encolhimento dos programas sociais existentes, das proteções trabalhistas e dos benefícios da previdência social. Além disso, diz, o novo governo quer abrir ainda mais a economia para investimentos estrangeiros, privatizar estatais e expandir a exploração de petróleo por multinacionais.

“Na semana após o impeachment, forças contra o governo Temer começaram a se juntar em grandes protestos públicos. Eleições municipais serão realizadas em outubro e testarão a força de diferentes partidos políticos, e e expectativa é que a esquerda perca espaço. A ex-presidente Dilma pediu que fossem realizadas novas eleições diretas, o que parece improvável, e Lula propôs a formação de uma aliança de esquerda para a eleição de 2018. Ativistas, estudantes e muitos jovens parecem energizados e continuam fazendo oposição às medidas do novo governo. O que vai acontecer no futuro próximo, entretanto, é difícil de adivinhar”, diz o artigo.

Green estuda a política brasileira há mais de três décadas e consuma ser considerado próximo à esquerda brasileira. Em entrevista à BBC Brasil, em março, disse que o impeachment seria um atentado contra a democracia brasileira. Além disso, ele criou um manifesto assinado por um grupo de estrangeiros que estudam o Brasil em universidades do exterior contra o que veem como uma ”séria ameaça” à democracia na crise do país.

Ele é professor de história e estudos brasileiros na universidade Brown, nos EUA, morou oito anos no Brasil nos anos 1970 e presidiu o New England Council on Latin American Studies (Neclas). É autor de ”Apesar de vocês: Oposição à ditadura brasileira nos Estados Unidos, 1964-1985″ (Cia. das Letras), obra em que revela um movimento desconhecido da maioria dos brasileiros, contradizendo a visão geral de que os EUA apoiaram integralmente o regime militar.

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Kenneth Maxwell: Importância do Brasil vai além de euforia e depressão
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Daniel Buarque

Kenneth Maxwell: Importância do Brasil vai além de euforia e depressão

Kenneth Maxwell: Importância do Brasil vai além de euforia e depressão

O Brasil importa, diz o historiador norte-americano Kenneth Maxwell em um artigo publicado no jornal “Valor Econômico”.

Enquanto os Jogos Olímpicos começam no Rio de Janeiro e o mundo começa a prestar mais atenção ao país que tinha tudo para se destacar, mas começou a enfrentar uma grave crise, é importante fugir dessa característica pendular da forma como o Brasil é visto, e encarar a realidade longe de euforia e de depressão.

“Ao olhar para o Brasil de fora, entretanto, é sempre importante evitar extremos”, defende o fundador do programa sobre Brasil na Universidade Harvard, diretor de estudos sobre a América Latina no Council on Foreign Relations, em Nova York, e autor de livros sobre o Brasil, como “A Devassa da Devassa” (Paz e Terra).

Leoa também: Em nova edição, livro analisa ascensão e queda da imagem do Brasil no mundo

“O Brasil nunca esteve ‘com tudo’, como muitos proclamaram há não tanto tempo durante os anos de auge do presidente Lula, quando a China não parava de comprar commodities e outros produtos de exportação brasileiros, quando parecia que novos recursos petrolíferos marítimos promoveriam um futuro brilhante, quando o Brasil parecia criar alianças com as novas potências promissoras do mundo, como parte da parceria estratégica dos países do Brics, e quando Venezuela, Bolívia e Argentina prometiam uma nova união regional para conter a influência dos Estados Unidos no hemisfério Ocidental. Por outro lado, agora o Brasil tampouco está “com nada”, destinado ao isolamento e à insignificância”, diz.

A análise faz parte de uma interpretação comum á academia internacional voltada ao Brasil. A imagem do país parece sempre oscilar entre a euforia e a depressão exageradas, enquanto o país de fato, real, é muito mais complexo.

Kenneth Maxwell: Brasil enfrenta grave crise existencial em sua política

O historiador Kenneth Maxwell

O próprio Maxwell indicou isso em uma entrevista concedida à BBC Brasil, em março deste ano.

“A imagem internacional do Brasil não poderia estar pior. A imagem do Brasil tende a ir da euforia às previsões de desastre. Na realidade ,nunca é tão boa ou tão ruim, e o Brasil é um país vasto onde algumas coisas funcionam bem e onde há uma esperança permanente no futuro. Mas atualmente é muito difícil encontrar algo positivo em meio ao tsunami de notícias ruins”, disse então.

