Brasilianismo

Arquivo : julho 2016

Especialistas em Estado Islâmico analisam ameaças de ataque na Olimpíada
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Daniel Buarque

Especialistas em Estado Islâmico divergem sobre risco de ataque no Brasil

Especialistas em Estado Islâmico divergem sobre risco de ataque no Brasil

Dois pesquisadores especialistas no estudo do grupo terrorista Estado Islâmico avaliaram, em entrevistas ao jornal “Folha de S.Paulo”, o nível da ameaça de um atentado da facção no Brasil durante os Jogos Olímpicos e a forma como a internet é usada para difundir a ideologia do terror.

Enquanto o jornalista irlandês Patrick Cockburn alerta para a vulnerabilidade do país ao sediar um evento de visibilidade global, o pesquisador canadense Graeme Wood acredita que o Brasil não tem o perfil de lugar em que o EI consegue atacar com facilidade.

“Se estivesse no Brasil, não gastaria muito tempo me preocupando com o Estado Islâmico”, disse Wood, em entrevista ao autor do blog Brasilianismo, na Folha.

“Se o EI puder atacar o Brasil durante a Olimpíada, ele certamente vai tentar. Mas, considerando como são poucos os atentados registrados nos EUA, no Canadá e em outros países, talvez não seja muito provável. O EI tem alguns reservatórios particulares de apoio, e é difícil atacar onde essa reserva não existe. É por isso que vemos tantos ataques na Alemanha, na França e na Bélgica”, explicou.

Segundo ele, o Brasil simplesmente não tem uma demografia que torne fácil para o EI operar no país e realizar ataques. “Há poucos sunitas simpáticos ao EI com capacidade de fazer algo assim. Não é impossível, mas em geral eles atacam onde é mais fácil”, disse.

Com um ponto de vista diferente, Cockburn disse à repórter Patrícia Campos Mello que acha que o Brasil age certo ao prender suspeitos de envolvimento com o EI.

“Considerando que muitos dos envolvidos nos ataques deixam como único rastro a simpatia pela facção, expressa pelo Facebook, eu acho razoável deter pessoas nessas circunstâncias”, explicou.

“O EI prefere fazer atentados quando consegue dominar o ciclo de notícias. Os Jogos podem ser uma oportunidade como essa. Por outro lado, eles frequentemente escolhem alvos que não são totalmente esperados. Como eles têm civis como alvo, é muito difícil garantir totalmente a segurança. Mas, obviamente, medidas de segurança podem ser úteis pelo menos para evitar um massacre”, disse.

Segundo Wood, que trata da ideologia dos seguidores do EI no livro “The War of the End of Times” (A guerra do fim dos tempos), que deve ser lançado no Brasil pela Cia. das Letras, a internet é importante, mas não é a única forma de ligação com os terroristas.

“Em quase todos os casos, a internet é importante, mas isso normalmente é usado depois que a pessoa já foi atraída para o EI. Normalmente há um “paciente 0”, que pega a doença do EI, e que vai à Síria para se envolver mais com a ideologia. Essa pessoa volta a seu país e acaba convencendo outras pessoas. Há um componente de contato pessoal que é muito importante. A semente é plantada assim. Ela pode até germinar pelos contatos de internet, mas costuma precisar dessa semente”, explicou.

Apesar de criticar o medo exagerado das pessoas em relação ao EI e de dizer que não se preocuparia demais, caso viesse ao Rio na Olimpíada, Wood destacou que o trabalho de inteligência da polícia no Brasil, é sim, importante.

“Se eu estivesse indo à Olimpíada, gastaria muito pouco tempo me preocupando com o EI. Se eu trabalhasse com a segurança dos Jogos, entretanto, pensaria seriamente sobre o EI”, disse.

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Corrupção ajuda ‘brasilionários’, diz autor de livro sobre ricos do Brasil
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Daniel Buarque

Corrupção é importante para ‘brasilionários’, diz autor de livro sobre ricos do Brasil

Capa do livro sobre ‘brasilionários’, de Alex Cuadros

O jornalista americano Alex Cuadros usa uma palavra nova no título do seu livro: “Brazillionaires”. Mistura dos termos em inglês para “brasileiros” e “bilionários”, já que os megarricos do país emergentes são o tema central da sua obra lançada nos EUA neste mês – algo como “brasilionários: riqueza, poder, decadência e esperança em um país americano”.

