Brasilianismo

Arquivo : maio 2016

Brasil tem imagem internacional melhor do que merece, diz Simon Anholt
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Daniel Buarque

Brasil tem imagem internacional melhor de que merece, diz Simon Anholt

Brasil tem imagem internacional melhor de que merece, diz Simon Anholt

O Brasil é o 20º país mais admirado do mundo, mas esta reputação talvez seja melhor do que o país merece de fato. Quando a contribuição real do país para o planeta é medida, o país cai dezenas de posições, e fica apenas em 49º lugar em um novo ranking de países desenvolvido pelo consultor britânico Simon Anholt.

Pesquisas sobre a percepção internacinal do Brasil indicam que o país ficam sempre em torno da 20ª posição entre as nações com melhor reputação. Foi assim com o Nation Brands Index (NBI, desenvolvido pelo próprio Anholt), com o Country Brand Report (da agência FutureBrand) e com o recente ranking Best Countries, divulgado pela consultoria internacional WPP.

Brasil tem imagem internacional melhor de que merece, diz Simon Anholt

Brasil tem imagem internacional melhor de que merece, diz Simon Anholt

Estas avaliações apontam que a “marca” do país costuma ser bem vista em termos da sua natureza e da sua atratividade para o turismo, por mais que tenha uma imagem ruim em termos de política e economia.

Tudo isso pode ser um favorecimento exagerado do país, segundo Anholt, que tem deixado de avaliar apenas a imagem das nações em uma competição global e passado a estudar a ideia de cooperação internacional e a contribuição de cada uma dessas nações para o planeta.

Maior referência internacional em estudos sobre reputação internacional de países, ele é um dos responsáveis por retratar o Brasil como 20º lugar do NBI e por revelar a ideia de que o país tem reputação de ser “decorativo, mas não útil”. Sua nova abordagem de estudos internacionais, entretanto, avalia o quanto os países realmente fazem pelo resto do mundo, e o quanto eles são “bons”.

Anholt desenvolveu um índice para medir o quanto cada país do mundo é “bom”. O Good Country Index (índice bom país) avalia a contribuição de cada nação para além das suas fronteiras. O índice avalia 125 nações em ciência e tecnologia, cultura, paz e segurança, ordem mundial, ambiente, prosperidade e igualdade, saúde e o bem estar do planeta. A ideia não é entender o quanto o país é bom para seus próprios cidadãos, mas o quanto eles são bons para o mundo todo.

Anholt admite que há uma correlação entre o quanto um país é “bom” e o quanto ele é admirado no resto do mundo. “Há cerca de 70% de correlação entre estudos de imagem e estudos sobre o quão ‘bom’ um país é, o que sugere que a imagem internacional de países está relacionada com a forma como eles afetam o mundo”, disse.

Uma das maiores exceções a esta correlação é justamente o Brasil. Apesar de ter a 20ª melhor reputação, o Brasil é o 49º no ranking do “bom país”. “O Brasil aparenta ter uma reputação melhor de que merece”, disse.

“O Brasil poderia contribuir muito mais para o mundo, ser mais aberto e ter maior colaboração internacional”, disse Anholt, em entrevista ao autor do blog Brasilianismo, publicada pela “Folha de S.Paulo”.

O GCI coloca a Irlanda em primeiro lugar, como país “mais bom” do mundo (Anholt rejeita o uso to termo em inglês “better”, que seria equivalente a “melhor”).

A avaliação considera que o Brasil faz grandes contribuições para a questão ambiental, área em que o país é o 5º mais bem classificado, mas em todos os outros quesitos o país vai muito mal.

O Brasil é apenas o 37º em contribuições à ordem mundial, o 49º em contribuições para a cultura, o 52º em contribuições para a saúbe e bem estar internacionais. Aparece ainda em 75º no ranking de contribuições para a ciência e tecnologia globais, 83º em contribuições para a paz e a segurança globais e, por fim, o 123º, antepenultimo da lista, em contribuições para a prosperidade e igualdade.

