Brasilianismo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br Daniel Buarque é jornalista e escritor com mestrado sobre a imagem internacional do país pelo Brazil Institute do King's College de Londres. Fri, 20 Apr 2018 11:24:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Agência publica série de entrevistas em vídeo com brasilianistas http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/20/agencia-publica-serie-de-entrevistas-em-video-com-brasilianistas/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/20/agencia-publica-serie-de-entrevistas-em-video-com-brasilianistas/#respond Fri, 20 Apr 2018 11:24:08 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4463

Três pesquisadores do King’s College London que analisam o Brasil a partir de uma perspectiva internacional foram entrevistados recentemente pela plataforma multimídia Um Brasil, desenvolvido pela agência Tutu. As entrevistas foram publicadas em vídeo e se juntam a uma coletânea de outras conversas com brasilianistas que tentam ajudar a entender o país.

Gravadas em fevereiro, as entrevistas aconteceram com o geógrafo e professor do Brazil Institute Jeff Garmany, o professor de estudos brasileiros e do departamento de estudos de guerra Vinicius Mariano de Carvalho e o professor de direito público e direitos humanos Octavio Ferraz.

As conversas fazem parte de um projeto que visa, entre outras coisas, resgatar o debate político, econômico e social no país, estimular a participação e o conhecimento político do cidadão, auxiliar no desenvolvimento do senso crítico da sociedade e promover o questionamento e a elaboração de ideias e ações.

Com patrocínio da Fecomércio, o projeto Um Brasil produz entrevistas, debates e documentários com acadêmicos, intelectuais e empresários para analisar os quadros econômico, político e social do país.

A entrevista com Garmany abordou a identidade da sociedade, marcada por desigualdades. Ele falou também sobre os efeitos do passado histórico sobre os atuais problemas brasileiros, e critica a ideia de que uma nova Constituição seria necessária.

Carvalho, por sua vez, falou sobre o desafio de se construir uma política mais representativa, a começar pelo Congresso Nacional. Ele discutiu ainda os movimentos de renovação política na internet, a crise da segurança pública no País e a polarização política no mundo democrático.

Ferraz tratou da judicialização da política e os privilégios do Judiciário, e discutiu a necessidade de grandes reformas legislativas e constitucionais, a polarização ideológica no Brasil e no Reino Unido, o obstáculo da desigualdade para o desenvolvimento e o papel do Estado na garantia do bem-estar social.

Além das três entrevistas divulgadas mais recentemente, o Um Brasil também já entrevistou outros pesquisadores estrangeiros, como Matthew Taylor e Robert Kaufman.

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‘The Guardian’ diz que Bolsonaro é uma perigosa versão tropical de Trump http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/19/the-guardian-diz-que-bolsonaro-e-uma-perigosa-versao-tropical-de-trump/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/19/the-guardian-diz-que-bolsonaro-e-uma-perigosa-versao-tropical-de-trump/#comments Thu, 19 Apr 2018 15:57:49 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4460

A reportagem do jornal britânico “The Guardian” acompanhou uma visita recente do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro a Roraima. Em um texto que apresenta a candidatura do deputado como uma das principais para as eleições de outubro, o jornal o compara ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de quem diz ser uma perigosa versão tropical.

Segundo o “Guardian”, por muito tempo o discurso “incendiário” de Bolsonaro em defesa da ditadura era ignorado e chamado de irreverente e irrelevante. “Agora, entretanto, as ideias de Bolsonaro assumiram o centro do debate, com ele (…) liderando a disputa para ser o próximo presidente do Brasil após a prisão do seu adversário e principal rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, diz o jornal.

Um símbolo disso, argumenta o texto, foi um encontro recente do pré-candidato com o embaixador britânico no Brasil.

O “Guardian” cita o editor-chefe da revista “Americas Quarterly”, Brian Winter, que tem acompanhado a candidatura do “Trump brasileiro” e a compara com a do original.

“Donald Trump se elegeu dizendo que a criminalidade nas cidades dos EUA estava fora do controle, que a economia estava um desastre e que toda a classe política era corrupta… Todas essas três coisas são inquestionavelmente verdadeiras no Brasil. Então, se Trump conseguiu se eleger, imagine o que é possível em um país como o Brasil agora”, disse Winter.

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Para pesquisadores, corrupção alimenta violência de milícias no Brasil http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/19/para-pesquisadores-corrupcao-alimenta-violencia-de-milicias-no-brasil/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/19/para-pesquisadores-corrupcao-alimenta-violencia-de-milicias-no-brasil/#comments Thu, 19 Apr 2018 08:57:08 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4457

O assassinato da vereadora Marielle Franco e a intervenção federal no Rio de Janeiro deram visibilidade internacional às milícias que atuam no Brasil. Segundo uma análise publicada pelo instituto internacional de pesquisa InSight Crime, a violência associada a esses grupos, especialmente no Rio de Janeiro, ampliou a discussão sobre a atuação das milícias, que ainda são pouco compreendidas no resto do mundo.

