Brasilianismo

Editor da ‘Americas Quarterly’ narra terror de vivenciar tiroteio no Pará

Daniel Buarque

Editor da 'Americas Quarterly' narra terror de vivenciar tiroteio no Pará

Editor da 'Americas Quarterly' narra terror de vivenciar tiroteio no Pará

Notícias sobre a violência no Brasil são constantes na imprensa internacional. Enquanto a maioria das reportagens se pauta por dados relacionados a homicídios, ou em novidades de pesquisas e no debate político sobre o combate à criminalidade, a revista ''Americas Quarterly'' publicou nesta semana um relato bem pessoal do contato do seu correspondente no Brasil com a brutalidade que pode ser encontrada no cotidiano de todo o país.

Brian Winter, editor chefe da 'AQ' no Brasil, relata em seu texto a experiência de ir do ''céu ao inferno'' brasileiro em poucas horas. Depois de passar o dia em contato com a natureza em Paragominas (PA), ele ficou no meio do fogo cruzado entre uma quadrilha e policiais que defendiam um presídio nas proximidades de Belém.

Depois de ficar preso em um engarrafamento na estrada e de ver carros fugindo na contramão, Winter diz que começou a ouvir o som de tiros. ''Os tiros vindos [do presídio] aumentaram em frequência – armas automáticas, 'bap bap bap bap bap'. João e eu abrimos as portas do carro e corremos para dentro de um depósito para nos protegermos. Olhando para fora, vi meia dúzia de pessoas vestidas de preto na estrada do lado de fora do presídio. Polícia? 'Bap bap bap bap bap''', conta.

Pelo menos duas pessoas morreram no tiroteio, e Winter, que mora no Brasil desde 2010, diz que pensou duas vezes antes de escrever o texto publicado na ''AQ''. Ele alegou saber que o tema é delicado, entender que existe criminalidade em todo o mundo e que a atenção relacionada a violência agora está mais voltada ao terrorismo internacional, mas achou que seria importante falar sobre o tema no Brasil.

''Sim, é verdade – coisas ruins acontecem em todo lugar. Mas o grau de violência no Brasil e a forma como ela continua piorando desafiam a capacidade de compreender. Mais de 50 mil brasileiros são assassinados todos os anos, e há estimativas que dizem que um a cada dez homicídios no planeta acontecem lá'', diz.

A experiência no Pará o faz pensar na vida no Brasil como um todo. Por um lado há a simpatia e a receptividade dos brasileiros, que se abrem aos estrangeiros que chegam ao país. Por outro, há a violência que atinge toda a população de 200 milhões de habitantes e afeta a todos.

A situação está crítica, ele lamenta, e a população está cansada. A violência e a pressão sobre os brasileiros é vista em uma guinada à direita no Congresso, e em discursos que defendem justiceiros e a ideia de que ''bandido bom é bandido morto'', diz.

''É um país onde você pode começar o dia com uma caminhada em um parque ensolarado e terminar lamentando profundamente a morte de alguém que você nunca conheceu. É um lugar onde é comum experimentar sensações de céu e inferno em um único dia. Os brasileiros não deveriam precisar escolher. Não mais. Já Basta.''

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