Segundo Anholt, a questão não tem nada a ver com dinheiro, e o Quênia, que é muito mais pobre que o Brasil, está bem à frente no ranking do ‘bom país”.

Na entrevista, Anholt contou que, enquanto oferecia conselhos sobre como os países poderiam melhorar a forma como eram vistos, percebeu que as reputações tinham muito a ver com a realidade interna e identidades nacionais. Concluiu então que o caminho para ser bem visto era apenas “ser bom”, agir de forma correta e responsável com o planeta.

“A reputação internacional de um país não pode ser construída artificialmente, apenas conquistada. Ao analisar dez anos de dados sobre marcas de países, descobri que a principal razão pela qual uma pessoa admira um país mais de que o outro não é a crença em seu sucesso, poder, beleza ou riqueza, mas a percepção de que ele contribui para o mundo.”

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‘La Nación’: Governo interino de Temer reaproxima Brasil da Argentina
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Daniel Buarque

'La Nación': Governo interino de Temer reaproxima Brasil da Argentina

‘La Nación’: Governo interino de Temer reaproxima Brasil da Argentina

O jornal argentino “La Nación” publicou uma longa reportagem nesta terça-feira avaliando uma potencial reaproximação entre o Brasil e a Argentina por conta do afastamento da presidente Dilma Rousseff e início do governo interino de Michel Temer.

“Se o Brasil tem problemas, isso é um problema para a Argentina”, diz, avaliando a “dependência econômica da Argentian em relação ao Brasil”.

Segundo o jornal, o governo e o mercado da Argentina estão acompanhando atentamente as primeiras medidas do governo interino, e observando com especial atenção as mudanças na economia e nas relações internacionais do Brasil.

“A subida de Michel Temer à Presidência do Brasil reinstala a fina sintonia política e econômica entre os dois mercados”, diz a publicação.

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Ian Bremmer: A narrativa do impeachment como golpe ‘não colou’ no exterior
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Daniel Buarque

Ian Bremmer: A narrativa do golpe não colou no exterior

Ian Bremmer: A narrativa do golpe não colou no exterior

A avaliação de que o afastamento da presidente Dilma Rousseff e o processo de impeachment equivalem a um golpe de Estado no Brasil não foi aceita pelo resto do mundo, segundo o cientista político Ian Bremmer.

Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, Bremmer explicou que a crise brasileira é muito complexa, e que há elementos de farsa no posicionamento político contra o governo Dilma, mas que não há elementos para confirmar um processo ilegal.

O cientista político é fundador e presidente da Eurasia, principal consultoria de risco político do mundo. A consultoria vem acompanhando atentamente o desenrolar da crise brasileira, e chegou a considerar o país o 8º maior risco global em 2016.

Em uma valiação publicada em março, a Eurasia já previa o afastamento de Dilma “até maio”.

Na entrevista, Bremmer disse que, se Dilma não fosse afastada, o Brasil levariaainda mais tempo para ver resolvidos os escândalos e a crise econômica.

“Nesse ponto seu afastamento ajudou, em termos de mercado. Não é por isso que era preciso se livrar dela, mas porque ela foi incapaz de administrar a derrocada política a partir de um escândalo extraordinário. Francamente, acho que teria sido melhor para todos se ela tivesse renunciado, mas é uma prerrogativa dela passar por esse período da forma como quiser.”

Veja abaixo trechos da avaliação de Bremmer sobre a situação do Brasil.

Leia a entrevista completa na Folha

Por que o Brasil foi incluído entre os riscos de 2016, numa lista que também tem ameaças como o grupo terrorista Estado Islâmico?
Quando fizemos a lista estava claro que a Lava Jato continuaria, que seria o maior escândalo político no Brasil desde o regime militar e que se desenrolava num ambiente econômico cada vez mais desafiador. Se soubéssemos da zika teríamos aumentado o risco Brasil.