Para especialistas em violência internacional ouvidos pela InSight Crime, o poder das milícias está diretamente relacionado aos altos níveis de corrupção registrados no país.

“A maioria dos membros das milícias são membros ou ex-oficiais das forças de segurança do país, e as milícias mantêm relações próximas com os políticos, muitos dos quais foram eleitos especificamente para proteger os interesses das milícias e desviar a atenção de suas atividades”, diz a análise publicada pelo site em inglês da organização.

Leia também: Assassinatos e violações de direitos humanos mancham democracia brasileira

O InSight Crime ouviu dois pesquisadores estrangeiros e um brasileiro para tratar da força das milícias no país. Para Desmond Arias, professor da Universidade George Mason, a intervenção federal no Rio fez com que as milícias saíssem do submundo. Benjamin Lessing, especialista em crime organizado na Universidade de Chicago, avalia que as milícias do Rio estão se expandindo para o resto do país.

“As milícias do Rio são grupos de estilo paramilitar com raízes em uma tradição nacional de esquadrões da morte que cresceram durante a brutal ditadura militar que governou o Brasil dos anos 1960 aos anos 1980. Eles são tipicamente compostos de membros da força de segurança antigos e atuais que usam violência e coerção para assegurar o controle sobre bairros tipicamente desfavorecidos”, diz o texto.

Para Lessing, devido ao medo que as milícias geram através da violência e das ameaças, ainda existem lacunas na compreensão pública do verdadeiro alcance do controle delas. “A capacidade do governo de realizar investigações e a capacidade de acadêmicos e jornalistas de investigar as milícias é extremamente limitada”, disse.

Criada em 2010, em Medellin, na Colômbia, a Insight Crime tem apoio do centro de estudos latino-americanos da American University, em Washington. A organização é uma fundação de investigação e análise sobre crime organizado no continente americano. “Buscamos aprofundar e informar o debate sobre crime organizado na região oferecendo ao público reportagens, análises e investigações sobre o assunto e o estado dos esforços para combatê-lo”, diz a apresentação do site do grupo.

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Para pesquisadoras estrangeiras, prisão de Lula tem impactos na democracia http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/13/para-pesquisadoras-estrangeiras-prisao-de-lula-tem-impactos-na-democracia/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/13/para-pesquisadoras-estrangeiras-prisao-de-lula-tem-impactos-na-democracia/#comments Fri, 13 Apr 2018 08:31:38 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4445

Com cartaz que diz “Não à prisão de Lula”, manifestante participa de ato a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP) (Edson Lopes Jr./UOL)

A publicação da opinião de quatro brasilianistas a respeito da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no UOL, na semana passada, não pode ser considerada representativa de todo o grupo de acadêmicos e acadêmicas que estudam o país no resto do mundo. Apesar de serem consagrados em suas áreas e de terem, juntos, mais de um século de experiência relacionada ao Brasil, o que se vê ali “é a opinião de homens, majoritariamente americanos, sendo usados ​​para representar os pontos de vista dos brasilianistas”, critica Stephanie Dennison, professora de estudos brasileiros na Universidade de Leeds, em entrevista ao blog Brasilianismo.

Em resposta às avaliações de Riordan Roett, Matthew Taylor, Anthony Pereira e James Green (que expuseram opiniões divergentes entre si), Dennison alega que muitos entre os brasilianistas que conhece –a maioria dos quais são mulheres que trabalham na área de humanas e não são vinculados a financiamentos do governo brasileiro–, pensam de forma crítica em relação ao processo e à prisão de Lula.

Stephanie Dennison, professora de estudos brasileiros na Universidade de Leeds

“A prisão de Lula tem consequências muito sérias para a democracia no Brasil. Para mim, tudo se resume a um uso engenhoso da lei, segundo o qual a ela é usada estrategicamente para impedir que Lula participe das eleições presidenciais”, disse Dennison. “A falta de evidências sólidas no caso de Lula aponta não apenas para o uso da lei, mas um desrespeito aos princípios legais. Estou impressionada com os múltiplos papéis desempenhados por Sergio Moro neste processo: investigador, juiz e júri.”

Leia também: Prisão de Lula cria polarização política entre analistas estrangeiros

O posicionamento da pesquisadora foi apoiado por outras brasilianistas, como Maite Conde, de Cambridge, Sara Brandellero, da Universidade de Leiden, na Holanda, Lisa Shaw, da faculdade de Histórias, Línguas e Culturas da Universidade de Liverpool, e Marieke Riethof, professora de política latino-americana também em Liverpool, Jane-Marie Collins, de Nottingham, e Lucia Sa, de Manchester.

Para Riethof, independentemente de se acreditar que a motivação para processar Lula seja política ou legal, impedir um candidato popular de concorrer à Presidência e prendê-lo aumenta a falta de confiança nas instituições políticas do Brasil, o que é questionável em termos de resultados democráticos.