O livro tem como foco a ascensão desse grupo e a euforia econômica vivida pelo país no fim da primeira década do século, quando o Brasil crescia, abria oportunidades e parecia caminhar para a glória. Cuadros se mudou para o Brasil em 2010, e foi encarregado pela agência de notícias de economia “Bloomberg” de cobrir este grupo de bilionários que crescia.

Em entrevista ao blog Brasilianismo, direto de Nova York, mas falando português fluente, Cuadros explicou que a crise econômica ajudou a moldar o ciclo de empolgação de que trata sua obra, e explica o que faz com que os ricos do Brasil mereçam um tratado próprio. “A relação entre bilionários e o Estado brasileiro ajuda a entender como o Brasil chegou onde chegou”, disse.

Alex Cuadros, autor do livro "Brazilionaires"

Alex Cuadros, autor do livro “Brazillionaires”

Segundo ele, por conta da maior presença do Estado na economia brasileira, contratos com o governo acabam tendo uma importância maior para os bolsos desses bilionários do país. Além disso, a importância de contratos estatais também tornam a corrupção mais presente no Brasil. “A corrupção era uma precondição de negócios”, explicou.

A entrevista tratou ainda do impeachment de Dilma Rousseff (que Cuadros diz não achar que é um golpe), da perda de força política do PT, da ascensão e queda de Eike Batista, da forma como os brasileiros veem os bilionários e sobre a perspectiva para os Jogos Olímpicos no país.

Leia abaixo a entrevista completa

Brasilianismo – Como os bilionários brasileiros se diferenciam de outros no resto do mundo?
Alex Cuadros – A natureza do bilionário é algo que não é nacional. É quase universal. O instinto que leva uma pessoa dessas a criar um império não é algo único do Brasil ou de outro país.

O que acontece no Brasil é que o Estado sempre teve um papel maior na economia brasileira de que nos EUA, por exemplo, então há mais oportunidades para fazer fortuna com base em contratos com o governo.

Essa relação entre poder econômico e poder político é uma versão mais extrema de uma relação que naturalmente existe em muitos países. Nos EUA existe Wall Street, que, igual a empreiteiras do Brasil, sempre doou dinheiro para campanha de políticos de todos os lados do espectro ideológico, e teve sucesso em influenciar as políticas públicas, por exemplo na desregulamentação da indústria financeira, e conseguiu evitar ações jurídicas mais fortes por parte do governo contra eles.

Brasilianismo – A corrupção é fator importante para a existência dos bilionários brasileiros?
Alex Cuadros – Sim , a corrupção é um fator importante na composição dos bilionários do país.

A corrupção era uma precondição de negócios, que todos cometiam, e seria interessante saber o quanto da riqueza se deve ao talento empresarial dessas famílias. É difícil dizer se veríamos nomes diferentes na lista dos mais ricos da revista “Forbes”, caso o Brasil tivesse melhores controles de corrupção ao longo desses anos todos. Seria interessante descobrir o diferencial dessas famílias.

Estamos vendo agora comprovadamente que sistematicamente se usou a corrupção como parte do modelo de negócios. A Odebrecht tinha um departamento de propina. Essas famílias: Odebrecht, Camargo Correia, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS, são algumas das mais poderosas do país.

Brasilianismo – Como a corrupção está ligada à existência de bilionários e as desigualdades no Brasil?
Alex Cuadros – A corrupção, pagamento de propinas, não aparece tanto em um país como os EUA porque o país criou as instituições necessárias para controlar isso, então a corrupção existe em um grau diferente.

A corrupção do processo democrático, a forma como as empresas influenciam a política com o dinheiro de forma legal, existe em graus diferentes em cada lugar. Se vai acontecer, que seja não com dinheiro desviado dos cofres públicos, para que os eleitores possam tomar decisões com base nas relações que consegue ver.