A crise gerou uma guerra de narrativas. De um lado a presidente insiste que foi vítima de um golpe, enquanto os defensores do impeachment afirmam que o processo é legítimo. Qual das duas venceu no exterior?
A narrativa do golpe não colou. Alguns dos pronunciamentos feitos contra Dilma Rousseff na votação do impeachment foram obviamente meio farsescos. Mas muitas afirmações de legisladores ao redor do mundo devem ser encarados com um grão de sal, e nos EUA temos a nossa parcela de constrangimento. Uma das grandes façanhas do Brasil foi fazer com que as eleições americanas pareçam boas. Até a mulher de Temer faz Trump parecer um presbiteriano. Melania [Trump] não tem o nome do marido tatuado na nuca.

O afastamento da presidente restaura a confiança dos investidores estrangeiros?
A crise é muito feia, são dois anos de uma recessão severa. Mas acredito que com o tempo o sentimento dos investidores vai mudar. É muito cedo para dizer que isso ocorrerá agora, não sei se já chegamos ao ponto de inflexão para que as pessoas realmente se sintam confortáveis, porque o escândalo de corrupção tem efeitos imprevisíveis.

O governo Obama negou a tese de golpe contra a presidente Dilma. Como ficam as relações entre os dois países?
Obama quer se concentrar mais em política externa enquanto caminha para o fim de seu mandato, sobretudo nos lugares onde pode deixar um legado. Não acho que ele realmente possa fazer algo nesse sentido com o Brasil. Ainda há muita incerteza no país e o governo [interino] está cercado demais de questionamentos, por isso não acho que haverá qualquer avanço significativo do Brasil com os EUA. E a América Latina não é uma prioridade para o governo americano.

 

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‘Democracia no Brasil está viva’, responde embaixador do Brasil em Londres
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Daniel Buarque

'Democracia brasileira está viva', diz embaixador em resposta a parlamentares britânicos

‘Democracia brasileira está viva’, diz embaixador em resposta a parlamentares britânicos

O embaixador brasileiro em Londres, Eduardo dos Santos, publicou uma carta no jornal “The Guardian” reagindo à acusação de parlamentares britânicos de que o processo de impeachment de Dilma Rousseff seria um insulto à democracia. Segundo o embaixador, a democracia brasileira “está viva e bem”.

“O processo de impeachment segue os requerimentos da Constituição brasileira e a lei, sob o olhar do Supremo Tribunal Federal. É incorreto descrever o processo como manobras políticas contra a vontade do eleitorado”, diz.

Um dia antes da carta do embaixador, um grupo de 20 parlamentares britânicos condenou o processo de impeachment e o afastamento de Dilma no mesmo jornal.

“Condenamos a suspensão da presidente Dilma Rousseff no Brasil. É errado que alguns parlamentares pisoteiem a vontade política expressada nas urnas por 54 milhões de brasileiros”, diz o texto assinado por uma maioria de parlamentares do Partido Trabalhista, critica o governo interino de Michel Temer.

O embaixador brasileiro reagiu explicando que no sistema presidencialista, os votos recebidos pelo presidente não previnem que um processo de impeachment avalie se o chefe de Estado cometeu um crime de responsabilidade.

“A embaixada brasileira rejeita qualquer alegação de que houve uma tentativa de derrubar a democracia no Brasil, ou de que programas sociais dos anos recentes podem ser revertidos”, diz.

A resposta do embaixador segue a linha exigida pelo novo governo, que determinou que os diplomatas brasileiros combatam no exterior o discurso que compara o impeachment a um golpe.

Os embaixadores brasileiros ao redor do mundo receberam uma circular instruindo como devem “combater ativamente” as acusações de golpe no país. “Os equívocos porventura cometidos no tratamento de temas da realidade brasileira por autoridades locais na jurisdição do posto, geradores de percepções erradas sobre o corrente processo político no Brasil, devem ser ativamente combatidos por vossa excelência”, diz o documento.

