Brasilianismo

Arquivo : agosto 2016

Impeachment de Dilma vira ‘breaking news’ na imprensa internacional
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Daniel Buarque

A notícia do impeachment da presidente Dilma Rousseff foi divulgada quase imediatamente na imprensa internacional.

Minutos após a votação no Senado para cassar o mandato da presidente, a informação foi divulgada como “breaking news”, notícia urgente, nos principais veículos internacionais.

O jornal britânico “The Guardian” foi o primeiro dos grandes veículos de imprensa internacionais a dar a notícia como manchete.

'Breaking News': imprensa internacional noticia impeachment de Dilma

‘Breaking News’: imprensa internacional noticia impeachment de Dilma

“A primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff foi retirada do poder pelo Senado manchado por corrupção do país depois de um esgotante julgamento de impeachment que encerra 13 anos de governo do Partido dos Trabalhadores”, diz o jornal.

O “New York Times” deu uma chamada menor, sem aparecer no topo do site do jornal.

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“O Senado aprovou o impeachment de Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente do Brasil, e a removeu do governo pelo resto do seu mandato, o ápice de uma luta política que consumiu a nação por meses e derrubou um dos partidos políticos mais poderosos do hemisfério”, disse.

O site da rede de TV CNN demorou um pouco mais para publicar a notícia, e ainda destacava o discurso de Dilma.

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O “Washington Post” publicou uma faixa vermelha na página inicial do jornal, chamando para reportagem sobre a cassação do mandato da presidente.

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O francês “Le Monde” agiu de forma parecida, dando uma faixa de alerta para a notícia de última hora.

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Sem um destaque imediato em seu site, o “Financial Times” publicou no Facebook e outras redes sociais chamada para a notícia do impeachment.

Impeachment de Dilma vira 'breaking news' na imprensa internacional

Impeachment de Dilma vira ‘breaking news’ na imprensa internacional

O impeachment ganhou o destaque principal do site do jornal americano “USA Today”, com uma foto da presidente cassada Dilma Rousseff.

Impeachment de Dilma vira ‘breaking news’ na imprensa internacional

Impeachment de Dilma vira ‘breaking news’ na imprensa internacional

“Depois de um debate carregado emocionalmente até tarde da noite, o Senado brasileiro votou nesta quarta para remover a presidente suspensa Dilma Rousseff do governo por irregularidades fiscais, uma decisão que ela disser ser um golpe ilegal”, diz o jornal.

No site da revista “Time”, o impeachment ganhou apenas uma pequena chamada à esquerda do destaque principal.

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A rede de TV venezuelana Telesur destacou de forma crítica o impeachment em sua página na internet.

“Se consuma o golpe de Estado: Senado brasileiro destitui a presidente Dilma Rousseff”, diz a manchete.

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A rede árabe Al Jazeera colocou o impeachment como principal notícia do seu site.

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No jornal francês “Liberation”, além de um destaque “a quente”, uma chamada para uma matéria sobre a votação do impeachment.

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O jornal argentino “Clarín” deu um grande destaque à votação: “Se acaba uma era no Brasil: o Senado destituiu Dilma”, diz.

 

“Depois de 13 anos de mandato do PT, a ex-presidente foi retirada do poder por um polêmico impeachment. Seu ex-vice, Michel Temer, assume hoje e parte em sua primeira viagem oficial à China. Seu novo governo começa com baixos índices de popularidade.”

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O também argentino “La Nación” chama a votação do Senado de “contundente”, e relata o impeachment como desfecho da crise política no país.

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O Alemão “Süddeutsche Zeitung” também colocou o impeachment na manchete do seu site.

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O jornal “El País” do Uruguai colocou em destaque que, além do impeachment, o Senado decidiu não tornar Dilma inelegível.

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O jornal chileno “La Tercera” colocou o impeachment como principal chamada em seu portal.

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Impeachment reforça no mundo a imagem ‘disfuncional’ da política brasileira
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Daniel Buarque

Impeachment reforça imagem 'disfuncional' da política brasileira no mundo

Impeachment reforça no mundo a imagem ‘disfuncional’ da política brasileira

Em vez de fortalecer a democracia do Brasil, o impeachment de Dilma Rousseff pode aumentar a alienação dos eleitores já desiludidos com o sistema político brasileiro, diz uma análise publicada no jornal norte-americano “Washington Post”.