Falou de forma parecida também em julho, em entrevista à revista “Época”, quando ressaltou que a situação do Brasil passa por fluxos constantes que se alternam entre esperança e desespero, e que é importante ter uma perspectiva de mais longo prazo.

“Quando as pessoas escrevem livros sobre o Brasil, eu as aconselho a não escrever que o Brasil está em ascensão ou em queda. Porque, senão, o livro ficará desatualizado quando for publicado. O Brasil tem de abandonar essas ideias de que é o país do futuro ou o país que nunca vai para a frente. O Brasil é um país grande e complicado e tem um sistema político muito complexo, com vários interesses envolvidos. O Brasil vai sobreviver a este momento de depressão”, disse.

Para uma análise mais sóbria do momento atual, Maxwell se volta, no artigo do Valor, ao resto do mundo, onde tambem há graves crises e incertezas como o “brexit” na Europa e a candidatura de Donald Trump à Presidência dos EUA.

“O Brasil decididamente não é o único. Muitos países enfrentam graves problemas, em especial nas democracias avançadas, onde há grande divisão separando as elites políticas da massa da população e há enormes deslocamentos das placas tectônicas dos assuntos internacionais, sem nenhuma indicação clara sobre o que o futuro nos reserva”, explica.

Ainda assim, o historiador diz que o Brasil precisa encontrar um novo papel no mundo.

“Um papel que seja desprovido de presunções e realista nas aspirações. É importante, contudo, reconhecer que o Brasil não vai desaparecer. Isso é certo. E as riquezas da cultura brasileira, de seus recursos, de sua população, assistida e educada apropriadamente por um governo democrata responsável – que é, sempre deve ser lembrado, o maior feito do Brasil – e de sua vasta beleza natural ainda têm muito a oferecer ao mundo.”

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Corrupção ajuda ‘brasilionários’, diz autor de livro sobre ricos do Brasil
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Daniel Buarque

Corrupção é importante para ‘brasilionários’, diz autor de livro sobre ricos do Brasil

Capa do livro sobre ‘brasilionários’, de Alex Cuadros

O jornalista americano Alex Cuadros usa uma palavra nova no título do seu livro: “Brazillionaires”. Mistura dos termos em inglês para “brasileiros” e “bilionários”, já que os megarricos do país emergentes são o tema central da sua obra lançada nos EUA neste mês – algo como “brasilionários: riqueza, poder, decadência e esperança em um país americano”.

O livro tem como foco a ascensão desse grupo e a euforia econômica vivida pelo país no fim da primeira década do século, quando o Brasil crescia, abria oportunidades e parecia caminhar para a glória. Cuadros se mudou para o Brasil em 2010, e foi encarregado pela agência de notícias de economia “Bloomberg” de cobrir este grupo de bilionários que crescia.

Em entrevista ao blog Brasilianismo, direto de Nova York, mas falando português fluente, Cuadros explicou que a crise econômica ajudou a moldar o ciclo de empolgação de que trata sua obra, e explica o que faz com que os ricos do Brasil mereçam um tratado próprio. “A relação entre bilionários e o Estado brasileiro ajuda a entender como o Brasil chegou onde chegou”, disse.

Alex Cuadros, autor do livro "Brazilionaires"

Alex Cuadros, autor do livro “Brazillionaires”

Segundo ele, por conta da maior presença do Estado na economia brasileira, contratos com o governo acabam tendo uma importância maior para os bolsos desses bilionários do país. Além disso, a importância de contratos estatais também tornam a corrupção mais presente no Brasil. “A corrupção era uma precondição de negócios”, explicou.

A entrevista tratou ainda do impeachment de Dilma Rousseff (que Cuadros diz não achar que é um golpe), da perda de força política do PT, da ascensão e queda de Eike Batista, da forma como os brasileiros veem os bilionários e sobre a perspectiva para os Jogos Olímpicos no país.

Leia abaixo a entrevista completa

Brasilianismo – Como os bilionários brasileiros se diferenciam de outros no resto do mundo?
Alex Cuadros – A natureza do bilionário é algo que não é nacional. É quase universal. O instinto que leva uma pessoa dessas a criar um império não é algo único do Brasil ou de outro país.