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Impeachment é ‘insulto à democracia’, criticam parlamentares britânicos
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Daniel Buarque

Parlamentares britânicos condenam impeachment: 'Insulto à democracia'

Parlamentares britânicos condenam impeachment: ‘Insulto à democracia’

Em uma carta publicada pelo jornal britânico “The Guardian”, um grupo de 20 parlamentares britânicos condenou o processo de impeachment e o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Segundo os políticos, o processo é um insulto à democracia do país.

“Condenamos a suspensão da presidente Dilma Rousseff no Brasil. É errado que alguns parlamentares pisoteiem a vontade política expressada nas urnas por 54 milhões de brasileiros”, diz o texto.

A carta, que é assinada por uma maioria de parlamentares do Partido Trabalhista, critica o governo interino de Michel Temer.

“O novo governo mostrou suas verdadeiras cores ao indicar um ministério não representativo, só de homens, e lançar políticas neoliberais que vão machucar milhões de trabalhadores e pobres.”

“O governo interino não tem mandato para implementar políticas que revertem os programas sociais que retiraram 40 milhões de pessoas da pobrezas”, continua.

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Impeachment de Dilma é ‘jeitinho’ para burlar Constituição, diz ‘Economist’
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Daniel Buarque

Impeachment de Dilma é 'jeitinho' para burlar Constituição, diz "Economist"

Impeachment de Dilma é ‘jeitinho’ para burlar Constituição, diz “Economist”

No contexto da atual crise política e do afastamento da presidente Dilma Rousseff, a revista “The Economist” publicou em sua edição mais recente uma reportagem sobre a cultura brasileira, explicando a seus leitores aspectos bem característicos do país, como o “jeitinho brasileiro”. Segundo a publicação, enquanto os que apoiam Dilma acusam a existência de um golpe de Estado, é este traço nacional que pode ajudar a explicar o processo de impeachment.

“O impeachment de Dilma Rousseff, uma presidente impopular que não foi acusada pessoalmente de um crime sério, é um jeitinho em torno da Constituição”, diz a revista.

A “Economist” tem acompanhado de perto o noticiário político do Brasil e sempre foi muito crítica ao governo de Dilma. A revista rejeita a tese de que o impeachment equivale a um golpe de Estado e, em editorial, chegou a defender a renúncia da presidente. Ainda assim, a publicação critica o sistema político do país.

Este blog Brasilianismo já tratou das abordagens da “Economist” em relação ao Brasil em outras ocasiões. A publicação é uma das mais influentes do mundo, e costuma servir de referência para discussões a respeito da economia internacional, mas a cobertura dela respeito do Brasil tem a tendência histórica de alternar momentos de expectativa com críticas sempre que o modelo da política econômica do governo se aproxima ou se afasta dos ideais “pró-mercado”, segundo a pesquisa de doutorado da socióloga Camila Maria Risso Sales.

“Jeitinho, que tem conotação de engenhosidade e também de ilegalidade, é uma marca da identidade nacional”, diz, listando uma série de “gambiarras” sociais usadas pelos brasileiros para burlar regras.

Segundo a “Economist” esse traço cultural pode ser explicado por questões ligadas à colonização brasileira, à religiosidade, à mistura de culturas e até mesmo à desigualdade social.

A revista diz, entretanto, que apesar de ser parte forte da personalidade brasileira, avanços recentes no controle das leis no Brasil podem estar diminuindo o espaço para o “jeitinho”.

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Sistema político é origem da crise vivida no Brasil, diz ‘Washington Post’
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Daniel Buarque

Sistema político é origem da crise vivida no Brasil, diz 'Washington Post'

Sistema político é origem da crise vivida no Brasil, diz ‘Washington Post’

As regras eleitorais e o sistema político brasileiro são em ampla medida responsáveis pela atual crise por que passa o Brasil, incluindo o processo de impeachment, o afastamento da presidente Dilma Rouseff e as denúncias contra o recém-formado governo interino de Michel Temer. A avaliação foi publicada em um artigo publicado no jornal norte-americano “Washington Post”.