Esta avaliação segue a principal linha de argumentação da imprensa internacional e de analistas estrangeiros sobre o longo processo de impeachment no país. Em vez de se alinhar com o discurso dos que defendem o impeachment ou com a teoria de que há um golpe em curso no país, a interpretação externa é crítica a todo o sistema político do país, visto como disfuncional.

Isso ficou evidente desde maio, quando a presidente Dilma foi afastada do cargo e grande parte da imprensa de outros países dedicou editoriais à situação política do Brasil. Para a mídia internacional, a questão não é mais nem a legalidade do impeachment ou a mudança dos governos, mas o fato de que o processo representa o fracasso do modelo político do país.

“Analistas dizem que o caso de Dilma expôs algumas das fraquezas do sistema político brasileiro, no qual um presidente tem que fazer acordos com vários partidos políticos, muitos sem ideologia clara. O sistema encoraja a troca de cargos e a corrupção, dizem”, explica o texto mais recente no “Post”.

O argumento se alinha a outro texto do mesmo jornal, publicado em junho, quando questionou se o governo Dilma seria substituído por um novo governo “tão sujo quanto”.

É a mesma linha de crítica usada pela revista “The Economist” em março do ano passado, quanto apontou o Brasil como o país com a política mais fragmentada do mundo, o que deixa o governo disfuncional..

Além de consolidar o modelo problemático da política nacional, o impeachment também não deve resolver a crise econômica do país, segundo análise publicada na revista “Fortune”.

“Apesar de o fim do longo processo de impeachment trazer uma pausa na crise, o próximo governo vai continuar a encarar uma batalha dura para colocar o país de volta nos trilhos”, diz o texto assinado pelo diretor de América Latina da consultoria Eurasia Group, João Augusto de Castro Neves.

O próprio Neves escrevia antes, em dezembro do ano passado, na mesma revista, que o impeachment não ajudaria o país. Na época, entretanto, ele argumentava que o impeachmment era improvável.

Consumado o processo, o tom crítico ao sistema político nacional deve se consolidar como a principal linha de abordagem de analistas externos.

Em um resumo da crise política brasileira e do impeachment, publicado nesta semana, a agência de notícias Associated Press finaliza alegando que a “política envenenada” escurece o futuro do país.

Um artigo de opinião assinado por uma jornalista brasileira no “New York Times” nesta semana também reforça este posicionamento crítico à imagem da política nacional.

“Uma economia que afunda e a irritação contra a corrupção geraram protestos sucessivos e intensos que levaram a uma mudança no governo, mas não na política brasileira”, resume. “Não há um sinal de reforma política no horizonte.”

É este tipo de imagem de política disfuncional, já consolidada aos olhos internacionais e reforçada com o processo de impeachment, que faz com que o Brasil não consiga passar uma imagem de força política no exterior. É isso que faz com que o perfil da imagem do Brasil seja a de um país mais voltado ao turismo, à cultura, e ao encontro de povos, como se percebe nos estudos de “nation branding”.

Nessas pesquisas sobre a imagem que o Brasil tem nos outros países, é comum que as características leves da sua personalidades sejam bem avaliadas, e que os estrangeiros achem os brasileiros legais e simpáticos. Ao mesmo tempo, características mais sérias, como a política e a economia, não costumam ser bem avaliadas por estrangeiros. E o impeachment vai fortalecer isso. Ao reforçar a ideia de que o Brasil é um país com política disfuncional, o impeachment vai consolidar ainda mais a ideia de que somos apenas “decorativos” no mundo.

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Em vídeo, ‘Guardian’ resume crises e processo de impeachment contra Dilma
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Daniel Buarque

O jornal britânico “The Guardian” publicou em seu site um curto vídeo resumindo as crises política e econômica no Brasil e o processo que deve culminar com o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Dilma assumiu o poder em 2010, mas depois de uma crise econômica foi acusada por seus inimigos políticos de manipular o orçamento federal”, diz.

