Brasilianismo

Reportagem da ‘Economist’ elogia mudanças na política econômica do Brasil

Daniel Buarque

Reportagem da 'Economist' elogia mudança na política econômica do Brasil

Reportagem da 'Economist' elogia mudança na política econômica do Brasil

Apesar de apontar as dificuldades políticas, com as críticas a um ministério formado só por homens brancos e os escândalos que derrubaram dois ministros, a edição mais recente da revista de ''The Economist'' elogia as mudanças na política econômica do Brasil. O texto diz que o começo de governo interino de Michel Temer abre espaço para que o país corrija seus erros e acerte o caminho para recurar a economia brasileira.

''O programa econômico de Temer está indo melhor. Seu time de pesos-pesados, liderado por Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, propõe a mais ambiciosa revisão da política econômica do Brasil em décadas'', diz, apresentando o plano de controle de gastos anunciado pelo governo interino.

''A ideia é curar o governo de um de seus principais vícios. Os gastos públicos cresceram em média 6% ao ano nos últimos 20 anos, muito mais rapidamente de que o PIB'', diz.

A proposta tem potencial, continua, otimista, e pode ajudar o país rapidamente. ''Isso porque a confiança de que o Brasil vai reduzir sua dívida pode diminuir as taxas de juros''. ''Essa perspectiva já está gerando esperança em empreendedores e investidores'', diz.

O texto é um dos mais fortes elogios ao governo interino já publicados nos grandes veículos de comunicação internacional. Enquanto a maior parte da imprensa estrangeira ainda foca no caos político e na continuação de escândalos que atingem o novo governo, a ''Economist'' aposta no time montado por Temer como o caminho certo para a recuperação do Brasil e a saída para a ''depressão econômica''.

A “Economist'' já vem acompanhando de perto o noticiário político do Brasil há meses, e sempre foi muito crítica ao governo de Dilma Rousseff. A revista rejeita a tese de que o impeachment equivale a um golpe de Estado e, em editorial, chegou a defender a renúncia da presidente afastada. Ainda assim, a publicação também tem sido muito crítica ao sistema político do país, e chegou a comparar o impeachment com um ''jeitinho'' para burlar Constituição.

A abordagem elogiosa se encaixa no perfil histórico da cobertura que a revista faz do que acontece no Brasil. Ao longo das décadas, a ''Economist'' tem a tendência de alternar momentos de expectativa com críticas sempre que o modelo da política econômica do governo brasileiro se aproxima ou se afasta dos ideais “pró-mercado”, segundo a pesquisa de doutorado da socióloga Camila Maria Risso Sales. Nesse sentido, a ''revisão'' que Temer faz da política econômica do país faz com que o modelo brasileiro volte a se encaixar no defendido pela revista.

O ponto estranho da reportagem recente é que ela peca ao exagerar na forma como o governo interino está sendo tratado no Brasil. ''Nem o Congresso nem os eleitores estão pedindo a derrubada do governo Temer'', diz, ignorando protestos realizados pelo país ao longo das últimas semanas. ''Brasileiros não esperam pureza moral do governo interino de Temer'', complementa.

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