“A prisão de Lula está enviando ondas de choque em uma democracia já frágil. Enquanto os escândalos de corrupção redesenharam o cenário político nos últimos anos, prender um ex-presidente é uma mudança significativa no cenário político do Brasil. A confiança no governo está no fundo do poço, e muitos brasileiros estão insatisfeitos com as instituições políticas do país e com o funcionamento da democracia”, disse. “Além disso, o princípio de que as mudanças governamentais só deveriam acontecer por meio de eleições teve forte apoio no Brasil desde 1985, e a flexibilização desse princípio criaria muita instabilidade política no futuro.”

Shaw argumenta ainda que a prisão de Lula precisa ser pensada em uma perspectiva que inclua ainda o impeachment de Dilma Rousseff, que também é mencionada pelas outras brasilianistas.

“A prisão de Lula não pode ser separada do impeachment de Dilma, tão poderosamente simbolizado pela presença dela ao lado de Lula em seu discurso na sexta-feira. Tendo assistido a toda a votação do impeachment pela televisão, não pude deixar de sentir descrença e repulsa pela flagrante misoginia, racismo e homofobia expressada por inúmeros senadores (…). Como muitas de minhas companheiras brasilianistas, tive uma reação visceral de repulsa e não posso imaginar a angústia e a sensação de violação que teria causado à primeira mulher presidente do Brasil”, disse.

Dennison alega que é possível ver a manipulação das leis para punir Lula como continuação do que se iniciou com o impeachment, um processo que lembra Kafka. “Finge ser legal, constitucional e para o bem do povo, mas que é rapidamente revelado como uma farsa completa e meramente promovendo os interesses dos políticos da oposição e interesses comerciais. Processo pelo bem do processo.”

Em uma linha semelhante, Riethoff diz que o sentimento entre muitos observadores internacionais e acadêmicos é que os erros cometidos por Dilma foram inflados demais e julgados politicamente, “levando a um processo de impeachment que era tecnicamente legal, mas colorido por manobras políticas”. O mesmo aconteceria com Lula: “é difícil não comparar o que aconteceu neste final de semana com outros casos. Embora seja verdade que políticos importantes como Eduardo Cunha e vários outros também estão na prisão, a principal diferença é que outros ex-presidentes, e até o próprio presidente Michel Temer, enfrentaram alegações de corrupção, mas não foram processados com a mesma urgência.”

Enquanto a prisão de Lula ganha visibilidade internacional, e a Justiça brasileira passa a estar sob escrutínio internacional, é difícil prever de que forma a situação do país vai afetar seu posicionamento internacional, segundo as pesquisadoras. Enquanto o país perde soft power, é preciso uma estabilização da política nacional pela democracia que mantenha princípios de inclusão e justiça social, para que o Brasil recupere relevância global.

“Se a ‘ideia Lula’, como ele mesmo disse, continuar, bem como forem condenados políticos de todo espectro político e representantes de empresas implicados na Lava Jato e outras operações de corrupção, a reputação internacional do Brasil talvez possa ser recuperada”, avaliou Dennison.

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Em editorial, ‘New York Times’ diz que democracia brasileira está em perigo http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/12/em-editorial-new-york-times-diz-que-democracia-brasileira-esta-em-perigo/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/12/em-editorial-new-york-times-diz-que-democracia-brasileira-esta-em-perigo/#comments Thu, 12 Apr 2018 19:45:54 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4442

O Brasil entrou em um período tumulto político e de grande incerteza na última semana, com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e agora a democracia do país está em perigo, segundo um editorial do jornal americano “The New York Times”.

“Quando uma grande operação contra a corrupção alcança o político mais popular de um país, a justiça é feita, mas a democracia é testada”, diz o texto assinado pelos editorialistas do jornal –o que reflete a opinião oficial do veículo, ao contrário de artigos publicados ali que já foram discutidos no Brasil como se fosse a opinião da publicação.

O artigo traça um resumo da Operação Lava Jato e diz que outros países que sofrem com a corrupção observam o exemplo dado pelo Brasil. Ainda assim, avalia os riscos da prisão de Lula para a eleição presidencial deste ano, diz que o Congresso deve tentar limitar o alcance da luta contra a corrupção e que ainda é preciso corrigir falhas no sistema Judiciário.

“Por mais dolorosa e desalentadora que seja a queda de um líder carismático e dinâmico, e por mais esgotados que os brasileiros estejam por conta do caos político dos últimos anos, não é hora de desistir. A história mostra que a luta contra a corrupção leva anos, mas também que os sucessos incrementais mudam as normas”, diz.

Segundo o “NYT”, a luta contra a corrupção mostra que o Brasil tem as instituições e os meios para enfrentar até mesmo os criminosos mais poderosos.