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Impeachment de Dilma arranha imagem do Brasil, diz cientista política
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Daniel Buarque

Impeachment de Dilma pode arranhar imagem do Brasil, diz cientista política

Impeachment de Dilma pode arranhar imagem do Brasil, diz cientista política

O processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, vai encolher a presença do Brasil no mundo, segundo a professora titular de ciência política da Universidade de São Paulo Maria Hermínia Tavares de Almeida.

A avaliação foi feita em entrevista ao jornal “Valor Econômico”. Para a professora, mesmo que o processo tenha seguido os procedimentos constitucionais, há dúvidas sobre sua legitimidade e o impeachment arranhou a imagem externa do país.

Segundo ela, “lá fora ninguém entende o que são pedaladas e poucos acreditam que são um bom motivo para impeachment”.

Maria Hermínia Tavares de Almeida: Certa feita, aí pela década dos 1970, perguntaram ao primeiro-ministro chinês Chu En-Lai quais teriam sido as consequências da Revolução Francesa de 1789, ao que ele teria respondido que era ainda muito cedo para dizer. Não tenho a menor ideia de qual será o julgamento da história. Pessoalmente, acredito que não se tratou de um golpe, mas que, mesmo assim, foi um evento traumático; talvez evitável, se o governo Dilma tivesse mostrado mais disposição para conversar e negociar e se o candidato do PSDB, derrotado em 2014, não tivesse apostado na possibilidade de afastar a presidente, no dia seguinte das eleições presidenciais. O impeachment, mesmo seguindo os procedimentos constitucionais, arranhou a imagem externa do país. Lá fora ninguém entende o que são pedaladas e poucos acreditam que são um bom motivo para impeachment. Todos sabem que a presidente caiu porque perdeu sua base de apoio parlamentar e, em consequência, a capacidade de governar. E isso gera dúvidas com relação à legitimidade de seu afastamento, mesmo seguindo os procedimentos estabelecidos pela Constituição. Falo aqui de setores moderados do establishment e da imprensa internacionais. Ficamos menores diante do mundo.”

É difícil medir este impacto do impeachment na imagem internacional do Brasil, e mais difícil ainda saber se há de fato este “arranhão” na imagem. Em alguns momentos, ao contrário da avaliação da cientista política, pode-se ter a impressão de que a crise política e o impeachment aumentaram a presença do Brasil na imprensa internacional, ampliando a imagem do país (mesmo que uma imagem negativa) em vez de encolher esta presença.

Mesmo assim, uma avaliação da cobertura do processo na imprensa internacional leva à conclusão de que realmente tem sido comum a crítica generalizada ao sistema político brasileiro, o que pode reforçar uma imagem ruim.

Por outro lado, a imagem do Brasil no exterior nunca foi a de um país rico, ou de um exemplo de seriedade política – portanto as crises não chegam a surpreender observadores externos ou a alterar a imagem que se tem do país.

Pelo contrário, o impeachment se aproxima do seu fim bem perto da Olimpíada, evento que colocou o Brasil nos holofotes do mundo e que serviu para reforçar estereótipos do país e mostrar seu lado mais decorativo. Depois dos Jogos e do impeachment, o Brasil sai mais uma vez como um país com avaliação negativa de aspectos de política e economia, mas cada vez mais positivas em aspectos de cultura e sociedade.

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Após pedir renúncia de Dilma, ‘Le Monde’ chama impeachment de farsa
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Daniel Buarque

Após pedir renúncia de Dilma, 'Le Monde' chama impeachment de farsa política

Após pedir renúncia de Dilma, ‘Le Monde’ chama impeachment de farsa política

Se o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa, uma tragicomédia política, diz um editorial do jornal francês “Le Monde”. As verdadeiras vítimas do processo, segundo o jornal, não é Dilma, mas os próprios brasileiros.

“Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira”, defende o “Monde”

O jornal critica o processo, mas admite que o impeachment está previsto pela Constituição brasileira e tem roupagem de legitimidade. “De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas.”

