Brasilianismo

Surto de zika monopoliza noticiário internacional sobre o Brasil

Daniel Buarque

Surto de zika monopoliza noticiário internacional sobre o Brasil

Surto de zika monopoliza noticiário internacional sobre o Brasil

Em novembro do ano passado, enquanto o Brasil lidava com a notícia de que o surto do vírus zika podia estar relacionado ao aumento do número de casos de microcefalia e fazia deste um dos temas mais populares dos meios de comunicação, o resto do mundo ainda tateava tentando entender o que acontecia no país. Pouco mais de dois meses depois, o risco de epidemia global das doenças se tornou um assunto político a ser tratado por diplomatas em encontros internacionais e médicos de todo o mundo na Organização Mundial da Saúde. E agora o zika praticamente mobiliza o noticiário internacional sobre o Brasil.

Mais da metade das menções ao país na imprensa estrangeira tratam do zika. Na última semana, foram centenas de reportagens todos os dias, com diferentes abordagens e com variados graus de aprofundamento. E assim, a associação entre zika e Brasil chegaram ao topo das tendências mais populares do planeta no Google.

OMS declara zika uma emegência internacional, em reportagem do 'New York Times'

OMS declara zika uma emegência internacional, em reportagem do 'New York Times'

O caso fica ainda mais relevante depois de a OMS declarar, nesta segunda-feira (1º), que o zika é uma ''emergência internacional''.

''O surto de zika, que é transmitido por mosquitos, começou no Brasil em maio do ano passado e desde então já se espalhou por mais de 20 países na América Latina. A principal preocupação é sobre a possível ligação enntre o vírus e a microcefalia, que faz bebês nascerem com problemas no cérebro e má-formação na cabeça. O número de casos relatados de microcefalia cresceram rapidamente no Brasil, marco zero da doença, apesar de pesquisadores ainda pesquisarem uma relação direta entre as doenças'', diz o ''New York Times'' sobre a notícia da OMS.

Da cobertura incerta e sem muito conhecimento do assunto encontrada nas primeiras reportagens, ainda em novembro de 2015, o tom mudou. Agora há artigos científicos, reportagens com análises políticas e sociais, estudos de medicina, e longos estudos que buscam entender o que acontece no país, e qual o risco disso para o mundo.

O aprofundamento é tal, que a revista ''Nature'', uma das principais publicações científicas do mundo, já se envolveu no tema, tentando diminuir o pânico global e mencionando que há exagero na preocupação.

Surto de zika monopoliza noticiário internacional sobre o Brasil

Surto de zika monopoliza noticiário internacional sobre o Brasil

A publicação destacou um levantamento que questiona o surto de microcefalia no Brasil.
De acordo com estudiosos, é impossível estabelecer o tamanho real do surto de microcefalia, e o aumento de casos da doença poderia ser atribuído ao fato de, após o aparecimento dos primeiros relatos, ter crescido a atenção a problemas de nascença, como a microcefalia, e também por diagnósticos errados.

A reportagem da ''Nature'' foi reproduzida e citada em diversos outros veículos. A rádio pública norte-americana PRI, por exemplo, tratou os dados divulgados pelo Brasil com desconfiança.

''Veículos da imprensa foram rápidos em aceitar uma conexão assustadora que pensava-se haver entre o vírus que se espalha rapidamente e a má-formação em bebês. Mas uma análise mais detalhada dos dados e da terminologia usada pelo governo sugere que a todos devem parar e respirar fundo'', diz a PRI.

Além das análises sobre o impacto real do zika, reportagens mais aprofundadas estão mostrando como a doença está afetando a vida no Brasil.

Um trabalho publicado no domingo pela agência Associated Press abordou a epidemia de zika sob a ótica da desigualdade social brasileira. Uma reportagem publicada por dezenas de veículos em inglês compara as diferentes realidades de mulheres ricas e pobres sob a ameaça de zika e microcefalia, evidenciando o quanto o Brasil vive diferenças sociais. Enquanto mulheres ricas têm dezenas de opções para se proteger, as pobres encaram a falta de chances para evitar a exposição à doença.

Surto de zika monopoliza noticiário internacional sobre o Brasil

Surto de zika monopoliza noticiário internacional sobre o Brasil

 

Assim como a AP, os jornais ''New York Times'' e ''Wall Street Journal'' enviaram seus correspondentes ao Recife, que vem sendo tratado no resto do mundo como o ''epicentro da epidemia de zika e microcefalia''.

No ''NYT'', a reportagem é sobre o drama humano vivido na cidade ''marcada pela pobreza'', enquanto o ''WSJ'' aborda o trabalho dos médicos que soaram o alarme sobre os riscos da relação entre zika e microcefalia.

A cobertura está por todas as partes, e se fortalece a relação entre a imagem do Brasil e a preocupação com a saúde. Considerando o crescimento do número de reportagens, o tema ainda deve continuar ganhando força na imprensa do resto do mundo.

Além da desigualdade no país, a cobertura tem evidenciado problemas de pobreza no Brasil, especialmente na comparação com outros países. Em um painel sobre o tema na rede de TV CNN, isso ficou claro quando uma entrevistada ressaltou que os americanos moram em cidades com menos gente e têm eletricidade e ar-condicionados. Além disso, eles ficam dentro de casa, o que diminui o risco de picadas de mosquitos. ''Nosso estilo de vida não nos expõe tanto a mosquitos quanto os pobres em uma favela brasileira'', disse.

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