“Ainda faltam seis meses para as eleições. Eles devem ser gastos em busca de um líder que possa garantir que os avanços contra a corrupção não sejam retrocessos para a democracia.”

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Projeção do Brasil sob Lula ampliou visibilidade mundial da prisão dele http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/10/projecao-do-brasil-sob-lula-ampliou-visibilidade-mundial-da-prisao-dele/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/10/projecao-do-brasil-sob-lula-ampliou-visibilidade-mundial-da-prisao-dele/#comments Tue, 10 Apr 2018 13:22:28 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4430

É uma ironia da história recente do Brasil que o maior responsável pela grande repercussão internacional da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja o próprio Lula.

Apesar de a preocupação com a busca por reconhecimento externo ser parte do Brasil desde que o país passou a existir, foi durante o governo de Lula que o Brasil passou a investir mais pesado na chamada diplomacia midiática a fim de promover a imagem do país no resto do mundo, conquistar soft power e se tornar mais conhecido e relevante de forma global.

Graças a esta conquista da atenção mundial, impulsionada também pelo bom momento da economia do país, Lula se tornou o “o cara”, o “político mais popular da Terra”, como Barack Obama o descreveu em 2009. E graças a esta conquista, o mundo assistiu atento à condenação e à prisão do ex-presidente brasileiro nos últimos dias.

Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de negar o Habeas Corpus a Lula, na quarta-feira (4), passando pelo pedido de prisão do ex-presidente, pela mobilização dos seus partidários no sindicato dos metalúrgicos e, por fim, sua ida à prisão, no domingo, o Brasil foi foco de muita atenção internacional.

Curva de atenção dada a Lula no mundo, com pico na última semana, segundo o Google

Tanto na imprensa, quanto nas redes sociais e em sites de busca, a prisão de Lula ofuscou outros temas de política do mundo, como a condenação da ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye e o julgamento de Jacob Zuma na África do Sul.

A curva de tendências de buscas pelo termo “Lula” no Google Trends em todo o mundo mostra um grande pico de atenção dada ao ex-presidente nos últimos dias, superando todas as notícias anteriores sobre julgamentos sobre ele. Lula foi um dos assuntos mais frequente na mídia estrangeira, e o Trends permite ver também o quanto o mundo inteiro deu muito mais atenção ao caso de Lula do que os de Park e Zuma –especialmente no Ocidente.

Comparação da atenção global dada a Lula (azul), a Park (amarelo) e a Zuma (vermelho), com grande destaque para o brasileiro

Além disso, o julgamento no STF e o pedido de prisão também dominaram o Twitter, com vários tipos de menção ao ex-presidente brasileiro assumindo posições no topo dos assuntos mais comentados no mundo.

Tudo isso pode ser interpretado como um reflexo prolongado do trabalho desenvolvido por Lula quando era presidente. A busca do seu governo por reconhecimento internacional e por soft power para o Brasil é um tema frequente de estudos de relações internacionais, e faz parte do que incentivou a publicação de vários livros sobre a emergência do Brasil.

Em um artigo acadêmico publicado em 2014, por exemplo, as pesquisadoras Silvia Garcia Nogueira e Caroline Burity analisaram a construção da imagem do Brasil no exterior e a diplomacia midiática no governo Lula.

Atenção dada a Lula, Park e Zuma dividida por regiões do Mundo

Elas desenvolveram pesquisa com profissionais que trabalharam na comunicação e divulgação do Brasil no mundo e concluíram que jornalistas e diplomatas que desenvolviam atividades nesses setores possuíam uma preocupação cotidiana com a administração de visibilidade do Brasil e trabalhavam para a promoção de uma imagem ou percepção positiva do país no exterior.

É a chamada diplomacia midiática, que pode ser descrita como uma estratégia que aproveita os novos recursos midiáticos para a diplomacia, conferindo maior importância a empresas jornalísticas, redes internacionais de comunicação, portais de notícia na internet e à indústria cinematográfica no jogo político internacional.

Segundo elas, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso até o de Dilma Rousseff, o Brasil adotou estratégias políticas voltadas para a construção de imagens positivas do país em todos os âmbitos, e a promoção do país passou a pautar muito da atividade diplomática. Foi com Lula, entretanto, que isso ganhou força.

“O governo brasileiro, desde a administração Lula, vem conferindo crescentemente destaque à utilização estratégica dos meios de comunicação de massa (televisão, rádio, internet e mídia impressa) como forma de promoção de um ambiente internacional favorável a negociações externas de várias ordens (econômicas, políticas, culturais etc.)”, diz o artigo.

Por mais que o grande foco fosse sempre a promoção de uma imagem “positiva” do Brasil, o fato é que este trabalho de projeção internacional foi eficiente em conquistar a atenção da mídia estrangeira. Com a crise política e econômica, entretanto, esta atenção se concentrou mais em notícias negativas, como mostram muitos levantamentos sobre as citações ao país no resto do mundo.