O ‘Monde’ destaca ainda a ironia de que a presidente afastada tenha perdido força política em meio a manifestações contra a corrupção no país, mas que ela não é acusada por envolvimento nesses esquemas.

O editorial consolida uma mudança de posição do “Monde” em relação à política brasileira, que diminuiu o tom de críticas à presidente afastada e passou a ser mais forte contra o processo político em curso no país.

Em um texto de opinião publicado em março, o jornal criticava a defesa do governo e defendia a renúncia da presidente. Segundo o texto da época, o governo deveria escolher melhor os termos usados para se defender em meio à crise política do país, sem falar em “golpe” para tentar desqualificar o posicionamento da oposição.

O texto foi publicado com o título em francês “Ceci n’est pas un coup d’Etat” (Isso não é um golpe de Estado). Ele questionava a posição do governo e defendia que “a destituição de um chefe de Estado é prevista e regulamentada pela Constituição brasileira”.

O editorial de março foi criticado internamente no jornal, e o “Monde” passou a ser mais cuidadoso com a cobertura da política brasileira desde então.

Dois meses depois, em maio, o jornal dizia que Dilma foi retirada do poder de forma brutal após manobras que não honram o conjunto da classe política brasileira, já bastante desacreditada.

“Na verdade, o triste caso e a última manifestação de um enorme mal-estar provocado por um mundo político amplamente corrompido, tanto à direita quanto à esquerda”, dizia o jornal. “Sem dúvida seria melhor ter novas eleições”, completou.

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Brian Winter: Ouro do futebol pode marcar fim da crise política do Brasil
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Daniel Buarque

Brian Winter: Ouro do futebol pode marcar fim da crise política do Brasil

Brian Winter: Ouro do futebol pode marcar fim da crise política do Brasil

A conquista da medalha de ouro inédita do futebol brasileiro na Olimpíada do Rio, na semana passada, e o sucesso da realização do evento, serão lembrados como o começo do fim da longa crise que atingiu o Brasil, segundo a avaliação do editor-chefe da revista “Americas Quarterly”, Brian Winter.

Em um artigo publicado nesta semana, Winter admite que essa interpretação pode ser uma busca pessoal pela construção de uma narrativa grandiosa sobre o destino da nação, mas apela à história para mostrar como futebol e política muitas vezes parecem convergir no país, e como isso pode ajudar o atual governo interino de Michel Temer a se consolidar e se fortalecer.

Vice-presidente da Americas Society/Council of the Americas, e autor de quatro livros sobre a América do Sul, Winter compara a atual situação do país ao que aconteceu em 1994. “Um Brasil deprimido precisava desesperadamente de um impulso”, diz. Corrupção, crise política após impeachment e hiperinflação se juntavam a um jejum de mais de 20 anos em títulos da seleção de futebol e criavam “um sentimento geral de que o país não conseguia fazer nada certo”.

E mesmo assim, naquele ano, a sorte virou enquanto futebol e política convergiam. O Brasil se tornou tetracampeão de futebol na Copa dos Estados Unidos, implementou o plano real, e deu início a um dos períodos de maior estabilidade da história recente do país.

“Não consegui parar de pensar nisso na tarde de sábado, enquanto o futebol brasileiro e a política mais uma vez convergiam de forma impressionante”, diz.

“Ao vencer a Alemanha em mais uma disputa de penaltis dramática, o Brasil conquistou o ouro olímpico do futebol pela primeira vez, oferecendo a uma nação deprimida o maior momento de alegria coletiva em anos. Ao fazer isso, o time exorcizou alguns dos demônios da derrota por 7 a 1 na Copa – que por coincidência ou não marcou o início da descida do país a dois anos de humilhações, escândalos e recessão”, explica.

Winter diz que é fácil pensar que “pão e circo” podem ser usados para distrair as massas e aumentar a confiança brasileira em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Ele alega, entretanto, acreditar que o Brasil amadureceu e que as lições da crise não vão ser esquecidas facilmente.

“Confiança e sentimento são críticos para políticas e para economias, e o otimismo muitas vezes se torna autorrealizável”, diz.

A convergência entre política e futebol no Brasil é um tema frequente nas análises de estrangeiros sobre o país.