Brasilianismo – Você começou a escrever o livro em uma época em que a economia brasileira crescia e prometia muito. Como a crise atrapalhou seu projeto? O que mudou?
Alex Cuadros – A crise é horrível para o país, mas foi conveniente para o livro, pois ele descreve um ciclo se fechou – os anos de euforia dos anos PT.

Fechei o contrato do livro em 2013, quando já estava evidente que o sonho brasileiro tinha problemas. Na época, não imaginava o quanto a economia ia decair, e o quanto o sonho ia basicamente morrer. No fim, acho que é coerente, pois o que já planejava escrever no livro, que era a relação entre bilionários e o Estado brasileiro ajuda a entender como o Brasil chegou onde chegou

Brasilianismo – Como é essa relação entre bilionários e o Estado no Brasil, e como ela explica a crise?
Alex Cuadros – O mais interessante da ascensão do PT é a contradição interna do partido, entre uma ideologia que supostamente é de esquerda, que se preocupa com a redistribuição, e seu grande apreço pelo desenvolvimentismo, que se baseia em transferências regressivas. Foi muito mais deletério para a economia o fato de Dilma ter dado desonerações fiscais de centenas de bilhões de reais e empréstimos do BNDES do que ter mantido a Bolsa Família ou elevado ao salário minimo.

A outra contradição é que é um partido que diz prezar pela igualdade política, mas que se aliou com o velho estalishment politico e famílias bilionárias que pertencem à pior tradição brasileira de uso do Estado para fins privados – como Camargo Correia e Odebrecht. Essa contradição acabou destruindo o movimento que eles estavam tentando fazer. O pragmatismo que tiveram em busca do desenvolvimento foi levado longe demais, e culminou na crise atual.

Brasilianismo – Os defensores de Dilma chamam o impeachment de golpe. Como você vê relação da ordem econômica, política e legal do Brasil com a atual crise no país?
Alex Cuadros – Não concordo com o uso do termo golpe para o impeachment. Acho que chega a ser ridículo o PT se colocar dessa forma, criar essa narrativa de que o partido é vitima das elites, quando na verdade fez alianças com essas elites e se converteu numa elite dentro do Brasil.

É logico que o establishment politico a certa altura abandonou o PT. O empresariado é pragmático. Ele vai se aliar ao governante que lhe pareça mais conveniente, que crie as condições necessárias para ele ganhar dinheiro. Por muito tempo, foi o PT, e o empresariado estava muito feliz com o PT. Mas é muito simplista dizer que o PT é vitima de um golpe. Eles cometeram erros políticos, econômicos e morais muito importantes. O que eles estão sofrendo é fruto disso. Isso não livra quem vem depois da possibilidade de crítica também. Não é que o PT tenha sido substituído por alguém mais limpo.

Brasilianismo – No fim da década passada, Eike Batista era um símbolo do sucesso econômico do Brasil. Como você acha que a derrocada dele está associada à crise no brasil?
Alex Cuadros – O grande sucesso do Eike foi se apropriar da euforia que havia sobre as perspectivas econômicas do Brasil. Não é coincidência que ele tenha começado a cair na mesma época em que a economia do Brasil. A imagem dele dependia muito da ideia de que o Brasil era uma nova potência mundial.

A queda do Eike me parece mais definitiva do que a do Brasil. O Brasil é maior do que ele. Eike tinha muitos fatores dele. Ele não era só um espelho do Brasil. Era um personagem típico dos empresários dos EUA, grandes vendedores de sonhos. A bolha dele se parece com várias bolhas ao longo da história do capitalismo americano, como a de 2000 e a de 2008.

Não julgaria o futuro do Brasil com base no fracasso do Eike.

Brasilianismo – O livro fala sobre como Eike representa as tensões e contradições da forma como pensamos sobre o papel da riqueza na sociedade. O que isso quer dizer?
Alex Cuadros – Ele foi uma figura muito interessante, pois vendeu a ideia de que era um empresário diferente, que destoava de Sebastião Camargo, Odebrecht e outros que sempre dependeram de capital estatal e contratos públicos. Ele teve muito sucesso vendendo a ideia de que era um ‘self-made man’. Mas, no fim, essa narrativa era problemática. Ele era filho de um ex-ministro, se beneficiou dos contatos dele. E levantou dinheiro no mercado privado, mas também buscou contratos com o governo e foi beneficiado com enormes empréstimos do BNDES.