O que acontece no Brasil é que o Estado sempre teve um papel maior na economia brasileira de que nos EUA, por exemplo, então há mais oportunidades para fazer fortuna com base em contratos com o governo.

Essa relação entre poder econômico e poder político é uma versão mais extrema de uma relação que naturalmente existe em muitos países. Nos EUA existe Wall Street, que, igual a empreiteiras do Brasil, sempre doou dinheiro para campanha de políticos de todos os lados do espectro ideológico, e teve sucesso em influenciar as políticas públicas, por exemplo na desregulamentação da indústria financeira, e conseguiu evitar ações jurídicas mais fortes por parte do governo contra eles.

Brasilianismo – A corrupção é fator importante para a existência dos bilionários brasileiros?
Alex Cuadros – Sim , a corrupção é um fator importante na composição dos bilionários do país.

A corrupção era uma precondição de negócios, que todos cometiam, e seria interessante saber o quanto da riqueza se deve ao talento empresarial dessas famílias. É difícil dizer se veríamos nomes diferentes na lista dos mais ricos da revista “Forbes”, caso o Brasil tivesse melhores controles de corrupção ao longo desses anos todos. Seria interessante descobrir o diferencial dessas famílias.

Estamos vendo agora comprovadamente que sistematicamente se usou a corrupção como parte do modelo de negócios. A Odebrecht tinha um departamento de propina. Essas famílias: Odebrecht, Camargo Correia, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS, são algumas das mais poderosas do país.

Brasilianismo – Como a corrupção está ligada à existência de bilionários e as desigualdades no Brasil?
Alex Cuadros – A corrupção, pagamento de propinas, não aparece tanto em um país como os EUA porque o país criou as instituições necessárias para controlar isso, então a corrupção existe em um grau diferente.

A corrupção do processo democrático, a forma como as empresas influenciam a política com o dinheiro de forma legal, existe em graus diferentes em cada lugar. Se vai acontecer, que seja não com dinheiro desviado dos cofres públicos, para que os eleitores possam tomar decisões com base nas relações que consegue ver.

Brasilianismo – Você começou a escrever o livro em uma época em que a economia brasileira crescia e prometia muito. Como a crise atrapalhou seu projeto? O que mudou?
Alex Cuadros – A crise é horrível para o país, mas foi conveniente para o livro, pois ele descreve um ciclo se fechou – os anos de euforia dos anos PT.

Fechei o contrato do livro em 2013, quando já estava evidente que o sonho brasileiro tinha problemas. Na época, não imaginava o quanto a economia ia decair, e o quanto o sonho ia basicamente morrer. No fim, acho que é coerente, pois o que já planejava escrever no livro, que era a relação entre bilionários e o Estado brasileiro ajuda a entender como o Brasil chegou onde chegou

Brasilianismo – Como é essa relação entre bilionários e o Estado no Brasil, e como ela explica a crise?
Alex Cuadros – O mais interessante da ascensão do PT é a contradição interna do partido, entre uma ideologia que supostamente é de esquerda, que se preocupa com a redistribuição, e seu grande apreço pelo desenvolvimentismo, que se baseia em transferências regressivas. Foi muito mais deletério para a economia o fato de Dilma ter dado desonerações fiscais de centenas de bilhões de reais e empréstimos do BNDES do que ter mantido a Bolsa Família ou elevado ao salário minimo.

A outra contradição é que é um partido que diz prezar pela igualdade política, mas que se aliou com o velho estalishment politico e famílias bilionárias que pertencem à pior tradição brasileira de uso do Estado para fins privados – como Camargo Correia e Odebrecht. Essa contradição acabou destruindo o movimento que eles estavam tentando fazer. O pragmatismo que tiveram em busca do desenvolvimento foi levado longe demais, e culminou na crise atual.

Brasilianismo – Os defensores de Dilma chamam o impeachment de golpe. Como você vê relação da ordem econômica, política e legal do Brasil com a atual crise no país?
Alex Cuadros – Não concordo com o uso do termo golpe para o impeachment. Acho que chega a ser ridículo o PT se colocar dessa forma, criar essa narrativa de que o partido é vitima das elites, quando na verdade fez alianças com essas elites e se converteu numa elite dentro do Brasil.