Enquanto analistas internacionais costumam ver os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva como um período único de estabilidade do país, é comum ler comentários de pesquisadores que associam as vitórias da seleção nas copas de 1994 e 2002 com a situação política do país no momento da eleição dos dois.

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Cobertura pré-olímpica do Rio na imprensa internacional foi irracional
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Daniel Buarque

Artigo do 'New York Times' fala em possível 'catástrofe' no Rio

Artigo do ‘New York Times’ fala em possível ‘catástrofe’ no Rio

 

Por João Roberto Martins Filho

Como se viu, a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos 2016 confirmou a impressão que se insinuou após a surpreendente abertura e se consolidou gradualmente nas duas semanas de competição: o propalado desastre internacional, causado pela Zika e pela poluição na Baía da Guanabara, pela precariedade das construções e pela incapacidade de organização dos brasileiros, não se consumaria.

Pouco a pouco, a cobertura da mídia internacional virou de pessimista para otimista. Mais exatamente, de catastrófica para moderadamente elogiosa. O Rio de Janeiro, passou-se a dizer, conseguiu superar o obstáculo.

Nenhuma matéria das agências internacionais e dos principais órgãos americanos, europeus e de outros países do Grupo dos Oito fez uma autocrítica que minimamente buscasse explicar as razões de tamanha discrepância entre previsões e realidade.

 

Programa de TV dos EUa chama Olimpíada de catástrofe

Programa de TV dos EUA chama Olimpíada de catástrofe

E não foi a primeira vez que esse processo ocorreu. Quando a África do Sul realizou a Copa do Mundo em 2010 e quando o mesmo evento ocorreu no Brasil em 2014 a curva da cobertura foi a mesma. Por que será que isso se repete?

Aqui do Sul global, podemos dizer que nos três momentos de ousadia de dois países fora do mundo “civilizado”, a reação pré-jogos da imprensa internacional foi irracional.

Jornalistas de vários países sofreram um efeito manada que chegou ao extremo na cobertura da Rio 2016: raríssimos repórteres ousaram dizer que havia um exagero no pessimismo ou se arriscaram a dar um mínimo crédito à cidade-sede.

'Washington Post' dizia que Rio não estava pronto para os Jogos

‘Washington Post’ dizia que Rio não estava pronto para os Jogos

Que eu saiba, nenhuma matéria procurou checar se era verdade que o mês de agosto era passível de sofrer uma epidemia de Zika, se nada havia sido feito para evitar um desastre na Lagoa Rodrigo de Freitas ou na Baía da Guanabara, se o cronograma das obras e o planejamento da logística e da segurança tinham indícios de eficiência, se dezesseis estações de metrô e duas linhas de BRT constituíam um avanço numa cidade carente como o Rio de Janeiro, ou se a reforma de áreas centrais antes abandonadas seria bem vista pela população mais carente da cidade.

Ao contrário, como nos episódios de massa em que todos chutam um homem caído, os mais respeitáveis órgãos de comunicação do mundo embarcaram na onda e aderiram ao linchamento da ex-capital brasileira, cujos problemas sociais, de criminalidade e de mobilidade urbana ninguém pode negar. Mas o exagero foi tão patente que a revolta e sensação de injustiça chegou às torcidas, expressando-se em vaias a atletas específicos, escolhidos como bodes expiatórios.

Ao final, ficou a forte impressão de que o clã dos países adiantados tem extrema relutância em aceitar que grandes eventos possam ocorrer em países fora de seu clube seleto e que qualidades atribuídas geneticamente ao Primeiro Mundo possam existir em países que ainda não chegaram lá.

CNN questiona se Jogos seriam catastróficos

CNN questiona se Jogos seriam catastróficos

Nas duas semanas em que o Rio foi o polo de atração global, no resto do mundo continuaram a ocorrer as barbaridades habituais, incluindo atentados, nova revolta urbana nos EUA contra o racismo policial e o assassinato de um clérigo muçulmano em Nova York.