É uma figura muito contraditória, mas são contradições muito comuns em bilionários, sempre em graus diferentes. A narrativa de sucesso que se cria levaria as pessoas a acreditar que foi so mérito da pessoa que alcançou a riqueza, o que nunca é totalmente verdade. Sempre há relações com o governo, uso do dinheiro para influenciar a política pública. Dessa forma, me pareceu emblemático não só de uma confusão sobre o empreendedorismo no Brasil, mas em outros países, como os EUA.

Brasilianismo – No Brasil existe uma cultura diferente da americana, em que se critica critica mais abertamente a riqueza. Como isso influencia a importância dos bilionários no país?
Alex Cuadros – Os brasileiros têm algumas ressalvas, sim. Nos EUA, temos uma mitologia forte, do menino pobre que vira rico, o ‘self-made man’. Vemos o dinheiro como sinal de sucesso mais do que o Brasil.

No Brasil, por conta dessa relação muito forte entre riqueza, corrupção e ligações com o Estado, se tem uma ideia diferente da riqueza. Ela é vista como algo naturalmente sujo, ou vergonhoso.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas no Brasil admiram os bilionários – e vemos isso nas capas das revistas de negócios do país, mostrando as pessoas colocadas em pedestal. Muitos brasileiros acham que, nesse país corrupto, os únicos que fazem a coisa certa são os empresários.

Brasilianismo – O que mudou na sua forma de pensar sobre os megarricos enquanto escrevia o livro?
Alex Cuadros – Entrei com uma mente aberta no tema, tentando conciliar os clichês sobre eles dos dois lados. Minha conclusão cai no meio dos dois extremos. Não acho que sejam nem maus nem os responsáveis por todo o progresso da sociedade. São parte da estrutura que temos da economia de livre mercado, mas quando concentram muito dinheiro e controle sobre certa parte da economia acabam sendo perigosos para a democracia e para a própria economia. Quando chega a ser um monopólio, distorce o funcionamento do livre mercado. E quando usam o dinheiro para influenciar o processo político criam um problema para a democracia.

Brasilianismo – Em uma entrevista recente você pareceu otimista em relação à Olimpíada. O noticiário internacional está sendo muito negativo, entretanto. Como acha que os Jogos podem afetar a imagem do Brasil?
Alex Cuadros – Não diria que sou otimista. Acho que o evento em si vai rolar sem maiores problemas. Havia receios parecidos na Copa de 2014, de que ia ser um desastre logístico, com problemas de violência. Acho que esses receios são exagerados agora também.

O tema mais importante é o custo de montar este evento e se fazia sentido gastar dinheiro com o Parque Olímpico quando a população tem necessidades muito mais urgentes, como saneamento básico. O problema é saber o que vai acontecer depois que o evento acabar. Tenho medo do que vai acontecer até o fim do ano, depois das eleições de outubro.

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‘Economist’: Olimpíada não vai interromper décadas de declínio do Rio
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Daniel Buarque

'Economist': Olimpíada não vai interromper décadas de declínio do Rio

‘Economist’: Olimpíada não vai interromper décadas de declínio do Rio

A Cidade Maravilhosa é um ótimo cenário, mas não chega a ser uma “grande cidade”, segundo uma reportagem publicada na revista “The Economist”.

Às vésperas do início da Olimpíada, a publicação trata do constante declínio econômico e social do Rio de Janeiro desde os anos 1960 e diz que mesmo que dê tudo certo nos Jogos, a cidade não vai conseguir mudar seu rumo.

“A realização bem-sucedida dos Jogos pode melhorar o ânimo do Rio. Mas não vão ser suficientes para transformar a economia da cidade. O cenário espetacular faz as pessoas quererem visitar, mas vai ser preciso mais do que a luta contra o crime, melhor administração fiscal e serviços públicos melhores para fazer as pessoas quererem ficar. Até que as lideranças ofereçam isso, o Rio não vai ser uma grande cidade, mas apenas um ótimo cenário para uma”, resume a revista.