É logico que o establishment politico a certa altura abandonou o PT. O empresariado é pragmático. Ele vai se aliar ao governante que lhe pareça mais conveniente, que crie as condições necessárias para ele ganhar dinheiro. Por muito tempo, foi o PT, e o empresariado estava muito feliz com o PT. Mas é muito simplista dizer que o PT é vitima de um golpe. Eles cometeram erros políticos, econômicos e morais muito importantes. O que eles estão sofrendo é fruto disso. Isso não livra quem vem depois da possibilidade de crítica também. Não é que o PT tenha sido substituído por alguém mais limpo.

Brasilianismo – No fim da década passada, Eike Batista era um símbolo do sucesso econômico do Brasil. Como você acha que a derrocada dele está associada à crise no brasil?
Alex Cuadros – O grande sucesso do Eike foi se apropriar da euforia que havia sobre as perspectivas econômicas do Brasil. Não é coincidência que ele tenha começado a cair na mesma época em que a economia do Brasil. A imagem dele dependia muito da ideia de que o Brasil era uma nova potência mundial.

A queda do Eike me parece mais definitiva do que a do Brasil. O Brasil é maior do que ele. Eike tinha muitos fatores dele. Ele não era só um espelho do Brasil. Era um personagem típico dos empresários dos EUA, grandes vendedores de sonhos. A bolha dele se parece com várias bolhas ao longo da história do capitalismo americano, como a de 2000 e a de 2008.

Não julgaria o futuro do Brasil com base no fracasso do Eike.

Brasilianismo – O livro fala sobre como Eike representa as tensões e contradições da forma como pensamos sobre o papel da riqueza na sociedade. O que isso quer dizer?
Alex Cuadros – Ele foi uma figura muito interessante, pois vendeu a ideia de que era um empresário diferente, que destoava de Sebastião Camargo, Odebrecht e outros que sempre dependeram de capital estatal e contratos públicos. Ele teve muito sucesso vendendo a ideia de que era um ‘self-made man’. Mas, no fim, essa narrativa era problemática. Ele era filho de um ex-ministro, se beneficiou dos contatos dele. E levantou dinheiro no mercado privado, mas também buscou contratos com o governo e foi beneficiado com enormes empréstimos do BNDES.

É uma figura muito contraditória, mas são contradições muito comuns em bilionários, sempre em graus diferentes. A narrativa de sucesso que se cria levaria as pessoas a acreditar que foi so mérito da pessoa que alcançou a riqueza, o que nunca é totalmente verdade. Sempre há relações com o governo, uso do dinheiro para influenciar a política pública. Dessa forma, me pareceu emblemático não só de uma confusão sobre o empreendedorismo no Brasil, mas em outros países, como os EUA.

Brasilianismo – No Brasil existe uma cultura diferente da americana, em que se critica critica mais abertamente a riqueza. Como isso influencia a importância dos bilionários no país?
Alex Cuadros – Os brasileiros têm algumas ressalvas, sim. Nos EUA, temos uma mitologia forte, do menino pobre que vira rico, o ‘self-made man’. Vemos o dinheiro como sinal de sucesso mais do que o Brasil.

No Brasil, por conta dessa relação muito forte entre riqueza, corrupção e ligações com o Estado, se tem uma ideia diferente da riqueza. Ela é vista como algo naturalmente sujo, ou vergonhoso.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas no Brasil admiram os bilionários – e vemos isso nas capas das revistas de negócios do país, mostrando as pessoas colocadas em pedestal. Muitos brasileiros acham que, nesse país corrupto, os únicos que fazem a coisa certa são os empresários.

Brasilianismo – O que mudou na sua forma de pensar sobre os megarricos enquanto escrevia o livro?
Alex Cuadros – Entrei com uma mente aberta no tema, tentando conciliar os clichês sobre eles dos dois lados. Minha conclusão cai no meio dos dois extremos. Não acho que sejam nem maus nem os responsáveis por todo o progresso da sociedade. São parte da estrutura que temos da economia de livre mercado, mas quando concentram muito dinheiro e controle sobre certa parte da economia acabam sendo perigosos para a democracia e para a própria economia. Quando chega a ser um monopólio, distorce o funcionamento do livre mercado. E quando usam o dinheiro para influenciar o processo político criam um problema para a democracia.