Enquanto isso, presenciamos estupefatos o triste episódio do nadador campeão que quis aproveitar a onda e jogar mais uma pedra certeira na cabeça da Geni, com os resultados que todos conhecemos. Nesse caso choveram pedidos oficiais e oficiosos de desculpas. Mas ainda estamos esperando algo semelhante dos monopólios de mídia internacional.

João Roberto Martins Filho é sociólogo, cientista político e professor titular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Especializado em política brasileira, ele realizou pesquisas em Londres e na Holanda, e orientou estudo sobre a cobertura do Brasil na imprensa internacional.


Mídia americana volta a questionar versão brasileira de caso de nadadores
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Daniel Buarque

Mídia americana volta a questionar versão brasileira de caso de nadadores

Mídia americana volta a questionar versão brasileira de caso de nadadores

Dias após o encerramento da Olimpíada do Rio de Janeiro, a imprensa norte-americana voltou a tratar da principal polêmica registrada durante o evento: o caso do suposto assalto/mentira a nadadores dos Estados Unidos, incluindo o medalhista Ryan Lochte.

Mesmo depois de a polícia do Rio dar o caso por encerrado e indicar que os nadadores mentiram fizeram uma falsa denúncia de crime depois de quebrarem o banheiro de um posto de gasolina, e depois de o próprio Lochte admitir que “exagerou” ao relatar o assalto, veículos da mídia do país dizem que nem tudo está esclarecido.

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Uma reportagem veiculada pela rede de TV CBS nesta quarta-feira (24) diz que ainda há dúvidas sobre a versão do caso contada pela polícia.

“Uma nova investigação do incidente, bem como novos relatos dos nadadores que foram detidos pelas autoridades brasileiras e supostamente forçadas a pagar uma ‘multa’ para deixar o país, corroboraram algumas das afirmações ‘exageradas’ de Lochte”, diz a reportagem.

“Era importante para o Brasil repudiar as alegações, já que muitos questionavam a capacidade do país de manter os atletas em segurança durante a Olimpíada”, explica a reportagem publicada no site do grupo.

A reportagem da CBS ecoa a cobertura do jornal “USA Today”, que foi crítico à forma como o Brasil tratou do caso desde o princípio. A colunista Nancy Armour publicou duras críticas à polícia brasileira e à organização dos Jogos Olímpicos e disse que o caso é um problema de relações públicas, e que o Brasil não tolera o fato de que o caso envolvendo o medalhista Ryan Lochte tenha envergonhado o país.

Agora em reportagens mais bem apuradas, os dois veículos reconstruíram nessa semana uma linha do tempo do que se sabe sobre o ocorrido a partir de documentos da polícia e relatos de testemunhas. Segundo o jornal e a rede de TV, a versão contada pelos nadadores pode não ser totalmente falsa, visto que havia uma pessoa armada exigindo dinheiro deles.

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Segundo um juiz brasileiro ouvido pelo jornal americano, a ação do segurança do posto de combustível poderia ter sido interpretada como um assalto – o que também reduziria a força da acusação de falsa denúncia de crime.”Está claro em todos os relatos que a barreira de idioma português-inglês teve um papel importante no incidente, e que uma testemunha bilíngue que se apresentou na cena foi importante para evitar que a situação tensa ficasse ainda pior”, diz o “USA Today”.

O jornal ainda critica que a polícia do Rio de ter aceitado como natural a ação do segurança, que teria mostrado uma arma para exigir pagamento pelos danos ao banheiro do posto.

Além das reportagens em que veículos importantes da imprensa dos EUA continuam a questionar a ação da polícia brasileira, um dos nadadores brevemente detidos no Brasil deu novas declarações ao voltar aos Estados Unidos. O nadador Jimmy Feigen criticou a forma como uma multa foi cobrada para que ele recebesse de volta seu passaporte para voltar aos EUA. Ele negou que o grupo tivesse destruído o banheiro do posto, e disse que eles apenas urinaram na grama por trás do lugar.

Em uma reportagem sobre essas declarações, o site de notícias de celebridades “TMZ” acusa o Brasil de extorsão contra Feigen.

