Brasilianismo

Corrupção da Odebrecht é desastre para reputação do Brasil, diz pesquisador

Daniel Buarque

Corrupção da Odebrecht é um desastre para a reputação do Brasil, diz pesquisador

Corrupção da Odebrecht é um desastre para a reputação do Brasil, diz pesquisador

Após a revelação de que a empreiteira brasileira Odebrecht supostamente pagou propina em mais de uma dezena de países pelo mundo, o Brasil se viu no centro de um escândalo regional de corrupção, que afeta a reputação e as relações exteriores do país, mas que pode se revelar uma oportunidade para a construção de um futuro menos sujo politicamente. Este é o ponto central de um artigo do cientista político Oliver Stuenkel, publicado no site da revista americana ''Americas Quarterly''.

Professor de Relações Internacionais da FGV e membro não residente do Instituto Global de Política Pública (GPPi), em Berlim, Stuenkel avalia que as revelações de corrupção sistêmica da empresa brasileira são um desastre para a diplomacia brasileira.

''A internacionalização do capitalismo brasileiro –isto é, a estratégia do governo para aumentar a influência do Brasil por meio do apoio a atividades de suas grandes empresas no exterior– foi um dos pilares da política externa regional a partir de meados dos anos 2000. Esta política permitiu que o Brasil não apenas alcançasse visibilidade sem precedentes e acesso de Buenos Aires à Cidade do Panamá, mas também a estabelecesse uma poderosa narrativa sobre seu impacto benigno, estabilizador e modernizador no exterior. Mas mesmo no atual estágio das investigações, ficou claro que, através das suas empresas, o Brasil também promoveu a má governança e a corrupção em uma região onde o respeito às leis está longe de consolidado. O caso é um golpe para a reputação regional do Brasil e sua ambição de liderança, já afetadas por suas crises política e econômica'', diz o artigo.

Se o país quiser se recuperar na arena internacional, diz Stuenkel, precisa aproveitar a oportunidade para reforçar as investigações da Lava Jato e cooperar contra o crime organizado e a corrupção na América Latina.

O cientista político sugere três pontos-chave para isso: Transformar a luta contra a corrupção em peça central da política externa; incentivo à criação de uma rede regional de escoals de direito para treinar investigadores, legisladores, jornalistas e ativistas; e tornar a agenda contra a corrupção o tema central de encontros de entiddes como o Mercosul.

Autor dos livros ''The BRICS and the Future of Global Order'' (Os BRICS e o futuro da ordem global) e ''The Post-Western World'' (O mundo pós-ocidental), Stuenkel escreve com frequência sobre temas ligados à diplomacia brasileira em revistas internacionais e em seu site Post-Western World.

Em um artigo recente ele listou os 10 principais desafios da diplomacia brasileira neste momento de crise, em que evitar o declínio do país se tornou prioridade. Segundo ele, a Lava Jato alterou a forma como a política e os negócios funcionam no Brasil, ''possivelmente mudando para sempre a tolerância com a corrupção''. Apesar de ser algo importante, isso ''paralisou temporariamente alguns atores-chave, que precisam aprender como se envolver de forma apropriada, com consequências de curto prazo negativas'', avalia.

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