Brasilianismo – Em uma entrevista recente você pareceu otimista em relação à Olimpíada. O noticiário internacional está sendo muito negativo, entretanto. Como acha que os Jogos podem afetar a imagem do Brasil?
Alex Cuadros – Não diria que sou otimista. Acho que o evento em si vai rolar sem maiores problemas. Havia receios parecidos na Copa de 2014, de que ia ser um desastre logístico, com problemas de violência. Acho que esses receios são exagerados agora também.

O tema mais importante é o custo de montar este evento e se fazia sentido gastar dinheiro com o Parque Olímpico quando a população tem necessidades muito mais urgentes, como saneamento básico. O problema é saber o que vai acontecer depois que o evento acabar. Tenho medo do que vai acontecer até o fim do ano, depois das eleições de outubro.

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Morre Thomas Skidmore, brasilianista ‘midiático’ que virou ‘obrigatório’
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Daniel Buarque

Morre Thomas Skidmore, pesquisador brasilianista que virou 'obrigatório'

Morre Thomas Skidmore, pesquisador brasilianista que virou ‘obrigatório’

O brasilianista Thomas Skidmore, um dos mais proeminentes historiadores estrangeiros a tratar do país, morreu no último sábado (11), nos Estados Unidos, aos 83 anos. A informação foi confirmada por seu amigo, e também brasilianista, James Green – e publicada nos principais veículos de comunicação do Brasil.

Sua obra tornou-se leitura obrigatória para qualquer pessoa que quisesse entender como os americanos viam o Brasil, segundo o professor Green.

De fato, Skidmore deve ter sido o primeiro grande brasilianista midiático no próprio Brasil. Ele se tornou por muito tempo até mesmo sinônimo de “brasilianista” na mídia brasileira, símbolo do observador externo que analisa o país, e que acaba aguçando a curiosidade dos brasileiros por saber o que os estrangeiros pensam do Brasil.

Uma evidência dessa importância dele para o Brasil tentar entender a si mesmo foi revelada por um outro pesquisador estrangeiro que estuda o país. Em conversa off the records com o autor deste blog Brasilianismo, em 2014, o historiador de Oxford comentava o grande interesse nacional pela opinião de estrangeiros.

“Eu pego um grande jornal brasileiro, e lá está a manchete: ‘O Brasil está bem, ou está mal, diz Skidmore’. Por que diabos os brasileiros se importam tanto pelo que Skidmore e todos nós, estrangeiros, dizemos?”, questionava, destacando a relevância do colega.

Isso se comprova também pelo fato de que o pesquisador foi citado pela “Folha” mais de 150 vezes somente nos últimos 20 anos – sem contar as vezes em que apareceu no “Globo” e no “Estadão”.

Skidmore foi um dos mais destacados de uma geração de acadêmicos que foram incentivados pelas universidades americanas a estudar o Brasil nas décadas de 60 e 70, e deixou um rico legado intelectual dos seus estudos sobre a política, a sociedade e a cultura do Brasil.

O brasilianista foi professor emérito da Universidade Brown. Segundo a “Folha”, Skidmore tinha o mal de Alzheimer. Ele estava afastado da vida pública desde 2009, quando começou a ter dificuldades para se locomover e passou a viver num asilo perto da casa de praia da família na cidade de Westerley, na costa leste dos EUA.

A morte de Skidmore foi a segunda grande perda recente para os estudos brasileiros no exterior. Em abril, morreu o brasilianista Werner Baer, importante economista que, equilibrado, analisava o Brasil sem cair em exageros simplistas.

Depois de terminar seu doutorado em Harvard, em 1960, Skidmore recebeu uma bolsa de estudos para realizar pesquisas no Brasil. Seu trabalho se transformou no livro “Politics in Brazil: 1930-1964, An Experiment in Democracy”, publicado em 1967 e lançado no Brasil com o título “Brasil: de Getúlio a Castelo”.

