Brasilianismo

Brasil ‘despenca’ e vai a sua pior posição em ranking de imagens de nações

Daniel Buarque

Crise afeta imagem internacional do Brasil (Arte: plus55)

Crise afeta imagem internacional do Brasil (Arte: plus55)

O noticiário sobre as crises política e econômica e os problemas registrados durante a Olimpíada no país derrubaram o Brasil no principal ranking internacional que mede a imagem das nações no mundo. O Brasil aparece em 23º lugar na edição mais recente, de 2016, do Anholt-GfK Nation Brands Index (NBI), a sua pior classificação na história do índice.

A avaliação revela uma queda de três posições no ranking global. Pode parecer pouco, mas é uma das maiores quedas do país em nove anos em que foi feita a avaliação do NBI, e levou o Brasil a sua pior posição já registrada no ranking, segundo um levantamento histórico realizado pelo NBI a pedido deste blog Brasilianismo.

Posições do Brasil no NBI ao longo dos anos

Posições do Brasil no NBI ao longo dos anos

O país foi listado na primeira edição do ranking, em 2008, em 13º lugar entre as nações mais admiradas do mundo, mas desde 2009 costumava aparecer como o país emergente mais bem classificado, sempre em torno do 20º lugar — Em 2011 subiu para 16º, mas logo depois caiu de volta para a 20ª colocação.

O NBI é um índice que avalia a imagem de 50 países, incluindo o Brasil, no resto do mundo. Ele é calculado a partir de entrevistas e painéis realizados em várias partes do planeta, e costuma avaliar como as nações são vistas em seis categorias diferentes: economia, política, cultura, população, turismo e potencial de imigração e investimento. A partir dessas avaliações independentes, é calculada a imagem geral de cada um dos países no resto do mundo.

Na edição de 2016, a melhor avaliação do Brasil no mundo é em relação a sua Cultura, em que o país aparece em 11º lugar entre as 50 nações. Além disso, o o Brasil é o 18º em Turismo, o 21º na avaliação do seu Povo, o 28º em Exportações, o 29º em Imigração e Investimento e apenas o 31º em Governança.

Esta avaliação ajuda a reforçar a imagem internacional de país decorativo do Brasil. Segundo esta interpretação, o país vai bem em itens mais leves da sua reputação, ligados a diversão, e é mal avaliado em questões sérias como política e economia. Isso reforça a imagem internacional do Brasil como um país de festa, mas não sendo como um bom lugar para fazer negócios.

Apesar da grave crise pela qual o país vem passando, que poderia fazer soar natural uma queda na sua reputação, o índice surpreende, pois vai contra a tendência que era percebida até o ano passado. Em 2015, apesar da perda do grau de investimento e da ampla divulgação internacional da epidemia de Zica no país, o Brasil acabou subindo uma posição, da 21ª para a 20ª.

No final de 2015, mesmo em meio ao que se chamava de ''atoleiro'' do país em sua imagem internacional, o Brasil aparecia consolidado como o 20º país mais admirado do mundo, mostrando que sua marca estava forte, uma das melhores entre os países em desenvolvimento.

A avaliação que se fazia então era de que não havia motivo para euforia, já que o Brasil costumava aparecer em torno do 20º lugar, e de que havia alguma segurança e estabilidade nesta avaliação externa do país.

Essa imagem consolidada aparecia também em outros índices internacionais, como o ranking ''Best Countries'', criado no ano passado pela consultoria internacional WPP e pelo portal ''U.S. News & World Report''. A análise ampla julgava 60 países do mundo e indicava, em ordem, os melhores e os piores. Também segundo este trabalho, o Brasil era o 20º melhor país do mundo, um ótimo lugar para diversão e aventura, mas não exatamente um bom lugar para viver ou fazer negócios.

Ilustração da revista 'The Economist' sobre crise no Brasil

Ilustração da revista 'The Economist' sobre crise no Brasil

A queda da avaliação no NBI deste ano, entretanto, reflete algo que havia sido percebido pelo criador do NBI, o consultor britânico Simon Ahnolt. Em entrevista ao autor deste blog Brasilianismo, em maio, o pesquisador disse que apesar de ter então a 20ª melhor reputação do mundo, o Brasil era o 49º em um outro ranking, o do ''país bom'', que avalia a contribuição real do país para o resto do mundo. ''O Brasil aparenta ter uma reputação melhor de que merece'', disse então.

A avaliação estrangeira atual pode ser um reflexo do noticiário internacional sobre o Brasil no ano passado. O clima de desastre associado à imagem do Brasil no noticiário internacional levou a uma deterioração aguda da imagem do país no exterior, segundo a pesquisa ''I See Brazil'', estudo realizado pela agência de comunicação Imagem Corporativa, que busca medir as percepções externas em torno do país a partir do que se lê na mídia estrangeira e do que falam especialistas no assunto. Segundo o levantamento, 2015 foi ''um ano para se esquecer''. O resultado do levantamento neste ano até registrou uma melhora na imagem do país, mas o efeito do ano passado pode ainda estar sendo sentido.

Mesmo assim, a variação de nota e de posição do Brasil no NBI de 2016, em que perdeu três posições no ranking, vai contra uma tendência histórica do índice, que costumava demonstrar a solidez das imagens internacionais, que pouco variavam com as crises e notícias negativas sobre os países.

Segundo Anholt, um dos primeiros pesquisadores a trabalhar a imagem internacional de nações, as percepções globais sobre os países costumam ser muito estáveis. ''Mas mudanças podem acontecer, e acontecem. É a percepção do impacto de um país no mundo que afeta sua reputação global, muito mais do que suas conquistas — e é isso que estamos vendo agora'', disse em comunicado sobre o índice de 2016.

Principal pesquisa sobre marcas globais dos países, o NBI avalia a imagem internacional de 50 países. O estudo realiza 20.353 entrevistas para entender o que o que o público internacional pensa sobre esses países em termos de economia, política, cultura, população, turismo e potencial de imigração e investimento.

Países desenvolvidos e ricos dominam o topo da lista do NBI. Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido mantiveram a liderança como as três nações mais admiradas do mundo, segundo o NBI. Depois delas, no top 10, aparecem o Canadá, a França, a Itália, o Japão, a Suíça, a Austrália e a Suécia.

Apesar de o topo do ranking ser mais ou menos igual ao do ano passado, o NBI registrou uma queda nas notas gerais de avaliação de quase todos os países.

Segundo Vadim Volos, vice-presidente da GFK, a imagem de um país no mundo é um refleco de seus atributos históricos, como estereótipos, e de influência de curto prazo, como a cobertura jornalística de crises. ''Nosso estudo mostra onde as nações estão em termos de sua imagem atual, seu momento e seu potencial, ajudando elas a determinar o melhor caminho para o sucesso'', disse em comunicado.

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