A longa reportagem aponta os anos 1960, e a construção de Brasília, como a origem de muitos dos problemas econômicos do Rio.

“A perda do status de capital foi um golpe do qual foi difícil se recuperar”, diz.

Desde então, indica uma gráfico usado pela publicação, a economia entrou em declínio e vários outros problemas, como a violência urbana, se intensificaram.

“Além do bacanal anual do carnaval, o Rio não achou uma vocação para substituir a burocracia e os mercados”, diz.

Segundo a revista, havia esperança de que a Olimpíada – junto à exploração do pré-sal – pudesse ser um catalisador de melhoras nos serviços públicos e na economia, mas as coisas não caminharam como esperado.

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Matthew Taylor: Agosto vai ser um mês de tumulto e estresse no Brasil
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Daniel Buarque

Matthew Taylor: Agosto vai ser um mês de tumulto e estresse no Brasil

Matthew Taylor: Agosto vai ser um mês de tumulto e estresse no Brasil

Olimpíada de impeachment vão fazer com que agosto seja um mês de grande agonia no Brasil, segundo o professor da American University, em Washington, DC Matthew M. Taylor.

Em um artigo publicado no site do think tank Council on Foreign Relations, Taylor avaliou o potencial de tensão e tumulto para o país no próximo mês.

“A cerimônia de abertura da olimpíada pode ter a presença de dois presidentes rivais, mosquitos assassinos, uma imprensa incômoda e o potencial de terrorismo”, resume Taylor.

“A maioria dos brasileiros há tempos torciam que os Jogos fossem um caos, mas numa bagunça feliz, como a Copa do Mundo de 2014, e poucos esperavam que fosse uma vergonha, mas o sentimento mudou”, diz o artigo.

Taylor é autor de vários estudos internacionais sobre democracia e corrupção no Brasil, como “Corruption and Democracy in Brazil: The Struggle for Accountability” (Corrupção e democracia no Brasil: a luta por fiscalização), e “Judging Policy: Courts and Policy Reform in Democratic Brazil” (Julgando política: Tribunais e reforma política no Brasil democrático).

Ele trata também do impacto político da votação do impeachment no Senado. Segundo ele, é incerto o resultado da decisão sobre a saída permanente de Dilma Rousseff.

Apesar do tom negativo, ele avalia que o mês do tumulto vai passar sem deixar grandes sequelas para o país.

“Brasileiros passaram por momentos difíceis no passado, e a democracia brasileira sempre emergiu, resiliente e melhorada, do outro lado”, diz.

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CNBC: Brasil pechincha, mas estoura orçamento da Olimpíada em meio a crise
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Daniel Buarque

CNBC: Brasil pechincha, mas estoura orçamento da Olimpíada em meio a crise

CNBC: Brasil pechincha, mas estoura orçamento da Olimpíada em meio a crise

O orçamento estourado e a crise econômica no país podem até esconder, mas o Rio de Janeiro pechinchou na organização dos Jogos Olímpicos, segundo uma reportagem do canal de economia norte-americano CNBC – a justificativa da análise é histórica.

“Na média, desde 1960, países gastaram US$ 5,2 bilhões em valores ajustados pela inflação para sediar os Jogos Olímpicos, e estouraram o orçamento em 176%”, diz a reportagem. No Brasil, explica, os custos atingiram US$ 4,6 bilhões, um estouro de 51% no orçamento original.

Essa “economia” não significa tanto uma vitória para o país, que enfrenta uma série de problemas a uma semana da Olimpíada. A CNBC lista as adversidades enfrentadas pelo país, e destaca especialmente os contratempos de infraestrutura e a falta de segurança.

“A profunda recessão do Brasil pode significar que sua economia está menos preparada para lidar com o curto do que outras nações que sediaram os Jogos”, complementa.

A CNBC usa dados de um estudo da Universidade de Oxford sobre os custos dos Jogos. Este levantamento indica que, embora menor do que o estouro de orçamento de outros países, o Brasil está numa situação difícil economicamente.

