Brasilianismo

Em tom apocalíptico, a ‘Economist’ defende reforma da Previdência de Temer

Daniel Buarque

Em tom catastrófico, a 'Economist' defende reforma da Previdência de Temer

O tom da reportagem publicada pela revista ''The Economist'' a respeito da situação da Previdência no Brasil beira a perspectiva de apocalipse, de catástrofe econômica que precisa ser revertida.

''O país está perigosamente despreparado para o choque [do envelhecimento da população]'', diz um trecho do texto.

''O Estado [do Rio de Janeiro] está quase falido. Sem uma ação para corrigir a situação, o Brasil enfrentará um futuro igualmente sombrio'', avalia mais adiante.

Apesar de o atual sistema ter uma origem que  merece elogios, diz, ''o Brasil se tornou um país de aposentados jovens e prósperos'', e ''o acúmulo de direitos se transformou numa bomba de fragmentação econômica'', complementa.

Com a mudança na demografia e o envelhecimento da população aliados a um sistema previdenciário deficitário, que a revista chama de ''generosidade geriátrica'', o país está correndo sérios riscos, explica.

A partir do diagnóstico, a revista passa a tratar de uma das soluções para o problema, e defende a proposta de reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer.

''Este mês o Congresso começou a debater um plano para reformar a Previdência. A recuperação econômica e a estabilidade financeira do Brasil dependem do seu sucesso'', diz, alegando que a reforma reduziria o problema da Previdência a ''proporções normais''.

''Temer tem baixa popularidade, mas se ele conseguir limpar o sistema previdenciário, os brasileiros vão ter motivos para agradecer a ele.''

O tom da revista condiz com a linha editorial dela. Ao longo das décadas, a ''Economist'' tem a tendência de alternar momentos de expectativa com críticas sempre que o modelo da política econômica do governo brasileiro se aproxima ou se afasta dos ideais “pró-mercado”, segundo a pesquisa de doutorado da socióloga Camila Maria Risso Sales.

“A visão da 'Economist' é mais positiva sobre o Brasil se a política econômica do país se aproxima mais do viés liberal”, disse Sales em entrevista ao blog Brasilianismo.

É com esta perspectiva que se pode entender a defesa que a revista publicou das propostas econômicas do governo Temer logo após o impeachment. Apesar de ter criticado o processo e o sistema político brasileiro como um todo, a revista mudou a avaliação sobre o Brasil quando a política econômica do governo mudou.

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