E, com a condenação e a prisão de Lula, foi o ex-presidente que tanto se preocupou com a projeção internacional do Brasil que se tornou o foco dessa atenção do mundo sobre o país –seja com uma interpretação de que a prisão é um avanço na luta contra a corrupção, ou de que apenas segue interesses políticos.

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Prisão de Lula é legítima, apesar de motivação política, diz brasilianista http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/09/para-brasilianista-prisao-de-lula-e-legitima-apesar-de-motivacao-politica/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/09/para-brasilianista-prisao-de-lula-e-legitima-apesar-de-motivacao-politica/#comments Mon, 09 Apr 2018 08:28:50 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4425

O historiador norte-americano Marshall Eakin alega que é possível analisar a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vendo que há erros e acertos dos dois lados da polarização política que divide o Brasil. Para ele, é verdade que não se pode negar que houve intenção política no processo contra Lula, mas ainda assim a Justiça seguiu os procedimentos legais legítimos à medida que o ex-presidente foi investigado e processado.

Marshall Eakin: Tragédia do Brasil é que a corrupção é parte do sistema

Em entrevista ao blog Brasilianismo (concedida antes de Lula se entregar à PF), Eakin avaliou, que os escândalos de corrupção no país já afetaram negativamente a posição global do Brasil, e a comunidade internacional começa a ver o Brasil como inerentemente corrupto e instável politicamente. Isso, segundo ele, pode afetar a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança em assuntos internacionais.

Professor da Universidade Vanderbilt, nos EUA, Eakin estuda história brasileira há mais de três décadas, idealizou a criação da Brasa, a Associação de estudos brasileiros nos EUA, e é autor de livros como “Brazil: The Once and Future Country” e “Becoming Brazilians: Race and National Identity in Twentieth-Century Brazil”.

Brasilianismo – Qual você acha que é o significado da prisão de Lula?
Marshall Eakin – Este é um momento verdadeiramente histórico e sem precedentes na história do Brasil. Se não me engano, esta é a primeira vez que um ex-presidente é preso por um “crime” não-político. Outros grandes políticos brasileiros foram “detidos” no passado em momentos de crise política, mas nenhum presidente foi preso por acusações civis ou criminais.

Brasilianismo – Lula tem argumentado que ele está sendo perseguido politicamente. O que você acha disso?
Marshall Eakin – Isso é complicado. Acredito que o processo legal tenha sido realizado seguindo o padrão de procedimentos legais, incluindo o voto do STF. Apesar disso, há muitas pessoas interessadas em ver Lula preso porque eles detestam intensamente sua política. A votação no STF, por exemplo, foi profundamente influenciada por considerações políticas –embora seja notável quantos dos juízes que votaram contra o apelo de Lula foram nomeados sob as administrações do PT.

Em suma, não podemos divorciar a política desse processo, mas os promotores seguiram procedimentos legais legítimos à medida que investigaram e processaram Lula.

Brasilianismo – Sua prisão muda a importância de Lula na história do Brasil? Qual você acha que será o lugar dele nessa história do país?
Marshall Eakin – Sim. Mesmo que Lula nunca fosse para a prisão, a evidência contra ele deixa uma mancha em seu lugar de destaque na história do Brasil. Certamente a polarização política hoje e no futuro moldará profundamente as atitudes das pessoas em relação a Lula, tanto no Brasil quanto no exterior. Muito do seu legado, penso eu, dependerá do que acontecer no futuro próximo. Ele irá para a cadeia e cumprirá pena? Ele resistirá e esta resistência provocará uma crise política maior? Será que ele acabará sendo absolvido ou perdoado? Como isso se desenrola nas próximas semanas e meses pode ter um enorme impacto não apenas em como Lula será visto na história do Brasil daqui a muitos anos, mas também no futuro da democracia e da política no Brasil.

Capa do livro “Brazil: The Once and Future Country”, de Marshall Eakin

Tenho que dizer, entretanto, que o nível de benefício financeiro de que Lula é acusado é ofuscado em comparação com muitas das outras figuras políticas que foram presas por corrupção durante os últimos três anos. Isso não altera o fato de que ele se beneficiou de “presentes”, mas esse nível de influência é pequeno em comparação com os muitos outros políticos e burocratas recebidos por tráfico de influência muito direto.

Brasilianismo – Enquanto ele estava no poder, Lula foi chamado de “o político mais popular da Terra”, e esteve associado à ascensão do Brasil na política internacional e na economia. Como você acha que a prisão dele pode afetar a posição global do país?
Marshall Eakin – O escândalo de corrupção, em geral, e os problemas legais de Lula, especificamente, já afetaram negativamente a posição global do Brasil. No curto prazo, afetou profundamente a tão esperada “emergência” do país no cenário mundial desde 2000. No longo prazo, isso poderia afetar a capacidade do Brasil de desempenhar um papel de poder nos assuntos globais, se a comunidade internacional perceber o Brasil como inerentemente corrupto e instável politicamente.