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Em carta, congressistas dos EUA criticam ‘ameaça’ à democracia do Brasil
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Daniel Buarque

latime

Uma carta escrita por um grupo de 40 políticos norte-americanos do Partido Democrata expressa uma “profunda preocupação” com ameaças à democracia brasileira.

Enviada nesta semana e endereçada ao secretário de Estado do país, John Kerry, a carta pede que ele não apoie o governo do presidente interino Michel Temer.

O grupo questionou o julgamento político que resultou no afastamento de Dilma Rousseff. Segundo a agência de notícias Efe, esta é a primeira vez em mais de duas décadas que congressistas dos Estados Unidos se pronunciam em um tom preocupante sobre a política e a qualidade democrática brasileira.

“Pedimos o máximo cuidado em suas relações com as autoridades interinas do Brasil e que se abstenha de fazer declarações ou ações que possam ser interpretadas como um apoio à campanha pelo julgamento político contra a presidente Dilma Rousseff”, pediram os congressistas ao secretário de Estado, segundo a Efe.

Segundo reportagem publicada pelo jornal “Los Angeles Times”, o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Luiz Alberto Figueiredo Machado, pediu que membros do Congresso dos EUA não assinassem a carta. Ele defendeu que o processo de impeachment segue a lei do país.

Segundo a carta, houve uma apropriação do poder por parte de políticos que não foram capazes de ganhar nas urnas” e o governo dos EUA deveria pronunciar-se contra a farsa antidemocrática no país.

“Este é um momento-chave no qual os gestos diplomáticos e as declarações pronunciadas nos Estados Unidos terão verdadeiras consequências para o Brasil, seu futuro como democracia, e para todo o mundo”, avaliou a congressista de Ohio, Marcy Kaptur.

“Com o Brasil sob o foco noticioso como anfitrião dos Jogos Olímpicos, devemos ser extraordinariamente conscientes e cuidadosos de apoiar os valores e princípios democráticos”, acrescentou Kaptur.

Segundo a Efe, um porta-voz do Departamento de Estado confirmou o recebimento da carta e disse que será respondida.

“Estamos convencidos de que o Brasil resolverá seus desafios políticos de forma democrática e através de seu marco constitucional”, afirmou o porta-voz, ao acrescentar que o Departamento de Estado “continua acompanhando os eventos políticos” no país.

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Problemas no Rio levam a comparações com caos em Jogos de Sochi, na Rússia
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Daniel Buarque

Problemas no Rio levam a comparações com caos em Jogos de Sochi, na Rússia

Problemas no Rio levam a comparações com caos em Jogos de Sochi, na Rússia

Os problemas registrados na vila olímpica do Rio de Janeiro nos últimos dias, a menos de duas semanas do início dos Jogos, começaram a gerar comparações com o caos visto nos Jogos de Inverno em Sochi, em 2014, na Rússia.

Um texto publicado na revista “Foreign Policy” levantou a semelhança, e questionou se seria possível pensar que o Rio seria tão ruim assim.

A publicação foi atrás de casos registrados na Rússia, e lembrou de problemas em banheiros, caos em hotéis e várias outras adversidades encontradas pelos atletas.

A comparação é interessante do ponto de vista da imagem internacional do Brasil. Na virada da década, o país viu uma melhora na forma como era visto no resto do mundo. Isso acontecia em parte porque o Brasil era comparado a outros países emergentes, especialmente Rússia, Índia e China, parte dos chamados BRIC.

Na análise paralela entre essas nações, o Brasil era visto como uma democracia Ocidental mais estável, mais fácil de entender e lidar e com menos miséria e corrupção do que os outros. Assim o país se destacava, mesmo que tivesse um crescimento econômico relativamente menor.

Por este ponto de vista, o caos registrado na Olimpíada de inverno de Sochi pode fazer com que a imagem dos Jogos no Rio tenham um atenuante, e nem sejam vistos como tão problemáticos assim.