Políticos eternamente procurando financiamento, partidos sem organização e poder, grandes interesses que atravessam linhas partidárias e um sistema parlamentar que envolve a formação de uma coalizão com centenas de indivíduos de mais de uma dúzia de partidos, descreve o jornal.

“A democracia brasileira tem apenas 28 anos, ainda está amadurecendo e melhorando. Ainda assim ela se encontra em uma situação difícil. Grande parte da culpa é do sistema eleitoral e de partidos. Talvez a surpresa não seja que o Brasil chegou a este ponto, mas que demorou tanto para chegar lá”.

O artigo faz uma longa crítica ao sistema eleitoral proporcional do Brasil, no qual os partidos não definem necessariamente os candidatos que vão fazer parte do Parlamento. “Para se elegerem, candidatos a deputados precisam de votos não para seus partidos, mas para eles mesmos. Eles precisam encontrar formas de aparecer no meio de milhares de outros candidatos em dezenas de outros partidos”, explica. “Você pode imaginar o quanto isso é difícil”, diz.

O “Washington Post” também critica o sistema de financiamento de campanhas. “As empresas não precisam selecionar partidos específicos para apoiar. Em vez disso, elas tratam as doações como investimento, fazendo como investidores inteligentes: diversificando. Em outras palavras, elas pagam para quase todos os candidatos, independentemente do partido ou se a contribuição é legal”, diz. “Mas claro, essas empresas querem algo em retribuição: contratos dos governos”, completa.

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Marcos Troyjo: Diplomacia de Lula/Dilma não projetou Brasil no palco global
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Daniel Buarque

Marcos Troyjo: Diplomacia de Lula/Dilma não projetou Brasil ao centro do palco global

Marcos Troyjo: Diplomacia de Lula/Dilma não projetou Brasil ao centro do palco global

A ideia de que a ascensão da imagem do Brasil no mundo ao longo dos últimos anos deu ao país protagonismo nas relações globais é um erro, segundo o pesquisador e colunista da “Folha de S.Paulo” Marcos Troyjo.

Em um texto publicado nesta quarta-feira, Troyjo alega que o Brasil teve uma grande oportunidade e chegou a um “camarote” dessa política internacional, mas que se comportou de forma errada e deixou de aproveitar a chance de se consolidar como importante ator naquele palco.

Sua avaliação pode soar um tanto exagerada, mas ela não nega o fato de que o país teve um aumento na sua visibilidade internacional nas últimas décadas, e que passou a ser mais reconhecido. Sua crítica central indica que o aumento da projeção não se consolidou em aumento de importância real ou de força internacional.

“Enquanto esteve no camarote VIP, o Brasil teve, a um só tempo, os olhos do mundo sobre si e um excelente ponto de observação para antecipar tendências. Ao optar pelo acessório e o perdulário, comportou-se como o “rei do camarote” das relações internacionais”, diz.

Troyjo é economista, diplomata e cientista social, e dirige o BRICLab da Universidade Columbia em Nova York. Seu texto avalia as mudanças das relações exteriores do Brasil a partir do afastamento de Dilma Rousseff da Presidência e da chegada de José Serra ao Itamaraty.

Veja abaixo alguns trechos do texto dele

“A diplomacia de Lula-Dilma não projetou, a bem da verdade, o país ao centro do palco. Nossos tradicionais ativos e potencialidades, de território, população, peso relativo do mercado interno e patrimônio ambiental, somaram-se a um conjunto de fatores positivos. A estabilidade macroeconômica herdada (e dilapidada) pelo lulopetismo, o bônus demográfico, o superciclo das commodities e a promessa de uma superpotência energética permitiram-nos acesso ao “camarote VIP” frequentado por potências emergentes.