Brasilianismo – Com sua prisão, Lula provavelmente estará fora da corrida presidencial no final deste ano. Como isso vai mudar a disputa?
Marshall Eakin – Esta é uma questão enorme. Se Lula não puder concorrer, quem representará seu grande público? Muito disso depende de Lula. Ele continuará a lutar nos próximos meses para ser um candidato ou reconhecerá a necessidade de apoiar alguém como alternativa? Se ele continuar a lutar, poderá prejudicar gravemente as chances de outros candidatos carregarem a bandeira de seus eleitores, tornando mais difícil a vitória de alguém da esquerda. Eu acho que seria do melhor interesse de suas próprias causas e apoiadores se ele começasse a construir apoio por trás de um candidato alternativo que poderia levar a bandeira em seu lugar.

Sem Lula na corrida, as eleições se tornam mais imprevisíveis e fragmentadas. Também removeria um dos candidatos mais polarizadores e isso oferece a possibilidade (talvez) de que a corrida presidencial seja menos polarizada.

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Após prisão de Lula, Justiça brasileira estará sob exame internacional http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/07/apos-prisao-de-lula-justica-brasileira-estara-sob-exame-internacional/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/07/apos-prisao-de-lula-justica-brasileira-estara-sob-exame-internacional/#comments Sat, 07 Apr 2018 11:22:14 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4420

Um editorial publicado pelo jornal francês “Le Monde” neste sábado (7) resume um dos poucos consensos internacionais a respeito da ordem de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: depois desta decisão, a Justiça brasileira terá que provar ao mundo que sua mobilização contra a corrupção é capaz de atingir também a outros grupos políticos, e que não estava interessada apenas em perseguir o PT e Lula.

Enquanto ainda há muita polarização a respeito de interpretações sobre o que a prisão de Lula representa, é possível ver em análises estrangeiras o sentimento comum de que a Justiça estará sob escrutínio para se provar capaz de combater a corrupção em toda a política brasileira, e não apenas em um partido.

“A Operação Lava Jato deve demonstrar ao país que a prisão de Lula não é um ato político. Que a prisão daquele que continuará sendo um dos dirigentes mais marcantes da história do país não significa o fim dos processos. Depois de ter tocado as figuras do PT até atingir seu líder histórico, a Lava Jato precisa ter a mesma severidade com outros caciques de partidos do centro e da direita”, diz o jornal francês.

Entre muitos analistas de ambos os lados da polarização política, há uma preocupação de que a prisão de Lula possa representar uma redução no ímpeto da luta contra a corrupção. A narrativa histórica e internacional sobre a luta contra a corrupção no Brasil e a prisão de Lula, entretanto, vai depender de como a Justiça brasileira vai se comportar a partir de agora.

Os próximos passos da Operação Lava Jato vão estar sendo observados atentamente no resto do mundo e podem determinar o estado da reputação internacional do Brasil e mesmo do ex-presidente Lula. Em muitas das avaliações de estrangeiras, o sentimento é uma mistura de esperança e ceticismo.

“Seria bom no futuro se pudéssemos olhar para trás e dizer que a Lava Jato iniciou um processo no qual a árvore da corrupção foi arrancada. Receio, no entanto, que possamos acabar dizendo apenas que seus galhos foram aparados”, disse o diretor do Brazil Institute do King’s College London, Anthony Pereira.

Este encaminhamento da luta contra a corrupção após a prisão de Lula pode oferecer uma resposta para uma das principais divergências entre analistas no exterior. É esta continuação das investigações e a possível prisão de líderes de outros partidos que vai definir a história deste momento da política brasileira.

Só assim será possível saber se a democracia brasileira realmente não está sob ataque, como disse o brasilianista Riordan Roett, diretor do Programa de Estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, ou se a prisão de Lula é o resultado de uma tentativa de tirar do PT qualquer chance de voltar ao poder, como avaliou James Green, professor de história e estudos brasileiros na Universidade Brown (EUA).

Novas revelações e prisões em outros partidos podem comprovar a legitimidade do processo e da prisão de Lula sem detrimento à democracia. Mas, se as investigações perderem ímpeto após a prisão de Lula, o resto do mundo seguirá a segunda interpretação, e o sistema político brasileiro, sua Justiça, suas instituições e regras do jogo podem perder totalmente o que ainda têm de credibilidade.

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Prisão de Lula cria polarização política até entre analistas estrangeiros http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/06/prisao-de-lula-cria-polarizacao-politica-ate-entre-analistas-internacionais/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/06/prisao-de-lula-cria-polarizacao-politica-ate-entre-analistas-internacionais/#comments Fri, 06 Apr 2018 12:15:33 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4409

A divisão de preferências políticas que está radicalizando o Brasil nos últimos anos tem se mostrado presente também entre analistas estrangeiros que observam o desenrolar do noticiário sobre o país.