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Brasil é um dos países mais perigosos para ser mulher, diz rádio americana
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Daniel Buarque

Brasil é um dos países mais perigosos para ser mulher, diz rádio americana

Brasil é um dos países mais perigosos para ser mulher, diz rádio americana

“O país que vai sediar os Jogos Olímpicos no próximo mês é um dos lugares mais perigosos do mundo para ser uma mulher”, diz uma reportagem da rádio pública dos Estados Unidos, NPR. Em uma abordagem crítica da violência registrada no país, o veículo diz que as leis não são suficientes para deter os crimes contra mulheres.

“No Brasil, uma mulher é morta a cada duas horas e atacada a cada 15 segundos”, revela, indicando que a violência é ainda pior no norte e nordeste do país.

A reportagem conta a história de uma das vítimas dessa violência, morta a facadas pelo ex-parceiro depois de denunciar os ataques que sofria.

“Os homens aqui acham que se eles estão com uma mulher, são donos dela”, diz uma entrevistada citada na reportagem.

“A América Latina é o continente com maior número de assassinato de mulheres no mundo. Na maioria dos países da região, incluindo o Brasil, há leis específicas contra o feminicídio e violência contra mulheres para lidar com essa epidemia. Mas essas leis não estão funcionando”, diz.

Uma reportagem recente do “New York Times” abordou um outro tema ligado a casos de violência assim, indicando que o país vive uma epidemia de assassinatos de homossexuais.

Relatos sobre violência são uma constante na cobertura que a mídia internacional faz do Brasil. Casos recentes já estabeleceram a violência policial como sendo um forte estereótipo do país.

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‘Espírito do Brasil’ pode salvar Olimpíada do Rio, diz ‘USA Today’
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Daniel Buarque

'Espírito do Brasil' pode salvar Olimpíada do Rio, diz "USA Today"

‘Espírito do Brasil’ pode salvar Olimpíada do Rio, diz “USA Today”

Enquanto tudo parece dar errado e o noticiário internacional expõe uma sucessão de falhas na organização dos Jogos Olímpicos do Rio, um jornal norte-americano se apega ao exemplo da Copa do Mundo de 2014 para indicar que, no fim, tudo pode dar certo.

Para o “USA Today”, o “espírito do Brasil” pode salvar os Jogos do Rio.

“Estádios não são construídos com sorrisos, mas as lembranças, sim. Este lugar e seus moradores capturam os corações daqueles que se aventuram aqui de formas que nem mesmo os visitantes entendem completamente”, diz o texto assinado por Martin Rogers.

Rogers não escreve baseado em ilusões. Ele está no Rio, e reconhece muitos dos problemas que têm tido destaque na imprensa internacional às vésperas da Olimpíada: crise política, impeachment, recessão, corrupção, problemas na infraestrutura do evento, falência do Rio de Janeiro, violência e zika. Ainda assim, demontra otimismo.

“Se houvesse competições para eficiência, cumprimento de promessas, planejamento e capacidade de gerar confiança na comunidade internacional, o Rio não chegaria nem perto do pódio de nenhuma delas”, diz.

“Ainda assim esta cidade carnavalesca tem um fator significativo a seu favor que lhe dá a chance de ser palco de um evento ao fim do qual não vamos mais falar sobre tudo o que deu errado. Isso graças à personalidade do seu povo, o calor e paixão e amor pela vida”, diz.

A avaliação pode soar um tanto estereotipada, é verdade, mas vale lembrar que o turismo em ampla medida é construído por clichês, e que são os visitantes que vão consolidar uma imagem final para o evento – e os efeitos dele na imagem do país.

Foi assim também na Copa, é importante frisar. Em 2014, a cobertura internacional anterior ao evento também foi muito crítica, mostrando problemas do país, falhas e desvios no planejamento. Após o início do evento, entretanto, a narrativa foi substituída por uma de festa, reforçando o estereótipo do Brasil no resto do mundo.

Rogers destaca essa comparação, e deixa claro que sabe que a crise brasileira é muito maior hoje do que em 2014, mas ainda assim aposta na festa para que o Brasil deixe de lado a preocupação.

“O Brasil continua sendo um lugar rico, mesmo enquanto seu sistema financeiro caminha para a ruína. E por esta razão, mesmo com todos os problemas, dores de cabeça, má administração e drama, a Olimpíada do Rio não está perdida”, diz.

