Brasilianismo

‘The Economist’ critica sistema político brasileiro e defende sua reforma

Daniel Buarque

Revista 'The Economist' defende reforma no sistema político brasileiro.

O sistema político do Brasil é fragmentado, criou uma cacofonia de vozes sem ideologia e precisa ser reformado. Assim a revista ''The Economist'' argumenta em um artigo publicado nesta semana, explicando uma das razões para a atual crise política no país, em que quase todos os representantes da população aparecem citados em escândalos de corrupção.

''O sistema atual incentiva a diversidade política em detrimento da qualidade'', diz, explicando que qualquer partido que conseguir reunir 486 mil assinaturas tem direito a dinheiro do Estado e tempo grátis na TV. O sistema, continua, ''incentiva a corrupção e enfraquece a ligação entre eleitores e seus representantes''.

Segundo a revista, ao tentar criar um sistema político proporcional para dar voz a todo o país, a Constituição brasileira criou cacofonia.

''Um estudo de legislaturas eleitas em 137 países entre 1919 e 2015 indicou que a Câmara do Brasil no Congresso atual é a mais fragmentada em todo o mundo no período'', diz. ''A maioria dos 28 partidos não tem ideologia ou programa político. Quase metade dos eleitores brasileiros esquece o candidato escolhido apenas um mês após a eleição.''

O artigo explica que a reforma política é um tema discutido desde a Constituição, mas que o avanço até agora foi limitado.

A esperança, segundo a revista, é que o atual momento de crise política está fazendo com que a população perceba que uma reforma é necessária, e que não se pode aceitar que ela seja feita para proteger os políticos envolvidos em escândalos.

''A chegada da reforma política às ruas é uma boa notícia. Isso significa que ela pode acontecer de verdade.''

Esta não é a primeira vez que a ''Economist'' ataca o sistema político brasileiro. Durante todo o processo de impeachment, um dos focos da revista era uma crítica à disfunção desse sistema, e ela atacou toda a política nacional, apesar de ter defendido a renúncia de Dilma Rousseff. Em todos os momentos, a revista voltou a defender a importância da reforma política

Além disso, a fragmentação da política também não é novidade em suas páginas. Na sua edição de exatamente dois anos atrás, em março de 2015, a revista publicou um artigo semelhante ao atual, em que atacava o fato de o Brasil ter a política mais fragmentada do mundo.

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