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‘Forbes’: Fim da Olimpíada encerra megaeventos e vira adeus à era do PT
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Daniel Buarque

'Forbes': Brasil dá adeus a Olimpíada e já prepara despedida de Dilma

‘Forbes’: Brasil dá adeus a Olimpíada e já prepara despedida de Dilma

Com os fogos de artifício que encerraram os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no domingo, o Brasil se despede de duas eras de uma só vez. O país deixa para trás a era dos megaeventos esportivos e também a era do Partido dos Trabalhadores, segundo uma reportagem publicada no site da revista americana de economia “Forbes”.

“Esta semana marca o ato final da presidente Dilma Rousseff, a primeira mulher a presidir o país e a segunda chefe do Executivo a sofrer impeachment desde o fim da ditadura militar em 1985”, diz a publicação.

Segundo a reportagem, Dilma tem apenas 10% de conseguir uma mudanças surpreendente para se manter no poder, mas a probabilidade de isso acontecer é muito baixa.

“A saída de Dilma marca o fim de 14 anos de governo do Partido dos Trabalhadores, um partido de esquerda que muitos acreditam que ela ajudou destruir ao levá-lo ainda mais para a esquerda”, diz.

A revista explica que todo o processo de impeachment gera muita polarização no Brasil, e diz que desde o ano passado começaram os planos da oposição para tirá-la do poder.

“Vamos aceitar, todo impeachment é um julgamento político. O Senado é o juiz e o júri”, diz. “Em outras palavras, Dilma não tem chances.”

Então, complementa, a semana começa com o país dizendo adeus à Olimpíada e se preparando para se despedir também da presidente.

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Jornalistas estrangeiros reclamam de problemas de organização na Olimpíada
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Daniel Buarque

Jornalistas estrangeiros reclamam de problemas de organização na Olimpíada

Jornalistas estrangeiros reclamam de problemas de organização na Olimpíada

A cobertura da Olimpíada na imprensa internacional alternou as fortes críticas antes do evento com elogios pela bela festa ao fim dos Jogos – O Rio superou as expectativas, segundo o relato final.

Internamente, entretanto, muitos estrangeiros que trabalharam na cobertura jornalística olímpica no Rio se mostraram insatisfeitos com a organização e a estrutura montada para eles.

O UOL fez uma enquete com dez desses estrangeiros de diferentes países: Japão, China, Coreia do Sul, Holanda, Inglaterra, França, Itália, Senegal, Austrália e Estados Unidos. Em comum, quase todos criticaram a estrutura de trabalho, especialmente o transporte, e a organização do evento – e acharam o povo a melhor coisa da cidade.

Por mais que possa soar corporativista, se a intenção dos Jogos era fazer com que a imprensa mostrasse uma boa imagem do Rio, seria de bom tom pensar no trabalho dos jornalistas que fariam isso. Não precisava mimar essas pessoas, mas facilitar a vida dos jornalistas estrangeiros podia deixá-los com humor um pouco melhor, e acabar tendo efeito indireto, se refletindo no tom das reportagens sobre a cidade.

Veja abaixo alguns destaques dos depoimentos.

“Rio perdeu a oportunidade de usar a marca dos Jogos e mostrar a cidade melhor do que ela é” – Duncan Mackay, Inside The Games, Inglaterra.

“Eu acho que os Jogos Olímpicos são muito grandes para o Rio. (…) Eu acho que Rio é ótimo para se passar as férias, mas não para os Jogos.” – Hendrik Stouwdam, NRC Handelsblad, Holanda

“Não estou satisfeito. Como os ônibus não são pontuais, a gente tem que esperar uma hora às vezes, é diferente de outros Jogos como em Pequim, por exemplo. Acho que se melhorassem isso seria melhor. Eu tenho que acordar muito, muito cedo para não perder as competições porque os ônibus não são pontuais.” – Gong Bing, Xinhua, China

“Há tantos problemas pequenos acontecendo todo dia e coisas que podem ser evitadas se tudo tivesse sido feito antes e tivesse tido mais tempo para testar as coisas. Os serviços para as pessoas, as funções das pessoas, como operar o transporte, a segurança.” – Wakako Yuki, Yomiro Shimbun, Japão.

Leia todos os depoimentos na reportagem do UOL

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