A cisão entre brasilianistas começou a ficar evidente na época do impeachment de Dilma Rousseff, quando uma disputa levou a rompimentos na Brazilian Studies Association (Brasa). Com a determinação da prisão do ex-presidente Lula, esta polarização fica evidente nas entrevistas e artigos dos brasilianistas.

Por mais que as primeiras análises sérias sobre o caso não incluam nenhuma celebração pela decisão do juiz Sergio Moro de decretar a prisão de Lula, é evidente a diferença entre análises. Enquanto alguns veem o avanço de um processo institucional contra a impunidade de elites políticas, outros criticam um suposto ataque à democracia brasileira.

Segundo o brasilianista Matthew M. Taylor, professor da American University especialista em temas relacionados a democracia e corrupção no Brasil, a prisão de Lula é um momento triste para o Brasil, mas é um importante “marco histórico” para o país, pois representa uma mudança na forma como a elite brasileira é tratada pela Justiça, reduzindo a sensação de impunidade.

A avaliação é parecida com a do editor da revista “Americas Quarterly”, Brian Winter. Em uma série de textos publicados no Twitter, Winter disse que “a história da Justiça brasileira tem falhas, mas continua a ser uma inspiração em toda a América Latina, mostrando pessoas poderosas na política e os negócios podem ser responsabilizados. Muitos outros tentando imitar.”

Winter admite que é impossível justificar por que Lula vai para a prisão quando tantos outros políticos corruptos continuam livres no país. Ele alega, entretanto, que o caso do ex-presidente passou por todo o devido processo legal.

“Lula foi condenado em um julgamento aberto. A decisão foi unanimemente confirmada pela segunda instância. Moções subseqüentes foram rejeitadas pelos tribunais superiores, incluindo o Supremo”, disse. Ele ressaltou ainda o fato de que cinco dos seis juízes do STF que votaram contra a moção de habeas corpus a Lula foram nomeados por ele ou por Dilma.

Este também é o tom da análise da revista “The Economist”: “Quaisquer que sejam suas falhas e riscos, a luta contra a corrupção marca um avanço. (…) Sem a delação premiada e com a abordagem estreita e formalista da corrupção adotada antes do Mensalão, os contribuintes eram roubados e os eleitores enganados. Pelo menos, isso deve ser mais difícil a partir de agora”, diz.

O “Financial Times” segue linha semelhante: “A decisão polêmica, que poderia levar Lula para detrás das grades, marca a queda triste e ignominiosa de um político notável. Mas também mostra que ninguém está acima da lei –um desenvolvimento positivo e até mesmo revolucionário em um país atormentado pelo legalismo extremo, mas também pela grande ilegalidade.”

O dissenso é evidente na comparação com a opinião de Mark Weisbrot, codiretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), nos EUA. Em um texto publicado pelo CEPR, Weisbrot chama a decisão de Moro de “ataque à democracia”.

A prisão de Lula, diz Weisbrot, é uma “clara tentativa de evitar uma volta do Partido dos Trabalhadores ao governo”. “A direita brasileira sabe que não teria chance contra Lula nas eleições deste ano, assim como perdeu duas vezes de Lula antes e depois mais duas de Dilma. Então, assim fizeram com Dilma, eles estão usando outros meios para mantê-lo fora do poder”, diz.

Weisbrot tem denunciado o que chama de “golpe da elite” desde a época do impeachment. Ele também foi autor de um texto de opinião publicado recentemente pelo “New York Times” alegando que a democracia brasileira estava mergulhando em um abismo.

A crítica à prisão de Lula aparece também em uma carta publicada por um grupo de parlamentares e acadêmicos britânicos no jornal “The Guardian”.

“Lula tem sido submetido a uma campanha contra ele, onde seus direitos humanos básicos foram violados. Como parte disso, Lula foi submetido a acusação e condenação políticas, ignorando evidências de sua inocência e desencadeando uma crise de confiança no Estado de Direito. Não se trata apenas de um homem, mas do futuro da democracia no Brasil”, diz a carta assinada por 16 políticos e acadêmicos.

O “Guardian” também publicou uma curta análise do pesquisador britânico Richard Bourne, autor de uma biografia de Lula. Para ele, a prisão de Lula deveria servir para acordar a esquerda brasileira, que não deve depender apenas do ex-presidente.

“A ameaça de um retorno a um passado reacionário é muito premente. Basta ver a popularidade do direitista Jair Bolsonaro, um admirador do regime militar, no período que antecede as eleições presidenciais deste ano. A raiva e a decepção com a decisão dos juízes devem ser convertidos em um desejo positivo de limpar o sistema político, acabar com a recessão e levar o país adiante novamente”, diz.

A preocupação com a escolha do novo presidente é foco também de um editorial publicado pela rede alemã Deutsche Welle. Segundo o texto escrito por Alexandre Schossler, há muitas evidências contra o ex-presidente Lula, mas sua prisão reforça a ideia de que o Brasil se transformou em um “país de incertezas” às vésperas da eleição.