O otimismo do artigo do “USA Today” vai no sentido contrário ao de alguns analistas.

Segundo o pesquisador Peter Hakim, presidente emérito do think tank Inter-American Dialogue, mesmo que a Olimpíada aconteça de forma perfeita, “o Brasil vai ficar com sua imagem manchada”, disse, em texto publicado no site “Brink News”.

“O ex-presidente Lula queria a Olimpíada para o Brasil porque quase todos os grandes países do mundo sediaram os Jogos. Ele sabia que traria enorme publicidade para o Brasil e colocaria o país numa vitrine. O que ele não podia saber era que a imagem mostrada seria tão negativa, que o Brasil cairia tanto e tão rapidamente”, explicou.

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Deu no ‘Valor’: Cobertura da Olimpíada impulsiona imagem negativa do Brasil
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Daniel Buarque

Deu no 'Valor': Cobertura da Olimpíada impulsiona imagem negativa do Brasil

Deu no ‘Valor’: Cobertura da Olimpíada impulsiona imagem negativa do Brasil

Com a aproximação da Olimpíada, “nunca a imprensa internacional noticiou tanto o Brasil”, segundo um longo artigo publicado pelo jornal “Valor Econômico”. O problema é que a imagem do país mostrada por esta cobertura estrangeira tem sido bem negativa.

“O que tem ocorrido até agora, no entanto, é uma catástrofe de relações públicas porque, com raríssimas exceções, o material publicado é absolutamente negativo para o país”, diz o texto, assinado pelo professor Carlos Eduardo Lins da Silva, livre-docente e doutor pela USP.

O artigo levanta muitos dos casos mais recentes em que o Brasil foi descrito de forma negativa no exterior, com reportagens sobre violência, sobre problemas nos preparativos e movimentações pedindo o cancelamento dos Jogos Olímpicos. Ele cita ainda o segmento do programa Late Show, que ironizou o país.

Com base em estudos sobre o efeito de grandes eventos na imagem do país-sede, Lins da Silva argumenta, entretanto, que não é possível inferir que o Brasil será necessariamente menos bem apreciado em outros países ou verá diminuído o fluxo de turismo ou investimentos.

Este blog Brasilianismo tem acompanhado essa cobertura negativa desde bem antes da Olimpíada, quando as crises econômica e política já dominavam a cobertura relacionada ao Brasil, mostrando essa imagem de forma muito negativa. Desde então, entretanto, destacou que os principais levantamentos sobre a reputação do país indicavam que a impressão das pessoas sobre o Brasil não havia mudado muito. Em um caso específico, o da pesquisa Nation Brands Index, a imagem do Brasil até melhorou no ranking mundial.

Pesquisadores explicam isso com base no fato de que o conhecimento que o resto do mundo tem sobre o Brasil (ou sobre qualquer outro país que não afete diretamente suas vidas) é muito superficial. As pessoas no resto do mundo já têm uma impressão sobre o Brasil, e isso não muda radicalmente com a cobertura da imprensa.

Ainda assim, é interessante ler no artigo publicado pelo “Valor” uma análise aprofundada sobre o caso atual do Brasil.

“O Brasil não precisava da Olimpíada para compensar um déficit de simpatia global”, diz. “O objetivo do governo Lula parecia ser mais o de tentar fazer crescer exponencialmente um capital positivo já acumulado” – E foi essa expectativa que ficou frustrada com a cobertura que está acontecendo atualmente.

“Apesar dessa avalanche de más notícias, se o padrão de cobertura revelado pelos estudiosos de Iowa se repetir, durante os Jogos elas diminuirão e depois voltarão ao nível de antes (a não ser que algo realmente muito trágico ainda aconteça, como nos Jogos do México em 1968 ou de Munique em 1972)”, diz o artigo.

“Mais provável, o Brasil sobreviverá à atual quase hecatombe de imagem e deverá manter no médio e longo prazos sua apreciação internacional positiva mais ou menos inabalada. No entanto, este desgaste desnecessário, ainda que venha a ser temporário, poderia ter sido evitado.”

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