Em uma entrevista à “Folha”, em 2012, Skidmore contou ter sido uma das primeiras pessoas a saber que o golpe militar de 1964 havia sido bem sucedido. Ainda na noite de 31 de março de 1964, o professor jantava com o então embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, que foi um ativo participante da conspiração que levou à derrubada do presidente João Goulart. “Ele foi passar um telegrama para [o presidente dos EUA] Lyndon Johnson contando as novas e pedindo que o governo americano reconhecesse o novo regime”, revelou Skidmore à Folha. “Ele disse que tinha ganhado.”

Em depoimento sobre a morte do célebre brasilianista, o professor James Green, que assumiu a cátedra do professor Skidmore na Universidade Brown depois da sua aposentadoria, em 1999, ressaltou o quanto Skidmore foi importante para os estudos brasileiros no exterior.

“Skidmore virou o clássico brasilianista. Tinha um talento especial para comentar a situação política com ironia e humor. Suas opiniões sobre fatos contemporâneos sempre continham uma crítica velada ao regime militar”, disse.

Segundo Green, ele representava uma geração de estudiosos dos Estados Unidos que descobriram a América Latina no período após a Revolução Cubana e dedicaram as suas vidas acadêmicas analisando e interpretando as complexidades do continente para um público norte-americano – a geração acabou apelidade de “filhos de Castro”.

Apesar de ser criticado como observador externo da ditadura e por ter tido informações sobre o golpe militar de 1964, em 1970, juntou-se à campanha de denúncia da tortura e repressão no Brasil, apresentando uma resolução no 2º Congresso da Associação de Estudos Latino-Americanos, em Washington, criticando o apoio norte-americano aos generais no poder.

“Eu o visitava uma vez por mês para conversar sobre o seu país adotivo. Ele conseguiu acompanhar a política brasileira até a sua morte”, disse Green.

“Amava o Brasil e tinha uma capacidade única de entender as complexidades políticas, sociais e culturais do país. Deixou um grande legado, que seus alunos e seguidores intelectuais vão continuar. Respeitava profundamente o Brasil e o seu povo, apesar de tudo.”

Skidmore doou sua coleção de 6.000 livros sobre o Brasil à biblioteca universitária.

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Alvaro Vargas Llosa: Chamar impeachment de golpe é ofensa a ‘vítimas reais’
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Daniel Buarque

Alvaro Vargas Llosa: Chamar impeachment de golpe é uma ofensa

Alvaro Vargas Llosa: Chamar impeachment de golpe é uma ofensa

Tratar o afastamento da presidente Dilma Rousseff durante o processo de impeachment como um golpe de Estado é uma ofensa às incontáveis vítimas de golpes de verdade na história das repúblicas da América Latina, defendeu o historiador e analista político peruano Alvaro Vargas Llosa, em artigo publicado na revista norte-americana “The National Interest”.

“Nenhuma lei foi violada, nenhum princípio constitucional foi quebrado e não houve uso da força em seu afastamento”, justifica Llosa.

Leia também: Impeachment não vai ser incluído em banco de dados sobre golpes no mundo

Segundo ele, por mais que o governo de Dilma tenha arruinado a economia, sobretaxado empresas e perdido controle da inflação, não havia um motivo real para justificar um golpe, pois “são pecados típicos do populismo latino-americano”, diz.

A crítica ao discurso de que o impeachment é um golpe não é surpresa vinda do analista que assina o texto. Llosa é um comentarista tradicionalmente associado ao pensamento neoliberal, e forte crítico à esquerda latino-americana, especialmente a ligada ao regime cubano. Ele é autor de um livro que traça o perfil do “perfeito idiota latino-americano”, um personagem caricato que simbolizaria esses movimento de esquerda da região.

A avaliação de Llosa surpreende, no entanto, ao indicar que apesar de não ter havido golpe, houve uma “traição” à presidente afastada.

“Seu vice-presidente, Michel Temer, que assumiu o governo dentro da lei, a traiu, assim como muitas organizações. E seim, houve um elemento de vingança política no ar quando muitos políticos d eoposição, que estão eles mesmos sob investigação, ajudaram a tirá-la do poder com discursos vazios”, diz.

A esperança, segundo Llosa, é de que Temer assuma um papel parecido com o do ex-presidente Itamar Franco, que assumiu após o impeachment de Collor e aceitou ser presidente por pouco tempo.

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