De lá, equipado por uma boa estratégia de inserção global, poderia ter continuado a ascender, mas desperdiçou boas oportunidades que lhe passaram à frente.

No camarote VIP, o Brasil pouco fez por reformar-se internamente ou adaptar-se à globalização. Com a possível exceção da agenda global do meio ambiente e dos marcos para o desenvolvimento sustentável, o país pouco liderou. Os Brics, seja como sinônimo de classe de ativos ou plataforma de inserção global, não representam uma formulação “Made in Brazil”. Tampouco o G20.

Dizer que de agora em diante o Brasil vai abandonar a “liderança” da integração latino-americana é uma bobagem. Empatias ideológicas e a multiplicação de fóruns regionais para a crítica aos males do mundo não são sinônimos de integração. Enquanto comprar uma garrafa de um bom vinho argentino for mais barato em Nova York do que em São Paulo, a integração não é para valer.”

Leia a coluna completa na “Folha”

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Deu na ‘Science’: Mudança política no Brasil cria alerta para cientistas
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Daniel Buarque

'Science': Mudança política no Brasil cria alerta para cientistas e ambientalistas

‘Science’: Mudança política no Brasil cria alerta para cientistas e ambientalistas

O tumulto político vivido pelo Brasil abriu espaço para projetos de grandes obras que geram alertas para cientistas, ambientalistas e defensores de direitos de indígenas, segundo uma reportagem publicada pela revista norte-americana de assuntos científicos “Science”.

“A comunidade científica está tensa desde que Dilma Rousseff foi retirada da Presidência em 12 de maio”, diz a revista.

Segundo a publicação, as mudanças apresentadas pelo governo interino de Michel Temer indica maior facilidade para empresas e negócios e um rebaixamento da ciência e da inovação no país.

O principal foco da reportagem é o processo de aceleração de decisões sobre licença para obras de infraestrutura e desenvolvimento. Por mais que reconheça a importância desses projetos, a “Science” ressalta que é preciso ter estudos para evitar que eles levem destruição ao ambiente.

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Deu na “Folha”: Governo Temer cobra que diplomatas combatam imagem de golpe
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Daniel Buarque

Deu na "Folha": Governo Temer cobra que diplomatas combatam imagem de golpe no Brasil

Deu na “Folha”: Governo Temer cobra que diplomatas combatam imagem de golpe no Brasil

Reportagem publicada na “Folha de S.Paulo” revela que o governo Temer está atuando para que os diplomatas brasileiros combatam a imagem de que houve um golpe de Estado no processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Segundo o texto da repórter especial Patrícia Campos Mello, os embaixadores brasileiros ao redor do mundo receberam uma circular instruindo como devem “combater ativamente” as acusações de golpe no país.

“Os equívocos porventura cometidos no tratamento de temas da realidade brasileira por autoridades locais na jurisdição do posto, geradores de percepções erradas sobre o corrente processo político no Brasil, devem ser ativamente combatidos por vossa excelência”, diz o documento.

“Declarações vagas e sem fundamento sobre a inobservância da legislação brasileira […] sobretudo emanadas de autoridades governamentais ou de dirigentes de organismos internacionais, precisam ser enfrentadas com rigor e proficiência, a fim de evitar que continuem a fomentar dúvidas infundadas sobre a lisura do processo político no Brasil”, diz a circular. “Não é admissível que o processo de impeachment seja assemelhado a ‘manobras’ ou ‘farsas políticas’.”

A mudança política no Ministério de Relações Exteriores sob o governo interino de Michel Temer tem sido um dos temas mais importantes nas abordagens internacionais sobre o Brasil. As declarações de José Serra como novo chanceler receberam elogios de colunistas na mídia internacional, mas também foram criticadas como um sinal de volta ao passado.

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