Para o historiador James Green, professor da da Universidade Brown, a divergência de opiniões é normal. Em entrevista concedida na época do impeachment de Dilma, ele alegou que “se existe uma partidarização no Brasil, seria estranho que brasilianistas não discutissem isso. A polarização está em todo canto, e o debate é normal, faz parte da democracia”.

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Imprensa internacional fala em prisão e fim da carreira política de Lula http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/05/imprensa-internacional-fala-em-prisao-e-fim-da-carreira-politica-de-lula/ http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/04/05/imprensa-internacional-fala-em-prisao-e-fim-da-carreira-politica-de-lula/#comments Thu, 05 Apr 2018 08:39:26 +0000 http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/?p=4400

Ainda não eram 5h da manhã em Londres quando o “Guardian” enviou, por celular, um push alertando sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, que negou o pedido de habeas corpus preventivo para evitar a prisão de Lula.

“O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta cadeia por corrupção depois de a suprema corte decidir contra ele”, dizia a chamada.

A provável prisão de Lula após a votação de quarta (4), e o impacto político dela –com o cancelamento da candidatura dele à Presidência e possível fim de sua carreira política– são os temas centrais da cobertura que a imprensa internacional publicou na manhã desta quinta-feira (5). Nos títulos dos principais jornais estrangeiros sobre o caso, a derrota do ex-presidente é tratada como uma definição sobre seu futuro na cadeia, e longe do poder.

Segundo o “Guardian”, a decisão do supremo contra Lula “provavelmente dá fim a sua carreira política”.

“A decisão marca uma virada extraordinária de eventos para o político mais popular do Brasil, que deixou o cargo com uma política social que ajudou a tirar milhões de pessoas da pobreza. Ele lidera pesquisas de opinião antes das eleições presidenciais em outubro, apesar de sua condenação e seis julgamentos de corrupção pendentes”, diz.

O jornal inglês publicou ainda uma segunda reportagem sobre o caso, alegando que mesmo com a condenação, os brasileiros ainda gostam muito de Lula e lembram com nostalgia do seu governo –por mais que ele tenha sido incapaz de introduzir mudanças estruturais no país.

Segundo o jornal americano de economia “The Wall Street Journal”, a decisão do STF deve colocar “o líder populista atrás das grades e dar fim a sua tentativa de reeleição”.

A rede de TV CNN também fala em “fim da carreira política” de Lula após a votação do STF.

“Lula, que governou o Brasil de 2003 a 2011, era considerado um dos principais candidatos nas eleições de outubro, mas a decisão da corte (…) coloca em dúvida sua tentativa de reconquistar o poder”, diz.

A agência de economia Bloomberg explica que a lei não permite a candidatura de condenados pela Justiça, mas diz que já houve exceções. A decisão sobre uma candidatura de Lula seria tomada pelo TSE. Segundo a Bloomberg, há a expectativa de que os mercados reajam positivamente à provável prisão de Lula.

Além do impacto sobre a carreira do ex-presidente, jornais internacionais também tentam avaliar como a decisão do STF pode pesar sobre as eleições deste ano.

“Com a prisão de Lula quase certa –e a redução das suas chances de concorrer em outubro– a questão-chave é saber se ele ainda pode influenciar a eleição, potencialmente se colocando como um mártir e vítima de perseguição política. As pesquisas mostram que ele poderia transferir parte de seu apoio a um candidato de sua escolha, mas a maioria dos analistas políticos, incluindo a consultoria do Eurasia Group, diz que ele perderia influência considerável na prisão”, avalia a Bloomberg.

Segundo o jornal de economia “Financial Times”, “o destino do ex-presidente de esquerda tomou conta do país enquanto ele se prepara para o que se espera que sejam as eleições mais imprevisíveis em décadas”.

O aspecto histórico da decisão do STF, confirmando a provável prisão de um dos políticos mais populares do país, também foi frequente na mídia estrangeira.

O tom da “virada” na história do ex-presidente foi abordado pela rede britânica BBC, por exemplo.

“Esta foi uma grande perda de encanto de um homem que já foi um dos políticos mais amados do mundo. Foi um dia histórico para a política brasileira.”

O jornal francês “Le Monde” fala em “sinal verde” para a prisão do “pai dos pobres”. Segundo a reportagem, a decisão foi marcada pela polarização política em um ambiente em que a população protesta contra a corrupção. O texto diz, entretanto, que muitos ainda acreditam que Lula vai ser “o único a pagar”.

“Nenhuma decisão jamais dividiu tanto o Brasil, opondo os que continuam a venerar o ex-chefe de Estado como um semideus àqueles que o consideram o pior vilão da humanidade, responsável pela fúria das contas públicas e a estagnação perpétua do gigante da América Latina”, diz o “Monde”.

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